Nas margens da insegurança: investigações sobre crianças em situação de migração e refúgio

Maria Isabel Abelson Liane Maria Silveira Simone Gonçalves de Assis Sobre os autores

Resumo

Crianças são especialmente vulneráveis em situação de migração e refúgio pela exposição a tráfico, exploração sexual, abandono, fome, violências e detenções, capazes de comprometer o seu desenvolvimento. Objetiva-se analisar, através de revisão bibliográfica sistemática, as abordagens utilizadas para investigar a situação de migração e refúgio de crianças até 10 anos de idade. Foram captados 92 artigos em seis bases das áreas de saúde mental e educação, publicados entre 2010 e 2019. Os impactos sobre a saúde mental chamam atenção pela severidade dos transtornos mentais que acometem as crianças refugiadas; na educação, os estudos apontam para a relação de cuidado dos profissionais desta área com as crianças. As principais técnicas de coleta de dados utilizadas nos estudos são: entrevistas, questionários, grupos focais e desenhos. Predominam textos na perspectiva das crianças e adultos falando sobre a criança. Mesmo as pesquisas que não partiram da premissa de dialogar com as lógicas infantis, construíram documentos capazes de refletir a experiência de adultos responsáveis pelas crianças. Legislações e protocolos de escuta de crianças por autoridades, levando em consideração o melhor interesse da criança, são escassos e pouco mobilizadores, não conseguindo unir esforços universais de proteção e garantia dos direitos fundamentais dessas crianças.

Palavras-Chave:
Migração; Refúgio; Crianças; Intervenções; Desamparo

Introdução

A decisão de migrar, seja por razões climáticas, econômicas, perseguições, guerras e conflitos armados é muito impactante para crianças, famílias, grupos ou populações inteiras. No ano de 2019, o deslocamento forçado atingiu cerca de 79,5 milhões de pessoas no planeta, estimando-se que 34 milhões (40%) são crianças e adolescentes, até 18 anos. Em torno de 68% dos refugiados são provenientes de cinco países: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Myanmar. Os países que mais recebem são: Turquia, Colômbia, Paquistão, Uganda e Alemanha. Na última década, pelo menos 100 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas e buscarem refúgio dentro ou fora das fronteiras de seus países (ACNUR, 2019ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS (ACNUR). Relatório anual do ACNUR Tendências Globais de 2020. (2019). Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/2020/06/18/relatorio-global-do-acnur-revela-deslocamento-forcado-de-1-da-humanidade/>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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).

As crianças são muito vulneráveis, pois estão em risco de tráfico, exploração sexual, abandono e fome. A partida das pessoas do local em que vivem, a viagem e a repressão nas fronteiras, expõem as crianças a cenas traumatizantes de violência e a readaptação ao novo contexto ou país afetando a saúde mental infantil (Harkensee ., 2021HARKENSEE, C.; ANDREW, R. Health needs of accompanied refugee and asylum-seeking children in a UK specialist clinic. Acta Paediatr.; Mar. 2021. Disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/apa.15861>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Mock-Muñoz DE LINA ., 2020MOCK-MUÑOZ, L. C.; GRANBERG A.; KRASNIK A.; VITUS K. Towards more equitable education: meeting health and wellbeing needs of newly arrived migrant and refugee children-perspectives from educators in Denmark and Sweden. Int J Qual Stud Health Well-being, v. 15, supl. 2, p. 1773207, 2020. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33297896/>. Acesso em: 20 fev. 2022.; MARES, 2020MARES, S. Mental health consequences of detaining children and families who seek asylum: a scoping review. Eur Child Adolesc Psychiatry, v. 30, p. 1615-1639, 2020. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007/s00787-020-01629-x>. Acesso em: 20 fev. 2022.). A gravidade das deportações e detenções nas fronteiras são outros aspectos que agravam a vulnerabilidade infantil, assim como as condições de vida que estabelecem nos novos locais em que vivem (OIM, 2019ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES (OIM). Informe sobre las Migraciones em el Mundo 2020. (2019). Disponível em: <https://publications.iom.int/system/files/pdf/wmr_2020_es.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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; SCHERF ., 2020SCHERF, E. L.; SILVA, M. V.; SILVA, J. E. Encarceramento e Migrações Infantis no Canadá: Implicações para os Direitos Humanos das Crianças Migrantes (2010-2016). Revista Humanidades e Inovação, v. 7, n. 20, 2020. Disponível em: <https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/3545> Acesso em: 20 fev. 2022.). O número global de crianças refugiadas e migrantes que se deslocam sozinhas aumentou quase cinco vezes desde 2010: pelo menos 300 mil crianças desacompanhadas e separadas de suas famílias foram registradas em cerca de 80 países em 2015-2016, contra 66 mil em 2010-2011, com muitas seguindo por rotas perigosas – à mercê de contrabandistas e traficantes – para chegarem a seus destinos (UNICEF, 2017FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PELA INFÂNCIA (UNICEF). A Child is a Child. Nova York, 2017. Disponível em: <https://weshare.unicef.org/Package/2AMZIFLNNPP0>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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). Para o ano de 2022, o UNICEF prevê mais de 3,5 milhões de crianças afetadas pela migração, somente na América Latina e Caribe (UNICEF, 2021FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PELA INFÂNCIA (UNICEF). 2021. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/america-latina-e-caribe-cerca-de-3-5-milhoes-de-criancas-podem-ser-afetadas-pela-migracao-no-proximo-ano#:~:text=Cidade%20do%20Panam%C3%A1%2C%207%20de,apelo%20humanit%C3%A1rio%20para%20a%20regi%C3%A3o.&text=Algumas%20crian%C3%A7as%20ficam%20sozinhas%20durante%20a%20viagem>. Acesso em: 18 fev. 2022.
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).

A infância é considerada o período crucial para o desenvolvimento humano (Souza ., 2015SOUZA, J. M.; VERÍSSIMO, M. R. Desenvolvimento Infantil: análise de um novo conceito. Revista Latino-Am. Enfermagem, v. 23, n. 6, p. 1097-1104, nov-dez. 2015. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rlae/a/37zgmVWz6vbm9YbBGTb5mbB/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 22 fev. 2022.) e está incluída nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030 (ONU, 2015ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030. (2015). Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/sdgs>. Acesso em 22 fev. 2022.
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). No Brasil, em 2016, uma importante conquista dos direitos das crianças foi a Lei do Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), que prevê o estabelecimento de políticas, planos, programas e serviços que buscam garantir o desenvolvimento integral das crianças até 6 anos de idade.

Há várias consequências para a saúde dos pequenos migrantes. Dentre elas o prejuízo educacional: 3,7 milhões de crianças refugiadas no mundo estavam fora da escola em 2018 (ACNUR, 2019ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS (ACNUR). Relatório anual do ACNUR Tendências Globais de 2020. (2019). Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/2020/06/18/relatorio-global-do-acnur-revela-deslocamento-forcado-de-1-da-humanidade/>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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). Outro fator são as barreiras linguísticas que causam redução de matrículas escolares, restringindo o direito à educação dos refugiados em todo o mundo. Há também significativa limitação ao acesso a serviços de justiça, educação, sociais e de saúde (UNESCO, 2019ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO). Proteção do direito à educação dos refugiados: documentos técnicos sobre política educacional. 2019. Disponível em: <https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000251076_por?posInSet=1&queryId=fdc6fa42-5c77-4666-b72b-cc329af020c5>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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). No que tange à saúde mental das crianças, sintomas comuns em migrantes são: transtornos de ansiedade, depressão, medo da separação da família, entre outros (EL-KHANI ., 2021EL-KHANI, A.; HAAR, K.; STOJANOVIC, M.; MAALOUF, W. Assessing the Feasibility of Providing a Family Skills Intervention, “Strong Families”, for Refugee Families Residing in Reception Centers in Serbia. Int J Environ Res Public Health, v. 18, n. 9, April 2021. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33923302/>. Acesso em: 20 fev. 2022.; BENDAVID et al., 2021).

As vivências nesta fase têm impacto direto no desenvolvimento cerebral, contribuindo diretamente na construção e elaboração das emoções, da aprendizagem e do comportamento (FONSECA, 2016FONSECA, V. Importância das emoções na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. Rev. psicopedag. São Paulo, v. 33, n. 102, p. 365-384, 2016. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862016000300014&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 22 fev. 2022.
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). Até os 10 anos as crianças estão construindo habilidades cognitivas e emocionais para lidar com o mundo adulto de forma autônoma, combinando e reelaborando de forma criadora, novas situações (Vygotski, 2018VYGOTSKI, L. S. Imaginação e Criação na Infância: ensaio psicológico livro para professores. São Paulo: Expressão Popular, 2018.).

O objetivo do artigo é analisar as abordagens utilizadas na literatura para investigar a situação de migração e refúgio de crianças até 10 anos de idade. Compreender a perspectiva da criança em deslocamento é algo que tem sido pouco explorado na literatura, que em geral prioriza aspectos educacionais das crianças migrantes (NEVES, 2018NEVES, A. de O. Política Linguística de acolhimento a crianças imigrantes no ensino fundamental brasileiro: Um estudo de caso. 2018. 203f. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) – Universidade Federal de Minas Gerais. Minas Gerais.; NASCIMENTO, 2020NASCIMENTO, M. L.; MORAIS, C. (In)visibilidade das crianças imigrantes na cidade de São Paulo: questões para pensar a cidadania da pequena infância. Revista Espaço Pedagógico, v. 27, n. 2, p. 437-458, 28 jul, 2020. Disponével em: <http://seer.upf.br/index.php/rep/article/view/11435>. Acesso em: 25 fev. 2022.). A necessidade da migração infantil ser mais investigada é reiterada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais - CLACSO, que reforça a importância de a criança ser vista como sujeito ativo, que participa e opina sobre o que acontece em sua vida e de se buscar compreender através de suas narrativas como se dá o processo de integração em seus novos destinos (CLACSO, 2020CONSELHO LATINO-AMERICANO DE CIÊNCIAS SOCIAIS (CLACSO). Voces y experiencias de la niñez y adolescencia venezolana migrante em Brasil, Colombia, Ecuador y Perú, 2020. Disponível em: <https://biblio.flacsoandes.edu.ec/libros/151027-opac>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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). Investigar a migração através das narrativas infantis faz-se necessário, desvelando o medo e a coragem de cada sujeito envolvido, evidenciando memórias que se misturam a cenas do cotidiano, desvendando um passado e um presente marcados pela incerteza de um futuro próximo (Paraguassu, 2020PARAGUASSU, F. Narrativas de infâncias refugiadas: a criança como protagonista da própria história. 2000. 161 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Cultura) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.; Arfuch, 2016ARFUCH, L. Narrativas em el Pais de la Infancia. Alea [online], v. 18, n. 3, p. 544-560, 2016. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-106X2016000300544&script=sci_abstract&tlng=es>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

Metodologia

As perguntas norteadoras deste estudo são: quais as abordagens conceituais e metodológicas são utilizadas em pesquisas com crianças até 10 anos de idade em situação de refúgio? Existem estudos realizados a partir da visão infantil sobre o processo de refúgio e migração ou apenas relatos sob a perspectiva dos adultos? Para se responder a estas questões realizou-se uma revisão bibliográfica sistemática de publicações localizadas e selecionadas em seis bases eletrônicas de dados - Portal BVS, Scopus, Web of Science, Pubmed, Eric e Sociological Abstract - que são referências nacionais e internacionais, especialmente nas áreas da Saúde e Educação, integrando diferentes áreas de produção científica. O levantamento das pesquisas se deu separadamente em cada uma das plataformas citadas.

A consulta inicial realizada em 03 de setembro de 2019 teve como objetivo enquadrar o maior número possível de estudos no tema da criança refugiada entre 1955 (pós-II Guerra Mundial) e 2019. Como estratégia de busca em português e inglês foram utilizados: (“Refugiado” OR “Infância refugiada” OR “Adolescência refugiada” OR “Centro de encaminhamento de Refugiados” OR “Refugiado reconhecido” OR “Direito ao asilo” ) AND (“Criança e Adolescente” OR Infância) AND (“Metodologias participativas” OR “Grupos operativos” OR “Observação participante” OR “Rodas de conversa” OR Desenhos OR Etnografia OR Observação OR “Grupo focal” OR “Termo de assentimento” OR “Representações sociais” OR Entrevista$ OR Questionário).

Não houve delimitação quanto ao idioma de publicação dos artigos, embora a maioria tenha sido escrita em inglês e nenhum em português. Os achados foram inseridos no gerenciador de referências Mendeley. Inicialmente 1.308 publicações foram rastreadas. Com número tão elevado, foi decidido manter apenas artigos publicados entre 2010 e 2019, considerada a década do deslocamento (ACNUR, 2019ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS (ACNUR). Relatório anual do ACNUR Tendências Globais de 2020. (2019). Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/2020/06/18/relatorio-global-do-acnur-revela-deslocamento-forcado-de-1-da-humanidade/>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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). Assim, 366 artigos foram excluídos por serem anteriores a este período.

Foram então selecionados 942 resumos, sendo excluídos textos duplicados e não relacionados diretamente ao tema da criança refugiada. Um total de 807 artigos foram eliminados pelos critérios de exclusão: estudos com adolescentes, adultos e idosos; texto focado em mãe e famílias; priorização de ação de profissionais sobre migrantes; não inclusão de refugiados e migrantes; infância e adolescência com idade ignorada; estudos biográficos; validação de escalas epidemiológicas; publicações em livros, teses, dissertações; e artigos não localizados. Devido a escassez de artigos existentes com foco na saúde física (pediatria, enurese, fonoaudiologia, acesso alimentação e HIV/AIDS), definiu-se por sua exclusão pois dispersariam a análise. Ao final, foram selecionados 92 artigos (Figura 1).

Figura 1
Fluxo de localização e seleção dos artigos

Buscou-se a versão completa dos 92 artigos selecionados. Após leitura dos textos completos, foi elaborada uma planilha Excel, com as seguintes questões: local onde o estudo foi realizado; faixa etária; priorização de gênero; raça, cor e etnia; país de origem do migrante; país de chegada do migrante; conflitos no local de origem; tipo de estudo; metodologia e técnicas abordadas; criança como centro da fala; situação retratada da criança; principal área de estudo; e condições de vulnerabilidade dos migrantes.

Na fase de análise dos dados os artigos foram categorizados em dois corpus pelo foco prioritário em questões de saúde mental (N=70) e educação (N=22). Em cada um destes itens são abordados quatro eixos analíticos referentes ao protagonismo da criança e sua expressão de pensamentos, forma de ver o mundo, vivências, e recordações sobre o processo de refúgio: I) a criança falando sobre si (N=31) - pesquisas que tomaram a fala da criança como prioridade; II) o adulto falando pela criança (N=15) - estudos que levaram em consideração depoimentos e relatos de pais e cuidadores sobre crianças pequenas; III) a criança e o adulto falando sobre a criança (N=36) - pesquisas que envolveram adultos e crianças, dando importância igual ao relato de ambos; e; IV) estudos de revisão com diversos documentos sobre crianças, pais e profissionais participantes (N=10).

Resultados

Dentre os 92 artigos analisados, a maioria foi referente à saúde mental (76%), seguida da educação (24%). O maior percentual de publicações ocorreu entre 2016 e 2019 (65%). Ressalta-se que houve um aumento significativo no fluxo migratório a partir de 2015, partindo da África e Oriente Médio para os países da Europa, o que pode ter contribuído para o aumento dos estudos sobre e com crianças refugiadas a partir desta data.

A idade das crianças no acervo selecionado variou entre 0 e 20 anos, pelo fato da existência de amplo espectro etário em alguns estudos. Em 23% dos estudos não foi possível identificar a idade exata da amostra dos sujeitos, assegurando-se, entretanto, a presença de crianças menores de 10 anos. Pesquisas que envolveram apenas crianças até 10 anos ficaram em torno de 22% da amostra total; até 12 anos: 16%; até 18 anos: 35% e até 20 anos: 1%. Três estudos 3% definiram a idade inicial acima dos 6 anos, contudo não delimitaram a idade limite de participação.

As abordagens e técnicas metodológicas utilizadas nos estudos podem ser observadas na Tabela 1, constatando-se a diversidade de técnicas e de entrevistados (crianças, pais e profissionais). A maioria dos artigos optou por usar entrevistas (individuais, grupais, semiestruturadas, estruturadas, em profundidade, por telefone ou pelo computador), que eram acompanhadas de outros métodos, como questionários, grupos focais, observação participante e desenhos. Os estudos que optaram pelos questionários, em sua maioria, não utilizaram outras técnicas associativas. A utilização da técnica do desenho, foi amplamente recorrida quando se prioriza a criança falando sobre si. As observações (campo, participante e por filmagens de vídeo de sessões de interação entre pais e filhos), foram mais utilizadas nas pesquisas envolvendo o tema da educação, sendo pouco explorados no tema da saúde mental. As etnografias surgiram nas pesquisas que envolviam crianças, tanto nos temas da saúde mental como da educação. Outra estratégia pouco utilizada foram as fotografias. As narrativas de crianças e educadores surgiram quando a criança falava sobre si e nos estudos em que se agregam a criança e o adulto falando sobre a criança, especialmente em pesquisas que abordam o processo de assimilação de uma nova cultura/identidade e o quanto as práticas familiares trazidas ainda permanecem nas crianças no contexto pós migração. Algumas técnicas foram pouco utilizadas, como exercícios de modelagem, linha da vida e flor de necessidades, esta última aplicada junto com a contação de histórias e entrevistas para detectar as necessidades psicológicas de crianças refugiadas, identificando o que as deixava em paz e proporcionava conforto físico. Apenas um documento utilizou jogo digital entre crianças refugiadas e holandesas, no contexto escolar, analisando-se interações físicas, lúdicas e, por extensão, interculturais.

Tabela 1
Abordagens metodológicas para a coleta de dados com crianças em situação de refúgio e migração (N=92)

Considerando-se os quatro eixos de análise sobre o protagonismo infantil, vê-se no Quadro 1, a predominância na escuta de crianças e pais. Os profissionais da educação desempenham um papel importante quando se busca compreender o desenvolvimento, o rendimento pedagógico e a exclusão escolar - grande preocupação em vários estudos. Chama a atenção a escassez da participação de profissionais de saúde. Os “outros” informantes envolveram a escuta de profissionais das fronteiras e lideranças jovens.

Quadro 1
Protagonismo e informantes sobre migração e refúgio infantil (N=92)

Estudos com foco na Saúde Mental (N=70)

Estudos com foco na saúde mental correspondem a maioria dos textos. Os principais problemas apontados foram: transtorno de estresse pós-traumático, transtorno do deficit de atenção com hiperatividade, transtornos afetivos, ansiedade de separação, esquizofrenia, depressão, desregulação emocional, medo da deportação, medo de não ser aceito no país anfitrião, traumas de guerra e insegurança emocional. A maioria aponta que as causas dos problemas mentais das crianças começam com o processo de fuga de seus países. Afirmam que as rotas que precisam seguir por até meses, sofrendo com a fome, a violência, a morte e a insegurança física, não terminam com a chegada na nova fronteira. Os desafios com um novo idioma, as sequelas e traumas já existentes somam-se ao medo da deportação, a permanência em alojamentos ou abrigos insalubres, como na Irlanda, ou quando são retidos e separados de seus pais, como no Canadá. Em nenhum país de chegada, há registros de acolhimento e escuta do desamparo infantil.

Analisando-se estes artigos pelos eixos referentes ao protagonismo, tem-se que no eixo I - as crianças falando sobre si, predominam abordagens como a técnica do desenho - estratégia simples e eficaz de acesso ao mundo infantil, de forma distinta ao que ocorre nos demais eixos. Para Vygotski (2018VYGOTSKI, L. S. Imaginação e Criação na Infância: ensaio psicológico livro para professores. São Paulo: Expressão Popular, 2018., p. 107), “a criança desenha de memória e não de observação. Ela desenha o que sabe sobre a coisa; o que lhe parece mais essencial na coisa e não o que vê ou o que imagina sobre a coisa”. Jabbar et al. (2019a) estudaram crianças iraquianas entre 4 e 12 anos refugiadas na Jordânia, identificando o nível de compreensão a partir do desenvolvimento, dos conceitos de guerra e paz, concluindo que crianças a partir dos 4 anos de idade entendem o conceito de guerra, mesmo que o desenho não seja detalhado e mostre apenas uma imagem. Várias crianças conseguiram descrever precisamente a guerra em seus desenhos, juntamente com suas consequências. A paz, por outro lado, dependeu do ambiente da criança; definindo-a de maneira diferente, de acordo com suas culturas e experiências.

Maagerø et al. (2016MAAGERO, E.; SUNDE, T. What Makes Me Happy, and What Makes Me Scared? An Analysis of Drawings Made by Norwegian and Palestinian Children. European Early Childhood Education Research Journal, v. 24, 2016. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/1350293X.2016.1143267>. Acesso em: 20 fev. 2022.) também utilizam o desenho infantil para avaliar representações de felicidade e medo em 48 crianças de jardins de infância de campos de refugiados palestinos no Líbano e em crianças norueguesas. Encontraram representações similares para felicidade: uma vida segura com a família e um ambiente claro e agradável, dando-lhes oportunidades de aproveitar a vida e brincar. Sobre as representações de medo, a maioria das crianças norueguesas localiza fenômenos assustadores em geografia remota, em um mundo da fantasia ou em fenômenos naturais extremos, enquanto as crianças palestinas encontram os fenômenos assustadores em seus arredores.

Questionários e entrevistas são as abordagens metodológicas mais utilizadas nos eixos II - O adulto falando pela criança e III - A criança e o adulto falando sobre a criança, com predominância da visão do adulto, seja ele familiar ou profissional em contato com a criança. Van Ee . (2016VAN EE, E.; KLEBER, R.; JONGMANS, M.; MOOREN, T.; OUT, D. Parental PTSD, adverse parenting and child attachment in a refugee sample. Hum Dev, v. 18, n. 3, p. 273-91, 2016. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26982876/>. Acesso em: 20 fev. 2022.), aplicaram questionários e testes padrões em pais de 68 crianças solicitantes de refúgio e refugiados, entre 18 e 42 meses, para investigar transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) nas famílias, comportamento parental e apego da criança. As famílias eram provenientes do Oriente Médio, África, Europa Oriental, Ásia e América do Sul e todos estavam na Holanda, com pouco acesso à educação, ao trabalho, e à língua local. Os resultados mostraram que os sintomas parentais de TEPT estão diretamente relacionados ao apego inseguro e desorganizado das crianças.

Mangrio . (2018MANGRIO, E.; ZDRAVKOVIC, S.; CARLSON, E. A qualitative study of refugee families’ experiences of the escape and travel from Syria to Sweden. BMC research notes, v. 11, n. 1, Dec. 2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/327090331_A_qualitative_study_of_refugee_families’_experiences_of_the_escape_and_travel_from_Syria_to_Sweden>. Acesso em: 20 fev. 2022.) são um exemplo de estudo que entrevista famílias sobre os riscos à saúde nas rotas de fuga. Faz o relato de uma viagem entre a Síria e a Suécia e seus eventos traumáticos durante o voo, que podem ter efeitos físicos e psicológicos de longa duração nas crianças refugiadas dependendo da rota da viagem durante a fuga. Os pais descreveram diferentes razões pelas quais eles, como famílias, tiveram que escapar da guerra em decorrência de perda de empregos e de entes queridos, não querendo que seus filhos morressem. Mencionaram que as viagens variavam entre 10 e 40 dias e geralmente eram cheias de lutas e ameaças, uma jornada emocionalmente difícil. Muitos pais falaram sobre o medo e o terror que os filhos sentiram. Foram mencionados eventos traumáticos durante a fuga, como separação da família, morte de parentes, violência sexual, sequestro ou extorsão, com potenciais efeitos físicos e psicológicos para as crianças e suas famílias. Os autores alertam para a importância de prestar atenção às experiências de fuga e viagem das famílias de refugiados pela Europa e de considerar este grupo prioritário para o cuidado de profissionais de saúde e educação.

Entender as marcas psicológicas deixadas pelo processo de abandono da vida na pátria em que nasceu, deixando para trás casa, amigos e família foi um dos objetivos da pesquisa de Elsayed . (2019ELSAYED, D.; JU-HYUN, S.; MYATT, E.; COLASANTE, T; MALTI, T. Anger and Sadness Regulation in Refugee Children: The Roles of Pre- and Post-migratory Factors. Child Psychiatry and Human Development, v. 50, n. 5, p. 846-855, 2019. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30937680/>. Acesso em: 20 fev. 2022.), onde mães e filhos responderam a questionários avaliando estressores da vida pré-migratória e aborrecimentos diários pós-migratórios, incluindo o não domínio do idioma do país anfitrião, a invisibilidade, o preconceito e a exclusão. Os autores encontraram dificuldades dos filhos em rotinas familiares e em habilidades de controle de emoções (raiva e tristeza). Crianças que se envolveram em mais rotinas familiares mostraram melhor regulação da raiva e aquelas com menos estressores de vida pré-migratórios mostraram maior tristeza quanto a exposição a aborrecimentos diários pós-migratórios.

Alguns estudos enfatizam que pais e/ou cuidadores e crianças estão enlaçados de tal forma que as situações cotidianas, sejam elas de dificuldades ou de resiliência, afetam o comportamento de ambos. Associado a estes elementos de parentalidade, há o processo de acomodação do contexto cultural das famílias com o país anfitrião e o apoio dos governos e de instituições não governamentais neste processo de retomada da vida. Por exemplo, Dalgaard . (2019DALGAARD, N.; THOGERSEN, M.; VAEVER, M.; MONTGOMERY, E. Family violence in traumatized refugee families: A mixed methods study of mother/child dyadic functioning, parental symptom levels and children’s psychosocial adjustment. Nordic Psychology, v. 72, n. 1, p. 1-22, 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/335242195_Family_violence_in_traumatized_refugee_families_A_mixed_methods_study_of_motherchild_dyadic_functioning_parental_symptom_levels_and_children’s_psychosocial_adjustment>Acesso em: 20 fev. 2022.) retrataram como as mães se sentem e encaram os desafios, influenciando diretamente os filhos; Jabbar et al. (2019b) afirmaram que a forma como as mães respondem ao perigo e à ameaça influencia seus filhos e, que mães com depressão são determinantes para o estresse pós-traumático e depressão dos filhos. Logo, estes artigos sinalizam que as relações individuais são complexas e envolvem elementos culturais, não sendo possível encerrar na relação mãe-criança um valor de juízo.

Estudos com foco na Educação (N=22)

Na América Latina, pesquisadores dialogam com o tema da inclusão de crianças migrantes na rede escolar pública (Sanchez-Mojica, 2021SANCHEZ-MOJICA, J. F. Migración infantil e inclusión educativa: Un tópico en deuda para el desarrollo de enfoques y políticas integrales de atención en Latinoamérica. Educare, v. 25, n. 2, p. 262-284, Aug. 2021. Disponível em: <http://www.scielo.sa.cr/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1409-42582021000200262&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Elhajji 2021ELHAJJI, M.; AGUIAR, G.; ASSUNPÇÃO, A. Crianças Migrantes no Rio de Janeiro: questões para sua integração nas escolas públicas. Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, n. 20, p. 44-68, 2021. Disponível em: <http://wpro.rio.rj.gov.br/revistaagcrj/criancas-migrantes-no-rio-de-janeiro-questoes-para-sua-integracao-nas-escolas-publicas> Acesso em: 20 fev. 2022.; LOFFLER 2020LOFFLER, D.; COLL DELAGADO, A. C. O direito das crianças à participação: entre conquistas e desafios. EDUCA - Revista Multidisciplinar em Educação. Porto Velho, v. 7, n. 17, p. 82-101, jan-dez, 2020. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/340005423_O_direito_das_criancas_a_participacao_entre_conquistas_e_desafios>. Acesso em: 20 fev. 2022.). Os entraves e desafios são: exclusão e inclusão escolar, bullying, não domínio do idioma local, dificuldades do professor em ofertar uma educação multicultural para o aluno refugiado, medo da assimilação da cultura ocidental, falta de oferta de ensino de qualidade, transtornos mentais dificultando o processo de aprendizagem e a construção de uma nova identidade cultural em harmonia com a cultura e valores do país de origem. A participação e envolvimento dos profissionais da educação com a escolarização das crianças refugiadas, buscando integrá-los e colaborando para uma maior aproximação com estudantes do país anfitrião, foi o tema mais explorado.

Dentre os artigos que priorizam as crianças falando sobre si, Angelidou et al. (2019) investigaram atitudes e aceitação em sala de aula de alunos gregos e espanhóis em relação a criança refugiada. Ao contrário de estudos anteriores, com adultos, que demonstraram atitudes xenofóbicas, constataram-se atitudes positivas em relação as crianças refugiadas, favorecendo a empatia e a inclusão escolar. Ao serem questionados sobre a primeira palavra que vem à mente quando escutam a palavra criança refugiada, aqueles que estão na Espanha mencionaram pobreza, guerra e tristeza. Para os gregos sobressaíram guerra, pobreza, necessidade e Síria.

No eixo II - adultos falando pela criança, Ndijuye et al. (2019NDIJUYE, L. G.; RAO, N. Early reading and mathematics attainments of children of self-settled recently naturalized refugees in Tanzania. International Journal of Educational Development, v. 65, p. 183-193, Mar, 2019. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0738059317306703>. Acesso em: 20 fev. 2022.) realizaram estudo comparativo de três grupos diferentes de crianças (entre 5 e 6 anos) em processo de alfabetização, na Tanzânia: refugiados naturalizados, urbanos e rurais em uma mesma região. Através de entrevistas domiciliares com os pais e de avaliações pedagógicas com as crianças nas escolas, os resultados indicaram que os refugiados naturalizados superaram a maioria urbana e rural em medidas de alfabetização e que as famílias refugiadas naturalizadas priorizaram a educação das crianças como um caminho para a integração na sociedade anfitriã.

No eixo III - crianças e adultos falando sobre a criança,Dvir . (2015DVIR, N.; ALONI, N.; HARARI, D. The Dialectics of Assimilation and Multiculturalism: The Case of Children of Refugees and Migrant Workers in the Bialik-Rogozin School, Tel Aviv. Compare: A Journal of Comparative and International Education, v. 45, 2015. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03057925.2014.884335>. Acesso em: 20 fev. 2022.) conduzem estudo de caso, através de observações e entrevistas, com nove crianças migrantes e refugiadas, pais, professores e corpo docente em escola de Israel, sugerindo que, para serem inclusivas as crianças estrangeiras, as escolas deveriam ter: (1) compromisso com postura humanista e multicultural; (2) abordagem dialética progressiva e pragmática em relação ao empoderamento dos alunos, e (3) abordagem pedagógica dialética que enfatiza o ensino individualizado terapêutico.

Discussão

Uma grande questão constatada no artigo é elevada frequência de documentos que dão voz a visão da criança em situação de refúgio e migração, privilegiando a perspectiva infantil, seus enunciados e singularidades (SILVEIRA, 2004SILVEIRA, D. B. A escola na visão das crianças. IN: 27 REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Anais. Caxambu: Anped, 2004. Disponível em: <http://27reuniao.anped.org.br/gt07/p074.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2022.), contextualizados no meio familiar e social que as circunda (SARMENTO, 2020SARMENTO, M. J.; TOMAS, C. A infância é um direito? Sociologia: Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Número Temático - Direitos das crianças: abordagens críticas a partir das ciências sociais, p. 15-30, 2020. Disponível em: <http://ojs.letras.up.pt/index.php/Sociologia/article/view/10133>. Acesso em: 20 fev. 2022.; PIRES, 2017PIRES, F. Quem tem medo de mal-assombro? Religião e infância no semiárido nordestino. 2017. 228 f Tese (Doutorado em Antropologia Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.). Ou seja, levam em consideração a lógica infantil de como as coisas acontecem e como elas constroem os conceitos já existentes. Tal concepção fez parte da abordagem metodológica de vários estudos (BARLEY, 2019BARLEY, R.; RUSSELL, L. Participatory visual methods: exploring young people’s identities, hopes and feelings. Ethnography and Education, v. 14, n. 3, p. 1-19, 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/323269325_Participatory_visual_methods_exploring_young_people’s_identities_hopes_and_feelings>. Acesso em: 20 fev. 2022.; JABBAR ., 2019JABBAR, S.; BETAWI, A. Children express: war and peace themes in the drawings of Iraqi refugee children in Jordan. International Journal of Adolescence and Youth, v. 24, n. 1, p. 1-18, 2019a. Disponível em: <https://doi.org/10.1080/02673843.2018.1455058>. Acesso em: 20 fev. 2022.; ANGELIDOU ., 2019ANGELIDOU, G.; RAMIREZ, E. A. Attitudes’ analysis of fifth grade Spanish and Greek pupils towards refugee children: The cases of Granada and Alexandroupolis. International Journal of Humanities Education, v. 17, n. 1, p. 1-19, 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/331082196_Attitudes’_Analysis_of_Fifth_Grade_Spanish_and_Greek_Pupils_towards_Refugee_Children_The_Cases_of_Granada_and_Alexandroupolis>. Acesso em: 20 fev. 2022.). Mesmo as pesquisas que não partiram dessa premissa de dialogar com as lógicas infantis, construíram documentos capazes de refletir a experiência de adultos responsáveis pelas crianças (BAKER ., 2019BAKER, J.; RAMAN, S; KOHLHOFF, J. et al. Optimising refugee children’s health/wellbeing in preparation for primary and secondary school: A qualitative inquiry. BMC Public Health, v. 19, n. 812, 2019. Disponível em: <https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-019-7183-5>. Acesso em: 20 fev. 2022.; BASAK, 2012BASAK, P. The Impact of Occupation on Child Health in a Palestinian Refugee Camp. Journal of Tropical Pediatrics, v. 58, n. 6, 2012. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/223972985_The_Impact_of_Occupation_on_Child_Health_in_a_Palestinian_Refugee_Camp>. Acesso em: 20 fev. 2022.). Delgado e Muller (2005DELGADO, A. C.; MULLER, F. Abordagens etnográficas nas pesquisas com crianças e suas culturas. IN: 28 REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Anais. Caxambu: Anped, 2005. Disponível em: <https://anped.org.br/sites/default/files/gt0781int.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2022.) apontam como equívocos o adultocentrismo, que são as memórias e lembranças que se têm da infância e que impossibilitam olhar as crianças no presente; o infantocentrismo, que é a radicalidade que não permite vislumbrar que as crianças interagem com os adultos; e o uniformismo, que faz com que adultos não considerem a diversidade dos grupos infantis.

Diversos estudos demonstraram teoricamente e na prática a variedade de estratégias utilizadas em pesquisas com crianças até 10 anos e o enorme campo a ser explorado em trabalhos futuros (BARLELY et al., 2019; ANGELIDOU et al., 2019; MARSH, 2017MARSH, K. Creating Bridges: Music, Play and Well-Being in the Lives of Refugee and Immigrant Children and Young People. Music Education Research, v. 19, May 2017. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14613808.2016.1189525>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Maagerø et al., 2016; AFFOUNEH ., 2015AFFOUNEH, S.; HARGREAVES, E. Fear in the Palestinian Classroom: Pedagogy, Authoritarianism and Transformation. Pedagogies: An International Journal, v. 10, n. 3, p. 1-16, 2015. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/276377106_Fear_in_the_Palestinian_classroom_pedagogy_authoritarianism_and_transformation>. Acesso em: 20 fev. 2022.), ressaltando as questões éticas e a postura do pesquisador adulto com crianças pequenas. O desafio de ficar atento aos equívocos de adultocentrismo, infantocentrismo e uniformismo (DELGADO; MULLER, 2005DELGADO, A. C.; MULLER, F. Abordagens etnográficas nas pesquisas com crianças e suas culturas. IN: 28 REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Anais. Caxambu: Anped, 2005. Disponível em: <https://anped.org.br/sites/default/files/gt0781int.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2022.), foi identificado na leitura de algumas pesquisas, quase sempre de forma mais velada, sem riqueza de detalhes, ficando mais evidentes para o leitor as articulações teóricas, o método e os resultados (Strekalova-Hughes 2019STREKALOVA-HUGHES, E.; WANG, C. Perspectives of Children From Refugee Backgrounds on Their Family Storytelling as a Culturally Sustaining Practice. Journal of Research in Childhood Education, v. 33, n. 1, p. p. 6-21, 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/329786876_Perspectives_of_Children_From_Refugee_Backgrounds_on_Their_Family_Storytelling_as_a_Culturally_Sustaining_Practice>. Acesso em: 20 fev. 2022.; VAN EE et al., 2016).

As principais técnicas utilizadas nos artigos foram as entrevistas, questionários, grupos focais e desenhos; e os métodos mais empregados foram as etnografias e estudos de caso. A maioria optou pelo uso dos questionários e entrevistas. O uso de estratégias pouco convencionais como oficina de música, dinâmica da flor de necessidades, oficina de modelagem, linha da vida, jogos digitais e fotografias, foram sempre acompanhadas de outras técnicas, o que demonstra a importância da diversidade de intervenções na aproximação com a criança. A técnica do desenho é muito utilizada para acessar diretamente o mundo infantil, enquanto questionários e entrevistas foram as técnicas mais utilizadas de escuta dos adultos sobre as crianças (WHITE, 2011; VAENZUELA-PEREZ, 2014; KENNY, 2018KENNY, A. Voice of Ireland? Children and Music within Asylum Seeker Accommodation. Research Studies in Music Education, v. 40, n. 1, 2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/328208661_Voice_of_Ireland_Children_and_music_within_asylum_seeker_accommodation>. Acesso em: 20 fev. 2022.; DE LA HERA CONDE-PUMPIDO, 2018DE LA HERA CONDE-PUMPIDO, T.; WILGENBURG, E. et al. Using an ice-skating exergame to foster intercultural interaction between refugees and Dutch children. Cogent Education, v. 5, 2018. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/2331186X.2018.1538587>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

Os impactos sobre a saúde mental chamam atenção pela severidade das patologias que acometem as crianças refugiadas, com chances remotas de acesso a um tratamento de saúde no país anfitrião. Os profissionais de saúde pouco se envolvem, justificando o não domínio do idioma local pelo migrante como uma barreira de distanciamento para um atendimento mais humanizado (MANGRIO . 2018MANGRIO, E.; ZDRAVKOVIC, S.; CARLSON, E. A qualitative study of refugee families’ experiences of the escape and travel from Syria to Sweden. BMC research notes, v. 11, n. 1, Dec. 2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/327090331_A_qualitative_study_of_refugee_families’_experiences_of_the_escape_and_travel_from_Syria_to_Sweden>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

A categoria da educação, embora não tenha sido tão expressiva se comparada a quantidade de pesquisas sobre saúde mental, revelou estudos muito mais voltados para a relação do cuidado dos profissionais da educação para com as crianças refugiadas, buscando a integração deste grupo com outras crianças e demonstrando o desejo e as fragilidades dos educadores em construir propostas pedagógicas multiculturais (HURLEY ., 2011HURLEY, J.; MEDICI, A.; STEWART, E.; COHEN, Z. Supporting Preschoolers and Their Families Who Are Recently Resettled Refugees. Multicultural Perspectives, v. 13, n. 3, p. 160-166, 2011. Disponível em: <https://brycs.org/clearinghouse/4801>. Acesso em: 20 fev. 2022.; ANDERS, 2012ANDERS, A. D. Lessons from a Postcritical Ethnography, Burundian Children with Refugee Status, and Their Teachers. Theory Into Practice, 51 (2): p. 99-106, 2012. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/241731342_Lessons_From_a_Postcritical_Ethnography_Burundian_Children_With_Refugee_Status_and_Their_Teachers>. Acesso em: 20 fev. 2022.; DVIR ., 2015DVIR, N.; ALONI, N.; HARARI, D. The Dialectics of Assimilation and Multiculturalism: The Case of Children of Refugees and Migrant Workers in the Bialik-Rogozin School, Tel Aviv. Compare: A Journal of Comparative and International Education, v. 45, 2015. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03057925.2014.884335>. Acesso em: 20 fev. 2022.; TOBIN ., 2015TOBIN, T.; BOULMIER, P.; DAO, K.; ZHU, W. Improving outcomes for refugee children: A case study on the impact of Montessori education along the Thai-Burma border. International Education Journal, v. 4, n. 3, p. p. 138-149, 2015. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/288182975_Improving_outcomes_for_refugee_children_A_case_study_on_the_impact_of_Montessori_education_along_the_Thai-Burma_border>. Acesso em: 20 fev. 2022.; DUE ., 2016DUE, C.; RIGGS, D. Care for children with migrant or refugee backgrounds in the school context. Children Australia, v. 41, p. 190-200, 2016. Disponível em: <https://www.cambridge.org/core/journals/children-australia/article/abs/care-for-children-with-migrant-or-refugee-backgrounds-in-the-school-context/D4D878DAB8AC91B844449BE1E477881B>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

A maioria dos estudos destaca teoricamente a extensão da devastação que as migrações infantis podem causar no desenvolvimento mental e educacional das crianças refugiadas e constrói, a partir dos seus recortes de pesquisa, situações problema para tentar dar conta de um fragmento de realidade vivenciada por estes sujeitos (Joia, 2021JOIA, J. Infâncias imigrantes, silêncios e fronteiras do cuidado em um CAPS infantojuvenil. Estilos da Clínica,v. 26, n. 1, p. 145-159, 2021. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/estic/article/view/174748>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Paraguassu, 2020; Kenny, 2018KENNY, A. Voice of Ireland? Children and Music within Asylum Seeker Accommodation. Research Studies in Music Education, v. 40, n. 1, 2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/328208661_Voice_of_Ireland_Children_and_music_within_asylum_seeker_accommodation>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Alsayed, 2018ALSAYED, A.; WILDES, V. Syrian Refugee Children: A Study of Strengths and Difficulties. Journal of Human Rights and Social Work, v. 3, n. 1, April. 2018. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/324417129_Syrian_Refugee_Children_A_Study_of_Strengths_and_Difficulties>. Acesso em: 20 fev. 2020.; DeJong, 2017DE JONG, J.; SBEITY, F. et al. Young lives disrupted: gender and well-being among adolescent Syrian refugees in Lebanon. Conflict and health, v. 11, n. 23, 2017. Disponível em: <https://conflictandhealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13031-017-0128-7>. Acesso em: 20 fev. 2022.; Denov, 2012DENOV, M.; BRYAN, C. Tactical Maneuvering and Calculated Risks: Independent Child Migrants and the Complex Terrain of Flight. New Directions for Child and Adolescent Development, v. 136, p. 13-27, 2012. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22689521/>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

Os temas explorados pelos artigos, especialmente as consequências educacionais e sobre a saúde mental são atuais e relevantes na discussão sobre migrações infantis e vem sendo discutidos nos últimos relatórios anuais das Agências da ONU como ACNUR, OIM, UNESCO e UNICEF. Outras temáticas globais são também relevantes como exclusão e inclusão escolar, condições de moradia, insegurança alimentar, questões de saúde física e mental, deportações e detenções nas fronteiras, além de questões mais subjetivas como a vivência das crianças com violências, guerras, medos, felicidade e paz. Para grande parte das crianças é estressante absorver violências e experiências traumáticas.

Causa preocupação a escassez de investigações envolvendo profissionais de saúde envolvidos no atendimento das crianças e das famílias em momento de elevado desamparo familiar, talvez por déficit em treinamentos, dificuldade em compreender o idioma dos sujeitos ou por falta de sensibilização e empatia (YOHANI, 2010YOHANI, S. Nurturing hope in refugee children during early years of post-war adjustment. Children and Youth Services Review, v. 32, ed. 6, p. 865-873, June, 2010. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0190740910000496>. Acesso em: 20 fev. 2022., HURLEY ., 2011HURLEY, J.; MEDICI, A.; STEWART, E.; COHEN, Z. Supporting Preschoolers and Their Families Who Are Recently Resettled Refugees. Multicultural Perspectives, v. 13, n. 3, p. 160-166, 2011. Disponível em: <https://brycs.org/clearinghouse/4801>. Acesso em: 20 fev. 2022.; BASAK, 2012BASAK, P. The Impact of Occupation on Child Health in a Palestinian Refugee Camp. Journal of Tropical Pediatrics, v. 58, n. 6, 2012. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/223972985_The_Impact_of_Occupation_on_Child_Health_in_a_Palestinian_Refugee_Camp>. Acesso em: 20 fev. 2022.; BAKER ., 2019BAKER, J.; RAMAN, S; KOHLHOFF, J. et al. Optimising refugee children’s health/wellbeing in preparation for primary and secondary school: A qualitative inquiry. BMC Public Health, v. 19, n. 812, 2019. Disponível em: <https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-019-7183-5>. Acesso em: 20 fev. 2022.). Para os profissionais de educação a proximidade com o tema mostra-se mais predominante (WILDER ., 2019WILDER, P.; YSAACA, A. Humanizing disciplinary literacy pedagogy for Dinka refugee children. Cultural Studies of Science Education, v. 14, n. 4, p. 1071-1077, Dec 2019. Disponível em: < https://eric.ed.gov/?id=EJ1236552> Acesso em: 22 fev. 2022.; DVIR ., 2015DVIR, N.; ALONI, N.; HARARI, D. The Dialectics of Assimilation and Multiculturalism: The Case of Children of Refugees and Migrant Workers in the Bialik-Rogozin School, Tel Aviv. Compare: A Journal of Comparative and International Education, v. 45, 2015. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03057925.2014.884335>. Acesso em: 20 fev. 2022.; NEW 2012NEW, R.; GUILFOYLE, A. Children’s school readiness: The perspectives of African refugee mothers in a supported playgroup. International Journal of Early Childhood Learning, v. 40, n. 1, p. 55, 2012. Disponível em: <https://ro.ecu.edu.au/ecuworks2013/599/>. Acesso em: 20 fev. 2022.).

Considerações finais

Considera-se que esta revisão bibliográfica contribui para ampliar o olhar sobre as abordagens de pesquisas realizadas com crianças refugiadas e imigrantes até 10 anos de idade. Não foram observadas técnicas inéditas ou inovadoras, o que permite afirmar que as abordagens já conhecidas revelam bons resultados da compreensão do mundo particular das crianças pequenas e que a junção de métodos e técnicas contribui para incrementar o conhecimento sobre crianças.

Nos estudos, os resultados indicam por um lado, a necessidade de um tratamento eficaz da sintomatologia das perturbações mentais, enquanto, por outro lado, a necessidade de atenção clínica para relações de apego inseguras. É preciso cuidado ao atribuir distúrbios mentais aos sujeitos e tratamentos unilaterais, responsabilizando as pessoas por seus fracassos ou trajetórias supostamente errôneas. O investimento educacional para esta população, por outro lado, é um aspecto fundamental e consensual apontado na revisão.

A revisão revelou também que a maioria das pesquisas não explora o tema da xenofobia e racismo com clareza, descolando o processo de chegada e adaptação ao novo país, do contexto mais global, de discriminação contra os refugiados. Pesquisas sobre rotas de viagem, prisões de crianças muito pequenas nas fronteiras, implementação de legislações e protocolos de escuta de crianças por autoridades, levando em consideração o melhor interesse da criança, não foram temas de pesquisas no levantamento feito, apesar de serem assuntos atuais, que governos, agências internacionais e mídia se deparam diariamente. Iniciativas isoladas de elaboração de protocolos para melhorar a proteção de crianças migrantes vem sendo feitas pela União Europeia e alguns países como a Turquia, como mencionado no Informe sobre Las Migraciones En El Mundo 2020, da OIM (2019).

Além de todas as inseguranças vividas, saída de suas casas, o deslocamento e a chegada em um novo território, sobressaem a falta de acolhimento e protocolos específicos para as infâncias. Ficam à margem, pois não são vistas nem como sujeitos de direitos e tampouco estão no centro do processo de deslocamento. Talvez por ainda ser um fenômeno recente ou por se tratar de crianças, sujeitos com pouco poder de mobilização, as migrações forçadas infantis ainda não conseguiram unir esforços universais de proteção e garantia dos direitos fundamentais dessas crianças.

Referências

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  • ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS (ACNUR). Relatório anual do ACNUR Tendências Globais de 2020. (2019). Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/2020/06/18/relatorio-global-do-acnur-revela-deslocamento-forcado-de-1-da-humanidade/>. Acesso em: 20 fev. 2022.
    » https://www.acnur.org/portugues/2020/06/18/relatorio-global-do-acnur-revela-deslocamento-forcado-de-1-da-humanidade/
  • ANGELIDOU, G.; RAMIREZ, E. A. Attitudes’ analysis of fifth grade Spanish and Greek pupils towards refugee children: The cases of Granada and Alexandroupolis. International Journal of Humanities Education, v. 17, n. 1, p. 1-19, 2019. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/331082196_Attitudes’_Analysis_of_Fifth_Grade_Spanish_and_Greek_Pupils_towards_Refugee_Children_The_Cases_of_Granada_and_Alexandroupolis>. Acesso em: 20 fev. 2022.
  • ARFUCH, L. Narrativas em el Pais de la Infancia. Alea [online], v. 18, n. 3, p. 544-560, 2016. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-106X2016000300544&script=sci_abstract&tlng=es>. Acesso em: 20 fev. 2022.
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Dez 2023
  • Data do Fascículo
    2023

Histórico

  • Recebido
    03 Maio 2022
  • Aceito
    06 Fev 2023
  • Revisado
    12 Out 2022
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