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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.13  suppl.2 Rio de Janeiro Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232008000900015 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Percepções de estudantes de medicina veterinária sobre a atuação na área da saúde: um estudo baseado na idéia de "estilo de pensamento" de Ludwik Fleck

 

Perceptions of veterinary medicine students about acting in the public health area: a study based on Fleck's idea of "thought style"

 

 

Márcia Regina PfuetzenreiterI; Arden ZylbersztajnII

ICentro de Ciências Agroveterinárias, Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Tecnologia, Universidade do Estado de Santa Catarina. Av. Luiz de Camões 2090, Conta Dinheiro. 88520-000 Lages SC. marcia@cav.udesc.br
IIDepartamento de Física, Universidade Federal de Santa Catarina

 

 


RESUMO

Como parte de um estudo de caso, que teve como objeto o curso de medicina veterinária da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), calouros e formandos foram entrevistados com o objetivo de identificar suas impressões sobre as atividades no âmbito da medicina veterinária preventiva e saúde pública. Tendo como referencial o pensamento de Ludwik Fleck, estabeleceu-se uma correspondência entre os diversos campos de atuação na medicina veterinária e estilos de pensamento, utilizando essas categorias como instrumento de análise. Verificou-se que o ensino veterinário conduz à formação de um pensamento que não privilegia concepções com características coletivas e preventivas. No final do artigo, são feitas sugestões ressaltando a importância da integração entre os diversos campos de atuação da profissão na formação profissional com base nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996.

Palavras-chave: Educação veterinária, Medicina veterinária preventiva e saúde pública, Percepções de estudantes, Estilos de pensamento, Fleck


ABSTRACT

As part of a case study conducted in the undergraduate course of Veterinary Medicine of the State University of Santa Catarina (UDESC), Brazil, freshmen and senior students were interviewed for identifying how they perceive their activities as refers to Preventive Veterinary Medicine and Public Health. Taking the ideas of Ludwik Fleck as a theoretical framework, a correspondence was established among the different fields of activity in Veterinary Medicine and the variations in "thought styles", a key idea in Fleck's epistemology, allowing for the definition of analytical categories. It was verified that the teaching in the field of veterinary medicine leads to a thought style giving little importance to collective and preventive concepts. In the end of the article, we emphasize the importance of integration between the different fields of actions of the profession for a better professional education based on the National Guidelines and Bases for Education of 19965.

Key words: Veterinary medicine education, Preventive veterinary medicine and public health, Students' perceptions, Thought styles, Fleck


 

 

Introdução

A preocupação com a educação veterinária não é recente. Em 1972, a Organização Panamericana da Saúde promoveu a realização do 2º Seminário sobre Educação em Medicina Veterinária na América Latina. Uma das recomendações do evento foi a de aumentar a participação do médico veterinário em equipes de saúde para cumprir o objetivo final da profissão veterinária que é o bem-estar humano1.

Na ocasião, foi apresentada uma síntese das atividades do médico veterinário: a) higiene dos alimentos (inspeção e controle dos alimentos de origem animal); b) saneamento ambiental (atuação no planejamento e instalação de indústrias pecuárias e de processamento de alimentos de origem animal com relação ao tratamento e destino de dejetos); c) promoção da saúde animal (produção de proteína animal e planificação de programas de profilaxia de enfermidades em animais); d) controle de zoonoses (responsabilidade compartilhada entre os organismos governamentais ligados à agricultura e saúde). Com relação às atribuições dos veterinários para o século XXI, praticamente as mesmas características são mencionadas um quarto de século mais tarde, sendo ressaltado que elas deveriam ser mais enfatizadas na formação dos futuros profissionais para o trabalho em saúde pública2. Todavia, as escolas de veterinária não têm enfatizado a capacitação neste setor3. Embora a definição de Saúde Pública Veterinária implique uma abordagem multidisciplinar, este escopo mais amplo é ensinado em poucas escolas4, havendo necessidade de um ensino que esteja direcionado para atender as necessidades da população5.

Por meio deste trabalho, pretende-se verificar as impressões dos alunos frente ao curso de medicina veterinária, à profissão, bem como sobre a área de medicina veterinária preventiva e saúde pública. A fundamentação teórica seguirá o pensamento de Ludwik Fleck pelo fato deste autor ter trabalhado com questões referentes ao campo médico, em sintonia com a questão proposta6.

Os resultados aqui apresentados e discutidos são parte de um estudo de caso mais amplo7, realizado durante os anos de 2001 e 2002, que teve como objeto o curso de graduação em medicina veterinária do Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV/UDESC).

 

Referencial teórico: o pensamento de Fleck

Ludwik Fleck (1896-1961) formou-se em medicina e trabalhou na área de microbiologia. Apesar de ser médico e não historiador, filósofo ou sociólogo, ele tinha interesses voltados para a filosofia da ciência e para uma abordagem sociológica no estudo da evolução do conhecimento médico e científico. Sua publicação mais importante foi "A gênese e o desenvolvimento de um fato científico"8, uma monografia escrita em alemão e editada em 1935. Nesse trabalho, Fleck faz uma reflexão sobre a ciência como uma atividade coletiva, reforçando o caráter sociológico de seu pensamento. Para ele, as explicações dadas a um fenômeno se ajustam com o estilo de pensamento dominante, desenvolvendo-se dentro de uma determinada sociedade. As idéias compartilhadas por um determinado grupo (coletivo de pensamento) formariam o estilo de pensamento. O coletivo de pensamento é composto pelo grupo de pessoas (unidade social) do grupo científico pertencente a determinado campo de conhecimento.

A estrutura geral do coletivo de pensamento é formada por um grande círculo exotérico formado pela opinião pública e um pequeno círculo esotérico que corresponderia à elite científica. Ambos os círculos estabelecem relações entre si, exercendo influências um sobre o outro. O especialista ocupa o ponto central do círculo esotérico, do qual fazem parte também outros especialistas gerais e investigadores que trabalham com problemas similares.

 

Os campos de atuação em medicina veterinária - os estilos de pensamento

As grandes áreas de formação do profissional de medicina veterinária que correspondem aos campos de atividade prática desempenhadas pelo médico veterinário são apontadas por vários autores9-11. Ao utilizar os sistemas de classificação mencionados acima para as atividades exercidas pelo médico veterinário, este trabalho propõe três grupos de atuação para a profissão: clínica veterinária (CV), zootecnia e produção animal (ZPA), medicina veterinária preventiva e saúde pública (MVPSP)7.

A atividade de clínica veterinária (CV) é a que mais se aproxima da medicina humana e traz como fundamento prático a clínica, que está pautada pelo conhecimento dos processos mórbidos nos organismos animais. O campo de ação da clínica se apóia principalmente nas diversas técnicas diagnósticas para o tratamento das enfermidades.

No setor de Zootecnia e Produção Animal (ZPA), o médico veterinário trabalha na criação e aperfeiçoamento dos animais domésticos, procurando obter a melhor relação entre a quantidade ou valor de produtos de origem animal e o valor dos insumos aplicados à produção.

O conjunto de atividades desenvolvidas pelos profissionais que trabalham na área de medicina veterinária preventiva e saúde pública (MVPSP) envolve conhecimentos que orientam medidas específicas para a proteção, manutenção e recuperação da saúde animal em prol da saúde humana por meio da monitoração, prevenção, controle e erradicação de enfermidades, especialmente as zoonoses. A defesa da saúde animal exerce ação sobre a produtividade e a qualidade sanitária dos rebanhos e dos produtos e alimentos de origem animal.

Os campos acima categorizados representam os pilares fundamentais do currículo dos cursos de medicina veterinária e estão assentados sobre os princípios das ciências básicas. Estes três agrupamentos se constituem nas principais áreas que se refletem na atuação profissional e reúnem grupos de pessoas que compartilham os mesmos propósitos, formando modos de pensar distintos. Como base para a formulação de critérios para analisar os dados obtidos na pesquisa, estabeleceu-se uma correspondência entre as práticas desenvolvidas em medicina veterinária (CV, ZPA, MVPSP) e a categoria "estilo de pensamento".

 

Material e métodos

A presente investigação teve como propósito identificar as percepções e expectativas dos alunos sobre o curso, sobre a profissão e também sobre o campo da medicina veterinária preventiva e saúde pública, através de procedimentos característicos de uma abordagem qualitativa com ênfase nas perspectivas dos participantes12.

Foram realizadas vinte entrevistas individuais com estudantes aleatoriamente selecionados entre os calouros do curso (dez entre os quarenta alunos que ingressaram no segundo semestre de 2001 e dez entre os quarenta que ingressaram no primeiro semestre de 2002), e vinte entrevistas com acadêmicos selecionados da mesma forma entre os que cursavam a penúltima fase (dez entre quarenta do segundo semestre de 2001 e dez entre 43 do primeiro semestre de 2002).

Os participantes foram sorteados a partir de listas fornecidas pela secretaria do curso e convidados a participar das entrevistas realizadas nas dependências do curso de medicina veterinária da UDESC, nas quais foi utilizado o formato semi-estruturado, seguindo um roteiro anteriormente testado. Após esclarecimentos sobre os procedimentos e os objetivos da pesquisa, o consentimento para a realização e gravação da entrevista era solicitado aos entrevistados. A anuência para a realização da pesquisa encontra-se expressa em documento emitido pela direção do CAV/UDESC. As gravações de áudio foram integralmente transcritas, e tanto as fitas quanto o material de transcrição receberam um código de identificação. Os dados foram mantidos em sigilo e em poder dos pesquisadores, sendo tomadas medidas para garantir o anonimato dos sujeitos pesquisados.

O roteiro das entrevistas dos calouros continha 22 questões abordando diversos aspectos, e o dos formandos, 23. O presente trabalho foi baseado na análise das respostas às questões abaixo listadas.

Calouros:

- Você acha que o médico veterinário pode trabalhar em saúde pública?

- Dentro da saúde pública, que atividades o médico veterinário pode desempenhar?

- Você acha importante o médico veterinário atuar em saúde pública?

- Você trabalharia em saúde pública?

Formandos:

- Qual sua opinião sobre o trabalho do médico veterinário em saúde pública?

- Você acha importante o médico veterinário atuar em saúde pública? Por quê?

- Você trabalharia em saúde pública? Por quê?

- Você acha que a saúde pública foi enfatizada de maneira adequada durante o curso?

As transcrições foram analisadas para cada uma das questões, tanto para os calouros como para os concluintes, buscando-se estabelecer conjuntos (categorias) de respostas expressando percepções similares, assim como a freqüência das mesmas. Em seguida, procedeu-se à comparação entre as respostas dos calouros e formandos, quando a natureza da questão assim o permitia. Na próxima seção, encontram-se ilustrados os principais padrões de respostas encontrados, destacando-se, quando pertinente, similaridades e diferenças entre as percepções dos dois grupos investigados.

Tendo como referencial o pensamento de Fleck, partiu-se do pressuposto que existem estilos de pensamento que correspondem aos campos de atuação da profissão (CV, ZPA e MVPSP) e, conseqüentemente, que existem diferentes pontos de vista nos cursos de medicina veterinária, o que norteou a interpretação dos resultados.

 

Resultados

As entrevistas com os calouros do curso de medicina veterinária da UDESC foram realizadas logo nas primeiras semanas do semestre letivo, a tempo de que eles não tivessem oportunidade de um contato maior com os outros alunos e professores do curso. Com os formandos, as entrevistas foram realizadas aproximadamente na metade do semestre letivo, quando os alunos já haviam incorporado o sentido das disciplinas e da fase em que se encontravam no curso. Na análise das entrevistas de ambos os grupos, os trechos transcritos das citações foram colocados sob forma de citação direta longa e as falas dos calouros foram identificadas com a letra "C", enquanto que aquelas relacionadas aos formandos receberam o código "F".

Quando perguntados se cogitavam que o médico veterinário pudesse trabalhar em saúde pública, apenas um dos calouros não sabia que o médico veterinário pode desempenhar funções relacionadas a essa área. As atividades citadas incluíram o controle de alimentos, as zoonoses, a prevenção de doenças e a preocupação com a qualidade de vida. Apesar de haver muitas citações relacionadas à saúde, algumas respostas enfatizavam o aspecto relativo à doença, sugerindo que os estudantes, ao iniciarem o curso, apresentam marcada concepção reducionista e de medicina curativa: Está relacionado com doenças. São doenças que estão relacionadas com o animais juntamente com o homem ele poderia ajudar nessa relação. (C18)

Quando os formandos foram solicitados para discorrerem sobre o trabalho do médico veterinário em MVPSP, todos foram unânimes em enfatizar a importância desse tipo de atuação. Os acadêmicos citaram principalmente as tarefas executadas em relação às zoonoses e à educação em saúde, ressaltando o valor deste profissional para a sociedade e o relacionamento com as outras atividades da medicina veterinária na prevenção de doenças. Vale destacar a importância de serem trabalhados com os alunos conteúdos de educação em saúde pelos conhecimentos que esse profissional apresenta e pela penetração que ele tem em determinados segmentos da sociedade, como foi explorado pelos entrevistados: Eu acho que é importante no sentido de combater, de esclarecer as pessoas sobre as zoonoses, sobre o que a pessoa está propensa, doenças que podem acontecer. Eu acho que ele é um meio de conscientização. (F07)

Chama a atenção que apenas três calouros relacionaram a saúde pública veterinária como um elo de ligação entre a medicina veterinária e a medicina humana. Esse tipo de entendimento é muito mais manifesto entre os formandos, pelos conhecimentos que eles já adquiriram durante o curso. Os calouros que prestaram essa informação ressaltaram que o médico veterinário possui conhecimentos que permitem o desempenho de determinadas tarefas que não podem ser realizadas por outro profissional, como no caso abaixo: Porque quando se fala em saúde tem que ter alguém que trabalhe por isso [saúde pública veterinária]. Um médico humano não vai poder. Ele não vai poder trabalhar com isso se não tem conhecimento. Mas é muito importante alguém trabalhar pela saúde. (C02)

Alguns formandos apontaram a participação do médico veterinário nas equipes de saúde juntamente com outros profissionais, mas ao mesmo tempo, indicaram limitações em relação à não ocupação desse espaço na execução atividades que são pertinentes exclusivamente ao médico veterinário e que não podem ser desempenhadas por profissionais com outro tipo de formação: Saúde pública eu acho que é essencial. Eu acho que é uma área que se não está crescendo, vai crescer bastante. E eu acho que o médico veterinário deveria trabalhar em equipes, com o médico humano. Eu acho que o médico veterinário é o profissional que mais conhece sobre zoonoses e ele é de fundamental importância mesmo nessas equipes. (F03)

Um formando declarou que o médico veterinário muitas vezes não conquista o lugar que lhe é reservado na saúde pública, por uma falta de orientação do curso de uma maneira geral para este tipo de atuação: Geralmente quem faz isso são biólogos ou os próprios médicos. Eu acho que seria fundamental mesmo o veterinário pegar a área que realmente é dele, saúde pública. Junto com sanitaristas, assistentes sociais, médicos. Porque ele é muito voltado para a clínica. Ele não tem essa visão. Ou ele é clínica, ou ele trabalha para a produção ou só. Uma porque não tem mercado para sair direto para ser, para trabalhar na saúde pública. Ele não busca isso. Ele já é bastante orientado desde o começo do curso até o final para ser clínico, para ser cirurgião. (F04)

Quando indagados se trabalhariam nesse campo de atividade, a metade calouros respondeu positivamente, seis manifestaram recusa, três exprimiram dúvida e um não soube responder. Entretanto, um aluno que respondeu afirmativamente havia expressado espontaneamente em um momento anterior da entrevista seu desejo de não se dedicar a essa área profissionalmente: Saúde pública... Eu, sinceramente não é isso que eu quero. Mas eu creio que seja o papel mais gratificante para o médico veterinário, entendeu? (C11)

Os que afirmaram que poderiam se dispor a aplicar os conhecimentos aprendidos na área justificaram pela importância da mesma na prevenção das doenças e também como uma forma de contribuir para a sociedade. A rejeição dos acadêmicos para trabalharem na área parece significativa. Este grupo mostrou maior rejeição em relação a este questionamento do que o grupo de formandos, como será visto mais adiante. Um dos motivos que pode ter levado alguns entrevistados se mostrarem contrários a trabalharem na área talvez seja a falta de maiores informações sobre a forma como o profissional desempenha as atividades inerentes a este campo. Uma causa de rejeição detectada foi a perspectiva da perda da oportunidade de trabalhar diretamente com os animais na prática ou pelo fato da área aparentar ser um tanto teórica. Um dos alunos que ficou em dúvida e outro que recusou a idéia de trabalhar na área apresentaram uma percepção muito curiosa para esse tipo de atividade, ligando-a a uma função meramente burocrática, rotineira e pouco estimulante: Não sei, é que eu não sei exatamente o que teria que fazer, como é que funcionaria, se é mais ficar trancado dentro de uma sala, aí eu acho que não me interessaria muito. Porque eu gosto mais é de estar no meio, de estar com a mão na massa, fazendo coisas. Eu acho que eu preferiria estar mais mexendo com alguma coisa do que estar parada olhando, escondida. (C12)

Quando perguntados se trabalhariam em saúde pública, a rejeição entre os formandos foi bem menor que a dos calouros. A grande maioria dos formandos (16) respondeu afirmativamente e quatro alunos indicaram dúvida em trabalhar na área. Entretanto, durante a entrevista, dois estudantes haviam revelado espontaneamente que não trabalhariam na área. Por estas declarações, fica difícil avaliar se realmente os formandos exerceriam atividade na MVPSP ou não, e os motivos que os levariam a rejeitar ou aceitar atuar no setor. A resposta a esta questão pode estar no condicionamento que alguns deles fizeram, ou seja, trabalhariam na área, mas estando na dependência da oportunidade de emprego. É importante lembrar que para o exercício dessa atividade o profissional normalmente se encontra vinculado ao serviço público, estando na dependência de abertura de vagas para concurso. Uma observação que chamou muito a atenção durante as entrevistas dos formandos foi de que, muitas vezes, o médico veterinário busca desempenhar atividade dentro da MVPSP quando não tem mais opções de trabalho.

Um formando fez a contraposição com relação à disponibilidade de vagas pelos organismos públicos e chamou a atenção para o fato de que as prefeituras municipais contratam um número muito pequeno de médicos veterinários para trabalharem na área e, desta forma, não haveria colocação para todos. Além do mais, alguns setores da saúde não abrem vagas para médicos veterinários em seu quadro funcional. Por outro lado, enquanto comentavam sobre o trabalho do médico veterinário em saúde pública, ressaltando sua importância, dois formandos consideraram as vantagens em trabalhar em um serviço público. Eles reconheceram esse fato, possivelmente porque normalmente sendo uma atividade desempenhada em órgãos públicos, seria uma fonte de renda assegurada para quem trabalha na área.

Dentro da MVPSP, as atenções estão voltadas mais para o aspecto preventivo e para a importância do médico veterinário para a sociedade. Mesmo atuando em CV, alguns formandos estão conscientes de que, em algumas situações, eles devem colocar em prática as concepções de natureza social provindas do estilo de pensamento associado à MVPSP. Porque eu acho que é uma área que também está sendo valorizada mais atualmente, antigamente não era dado muito valor, e tem se dado bastante importância para o veterinário. O papel dele na comunidade, está mais aberto. Eu acho assim: que o veterinário era visto só para atender casos clínicos, era chamado só para atender uma vaca doente, um cachorro doente. Hoje em dia não, ele já tem, o mercado dele já é diferente, ele trabalha já na prevenção, na orientação, em prefeituras. (F05)

Contudo, um acadêmico apontou que o trabalho voltado para populações está mais restrito a determinados tipos de atuação e que, de maneira geral, o pensamento médico veterinário não é voltado para o enfoque populacional: Ele não tem aquela cultura de sair e ver problemas, solucionar esses problemas que envolvem uma comunidade. Não é típico de veterinário. É típico de procurar o animal que está doente. Acho que não teria problema de se trabalhar com saúde, só que o pessoal prefere trabalhar individual. Acho que tudo o que o veterinário pensa é salvar o animal, com exceção das pessoas que trabalham com produção, que não vão poder trabalhar com animal, vão ter que trabalhar com o rebanho, trabalhar com população. (F04)

Quanto à ênfase dada pelo curso para o campo da MVPSP, apenas dois formandos foram de opinião que a área recebeu um destaque adequado durante o curso, três explicaram que isso ocorreu em parte e um não respondeu. A grande maioria dos alunos (14) julgaram que ela foi pouco explorada, sendo que onze deles consideraram que ela foi enfocada apenas no final do curso, o que poderia ter condicionado a um direcionamento para outras áreas e também a uma falta de interesse dos estudantes pela saúde pública. Uma falha apontada pelos entrevistados foi a falta de ligação ou conexão destes conteúdos com os conteúdos de outras disciplinas: Olha, porque a saúde pública busca muito das outras cadeiras, e ela justamente está na nona fase, na última fase. Então quando você já vê quase tudo aquilo, ela está lá no final e ela não é enfatizada desde o começo. Porque como eu já falei há alguns minutos aqui, é muito voltado para clínica. Então aqui você tem vago o negócio de saúde pública. Então você pega a saúde pública como realmente é, o conceito certo, como que é a visão da saúde pública, você já está quase saindo. (F04)

Como pôde ser observado pelas respostas nas entrevistas pelos calouros, há necessidade de uma noção mais completa pelos calouros do que seja a profissão médico veterinária, bem como informações mais detalhadas sobre o curso que irão freqüentar, o que foi evidenciado quando a grande maioria dos respondentes não soube discriminar quais as disciplinas que iria cursar.

A deficiência de maiores subsídios pelos estudantes sobre a profissão se evidencia mais claramente quando o comentário se volta para a MVPSP. Apesar das atividades desempenhadas neste setor serem constantemente alvo de noticiários nos meios de comunicação e chamarem a atenção, inclusive pelas chances no mercado de trabalho, os alunos não demonstram ter muito fascínio pela área. O que transparece é que, para eles, esse tipo de atividade está desarticulada do restante da profissão, haja vista o alto grau de rejeição pelo trabalho na área com a justificativa de que haveria perda do contato com o animal. A medicina veterinária é vista estando estrita e exclusivamente ligada aos animais.

Essa constatação revela a falta de conhecimento da população sobre a atividade do médico veterinário, o que pode levar a um direcionamento do aluno, logo que ingressa no curso, para outras áreas em detrimento da MVPSP. Tal situação impede que ele tenha oportunidade de se interessar pela área a ponto de se dedicar a ela profissionalmente quando do término do curso.

A partir da interpretação das falas dos estudantes, nota-se que eles entram no curso de medicina veterinária com uma pequena noção do trabalho em saúde. Quatro calouros que falaram espontaneamente durante a entrevista sobre as atividades do veterinário dentro da MVPSP revelaram que tiveram esse conhecimento enquanto pesquisavam a respeito da profissão quando se preparavam para o vestibular. No entanto, o curso não consegue provocar um estímulo mais forte para que o estudante possa se direcionar para essa área dentro de sua vida pro-fissional e os formandos saem sem uma noção clara das atividades que podem desempenhar nessa área: A gente acaba não sabendo o que é, o que fazer. O que é trabalhar com saúde pública? Eu vou ter que trabalhar com gente, com bicho ou com os dois? É só zoonose que eu vou mexer? Ou eu tenho que mexer com educação dessa pessoa, ou desde o saneamento básico dela? A gente não consegue ter uma visão muito do que é a saúde pública. Onde eu posso trabalhar com saúde pública? Eu vou trabalhar na prefeitura? Eu vou trabalhar por conta própria? Eu posso ser profissional liberal trabalhando com saúde pública? Essa noção a gente não tem e ninguém passa. (F14)

 

Discussão

Os médicos veterinários que partilham dos estilos de pensamento associados aos campos de atuação da profissão pertenceriam, segundo uma interpretação fleckiana, a coletivos de pensamento, que seriam perpetuados por intermédio de um sistema de educação e formação específicas.

Os estudantes do curso de medicina veterinária já ingressam no curso com a idéia de que o médico veterinário trabalha na área de clínica e as entrevistas realizadas com os formandos do curso revelam que a estrutura do curso consolida esta percepção. Para Fleck, os coletivos procuram fazer com que os aspirantes a determinado círculo esotérico sejam conduzidos a observar as coisas de determinada forma para a aquisição de um modo de pensamento próprio e comum, dificultando, como contrapartida, a capacidade de percepção de outras. Neste período de aprendizagem, a disposição coletiva conduz a uma forma de percepção dirigida, levando a uma união entre seus membros e adoção de uma atitude compartilhada. Esse preceito traz como conseqüência a tendência a tentar sufocar outras formas de pensamento não concordantes com aquela forma que se quer fazer predominar. Fleck8 alerta ainda que existe uma tendência à persistência das idéias e quem não concorda com a estrutura organizada é tratado como exceção. O autor sustenta que quanto mais elaborado e mais desenvolvido se encontra um campo do saber, menores são as diferenças de opinião. Pelo comportamento adotado pelos coletivos de pensamento no curso da UDESC, observa-se que cada campo de conhecimento (estilo de pensamento) vai se tornando uma estrutura cada vez mais rígida e que deixa pouco espaço para o desenvolvimento de outras formas de pensamento.

As noções do modelo fleckiano podem ser empregadas para estudar a interação saber-prática no domínio da atividade profissional da medicina que se configura atualmente sob o que se denomina de biomedicina, pela estreita vinculação com as disciplinas oriundas das ciências biológicas13. Sob esta perspectiva, o referencial da clínica médica passa a ser a doença e sua causa e, desta forma, as manifestações que não apresentam esta relação de causalidade estariam na contramão deste direcionamento organicista. Uma das explicações para o problema em questão analisado a partir do referencial fleckiano se-ria a de que aquilo que não concorda com o sistema (no caso, aquilo que foge à relação lesão orgânica-doença e seus correspondentes) parece inobservável. Assim, existe uma tendência a ver e descrever somente circunstâncias que corroborem a concepção dominante, isto é, a contradição do modelo anátomo-clínico dificilmente é admitida. Esse raciocínio também pode ser aplicado ao campo da medicina veterinária.

Os alunos são submetidos a longo treinamento para aquisição de certas habilidades para perceber determinadas formas. Eles olham com seus próprios olhos, mas aprendem a ver com os olhos do coletivo. Nos cursos de medicina veterinária, os estudantes são levados a observar precisamente o que os professores de determinadas disciplinas com maior ênfase percebem, ao mesmo tempo em que perdem a aptidão para ver outras formas (por exemplo, a concepção preventivista e social). Nos cursos de medicina veterinária, os alunos aprendem a ver com o olhar do estilo de pensamento associado à medicina curativa e individual.

A medicina veterinária possui sua própria cultura profissional, dentro de um contexto histórico que envolve práticas, códigos profissionais, crenças, valores e atitudes, moldando uma imagem relacionada ao modelo médico curativo14. O paradigma clínico é continuamente reforçado pela maioria das instituições, cursos e currículos15.

A falta de oportunidade para que os estudantes desenvolvam um pensamento de fundo preventivista e social ao longo de todo o curso conduz à manifestação de falsas noções sobre alguns tópicos importantes. Como um exemplo disso, verificou-se que os formandos do curso de medicina veterinária da UDESC possuem uma representação de saúde e doença distantes dos conceitos estabelecidos pela saúde coletiva7. Como estes acadêmicos se encontram no final do curso e, portanto, prestes a exercer a profissão, eles deveriam ter desenvolvido uma noção dinâmica do fenômeno, compreendendo-o de maneira mais ampla, considerando aspectos sociais, econômicos e culturais. Isto seria importante porque a saúde pública veterinária pode contribuir para o bem-estar físico, mental e social dos seres humanos mediante a compreensão e aplicação dos conhecimentos da medicina veterinária com o propósito de proteger e melhorar a saúde humana, estabelecendo vínculos com a agricultura, saúde animal, meio ambiente e educação.

Tradicionalmente, a saúde pública veterinária tem trabalhado no controle das zoonoses e na proteção sanitária dos alimentos. Entretanto, deve-se destacar a sua necessária inserção em questões como a redução da pobreza especialmente nas comunidades rurais, a produção de alimentos sem produzir desgaste ambiental e o controle de enfermidades relacionadas ao meio ambiente. Para o tratamento destes aspectos, é preciso levar em consideração as novas tendências na prática de produção, as interferências nas populações de animais silvestres, as mudanças demográficas, a mobilidade das populações, a urbanização e globalização da indústria de alimentos. Essas alterações devem estar acompanhadas de níveis aumentados de vigilância epidemiológica e de novas abordagens para o controle e prevenção de doenças.

O contraditório é que, apesar do reconhecimento da importância da área de medicina veterinária preventiva e saúde pública, esta área não é muito privilegiada durante o curso. Apesar das mudanças ocorridas na profissão e no mercado de trabalho, a transformação de um pensamento curativo para uma idéia mais abrangente de saúde e doença, com incorporação de elementos de outros estilos de pensamento, é muito difícil e gera resistências.

Os cursos resistem em adotar outras concepções na tentativa de consolidar um estilo de pensamento hegemônico. Por esse motivo, as reformas curriculares não vingam e provocam forte resistência. Essa preservação e dominação de um estilo de pensamento sobre outros traz como conseqüências a deficiência na formação dos alunos nos outros campos de atuação/estilos de pensamento16. A educação e o ensino estão relacionados com o tipo de cultura que se desenvolve em seu entorno17, visto que não são processos neutros, já que o próprio educador, consciente ou inconscientemente, está implicado neles18.

De acordo com as fases de desenvolvimento de um coletivo de pensamento - de instauração, extensão e transformação de um estilo de pensamento19 - houve a instauração de alguns coletivos quando da criação do curso, que passou pela fase de extensão, quando o estilo de pensamento associado se ampliou e se firmou. Entretanto, parece que há certa resistência à passagem para uma terceira fase que é a da transformação em que deveria haver, inclusive, abertura para a plena subsistência de outros estilos de pensamento. Essa resistência poderia estar também associada à concepção predominante de saúde e doença que alguns coletivos insistem em manter.

 

Conclusão e proposições

Pelos dados obtidos, verifica-se que os estudantes ingressam no curso de medicina veterinária com uma visão e uma expectativa mais voltadas para a medicina curativa. Por sua vez, o próprio currículo e os coletivos da instituição procedem de modo a fortalecer essa tendência. Conseqüentemente, estes alunos continuam a encaminhar seu curso nessa direção e passam a adotar atitudes compatíveis com concepções de saúde e doença harmonizadas com o estilo de pensamento predominante. O caminho pautado pelas diretrizes curriculares para o curso de medicina veterinária20 inclui a dimensão dada pelas ciências humanas e sociais na formação profissional, o que poderia contribuir para o desenvolvimento de uma concepção mais voltada para o coletivo, foco principal da MVPSP.

É importante que o curso propicie aos alunos, logo no início, o conhecimento exato sobre a profissão e o contato com todos os domínios da medicina veterinária, com a participação de representantes dos diversos estilos de pensamento para não haver direcionamento na abordagem.

Cabe destacar que as entidades de classe devem prestar esclarecimentos a todos os segmentos da população sobre as diversas atividades realizadas pelo médico veterinário, a fim de que os círculos exotéricos possam legitimar, reconhecer e fortalecer os círculos esotéricos correspondentes a todos os estilos de pensamento existentes dentro da carreira.

O quadro revelado pelo estudo de caso apresentado apenas sofrerá modificações se os vários segmentos da Universidade se conscientizarem da importância de se consolidar uma formação integral ao estudante, que atenda de maneira equilibrada todos os domínios da atuação profissional e favoreça o desenvolvimento completo das potencialidades do futuro médico veterinário. Se não houver modificações na estrutura apresentada, que busca a manutenção de um estilo de pensamento em detrimento de outros, qualquer mudança curricular se mostrará infrutífera e ilusória.

Os desafios que envolvem as atuais modificações curriculares baseadas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)21 se apresentam como uma oportunidade única para reflexão sobre o funcionamento de uma estrutura de pensamento resistente a mudanças, mas que pode sofrer transformações em direção a um modelo mais flexível de concepções, valores e práticas. Este momento, de ruptura e transição, pode fazer com que os cursos repensem o mode-lo atual e passem a privilegiar igualmente todos os aspectos da profissão, com integração de todas as áreas, para a formação de um profissional com pensamento crítico e mais consciente de seu papel na sociedade.

É importante exercitar nos estudantes a reflexão sobre a prática, para que ela possa ser uma referência para a transformação das formas tradicionais de conceber o currículo. Repensar o currículo significa desenvolver uma nova relação com o saber, o que implica mudanças nas relações entre a universidade e os diversos saberes existentes e na valorização da aprendizagem (re) construída na experiência22.

Inspirados pela Teoria Geral de Sistemas23, estamos propondo um caminho que passa por uma modificação no âmbito da composição curricular, agregando núcleos correspondentes aos três campos de atuação - que abordariam os conteúdos fundamentais de cada estilo de pensamento - e um núcleo básico, permeados pelos conhecimentos das ciências humanas e sociais, conforme ilustrado na Figura 1.

A integração entre os diversos núcleos da organização curricular seria feita por meio de atividades complementares e a ligação desse sistema aberto com o meio exterior ocorreria por meio de projetos interdisciplinares. Pelo fato do campo da MVPSP ter como característica a promoção da inter-relação com outras áreas e, portanto, de um pensamento de índole interdisciplinar, poderá prestar valiosa colaboração na formação de um profissional com uma visão mais ampla e com maior habilidade para a resolução de problemas.

 

Colaboradores

MR Pfuetzenreiter trabalhou na concepção, pesquisa e redação final, e A Zylbersztajn, na concepção e redação final.

 

Agradecimentos

Ao Prof. Dr. Fernando Dias de Avila-Pires pelas discussões e sugestões durante o desenvolvimento da pesquisa que deu origem a este trabalho e ao árbitro anônimo pelos comentários que permitiram aprimorar o artigo.

 

Referências

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Artigo apresentado em 25/10/2006
Aprovado em 25/06/2007
Versão final apresentada em 19/09//2007