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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.12 n.3 Rio de Janeiro May./Jun. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232007000300021 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

A utilização de informantes-chave da comunidade na identificação de pessoas portadoras de alterações cinético-funcionais da cidade de Caxias do Sul, RS

 

The use of key informants from within the community for identifying people with functional kinetic alterations in Caxias do Sul, Rio Grande do Sul State, Brazil

 

 

Alexandra RenostoI; Jorge Luiz de Andrade TrindadeII

IFaculdade da Serra Gaúcha. Rua Os Dezoito do Forte 2366. 95020-472 Caxias do Sul RS. alexandra.renosto@fsg.br
IICentro Universitário Feevale PUCRS

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Manter-se funcionalmente ativo em um determinado contexto social, parece ser um dos grandes desafios para a sociedade da atualidade. O objetivo deste trabalho foi estudar o perfil epidemiológico de portadores de alterações cinético-funcionais, a partir de informantes-chave da comunidade de Caxias do Sul (RS), considerando características socioeconômicas, socioculturais, familiares/ individuais e cuidados com a saúde, vinculando-as com a capacidade funcional.
MATERIAL E MÉTODOS: Esta pesquisa compreendeu um estudo observacional descritivo. A população em estudo foi constituída pelos portadores de alterações cinético-funcionais provenientes de indicações de informantes-chave da comunidade, conhecidos como zeladoras de capelinha. Os instrumentos aplicados foram: questionário às zeladoras de capelinha, entrevista estruturada e Índice de Barthel aos incapacitados funcionais.
RESULTADOS: Apenas 21,9% da população estudada que possui dependência funcional realiza tratamento fisioterapêutico. O uso de informantes-chave é uma alternativa viável no auxílio do diagnóstico funcional deste grupo populacional. As características da população em estudo supõem exclusão de atendimento fisioterapêutico e a necessidade de programas efetivos na abordagem do problema.

Palavras-chave: Informantes-chave, Capacidade funcional, Perfil epidemiológico


ABSTRACT

PURPOSE: Remaining functionally active within a specific social context seems to be one of the hardest challenges faced by our society. The purpose of this paper is to study the epidemiological profiles of people with functional kinetic alterations as noted by key informants living in Caxias do Sul, Rio Grande do Sul State, Brazil, considering social, economic and cultural characteristics, as well as family/individual profiles and healthcare aspects, linked to functional capacities.
METHODOLOGY: This research project included an observational descriptive study. The population studied consisted of people suffering from functional kinetic alterations noted by from key informants, known as chapel-keepers. The tools used were: questionnaires addressed to the chapel-keepers, structured interviews and a Barthel Index rating for the functionally challenged.
FINDINGS: Only 21.9% of the population under study is being treated through physiotherapy. The use of key informants is a feasible alternative for helping the functional diagnosis of this population group. The characteristics of the population under study indicate the absence of physiotherapy and the need for effective programs addressing this problem.

Key words: Key informants, Functional capacity, Epidemiological profile


 

 

Introdução

A capacidade funcional é a capacidade de manter as habilidades físicas e mentais necessárias a uma vida independente e autônoma. Do ponto de vista da saúde pública, a capacidade funcional surge como um novo conceito de saúde mais adequado para instrumentalizar e operacionalizar a atenção à saúde. Ações preventivas, assistenciais e de reabilitação devem objetivar a melhoria da capacidade funcional ou, no mínimo, a sua manutenção e, sempre que possível, a recuperação desta capacidade, uma vez perdida pelo indivíduo. Trata-se, portanto, de um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de doenças específicas1.

Para uma efetiva mudança na abordagem da assistência à saúde, priorizando os aspectos de promoção, prevenção e reabilitação, provém a participação comunitária na detecção de suas necessidades. Visando a identificação dos portadores de alterações cinético-funcionais em um grande espaço populacional, apresenta-se como auxílio na pesquisa o informante da comunidade. Pessoas conhecedoras da história, de seus processos sociais e capazes de identificar os moradores de sua região. Pessoas que pelo tempo de residência em uma determinada área, pela posição e pelas relações sociais que têm dentro da comunidade, possuem conhecimento detalhado de características relevantes da mesma2.

Como informante para a pesquisa, escolheu-se uma personagem que preenche os requisitos propostos acima e que até hoje mantém viva a tradição católica de realizar a peregrinação da Imagem de Nossa Senhora às famílias. Ela é denominada popularmente de zeladora de capelinha. Possui total domínio na região a que pertence, devido à predominância da religião católica, proporcionando informações de populações definidas, tendo como características a simplicidade, a rapidez e o voluntariado. As informantes são fontes não onerosas à pesquisa, sendo o alicerce para o deslinde do trabalho.

Baseando-se nessa ótica, foi realizado um estudo observacional descritivo, de paradigma quantitativo, com os portadores de alterações cinético-funcionais do município de Caxias do Sul, RS. O território envolvido na investigação limitou-se à zona urbana do município. O trabalho teve como objetivo identificar o perfil epidemiológico de pessoas portadoras de alterações cinético-funcionais, a partir de informantes-chave da comunidade, considerando características socioeconômicas, socioculturais, cuidados com a saúde e familiares/individuais, vinculando-as à capacidade funcional.

 

Material e métodos

O território envolvido na investigação limitou-se à zona urbana do município de Caxias do Sul, localizado na extremidade leste da encosta superior do nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. A zona urbana do município é composta por quarenta bairros regularizados, totalizando uma população de 333.391 habitantes.3 Os instrumentos de coleta de dados utilizados nesta pesquisa compreenderam um questionário, uma entrevista estruturada e o Índice de Barthel.

 

População em estudo

As zeladoras de capelinha totalizaram uma população de 2.235 pessoas, independente da idade, sexo, cor ou raça, sendo considerado como perda de parte da amostra a omissão do preenchimento e a não entrega do questionário na data predefinida. A população selecionada caracterizou-se por 1.455 zeladoras, sendo todas do sexo feminino e com idades variando entre 40 e 70 anos.

 

Procedimentos

Os procedimentos do estudo foram divididos em seis fases, as quais são apresentadas a seguir:

Primeira fase: após a constatação da eficácia do instrumento, através da realização do projeto piloto, iniciou-se os encontros para aplicação do questionário às zeladoras de capelinha. Em seguida, procedeu-se o manejo das informações coletadas pelas senhoras leigas. Os dados foram transportados para uma tabela que continha as informações para a detecção dos portadores de alteração funcional.

Segunda fase: compreendeu a divisão da área de estudo epidemiológico a partir de mapa do município e a aprovação dos instrumentos de coleta de dados aos portadores de alterações cinético-funcionais. Esse instrumento baseou-se na utilização de variáveis independentes divididas em quatro blocos: socioeconômico, sociocultural, familiar/individual e saúde, conforme apresentado no Quadro I.

Para a devida avaliação do nível de incapacidade do portador de alteração cinético-funcional, foi aplicado o Índice de Barthel, que mede o grau de assistência exigido por um indivíduo em dez itens de AVDs, envolvendo mobilidade e cuidados pessoais. Os níveis de mensuração estão limitados à independência completa ou à necessidade de assistência. Cada item do desempenho é avaliado em uma escala ordinal, com um número específico de pontos assinalados para cada nível ou classificação. Pesos variáveis foram estabelecidos para cada item, baseado no julgamento clínico e em outros critérios implícitos. Os escores atribuídos variam entre 0 (dependente), 5 (necessidade de ajuda ou supervisão), 10 (parcialmente dependente) e 15 (independente), este último considerado somente na transferência cadeira/cama e deambulação. Ao todo, somam-se 100 pontos, traduzindo o nível de dependência da pessoa (0-15 = dependência total; 20-35 = dependência grave; 40-55 = dependência moderada; 60-95 = dependência leve; 100 = independente). Esta escala, desenvolvida para avaliação do nível de dependência, principalmente para pacientes idosos ou portadores de seqüelas de doenças crônicas, vem sendo utilizada desde 1965 e é recomendada pela OPS/OMS, tendo em vista a facilidade de aplicação e adaptação a diferentes culturas. No Brasil, em pesquisa bibliográfica realizada, observa-se sua utilização com a mesma finalidade e versão traduzida4,5.

Terceira fase: realizou-se a pesquisa de campo com os portadores de alterações cinético-funcionais. Ao final, foi realizada a entrada de dados no Programa Epi Info versão 6.0, com dupla entrada e posterior comparação para avaliar a consistência da digitação. A análise foi realizada através do Programa SPSS versão 11.0. Para associação das variáveis ao estudo, foi aplicado o Teste Qui-quadrado, considerando-se como valor estatisticamente significativo p<=0,05.

O projeto desta pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário Feevale, RS. Na coleta de dados, os aspectos éticos foram preservados através do Termo de Consentimento Informado.

 

Análise e discussão dos resultados

Foram identificadas pelas zeladoras de capelinha 480 pessoas com provável incapacidade funcional. Dessas, 142 pessoas foram consideradas como perdas, dentre elas, 65 não foram localizadas, 22 recusaram-se a participar do estudo e 55 pessoas haviam falecido, restando 338 pessoas.

Entre as perdas, as recusas e os não encontrados mostraram-se insignificantes, tendo em vista a dimensão do território a ser investigado. Entretanto, o número de 55 óbitos, sendo estes pessoas com idade predominante acima dos 60 anos, foi significativamente alto, considerando o curto período de apenas três meses despendido entre a coleta de informações com as zeladoras de capelinha e a investigação domiciliar.

Capacidade funcional

O total de pessoas não institucionalizadas que apresentaram alguma incapacidade para o desempenho de suas atividades de vida diária representou cerca de 89,3% da população estudada, sendo agrupada em dependentes leves e moderados (56,2%) e dependentes graves e totais (33,1%). A freqüência do problema na região urbana de Caxias do Sul segundo a metodologia adotada foi de 0,1% da população total (N=333.391).

O baixo índice (10,7%) de entrevistados que obtiveram independência demonstrou que os informantes utilizados na identificação da amostra em estudo foram eficazes nas informações fornecidas à pesquisadora, tendo uma margem de erro relativamente baixa. Todavia, essas pessoas apresentam alguma doença ou alteração em sua saúde, com chances de progredir para uma dependência funcional. Apesar do número significativo de perdas das participantes, pode-se comprovar a dinâmica e a importância dessas senhoras na comunidade, no auxílio em estudos epidemiológicos.

Características familiares/individuais e socioeconômicas

Na Tabela 1 são apresentados os dados referentes às características socioeconômicas e familiares/individuais Os dependentes funcionais representando 46,5% da população total encontram-se na faixa etária acima dos 60 anos, refletindo o aumento da longevidade e a maior susceptibilidade aos agravos da saúde, comprometimento da funcionalidade e independência.

Estudos anteriores observam a predominância do sexo feminino na dependência funcional, o que foi confirmado no presente estudo. Enquanto as mulheres possuem a vantagem da longevidade, elas são vítimas mais freqüentes da violência doméstica e de discriminação no acesso à educação, salário, alimentação, trabalho significativo, cuidados da saúde, heranças, medidas de seguro social e poder político. Essas desvantagens cumulativas significam que as mulheres, mais que os homens, têm maior inclinação para a pobreza e o sofrimento de deficiências6,7, 1.

Quanto à condição de estado civil, as variáveis estudadas mostram-se dispersas, não demonstrando significância estatística. Entretanto, pode-se evidenciar que o estado civil solteiro, viúvo e desquitado repercute de forma negativa na capacidade funcional, em comparação com o estado casado ou com companheiro. Além disso, pode-se notar que as pessoas dependentes funcionais não moram só e os que permanecem neste estado possuem uma condição melhor de autonomia em relação aos demais. Pessoas com incapacidade funcional apresentam maior vulnerabilidade à solidão e isolamento social, sendo um fator negativo no processo de desenvolvimento da capacidade funcional6.

O cuidador é aquele que possui a total ou maior responsabilidade pelos cuidados prestados ao doente crônico em seu domicílio. Nesse estudo, destaca-se como cuidador o representante familiar, que exerce a atividade basicamente no espaço doméstico, facilitando a assistência necessária. Devido ao alto custo que os cuidados com uma pessoa incapacitada demanda, supõe-se que ocorra uma reorganização dos papéis familiares. O papel do cuidador, então, é desempenhado por um familiar, por tais motivos. No Brasil, os cuidadores são, em geral, familiares, sendo definidos como cuidadores informais8,9.

Em relação aos aspectos socioeconômicos, pode-se verificar que a maioria dos estudados possui um alto índice de baixa escolaridade e analfabetismo. Os baixos níveis de educação e analfabetismo estão associados a maiores riscos de deficiência e morte durante o processo desenvolvimento da vida10.

O tipo de moradia demonstrou relevância estatística. A moradia segura e apropriada é essencial para o bem-estar do jovem e do idoso. Para esses, a localização, incluindo a proximidade de membros da família e serviços de transporte, pode significar a diferença entre uma interação social positiva e o isolamento6.

É notável o baixo índice de renda familiar acima de 5 salários mínimos, demonstrando que esta variável está intimamente relacionada à saúde. As pessoas que possuem melhores condições financeiras possuem menor chance de apresentarem níveis de dependência funcional, por terem melhores condições de tratamento e reabilitação11.

Características socioculturais

Na condição sociocultural, o grupo pesquisado com dependência funcional referiu alguma forma de ocupação do tempo livre. Porém restrito ao ambiente doméstico, como assistir televisão e ouvir rádio. Já na participação comunitária, o número de participantes é baixo e direcionado às pessoas com dependência leve ou moderada. Atribui-se o fato dos participantes não atuarem em atividades na comunidade provavelmente à dificuldade de deslocamento.

Entretanto, atividades aparentemente corriqueiras, como freqüentar a igreja e participar de atividades religiosas como identificados na presente pesquisa, tornam-se muito importantes e parecem traduzir a idéia de vida ativa6.

A religião católica foi predominante, confirmando a atuação e distribuição das zeladoras de capelinha no município. Observou-se outras crenças relacionadas, mesmo tendo o predomínio da religião católica. Salienta-se que, durante o processo de aplicação do instrumento com as senhoras, essas foram instruídas para inclusão na pesquisa de todos os incapacitados funcionais, independente da religião praticada.

Cuidados com a saúde

A Tabela 2 apresenta a distribuição da população estudada em relação aos cuidados com a saúde. Somente 21,9% são dependentes funcionais que realizam acompanhamento fisioterapêutico. Número irrisório frente aos agravos que a degeneração funcional traz à saúde desses indivíduos. Desses, o número de indivíduos que utilizam o serviço de fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde é relativamente baixo.

Na identificação da morbidade referida (Tabela 3) verificou-se o elevado número de pessoas dependentes com acometimento das doenças do aparelho circulatório, seguidas pelas doenças do sistema nervoso e doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo. Os resultados comprovam que as doenças crônicas, em sua maioria, são as predominantes no grupo em discussão. Pesquisas demonstram que as origens do risco de doenças crônicas, como diabetes e doenças do coração, começam na infância ou na gestação. E este risco é subseqüentemente definido e modificado por fatores como status socioeconômico e experiências ao longo da vida10.

 

Considerações finais

As características apresentadas nesse trabalho estão atreladas umas às outras e requerem reflexões e intervenções primárias que possam influenciar positivamente no processo de degeneração funcional da população em estudo. Sugere-se, então, o prolongamento de pesquisas sobre este estudo, objetivando a criação de programas e ações, com intuito de sanar esse problema.

 

Colaboradores

A Renosto participou da elaboração do marco teórico, estruturação do artigo, delineamento do método, elaboração do banco de dados e análise dos resultados. J Trindade participou da estruturação do artigo, delineamento do método, da orientação e da análise da discussão/resultados.

 

Agradecimentos

Aos acadêmicos de fisioterapia do Centro Universitário Feevale e Universidade de Caxias do Sul, que auxiliaram na coleta de dados e a Sra. Elisabeth Marcon, diretora da Elétrica Marcon e o Sr. Gilmar Isoton, Diretor da Maeli, patrocinadores do estudo.

 

Referências

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Artigo apresentado em 26/01/2005
Aprovado em 28/06/2006
Versão final apresentada em 09/11/2006