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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.13  suppl.2 Rio de Janeiro Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232008000900020 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Polarização da cárie dentária em adolescentes, na região sudoeste do Estado de São Paulo, Brasil

 

Polarization of dental caries in teen-agers in the southwest of the State of São Paulo, Brazil

 

 

Sílvia Helena de Carvalho Sales PeresI; Fábio Silva de CarvalhoII; Cristiane Paz de CarvalhoII; José Roberto de Magalhães BastosI; José Roberto Pereira LaurisI

IDepartamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, Universidade de São Paulo. Alameda Octávio Pinheiro Brisola 9-75, Vila Universitária. 17012-101 Bauru SP. shcperes@usp.br
IIFaculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo
IIIDepartamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva, Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

A saúde bucal na maioria dos municípios brasileiros constitui ainda um grande desafio aos princípios doutrinários do SUS. Este estudo objetivou analisar a prevalência de cárie dentária (CPOD) e as diferenças quanto ao gênero e localização geográfica, Significant Caries Index (SiC) e a porcentagem de livres de cárie no município de Itaí, São Paulo, em 2006. Utilizou-se a metodologia da OMS (1997), em uma população constituída por 390; destes, 178 adolescentes aos 12 anos de idade e que correspondem a 46% dos adolescentes matriculados nas escolas do município. O exame foi realizado por um único examinador. O teste kappa foi calculado com valor de concordância de 0,95. O índice CPOD foi de 2, 45, o SiC de 5, 08, e 30% dos indivíduos se apresentaram livres de cárie. Observou-se que 34% dos adolescentes concentraram 70% da doença demonstrando a ocorrência da polarização da cárie dentária. Foram encontradas diferenças estatisticamente significantes na comparação do CPOD entre a localização geográfica e o mesmo não aconteceu com o gênero. Concluiu-se que está ocorrendo a polarização da cárie dentária em adolescentes, aos 12 anos, mas esta ocorrência não se apresenta de forma homogênea. Os problemas se intensificam em uma pequena parcela da população.

Palavras-chave: Cárie dentária, Índice CPO, Levantamentos de saúde bucal


ABSTRACT

In most Brazilian cities, oral health is still a challenge for the Brazilian Health System (SUS). The aim of this study was to analyze the prevalence of dental caries (DMFT index), the differences with regard to gender and geographic localization, Significant Caries Index and the percentages of caries-free adolescents in Itaí-SP - Brazil, in 2006. The methodology used was in agreement with the criteria established by the WHO. The sample was composed of 178 teen-agers, corresponding to 46% of the 12-years-old registered in the schools of the city. One single examiner performed the examination. The Kappa test method was used with an agreement rater of 0.95. The DMTF index was of 2.45, SiC of 5.08 and 30% of the adolescents were caries-free. It was observed that 70% of caries cases were concentrated in 34% of the adolescents. The data obtained showed a polarization of dental caries in 12-years-old adolescents, but this polarization was not uniform. The problems are concentrated in a small portion of the population.

Key words: Dental caries, DMF index, Dental health surveys


 

 

Introdução

A saúde bucal, na maioria dos municípios brasileiros, constitui ainda um grande desafio aos princípios doutrinários do SUS, principalmente no que se refere à universalização e à eqüidade do atendimento1.

Apesar dos esforços realizados, a cárie dentária ainda é considerada uma endemia mundial, principalmente entre crianças e adolescentes2, mesmo com o declínio que vem ocorrendo ao longo dos anos; portanto, necessita de medidas individuais e coletivas, bem como estratégias preventivas para controlá-la e tornar suas seqüelas cada vez menos severas3.

No Brasil, com a introdução dos dentifrícios fluoretados no final da década de 1980, houve uma mudança no perfil da cárie dentária, ocorrendo a diminuição no índice CPOD e aumento no percentual de indivíduos livres de cárie4. Para Narvai et al.5, a fluoretação das águas de abastecimento público, a adição de compostos fluoretados aos dentifrícios e a descentralização do sistema de saúde brasileiro são fatores que devem ser considerados para compreender o processo de declínio na experiência de cárie dentária em dentes permanentes de escolares brasileiros a partir do final do século XX.

Em 1986, foi realizado um levantamento epidemiológico a nível nacional, no qual o índice CPOD foi de 6,67 aos 12 anos de idade6, uma prevalência de cárie muito alta segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)7, como pode ser observado na Tabela 1. Por outro lado, em 1996 observou-se uma queda de 54% no índice CPOD ao longo desses dez anos, atingindo 3,068, valor próximo à meta estabelecida para o ano 2000 pela OMS.

O conhecimento da situação epidemiológica na população é essencial para o planejamento e a execução de ações em saúde bucal, sendo o caminho correto de superação do atendimento indiscriminado da livre demanda, ou seja, do atendimento às pessoas que por sua própria iniciativa recorrem às unidades de tratamento disponíveis9. Por isso a odontologia deve observar a distribuição dos agravos e das necessidades de tratamento dentário, em cada segmento de nossa sociedade, para promover a saúde bucal de um modo efetivo10. Segundo Roncalli11, o diagnóstico de saúde, proporcionado pela epidemiologia, está inserido dentro das estratégias globais de planejamento e de avaliação nos serviços de saúde. Ressaltando que não devem ocorrer momentos estanques ou anteriores às ações de saúde, mas o chamado "enfoque epidemiológico"dos serviços, que deve ser uma prática transversal e cotidiana. Além disso, os levantamentos epidemiológicos fornecem dados que possibilitam comparações no tempo e no espaço12.

A maior concentração dos serviços públicos de saúde na zona urbana compromete e dificulta o acesso da população residente na zona rural aos atendimentos odontológicos e acredita-se que estes indivíduos possam representar um importante pólo de concentração dos agravos à saúde bucal10; desta forma, torna-se importante a investigação desta população para o conhecimento de sua realidade.

Lopes & Bastos13 realizaram uma análise da literatura científica, sobre a prevalência de cárie dentária nos gêneros masculino e feminino. Identificaram que existia uma maior prevalência de cárie dentária no gênero feminino devido à erupção precoce dos dentes neste grupo. Em estudo mais recente, Sales-Peres & Bastos4 relataram algumas mudanças neste perfil em favor do gênero feminino, devido à maior conscientização ao autocuidado, realização melhor e por mais vezes ao dia do controle mecânico da placa. Por outro lado, destacaram que os meninos talvez tenham menor rigor com a própria saúde. Essa tendência deve ser melhor investigada para que futuras afirmações possam ser elaboradas.

O declínio da cárie dentária observado em vários países foi acompanhado pelo fenômeno da polarização, que consiste na concentração da maior parte das doenças e das necessidades de tratamento em uma pequena parcela da população (20 a 40%), sendo que a maior parte das crianças apresenta-se livre de cárie (40 a 60%) 4,14-16. A polarização é um fenômeno que pode estar refletindo medidas de prevenção e controle da cárie, embasadas na estratégia populacional17. Passou-se de uma situação de alta prevalência da doença para um cenário em que se constata uma grande porcentagem de indivíduos livres de cárie. Os valores cada vez mais baixos de CPOD aos 12 anos de idade encontrados indicam redistribuição de uma menor carga de doença. Além disso, cada vez mais a distribuição da cárie vai se afastando de uma distribuição uniforme, sendo notados níveis crescentes de desigualdade18. Observa-se que a situação continua grave nas classes menos favorecidas e é a capacidade de identificar esses grupos, com alto índice de cárie dentária, que irá possibilitar o correto manuseio e a adoção de medidas e estratégias preventivas adequadas19.

O objetivo deste estudo foi identificar a prevalência da cárie dentária e o grupo SiC, em adolescentes aos 12 anos de idade, analisando as variáveis gênero e localização geográfica, no município de Itaí, São Paulo.

 

Material e método

O município de Itaí localiza-se a 300 km da capital paulista, na região sudoeste do estado, pertencente ao DRS - VI (Departamento Regional de Saúde de Bauru). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta uma população estimada em 2006 de 23.421 habitantes20. O município apresenta sistema de fluoretação das águas e, de acordo com dados da vigilância sanitária municipal, é feito o heterocontrole do flúor na água, apresentando nível satisfatório.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) nº 56/2006, segundo a resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, e foi realizado após autorização dos diretores das escolas e dos pais ou responsáveis mediante preenchimento do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE).

A idade de 12 anos foi escolhida por se tratar de uma idade índice, permitindo comparações internacionais e controle das tendências de ocorrência da cárie dentária ao longo do tempo.

O município de Itaí apresenta quatro escolas com alunos aos 12 anos de idade e todas estão localizadas na zona urbana. O número de adolescentes nesta idade foi obtido junto à secretaria das escolas, correspondendo a um total de 390. Registrou-se o local de residência do indivíduo durante o exame com o objetivo de investigar as diferenças das condições de saúde bucal entre os adolescentes que moravam nas zonas urbana e rural. Foram distribuídos os termos de consentimento livre e esclarecido a todos adolescentes regularmente matriculados nas escolas estaduais. O critério adotado para inclusão neste estudo foi a apresentação do TCLE assinado pelo pai ou responsável legal e a presença na escola no dia do levantamento epidemiológico. Foram examinados 178 indivíduos, correspondendo a 46% do universo de adolescentes aos 12 anos de idade, do município de Itaí, em 2006.

A presente pesquisa é um estudo do tipo transversal, caracterizado por fazer parte de um corte no fluxo histórico da doença, evidenciando as características apresentadas por ela no momento21.

Os adolescentes foram examinados durante os meses de junho e julho de 2006 por um único examinador, cirurgião-dentista, que foi previamente calibrado por um examinador "Gold Standard", visando garantir a uniformidade de interpretação, compreensão e aplicação dos critérios adotados12. Os dados coletados foram registrados por um anotador em fichas apropriadas para o estudo. Foram realizados reexames de aproximadamente 10% das crianças10 para medir a concordância intra-examinador, análise de kappa.

Os exames foram realizados no pátio das escolas, sob luz natural, com o examinador e o adolescente sentados em cadeiras e o material utilizado foi espelho bucal plano nº 5 e a sonda CPI ("ball point").

Os índices utilizados para coleta dos dados obedeceram aos critérios recomendados pela OMS22, adaptados pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pelo Projeto SB Brasil23. Após a análise do CPOD, procedeu-se ao cálculo do Significant Caries Index (SiC- média do CPOD para um terço do grupo com os maiores níveis da doença), para verificação dos casos de distribuição assimétrica. Foi analisado o percentual de adolescentes livres de cárie. O processamento dos dados foi realizado em planilha Excel e procederam-se a sua descrição, análise e apresentação das informações obtidas no estudo.

A análise estatística foi realizada por meio de freqüências relativas e absolutas, em gráficos e tabelas; utilizou-se o teste estatístico Mann-Whitney e adotou-se nível de significância de 5%.

 

Resultados

A análise do perfil epidemiológico de cárie dentária foi realizada avaliando-se o índice CPOD aos 12 anos de idade, o SiC e o percentual de adolescentes livres de cárie.

Foram reexaminados vinte adolescentes (10% da amostra) para aferir a concordância intra-examinador e utilizou-se o teste estatístico kappa para análise e o valor obtido foi de 0,95, considerado um indicativo de ótima concordância.

O percentual de adolescentes livres de cárie neste estudo foi de 30% e o CPOD encontrado foi de 2,45. Avaliou-se o SiC desta população e o valor obtido foi de 5,08. Esses resultados estão demonstrados na Tabela 2.

 

 

Para comparações entre as variáveis testadas, utilizou-se o teste Mann-Whitney. A composição da amostra foi equilibrada quanto ao gênero, 55% feminino com CPOD médio de 2,51 e 45% masculino com CPOD médio de 2,38; não houve diferença estatisticamente significante. Com relação à moradia, 75% dos adolescentes residem na zona urbana com CPOD médio de 2,21 e 25% residem na zona rural com CPOD médio de 3,18; observou-se diferença estatisticamente significante (p = 0,003). Quanto à representatividade dos componentes do CPOD, pode-se observar que o restaurado "O" foi o que mais contribuiu para o valor encontrado do CPOD com 64%, seguido do cariado "C" com 32% e o extraído "P" com 4%. Na Tabela 3, estes dados podem ser visualizados, assim como a discriminação dos componentes do CPOD, com suas respectivas porcentagens.

O Gráfico 1 ilustra a distribuição da população estudada, relacionando-a ao valor do CPOD, com as respectivas porcentagens. Nota-se uma participação maior nos valores de CPOD 3 (16 %) e CPOD 4 (18 %), e observa-se um declínio da curva até atingir CPOD 10 (1%).

 

 

Discussão

O panorama epidemiológico da cárie dentária é caracterizado pelo declínio que vem ocorrendo em diferentes regiões brasileiras. Contribui para esse resultado a fluoretação das águas de abastecimento, a adição do flúor nos dentifrícios no final da década de 1980 e a reforma do SUS, criando condições para ampliação e reorientação das ações em saúde bucal24.

Segundo dados da SABESP, desde 1986 é realizada a fluoretação das águas de abastecimento de Itaí e o heterocontrole do flúor é feito pelo PROÁGUA (Programa de análises laboratoriais nos sistemas públicos de abastecimento de água nos municípios do Estado de São Paulo), apresentando níveis satisfatórios em suas análises com teor de flúor em torno de 0,06ppm. Conforme dados da vigilância sanitária municipal, apenas a zona rural não tem acesso à água tratada.

Martins et al.13 observaram, no município de Bilac, São Paulo, que está ocorrendo declínio dos índices CPOD e aumento da porcentagem de adolescentes livres de cárie, apesar de o município não apresentar fluoretação das águas de abastecimento. Baldani et al.25 constataram no Estado do Paraná uma correlação negativa entre o CPOD e o percentual de domicílios ligados à rede de abastecimento, indicando menores níveis de agravamento nos municípios com maior oferta do serviço de águas. Segundo Nadanovsky26, a água fluoretada parece oferecer um benefício adicional, mesmo quando os dentifrícios contêm flúor.

Sales-Peres & Bastos4 em seu estudo na região centro-oeste do Estado de São Paulo verificaram que não houve diferença significativa entre o CPOD de municípios de mesmo porte, com ou sem flúor na água, demonstrando o fenômeno da convergência nesta região. Este pode ser justificado pelo efeito halo, que é a exposição dos indivíduos aos diferentes veículos contendo flúor.

Em 1998, o índice CPOD aos 12 anos de idade no município de Blumenau, Santa Catarina, foi de 1,46, comparativamente o valor foi mais elevado em Porto Feliz, São Paulo de 2,20, de 2,71 em Rio Claro, São Paulo e de 3,30 em Leme, São Paulo27-30. Gomes et al.1 encontraram, no município de Paulínia, São Paulo, CPOD 1,00 no ano 2000. Em Bilac, São Paulo, no ano de 2004 o CPOD encontrado foi de 2,62 14. Neste estudo, foi encontrado CPOD de 2,45 nos adolescentes de Itaí e, segundo a OMS, o nível de cárie é considerado baixo7. Mas o valor é elevado quando comparado aos níveis de Paulínia, Blumenau e Porto Feliz, sendo que estes dados são de anos anteriores.

O declínio dos índices de cárie em vários países foi acompanhado por um processo de polarização da doença numa pequena parcela da população. Permanecendo excluída dos benefícios, seja porque as medidas de saúde coletiva mais importante (água e dentifrício fluorados) não alcançaram ainda esse segmento, seja porque as condições de exclusão social e risco à cárie têm se mantido em níveis extremamente elevados31.

Sales-Peres et al.32, no município de Bauru, avaliaram o SiC e encontraram o valor de 4,89, considerado de alta prevalência de cárie dentária, como os achados neste estudo, que encontrou o valor de 5,08.

Observou-se que 34% dos adolescentes aos 12 anos de idade de Itaí concentraram 70% da doença, valores similares foram encontrados em Pareci Novo, Rio Grande do Sul16.

Isso salienta a importância em se planejar estratégias adequadas para o grupo SiC, visando reduzir a prevalência e a severidade da doença nesse grupo polarizado. Fato este que demonstra o grande valor do emprego deste índice para o planejamento das ações em saúde.

Neste estudo, não foi observada diferença estatisticamente significante no CPOD, quanto ao gênero, bem como em Florianópolis, Santa Catarina33.

Os adolescentes residentes na zona rural de Itaí apresentaram índice mais elevado (CPOD = 3,18) que aqueles que residem na zona urbana (2,21), situação semelhante à encontrada em Itapetininga e Leme10,30,34. Segundo Mello & Antunes10, isso acontece porque a zona urbana envolve, em geral, padrões médios de renda mais elevados e maior provisão de serviços odontológicos que a zona rural.

A boa cobertura dos serviços odontológicos apresentada pelo componente "O", que atingiu 64% do valor total do CPOD, também foi observada em Blumenau, Leme, Treviso e Itapetininga10, 27,30,35; diferente deste resultado foi encontrado em São João do Sul, onde o componente mais encontrado foi o "C" com 51% 35.

Diferentes resultados estão descritos na literatura sobre o percentual de livres de cárie encontrados nas regiões brasileiras. No município de Pareci Novo, Rio Grande do Sul, somente 3,22% dos adolescentes aos 12 anos estavam livres de cárie, um valor considerado baixo, justificado pelos pesquisadores pela ausência de flúor na água de abastecimento público16. Por outro lado, em Bauru foi encontrado que 55% dos adolescentes não apresentavam experiência de cárie32 e no presente estudo o percentual foi de 30%.

Algumas reflexões podem ser elaboradas di-ante dos resultados obtidos, como a importância da fluoretação das águas de abastecimento aliada ao uso de dentifrícios fluoretados e a implementação de programas educativos e preventivos para pré-escolares. Este tripé pode justificar a baixa prevalência de cárie dentária no grupo estudado.

A ausência de dados sobre as condições de saúde bucal da população pode levar a um planejamento inadequado por parte dos gestores de saúde. Este levantamento epidemiológico foi a primeira pesquisa a ser realizada com adolescentes em Itaí, trazendo à luz do conhecimento problemas e indicadores a serem analisados para incorporação de novas estratégias de atenção à saúde bucal.

Esses resultados poderão nortear a implementação de ações em saúde bucal no município de Itaí, contribuindo para o planejamento e a alocação de recursos, em políticas públicas de saúde.

Novas pesquisas devem ser realizadas para confirmar esses achados, quanto à distribuição da doença nos gêneros e localização geográfica.

 

Conclusões

Concluiu-se que está ocorrendo a polarização da cárie dentária em adolescentes, aos 12 anos, no município de Itaí. A localização geográfica interferiu nas condições de saúde bucal da população estudada, sendo que não houve diferenças entre os gêneros.

Os problemas bucais se intensificam em uma pequena parcela da população, a qual requer maior atenção odontológica. Os agravos e a desigualdade na distribuição da cárie dentária entre os adolescentes podem ser minimizados por meio da integralidade, contemplando prevenção, promoção e tratamento de saúde bucal.

 

Colaboradores

FS Carvalho realizou a coleta de dados, organizou o banco de dados, participou da análise dos resultados e redigiu o artigo. CAP Carvalho participou da coleta dos dados (anotador) e da redação do artigo. JRM Bastos auxiliou no planejamento e condução da pesquisa. JRP Lauris participou da análise estatística. SHC Sales-Peres trabalhou na concepção teórica, na metodologia, na orientação da discussão e na redação do artigo.

 

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Artigo apresentado em 18/01/2007
Versão final apresentada em 09/01/2008