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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15 n.3 Rio de Janeiro May. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000300019 

TEMAS LIVRES

 

Representações sociais do trabalho: uma análise comparativa entre jovens trabalhadores e não trabalhadores

 

Social representations at work: comparative analysis of working and non-working teens

 

 

Denize Cristina de OliveiraI; Frida Marina FischerII; Maria Cristina Triguero Veloz TeixeiraIII; Celso Pereira de SáIV; Antonio Marcos Tosoli GomesI

IDepartamento de Fundamentos de Enfermagem, Faculdade de Enfermagem, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Blvd. 28 de Setembro 15/8º andar, Vila Isabel. 20551-030 Rio de Janeiro RJ. dcouerj@gmail.com
IIFaculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo
IIIFaculdade de Psicologia, Universidade Presbiteriana Mackenzie
IVInstituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

 

 


RESUMO

O trabalho na adolescência é justificado, dentre outros aspectos, pela necessidade econômica das famílias. Os objetivos deste estudo foram analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do trabalho na adolescência, entre estudantes trabalhadores e não trabalhadores, entre catorze e dezoito anos; comparar as representações nos dois grupos estudados; verificar se as cognições participantes do núcleo central das representações caracterizadas se confirmam em uma segunda técnica de estudo das representações. A amostra foi composta por 724 alunos do ensino médio da rede pública de ensino da cidade de São Paulo. A coleta de dados foi realizada através da técnica de evocações livres de palavras, utilizando o termo indutor "trabalho", e da realização de 21 grupos focais. Os resultados revelam que a representação do trabalho, em ambos os grupos, foi associada a significados morais e psicossociais positivos. Do ponto de vista metodológico, a maioria dos elementos classificados como participantes do núcleo central da representação foram confirmados nos diferentes eixos temáticos da análise de conteúdo dos grupos focais.

Palavras-chave: Trabalho na adolescência, Adolescência, Representações sociais, Evocação livre, Análise de conteúdo


ABSTRACT

The fact that adolescents are compelled to work can usually be explained as caused by financial needs of their families. The objectives of this study are to characterize the content and the structure of the social representation of adolescence work, by working and non working adolescents, 14 to 18 years old; compare the representations in both groups, and to evaluate if the hypotheses of the central core of representation are confirmed by other technique of social representations analysis. The sample included 724 high school students of a public school of São Paulo city. Data collection was carried out through word free evocation technique, using "work" as inductor term, and employing 21 focal groups. The results show the representations of work in both groups are significantly associated to positive moral and psychosocial meanings. The greatest part of the elements classified as central core hypotheses was confirmed in the several thematic axis of the content analysis of focal groups.

Key words: Adolescence work, Adolescence, Social representation, Free evocations, Content analysis


 

 

Introdução

Segundo dados demográficos da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, as estatísticas indicam um considerável incremento do número de adolescentes, como consequência do gradativo envelhecimento da população brasileira. Assim, [...] os dados demográficos indicam que o Nordeste e o Sudeste não apenas concentram, em conjunto, elevada proporção da população de adolescentes (73,6%), mas também que este grupo etário está passando por um momento de expressivo crescimento em termos absolutos, nestas regiões. De fato, o incremento do número de adolescentes nas duas regiões estaria atingindo a cifra de 1,7 milhão de pessoas, em 1995, e de 1,9 milhão, no ano 2000, em relação a 1985 e 1990, respectivamente. É natural que números desta magnitude venham causar impactos tanto no mercado de trabalho como na educação nas diversas regiões1.

Essa realidade revela uma ambiguidade vivenciada pela sociedade já que, se por um lado observa-se no Brasil um aumento do contingente de jovens adolescentes que são forçados a ingressar no mercado de trabalho, por outro, a legislação brasileira proíbe qualquer forma de trabalho a menores de dezesseis anos, salvo nas condições de aprendiz, a partir de catorze anos, e o trabalho noturno perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos2.

O incremento populacional dos adolescentes tem como consequências, ainda, a sua não absorção pela estrutura educacional, pelas estruturas de suporte social e também pelo mercado de trabalho, o que revela um fenômeno perverso ao qual os jovens e suas famílias estão submetidos. Observa-se através desse fenômeno um ciclo de pobreza prevalente na sociedade brasileira, que transforma em vítimas as camadas mais pobres da população e em sobreviventes os jovens expostos à dialética estabelecida entre perspectivas e realidade, num jogo entre poder ser e não conseguir ser.

Algumas pesquisas mostram os múltiplos efeitos do trabalho infantojuvenil, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Alguns autores argumentam sobre aspectos positivos da entrada precoce na força de trabalho, no sentido de contribuir para o crescimento do jovem como pessoa e cidadão, incorporando sentimentos de autoestima e realização à personalidade, desde que compatível e equilibrado com a sua capacidade física. No entanto, o trabalho pode tornar-se uma atividade com consequências negativas para o jovem, quando não é conciliado com outras atividades importantes para o desenvolvimento do adolescente como, por exemplo, o estudo, o lazer e o convívio familiar e com pares, resultando em desmotivação, cansaço, baixa remuneração salarial e problemas de saúde3-6.

Em pesquisa realizada em duas cidades do interior de São Paulo, os autores encontraram resultados que corroboram algumas das consequências negativas do trabalho infantil e adolescente, destacando-se a falta de experiência no trabalho, a inadequada supervisão, a execução de tarefas perigosas que envolvem riscos à vida e o inadequado conhecimento sobre os riscos do trabalho, além dos débitos acumulados de sono, decorrentes das atividades de trabalho e estudo, uma vez que a perda aguda de sono gera nível elevado de sonolência durante o dia, momentos de desatenção, curtos episódios de sono que passam despercebidos, queda no desempenho e alterações dos estados de ânimo7,8.

Os riscos psicossociais colocados pelo trabalho na adolescência são discutidos em outro estudo, expressando-se no comprometimento da temporalidade do desenvolvimento da criança e do jovem trabalhador, que deixa de vivenciar experiências fundamentais para o seu desenvolvimento psicossocial em momentos nos quais essas experiências seriam fundamentais para a formação da personalidade. Os autores destacam, ainda, a competição estabelecida entre trabalho e escola, resultando no abandono precoce da escola e na exposição dos jovens a situações e agravos incompatíveis com o estágio de maturação intelectual, emocional e social, que pode ser obscurecido pela aparente maturação física9.

Para análise dessa questão, além da abordagem objetiva dos danos à saúde e ao desempenho escolar, coloca-se como importante a abordagem das imagens que os atores sociais constroem do trabalho e das relações que este estabelece com o entorno dos jovens trabalhadores. Essas imagens, ou representações, acabam por sustentar práticas sociais que tendem a priorizar o trabalho sobre outras dimensões da vida, tais como o estudo, a vida social e a vida familiar. A manutenção do jovem trabalhador no mercado de trabalho, sob quaisquer condições, muitas vezes leva ao abandono da escola precocemente, ainda num momento de escolarização obrigatória. O processo de exclusão escolar se desenvolve a partir da associação do trabalho a valores morais, a um melhor futuro do que aquele reservado ao jovem em função da sua inserção social, ao esforço pessoal e como forma de contornar problemas urbanos, tais como o envolvimento com drogas ilícitas e a marginalidade9.

A hipótese que orientou o presente estudo foi lançada a partir de trabalho anterior desenvolvido pelos autores, no qual foram analisadas as representações do trabalho para jovens estudantes dos turnos diurno e noturno, observando-se diferenças nessas representações10.

O referencial teórico que embasa esta pesquisa é a teoria das representações sociais (TRS), na sua vertente psicossocial, inaugurada por Serge Moscovici. Um dos eixos da proposta epistemológica da TRS é a de que a realidade é socialmente construída no processo de interação/comunicação11-13. Considera-se que o tema trabalho constitui-se em objeto de diálogo no dia a dia de adolescentes, sendo legitimado nas conversações interpessoais cotidianas, através da formação de representações sociais.

A respeito do estudo das representações sociais, Jodelet assinala: As representações sociais devem ser estudadas articulando-se elementos afetivos, mentais e sociais e integrando - ao lado da cognição, da linguagem e da comunicação - a consideração das relações sociais que afetam as representações e a realidade material, social e ideativa sobre a qual elas têm de intervir14.

A abordagem experimental de estudo das representações sociais tem como uma das suas bases conceituais a teoria do núcleo central, que permite identificar e avaliar a hierarquia subjacente a uma da representação, além de resgatar a sua estrutura e dinâmica.Essa teoria complementar à teoria geral de Moscovici se articula com base na hipótese geral de que toda representação se organiza em torno de um núcleo central, que determina a significação e organização da representação15.

Os elementos centrais da representação são determinados pela natureza do objeto representado e pela relação que o sujeito mantém com esse objeto. São elementos muito estáveis da representação, a partir dos quais podem ser criadas ou transformadas as significações de outros elementos constitutivos da mesma, e que também determinam a natureza dos vínculos que unem entre si os elementos da representação13,15,16.

Já os elementos periféricos, constituídos por um número maior de idéias acerca do objeto representado, fazem a interface entre o núcleo central e as situações e práticas concretas da população, incorporando as experiências e histórias individuais dos seus membros e se mostrando, assim, não apenas mais sensível à influência do contexto social imediato, mas também mais flexível na orientação dos comportamentos que nele se desenrolam13,15,16.

O presente estudo teve como objetivos analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do trabalho entre adolescentes trabalhadores e não trabalhadores; comparar as representações nos dois grupos estudados; e verificar se as cognições participantes do núcleo central se mantém nas tematizações provenientes de um segundo método de estudo das representações.

A importância da utilização da abordagem estrutural das representações sociais para este tipo de problemática se deve ao fato deste arsenal teórico permitir apreender e comparar a cartografia mental dos adolescentes, enquanto um grupo social específico, acerca do trabalho. Os resultados poderão permitir compreender a adoção de atitudes, as construções simbólicas e a movimentação social cotidiana do grupo na relação com o objeto analisado.

 

Método

A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública de ensino médio, localizada no município de São Paulo, que atendeu aos seguintes critérios de inclusão: população total de alunos quantitativamente suficiente para a análise da variável trabalho; alunos na faixa etária de catorze a dezoito anos; contar com estudantes no ensino médio nos períodos matutino e noturno, cujos perfis sociais fossem diversificados, ou seja, trabalhadores e não trabalhadores, oriundos de bairros mais pobres da cidade e de regiões mais ricas.

Para composição do grupo de estudo, utilizou-se o universo dos estudantes dos dois turnos (diurno e noturno) que aceitaram participar do estudo, cursando entre a 1ª e a 3ª série do ensino médio, totalizando 719 adolescentes na faixa de etária de catorze a dezoito anos. Os jovens trabalhadores compuseram um grupo de 506 adolescentes e o de não-trabalhadores, de 213 sujeitos.

Para obter-se o grupo de estudantes trabalhadores, foi utilizado como critério a inclusão de todos os adolescentes que referiram trabalhar ou que estavam desempregados. Trabalho foi definido como toda atividade sistemática em que há uma obrigatoriedade de desenvolver tarefas, em horários e períodos predeterminados, seja no ambiente doméstico, seja para terceiros, com ou sem remuneração, tendo ou não vínculo empregatício formalizado. Alunos desempregados são aqueles que já estiveram expostos ao trabalho, mas que não estavam trabalhando no momento da pesquisa, embora procurassem emprego. Para o grupo de alunos não trabalhadores, foram considerados aqueles que registraram no questionário que nunca trabalharam, ou seja, nunca vivenciaram o cotidiano do trabalho.

A coleta de dados foi realizada com a aplicação de duas técnicas: a associação ou evocação livre de palavras, direcionada a coletar elementos latentes que permitissem caracterizar a estrutura da representação social estudada13,15; e a técnica de grupo focal, cujo objetivo foi a caracterização do conteúdo da representação estudada, em função das suas dimensões constitutivas, a saber, a dimensão de campo ou imagem, a dimensão da atitude e a da informação11,14.

A técnica de evocação livre consistiu em pedir aos sujeitos que escrevessem em um formulário as primeiras cinco palavras ou expressões que lhes ocorressem, na ordem em que elas surgissem na memória, associadas ao termo indutor "trabalho". A técnica foi aplicada coletivamente, em grupos de 25 alunos, na própria escola, e abrangeu o período de junho a setembro de 2001.

Para o tratamento e análise da estrutura representacional, foi utilizado o software EVOC 200017 e a técnica de distribuição dos termos produzidos num quadrante de quatro casas, considerando os critérios de saliência e de importância, observados através da frequência e da ordem das evocações produzidas18-21.

A distribuição dos termos nos quadrantes obedeceu aos seguintes critérios: aqueles termos que se destacaram em relação à frequência (acima da média) e ordem de evocação (mais próxima de um e menor do que a média ponderada) foram localizados no quadrante superior esquerdo, formando o provável núcleo central da representação. Aquelas que, ao contrário, apresentaram alta ou baixa frequência (acima ou abaixo da média) e ordem de evocação mais distante de um (maior do que a média ponderada), localizaram-se nos quadrantes superior e inferior direito, correspondendo ao sistema periférico da representação, ou primeira e segunda periferia. O último quadrante, denominado de elementos de contraste, foram aqueles que atenderam ao critério de importância, mas não de saliência (frequência menor do que a média e ordem de evocação mais próxima de 1), localizados no quadrante inferior esquerdo15,22.

Partiu-se da premissa de que os termos que atendessem, ao mesmo tempo, aos critérios de evocação com maior frequência e nos primeiros lugares, supostamente teriam uma maior importância no esquema cognitivo do sujeito, ou seja, configurariam hipóteses de núcleos centrais da representação social do objeto pesquisado13,15,16.

Para a aplicação da técnica de grupo focal, foram utilizados dois critérios. De um lado, o critério de grupo real estruturado ou orgânico, significando que entre os participantes dos grupos focais existia uma relação baseada na atividade em comum que efetuavam (o estudo), derivando dessa atividade deveres, interesses e obrigações comuns, assim como relações face a face. De outro lado, o critério de grupo taxonômico, sob o qual foram classificados os sujeitos de acordo com a variável inserção no mercado de trabalho (trabalhadores e não-trabalhadores).

Para o desenvolvimento da técnica, todos os grupos tiveram, no mínimo, oito sujeitos e, no máximo, quinze, com jovens de cada uma das três séries e proporcionalidade entre os sexos. No período diurno, foram desenvolvidos oito grupos focais com adolescentes não-trabalhadores e dois grupos com adolescentes trabalhadores; no período noturno, foram desenvolvidos nove grupos focais com adolescentes trabalhadores e dois grupos com adolescentes não-trabalhadores. Foram realizados 21 grupos focais, compostos por um total de 208 adolescentes, com uma duração máxima de uma hora e meia.

A análise do material discursivo derivado dos grupos focais foi realizada através da técnica de análise de conteúdo temática, isolando-se temas e categorias em função da situação de trabalho (adolescentes trabalhadores ou não-trabalhadores).

O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisas da Faculdade de Saúde Pública da USP e aprovado através do ofício COEP/125/00. Todos os sujeitos participantes que concordaram com a sua participação, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.

 

Resultados e discussão

As estruturas das representações estudadas serão apresentadas através de quadros, nos quais serão mostrados os elementos centrais e periféricos suscitados pelo objeto "trabalho" nos grupos de jovens trabalhadores e não-trabalhadores. Os conteúdos constituintes da representação serão apresentados através de categorias e eixos temáticos associados ao objeto "trabalho", resultantes da análise de conteúdo temática.

A representação social do trabalho entre adolescentes trabalhadores

Na Tabela 1, podem ser observadas as evocações do grupo de adolescentes trabalhadores que participaram do estudo, distribuídas em quatro quadrantes, segundo a frequência e a ordem de evocação. Deve-se ressaltar que o grupo de trabalhadores concentrou-se no período noturno e o de não-trabalhadores no diurno.

Observa-se na Tabela 1, relativa ao grupo de trabalhadores, que a maior parte das evocações presentes do quadrante superior esquerdo expressam posicionamentos positivos em relação ao trabalho, e de apenas um atributo negativo. Os atributos positivos, neste quadrante, distribuem-se entre elementos de tipo moral, portanto hegemonicamente determinados pelo grupo social do qual os jovens fazem parte, expressos nas palavras "bom", "essencial" e "responsável"; e elementos relacionados aos benefícios materiais derivados do trabalho, presente na palavra "dinheiro", apontando para a necessidade pessoal/grupal de emancipação econômica do jovem.

O elemento negativo é observado na expressão "muita responsabilidade", referindo-se a situações de excessivas demandas de um trabalho que não promove a adaptação da atividade às particularidades físicas e psicossociais da adolescência, nem respeita as demandas escolares enquanto prioritárias nesse período do desenvolvimento.

Comportando os elementos contrastantes do núcleo central da representação, observa-se no quadrante inferior esquerdo os termos "independência", "necessidade"," esforço" e "acordar cedo", apontando para uma dimensão positiva do trabalho, que expressa o cotidiano e os caminhos desenhados pelos jovens para obter sucesso através do trabalho, quais sejam, esforço e disposição pessoais, além de destacar a determinação do trabalho pelas condições socioeconômicas das famílias. Essa última motivação foi confirmada através da caracterização social do grupo estudado e dos relatos nos grupos focais. Destaca-se a presença do termo "independência" nesse quadrante, reforçando a expectativa do jovem de obter independência econômica e psicossocial da família através do trabalho.

Nos quadrantes superior e inferior direito, estão localizados os vocábulos que configuram os elementos periféricos da representação. Eles expressam uma ambiguidade presente na representação dos jovens, de um lado reforçando a negatividade do trabalho com o vocábulo "cansativo", também presente nos elementos de contraste, e de outro reforçando os conteúdos positivos presentes no núcleo central, expressos nos léxicos "futuro", "experiência", "amadurecimento", "aprender" e "relacionamento".

Pode-se concluir, a partir da estrutura descrita, a existência de uma representação positiva do trabalho no grupo de jovens trabalhadores, firmada sobre valores morais hegemônicos presentes na sociedade, que comporta um subgrupo simbólico que reconhece os custos que os ganhos propiciados pela atividade laboral têm no cotidiano dos adolescentes.

Resultados semelhantes foram encontrados nos estudos desenvolvidos por Alves-Mazzotti23-25,que observou que as representações do trabalho entre os jovens trabalhadores que estudam apresentam, em geral, positividade, vendo-o como atividade necessária ligada ao próprio sustento ou à ajuda à família, e ainda como preparação para o futuro e distração. Afirma a autora que o fato de estarem trabalhando, terem seu próprio dinheiro e ajudarem nas despesas da casa possibilita aos jovens um sentimento de independência, bem como de autovalorização e respeito, o que contribui para a formação de uma autoimagem positiva.

A Tabela 2 mostra os eixos temáticos definidos, assim como as categorias contidas em cada um desses eixos, referentes aos resultados da análise de conteúdo da produção discursiva proveniente dos grupos focais.

O primeiro eixo temático identificado na análise de conteúdo está relacionado às consequências positivas do trabalho de tipo psicoemocional, trata-se do eixo temático "responsabilidade e amadurecimento", cujas categorias foram "trabalho associado à responsabilidade" e "trabalho associado ao amadurecimento". Essas duas categorias explicitam alguns elementos presentes no núcleo central da representação, especialmente as palavras "responsável", "essencial" e "bom" (conforme quadrante superior esquerdo da Tabela 1), confirmando a centralidade dos mesmos na representação.

Essa confluência de significados pode ser observada nos seguintes exemplos de unidades de registro derivadas da análise de conteúdo, nos quais podem ser observados aspectos associados ao desenvolvimento da responsabilidade e amadurecimento, no sentido da autoconfiança, da autoestima, do aprendizado das relações sociais que o ambiente de trabalho e as tarefas derivadas do mesmo propiciam ao jovem: Acho que não é só função econômica. Eu vou trabalhar para crescer, para amadurecer (Dimensão de Imagem , Grupo 20 - Trabalhadores).

Então, o trabalho lhe dá um amadurecimento melhor (Dimensão de Imagem, Grupo 20 - Trabalhadores).

Pesquisadores têm se dedicado a estudar as simbolizações de adolescentes sobre o trabalho nessa fase da vida e apontam que esses benefícios seriam mais efetivos se os jovens tivessem controle sobre a sua condição de trabalhador. Esse controle se expressa na transformação do trabalho em uma opção individual, não obrigatória, com caráter educativo e formativo, permitindo ao jovem o desenvolvimento de habilidades sociais8,26.

Os exemplos citados foram compartilhados por muitos adolescentes e mostram uma das funções cumpridas pela representação social do trabalho para esse grupo, tratando-se da função de orientação ou guia de práticas e de comportamentos13. Evidencia-se, também, a dimensão de atitude constitutiva da representação, no sentido de uma avaliação favorável ao exercício da atividade laboral nessa etapa de formação da personalidade.

Outros eixos temáticos observados foram "independência financeira" e "necessidade econômica", cujas categorias podem ser observadas na Tabela 2. Esses eixos apontam outros benefícios decorrentes do trabalho, em especial a independência econômica e o acesso ao mercado de consumo, com a possibilidade de compra de bens pessoais, e de acesso aos cursos universitários privados, no futuro: A pessoa começa a ter responsabilidade com os horários, trabalhar é principalmente pelo dinheiro. Para conseguir as minhas coisas do jeito que eu quero (Dimensão de Imagem, Grupo 19 - Trabalhadores).

Tem a opção das faculdades, mas é hiper difícil você conseguir entrar e se você entra, você tem que estudar. Dependendo do curso que você quer, quem vai pagar seus livros? Quem vai pagar sua condução? Quem vai pagar seu almoço? Como você vai se manter? (Dimensão de Imagem, Grupo 5 - Trabalhadores).

Uma segunda dimensão se refere à possibilidade de contribuição para a renda familiar, e, às vezes, a sua substituição, que acaba por determinar o ingresso do jovem no mercado de trabalho. Essas dimensões também foram identificadas no núcleo central da representação e nos elementos de contraste, citando-se as palavras "dinheiro" e "necessidade", o que indica que um outro conteúdo central pôde ser confirmado: Trabalho, eu acho que é a fonte de tudo. No meu caso se eu não trabalhasse, eu não teria roupas, comida, não teria nada (Imagem, Grupo 5 - Trabalhadores).

Não é uma coisa que você está fazendo por opção. É difícil hoje em dia fazer isso. Ainda mais na nossa classe, uma classe mais baixa (Imagem, Grupo 5 - Trabalhadores).

O único elemento central da representação social do trabalho nesse grupo, e que não foi confirmado na análise de conteúdo, foi "muita responsabilidade", o que faz supor consoante com a teoria do núcleo central, que ele seja parte dos elementos de contraste, configurando um subgrupo não hegemônico nessa representação, caracterizado pela percepção dos elementos negativos derivados do trabalho.

Associada à discussão dos últimos eixos temáticos, evidencia-se o eixo "relação trabalhoestudo", cuja categoria foi "a dicotomia trabalhar-estudar". Essa dupla jornada trabalho-estudo impõe a alternância de longas jornadas de trabalho com a jornada escolar, como forma de manter a contribuição para a renda familiar mas sem abdicar das possibilidades de futuro propiciadas pelo estudo. Observa-se a imagem do trabalho como sendo prioritário em relação à escola, construída a partir de uma imagem negativa da escola. Essa imagem não foi compartilhada por todos os grupos, sendo registrada, apenas, em dois grupos de adolescentes trabalhadores, conforme a seguir: Hoje, eu dou muito mais valor para meu trabalho do que para a escola (Dimensão de Imagem, Grupo 7 - Trabalhadores).

Conforme a Tabela 2, os eixos temáticos "desemprego" e "preconceito social", com as respectivas categorias, refletem, por um lado, as dificuldades que os jovens enfrentam ao procurar emprego, tais como preconceito de gênero e de raça, imprimindo diferenças nos salários oferecidos. Por outro lado, mostram a angústia dos jovens que se encontram em situação de desemprego, sofrendo as pressões da necessidade de trabalhar e as dificuldades da falta de oportunidades no mercado de trabalho, dentre outras coisas, devido à inexperiência e baixa escolarização: É difícil. No ônibus, eu já cheguei passar por baixo para poder entregar o currículo em uma loja. (Dimensão de imagem, Grupo 2 - Trabalhadores)

É um preconceito terrível contra tudo, não só contra a cor. É o jeito como você fala, como você se veste. Tem muito preconceito hoje em dia (Dimensão de Imagem, Grupo 19 - Trabalhadores).

A representação social do trabalho entre adolescentes não trabalhadores

A Tabela 3 mostra as palavras que configuraram o núcleo central e os elementos periféricos, a partir do termo indutor "trabalho", no grupo de adolescentes não-trabalhadores.

Os 203 adolescentes não-trabalhadores apresentam uma representação do "trabalho" semelhante àquela observada no grupo de trabalhadores, comportando algumas particularidades no que se refere à positividade e negatividade do mesmo. Uma dessas particularidades pode ser observada no caráter assumido pelo núcleo central (Tabela 2), no qual todas as palavras expressam aspectos avaliativos de tipo positivo sobre o trabalho ("dinheiro", "responsável", "essencial" e "bom"). Essa positividade foi explicitada sob diversos ângulos, como vantagens econômicas e financeiras consequentes ao trabalho, desenvolvimento de maturidade e aquisição de valores sociais hegemônicos do trabalho ("essencial" e "bom"). Considerando que esses adolescentes ainda não tiveram a experiência do trabalho, observa-se certa idealização presente na representação do mesmo, na qual a sua positividade e as vantagens derivadas são superestimadas.

Já aqueles elementos negativos associados ao trabalho, que foram evocados em primeiro lugar pelos adolescentes que trabalham, como por exemplo o termo "muita responsabilidade", receberam menor destaque entre os adolescentes nãotrabalhadores, localizando-se no quadrante inferior esquerdo, entre os elementos de contraste.

Os elementos periféricos observados neste grupo foram os mesmos do grupo de adolescentes trabalhadores.

A Tabela 4 mostra os eixos temáticos e suas categorias, a partir da análise de conteúdo dos depoimentos dos adolescentes não trabalhadores nos grupos focais.

Mesmo tratando-se de adolescentes que não trabalham, muitos deles representam o trabalho como uma fonte de responsabilidade e de amadurecimento. Há conteúdos que exemplificam o significado do trabalho relacionado à procura de um objetivo de vida: Quando está lá dentro você começa a buscar seu objetivo. Seja financeiro, seja o que for Dimensão de Imagem, Grupo 17 - Não-trabalhadores).

Eu acho que quando essa pessoa começa a trabalhar vai começar a dar mais valor ao dinheiro (Dimensão de Imagem, Grupo 15 - Não-trabalhadores).

Observa-se um conteúdo representacional no qual a inserção no mercado de trabalho é associada à independência, maior liberdade de ação social e reconhecimento familiar, especialmente quando comparada à situação de dependência econômica vivenciada na situação de não-trabalhadores. Essa imagem de amadurecimento associada à iniciação da vida no trabalho também foi encontrada em outra pesquisa sobre trabalho precoce entre adolescentes de escolas públicas municipais da zona sul de Rio de Janeiro27.

Nas seguintes unidades de registro, podem ser observadas imagens que corroboram com os benefícios decorrentes do trabalho: Eu vejo assim, quanto mais cedo eu trabalhar, mais cedo eu conquisto minha independência, minha liberdade, eu vou ficar mais madura (Dimensão de Imagem, Grupo 13 - Não-trabalhadores).

É liberdade (Dimensão de Imagem, Grupo 17 - Não-trabalhadores).

Trabalhar não é só ter dinheiro. Quando você faz para ser alguém, um aprendizado, convivência (Dimensão de Imagem, Grupo 14 - Não-trabalhadores).

Revelando uma dimensão específica presente na representação dos jovens não-trabalhadores, observa-se nas seguintes unidades de registro exemplos de falas referentes aos eixos temáticos "cansaço" e "conciliação entre trabalho e estudo". Na primeira unidade, o tema "trabalho" foi ancorado a partir de uma imagem identificada como núcleo figurativo da representação:

É de lei. Rola o maior estresse. É um inferno (Núcleo Figurativo, Grupo 11 - Não-trabalhadores).

Apesar do núcleo figurativo negativo supracitado, um dos grupos de adolescentes não-trabalhadores compartilhou a imagem da possibilidade de conciliação entre o estudo e o trabalho: Acho que não atrapalha se você souber dividir o trabalho e a escola. Acho que dá para dividir, sim (Dimensão de Imagem, Grupo 10a - Não-trabalhadores).

Nos diferentes eixos temáticos e conteúdos categoriais correspondentes, percebeu-se que o tema "trabalho" foi representado fundamentalmente a partir de imagens positivas. Aqueles aspectos negativos que apareceram nos discursos ainda não foram vivenciados na prática pela grande maioria dos adolescentes; no entanto, dada a convivência que têm com adolescentes que trabalham, acabam compartilhando uma representação negativa do trabalho, no sentido de que o mesmo pode interferir nos estudos e provocar cansaço excessivo, além dos limites de tolerância aceitáveis para a idade.

Diferentemente do grupo de adolescentes trabalhadores, neste grupo puderam ser confirmados, nos diferentes eixos temáticos identificados na análise de conteúdo, todos os elementos presentes no núcleo central, a saber: o vocábulo "dinheiro" (Tabela 3) confirmou-se no eixo temático "aprendizado versus dinheiro" (Tabela 4) e os vocábulos "responsável","essencial" e "bom" (Tabela 3) confirmaram-se no eixo temático "responsabilidade e amadurecimento" (Tabela 4).

 

Considerações finais

A análise da representação social do trabalho, conforme construída por adolescentes trabalhadores e não-trabalhadores, mostrou um predomínio de significados positivos relacionados, especialmente, ao desenvolvimento psicossocial dos jovens, aos benefícios financeiros decorrentes da atividade laboral e aos ganhos relacionados ao futuro e ao mundo social. Os elementos negativos, apesar de também presentes na representação, foram consensuais apenas na zona de contraste da representação, revelando a provável existência de um subgrupo de jovens que, apesar de participar da representação hegemônica positiva do trabalho, ampliou sua percepção estendendo-a para a compreensão dos efeitos/custos negativos do mesmo. Também foram observados aspectos negativos entre os elementos periféricos, o que faz supor a incorporação de significados derivados das experiências pessoais dos jovens, ou seja, suas práticas cotidianas.

No entanto, os significados e imagens que permanecem como consensuais no núcleo duro da representação são os elementos hegemônicos do trabalho, transmitidos pela cultura, tanto no grupo de estudantes trabalhadores, quanto de não-trabalhadores, organizando-se em torno de conteúdos positivos de cunho psicoemocional, avaliativo e de sucesso financeiro. Pode-se observar, portanto, a reprodução de valores sociais construídos pela sociedade capitalista, que atribui valores morais à atividade laboral, colocando-a como via certa de sucesso econômico e de desenvolvimento da personalidade dos jovens.

Do ponto de vista metodológico, cabe salientar que a maioria dos elementos classificados como centrais na representação do trabalho, tanto no grupo de jovens trabalhadores como de não-trabalhadores, puderam ser confirmados nos diferentes eixos temáticos da análise de conteúdo. Por outro lado, a comparação entre as representações dos jovens trabalhadores e nãotrabalhadores revelou diferenças sutis, que não permitem afirmar a existência de representações diferentes em função da situação de trabalho.

Observou-se, portanto, uma representação que reproduz o significado moral hegemônico do trabalho, portanto socialmente determinado, na busca de incorporação de valores e traços identitários característicos do adulto, sem que o jovem tenha, de fato, testado as suas possibilidades de ser e de existir no mundo.

Essa representação incorpora, ainda, elementos específicos resultantes das experiências dos jovens no mercado de trabalho ou nas conversas cotidianas, revelando as dificuldades vivenciadas, o ônus do ingresso nesse mercado sem a garantia de políticas de proteção e a quase impossibilidade de manutenção da dupla jornada trabalhoestudo, numa situação de trabalho espoliativo e que não respeita o direito dos adolescentes a um cotidiano aderente as suas possibilidades e dificuldades físicas, emocionais e psicossociais. Essa contradição entre a positividade e a negatividade do trabalho, no entanto, expressando a reprodução de valores sociais e a realidade vivenciada, não é identificada pelos adolescentes, que integram essas duas facetas como partes de um todo, sem criticá-la e submetendo-se a ela.

 

Colaboradores

DC Oliveira e FM Fischer foram coordenadoras do projeto de pesquisa, responsáveis pela sua condução teórica e metodológica, e trabalharam na elaboração e redação final do texto; AMT Gomes e MCTV Teixeira coordenaram a pesquisa de campo, o tratamento e análise dos dados; CP Sá trabalhou na concepção teórica, elaboração e redação final do texto.

 

Referências

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Artigo apresentado em 22/02/2007
Aprovado em 29/06/2007