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Revista Panamericana de Salud Pública

Print version ISSN 1020-4989

Rev Panam Salud Publica vol.25 n.4 Washington Apr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1020-49892009000400009 

INVESTIGACIÓN ORIGINAL ORIGINAL RESEARCH

 

Comportamentos de risco à saúde em adolescentes no Sul do Brasil: prevalência e fatores associados

 

Health risk behaviors among adolescents in the south of Brazil: prevalence and associated factors

 

 

José Cazuza de Farias JúniorI, 1; Markus Vinicius NahasII; Mauro Virgílio Gomes de BarrosIII; Mathias Roberto LochIV; Elusa Santina A. de OliveiraII; Maria Fermínia Luchtemberg De BemII; Adair da Silva LopesII

IUniversidade Federal da Paraíba (UFPB), Departamento de Educação Física, Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Centro de Desportos, Programa de Pós-Graduação em Educação Física e Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde (NuPAF). Bolsista CAPES
IIUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Centro de Desportos, Programa de Pós-Graduação em Educação Física e Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde (NuPAF)
IIIUniversidade de Pernambuco (UPE), Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida e Saúde
IVUniversidade Estadual de Londrina (UEL), Departamento de Educação Física

 

 


RESUMO

OBJETIVO:Determinar a prevalência de comportamentos de risco à saúde e analisar fatores associados à exposição a esses comportamentos em adolescentes do Estado de Santa Catarina, Brasil.
MÉTODO: Adolescentes escolares de 240 turmas do ensino médio da rede pública estadual responderam a um questionário para a coleta de informações demográficas (sexo, idade, região de residência e período de estudo), socioeconômicas (trabalho e renda familiar mensal) e de comportamentos de risco à saúde (níveis insuficientes de atividade física, baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas, envolvimento em brigas e não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais).
RESULTADOS: Foram considerados válidos os questionários de 5 028 adolescentes (2 984 do sexo feminino e 2 044 do sexo masculino), com idade entre 15 e 19 anos (média = 17,0; desvio padrão = 1,12). Os comportamentos de risco mais prevalentes na amostra foram níveis insuficientes de atividade física (36,5%), baixo consumo de frutas/verduras (46,5%) e não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais (38,3%). Aproximadamente sete em cada 10 adolescentes (64,7%) estavam expostos a dois ou mais comportamentos de risco de forma simultânea. Os seguintes subgrupos de risco foram identificados: adolescentes do sexo masculino, adolescentes de 18 a 19 anos de idade, que residem em área urbana, que estudam no período noturno e que têm maior renda familiar.
CONCLUSÕES: A proporção de adolescentes expostos a comportamentos de risco à saúde foi elevada, principalmente ao se considerar a exposição simultânea a diferentes comportamentos. Os resultados encontrados podem contribuir para o desenvolvimento de programas de promoção da saúde no ambiente escolar, direcionados principalmente aos subgrupos de risco.

Palavras-chave: Adolescente, comportamento de risco, escolares, estilo de vida, saúde, Brasil.


ABSTRACT

OBJECTIVE:To determine the prevalence of health risk behaviors and to analyze factors associated with exposure to such behaviors among adolescents in the state of Santa Catarina in the south of Brazil.
METHODS: Adolescents attending 240 high school classes at the state's public schools answered a questionnaire that collected demographics (sex, age, area of residence, and day versus night classes), social and economic data (working status and monthly family income), and information on health risk behaviors (insufficient levels of physical activity, low intake of fruits/vegetables, smoking, alcohol abuse, illicit drug use, involvement in physical fights, and irregular use of condoms).
RESULTS: The completed questionnaires of 5 028 adolescents (2 984 females and 2 044 males), 15-19 years of age (mean = 17.0; standard deviation = 1.12), were considered valid. The most prevalent health risk behaviors were insufficient levels of physical activity (36.5%), low intake of fruits/vegetables (46.5%), and irregular use of condoms (38.3%). Approximately 7 of 10 adolescents (64.7%) were exposed to two or more risk behaviors simultaneously. The following risk subgroups were identified: male adolescents, adolescents from 18-19 years of age, living in urban areas, studying at night, and having a higher family income.
CONCLUSIONS: The percentage of adolescents exposed to health risk behaviors was high, especially when simultaneous exposure to different behaviors was considered. These results can contribute to developing health promotion campaigns for the school setting that are specifically aimed at the risk subgroups identified.

Key words: Adolescent behavior, risk-taking, students, life style, health, Brazil.


 

 

A influência do estilo de vida sobre os níveis de saúde e qualidade de vida de diferentes grupos populacionais, incluindo crianças e adolescentes, tem sido amplamente documentada na literatura na área da saúde (1, 2). Nesse sentido, o levantamento, o monitoramento e a intervenção sobre comportamentos de risco à saúde têm sido considerados por diversas agências de saúde como prioridades de saúde pública (3, 4). Entre os comportamentos de risco, é possível citar níveis insuficientes de atividade física, hábitos alimentares inadequados, tabagismo, consumo abusivo de álcool, consumo de drogas ilícitas, envolvimento em situações de violência e comportamentos sexuais de risco (3, 4).

Diversos problemas de saúde têm sido associados à exposição a comportamentos de risco, tanto na população jovem (mortes por causas violentas e por acidentes de veículo a motor, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez precoce) quanto em adultos em idade potencialmente produtiva (doenças crônicas não-transmissíveis) (4-6). Além disso, uma grande parcela da população jovem está exposta a um ou mais comportamentos de risco (7), os quais podem estar inter-relacionados (8) e se estender à idade adulta (9). Por exemplo, tem-se observado que alguns comportamentos de risco (níveis insuficientes de atividade física, tabagismo e consumo abusivo de bebidas alcoólicas) medidos na infância e adolescência estão associados a fatores de risco para doença cardiovascular e à presença de doenças cardiovasculares na fase adulta (10).

No Brasil, estudos sobre comportamentos de risco à saúde em adolescentes foram desenvolvidos com amostras ou muito específicas (11) ou restritas a uma determinada cidade (12-17). Além disso, a ocorrência simultânea de comportamentos de risco praticamente não foi explorada nesses estudos.

Informações sobre a prevalência de comportamentos de risco à saúde e os fatores associados à exposição a esses comportamentos podem contribuir para a identificação de grupos de risco, para o monitoramento dos níveis de saúde da população jovem e para subsidiar o desenvolvimento de políticas e programas de promoção da saúde. Nesse sentido, os objetivos deste estudo foram determinar a prevalência de comportamentos de risco à saúde de forma isolada e simultânea em adolescentes no sul do Brasil e analisar os fatores associados à exposição a esses comportamentos de risco.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Santa Catarina é um estado da Região Sul do Brasil, com população de 5,4 milhões de habitantes (18), em sua maioria de origem européia (principalmente alemã, italiana e portuguesa), com rendaper capita de 12 mil reais (quinta maior do país) e o quarto melhor índice de desenvolvimento humano do país (IDH = 0,82, ano-base 2000). Nesse período, a população de adolescentes de 15 a 19 anos, foco deste estudo, era de 535 mil.

O presente estudo foi desenvolvido mediante análise secundária dos dados de um levantamento epidemiológico transversal, de base escolar, denominado Comportamento do Adolescente Catarinense (COMPAC), realizado pelo Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde (NuPAF) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2001.2 O protocolo de investigação foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSC sob o número 064/2000.

Na época, dados oficiais da Secretaria de Estado da Educação indicavam um total de 205 mil estudantes nas 598 escolas públicas de ensino médio no Estado de Santa Catarina, localizadas nas zonas rural e urbana, distribuídas em 26 Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) nas seis regiões geográficas que compreendem o estado (Oeste, Planalto Serrano, Norte, Vale do Itajaí, Litoral e Sul) (19).

O processo de amostragem foi conduzido em dois estágios. No estágio inicial, foram selecionadas 172 escolas estaduais, de forma aleatória e proporcional, considerando-se a região geográfica, a CRE e o porte da escola (pequena: < 200 alunos; média: 200 a 499 alunos; grande: > 500 alunos). No segundo estágio, foram selecionadas, de forma aleatória e proporcional (considerando-se o turno e as séries do ensino médio), 240 turmas dentre as 6 094 existentes. A partir de informações da Secretaria de Estado da Educação, considerou-se que essas turmas tinham, em média, 25 alunos.

Na determinação do tamanho da amostra, em função dos múltiplos comportamentos de risco investigados no estudo, considerou-se uma prevalência de 50% como a maior esperada, com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e erro de 2 pontos percentuais. Dados esses parâmetros, o tamanho mínimo da amostra seria de 2 395 adolescentes escolares, número que foi multiplicado por 2 em função do efeito de delineamento (deff = 2), por se tratar de um processo amostral por conglomerado. Houve um acréscimo de 25% no tamanho da amostra para compensar possíveis perdas e recusas. A amostra final foi definida em 5 988 sujeitos, e o questionário foi aplicado a 5 463 escolares do ensino médio.

Para o estudo dos fatores associados aos comportamentos de risco à saúde, a amostra permitiu detectar como significativas razões de prevalência de 1,15 ou mais para exposições afetando de 5 a 75% da população estudada, com 80% de poder e 95% de nível de confiança.

Na coleta de dados, utilizou-se o Questionário sobre Estilo de Vida e Comportamentos de Risco de Adolescentes Catarinenses empregado no estudo COMPAC, desenvolvido com base em partes de instrumentos já validados para adolescentes, que investiga os seguintes comportamentos de risco à saúde: níveis insuficientes de atividade física, baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, envolvimento em brigas, consumo de drogas ilícitas e a não-utilização regular de preservativos nas relações sexuais. Previamente à aplicação do instrumento, os escolares foram informados sobre os objetivos da pesquisa e sobre a preservação do anonimato. O questionário foi aplicado em cada sala de aula selecionada (grupos de 20 a 30 alunos) por equipe treinada e sob a supervisão dos pesquisadores responsáveis pelo projeto. Após o preenchimento, que levava entre 30 e 40 minutos, os escolares depositavam os questionários em uma caixa sem identificação.

Todos os escolares das turmas sorteadas presentes no dia da coleta e que tinham entre 15 e 19 anos responderam ao questionário, mediante autorização prévia. As variáveis em estudo, as medidas utilizadas e as categorias adotadas na análise dos dados estão descritas na tabela 1.

Os dados coletados no questionário foram digitados e analisados no programa Epi Info 6.04d com checagem automática de consistência e amplitude e erro de digitação de no máximo 1,26%. Todos os erros identificados foram corrigidos, excluindo-se os outliers.

O teste do qui-quadrado (χ2) foi utilizado para avaliar a heterogeneidade dos indicadores demográficos e socioeconômicos em relação à prevalência de comportamentos de risco à saúde de forma isolada e simultânea. Para avaliar a associação bruta e ajustada entre as variáveis demográficas e socioeconômicas e a presença isolada e simultânea de comportamentos de risco à saúde, utilizou-se a medida de razão de prevalência (RP), com respectivos IC95%, a partir da regressão de Poisson com variância robusta.

Na análise isolada dos fatores associados aos comportamentos de risco, cada comportamento de risco foi considerado como variável dependente (desfecho), e os indicadores demográficos e socioeconômicos, como variáveis independentes (exposição). Para a análise da associação entre exposição simultânea a diferentes comportamentos de risco e indicadores demográficos e socioeconômicos, foram considerados três modelos: no primeiro modelo, buscou-se identificar as variáveis associadas à exposição a um ou mais comportamentos de risco à saúde versus aqueles que não apresentavam nenhum comportamento de risco; no segundo e terceiro modelos, respectivamente, foram considerados como variáveis dependentes a exposição a dois ou mais e três ou mais comportamentos de risco à saúde de forma simultânea, mantendo-se os indicadores demográficos e socioeconômicos como variáveis independentes. Nas análises ajustadas, todas as variáveis dependentes foram incluídas no modelo em um mesmo nível de determinação.

Todos os procedimentos de análise estatística foram realizados no programa Stata 10.0, adotando-se um nível de significância de 5%.

 

RESULTADOS

O questionário foi respondido por 5 463 escolares do ensino médio, sendo excluídos os que não completariam 15 anos no ano da coleta ou que já haviam completado 20 anos(n = 378, 6,9%) e os que entregaram o questionário com muitas questões sem resposta (n = 57, 1,1%), resultando em uma amostra final de 5 028 adolescentes (2 984 moças e 2 044 rapazes) com idade entre 15 e 19 anos (média = 17,0, desvio padrão = 1,12). A taxa de valores ignorados (itens não respondidos) não ultrapassou 15% para as variáveis de desfecho (comportamentos de risco) e foi de 1,8% para as variáveis de exposição (indicadores demográficos e socioeconômicos). Outras informações sobre as características da amostra estão descritas na tabela 2.

 

 

Níveis insuficientes de atividade física (36,5%), baixo consumo de frutas/verduras (46,5%) e não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais (38,3%) foram os comportamentos de risco mais prevalentes nos jovens da amostra (tabela 3).

Adolescentes do sexo masculino apresentaram maior prevalência de baixo consumo de frutas/verduras, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e envolvimento em brigas. As jovens do sexo feminino, por sua vez, apresentaram maior prevalência de níveis insuficientes de atividade física e comportamento sexual de risco (não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais). O tabagismo não apresentou diferenças significativas entre os sexos (tabela 3).

Nos adolescentes mais velhos (18 a 19 anos), a prevalência de níveis insuficientes de atividade física, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas e de drogas ilícitas foi mais elevada do que nos seus pares mais jovens (15 a 17 anos). Os demais comportamentos de risco não apresentaram diferenças entre os grupos etários (tabela 3).

Ao se comparar adolescentes que residiam na região urbana e na rural, diferenças significativas foram observadas apenas com relação a baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo e consumo de drogas ilícitas, que tiveram prevalência mais elevada nos adolescentes que residiam na região urbana (tabela 3).

Os adolescentes que estudavam no período noturno apresentaram maior prevalência de comportamentos de risco (inatividade física, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais) em relação aos seus respectivos pares que estudavam no período diurno (manhã/ tarde); o mesmo foi observado entre os adolescentes que trabalhavam (inatividade física, baixo consumo de frutas/ verduras, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e envolvimento em brigas) versus os que não trabalhavam (tabela 3).

Adolescentes que pertenciam a famílias com maior renda familiar mensal (> R$ 1 000/mês) apresentaram maior prevalência de baixo consumo de frutas/verduras; já os que pertenciam a famílias com menor renda familiar mensal (£ R$ 1 000/mês) apresentaram maior prevalência de consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e envolvimento em brigas (tabela 3).

Após o ajuste para as variáveis de cada modelo, foram identificados os seguintes subgrupos de risco: a) adolescentes do sexo masculino (baixo consumo de frutas/verduras, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, consumo de drogas ilícitas e envolvimento em brigas); b) adolescentes de 18 a 19 anos de idade (níveis insuficientes de atividade física, tabagismo e consumo de drogas ilícitas); c) adolescentes que residiam em área urbana (baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo e consumo de drogas ilícitas); d) adolescentes que estudavam no período noturno (níveis insuficientes de atividade física, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas e consumo de drogas ilícitas); e) adolescentes que tinham maior renda familiar (baixo consumo de frutas/verduras) (tabela 4).

Menos de 10% dos adolescentes não apresentaram comportamento de risco; um quarto deles apresentou um comportamento de risco, e aproximadamente sete em cada 10 (64,7%) apresentaram dois ou mais comportamentos de risco à saúde simultaneamente (figura 1). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre adolescentes do sexo masculino e feminino.

 

 

Na análise bruta (tabela 5), observou-se que a exposição a comportamentos de risco de forma simultânea estava positivamente associada à idade, ao período de estudo e ao trabalho, ou seja, adolescentes mais velhos (18 a 19 anos), que estudavam no período noturno e que trabalhavam tinham maior probabilidade de exposição a três ou mais comportamentos de risco, simultaneamente, se comparados a adolescentes mais jovens (15 a 17 anos), que estudavam no período diurno e que não trabalhavam.

Na análise ajustada, com exceção da variável trabalho, que perdeu significância estatística, a idade dos adolescentes e o período de estudo continuaram associados à exposição a comportamentos de risco à saúde de forma simultânea, com maior probabilidade de os adolescentes mais velhos (18 a 19 anos) (17%) e aqueles que estudavam no período noturno (28%) apresentarem três ou mais comportamentos de risco, de forma simultânea, comparados aos seus pares mais jovens (15 a 17 anos) e que estudavam no período diurno, respectivamente (tabela 6).

 

 

DISCUSSÃO

O presente estudo avaliou diferentes comportamentos de risco à saúde de forma isolada e simultânea em adolescentes escolares do ensino médio da rede pública do Estado de Santa Catarina. Até onde sabemos, este é o primeiro estudo desenvolvido com base em uma amostra representativa de escolares do ensino médio da rede pública, de base estadual, que avaliou diferentes comportamentos de risco à saúde de forma isolada e simultânea.

Os resultados revelaram uma prevalência elevada de comportamentos de risco na população estudada e permitiram identificar cinco subgrupos de risco, a saber, adolescentes do sexo masculino, adolescentes de 18 a 19 anos de idade, adolescentes que residiam em área urbana, que estudavam no período noturno e que tinham maior renda familiar.

Com relação ao primeiro comportamento de risco avaliado (níveis insuficientes de atividade física), constatou-se que aproximadamente um terço (36,5%) dos adolescentes foram classificados como insuficientemente ativos. Esses resultados são similares aos que foram observados em adolescentes da cidade de Pelotas, Região Sul do Brasil (20), e inferiores aos encontrados em adolescentes norte-americanos (4).

Adolescentes do sexo feminino, adolescentes mais velhos (18 a 19 anos) e aqueles que estudavam no período noturno apresentaram menor envolvimento com prática de atividade física. O menor nível de prática de atividade física em adolescentes do sexo feminino em comparação com o sexo masculino tem sido amplamente descrito em estudos envolvendo adolescentes, independentemente da idade (13, 20, 21) e do instrumento de medida utilizado (medida objetiva ou subjetiva) (22). Por outro lado, enquanto alguns estudos indicaram uma redução nos níveis de atividade física com o aumento da idade (23, 24), outros não confirmaram tal tendência (25, 26).

Assim como observado em estudos nacionais (13, 27) e internacionais (4, 28), os adolescentes do Estado de Santa Catarina também apresentaram baixo consumo de frutas/verduras: cerca de cinco em cada 10 (46,5%) consumiam frutas/ verduras com frequência inferior a 4 dias por semana. O menor consumo de frutas/verduras entre rapazes, observado no presente estudo, já foi descrito anteriormente (4, 28), embora alguns estudos tenham apresentado achados distintos (13, 28).

A combinação de níveis reduzidos de prática de atividade física com baixo consumo de frutas/verduras, observada neste estudo, pode contribuir para o aumento da prevalência de sobrepeso/obesidade na população jovem. Um em cada 10 jovens deste estudo (12,7% nos rapazes e 8,1% nas moças) apresentou excesso de peso corporal (dados não apresentados em tabela).

Menos de 10% dos jovens declararam fumar, possivelmente um reflexo das constantes campanhas e ações direcionadas ao controle do tabaco no Brasil (29). Um estudo de base populacional realizado com adolescentes (15 a 18 anos) na cidade de Pelotas, Região Sul do Brasil, encontrou prevalência de 16,6% de tabagismo (fumar pelo menos uma vez por semana no último mês), com índices mais elevados em adolescentes do sexo feminino (14). Por outro lado, assim como observado em outras investigações (4, 30-32), no presente estudo, a prevalência de tabagismo foi similar entre rapazes e moças, porém mais elevada nos jovens mais velhos (14, 31-34) e nos que residiam em área urbana (34).

O consumo abusivo de bebidas alcoólicas foi referido por 27,4% dos adolescentes. Esses resultados são similares aos observados em adolescentes da cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina (13), e inferiores aos encontrados em adolescentes da cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul (14), e em norte-americanos (4). Adolescentes do sexo masculino e que estudavam no período noturno apresentaram maior prevalência de uso abusivo de bebidas alcoólicas em comparação com as moças e os adolescentes que estudavam no período diurno, respectivamente. Esses resultados se assemelham aos encontrados em outros estudos realizados com adolescentes brasileiros (13, 14) e norte-americanos (4), que também relataram maior consumo de bebidas alcoólicas em rapazes. Contrariando resultados de alguns estudos (35) e reforçando achados de outros (34, 36), o consumo abusivo de bebidas alcoólicas não diferiu entre jovens que residiam em área urbana e rural. Tais divergências podem decorrer de características sociodemográficas e culturais específicas de cada amostra, assim como de diferentes formas de medir e classificar esse comportamento (37).

Um em cada 10 adolescentes referiu já ter feito uso de algum tipo de droga ilícita, com maior frequência entre os rapazes, nos adolescentes mais velhos (18 a 19 anos), nos que residiam em área urbana e nos que estudavam no período noturno. Esses resultados reforçam achados de estudos prévios (12, 14, 32).

Cerca de dois em cada 10 adolescentes (16,5%) referiram envolvimento em brigas, sendo esta uma prática mais frequente entre os rapazes em comparação às moças. Tais resultados são similares aos descritos em outros estudos realizados com adolescentes (4, 12), que relataram 15 a 35% de adolescentes envolvidos em brigas nos últimos 12 meses, na maioria rapazes.

Entre os adolescentes que tinham vida sexualmente ativa, 38,3% referiram não utilizar preservativos regularmente nas relações sexuais, principalmente adolescentes do sexo feminino. A prevalência elevada do uso irregular de preservativos entre adolescentes, estimada em 30 a 40% (4, 12), tem sido amplamente demonstrada em estudos internacionais (4, 8, 38) e nacionais (15-17). Tal comportamento expõe esses jovens a doenças sexualmente transmissíveis e a episódios de gravidez cada vez mais precoces. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) revelaram que, em 2005, 19,9% dos nascidos vivos foram filhos de mães adolescentes (39).

Ao considerar a exposição simultânea a diferentes comportamentos de risco à saúde, verificou-se que 64,7% dos adolescentes estavam expostos a dois ou mais comportamentos de risco. Os adolescentes mais velhos (18 a 19 anos) e os que estudavam no período noturno apresentaram maior probabilidade (cerca de 20 a 30%) de exposição simultânea a três ou mais comportamentos de risco à saúde em comparação aos seus pares mais jovens (15 a 17 anos) e aos que estudavam no período diurno (manhã/tarde).

A prevalência elevada de exposição simultânea a diferentes comportamentos de risco em adolescentes tem sido descrita em estudos nacionais (13) e internacionais (40, 41). A combinação de parâmetros de risco no estilo de vida dos adolescentes associa-se aos baixos níveis de qualidade de vida (1), à presença de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejada (32, 38), a tentativas de suicídio (32), a acidentes por veículos a motor e por armas de fogo, ao envolvimento em brigas violentas (8) e ao baixo desempenho escolar (42). A exposição precoce e prolongada a alguns desses comportamentos de risco (níveis insuficientes de atividade física, baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo e consumo abusivo de bebidas alcoólicas) está associada à presença de fatores de risco para doença cardiovascular (10, 43) e à presença de doenças cardiovasculares na adolescência e idade adulta (44, 45).

Algumas limitações deste estudo devem ser destacadas. Por se tratar de um estudo de base escolar, realizado na rede pública, a generalização dos resultados para todos os adolescentes de 15 a 19 anos de idade do Estado de Santa Catarina fica comprometida. Não foi possível coletar dados dos escolares que não estavam em sala de aula no dia da coleta, dos que haviam desistido do ano escolar e daqueles que estavam matriculados em escolas privadas, não se podendo, portanto, descartar um possível viés de seleção.

A utilização de questionários para medir atividade física é outra limitação. Apesar de esses instrumentos apresentarem bons níveis de reprodutibilidade, sua validade é moderada, já que os adolescentes tendem a superestimar sua participação em atividades físicas vigorosas e subestimar sua participação em atividades físicas moderadas (22).

Finalmente, mesmo que o questionário tenha sido anônimo, não se pode descartar a possibilidade de viés de informação em relação a consumo abusivo de bebidas alcoólicas, tabagismo e, especialmente, consumo de drogas ilícitas e não-utilização regular de preservativos nas relações sexuais. É possível supor, portanto, que tais prevalências sejam superiores às relatadas.

Os resultados do presente estudo permitem concluir que há uma elevada proporção de adolescentes com níveis insuficientes de atividade física, hábitos alimentares inadequados (baixo consumo de frutas/verduras) e atividade sexual sem o uso regular de preservativos. Destaca-se a importância da identificação dos subgrupos de risco proporcionada pelo estudo. Finalmente, a exposição simultânea a vários comportamentos de risco observada em adolescentes de ambos os sexos e nos demais estratos demográficos e socioeconômicos é outro resultado importante, com pouco mais de sete em cada 10 adolescentes expostos a dois ou mais comportamentos de risco à saúde.

Na perspectiva da saúde pública, os dados aqui apresentados podem contribuir para subsidiar o desenvolvimento de programas de promoção da saúde no ambiente escolar, principalmente no que diz respeito aos subgrupos de risco identificados.

Agradecimento. Os autores agradecem aos estudantes, professores e administradores das escolas envolvidas neste estudo, bem como à Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. Este estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

REFERÊNCIAS

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Manuscrito recebido em 1 de dezembro de 2007.
Aceito em versão revisada em 15 de abril de 2008.

 

 

1 Correspondência: Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Desportos, Campus Universitário - Trindade, CEP 88049-900, Florianópolis, SC, Brasil. E-mail: jcazuzajr@hotmail.com
2 Nahas MV, Barros MVG, De Bem MFL, Oliveira ESA, Loch MR. Estilo de vida e indicadores de saúde dos jovens catarinenses. Relatório da pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde com amostra representativa dos estudantes de 15 a 19 anos matriculados nas escolas estaduais do ensino médio em Santa Catarina. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2005