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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15  suppl.1 Rio de Janeiro Jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000700041 

ARTIGO ARTICLE

 

Influência das dermatoses na qualidade de vida do portador de diabetes mellitus

 

The role of dermatosis on diabetes patient's quality of life

 

 

Adriana Novaes RodriguesI; Nazaré Pellizzetti SzymaniakII; Jozias de Andrade SobrinhoIII

ISociedade Frutalense de Ensino Superior. Av Brasília 235, Vila Esperança. 38200-000 Frutal MG. anovaes@ultrasomfrutal.com.br
IICentro de Graduação em Enfermagem, Universidade Federal do Triângulo Mineiro
IIIDepartamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia, Hospital Heliópolis

 

 


RESUMO

O diabetes mellitus (DM) predispõe às dermatoses associadas à própria afecção, infecções cutâneas, reações medicamentosas ou ao pé diabético. Este estudo, analítico, transversal e quantitativo, parte da hipótese de que as dermatoses influenciam a qualidade de vida dos portadores de DM e foi desenvolvido no Programa de Saúde da Família (PSF) Odilom Lacerda, em Planura (MG). A amostra tem 47 (100%) pacientes portadores de DM e cadastrados no programa HIPERDIA. A coleta de dados foi feita durante a consulta pelo dermatologista, que aplicou a anamnese direcionada para dermatopatias e qualidade de vida e um formulário para a avaliação subjetiva da influência das dermatoses na qualidade de vida. A análise dos dados foi numérica e percentual, quanto às manifestações provocadas pela dermatose no comprometimento da qualidade de vida, segundo o próprio paciente. Para a mensuração dos resultados, foram estabelecidos os critérios de frequência: alta (80 a 100%), média (50 a 79%), baixa (1 a 49%) e nula às situações inexistentes. Todos os pacientes (47-100%) apresentaram dermatoses e demonstraram que influenciam a sua qualidade de vida, com média frequência no que se refere ao ressecamento e sensação dolorosa na pele (24-51%) e baixa frequência, especialmente a dificuldade na higienização pessoal (19-40,3%) e a interferência no relacionamento interpessoal com parentes ou amigos (18-38,2%).

Palavras-chave: Dermatose, Diabetes mellitus, Qualidade de vida


ABSTRACT

It is known that diabetes mellitus (DM) motives the dermatosis cutaneous because of the proper affection, infections, medicine reactions or the diabetic foot. In this manner, the objective of this study is to work on the hypothesis and identify the influence of the dermatosis in the quality of life of the carrier of DM. It is an analytical, transversal and quantitative study, developed in the Family Health Program (PSF) at Odilom Lacerda, Planura, Minas Gerais State. The sample is composed by 47 (100%) patient carriers of DM, registered in the program called HIPERDIA. Data collection was done by a dermatologist, who applied anamnesis and a chart about the influence of the dermatosis in the quality of life during a medical consultation. The analysis of the data was numerical and percentile following the criteria: high frequency (80 to 100%), average frequency (50 to 79%), low frequency (1 to 49%) and null (for non-existent situations). All the patients of the study (47-100%) presented dermatosis and demonstrated its influence in quality of life, with average frequency for skin dryness and painful sensation in (24-51%); low frequency, especially the difficulty in the personal hygiene (19-40.3%) and the interference in the interpersonal relationship with relatives or friends (18-38.2%).

Key words: Dermatosis, Diabetes mellitus, Quality of life


 

 

Introdução

O diabete mellitus (DM) é um distúrbio metabólico crônico dos carboidratos, caracterizado por hiperglicemia e glicosúria, resultante da produção ou utilização inadequada da insulina. As pessoas que preenchem estas condições não formam um grupo homogêneo. O DM é classificado segundo duas síndromes: o tipo 1 resulta primariamente da destruição das células beta pancreáticas, com tendência à cetoacidose e o tipo 2 resulta de graus variáveis de resistência à insulina e da deficiência relativa de secreção de insulina. O DM tipo 2 ocorre com frequência maior do que o tipo 11.

O DM predispõe a diversas afecções e, notadamente, às doenças cutâneas de natureza variada, porém de etiologia infecciosa em sua maioria. Os portadores de DM são reconhecidos como vulneráveis a uma série de complicações2. Apesar da atenção à diabetes, a relação com a qualidade de vida apresenta-se escassa na literatura.

As implicações acarretadas pelo DM envolvem alterações vasculares e neurológicas, as quais muitas vezes contribuem para agravar as condições clínicas vigentes3. As complicações do DM são de natureza metabólica e/ou de origem infecciosa, como os processos bacterianos, fúngicos e virais4,5.

A percepção da qualidade de vida envolve os sentimentos e o comportamento diário do indivíduo. Para Schiper6, a qualidade de vida é multifatorial, englobando as áreas física e ocupacional, psicológica, de interação social e da sensação somática. A qualidade de vida relacionada à saúde pode ser mensurada pela avaliação subjetiva do indivíduo no que diz respeito à capacidade de viver plenamente7. A atribuição de valor à qualidade de vida é supostamente proporcional à expectativa de vida8.

Na consulta ambulatorial, evidenciam-se dermatoses nos portadores de DM que provavelmente afetam a qualidade de vida desses indivíduos em âmbito geral. Nesta pesquisa, parte-se da hipótese de que as dermatoses influenciam a qualidade de vida dos portadores de DM. Portanto, pretende-se obter esta resposta na expressão do próprio paciente, portador de DM, corroborando para a intervenção da equipe interdisciplinar no intuito de melhorar a qualidade de vida destes indivíduos.

 

Objetivo

O objetivo deste estudo é identificar a influência das dermatoses na qualidade de vida do portador de diabetes mellitus.

 

Método

Tipo de estudo

Realizou-se um estudo analítico, exploratório, transversal e quantitativo.

Campo de estudo

O estudo foi desenvolvido no Programa de Saúde da Família (PSF) Odilom Lacerda, no período de julho a agosto de 2005, em Planura, no Triângulo Mineiro, região do Baixo Vale, com aproximadamente 9.000 habitantes9. O município conta com duas unidades do PSF, cada um oferecendo cobertura para cerca de 1.200 famílias. O PSF atende a vários grupos de pacientes, incluindo puericultura, gestantes, idosos, hipertensos e diabéticos. O grupo de diabetes se reúne semanalmente, realizando-se palestras de orientação, exame clínico e dosagem de glicemia capilar de cada participante diabético.

População do estudo

A amostra deste estudo compõe-se de 47 (100%) pacientes portadores de DM, atendidos no PSF Odilom Lacerda e todos cadastrados no programa nacional de atenção aos pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, denominado programa HIPERDIA, desenvolvido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e implantado no país desde 200210. O número total de diabéticos atendidos é de 49 pacientes, sendo que dois pacientes não quiseram participar. Dos 47 pacientes em estudo, doze são insulinodependentes e 35 usam hipoglicemiantes orais.

Aspectos éticos

Após a aprovação deste estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), obtiveram-se o termo de esclarecimento e termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) para a coleta de dados.

Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada durante a consulta médica, pelo pesquisador, que é dermatologista, em sala arejada, de iluminação natural, durante o período da manhã. Foram aplicados a anamnese direcionada para dermatopatias e qualidade de vida e o formulário para a avaliação subjetiva da influência das dermatoses na qualidade de vida, adaptado do The Health Organization Quality of Life (THOQOL) e do Dermatology Life Quality Index (DLQI)11, validados no Brasil12,13.

O DLQI é um simples e compacto teste de dermatologia, específico e aplicável a pacientes com qualquer doença de pele. Mede quanto afetou um problema de pele a vida do paciente durante os sete dias prévios: consiste em dez artigos, seis dimensões e um score de resumo global, e gamas entre 0 (melhor score) e 30 (pior score). As seis dimensões são: (1) sintomas e sentimentos; (2) atividades diárias; (3) lazer; (4) trabalho e escola; (5) relações pessoais e (6) tratamento. O DLQI está sendo usado em estudos de pacientes com diversas doenças cutâneas14. Este questionário mostrou confiança satisfatória e validez e foi testado para propriedades em vários países, inclusive Brasil12.

A cor da pele foi definida como brancos, morenos e negros pelo pesquisador. A queixa principal, em relação à pele, foi questionada diretamente ao paciente. A população foi agrupada por faixa etária. Quando observado o estado civil, foram considerados casados os pacientes que apresentaram companheiro(a) (Tabela 1).

 

 

As informações sobre a terapêutica dos pacientes foram obtidas através dos prontuários. O exame dermatológico foi realizado com dermatoscópio Episcolp 4500, que é um aparelho de precisão, fabricado por Heine, de origem alemã; trata-se de um equipamento de manipulação manual, com régua milimétrica em seu interior, o que permite a medição das lesões. Não há nenhum tipo de desconforto para o paciente. Não houve necessidade de biópsia cutânea para elucidação de quaisquer lesões cutâneas encontradas.

O processo de coleta de dados foi acompanhado pela enfermeira do PSF, que realizava as anotações necessárias para a realização desta pesquisa.

Classificação das alterações cutâneas

Minelli et al.15 subdividem as alterações cutâneas do DM em quatro grupos:

. Grupo I - lesões fortemente associadas ao DM: necrobiose lipoídica, granuloma anular, doença de Kyrle, escleredema de Buschke, Bullosis Diabeticorum, xantomas, xantomas eruptivos, lipodistrofia congênita generalizada (síndrome de Lawrence-Berardinelli) e pseudoacantose nigricante;

. Grupo II - infecções cutâneas;

. Grupo III - reações medicamentosas: secundárias ao uso da insulina (edema insulínico, lipoatrofia insulínica ou hipodistrofia lipoatrófica, lipodistrofia hipertrófica ou hipertrofia insulínica, alergia à insulina) ou secundárias ao uso dos hipoglicemiantes orais (reações dermatológicas, efeito antabuse) e, finalmente;

. Grupo IV - pé diabético: úlcera neurotrófica plantar, úlcera microangiopática, infecções superficiais e profundas e lesões isquêmicas por arteriopatia troncular.

Análise de dados

A influência das dermatoses na qualidade de vida de portadores de DM foi analisada numérica e percentualmente quanto à frequência da sua manifestação na vida pessoal, segundo o próprio paciente, em relação a ressecamento ou dor na pele, constrangimento por causa da pele, interferência nas atividades diárias e na maneira de vestir-se, influência no lazer, dificuldade de praticar atividades físicas, interferência no seu trabalho ou atividades escolares, influência no relacionamento interpessoal, problemas relativos à sexualidade devido à pele ou dificuldade na higienização pessoal devido à pele. Para a mensuração da influência das dermatoses na qualidade de vida, foram estabelecidos os seguintes critérios: alta frequência (80 a 100%), média frequência (50 a 79%), baixa frequência (1 a 49%) e nula às situações inexistentes; critérios prefixados pela validação do Dermatology Life Quality Index (DLQI).

 

Resultados e discussão

Perfil dos pacientes

A população do estudo foi composta por 47 (100%) portadores de DM e cadastrados no Programa de Saúde da Família (PSF) Odilom Lacerda, em Planura, no Triângulo Mineiro. Constatou-se que a maioria é portadora de DM tipo 2 (35-74,5%), do sexo feminino (27-57,4%), idoso (21-44,7%), branco (34-72,4%), casado (22-47,0%), escolaridade 1º grau (24-51,2%), aposentado (17-36,5%), com renda familiar até dois salários mínimos (23-49%), demonstrado nas Tabelas 1 e 2.

 

 

Queixa principal

Na anamnese, a queixa principal dos portadores de DM quanto às lesões cutâneas foi referente às máculas (20-42,5%), prurido (12-25,5%), ressecamento (7-14,8%), além de sentimentos de rejeição relativos à estética, de acordo com a Tabela 3.

 

 

Hipoglicemiantes

Neste estudo, dezoito (38,2%) pacientes tomavam Diabinese, dez (21,2%), Daonil, seis, (12,7%) Glicoformim e doze (25,5%) eram portadores de DM tipo 1 e dependentes de insulina (DMDI).

Os medicamentos antidiabéticos orais estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para fornecimento aos portadores de DM e cadastrados no programa HIPERDIA incluem Glibenclamida 5mg e Metformina 850 mg (ambos via oral), além de insulina humana NPH (injetável), conforme as ações programáticas estratégicas do Ministério da Saúde16.

Avaliação dermatológica

Todos os pacientes deste estudo apresentaram dermatoses (47-100%). Do ponto de vista dermatológico, constataram-se 146 ocorrências de dermatoses, em média de 3,1 lesões cutâneas por pacientes. De acordo com a Tabela 4, as dermatoses mais frequentes foram a xerose cutânea (29-61,8%), seguida de dermatofitose, ceratoses actínicas (27-57%) e elastose cutânea (13-27,7%), entre outras (23-49,0%). Algumas dermatopatias diabéticas típicas como a necrobiose lipoídica diabeticorum e o mal perfurante plantar não foram constatadas neste estudo.

Cabe ressaltar que o simples exame físico entre os dedos dos pés contribui para a detecção da xerose cutânea, da dermatofitose e da ceratose actínica, dermatoses de elevada ocorrência entre os portadores do DM, verificadas em 27 (57,4%) dos casos deste estudo.

As dermatofitoses (27-57%) estão relacionadas às infecções cutâneas, Grupo II na classificação de Minelli15, conforme acima descrito. Não foram constatados pacientes com lesões fortemente relacionadas a diabetes, reações medicamentosas ou pé diabético. As lesões cutâneas detectadas neste estudo relacionam-se a alterações provocadas pelo sol e elastose, infecções bacterianas e micóticas.

Dermatoses e qualidade de vida

Os critérios para a mensuração da influência das dermatoses na qualidade de vida de portadores de DM foram de acordo com a frequência das situações referidas pelo paciente e obedeceram aos critérios estabelecidos: alta frequência (80 a 100%), média frequência (50 a 79%), baixa frequência (1 a 49%) e nulas às situações inexistentes.

Este estudo demonstrou não haver situação comum que influencie a qualidade de vida dos portadores de DM, ou seja, com frequência superior a 80%. Ao contrário, houve variação na frequência das situações vivenciadas pelo portador de DM em relação às afecções cutâneas (Tabela 5). Alguns pacientes (10-21,3%) referiram que as lesões cutâneas incomodam frequentemente o relacionamento interpessoal, enquanto que para outros (6-12,7%) pouco afeta.

A influência das lesões de pele na qualidade de vida de portadores de DM manifesta-se como:

(24-51%) ressecamento e sensação dolorosa na pele;

(19-40,3%) dificuldade na higienização pessoal;

(18-38,2%) interferência no relacionamento interpessoal com parentes ou amigos;

(14-29,7%) interferência nas atividades diárias, como fazer compras, cuidar da casa ou jardim;

(13-27,5%) constrangimento devido às lesões na pele;

(10-21,1%) comprometimento das atividades físicas;

(9-19%) influência no lazer;

(6-12,7%) interferência no trabalho ou nas atividades escolares, além de problemas relativos à sexualidade devido às lesões de pele e;

(5-10,5%) influência na maneira de vestir-se.

Desse modo, constatou-se que a maior influência das dermatoses na qualidade de vida dos portadores de DM refere-se ao ressecamento e sensação dolorosa na pele (24-51%), seguido de dificuldade na higienização pessoal (19-40,3%) e interferência no relacionamento interpessoal com parentes ou amigos (18-38,2%).

Os dados demonstrados nas Tabelas 5 e 6 confirmam a hipótese de que as dermatoses influenciam a qualidade de vida dos portadores de DM.

 

Conclusões

O estudo mostrou que as dermatoses influenciam a qualidade de vida dos portadores de DM, com média frequência no que se refere ao ressecamento e sensação dolorosa na pele (24-51%) e baixa frequência, especialmente a dificuldade na higienização pessoal (19-40,3%).

Interferem também no relacionamento interpessoal com parentes ou amigos (18-8,2%).

 

Considerações finais

O impacto de uma doença de pele na qualidade de vida é normalmente mais significante para o paciente, mesmo quando associada a outras patologias17. A melhoria da qualidade de vida está sendo considerada como uma meta de tratamento, pois a maioria das patologias crônicas afetam aspectos importantes da vida de quem as apresenta, sendo que o aspecto emocional é o principal. Pacientes com diabetes percebem diferenças significativas nos efeitos de qualidade de vida, quando relacionadas às complicações e tratamentos18.

O ressecamento cutâneo é apontado por Kede19 como uma patologia frequentemente associada a diabetes, o que torna extremamente importante seu tratamento. Em nosso estudo, observamos que 51% dos pacientes examinados apresentaram comprometimento da qualidade de vida quando relacionada ao ressecamento e sensação dolorosa.

Em relação à higiene pessoal, Mendes20 relacionou a melhora do quadro de DM e a importância do cuidado com a saúde e integridade dos pés, quando associada às condições gerais de vida e saúde. Além disso, a intervenção dos grupos de saúde coletiva aumentou a consciência dos pacientes sobre o cuidado com os pés, mostrando os efeitos educacionais nas complicações da DM21. Estas afirmações corroboram com os nossos achados.

Segundo Jóia, Ruiz e Donalisio22, um dos parâmetros importantes para a avaliação da qualidade de vida seria a satisfação, salientando ainda que a satisfação com a vida incluiria aspectos de interação familiar e social, desempenho físico e exercício profissional.

Francioni e Silva23 demonstraram que a família assume papel fundamental para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes diabéticos, devido aos limites impostos pela patologia em questão, o que concorda com nosso estudo, no qual 38,2% dos pacientes apresentaram alterações nas suas relações interpessoais.

Hernández et al.24 relataram a necessidade de uma integração entre a equipe de PSF e o paciente diabético para melhor êxito no tratamento, permitindo uma continuidade do controle metabólico e físico, favorecendo a melhoria da qualidade de vida destes pacientes.

Assim, estudos que se propõem uma aproximação dos profissionais da saúde com o mundo de quem vive a doença poderão contribuir para o desenvolvimento de uma comunicação mais efetiva a partir da compreensão do que envolve o viver com DM25.

Sugere-se, então, que nas consultas ambulatoriais, hospitalização e visita domiciliar haja seguimento interdisciplinar ao portador de DM quanto à influência das dermatoses na qualidade de vida em relação ao ressecamento e dor na pele, dificuldade de higienização, questões relativas ao relacionamento interpessoal, dificuldades nas atividades do dia a dia, enfrentamento do sentimento de constrangimento, superação dos limites na realização de atividades físicas, concretização de lazer, superação das influências negativas no trabalho ou escolares, apoio no âmbito da sexualidade e superação de dificuldades no ato de vestir-se.

 

Colaboradores

AN Rodrigues trabalhou na pesquisa e coleta de dados e redação; NP Szymaniak trabalhou na concepção e na redação e JA Sobrinho trabalhou na redação final do texto.

 

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Artigo apresentado em 21/06/2007
Aprovado em 14/12/2007