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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.14 n.6 Rio de Janeiro Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232009000600024 

ARTIGO ARTICLE

 

Efeito da idade sobre a qualidade de vida e saúde dos catadores de materiais recicláveis de uma associação em Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil

 

Age effect on the life quality and health of garbage collectors of an association in Governador Valadares, Minas Gerais State, Brazil

 

 

Jane Rabelo AlmeidaI; Elcinéia Tavares EliasII; Marcos Alves de MagalhãesII; Antônio José Dias VieiraIII

IDepartamento de Enfermagem, Universidade Presidente Antônio Carlos. Rua Manoel Byrro 241, Vila Bretas. 35032-620 Governador Valadares MG. jra_bio@yahoo.com.br
IICentro Universitário de Caratinga
IIIInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão

 

 


RESUMO

Trabalhadores que segregam materiais recicláveis são expostos diariamente a condições insalubres de trabalho que podem afetar com mais intensidade sua saúde em função do aumento de idade cronológica. Uma população de catadores de materiais recicláveis na cidade de Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil respondeu a um questionário semi-estruturado que continha questões sobre a presença e/ou ausência de dor laboral, intensidade da dor, moradia, acesso a serviços de saúde, presença ou ausência de acidentes laborais e grau de satisfação pessoal. Essas variáveis dependentes foram correlacionadas com a variável independente idade do trabalhador. Observou-se que a dor não está associada ao aumento da idade e não interfere no grau de satisfação pessoal da população estudada. O grau de escolaridade teve associação negativa com a idade. Os catadores mais jovens apresentaram menor grau de satisfação pela vida. A idade não tem nenhuma associação com a ocorrência de acidentes laborais e tipo de moradia.

Palavras-chave: Trabalho, Idade, Qualidade de vida, Satisfação pessoal


ABSTRACT

Workers that segregate recyclable garbage are daily exposed to unhealthy work conditions which can have a more intense negative effect with aging of the garbage collector. A population of garbage collectors from Governador Valadares, Minas Gerais, Brazil answered a semi-structured questionnaire regarding the presence or absence of labor pain, pain intensity, living conditions, access to health services, occurrence of accidents at works and degree of personal satisfaction. These variables were correlated with the age of the workers. It was observed that pain is not associated to age increase and that it doesn't affect the degree of personal satisfaction of the studied population. The education degree was negatively related with age. The youngest garbage collectors presented a lower degree of life satisfaction. The age of the workers doesn't have any association with the occurrence of accidents at work and dwelling type.

Key words: Labor, Age, Life quality, Personal satisfaction


 

 

Introdução

O estudo foi realizado na cidade de Governador Valadares, localizada no leste mineiro, a 324 quilômetros de Belo Horizonte. É uma cidade de médio porte, com população urbana estimada em 2006 de 286.612 habitantes1 habitantes, e segundo o censo de 2000, 22,4% de sua população urbana encontram-se na faixa etária entre 18 e 29 anos e 40,1%, entre 30 e 74 anos2. Como todo centro urbano em expansão, apresenta uma série de problemas ambientais e sociais; dentre eles, destacam-se o aumento na geração de resíduos sólidos urbanos (RSU) e a falta de opção de trabalho.

Se por um lado o aumento na geração de resíduos se constitui em problema, em muitas localidades, devido à falta de opção de trabalho, torna-se uma fonte alternativa de renda, possibilitando a sobrevivência para muitas pessoas excluídas socialmente que vivem da catação de materiais recicláveis segregados do lixo.

A falta de oportunidade de trabalho tem levado muitas pessoas no Brasil a se transformarem em catadores de lixo como forma de garantir a sobrevivência3. Há anos, a indústria de reciclagem no Brasil é "sustentada" pela catação informal de materiais encontrados nas ruas e lixões. As condições de trabalho, embora extremamente insalubres, proporcionam para esses catadores uma liberdade no horário de trabalho e de comportamento inexistente em empregos fixos4, razão pela qual muitos catadores recusam oportunidades de empregos, preferindo as atividades de segregação de materiais recicláveis.

Na cidade de Governador Valadares, há uma associação de catadores de materiais recicláveis formada quase na totalidade por ex-catadores do antigo "lixão". São 67 trabalhadores que, até pouco tempo, cerca de cinco anos atrás, viviam marginalizados, em condição degradante, catando lixo nas ruas ou no lixão e, atualmente, trabalham de forma organizada e podem ser reconhecidos por parte da população como agentes de preservação ambiental. Entender a importância da reciclagem é o primeiro passo, mas saber praticá-la é o desafio maior. Um projeto de reciclagem bem gerenciado pode apresentar resultados positivos surpreendentes5.

Para se avaliar a qualidade de vida dos catadores, foi usado o conceito adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 19486: "Saúde é o estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença"7. Com base nesse conceito, foi avaliado, sob a ótica dos catadores, o nível de percepção de bem-estar físico, mental e social relacionado à atividade por eles desenvolvida. Por se tratar de complexo e subjetivo, deve-se considerar os aspectos individuais físicos, emocionais e sociais e também de percepção, isto é, o modo como a pessoa se vê em relação à vida. Avaliar o nível de qualidade de vida representa verificar como o indivíduo se sente em relação às suas aptidões física, emocional e social, ao trabalho e ao estilo de vida6.

Relacionar as esperanças e expectativas de vida com o contexto no qual se vive é uma das ferramentas para avaliar a qualidade de vida; se as diferenças entre esperanças e expectativas são grandes, pressupõe-se que qualidade de vida seja baixa.

O patamar material mínimo para se falar em qualidade de vida diz respeito à satisfação das necessidades mais elementares da vida humana: alimentação, acesso à água potável, habitação, trabalho, educação, saúde e lazer; elementos materiais que têm como referência noções relativas de conforto, bem-estar e realização individual e coletiva8.

Nesse sentido, o trabalho é um dos meios de assegurar a satisfação das necessidades pessoais e, como tal, representa um fator determinante na qualidade de vida. O trabalhador deve ter assegurado o direito à "um bom ambiente de trabalho" e "boas condições físicas", "emocionais" e "materiais" para desempenhá-lo de "forma satisfatória".

Segundo Walton, citado por Minayo9, outro fator que pode afetar a qualidade de vida dos trabalhadores é o estresse. Além de o estresse ser fator que pode afetar a qualidade de vida dos trabalhadores, a dor também pode alterar comportamentos, provocar dificuldades no trabalho e mudanças no estilo de vida6; portanto, é um fator estressante e deve ser objeto de estudos. Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor, citado em Sudbrack10, a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão tecidual potencial ou real, ou descrita nos termos de uma tal lesão. Esta definição[...], submeteu-se a um adendo concernente à dor crônica: "dor crônica, definida por uma duração maior que três meses, altera a personalidade do paciente, assim como sua vida familiar, social e profissional".

A dor11 "é uma sensação desagradável, extremamente individual [...], varia conforme muitos fatores, entre eles sensibilidade, cultura, religião e até localização geográfica de cada um", e ainda, "pelo fato de ser a dor uma sensação íntima e pessoal, é impossível conhecer com exatidão a dor do outro".

A dor é o tipo de ocorrência que aniquila o bom humor de qualquer pessoa, mas também funciona como alarme, um alerta de que algo vai mal e merece a nossa atenção; então, até certo ponto, a dor cumpre um papel saudável. A dor possui várias intensidades, denominadas pelo próprio indivíduo; ela pode ser ligeira, desconfortante, desolante, horrível e atroz11. A dor, além de ser consequência de um estado de estresse emocional, pode também apresentar causas físicas ou mesmo estar relacionada ao tempo de vida.

Estudo com catadores de um aterro metropolitano no Rio de Janeiro12 demonstrou que, ao serem questionados sobre sintomas de doenças que estavam sentindo no período da entrevista, 17,7% dos entrevistados citaram diferentes tipos de dor como resposta.

No início da fase adulta, as mudanças fisiológicas são muito pequenas e quase não são percebidas. Pressupõe-se que o que acontece com o corpo à medida que se envelhece influencia muito na questão da qualidade de vida versus quantidade de vida e que as condições de vida e saúde do ser humano tendem a piorar. No entanto, novas pesquisas mostram que, na idade avançada, essas mudanças, apesar de muito variáveis, nem sempre implicam deterioração do funcionamento físico e da saúde. Muito dos declínios associados com o envelhecimento podem ser mais efeitos do que causas13; segundo esse autor, estilos de vida mais saudáveis podem permitir que um número cada vez maior de jovens e adultos de meia idade mantenha um nível elevado de funcionamento físico em boa parte da terceira idade.

Como não foi feito anteriormente nenhuma avaliação das condições de trabalho e de saúde dos membros da associação de catadores de materiais recicláveis de Governador Valadares para verificar se houve melhoria em suas condições de vida após a saída do ambiente do "lixão", pouco se sabe sobre as dificuldades e expectativas de vida desses trabalhadores.

Muitos membros de grupos minoritários, dentre esses os catadores de materiais recicláveis, que estão em envelhecimento, estão em alto risco por causa da pobreza, assistência médica inadequada, história irregular de trabalho e educação e tendem a ter menor nível de instrução e renda13. Portanto, à medida que os catadores envelhecem, pioram suas condições de moradia e escolaridade, ocorrendo um aumento na presença e intensidade de dor e um decréscimo na satisfação pela vida. Quando se avalia a condição de vida de pessoas de diferentes idades, poderá ser identificada uma associação negativa entre idade com indicadores de saúde e qualidade de vida.

Assim sendo, os objetivos deste trabalho são: (i) avaliar os efeitos da idade sobre a presença ou ausência de dor, (ii) associar o efeito da idade com a intensidade da dor e, (iii) relacionar a idade com o tipo de moradia, nível de escolaridade e ocorrência de acidentes laborais em membros da associação de catadores de materiais recicláveis de Governador Valadares, levando em consideração a variável resposta: estado de satisfação pessoal.

 

Métodos

A população em estudo é composta por 67 associados cadastrados. Foi entrevistada uma amostra de 41 indivíduos com idades que variam de dezoito a 74 anos, sendo que 80,5% são do sexo feminino e 90,2% tem filhos. Foram excluídos os catadores que não concordaram em participar da pesquisa.

Os entrevistados foram identificados pela idade real e com nomes fictícios para preservar suas identidades. Todos os catadores associados são maiores de dezoito anos. A expressão "catadores mais jovens" refere-se a opiniões de indivíduos na faixa etária dos 18 aos 30 anos (29,3% da população), enquanto "catadores mais velhos" (70,7% da população) refere-se a opiniões de indivíduos acima de trinta anos de idade. O critério usado na discussão para identificar os catadores em duas classes de idade foi pelo fato da maioria dos catadores possuir idade maior que trinta anos.

A coleta de dados foi realizada no mês de junho de 2006, dentro dos limites físicos da associação. Foram entrevistados catadores cadastrados e ativos na associação que concordaram em participar da pesquisa.

Na fase inicial da pesquisa, a associação funcionava em dois galpões de triagem localizados em bairros distantes um do outro. O estudo foi realizado no galpão que era frequentado por 89,5% dos catadores associados.

Antes de iniciar a coleta de dados, foram realizadas algumas visitas ao galpão para estabelecer uma relação de proximidade entre os catadores e o pesquisador. Em seguida, foi realizada uma reunião com os trabalhadores com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre a pesquisa e solicitar a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido.

As variáveis estudadas foram: idade, satisfação pessoal, presença ou ausência de dor, intensidade da dor, moradia, escolaridade e acidente laboral. O questionário foi composto por 34 questões objetivas e subjetivas, levantando-se informações sobre as variáveis supracitadas.

Foram analisados os efeitos da idade sobre as variáveis: presença ou ausência de dor, intensidade da dor, moradia, ocorrência de acidentes laborais, escolaridade e satisfação pessoal, relação entre satisfação pessoal versus presença ou ausência de dor e satisfação pessoal versus intensidade da dor. As relações entre idade versus dor, ocorrência de acidentes laborais, intensidade da dor, satisfação pessoal e moradia e a relação entre intensidade da dor versus satisfação pessoal foram testadas pelo Teste χ2 ao nível de 5% de probabilidade. Para avaliar a correlação linear entre idade versus escolaridade (meses) foi utilizado o teste t ao nível de 5% de probabilidade.

Como a pesquisa envolveu seres humanos, o projeto de pesquisa e o termo de consentimento livre e esclarecido foram submetidos ao Comitê de Ética e Pesquisa localizado no Centro Universitário de Caratinga (UNEC) e obtiveram parecer favorável.

 

Resultados e discussão

Observou-se que os catadores trabalham na triagem do material oriundo da coleta seletiva durante 7,5+Y dia-1, durante cinco dias da semana (de segunda a sexta-feira) e recebem quinzenalmente um valor proporcional ao volume de material que segregam dentro deste período. Segundo entrevista com dois coordenadores de trabalho (Mário, 36 e Alzira, 74), o espaço para a segregação dos materiais é insuficiente, o volume do lixo é grande, pois considerando que a população valadarense ainda não está conscientizada sobre a importância da coleta seletiva, o material oriundo da mesma chega muito misturado com o lixo comum. Há um alto índice de afastamento de catadores por problemas de saúde, provocando um déficit na capacidade de trabalho da cooperativa. Segundo Alzira, falta uma melhor assistência médica e uma maior conscientização dos catadores quanto à necessidade do uso de equipamentos de proteção individual (EPI).

Pode-se observar que não existe associação entre presença ou ausência de dor com a idade do trabalhador (Tabela 1). A presença de dor foi frequente em todas as classes de idade e os catadores com idade maior que trinta anos manifestaram sentir pelo menos um tipo de dor, sendo a maior incidência de dor na cabeça, perna e coluna. Também foram relatados casos de dores em outras partes do corpo, como braço, rins, ventre, coração, joelho, ouvido, pescoço e peito.

A relação entre idade e ocorrência de acidentes não foi significativa (Tabela1), como também não foi significativo o efeito da idade sobre a frequência de respostas sobre as classes de moradia dos catadores (dados não mostrados).

Não foi identificada relação entre idade e intensidade da dor (Tabela 2), bem como não foi observada relação entre intensidade de dor e o grau de satisfação pessoa; independente da intensidade da dor sofrida pelo catador, a maioria dos entrevistados manifestou uma grande satisfação pela vida (Tabela 2).

No entanto, existe relação positiva entre idade e satisfação pessoal; os trabalhadores mais velhos demonstram maior grau de satisfação pela vida, enquanto os catadores mais jovens demonstraram baixa satisfação pessoal (Tabela 3).

Foi constatada uma relação negativa e significativa entre idade e escolaridade (Figura 1).

 

 

A idade média dos indivíduos da população foi de 42+15 anos. Essa faixa de idade média dos trabalhadores insere-se na faixa etária em que, segundo o censo de 2000, encontram-se 42,2% da população valadarense2.

Na associação em estudo, observou-se que mesmo os trabalhadores com idade acima da média da população de catadores são produtivos, se envolvem com o trabalho e com a rotina das atividades. Alguns grupos de trabalhadores nesta faixa etária são muito produtivos, em parte porque tendem a ser mais conscienciosos e cuidadosos13.

A maior parte dos catadores mais jovens mostrou-se indiferente à pesquisa; alguns não quiseram responder os questionários e, quando responderam, o fizeram com descaso, externando com palavras ou gestos a descrença em algo que possa mudar sua realidade de vida. Já os catadores mais velhos se apresentaram bem cordiais, alguns aproveitaram o momento da aplicação dos questionários e falaram da importância que vêem no trabalho, de suas conquistas e o valor que acreditam ter para a sociedade.

Quando os trabalhadores sentem que estão no emprego errado ou quando os esforços para atender às demandas do emprego não são proporcionais as suas recompensas (como salário, estima, oportunidade de progresso e senso de controle), o resultado pode ser o estresse, o qual apresenta como sintomas mais comuns o nervosismo, ansiedade, tensão, raiva, irritabilidade, fadiga e depressão13. O fato de participarem da pesquisa com indiferença e alguns relatos transcritos a seguir demonstram que, para os catadores mais jovens, a atividade laboral não é algo prazeroso.

Ao serem entrevistados, 16,6% dos catadores mais jovens disseram que se sentem envergonhados pelo trabalho que fazem, 50% declararam que gostariam de ter um trabalho mais seguro, ganhar bem e ter carteira assinada e 33,3% gostariam de comer bem e ter as coisas em casa. Apesar dos catadores mais jovens possuírem um maior grau de escolaridade, uma média de três anos e sete meses de estudo, foi entre os mesmos que se percebeu um menor grau de satisfação pela vida (Tabela 3). Durante as entrevistas, quando questionados sobre a percepção de outras pessoas sobre o seu trabalho, houve as seguintes respostas: "eu não sei" (Aline, 28 e Débora, 18); "muito ruim, dizem que é muito ruim e que sou muito nova para isso" (Fabrícia, 19); "é um trabalho fácil que paga pouco" (Anderson, 23); "não tenho nada para falar" (Adriana, 20 e Ana Paula,25); "esquisito por causa da pouca idade" (Poliana, 21); "alguns têm preconceito" (Jéssica, 30); somente três catadores disseram que as pessoas admiram seu trabalho. O catador (Tiago, 23) disse que as pessoas falam que o seu trabalho "é bom, saiu da rua"; ele foi o único catador jovem que afirmou ter uma grande satisfação pela vida, relatou que já foi usuário de drogas, vivia pela rua, mas hoje tem uma família, vive com uma mulher que tem cinco filhos e abandonou o vício para não dar "mau exemplo" às crianças que considera como filhos.

A educação é um processo mediante o qual as pessoas adquirem a capacidade de redefinir constantemente a qualificação necessária para uma determinada tarefa e, ainda, quem possui educação, no contexto organizativo adequado, pode reprogramar-se para as tarefas em mutação constante do processo produtivo14. Nesse sentido, corroborando com esse ponto de vista, essas demonstrações de insatisfação ficam mais evidentes nos catadores jovens provavelmente por apresentarem maior grau de escolaridade, pois a educação induz a uma exigência maior por qualidade de vida e salário. A ênfase na promoção da empregabilidade por meio da expansão de oportunidades de acesso à educação e formação assenta-se no pressuposto de que o desemprego se encontra associado a um déficit de qualificação que, sendo confrontado e resolvido, se reflete na anulação ou diminuição desse mesmo desemprego14.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais de 20002, a escolaridade média dos jovens brasileiros na faixa de 20 a 24 anos é de 7,5 anos de estudo e, com base nos dados da Síntese de Indicadores Sociais de 20042, foi esse o grupo etário que apresentou maior crescimento na frequência à escola em 2003. No entanto, esses índices não condizem com a realidade dos jovens catadores da associação; todos abandonaram a escola e, como apresentam escolaridade média inferior a quatro anos de estudo, são considerados analfabetos funcionais 2. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (2004-2005), 11,3% da população brasileira são considerados analfabetos, pois possuem menos de um ano de estudo, e 14,5% são analfabetos funcionais.

Conforme o censo de 2000, 12,8% da população valadarense adulta possuem entre um e três anos de estudo2 . Na associação em estudo, 53,6% dos trabalhadores apresentam escolaridade igual ou inferior a três anos de estudo; destes, 22,7% são catadores jovens com idade inferior a trinta anos. Porém, ainda que considerado baixo, o aumento do nível educacional implica melhor conhecimento da realidade de vida que se distancia da realidade vivida pelos catadores mais jovens, uma vez que o mercado de trabalho é competitivo e exige qualificação. "Os estudantes que deixam a escola antes de receber o diploma reduzem suas oportunidades"13 e "pessoas que abandonam a escola têm dificuldade para conseguir e manter o emprego, e os cargos conquistados tendem a ser de nível inferior e mal remunerado"13.

Com a baixa escolaridade e a falta de qualificação, as oportunidades de emprego ficam muito limitadas, acarretando desemprego, razão pela qual, segundo os entrevistados, levou os catadores a retirarem o seu sustento da catação do lixo, gerando frustração em muitos deles. O trabalho com a segregação do lixo é visto como o último recurso em uma sociedade marcada pela redução na oferta de empregos; enquanto outras portas se fecham15, essa é uma atividade sempre disponível. As oportunidades de obtenção de um melhor grau de escolaridade são remotas para muitos, pois as condições de vida não possibilitam a entrada ou a permanência por tempo significativo na escola15, a precariedade de recursos materiais, a incerteza e a pobreza dificultam a formação. Por isso, é ingenuidade alimentar expectativas de se retirar benefícios significativos da expansão de oportunidades de educação e formação, sem antes se pensar em oferecer garantias à segurança material e condições de vida dignas14.

Os catadores mais velhos apresentaram um grau de escolaridade menor, média de dois anos e cinco meses de estudo, sendo que, destes, 27,5% nunca frequentaram uma escola. No entanto, os catadores acima dos cinquenta anos, durante as entrevistas, demonstraram grande satisfação pela vida, pelo trabalho e orgulho pelo que fazem, sentem-se úteis à sociedade e ao meio ambiente, gostam de conversar e contar experiências. Enfrentam a desqualificação afirmando que o que importa é que estão trabalhando, garantindo a sobrevivência da família com honestidade15. Dentre os catadores entrevistados, 14,6% relataram que estão frequentando aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). A atividade mental continuada ajuda a manter o desempenho em indivíduos adultos, razão pela qual os trabalhadores mais velhos muitas vezes são mais produtivos que os mais jovens13.

De acordo com as informações levantadas, percebeu-se que, de um modo geral, a visão dos catadores mais jovens é diferente quando comparada aos mais velhos. Os primeiros apresentam uma visão pessimista no que diz respeito às esperanças e as expectativas de vida; assim, o grau de satisfação pessoal é baixo. Já os catadores mais velhos demonstram expectativas de vida e esperanças positivas; portanto, a qualidade de vida é satisfatória. A idade afeta a maneira como as pessoas se sentem em relação ao trabalho; pessoas com menos de quarenta anos tendem a ser menos satisfeitas com trabalho, pois consideram o trabalho desagradável e estressante. Em contrapartida, trabalhadores com maior idade tendem a demonstrar maior satisfação, preocupam-se com o tipo de trabalho que fazem, tendem a ser mais cuidadosos, responsáveis e moderados com o tempo e com os materiais do que comparativamente os trabalhadores mais jovens13.

Ao serem abordados sobre o que as outras pessoas acham do seu trabalho, 69,2% dos catadores mais velhos disseram que "é bom", "importante", "bonito", "falam bem", "importante para o meio ambiente", "muito importante", "muito bom, melhor que o lixão", "gostam do meu trabalho", "importante porque contribui com a natureza". Somente oito catadores relataram o contrário: "acham que eu trabalho no lixo" (Ana Maria, 34 e Zita,47), "não é digno" (Pedro, 50); "não é bom trabalhar com esse material" (Marizete, 59); "muito esforço, pesado (Olga, 38); "abusam, criticam, dizem que eu trabalho com coisa suja" (Ester, 61); essa catadora tem hanseníase, está em tratamento, mas fala da doença sem problemas. A catadora (Helena, 63) disse que "as pessoas acham que esse trabalho pode trazer enfermidades"; ela demonstrou ser uma pessoa triste, disse que mora sozinha e se sente desamparada. A catadora Joice (33) disse que não fala com as pessoas sobre esse trabalho; ela tem um salão de beleza em casa e só trabalha na associação para completar a renda e pagar as passagens para o filho que estuda fora, disse que sente muita vergonha "desse tipo de trabalho". No entanto, destes oito, três afirmaram que o grau de satisfação com a vida é médio e todos os demais afirmaram que o seu grau de satisfação com a vida é grande.

Quanto mais estressantes são as mudanças que ocorrem na vida, maior a possibilidade de se contrair doenças e esse estresse pode estar relacionado a vários fatores, dentre eles o trabalho. O estresse debilita o sistema imunológico, deixando a pessoa mais vulnerável a doenças como as infecções, distúrbios estomacais, depressão, insuficiência cardíaca. Pessoas sob estresse podem dormir menos, fumar e beber mais, comer mal e dar pouca atenção à saúde13.

A catadora mais jovem da associação (Débora, 18), uma pessoa delicada, de aparência frágil e muito triste afirmou sentir muitas dores no coração, quase todos os dias e de intensidade muito forte. Demonstrou não ter interesse sobre a opinião alheia sobre o seu trabalho, afirmou que o seu grau de satisfação com o trabalho e com a vida são baixos e que qualidade de vida é "ganhar bem e ter o que precisa".

De acordo com os dados levantados, 78,2% dos catadores afirmaram sentir dor com intensidades variáveis entre fraca, forte, muito forte e insuportável. Destes, 37,5% sentem dor todos os dias e 21, 87% sentem dor quase todos os dias. Entre os catadores mais velhos, 86,2%, relataram sentir dores em pelo menos uma parte do corpo quase todos os dias. A alta prevalência de dor em pessoas mais velhas está associada a desordens crônicas, particularmente doenças musculoesqueléticas como artrites e osteoporoses16. No entanto, apesar da sensação da dor, todos os catadores foram gentis e aceitaram participar da pesquisa com muito interesse. A catadora (Jacira, 46) estava sentindo tanta dor no momento da entrevista que não aguentou ficar sentada, relatou sentir uma dor insuportável na coluna e nos rins todos os dias; segundo a entrevistada, o motivo da dor seria consequência de uma queda na escada, mas afirma sentir muita satisfação pela vida e pelo trabalho.

A presença de dor pressupõe uma vida de baixa qualidade. Pode-se acreditar que níveis de dor com intensidades entre muito forte e insuportável podem afetar a qualidade de vida. A dor está entre os principais fatores que podem impactar negativamente a qualidade de vida do indivíduo idoso, pois limita suas atividades, aumenta a agitação, o risco para estresse, o isolamento social e pode resultar em depressão16. No entanto, os relatos dos indivíduos entrevistados contrariam essa suposição. Segundo Quirino e Xavier, citados por Filho6, uma das dificuldades para investigar a qualidade de vida nas organizações reside na "diversidade das preferências humanas e diferenças individuais dos valores pessoais e o grau de importância que cada trabalhador dá as suas necessidades [....]". Para a população em estudo, qualidade de vida implica "melhor salário" (Mariana, 30; Luiz, 26; Leopoldo, 54); "ter condições de dar uma vida melhor para os filhos" (Jéssica, 30; Valéria, 32; Matilde, 47); "deitar sem preocupações" (Marizete, 59); "pagar as contas em dia" (Ana Maria, 34); "ter alegria e viver bem" (Alda, 50; Tiago, 23); "mais informações sobre todo tipo de assunto" (Alda, 50); "estudar" (Dulce, 44); "ter uma casa melhor" (Clara, 40); "ter uma boa alimentação e saúde" (Mônica, 28); "ter muita saúde para cuidar dos filhos" (Poliana, 21); "estar bem com os amigos, a família e consigo" (Rosa, 40); "viver em um ambiente saudável" (Ana Paula, 25); "trabalhar e ter amizade com Deus" (Francisco, 54); "não ter vicio" (Mário, 36); "ter tranquilidade" (Rute, 62); "ter uma casa com banheiro" (Augusta, 58); "ter um trabalho melhor" (Fabrícia, 19; Anderson, 23; Pedro, 50), dentre outros.

A saúde é produto de alguns fatores relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e nutrição, e de habitação e saneamento; boas condições de trabalho; oportunidades de educação; ambiente físico limpo; apoio social para famílias e indivíduos; estilo de vida responsável e cuidados de saúde17. No entanto, para os catadores da associação em estudo, o conceito de saúde não contempla todos esses fatores, se limita a atender as suas necessidades e anseios para se sentirem bem como: "não sentir dor, não sentir nada" (Mariana, 30; Valéria, 32; Dorcas, 63); "não precisar de hospital ou de médico" (Francisco, 54); "não precisar de remédios" (Jéssica, 30; Joice, 33); "alimentar bem" (Marizete, 59; Ana Paula, 25); "não ter vício" (Olga, 38); "estar bem com a vida" (Débora, 18); "conseguir trabalhar" (Zita, 47); "levantar com coragem para trabalhar" (Fabrícia, 19); "trabalhar feliz" (Alda, 50); "deitar bem e levantar sem dor", pois tem dificuldade para levantar por causa das dores que sente (Leopoldo,54); "ter higiene e casa limpa" (Clara, 40); "não comer coisas que fazem mal" (Pedro, 50; Alzira, 74); "ter disposição, ser robusta" (Mirtes, 32); "ter ânimo" (Mário, 36); "ser forte e animada" (Éster, 61); "acordar de bem com a vida, alegre e sem febre" (Mônica, 28); "ser normal e não ter nada nos exames" (Dulce, 44).

Apesar do contato direto com o lixo, 63,4% dos trabalhadores disseram não sentir nenhum tipo de incômodo com o cheiro do lixo; segundo eles, "a gente acaba acostumando". Através da observação direta do pesquisador, foi detectado que muitos catadores retiram do lixo roupas, eletrodomésticos, utensílios para uso pessoal e para casa e também restos de alimentos. No entanto, em conversa informal, os trabalhadores negaram o fato de recolherem alimento do lixo. Contudo, ocorreram vários flagrantes desse tipo de conduta. Quando questionados sobre o funcionamento do intestino, 78% dos entrevistados afirmaram que sempre o intestino funciona regularmente e se sentem enjôo, 70,7% afirmaram que nunca sentem enjôos.

As condições de trabalho dos catadores são caracterizadas como extremamente insalubres 4, pois as pessoas são expostas ao contato direto com materiais perfurocortantes, insetos, baratas, ratos e outros agentes contaminantes, além de outros vetores de inúmeras doenças. Estima-se que 30% dos danos à saúde estão relacionados aos fatores ambientais decorrentes de inadequação do saneamento básico (água, lixo, esgoto), poluição atmosférica, exposição a substâncias químicas e físicas, desastres naturais, fatores biológicos (vetores, hospedeiros e reservatórios), dentre outros7. Os seres vivos que utilizam o lixo ainda que por curtos períodos de suas vidas, ao saírem dos lixões, acabam atuando como vetores de doenças; isso inclui o próprio homem18. Contudo, 73,1% dos entrevistados se consideram com saúde, o que é ratificado com conceito de que: "Saúde é o estado de completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença"7.

A promoção da saúde consiste nas atividades dirigidas à transformação dos comportamentos dos indivíduos, focando nos seus estilos de vida e localizando-os no seio das famílias e, no máximo, no ambiente das culturas da comunidade em que se encontram 17. Nesse sentido, cabe uma discussão sobre os motivos que levam a ocorrência de acidentes laborais. Os dados confirmam que os acidentes são comuns com os catadores, 90,3% dos catadores declararam encontrar objetos perfurocortantes no material que segregam e 43,9% declararam que já sofreram acidentes com esses materiais, alguns por mais de uma vez, 12,1% já sofreram acidente de outra natureza e 63,4% já presenciaram pelo menos um tipo de acidente sofrido por um colega de trabalho (Tabela 4).

 

 

Segundo entrevista com os coordenadores da associação, "todos" os catadores têm acesso aos EPI (luvas, botas, máscaras e aventais); porém, não querem utilizá-los e não há exigência por parte da coordenação nesse sentido. Uma catadora pediu para registrar que, no início das atividades da associação, todos receberam EPI, ela rejeitou, não tem e não usa porque não quer. Um catador afirmou que não tem e não gosta de utilizar EPI; no entanto, no dia seguinte, trabalhou de bota e avental. Dentre os entrevistados, 14,6% possuem e utilizam EPI.

Quando questionados sobre os motivos dos acidentes laborais, os catadores responderam: falta de atenção (46,3%); falta do uso de EPI (17,1%); materiais misturados (vidros, latas, agulhas, e outros - 17,1%); outros (descuido ao puxar as bolsas utilizadas para colocar o material segregado; brigas; uso incorreto de equipamentos; susto com animais como ratos, escorpiões, cobras e outros; aborrecimentos com problemas pessoais ou com o trabalho e colegas - 14,7%) e 4,8% não sabem.

Quando se acidentam ou precisam de cuidados médicos, 75,6% dos catadores afirmaram ter acesso a serviços de saúde; eles utilizam os serviços dos postos de saúde próximos as suas residências ou os atendimentos no pronto-socorro municipal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria dos catadores (61%) não se preocupa com a prevenção e manutenção da saúde, somente 39% afirmaram fazer exames médicos pelo menos uma vez ao ano e apenas 51,2% afirmaram acreditar que o trabalho com o lixo pode causar algum dano a saúde. Segundo eles, as doenças que podem ser causadas pelo contato com o lixo são: "gripe", "contaminação", "qualquer tipo de doença", "doença de pele", "dor nos ossos", "manchas na pele", "infecção", "micose", doença de lixo de hospital", "tuberculose", "febre amarela", "cortes", "dor na coluna", "alergia", "câncer", "doença de urina de rato" e "doença de ratos e baratas". Periodicamente, a Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza vacinas contra gripe, tétano, rubéola e febre amarela; no entanto, somente 65,8% dos trabalhadores afirmaram ter tomado algum tipo de vacina depois que começou a trabalhar na associação.

No aspecto relativo à escolaridade, que é um meio imprescindível e eficaz para a conscientização do ser humano quanto à valorização da própria vida e para a obtenção de informações que contribuam para melhorar sua saúde, o depoimento da catadora com maior nível de escolaridade da associação, Ana Maria (34 anos de idade, seis anos de estudo e oito anos de trabalho com a catação), destaca a importância que a mesma dá aos cuidados com a saúde: toma todas as vacinas nos períodos certos, faz exames periódicos a cada três meses e é doadora de sangue - a mesma afirmou que se orgulha disso. No entanto, afirma que não utiliza EPI, não quer utilizá-los e não vê necessidade do uso para o tipo de trabalho que realiza. Nesse contexto, a Carta de Ottawa, elaborada na I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde em 198619, descreve promoção à saúde como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente [...]. A Saúde é o maior recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, assim como uma importante dimensão da qualidade de vida17.

 

Conclusão

Com base nos resultados e nas condições em que foi realizada a presente pesquisa, conclui-se que:

. O aumento da idade não é fator determinante no nível de satisfação pessoal dos catadores de materiais recicláveis;

. A presença de dor não está relacionada com a idade, bem como não foi detectada relação entre intensidade da dor e idade;

. A maioria dos catadores (75,6%) está satisfeita com a vida, conseguiu sair de um ambiente de trabalho degradante (quase todos trabalharam anteriormente no antigo "lixão"), e tais fatores são relevantes e atribuem maior valor à vida que o estresse da dor;

. Existe relação positiva entre idade e satisfação pessoal; catadores mais velhos demonstram maior satisfação pessoal;

. Foi constatada uma relação negativa e significativa entre idade e escolaridade;

. Embora os acidentes laborais sejam frequentes entre a população em estudo, não existe relação positiva com aumento da idade;

. Não existe relação entre o tipo de moradia e a idade, e tipo de moradia e a satisfação pessoal;

. Faz-se necessário trabalho de capacitação dos trabalhadores da associação de catadores de materiais recicláveis de Governador Valadares, com ênfase na promoção de mudanças de comportamentos e de valorização a própria vida;

. Considerando que os catadores mais jovens demonstram menor satisfação pela vida, cabe discutir a necessidade da criação de mais oportunidades de trabalho e de políticas públicas voltadas para qualificação e incentivo ao aproveitamento da mão-de-obra jovem. A população jovem de trabalhadores sem qualificação profissional demonstra descrédito com a vida e falta de perspectivas de melhores condições de trabalho; apesar de manifestar o interesse em ter um trabalho melhor, sentem-se excluídos socialmente.

 

Colaboradores

JR Almeida trabalhou no planejamento experimental, coleta e organização de dados e redação do texto; ET Elias tabulou os dados; MA Magalhães trabalhou na revisão do texto e AJD Vieira colaborou no planejamento experimental, na redação do texto e efetuou as análises estatísticas.

 

Referências

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Artigo apresentado em 24/06/2007
Aprovado em 13/12/2007