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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.11 n.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232006000400011 

DEBATEDORES DISCUSSANTS

 

Os autores respondem

 

The authors reply

 

 

Inicialmente, gostaríamos de agradecer as valiosas contribuições dos debatedores que ampliaram de modo expressivo o escopo do artigo. O grande número de adesões ao debate, por si só, revela a importância do tema. Salientamos que existe uma boa confluência nas reflexões feitas pelos diversos autores sobre a necessidade da integração dos dados de base populacional ao Sistema Nacional de Informações em Saúde (Eduardo Mota, Álvaro Escrivão, Rita Barata). Caminha-se cada vez mais no sentido de um amadurecimento da idéia de que o Sistema Nacional de Informações em Saúde será sempre composto de sistemas independentes, que têm suas lógicas próprias e que investimentos devem ser feitos no sentido da sua intercomunicação.

Alguns autores dirigiram suas falas para o aprimoramento dos inquéritos nacionais de saúde como o suplemento saúde da PNAD e aqui merecem destaque as contribuições de Lígia Bahia e Ronir Luiz quanto à complementaridade necessária entre os dados da Agência Nacional de Saúde cadastro de operadoras e usuários que são uma fonte mais apropriada de informações sobre a forma de pagamento e as variações nas características dos planos, e os dados populacionais que são a melhor forma de captar a cobertura da população por plano de saúde.

Uma sugestão a ser considerada no que se refere aos inquéritos de base populacional é a de se conseguir estimar o tempo de cobertura dos contratos, assim como a perda de cobertura por parte da população.

Também são importantes as sugestões de inclusão de quesitos sobre atenção domiciliar e melhor detalhamento sobre os atendimentos de urgência/emergência, assim como outras sugestões feitas por Gabriel Ferrato para incluir questões sobre acesso geográfico e tempo de espera para ser atendido. Com relação ao recebimento gratuito de medicamentos, o suplemento saúde da PNAD (1998 e 2003) coleta essa informação vinculada ao atendimento recebido. Uma outra questão referida por Gabriel Ferrato e Aluísio Barros diz respeito à necessidade de utilizar os inquéritos de base populacional para avaliar o acesso a serviços com diferentes níveis de complexidade. Aluísio Barros também adverte para a necessidade de se adequar o desenho amostral dos inquéritos no sentido de se poder analisar a atenção à saúde em determinados grupos de morbidades. Gulnar Mendonça reitera a necessidade dos inquéritos na captação de dados sobre fatores de risco para doenças crônicas que permitam avaliar o efeito no médio e longo prazo, em particular, das políticas de prevenção das doenças crônicas não transmissíveis.

Quanto às questões metodológicas apontadas no artigo, Aluísio Barros e Rita Barata acreditam que várias delas são tecnicamente superáveis e quando este não for o caso, é preciso recorrer a procedimentos analíticos que minimizem possíveis vieses. Aluísio Barros ressalta que pouca atenção tem sido dada pelos produtores dos inquéritos à disseminação de informações sobre aspectos metodológicos importantes para serem considerados na análise, principalmente quando se deseja que os dados sejam processados por pesquisadores menos familiarizados com dados derivados de amostras complexas. Essa sugestão, a ser seguida no Brasil, é o do National Center for Health Statistics estado-unidense na divulgação dos dados do National Health Interview Survey sobre a disponibilização de farto material metodológico para orientar a utilização adequada dos microdados1. Gulnar Mendonça cita especificamente a necessidade de se dar melhor tratamento às não respostas seja do ponto de vista da documentação, seja do ponto de vista da análise. No entanto, no caso da PNAD, a percentagem de não resposta costuma ser baixa, o que talvez não seja o caso de outras pesquisas concentradas nas capitais.

No que se refere à relevância dos dados de inquéritos de base populacional, além das questões já abordadas, Rita Barata ressalta a importância de inquéritos voltados para a avaliação e a formulação de política nacional de saúde. Aluísio Barros considera importante a questão da desagregação das informações até o nível municipal, de tal forma que a informação esteja mais disponível ao gestor local. Entretanto, Rita Barata argumenta que inquéritos nacionais dificilmente conseguem produzir informação para o nível local, dado o alto custo de uma amostra representativa no nível municipal. Nesse sentido é importante lembrar a recomendação da primeira reunião do Comitê Temático Interdisciplinar sobre Informação de Base Populacional (CTI-IBP) da RIPSA, realizada em maio de 2006, que apontou para a importância da padronização de quesitos de forma a permitir comparabilidade dos dados gerados por diferentes pesquisas em diferentes níveis administrativos. No que se refere ao nível nacional, Gulnar Mendonça lembra a importância de consultar as várias instâncias do Ministério da Saúde visando à maior utilização das informações pelos gestores federais e estaduais. Gabriel Ferrato ressalta que os recursos financeiros para a realização de inquéritos de base populacional são facilmente mobilizáveis e devem constar do Plano Plurianual (PPA) para que se estabeleça a periodicidade de execução das pesquisas de base populacional, recomendação também feita na reunião do CTI-IBP.

 

Referência

1. National Health Interview Survey. Survey Description. Disponível em www.cdc.gov/nchs/nhis.htm. Julho 2005.