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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15 n.4 Rio de Janeiro Jul. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000400013 

ARTIGO ARTICLE

 

Produção científica dos cursos de pós-graduação em Saúde Coletiva no período 1998-2006

 

Scientific production of Brazilian graduate courses in Public Health during 1998-2006

 

 

Francisco Viacava

Departamento de Informações Em Saúde, Centro de Informação Científica e Tecnológica, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Brasil 4365, Manguinhos. 21045-900 Rio de Janeiro RJ. viacava@icict.fiocruz.br

 

 


RESUMO

O grande crescimento da pós-graduação no Brasil, também observado na grande área de Saúde e na Saúde Coletiva, torna necessário equacionar como se processa a difusão científica. Análises qualitativas sobre as principais temáticas têm sido feitas a partir das revistas científicas e do diretório de grupos de pesquisa. O acordo feito entre a Abrasco e a CAPES abriu a possibilidade de exploração de um banco de dados construído e usado para a avaliação dos programas de pós-graduação, sob outras perspectivas. Nesse trabalho, foram analisados os artigos completos registrados na base nos três triênios do período 1998 – 2006. Para tanto, fez-se uma padronização dos títulos dos periódicos e dos títulos dos artigos completos publicados em periódicos, já que havia duplicações, em grande parte devidas à coautoria de docentes de diferentes programas. Com isso, foi possível construir um banco de dados no qual cada artigo é registrado uma única vez, a partir do qual foi possível analisar a evolução ao longo dos triênios dos periódicos mais frequentemente usados, número de autores, idioma, nacionalidade das revistas e cooperação interregional. Os dados aqui apresentados poderão subsidiar as discussões sobre a produção científica e difusão do conhecimento na área.

Palavras-chave: Produção científica, Saúde Coletiva, Pós-graduação


ABSTRACT

The massive growth of graduate programs in Brazil, observed in the areas of Health Sciences and Public Health, makes it necessary to consider the processes underlying the diffusion of science. Qualitative analyses on the main themes of the field have been conveyed using scientific journals and a directory of research groups. The agreement made between ABRASCO and CAPES opened the possibility of using a database that, although construed for the evaluation of graduate programs, may be useful for different purposes. In this study, the full papers registered in three triennials from 1998 to 2006 were analyzed. In order to accomplish this it was necessary to standardize the titles of the scientific journals and also the titles of full text articles published, in large part because the co-authorship of researchers from different programs resulted in duplications of entries. Only then was possible to build a database where every article is registered no more than once. From this point, the changes throughout the three periods were analyzed, as well as the most frequently consulted journals, number of authors, language, national and foreign journals, and regional and interregional cooperation. The data presented here may be useful for the discussions on the scientific production and dissemination of knowledge in the area of Public Health.

Key words: Scientific production, Public health, Graduate programs


 

 

Introdução

A análise da produção científica dos cursos de pós-graduação da área de Saúde Coletiva assume especial relevância quando se leva em conta a natureza dessa área enquanto um campo de aplicação das ciências biológicas e das ciências sociais/humanas. Nesse sentido, como qualquer outro campo do conhecimento científico, a produção se faz dentro das regras do método científico, mas, além disso, está fortemente direcionada para a intervenção, seja do ponto de vista do entendimento do processo saúde/doença ou da avaliação do alcance das políticas de saúde, e das condições de vida e saúde da população. Estudos recentes têm evidenciado a estreita vinculação entre os saberes e as práticas nas três grandes áreas temáticas da Saúde Coletiva: planejamento e gestão1, ciências sociais2 e epidemiologia3.

Segundo Barata4, nos últimos dez anos, o número de programas de mestrado e doutorado cresceu de maneira mais acentuada do que no conjunto de todas as áreas de conhecimento, chegando em 2008 com 47 programas, dos quais 21 têm doutorado. Ainda que fortemente concentrados na Região Sudeste, os programas estão distribuídos por todas as regiões, com exceção da Região Norte.

Do ponto de vista da difusão da produção científica, há poucos estudos publicados entre os quais se incluem uma avaliação dos artigos publicados pelos cursos de pós-graduação entre 1990 e 19955, estudos sobre artigos publicados em principais revistas da área6,7,e uma análise sobre a produção científica dos cursos de pós-graduação no período 2000-20048, com ênfase no fator de impacto das principais revistas usadas pelos pesquisadores da área para divulgação da produção científica.

Neste artigo, analisam-se as principais características do processo de produção científica da área de Saúde Coletiva e as formas de difusão desse conhecimento no âmbito da comunidade científica tal como cadastrada na base de dados do sistema COLETA da CAPES para o período 1998-2006.

 

Material e método

O enorme crescimento da pós-graduação no Brasil9-11, também evidenciado na área de Saúde Coletiva4-8, e a decisão de se analisar os últimos dez anos de atividades, tornou imperativo um recorte do tipo de produção científica. Assim sendo, a análise foi circunscrita aos artigos publicados em periódicos, principal forma de difusão dessa produção. Também foi necessário abrir mão de alguns objetivos propostos originalmente no projeto, já que o banco de dados do sistema COLETA ainda se ressente de problemas de incompletude de vários campos imprescindíveis para uma definição das áreas temáticas, como, por exemplo, palavras-chave. A análise dos títulos para definição de áreas temáticas também se mostrou inviável, já que se tratava de analisar mais de 11,5 mil artigos.

A análise das publicações geradas no âmbito dos cursos de pós-graduação de Saúde Coletiva foi feita usando-se as informações existentes no sistema COLETA da CAPES, considerando-se o período de 1998 a 2006. Os dados foram cedidos pela CAPES separadamente para cada tema e, no caso dos artigos publicados em periódicos, incluem também o ano de 2007.

O arquivo contendo artigos em periódicos apresentava 16.423 registros. Foram incluídos na análise apenas os "trabalhos completos", excluindo-se os resumos em periódicos e outras formas de produção bibliográfica (n=3.192). Dada a existência de duplicação de registros, foi necessário realizar uma crítica do banco de dados de tal forma que cada artigo fosse contabilizado uma única vez (Figura 1). Para tanto, os títulos dos artigos foram padronizados eliminando-se todo tipo de acentuação, de modo que as duplicações pudessem ser mais facilmente evidenciadas. Uma vez identificada a duplicação do título, procedeu-se à verificação do ano de indexação e dos programas nos quais o artigo foi indexado, posto que quando é de autoria de docentes que pertencem a programas diferentes ele é registrado por cada um dos programas. Quando o mesmo título foi registrado em anos diferentes por cada programa, foi realizada uma busca na WEB para recuperar o artigo no formato publicado e considerou-se como ano base da produção o ano do periódico. Em 61 desses casos, não foi possível localizar a publicação e tais textos estão excluídos na análise. Foram identificadas 292 duplicações dos seguintes tipos:

 

 

(a) Artigos registrados mais de uma vez em um mesmo programa no mesmo ano: nesse caso considerou-se que havia uma duplicação e manteve-se apenas um registro na base;

(b) Artigos registrados em um mesmo programa em anos diferentes: também foi considerada duplicação; manteve-se o registro no ano base correspondente ao da publicação e excluíram-se os demais;

(c) Artigos registrados no mesmo ano em diversos programas: os registros forma mantidos em todos os programas onde estavam registrados;

(d) Artigos registrados em diversos programas em anos diferentes: os registros foram mantidos em todos os programas, mas o ano base foi corrigido considerando-se o da publicação.

Feitas as correções necessárias, passou-se a contar com um total de 11.671 artigos publicados, no período 1998-2007, por pelo menos um programa da área de Saúde Coletiva. Em resumo, para a análise dos dados, foram excluídos 23,3% dos registros correspondentes a resumos e outras publicações (21%), duplicações (1,9%) e referências que não foram encontradas (0,4%) (Tabela 1). Ainda assim, permanecem duplicados na base os artigos registrados com grafias diferentes, que só poderiam ser identificados por um processo de leitura caso a caso.

 

 

Uma vez identificadas as duplicações, como já mencionado, foram construídos dois bancos de dados: com e sem duplicações. O banco sem duplicações foi usado para analisar a evolução da produção ao longo do período 1998-2007 e suas características em termos de número de autores, idioma de redação e principais periódicos de divulgação.

Para análise dos temas abordados, fez-se uma classificação dos principais periódicos, tendo em vista as restrições já apontadas. A análise do número de artigos por docente e por programa levou em conta as duplicações, já que parte dos artigos foi elaborada por docentes de mais de um programa. Nesse caso, foi excluído o ano de 2007, uma vez que não existia informação sobre docentes. A base de artigos indexados em mais de um programa também foi utilizada para verificar as cooperações intra e interregionais entre docentes. Todas as análises foram feitas considerando os três triênios avaliados pela CAPES, ou seja, 1998-2000, 2001-2003 e 2004-2006.

 

Resultados

Evolução do número de artigos no período 1998–2007

A composição percentual das publicações científicas na área de Saúde Coletiva indica que, ao longo dos nove anos de observação, quase 60% das publicações ocorrerem sob forma de artigo em periódico (Gráfico 1). Entretanto, no último triênio, houve uma ligeira diminuição da proporção dos artigos em periódicos em relação ao aumento da participação em apresentações em congressos e livros e capítulos de livros.

 

 

Quanto ao número de artigos, ressalta-se em primeiro lugar um enorme crescimento (cerca de vinte vezes) ao longo da década, passando de cerca de menos de 591 em 1998 para 11.671 artigos em 2007. No Gráfico 2, é possível verificar que, depois de um período de crescimento no começo da série histórica (1998-2000), segue-se certa estagnação (em torno de mil artigos por ano) até 2002. A partir de 2003, a tendência é de crescimento a taxas cada vez maiores até 2007. No último biênio (2006/2007), verifica-se que essa taxa crescimento chegou a 32% .

 

 

Evolução do número de artigos por programa e por docente

Para analisar a produção de artigos em periódicos por programa, segundo o número de docentes de cada programa, partiu-se do conjunto de artigos que foram indexados em um ou mais programas no período 1998-2006. Considerando que esses podem ter sido escritos por autores pertencentes a programas diferentes, foi necessário trabalhar com duplicações de artigos (n=10.344), contabilizados nos respectivos programas. Os dados foram obtidos separadamente para cada triênio, de tal forma que fosse possível fazer uma apreciação da evolução do indicador ao longo do período 1998-2006. Cabe esclarecer que o indicador foi construído usando como denominador o número total de docentes e não apenas os docentes permanentes, já que para o primeiro triênio não seria possível fazer a distinção. Pelo mesmo motivo, o número de artigos não foi corrigido pelos Qualis das revistas. Os valores devem ser vistos apenas como indicativos da maior ou menor produção entre cursos e ao longo do período analisado (Tabela 2).

 

 

É importante verificar que os programas se diferenciam enormemente quanto ao volume da produção científica e quanto aos indicadores de produtividade científica. Pela evolução do indicador artigo/docente/triênio, nota-se que a produtividade média foi de 1,4 artigos/docente para o conjunto dos programas no primeiro triênio, passando para 1,8 no segundo triênio, mantendo-se nessa magnitude no terceiro triênio. Entretanto, outras medidas de tendência central (medianas) mostram que houve uma melhora gradual da produtividade por docente ao longo do período (Tabela 3).

 

 

Periódicos mais utilizados

Para verificar os periódicos mais utilizados pela área de Saúde Coletiva na difusão da produção científica, também foi necessário realizar inicialmente uma crítica na base de dados para padronizar os títulos dos periódicos. Assim, como já apontado em 1997, a exemplo do que ocorria com o sistema EXECAPES5, a entrada de dados no sistema COLETA também não utiliza críticas ou títulos padronizados, como acontece, por exemplo, na plataforma Lattes do CNPq. Por esse motivo, foi necessário analisar todos os títulos escritos nos mais diversos formatos e definir apenas um formato para cada título.

Considerando apenas os trabalhos completos, publicados nos dez anos compreendidos entre 1998 e 2006, verifica-se que, após a padronização, dos 3.502 títulos existentes no banco original da CAPES, cerca de 25% correspondiam aos mesmos títulos e estavam escritos de diversas maneiras. Deve-se mencionar também que, nessa análise, foram mantidos os títulos atuais dos periódicos para os quais foram contabilizados também títulos anteriores como o caso da Revista Panamericana de Saúde Pública, antigo Boletim da OPS, e a Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, antigo Informe Epidemiológico do SUS.

Ao longo do período analisado, verifica-se que o número de títulos usados para divulgação da produção aumentou em cerca de 20% por triênio, enquanto o número de artigos teve um crescimento de 28% do primeiro para o segundo triênio e de 46% do segundo para o terceiro.

A análise dos títulos dos periódicos indica que, para os três períodos compreendidos entre 1998 e 2006, o conjunto dos programas publicou em média quinze artigos por triênio em 24 periódicos (Tabela 4). As três revistas mais utilizadas foram: Cadernos de Saúde Pública (12,1%), Revista de Saúde Pública (6,3%) e Ciência & Saúde Coletiva (4,7%). A participação das três revistas ao longo do período foi de 23% para o primeiro triênio, 21% para o segundo e 25% para o terceiro. Entretanto, quando se observa o universo de revistas, registradas no COLETA (N = 2153), torna-se evidente que novos títulos vêm sendo incorporados a taxas próximas de 20% por triênio, ressaltando maior diversificação nos últimos anos da série. Quando se analisam as revistas que apresentaram no mínimo quinze publicações em pelo menos um triênio, verifica-se que apenas 42 títulos foram usados para divulgar cerca de 50% da produção no último triênio.

 

 

Temas pesquisados

Para analisar os temas pesquisados pela área ao longo da década, classificaram-se as revistas mais procuradas pelos autores (pelo menos quinze artigos em um dos três períodos) segundo campos temáticos. Como não existe uma classificação padronizada, fez-se aqui uma primeira categorização usando-se informações da própria revista (Tabela 5).

 

 

Partindo dessa classificação, verifica que houve uma diminuição relativa de artigos publicados em revistas de saúde pública e aumento da proporção de artigos publicados em revistas com temáticas mais específicas (Gráfico 3). Ao longo dos triênios, há indícios de aumento da participação da produção em revistas das áreas clínicas e das revistas cujo enfoque principal é a atenção à saúde e diminuição das revistas classificadas como de ciências sociais. Esse achado merece uma maior exploração que deve incluir uma revisão da classificação utilizada.

 

 

Qualis das revistas

Outro aspecto explorado nessa análise foi a participação relativa de revistas segundo os Qualis no período 2001-2006. Para tanto, foram analisados apenas os programas que estavam em atividade desde 2001. Verifica-se no Gráfico 4, comparando-se a evolução nos dois triênios, que houve um expressivo aumento da publicação de artigos em revistas IA e, em menor importância, das revistas IC, NA e NC. Nota-se também uma redução da importância das revistas NB e locais.

 

 

Evolução do número de artigos por idioma de publicação

No que se refere ao idioma dos artigos, observa-se um padrão constante ao longo dos três triênios analisados, sendo que cerca de 70% deles são publicados em português e quase 30%, em inglês (Tabela 6). Apenas 149 artigos foram escritos em espanhol. A participação de outros idiomas é 1% a 2 %. Não foram incluídos na análise os artigos publicados em 2007. A questão da internacionalização da produção científica é um ponto que merece consideração, dada a importância da cooperação internacional para pesquisa.

 

 

Além das principais revistas publicadas no país apresentarem resumos em inglês e, em alguns casos, os próprios artigos serem publicados em inglês, sendo consideradas de circulação internacional (Qualis IA), destaca-se que fazem parte da relação dos periódicos mais utilizados seis revistas estrangeiras: Revista Panamericana de Salud Publica, International Journal of Epidemiology, Lancet, Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, AIDS e Diabetes Care.

Autores por artigo

Analisando-se o número de autores por artigo, observa-se que, enquanto a maioria deles tem apenas um autor, existem dois que foram escritos por mais de 21 autores. Ao longo dos triê­nios, há uma forte tendência de aumento do número de autores por artigo, como se observa no Gráfico 5. Note-se que, no terceiro triênio, artigos com dois autores passaram a ser a maioria.

 

 

Distribuição regional e cooperação entre programas

Quando se analisa a cidade onde está situado o programa, verifica-se que, embora exista uma grande concentração de cursos no Rio de Janeiro e em São Paulo, no terceiro triênio aumenta a participação de programas localizados em cidades da Região Nordeste.

A cooperação entre programas foi analisada levando-se em conta os 1.066 artigos que tiveram a participação de autores de diferentes localidades (Gráfico 6). Do ponto de vista da região onde estão situados os cursos, a cooperação mais importante (72%) deu-se entre programas situados na Região Sudeste. Na Região Nordeste, também ocorreu a participação de mais de um programa na publicação de artigos.

 

 

Conclusões

Entre os aspectos aqui investigados, o primeiro ponto que chama a atenção é o expressivo crescimento da produção de artigos (completos) publicados em periódicos que respondem por cerca de 60% da produção científica da área, ao longo dos três triênios analisados. Entretanto, em termos relativos, a evolução do crescimento dos artigos deu-se principalmente no primeiro (19% ao ano) e no terceiro triênio (12% ao ano), sendo que de 2006 para 2007 o sistema registrou um aumento de mais de 30% na produção de artigos completos em periódicos . Esse acelerado crescimento da produção científica na área foi ressaltado por Barata6,8 e Barros7 e por vários outros autores em relação à produção nacional de todas as áreas. A produção científica brasileira, em termos relativos, é a que mais cresceu no mundo. Passou de 4.000 artigos indexados em bases internacionais em 1993 (0,7 da produção mundial) para 13.000 em 2004 (1,7%) e para 30.000 no ano de 2008, passando a representar 2,12% das publicações mundiais e a ocupar 13º lugar no ranking internacional9. Esse incremento ocorreu de forma associada e em sinergia com o aumento do número de cursos de pós-graduação e com o aumento exponencial do número de grupos de pesquisa10,12,13.

Quanto aos periódicos utilizados para veiculação da produção científica, os autores demonstram preferência por dezenove títulos, nos quais foram publicados pelos menos cinco artigos por ano no período analisado. As revistas mais usadas nos três triênios foram: Cadernos de Saúde Pública (12,1%), Revista de Saúde Pública (6,3%) e Ciência & Saúde Coletiva (4,8%). O número de títulos cresceu cerca de 20% entre os triênios e a tendência verificada é de diminuição em termos percentuais de artigos em revistas de saúde pública e aumento da participação em revistas com temáticas mais específicas. Nesse sentido, deve-se destacar o aumento de publicações em revistas de áreas clínicas e de atenção á saúde. Nota-se também uma queda na participação relativa de artigos publicados em revistas com enfoque das ciências sociais nesses triênios. O intenso crescimento de artigos submetidos às revistas brasileiras é uma preocupação dos editores das revistas brasileiras que, como Coimbra14, percebem os limites da capacidade de resposta de um sistema de avaliação fortemente apoiado na revisão de pares frente à demanda crescente.

Dados sobre produtividade de artigos publicados em periódicos indicam que, enquanto alguns programas têm tido um crescimento importante ao longo dos triênios, para o conjunto de programas, não se verifica variação entre o segundo e o terceiro triênios. Entretanto, a análise foi feita considerando todos os docentes e não apenas os docentes permanentes.

Ao longo do período analisado, houve um expressivo aumento da publicação de artigos em revistas Internacional A e, em menor proporção, em revistas Internacional C, Nacional A e Nacional C. Nota-se também uma redução da importância das revistas Nacional B e locais. Há que se considerar que as três revistas acima mencionadas como as mais usadas são consideradas IA e que apenas 30% dos artigos foram publicados em inglês, proporção que se manteve nesse patamar nos três triênios.

A exemplo do que se verifica em outras áreas, também na Saúde Coletiva, é forte a tendência ao aumento do número de autores por artigo, indicada pela queda na proporção de única autoria, que era de 64% no primeiro triênio e chegou a 22% no terceiro triênio, período no qual a proporção com a participação de dois autores passou a ser o modo predominante, com 24%.

Do ponto de vista da expansão dos centros de pós-graduação no país, ainda que Rio de Janeiro e São Paulo sejam as cidades onde se situam a maior parte dos programas e das publicações, já é importante a produção científica originária de cidades nordestinas, como Fortaleza e Recife. Na análise dos artigos segundo autoria compartilhada por programas, verifica-se que as maiores cooperações em termos regionais se dão no interior das regiões Sudeste (72%) e Nordeste (16%). A cooperação entre programas do sul e sudeste com programas do nordeste é bem menos significativa.

Finalmente, é necessário que se façam algumas considerações sobre o sistema COLETA. É nítido e certamente impressionante o esforço que foi feito no sentido de informatizar todo o sistema que, entretanto, continua apresentando problemas relacionados à falta de críticas na entrada dos dados. Além de detectadas 294 duplicações de registros, a ausência de críticas faz com que, por exemplo, títulos de artigos e de periódicos estejam grafados de diversas maneiras. Isso exige um árduo trabalho de padronização. Nem mesmo em campos mais simples, como o país onde foi obtida a maior titulação do autor, são usadas tabelas padronizadas. O sistema também permite que os registros permaneçam incompletos em campos muito importantes para análises das temáticas abordadas, como as palavras-chave definidas pelos autores. A cessão da base de dados para a Abrasco significa um avanço importante na política de acesso às informações da CAPES. Entretanto, a tabulação de dados, às vezes, fica prejudicada pela falta de documentação do sistema, que se resume ao manual do sistema COLETA, do qual constam apenas o dicionário de variáveis e o diagrama de relacionamentos.

 

Agradecimentos

A Margareth Prevot e Rodrigo da Silva Moreira pelo cuidadoso trabalho realizado na organização do banco de dados e na tabulação.

 

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Artigo apresentado em 07/12/2009
Aprovado em 12/01/2010
Versão final apresentada em 19/02/2010