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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.13 n.3 Rio de Janeiro May./Jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232008000300001 

EDITORIAL

 

A história dos trabalhadores da saúde como política pública

 

 

Este número de Ciência e Saúde Coletiva, dedicado à história dos trabalhadores da saúde, expressa a permanente preocupação da Casa de Oswaldo Cruz em associar o conhecimento histórico ao enfrentamento dos desafios contemporâneos da área de saúde coletiva. Este compromisso, que teve como um dos marcos mais significativos a participação desta unidade da Fiocruz, a partir de 2003, com o Observatório História e Saúde na Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde - ObservaRH, orientou a organização do seminário internacional História dos Trabalhadores da Saúde em Perspectiva Comparada. Realizado no Rio de Janeiro, em abril de 2006, contou com o apoio da Secretaria de Gestão do Trabalho e de Educação na Saúde - MS, da Organização Mundial da Saúde, e da Representação da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil e foi a base para este número temático. Procuramos com essa iniciativa valorizar a abordagem histórica, tornando-a parte integrante da agenda da OMS, que elegeu, naquele ano, os trabalhadores desse setor como tema do seu Relatório Anual – Trabalhando juntos pela Saúde.

A história como instrumento de conhecimento e reflexão crítica tem estado presente no campo da saúde pública desde os seus primórdios. A agenda internacional hoje reforça esta presença, expressa pela reivindicação manifestada por historiadores, outros especialistas e gestores, de um encontro ativo da história com a saúde, visando à compreensão presente e futura das reformas dos sistemas de saúde. Ao analisar processos no tempo e no espaço, contextualizando-os e inserindo saúde e doença na sociedade e na cultura, historiadores podem informar sobre práticas passadas, iluminar opções, possibilitar comparações. Essa crescente reivindicação explicita o entendimento de que a história, ao narrar e interpretar processos de saúde e doença em contextos temporais e espaciais específicos, constitui, interpela e transforma o próprio objeto com impactos sobre as compreensões dos atores individuais e coletivos, as identidades profissionais e sua formação, o funcionamento das instituições e as políticas. Para nós, história é política pública.

Entre os temas que vêm sendo crescentemente valorizados tanto por historiadores como pelos formuladores de política, acadêmicos, gestores e ativistas de movimentos sociais destacam-se os estudos históricos sobre trabalhadores da saúde, sua formação, atuação, condições de trabalho, organização e reprodução. Não se trata apenas da abordagem tradicional sobre a qualificação de recursos humanos – no sentido do preparo de profissionais para atuar nos sistemas de saúde , mas também da avaliação dos diferentes contextos econômicos, políticos e culturais em que se inserem as práticas dos trabalhadores em saúde, quer os educados segundo cânones convencionais do campo profissional, quer os que se caracterizam pela formação e prática de natureza não tradicional.

A variedade temática, temporal, espacial e metodológica e a qualidade dos artigos aqui publicados revelam a maturidade do campo, sua diversidade institucional e suas ricas intersecções com as ciências sociais. Indicam ainda a necessidade de novas iniciativas para o estabelecimento de uma agenda comum nesta "década dos trabalhadores da saúde". O que aqui se apresenta é uma contribuição para este objetivo e, mais que tudo, uma forma de trabalharmos juntos pela saúde.

 

Gilberto Hochman, Fernando Pires-Alves, Nísia Trindade Lima
Editores convidados