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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15 n.4 Rio de Janeiro Jul. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000400001 

EDITORIAL

 

Pós-graduação em Saúde Coletiva no contexto do desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil

 

 

Educação, Ciência e Tecnologia (C&T) são o verdadeiro ouro de um país no século XXI. Mais de 60% de toda a riqueza gerada no mundo incorpora C&T e os artefatos e inovações derivadas do conhecimento constituem a grande força produtiva contemporânea. Os países que não investem nesse ativo precioso estão condenados a consumir, sob elevado custo, o que é produzido por outros, aumentando sua dependência econômica e social. Segundo estudiosos, um país precisa ter pelo menos 25% de sua população na "classe criativa" – termo usado para se referir ao grupo social envolvido no desenvolvimento científico e tecnológico – para se destacar no concerto das nações. Esse desafio ressalta a urgência de melhorar e aumentar a qualidade da educação em todos os níveis.

Nesse panorama, o Brasil não está mal na foto: encontra-se entre os vinte países com mais produção científica no mundo, ocupando atualmente o 13º lugar. Essa pujança vem crescendo e pode ser exemplificada pelo número de revistas indexadas na base Thomson Reuters-ISI: de 26 em 2006 a 123 em 2009. Esse aumento se deve, em parte, à estratégia dessa empresa de aumentar o universo regional e temático dos periódicos que indexa. O Brasil marcou pontos nessa correção de rumos: o número de artigos nacionais no ISI aumentou de 4.056, em 2007, para 12.502, em 2008, o que se deve ao maior número de revistas indexadas e ao maior número de textos por revista. A indexação no ISI exerce atração sobre os autores, como observamos nos artigos publicados neste número temático.

Existem algumas características importantes da geração de C&T no Brasil; a mais relevante é que o modelo brasileiro tem como lócus privilegiado as universidades e institutos de pesquisa públicos e, como estratégia principal, os programas de pós-graduação. Sendo assim, a maioria dos recursos para C&T é pública, situação diferente de vários países onde existem fortes investimentos privados; a maioria da comunidade científica é formada dentro do país e o Brasil possui um nível sofisticado de pesquisa básica, estratégica e aplicada, diferenciando-se, por exemplo, da situação da América Latina. No entanto, é também uma característica, nosso desenvolvimento tecnológico é incipiente e só nos últimos anos políticas governamentais efetivas passaram a focar esse desafio.

O peso do campo da saúde nas publicações científicas é relevante: 40% da produção nacional! O Brasil faz parte dos trinta países mais produtivos que respondem por 95% da produção mundial de pesquisa médica e biomédica (ocupa o lugar 23º lugar no ranking). Do ponto de vista qualitativo - que considera as citações de artigos - nosso desempenho é pior, pois, embora publiquemos muito, somos pouco citados, sendo um dos motivos o fato da língua portuguesa ser pouco conhecida no universo científico.

Segundo estatística atualizada da CAPES, há hoje no país 2.894 programas de pós-graduação e 4.356 cursos de mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado. Desses, 473 programas e 760 cursos são da grande área da saúde. A Saúde Coletiva, atualmente, tem 54 programas e 75 cursos, respondendo por 11% do total desse universo.

Este número temático apresenta um panorama avaliativo da pós-graduação em Saúde Coletiva, do ponto de vista epistemológico e curricular e quanto aos planos de formação, à demanda, aos egressos e à produção científica. Essa área se apresenta em pleno crescimento, contribuindo para o desenvolvimento nacional, para a geração de riquezas e para o SUS. Mas, como verá o leitor, problemas e desafios também são tratados nos textos, dentre eles, a especificação do papel da área no desenvolvimento tecnológico, a internacionalização da produção científica e as desigualdades na distribuição dos programas. O leitor encontrará um debate acalorado sobre os problemas e deve considerar o desempenho de hoje como um ponto no espaço possível de avanços e desafios.

 

Maria Cecília de Souza Minayo
Editora científica