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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.13 n.3 Rio de Janeiro May./Jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232008000300029 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Saúde e capacidade para o trabalho de eletricitários do Estado de São Paulo

 

Health and work ability of workers of the electricity sector in São Paulo

 

 

Maria Carmen Martinez; Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre

Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo 715, Cerqueira César. 01246-904 São Paulo SP. mcmarti@uol.com.br

 

 


RESUMO

Apesar dos elevados riscos à saúde e capacidade para o trabalho dos eletricitários, há carência de estudos sobre o tema no Brasil. O objetivo desse estudo é identificar o perfil de saúde e capacidade para o trabalho de eletricitários de São Paulo. Foi feito um estudo transversal junto a 475 trabalhadores de uma empresa do setor eletricitário. A coleta de dados foi por meio de questionários sobre capacidade para o trabalho, estado de saúde, estresse no trabalho, atividade física, dependência ao tabaco e ao álcool. A consistência interna das escalas foi avaliada usando o coeficiente alfa de Cronbach. Foi feita análise descritiva por meio das médias, desvios-padrão, valores mínimos e máximos dos escores e proporções para as variáveis qualitativas. O estado de saúde dos trabalhadores apresentou pontuação elevada nas dimensões analisadas, com médias entre 72,8 a 91,2 (escore de 0,0 a 100,0 pontos). A capacidade para o trabalho teve pontuação elevada, com média de 41,8 (escore de 7,0 a 49,0 pontos). Concluiu-se que os trabalhadores da população de estudo apresentaram elevados padrões do estado de saúde e da capacidade para o trabalho. Sugere-se o desenvolvimento de estudos longitudinais para avaliar relações causais e a existência de efeito do trabalhador sadio.

Palavras-chave: Capacidade para o trabalho, Saúde do trabalhador, Trabalhadores, Ambiente de trabalho, Eletricidade


ABSTRACT

The high risks for the health and work ability of the workers of the electricity sector notwithstanding, there is a lack of studies on this topic in Brazil. Our purpose is to identify the health and work ability profile of the workers of a private electricity company in São Paulo. A cross-sectional study analyzing 475 workers of a private electricity company was adopted and data were collected using structured questionnaires for measuring work ability, health status, work stress, physical activity, tobacco and alcohol dependence. The internal consistency of the questionnaires was evaluated using Cronbach's alpha. The descriptive analysis was conducted using means, standard deviations, minimum and maximum values (continuous variables) and proportions (categorical variables). The health of the workers was found in good conditions, showing means ranging between 72.7 a 91.2 (in a score of 0.0 to 100.0 points). Work ability scored high as well, with a mean value of 41.8 (in a score of 7.0 to 49.0 points). The workers presented good health and work ability. Longitudinal studies should be conducted for evaluating causal relationships and the existence of the healthy worker effect.

Key words: Work ability, Worker health, Workers, Work environment, Electricity


 

 

Introdução

O setor elétrico, também chamado de setor eletricitário ou de energia elétrica, contempla o conjunto de processos, instrumentos e equipamentos destinados à geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica1,2. O trabalho dos eletricitários é caracterizado pela presença de demandas físicas e mentais importantes, sendo que os riscos à saúde e segurança dos trabalhadores são considerados elevados, co-existindo riscos de origem elétrica (choque elétrico e exposição a campos eletromagnéticos), mecânicos (quedas e acidentes de trânsito), biológicos (ataques de animais e contaminação biológica), químicos (contaminantes em ambientes fechados), físicos (ruído, calor, frio e chuva), biomecânicos (movimentação e posturas inadequadas, transporte de cargas) e psicossociais (pressão de prazos e de responsabilidades, volume de trabalho, solução de problemas e tomada de decisões, necessidade de adaptação a novas tecnologias, pressão de chefias e de clientes)1-5.

Apesar desta variedade de riscos e do potencial efeito deletério que estes riscos podem exercer sobre os eletricitários, há carência de estudos que contemplem questões pertinentes ao estado de saúde e à capacidade para o trabalho deste grupo de profissionais no Brasil. Na revisão de literatura, encontraram-se os trabalhos de Mattos & Koifman6 e de Mattos et al.7, que avaliaram a mortalidade por câncer neste grupo de profissionais, os de Ciórlia8 e de Ciórlia & Godoy9, que avaliaram os fatores de risco cardiovascular, e os de Segovia Herrera3, Nogueira1 e Guimarães et al.4, que avaliam condições e organização do trabalho.

Considerando as questões acima, este estudo tem por objetivo identificar o perfil auto-referido do estado de saúde e da capacidade para o trabalho de uma população de trabalhadores do setor elétrico do Estado de São Paulo.

 

Metodologia

Este é um estudo transversal que teve como população alvo os 582 trabalhadores que compõem o quadro de pessoal dos setores transmissão de energia, estações avançadas de distribuição de energia, recursos humanos e contabilidade de uma empresa do setor elétrico localizada na região de Campinas, no Estado de São Paulo.

Os critérios de exclusão foram estar em férias ou afastado do trabalho (por doença, acidente de trabalho ou licença médica) no período da coleta de dados. Foram consideradas perdas os trabalhadores que estivessem em cursos externos, viagem a serviço, se recusaram a participar, aqueles que deram respostas incompletas ou que não foram localizados.

Após divulgação do estudo junto às chefias e aos trabalhadores, todos foram convidados a participar da pesquisa. A pesquisadora agendava previamente o dia e a pesquisa foi realizada no próprio local de trabalho, sendo a participação voluntária. Para a coleta de dados, foram usados os questionários descritos a seguir:

a) Questionário de identificação: com questões sobre características demográficas e funcionais;

b) Índice de capacidade para o trabalho – ICT. Este questionário avalia a capacidade para o trabalho a partir de sete dimensões: capacidade para o trabalho atual, capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho, número atual de doenças diagnosticadas por médico, perda estimada para o trabalho devido a doenças, faltas ao trabalho por doenças, prognóstico próprio sobre a capacidade para o trabalho e recursos mentais10;

c) Medical Outcomes Study 36 – Item short form health survey - SF-36. Este questionário proporciona uma avaliação genérica da saúde por meio de oito escalas: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspecto emocional e saúde mental11;

d) Questionário de Baecke, que investiga a atividade física habitual dos últimos doze meses por meio de dezesseis questões, compondo escores referentes às atividades físicas ocupacionais – AFO, aos exercícios e atividades físicas praticados durante o tempo de lazer – EFL, às atividades físicas de locomoção – ALL e, ainda, um escore de atividade física total ET12;

e) Questionário de Tolerância de Fagerström, que mensura a dependência nicotínica;

f) Alcohol Use Disorders Identification Test – AUDIT, que faz o rastreamento do uso e dependência alcoólica;

g) Escala Estresse no Trabalho – EET. Fornece uma medida geral de estresse no trabalho a partir da avaliação de 23 diferentes aspectos ao mesmo trabalho13.

As variáveis de estudo foram: sexo (feminino ou masculino), idade (variável quantitativa contínua, em anos), estado conjugal (solteiro, casado/companheiro, separado/divorciado e viúvo), escolaridade (alfabetizado, 4ª série do ensino fundamental completa, 8ª série do ensino fundamental completa, ensino médio completo, ensino superior completo), setor de trabalho (transmissão de energia, distribuição de energia, administrativo), cargo, turno de trabalho, conteúdo do trabalho (mental, físico ou misto), faixa salarial (quantidade de salários mínimos), tempo de serviço (variável quantitativa contínua, em anos), capacidade para o trabalho (escore de 7 a 49 pontos) e suas sete dimensões, estado de saúde nas oito dimensões do SF-36 (escores de 0 a 100 pontos), prática de atividade física (escore de 0 a 15 pontos), IMC (Índice de Massa Corporal, variável quantitativa contínua expressa em Kg/m2, calculado a partir de dados auto-referidos, dividindo-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros), tabagismo (escore de 0 a 10 pontos) e consumo de álcool (escore de 0 a 40 pontos).

Para análise das perdas, foi feita a comparação entre a população participante no estudo e as perdas segundo sexo, idade, tempo na empresa, unidade de trabalho e setor de trabalho, utilizando o teste de associação pelo qui-quadrado (variáveis categóricas) e o teste t-Student (variáveis quantitativas). Para caracterização do perfil da população de estudo foi feita a análise descritiva por meio das médias, desvios-padrão, valores mínimos e máximos dos escores das variáveis contínuas e proporções para as variáveis qualitativas. Foi avaliada a consistência interna dos questionários por meio do coeficiente alfa de Cronbach.

Foi realizada dupla digitação, validação e verificação da consistência dos dados, utilizando o programa Epi-info versão 6.04 para DOS. Para a realização das análises descritivas e de todos os testes estatísticos, foi utilizado o SPSS para Windows versão 10.

O projeto de pesquisa foi submetido à apreciação e aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública da USP. O estudo seguiu as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos definidas na Resolução nº 196/96 do CNS – Conselho Nacional de Saúde. A empresa onde ocorreu o estudo forneceu autorização formal para realização do mesmo. A participação dos trabalhadores foi voluntária e mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Os resultados individuais foram tratados com confidencialidade.

 

Resultados

Entre os 582 trabalhadores que compunham a população-alvo, foram excluídos 39 (6,7%) trabalhadores por estarem afastados, em mudança de função ou de férias no período da coleta de dados. Das 543 pessoas que se enquadram nos critérios do estudo, 22 estavam em cursos externos, em viagem a serviço ou não foi possível localizá-las, restando 521 (89,5%) trabalhadores contatados. Dos 521 trabalhadores, 21 não responderam ou não quiseram participar do estudo, determinando uma taxa de recusa de 4,0%. Houve, ainda, perda de 25 pessoas que responderam o questionário de forma incompleta, restando 475 trabalhadores que correspondem a 87,5% dos 543 trabalhadores que preencheram os critérios de inclusão.

A análise das perdas demonstrou que não houve diferença em relação ao sexo (8,5% de perdas entre as mulheres e 12,9% de perdas entre os homens; p=0,385), ao setor de trabalho (14,6% de perdas no setor administrativo; 12,5% no setor de distribuição de energia e 10,5% no setor de transmissão de energia; p=0,703), e ao tempo na empresa (média de 12,9 anos na empresa entre os participantes, e média de 12,4 anos entre as perdas; p=0,548). Houve diferença estatisticamente significativa em relação à idade, sendo a média de 37,5 anos entre os participantes e 39,7 anos entre as perdas (p=0,030).

A população de estudo foi predominantemente masculina (90,9%), casada ou com companheiro(a) (75,2%) e com escolaridade com ensino médio completo (64,6%) ou ensino superior completo (26,7%). A média da idade dos trabalhadores foi de 36,8 anos (dp=8,0 anos), variando de 18,0 a 56,0 anos, com mediana de 37,0 anos.

A Tabela 1 mostra que 42,9% dos trabalhadores apresentaram sobrepeso e 16,8% apresentaram obesidade. Cerca de 14,5% dos trabalhadores informaram ser tabagistas e, entre os tabagistas, 36,2% apresentaram dependência ao tabaco elevada ou muito elevada. Estas pessoas fumavam, em média, há 18,3 anos (dp=8,5), variando de 2 a 40 anos, com mediana de 20 anos. Elas fumavam, em média, 14,9 cigarros por dia (dp=7,6), variando de 1 a 30 cigarros, com mediana de 15 cigarros (Tabela 2).

 

 

Entre os trabalhadores, 373 pessoas (79,0%) informaram consumo de algum tipo de bebida alcoólica. A média do escore de dependência ao álcool foi de 4,8 pontos (dp=4,3), e o mesmo escore variou de 0,0 a 23,0 pontos, com mediana de 4,0 pontos (Tabela 3). Considerando que um valor a partir de 8 indica a necessidade de uma investigação diagnóstica mais detalhada, existiam 105 pessoas (22,2% dos trabalhadores que responderam esta questão) nesta situação.

 

 

Boa parte (71,6%) informou praticar algum tipo de atividade física. A média do escore da prática de atividade física foi de 8,5 pontos (dp=1,3), variando de 4,0 a 12,0 pontos, com mediana de 8,5 pontos. A dimensão referente às atividades físicas ocupacionais foi a que apresentou maior média entre as três dimensões que compõem o escore (Tabela 2).

Na Tabela 3, observa-se que o maior percentual de trabalhadores estava no setor de distribuição de energia (66,5%) e a predominância dos cargos foi de eletricistas de distribuição (50,5%). Na mesma tabela, observa-se que a maioria dos trabalhadores atuava em horário diurno integral (72,8) e recebia menos que onze salários-mínimos mensais (82,1%).

Quanto ao conteúdo do trabalho, 22,1% dos trabalhadores exerciam atividades com conteúdo com predominância de exigências mentais e 77,9% com conteúdo com exigências físicas e mentais, não havendo trabalhadores com atividades com predominância de exigências. Os trabalhadores tinham, em média, 12,8 anos de tempo de serviço na empresa (dp=7,5 anos), variando de menos de 1,0 a 31,0 anos, com mediana de 11,0 anos.

O escore de estresse no trabalho apresentou média de 2,3 pontos (dp=0,7), variando de 1,0 a 5,0 pontos, com mediana de 2,3 pontos. As dimensões relativas ao estado de saúde com os maiores escores foram capacidade funcional, limitação por aspectos físicos e limitação por aspectos emocionais (com médias respectivamente de 91,2, 88,3 e 85,0). As dimensões com as piores avaliações foram vitalidade, presença de dor e saúde mental (com médias respectivamente de 72,8, 75,0 e 76,6). Os dados estão apresentados na Tabela 4.

O alfa de Cronbach para o ICT foi de 0,72. No SF-36, os valores foram: capacidade funcional = 0,85, limitação por aspectos físicos = 0,76, dor = 0,88, estado geral de saúde = 0,72, vitalidade = 0,86, aspectos sociais = 0,74, aspectos emocionais = 0,73, saúde mental = 0,86.

A média do índice de capacidade para o trabalho foi de 41,8 pontos (dp=5,1), variando de 13,0 a 49,0 pontos e mediana de 43,0 pontos. Vale destacar que 25,1% dos trabalhadores apresentaram valores do ICT entre 46 e 49 pontos nesta escala que vai de 7 a 49 pontos.

Na Tabela 5, observa-se que a população de estudo apresentou altos valores nas diversas dimensões do ICT. A maioria dos trabalhadores ocupou as três pontuações superiores da dimensão da capacidade para o trabalho atual comparada com a melhor de toda a vida (83,6%) e da dimensão da capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho (86,1%). Cerca de 36,6% dos trabalhadores não referiram presença de doenças atualmente diagnosticadas por médicos (pontuação = 7) e 8,4% informaram cinco ou mais doenças (pontuação = 1) e 57,5% dos trabalhadores informaram que não têm nenhum impedimento/doença para realizar seu trabalho (pontuação = 6). Boa parte (59,8%) dos trabalhadores negou afastamento do trabalho por doenças nos últimos doze meses (pontuação = 5) e 89,1% dos trabalhadores consideraram que é bastante provável que daqui a dois anos serão capazes de fazer o trabalho atual (pontuação = 7). A maioria (65,1%) dos trabalhadores ocupou a pontuação mais elevada em termos de recursos mentais (capacidade para apreciar as atividades diárias, percepção de estar ativo e alerta, sentimento de esperança para o futuro).

 

Discussão

A taxa de resposta desta pesquisa foi de 87,5% e, portanto, acima dos padrões esperados, dado que, segundo Fowler14, valores acima de 75% são considerados adequados.

A análise das perdas identificou diferença quanto à média da idade, sendo que ela foi maior entre os não respondentes do que entre respondentes e, embora pequena, foi estatisticamente significativa. No entanto, apesar destas diferenças, não se acredita que este fato possa ter influenciado nos resultados.

Para garantir a validade interna do estudo, foram observados alguns cuidados de forma a evitar erros sistemáticos. Para avaliar um possível viés de seleção decorrente do levantamento de dados ter sido realizado junto a voluntários, foram analisadas as já citadas taxas de resposta e de perdas. Para minimizar um viés de aferição, foram utilizados questionários já adaptados e/ou validados para uso no Brasil, tomando-se os cuidados de realizar de pré-teste e de orientar os participantes desta pesquisa quanto ao preenchimento dos mesmos.

Considerando a possibilidade de erro inerente a questionários que avaliam construtos subjetivos e considerando que o ICT e o SF-36 não haviam sido utilizados anteriormente na população de eletricitários, procedeu-se à análise da consistência interna dos instrumentos por meio do coeficiente alfa de Cronbach, cujo resultado varia de 0,0 a 1,0. Nesta pesquisa, todas as escalas apresentaram valores entre 0,72 e 0,88, valores estes que demonstram a boa confiabilidade das medidas aferidas.

Segundo Pereira15, cabe ao pesquisador julgar se o resultado do alfa de Cronbach é bom ou ruim, uma vez que, para este autor, não há um ponto de corte ideal para arbitrar o resultado e, mais importante do que julgá-lo bom ou ruim, é avaliar a complexidade do fenômeno que se pretende medir. Assim, considerando que capacidade para o trabalho e saúde são fenômenos complexos, sofrendo influência de diversas variáveis, o valor obtido por meio do alfa de Cronbach permite considerar como satisfatória a confiabilidade do ICT e das dimensões do SF-36.

Esta pesquisa foi realizada em uma empresa do setor elétrico do Estado de São Paulo com atuação nas áreas de geração, distribuição e comercialização de energia elétrica, e que passou por recente processo de privatização e de reestruturação produtiva. Sua realização se justifica pela produção restrita de estudos nacionais junto a eletricitários e pelo atual contexto de modificação na produção e nas relações de trabalho e de envelhecimento da população trabalhadora, onde as questões da saúde do trabalhador e capacidade para o trabalho ganham relevância.

No mundo ocidental, tem sido observado, principalmente a partir dos anos 80, o envelhecimento da população trabalhadora16,17. O processo de transição demográfica no Brasil vem sendo caracterizado pelo envelhecimento populacional, em que as mudanças na estrutura etária da população com aumento do peso relativo das pessoas com idade mais elevada são conseqüentes ao rápido e generalizado declínio da fecundidade que teve início na década de 196018,19. Essas alterações na estrutura etária populacional condicionam o envelhecimento da força de trabalho e têm reflexos importantes na composição da população economicamente ativa e na razão de dependência da população.

Originalmente sob controle estatal, o setor elétrico brasileiro começou a ser reestruturado a partir de 1992, sendo que no Estado de São Paulo a reestruturação teve início em 199620. Esse processo foi caracterizado pela privatização do setor com transferência do controle estatal para a iniciativa privada nacional e estrangeira. No processo de reestruturação do setor, foram recorrentes as situações de terceirização de atividades das áreas meio e/ou fim, redução do efetivo de trabalhadores por meio de demissões e programas de aposentadoria e demissão incentivada, substituição de mão-de-obra por outra de menor qualificação, fragmentação da classe com enfraquecimento da representatividade sindical, mudanças nos processos e equipamentos visando racionalização produtiva e econômica1,2,4. Esse contexto trouxe profundas modificações nas condições e na organização do trabalho, nas relações de trabalho e na inserção do trabalhador no mercado de trabalho, sendo apontado como origem de conseqüências negativas para a saúde e bem-estar dos trabalhadores das empresas do setor1,2,4.

A validade externa desta pesquisa pode ser considerada para grupos de eletricitários de empresas privadas e estatais que apresentem características semelhantes no que diz respeito ao perfil demográfico, às condições e à organização do trabalho, inclusive no que diz respeito às relações trabalhistas e aos benefícios, incluindo assistência à saúde e programas relativos à saúde e segurança no trabalho.

Para os trabalhadores de empresas terceirizadas e empreiteiras, entretanto, os resultados desta pesquisa podem ser menos aplicáveis. Isso porque, para estes trabalhadores, o processo de privatização e reestruturação produtiva do setor elétrico resultou em deterioração das relações de trabalho mais intensa do que para aqueles que tiveram seu vínculo empregatício preservado1.

A população desta pesquisa apresentou um perfil socioocupacional diferenciado em relação à população geral. Inicialmente deve ser ressaltado que, ao contrário da flexibilização e precarização atualmente configuradas nas relações trabalhistas e no mundo do trabalho, esta população está inserida no mercado formal de trabalho e conta com acesso a benefícios como assistência à saúde, previdência privada, programas preventivos de saúde ocupacional e segurança no trabalho, férias, 13º salário e demais premissas estabelecidas na legislação trabalhista.

Além disso, estes trabalhadores apresentam melhor nível de escolaridade e melhor remuneração do que a população geral de trabalhadores. No tocante aos rendimentos, apenas 6,1% dos trabalhadores da população de estudo apresentaram renda inferior a quatro salários-mínimos, quando o rendimento médio dos trabalhadores do setor privado da região metropolitana de São Paulo em maio de 2005 foi de 3,9 salários-mínimos entre aqueles com carteira assinada, 2,3 salários-mínimos entre os sem carteira de trabalho assinada e 3,0 salários-mínimos entre os que trabalham por conta própria21. Quase a totalidade (91,3%) dos trabalhadores da população de estudo tem, pelo menos, o ensino médio completo e este percentual cai para 53,9% entre os trabalhadores da população economicamente ocupada da região metropolitana de São Paulo22.

Este padrão socioeconômico diferenciado em relação à população geral não é exclusivo da população desta pesquisa, já tendo sido relatado por Mattos et al.7 ao estudar mortalidade por câncer entre eletricitários do Rio de Janeiro.

Nos aspectos pertinentes ao estilo de vida, a pesquisa evidenciou características peculiares a este grupo de trabalhadores. No que diz respeito ao tabagismo, na população geral da cidade de São Paulo, a prevalência varia entre 19,9% e 22,6%23,24 e, entre a população desta pesquisa, a prevalência identificada foi de 14,5%, configurando um perfil melhor do que seria esperado.

Comparações entre populações, no que diz respeito ao consumo de bebidas alcoólicas, são difíceis em função de diferenças entre o método de coleta de dados e a conceituação de consumo e dependência ao álcool. Entretanto, se forem utilizados como parâmetros os resultados do I Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil25, observa-se que 71,5% da população da região sudeste do País já consumiram bebidas alcoólicas e 9,2% apresentaram características compatíveis com dependência ao álcool, evidenciando um perfil mais favorável do que o dos trabalhadores desta pesquisa. Neste estudo, os resultados evidenciaram que 79,0% dos trabalhadores fazem algum tipo de consumo de álcool. Entretanto, um aspecto importante foi uma elevada prevalência de trabalhadores (22,2%) que apresentaram perfil compatível com dependência ao álcool, indicando a necessidade de uma investigação diagnóstica mais detalha.

Entre os domínios da prática de atividade física que o questionário de Baecke permite avaliar, o que apareceu com escore mais elevado foi o relativo à prática de atividade física ocupacional. E esse resultado é explicado ao lembrar que 77,9% dos trabalhadores executam atividades com conteúdo misto (físico e mental), onde algumas das tarefas podem apresentar exigências físicas bastante intensas e/ou freqüentes. Cabe lembrar que um contingente importante dos trabalhadores (71,6%) informou alguma prática de atividade física. Este percentual é superior aos observados em estudos junto a outros grupos de trabalhadores, como por exemplo, 40,7% em trabalhadores de uma destilaria do interior paulista26, 43,8 a 49,5% em petroleiros na Bahia27, ou 36,4% em metalúrgicos e siderúrgicos28. O grande percentual de trabalhadores não sedentários nesta pesquisa pode estar sendo influenciado por dois fatores: (1) existe um centro de atividades físicas na sede da empresa e ações de incentivo à prática de atividade física, e (2) trata-se de uma população relativamente jovem, onde a necessidade de bom preparo físico para atender às exigências físicas no trabalho dos eletricistas pode servir de estímulo à prática destas atividades visando preservar a qualificação para o desempenho do trabalho.

A prevalência de alterações no estado nutricional entre os trabalhadores da população de estudo foi de 42,9% de sobrepeso e 16,8% de obesidade. A comparação do estado nutricional entre grupos populacionais é difícil em função da variedade de resultados observados em diferentes estudos. Simão et al.26 identificaram 23,6% de sobrepeso e 27,6% de obesidade em trabalhadores de uma destilaria do interior paulista, o Ministério da Saúde23 identificou 29,4% de sobrepeso e 51,7% de obesidade em São Paulo, Barberino et al.27 relatam 33,2 a 40,2% de sobrepeso e 8,0 a 11,00% de obesidade em petroleiros na Bahia, e Marcopito et al.24 relatam 13,7% de obesidade no município de São Paulo.

Portanto, a prevalência de sobrepeso dos trabalhadores aqui estudados está acima do esperado, mas a obesidade está abaixo, indicando, talvez, uma tendência para o controle do peso entre os obesos. Essa tendência pode ser explicada pela necessidade de bom preparo físico para atender às exigências físicas do trabalho dos eletricistas, ressaltando-se que as escadas utilizadas para execução das atividades em postes e torres de energia têm capacidade para suportar um máximo de 100 kg de carga, sendo que o trabalhador a partir deste peso está impedido de usar estas escadas.

Apesar da menor prevalência de obesidade, esse aspecto não deve ser desconsiderado. Além de afetar a capacidade cardiorrespiratória e musculoesquelética e de favorecer o aumento da morbidade por doenças crônicas como as cardiopatias, o diabetes e a depressão, alterações no peso podem representar um risco ou limitação para o desempenho das atividades ocupacionais, em especial em atividade com exigências físicas importantes29-33.

A população desta pesquisa foi composta, predominantemente, pelo pessoal do setor de distribuição de energia (66,5%), conferindo ao perfil destes trabalhadores uma predominância de tarefas com conteúdo de trabalho misto (físico e mental), sobressaindo os cargos dos eletricistas, atuando em horário diurno integral e com renda de até onze salários-mínimos. Na execução de suas atividades, os trabalhadores tiveram a percepção de um nível intermediário de estresse no trabalho, padrão próximo ao encontrado por Paschoal & Tamayo13, ao avaliar um grupo de 237 funcionários de uma instituição bancária utilizando a mesma EET.

Este perfil pode ser considerado relativamente satisfatório quando se considera o papel que o estresse no trabalho passou a representar como agente desencadeante de agravos à saúde dos trabalhadores em um cenário de globalização e de reestruturação produtiva, consistentemente documentado em diversos estudos que demonstram as conseqüências sobre a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores34-36.

No que diz respeito à saúde, optou-se por realizar a avaliação do estado de saúde por meio de uma medida auto-referida porque se considerou que, segundo Tuomi et al.37, as medidas objetivas não fornecem um retrato profundo o suficiente da saúde do indivíduo e, por isso, a percepção do estado de saúde pelo próprio trabalhador é apontada como uma medida importante.

Os resultados desta pesquisa pertinentes ao estado de saúde mostraram valores elevados nos escores das oito dimensões analisadas, evidenciando elevada qualidade do estado de saúde destes trabalhadores. As dimensões que apresentaram os escores mais baixos foram a vitalidade, a percepção de dor e a saúde mental, porém nunca inferiores a 70% do escore.

Na tentativa de dimensionar estes resultados, eles foram comparados aos de um grupo de trabalhadores do setor administrativo do município de São Paulo, com conteúdo de trabalho predominantemente mental, cujo perfil de saúde foi obtido utilizando o mesmo questionário SF-36. A comparação foi realizada padronizando-se a população por faixa etária e os resultados, que estão apresentados em Martinez38, mostraram que os eletricitários apresentaram padrão mais elevado em todas as dimensões analisadas do estado de saúde.

A capacidade para o trabalho é conceituada como quão bem está, ou estará, um(a) trabalhador(a) presentemente ou num futuro próximo, e quão capaz ele ou ela pode executar seu trabalho em função das exigências, de seu estado de saúde e capacidades físicas e mentais39. Este conceito enfatiza que capacidade para o trabalho é a condição resultante da combinação entre recursos humanos em relação às demandas físicas, mentais e sociais do trabalho, gerenciamento e comunidade do trabalho, cultura organizacional e ambiente de trabalho40,41. A capacidade para o trabalho diz respeito às qualificações do trabalhador para lidar com as exigências do trabalho, sendo baseada em sua capacidade física, mental e social.

A capacidade para o trabalho, considerada como resultante de um processo dinâmico entre recursos do indivíduo em relação ao seu trabalho, sofre modificações em função de vários fatores, entre eles a condição de saúde, as características sociodemográficas, o estilo de vida, o envelhecimento e os fatores relacionados ao trabalho29,37,40-43.

Os eletricitários apresentaram valores elevados em todas as dimensões que compõem o ICT, com um resultado final de 41,8 pontos em um escore que varia de 13,0 a 49,0, evidenciando um padrão elevado de capacidade para o trabalho. Novamente comparando-se estes resultados com os obtidos por Martinez38, junto a trabalhadores de área administrativa, foi possível observar que as duas populações apresentaram médias semelhantes. Entretanto, na comparação por faixa etária, os eletricitários apresentaram melhor desempenho nas faixas mais jovens, invertendo-se a situação a partir pos 40 anos de idade, o que poderia sugerir envelhecimento funcional mais precoce entre estes trabalhadores.

O desenho transversal deste estudo não permite inferir relações causais. Entretanto, para explicar a elevada qualidade de saúde e de capacidade para o trabalho destes eletricitários, é necessário lembrar o efeito do trabalhador sadio. Este efeito é decorrente, principalmente, do processo seletivo para admissão de trabalhadores e da exclusão daqueles que mais freqüentemente adoecem ou faltam ao trabalho por motivo de doença44-46.

Esse efeito é um fenômeno complexo e difícil de ser mensurado, mas deve ser considerado quando da avaliação dos resultados de estudos em saúde do trabalhador46,47. Embora os dados obtidos neste estudo não permitam dimensionar este efeito, ele não deve ser descartado dado o elevado padrão de qualidade de saúde e de capacidade para o trabalho, bem como as condições sociotrabalhistas diferenciadas em relação à grande parcela da população do país.

O efeito do trabalhador sadio é apontado em outros estudos sobre capacidade para o trabalho, sendo citado como exercendo possível distorção nos perfis identificados, bem como nas associações estudadas31,48,49.

Situação semelhante foi apontada anteriormente por Mattos et al.7 que, estudando mortalidade por câncer em uma coorte de eletricitários do Rio de Janeiro, identificaram que este grupo apresentava menores taxas de mortalidade geral e por diferentes grupos de causas do que a população do mesmo sexo e faixa etária e atribuíram os resultados ao efeito do trabalhador sadio, às condições socioeconômicas e à inserção laboral destes trabalhadores. Resultados semelhantes foram encontrados por Kelsh & Sahl50 na Califórnia e Nichols & Sorahan51 no Reino Unido, que avaliaram coortes de eletricitários comparando as taxas de mortalidade destes com as da população geral.

O ICT também possibilitou identificar os agravos à saúde onde, tanto na opinião do próprio trabalhador como no relato de diagnóstico médico, os resultados são compatíveis com o perfil ocupacional e com o quadro de saúde destes trabalhadores, sobressaindo as lesões musculoesqueléticas, os distúrbios emocionais leves, a diminuição da acuidade auditiva e, também, obesidade, gastrite, hipertensão e distúrbios da visão. Resultados semelhantes foram obtidos por Bellusci48, avaliando os principais agravos à saúde auto-referidos entre trabalhadores de uma instituição judiciária no Estado de São Paulo.

As lesões musculoesqueléticas podem estar relacionadas tanto às exigências físicas do trabalho dos eletricistas como ao uso do computador pelo pessoal administrativo. Os distúrbios emocionais leves vêm assumindo relevância crescente desde o final dos anos 90 no país, podendo estar relacionados à organização do trabalho e às cadeias produtivas52,53. A diminuição da audição pode ser resultado da exposição a níveis de pressão sonora elevados que podem estar presentes na execução de algumas tarefas e no trânsito. Agravos como hipertensão, obesidade e gastrite fazem parte do perfil epidemiológico da população geral, no qual as doenças crônicas ganham relevância, mas também podem guardar alguma relação com o estresse decorrente do ambiente psicossocial do trabalho24,52. As alterações da visão também aparecem com prevalência elevada, mas esta pode estar sofrendo distorção caso os distúrbios de refração corrigidos pelo uso de lentes estejam sendo computados.

O perfil de morbidade identificado é compatível com o atual perfil epidemiológico dos trabalhadores no país. No contexto da reestruturação produtiva e de mudança das relações trabalhistas, houve diminuição da importância das doenças tradicionalmente relacionadas a um agente ou grupo de agentes de risco (como as intoxicações químicas ou as dermatoses ocupacionais) e aumento da relevância dos agravos com etiologia multicausal, com relações causais complexas e nem sempre claras, destacando-se as doenças osteoarticulares relacionadas ao trabalho, o comprometimento da saúde mental e os sintomas inespecíficos e/ou co-existentes relacionados ao estresse no trabalho34,35,52-55.

Diversos estudos apontam variáveis pertinentes às demandas e aos fatores psicossociais do ambiente de trabalho como os fatores causais ou explicativos do padrão de capacidade para o trabalho e do estado de saúde. Entre estes estudos, podem ser citados os de Kalimo34, Levi52, Tuomi et al.37, Estry-Behar et al.56 e Goedhard & Goedhard57.

Considerando os resultados e as limitações desta pesquisa, apresentam-se algumas sugestões:

Promoção, proteção e recuperação da saúde: apesar dos elevados padrões do perfil de saúde e de capacidade para o trabalho observados, sugere-se a manutenção e incremento do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO já realizado pela empresa, bem como do programa de incentivo à prática de atividades físicas em andamento em função do papel protetor que a prática de atividades físicas exerce na preservação da capacidade física, no controle da obesidade e na redução da morbidade. Sugere-se, ainda, introduzir, no PCMSO, uma estratégia para avaliação, abordagem e tratamento do uso abusivo de álcool em função da elevada prevalência de pessoas com perfil sugestivo de dependência ao álcool, bem como implementar ações de informações sobre o tema para o coletivo dos trabalhadores.

Monitoramento do estado de saúde e da capacidade para o trabalho: inclusão, como rotina no PCMSO, da avaliação da capacidade do trabalho por meio do ICT e do SF-36 de todos os trabalhadores. Essa avaliação rotineira permitiria o monitoramento dos trabalhadores no nível individual e no coletivo, de forma a identificar alterações precocemente e implementar medidas corretivas.

Redução do estresse no trabalho: apesar dos níveis de estresse identificados não serem elevados, sugere-se implementar medidas para melhoria da organização e do ambiente psicossocial do trabalho, de forma a atender às necessidades e expectativas dos trabalhadores e às necessidades e características das tarefas.

Realização de novas pesquisas: o desenho transversal desta pesquisa não permite estabelecer relações causais entre os diversos fatores analisados. Considerando esta limitação, a validade externa restrita desta pesquisa, e a escassez de estudos sobre saúde e capacidade para o trabalho dos eletricitários, sugere-se a realização de novos estudos, se possível com desenho que permita estabelecer direções causais e/ou avaliar a os resultados de medidas de promoção da capacidade para o trabalho.

 

Conclusões

Esta pesquisa permitiu identificar que os trabalhadores da população de estudo apresentaram perfil com condições sociodemográficas e estilo de vida positivamente diferenciado, com elevados padrões do estado de saúde e da capacidade para o trabalho quando comparados a outros grupos populacionais. Apesar disso, foram observadas prevalências importantes de consumo abusivo de álcool e de excesso de peso. A validade externa do estudo pode ser considerada para grupos de trabalhadores com condições semelhantes de inserção laboral. O desenho da pesquisa não permite inferir relações causais e, por isso, sugere-se o desenvolvimento de novos estudos com desenho longitudinal, inclusive para avaliar a existência de um possível efeito do trabalhador sadio.

 

Colaboradores

MC Martinez participou da concepção teórica, pesquisa bibliográfica, coleta, registro, análise e interpretação dos dados, elaboração e redação do texto; MRDO Latorre participou da concepção teórica, análise e interpretação dos dados, elaboração e revisão crítica do texto.

 

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Artigo apresentado em 04/06/2006
Aprovado em 02/02/2007
Versão final apresentada em 14/04/2007