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Revista Panamericana de Salud Pública

Print version ISSN 1020-4989

Rev Panam Salud Publica vol.23 n.4 Washington Apr. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1020-49892008000400003 

INVESTIGACIÓN ORIGINAL ORIGINAL RESEARCH

 

Indicadores de saúde para idosos: comparação entre o Brasil e os Estados Unidos

 

Health indicators in the elderly: a comparison of Brazil and the United States

 

 

Mônica RebouçasI; Maurício Gomes PereiraII

IUniversidade Federal do Ceará, Disciplina de Geriatria, Fortaleza, Ceará, Brasil. E-mail: monicareboucas@terra.com.br
IIUniversidade Católica de Brasília, Pós-Graduação de Gerontologia, e Universidade de Brasília. Brasília, DF, Brasil. E-mail: mauriciogpereira@gmail.com

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Identificar no Brasil indicadores equivalentes aos utilizados nos Estados Unidos para avaliar a população com idade de 65 anos ou mais no ano de 2000 e comparar a situação nos dois países.
MÉTODO: Este é um estudo descritivo e transversal, baseado em dados secundários. A partir de uma lista de indicadores de bem-estar empregada nos Estados Unidos, equivalentes brasileiros foram pesquisados nos sites de instituições públicas de saúde ou de planejamento. Também foram utilizados dados de pesquisas nacionais e, se necessário, foram feitas reanálises de bases de dados.
RESULTADOS: Dos 31 indicadores que compõem a lista norte-americana, somente para três não foi encontrado um equivalente brasileiro: comprometimento de memória, atividade social e crimes violentos. Nos Estados Unidos, o número de idosos foi maior e a escolaridade desse grupo foi mais alta. Os dois países foram semelhantes em termos de condição de saúde e expectativa de vida aos 65 anos. Maiores taxas de óbito por doença cerebrovascular e diabetes foram registradas no Brasil e por neoplasias malignas nos Estados Unidos. A morbidade auto-referida por artrite e por depressão foi mais freqüente nos Estados Unidos, assim como as incapacidades. A autopercepção de bom estado de saúde foi superior no Brasil, ao passo que os indicadores de hábitos de vida e os fatores de risco revelaram uma melhor situação nos Estados Unidos.
CONCLUSÕES: Se o poder discriminatório dos indicadores utilizados for de fato adequado, as condições de saúde dos idosos no ano de 2000 eram próximas nos dois países.

Palavras-chave: Indicadores, idoso, saúde do idoso, Brasil, Estados Unidos.


ABSTRACT

OBJECTIVE: To identify indicators used in evaluating the population 65 years of age and older in Brazil that are comparable to those used in the United States, and to compare the situation of this age group in the two countries.
METHOD:This was a descriptive, cross-sectional study, based on secondary data. Brazilian equivalents to the well-being indicators employed in the United States were searched in websites published by government health or planning institutions. Data from national surveys were also employed, and when necessary, data from existing databases were reanalyzed.
RESULTS:Of the 31 indicators used in the United States, an equivalent in Brazil was not found for only three: memory impairment, social activity, and violent crime. In the United States, the number of older individuals was greater; level of education was also higher in this age group. The two countries were similar in terms of health status and life expectancy at 65 years of age. Death rates due to cerebrovascular disease and diabetes were higher in Brazil, while death rates due to malignant neoplasms were higher in the United States. Disabilities and self-reported morbidity due to arthritis and depression were more frequent in the United States. The self-perception of health status as good was higher in Brazil, whereas the indicators related to life habits and risk factors indicated a more favorable situation in the United States.
CONCLUSIONS: If the discriminating power of the indicators is truly adequate, the health conditions of the elderly in these two countries are similar.

Key words: Indicators, aged, health of the elderly, Brazil, United States of America.


 

 

Como outros países, o Brasil passa, atualmente, por um considerável envelhecimento populacional (1–3). São reflexos desse envelhecimento as iniciativas relacionadas ao estabelecimento de indicadores para avaliar a condição de saúde dos brasileiros idosos. Um exemplo é o Comitê Temático Interdisciplinar da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA) (4). Essa rede, que atua com base em um acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), engloba representantes de numerosas entidades e disponibiliza um conjunto de indicadores selecionados nas áreas demográfica, socioeconômica, de mortalidade, de morbidade e de fatores de risco, de recursos e de cobertura (5). Nos Estados Unidos, por sua vez, um fórum de agências governamentais publicou e atualiza periodicamente um relatório de fácil manuseio, não técnico, que engloba diversos relatos técnicos produzidos pelas agências vinculadas à iniciativa e que abrange diversos aspectos de saúde e bemestar dos idosos (6).

O envelhecimento acarreta mudanças no padrão das doenças e na freqüência das incapacidades (7). Esse fenômeno justifica a troca de experiências sobre as estratégias para a promoção do bem-estar de idosos em diferentes países, mesmo que provindas de contextos diversos (8, 9). Assim sendo, o objetivo do presente estudo foi identificar no Brasil um grupo de indicadores equivalentes aos utilizados nos Estados Unidos para avaliar a população idosa e comparar os dois países quanto a essas informações.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa teve delineamento descritivo e transversal, sendo baseada em dados secundários. As informações referem-se a pessoas com 65 anos ou mais nos Estados Unidos (10). No Brasil, esse grupo etário foi utilizado sempre que possível. Porém, como os brasileiros são considerados idosos a partir dos 60 anos (11), para alguns indicadores só foi possível obter informações sobre esse grupo mais amplo.

Um fórum norte-americano sobre estatísticas relacionadas ao envelhecimento (6) utilizou, para refletir a situação da população idosa no ano de 2000, um total de 31 indicadores. A escolha desses indicadores seguiu os seguintes critérios:

• facilidade de compreensão por uma grande parcela de público;
• origem dos dados (sistemas de informação nacionais, de responsabilidade do governo);
• objetividade (dados baseados em pesquisa);
• equilíbrio entre os indicadores (nenhuma área é mais privilegiada do que outra);
• periodicidade da coleta de dados, o que permite o estabelecimento da tendência e da evolução da característica que está sendo monitorada pelo indicador; e
• representação de grandes segmentos da população idosa (ao invés de se referirem a um grupo em particular).

O presente estudo investigou indicadores de saúde brasileiros semelhantes aos utilizados pelo fórum norte-americano, referentes ao ano de 2000 (6). No Brasil, as informações acerca dos 31 indicadores foram buscadas inicialmente no site da RIPSA (12). As informações foram complementadas por meio de pesquisa em outras fontes ou diretamente nos microdados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde.

Os inquéritos populacionais brasileiros de cobertura nacional que serviram de referência foram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 1998 e 2003; a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), em 1995 e 1996 e em 2002 e 2003; e o Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis, de 2002 e 2003 (13–22). Os indicadores não localizados nas etapas anteriores foram buscados em publicações especiais e em periódicos científicos (23–29). Os 31 indicadores foram subdivididos em demográficos, socioeconômicos, condições de saúde, hábitos de vida e fatores de risco e assistência à saúde.

O relatório do Federal Interagency Forum on Aging-Related Statistics (6) sobre os indicadores dos idosos nos Estados Unidos, usado aqui como referência, contém séries históricas. No presente estudo, os dados estão restritos ao ano de 2000 ou ao ano mais próximo para ambos os países. Os nomes em inglês dos indicadores dos Estados Unidos foram mantidos. Na apresentação dos dados brasileiros, utilizou-se a designação em português adotada nas fontes pesquisadas. A falta de correspondência entre as categorias usadas em cada país foi assinalada nas tabelas.

 

RESULTADOS

Somente para três dos 31 indicadores utilizados pelos Estados Unidos no ano de 2000 não foi encontrada uma equivalência brasileira. São eles: o comprometimento de memória, a atividade social e os crimes violentos.

A população de norte-americanos com 65 anos ou mais, em números absolutos, era de 35 milhões; no Brasil, essa população era de 10 milhões de indivíduos, ou seja, 3,5 vezes menor (tabela 1). Em termos relativos, a população idosa dos Estados Unidos representava 13% da população daquele país, contra 6% de brasileiros com 65 anos ou mais de idade.

Quanto à distribuição racial, os números indicaram que havia uma predominância de idosos de cor branca em ambos os países. Os idosos, em sua maioria, eram casados, embora, no Brasil, mais idosos tenham respondido ao censo que eram solteiros. Em termos de escolaridade, apenas 10% dos idosos brasileiros concluíram o ensino médio ou superior, proporção muito menor do que nos Estados Unidos, onde a taxa alcançou 67%. Com relação aos arranjos familiares, os idosos residindo com filhos eram mais freqüentes no Brasil.

As informações socioeconômicas estão na tabela 2. Os dados referentes à pobreza não são comparáveis nos dois países, por diferenças conceituais. Utilizando o conceito dos Estados Unidos, 11% da população idosa daquele país foram considerados pobres. Nos cálculos brasileiros, 23% das pessoas com 60 anos ou mais de idade eram pobres. Entre os seis indicadores socio-econômicos, o que apresentou melhor comparabilidade foi a "taxa de atividade", que evidenciou valores semelhantes para as mesmas idades nos dois países.

Alguns indicadores de saúde constantes da tabela 3 mostraram valores próximos para os dois países. Esse é o caso da esperança de vida aos 65 anos (indicador 12), que foi de 17 anos no Brasil e de 18 anos nos Estados Unidos. No Brasil, as taxas de mortalidade por doença cerebrovascular e por diabetes foram mais elevadas. Os Estados Unidos, por sua vez, apresentaram altas taxas de mortalidade e morbidade por neoplasias malignas e de morbidade auto-referida por artrite. Não foi encontrado, no Brasil, registro de comprometimento de memória em idosos que tivesse abrangência nacional. A auto-avaliação da saúde revelou que 84% dos brasileiros idosos consideravam a sua saúde entre regular e muito boa. Nos Estados Unidos, 72% consideravam a sua saúde entre boa e muito boa. A taxa de incapacidade de realizar atividades nas últimas 2 semanas por motivo de saúde alcançou 14% dos idosos brasileiros. Nos Estados Unidos, as incapacidades crônicas atingiam 21% dos idosos. A depressão também foi mais elevada entre os idosos norte-americanos.

Em relação aos hábitos de vida e aos fatores de risco (tabela 4), a situação foi mais favorável nos Estados Unidos, com exceção da cobertura vacinal contra a influenza: 67% no Brasil e 50% naquele país. Não foram encontrados dados brasileiros sobre atividade social e crimes violentos, na forma como foram definidos na publicação norte-americana.

Quanto aos indicadores relativos à assistência à saúde (tabela 5), nota-se que a maioria não encontrou correspondência exata. Verificou-se que, em ambos os países, os que ganhavam mais gastavam proporcionalmente menos com saúde (indicador 25). Os brasileiros gastavam relativamente mais com produtos farmacêuticos (indicador 26). Os idosos norte-americanos tinham maior acesso e utilizavam mais a rede de serviços (indicadores 28 e 29). A utilização de domicílios coletivos e de assistência domiciliar foi mais expressiva nos Estados Unidos.

 

DISCUSSÃO

A interpretação das diferenças observadas entre os indicadores deve ser cautelosa. As informações provenientes de inquéritos e recenseamentos, em ambos os países, tendem a ser de boa qualidade; contudo, admite-se que os dados de registros contínuos como mortalidade e internação hospitalar são menos confiáveis no Brasil por questões de cobertura populacional e por problemas no preenchimento dos registros (5). As diferenças conceituais entre indicadores também dificultam a comparação, especialmente naqueles com maior grau de subjetividade na aferição. Outras limitações em potencial são os diferentes significados dos números, que variam de acordo com o método utilizado para cada indicador, e o fato de os dados se referirem ao período de um único ano, o que impede a avaliação de tendências ou a verificação do caráter típico ou atípico da informação. Quanto à padronização dos dados por idade, ela não foi feita, até porque a proporção dos muito velhos é próxima nos dois países: 1,6% de idosos acima de 80 anos nos Estados Unidos e 1,1% no Brasil (6, 19).

Os dados demográficos (tabela 1) apresentam menor complexidade de análise quando comparados aos demais. O entendimento, no entanto, requer ressalvas. Deve-se ter em vista, por exemplo, a dificuldade de mensurar etnias ou a observação de que há mais idosos solteiros no Brasil proporcionalmente aos Estados Unidos, que pode decorrer de uma resposta de indivíduos que consideram como casamento apenas a união formal (19).

Quanto aos indicadores socioeconômicos (tabela 2), ressalte-se que esses dados não permitem inferir, por exemplo, que a proporção de idosos pobres é duas vezes maior no Brasil. Essas taxas dizem respeito a diferentes condições, originadas de países com distintas características econômicas. Sendo assim, cada coeficiente tem valor interno no país em que foi criado. Se fosse realizada a padronização dos valores monetários para fins de comparação, os valores econômicos seriam outros. Os benefícios institucionais oferecidos nos países também interferem nesses indicadores, fazendo com que cada local apresente características sui generis (6, 11). Para realçar a diferença de conceitos nas comparações, é conveniente relembrar o indicador de pobreza. A pobreza é um importante determinante das condições de vida em todo o planeta, pois aumenta o risco de a pessoa não ter suprimento adequado de alimento, moradia, assistência à saúde e outras necessidades básicas (6, 24). A medida oficial de pobreza nos Estados Unidos se baseia na comparação da renda familiar com um conjunto de padrões, que variam de acordo com a composição e o tamanho da família. Dessa maneira, há 11% de pobres entre os que estão com 65 anos ou mais de idade (6, 30). Considerando-se esse percentual, inferiu-se um número absoluto de 4 milhões de idosos pobres nos Estados Unidos.

No Brasil, foram considerados pobres todos os que tinham renda domiciliar per capita inferior a uma dada linha de pobreza relacionada aos percentuais do salário mínimo do País. A linha de pobreza estabelecida tem variações regionais, pois as condições econômicas são distintas em diferentes regiões dentro do Brasil. A estrutura econômica dos idosos também varia em função da maior probabilidade de surgimento de gastos elevados e inesperados, principalmente em decorrência de problemas com a saúde (24). Com base nesses dados, os pesquisadores encontraram 30% de pobres na população brasileira, sendo que 23% dos que tinham 60 anos ou mais se encontravam nessa condição, o que equivalia a 3 milhões de idosos pobres no Brasil (para uma população com 60 anos ou mais de idade estimada em 14,5 milhões em 2000) (19, 24).

Verificou-se uma diferença pequena na esperança de vida entre os Estados Unidos e o Brasil. É possível que esse indicador tenha baixo poder discriminador, pois países com diferentes estágios de desenvolvimento podem apresentar taxas semelhantes, como já foi mostrado em comparações entre a Suécia e a Índia (31) ou entre a Bélgica, a Finlândia e o Brasil (32).

Os dados de mortalidade no Brasil podem não ser tão precisos quanto os dos Estados Unidos. Estima-se que o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde tenha cobertura média no País de 80%, mas de apenas 60% nas regiões Norte e Nordeste (5). Essa situação pode resultar em subnotificação dos diagnósticos das causas de mortalidade, o que elevaria ainda mais as taxas brasileiras de mortalidade por doença cerebro-vascular e por diabetes expressas na tabela 3. Sobre a qualidade da informação, deve-se também considerar a elevada taxa de causas mal definidas em idades mais avançadas no Brasil, o que torna difícil a interpretação das causas de morte nessa faixa etária (33). As causas mal definidas podem estar relacionadas a erros de diagnóstico e a falta de conhecimento sobre as doenças em idosos (34), o que pode interferir nos registros de doenças alterando a quantidade dos resultados apresentados na tabela 3.

Os países estudados apresentaram freqüências semelhantes de enfermidades como hipertensão, diabetes e doenças do coração. Os dados de morbidade de ambos os países (tabela 3) são auto-referidos. Trabalhos recentes no Brasil têm mostrado boa sensibilidade e, sobretudo, ainda maior especificidade para a detecção de doenças crônicas auto-referidas em inquéritos (35). Os dados de um estudo de base populacional brasileira mostram que a prevalência da hipertensão auto-referida na população (27%) foi só pouco maior do que a determinada por meio de três medidas da pressão arterial e história de tratamento para a mesma (23%) (35).

Os idosos dos Estados Unidos têm maior acesso e utilizam mais a rede de serviços. Sendo assim, conhecem mais os seus agravos à saúde e os revelam nas entrevistas. Além disso, têm maior escolaridade, o que influencia não só na busca por serviços como no próprio relato sobre sua saúde (36). Isso pode explicar, em parte, a grande diferença na freqüência auto-referida de câncer: 1% no Brasil e 19% nos Estados Unidos.

Não há registros com alcance nacional sobre o comprometimento da memória dos idosos brasileiros (37). A literatura mostra que, na população idosa, esse sintoma pode fazer parte do quadro clínico da síndrome demencial, acarretando diminuição da qualidade de vida e maior demanda por serviços de saúde (37). Isso reforça a necessidade de incluir esse tema nos inquéritos realizados no Brasil.

Observa-se que, nos dois países, mais da metade das pessoas idosas sente-se em condição de saúde entre regular e muito boa. A auto-avaliação da saúde reflete a percepção integrada do indivíduo sobre si mesmo e inclui as dimensões biológica, psicológica e social. O uso da auto-avaliação da saúde em inquéritos populacionais vem crescendo, depois de ter sido evidenciado que a mesma pode predizer mortalidade (38).

As informações sobre incapacidades também são utilizadas no monitoramento da saúde e do bem-estar da população idosa (7). Ocorrem incapacidades em cerca de 10% das pessoas de todas as idades e até cinco vezes mais nas amostras só de idosos, sendo essa elevação mais acentuada naqueles indivíduos com 80 anos ou mais de idade (7). A incapacidade de realizar atividades nas últimas 2 semanas por motivo de saúde foi referida por 14% dos idosos brasileiros. Nos Estados Unidos, 21% das pessoas com 65 anos ou mais de idade relataram ser portadoras de incapacidades crônicas. É possível que a baixa freqüência detectada no Brasil se deva a questões de aferição (7).

Nos dois países, a maior parte dos idosos relata a presença de doença e também de bem-estar. Só uma minoria se declara incapaz. Esse achado confirma que as pessoas idosas podem se sentir bem mesmo tendo doenças (39).

Os idosos norte-americanos tinham maiores taxas de atividade física e de qualidade da dieta, o que pode estar associado a elementos culturais e socioeconômicos, além da percepção dos benefícios advindos da adoção de práticas preventivas (40). A mais elevada taxa de cobertura vacinal por influenza, no Brasil, pode ser produto das campanhas periódicas no País (41, 42). Embora não se tenha o equivalente brasileiro, os norte-americanos apresentaram altas taxas de atividade social (64%). Esse indicador inclui visitas a amigos e parentes, atividades em igrejas ou semelhantes e trabalho voluntário em associações diversas, o que está relacionado à cultura.

Os indicadores de crimes violentos, não encontrados com a mesma dimensão no Brasil, são estudados nos Estados Unidos por meio de pesquisas nacionais (National Crime Victimization Survey e Uniform Crime Reports) que incluem o registro de estupro, agressão sexual, assalto, agressão simples e agregada, roubo pessoal, roubo de propriedade, arrombamento de casa e roubo de veículo motorizado. As vítimas são solicitadas a fornecer as características dos crimes e até mesmo informar se relataram o incidente para a polícia (6).

Para alguns indicadores de assistência à saúde, não existe equivalência exata nas categorias de análise. Trata-se de uma área que demanda melhor padronização para permitir comparações.

Os indicadores de assistência à saúde são influenciados pelos aspectos econômicos da população estudada. Os idosos que têm maior renda também têm mais acesso aos serviços de saúde e mais facilidade de usá-los (36). Concomitantemente, os idosos de baixa renda têm acesso limitado à alimentação saudável, saneamento básico e informações sobre promoção da saúde, prevenção das doenças e seu tratamento. Sendo assim, a carga de doença resultante reflete também a condição econômica e influencia a procura pelos serviços de saúde (43). Outro aspecto econômico a ser destacado é o peso dos gastos com saúde no orçamento doméstico. À medida que aumenta a renda familiar, diminui o peso dos gastos com saúde, ou seja, os mais pobres gastam proporcionalmente mais com saúde em relação ao total da sua receita mensal (43).

A informação sobre a utilização hospitalar está baseada em dados institucionais, de modo que a cobertura se restringe aos que têm acesso a esse tipo de serviço. Em todos os sistemas brasileiros, há sub-registros que variam no espaço e no tempo. A tendência é a melhoria da cobertura e da qualidade com o passar do tempo. No Brasil, foram consideradas apenas as internações em unidades hospitalares vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), representando cerca de 60% do total. Há também o problema da contagem cumulativa de internações de um mesmo paciente (5). Nos Estados Unidos, os dados referem-se ao Medicare, um programa de seguro-saúde que cobre quase a totalidade de pessoas de 65 anos de idade ou mais (44). Sendo assim, a análise dos dados oriundos dessas duas instituições também deve ser avaliada com cautela.

A evolução longitudinal dos 31 indicadores, nos Estados Unidos, revela avanços e disparidades (45). Os idosos estão vivendo mais com menos incapacidades e em melhores condições econômicas. Entretanto, esses avanços não têm atingido homogeneamente a todos os que envelhecem. Os descendentes de africanos e de hispânicos continuam com piores condições de vida. A expectativa de vida cresce continuadamente, as taxas de mortalidade decrescem, principalmente aquelas relacionadas às causas de morte por doenças cardiovasculares. As enfermidades crônicas estão menos relacionadas com incapacidades graves. O comprometimento da memória é crescente com o aumento de idade, principalmente depois dos 80 anos; isso também acontece com os sintomas depressivos, mesmo sem um aumento franco nos mais longevos. Há um decréscimo de incapacidades nos idosos dos Estados Unidos na última década; as mulheres são as mais atingidas, assim como os afro-descendentes. Os dados sobre fatores de risco e hábitos de vida revelam tendências positivas. As maiores taxas de vacinações, mamografias e dietas favoráveis comprovam essa afirmação. A análise das informações relacionadas ao acesso e à utilização de serviços de saúde revela mudanças nas condições de saúde dos norte-americanos que envelhecem, confirmando a tendência dos demais indicadores e mantendo a ausência de eqüidade e a presença de disparidades entre os menos favorecidos economicamente (45).

A avaliação histórica de informações sobre os brasileiros que envelhecem no Brasil sinaliza trajetória também positiva (1). Estudos permitem o acompanhamento da autopercepção da saúde, das doenças crônicas auto-referidas, da capacidade funcional e do acesso e utilização dos serviços de saúde. Os dados mostram que, entre 1998 e 2003, anos de realização de inquéritos no Brasil, houve uma redução no relato dos idosos quanto a doenças, algumas crônicas, e aumento do número de consultas médicas. Paralelamente, houve menos registros de internações hospitalares. A freqüência dos idosos que referiram incapacidades diminuiu e a dos que declararam sua própria saúde como boa e muito boa aumentou (1).

Entre os desafios a serem enfrentados, encontram-se a necessidade de melhor sistematização das informações, a sua ampla divulgação e o seu uso para o planejamento, a gestão e a avaliação de políticas voltadas para a saúde do idoso. Cabe destacar que, no Brasil, mesmo com muito ainda a ser feito, já existem numerosas informações que permitem acompanhar a evolução da saúde do idoso. É provável que a situação seja semelhante em muitos países em vias de desenvolvimento.

Em conclusão, a partir de um grupo de indicadores utilizados para avaliar o bem-estar dos idosos norte-americanos, o presente estudo revelou, no Brasil, a existência de dados para a maioria (90%) dos indicadores da lista norte-americana, sem investimento especial em pesquisa para a produção de novos dados. Foram realizadas apenas consultas em bases eletrônicas e, por vezes, a reanálise das informações. Os dados encontrados sugerem que, se o poder discriminatório dos indicadores utilizados for de fato adequado, as condições de saúde dos idosos estão próximas nos dois países pesquisados.

 

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Manuscrito recebido em 28 de março de 2007.
Aceito em versão revisada em 3 de setembro de 2007.