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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15  suppl.1 Rio de Janeiro Jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000700070 

ARTIGO ARTICLE

 

Condições de trabalho e transtornos mentais comuns em trabalhadores da rede básica de saúde de Botucatu (SP)

 

Working conditions and common mental disorder among primary health care workers from Botucatu, São Paulo State

 

 

Ludmila Candida de BragaI; Lidia Raquel de CarvalhoII; Maria Cecília Pereira BinderIII

IUniversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Av. Bento Lopes s/nº, Distrito de Rubião Jr. 18618-970 Botucatu SP. sts@btu.unesp.br
IIDepartamento de Bioestatística, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
IIIDepartamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

 

 


RESUMO

Os transtornos mentais comuns (TMC) apresentam elevada prevalência em populações gerais e de trabalhadores, com consequências individuais e sociais importantes. Este estudo, transversal e descritivo, explora a relação entre demandas psicológicas, grau de controle e presença de suporte social no trabalho e prevalência de TMC em trabalhadores da rede básica de saúde de Botucatu (SP). A coleta de dados foi feita por meio de questionário autoaplicável, não identificado, com destaque para itens relativos à demanda-controle-suporte e presença de TMC (Self Reporting Questionnaire, SRQ-20). As informações foram inseridas em banco de dados construído com Excel/Office XP 2003 e a análise estatística, efetuada com o programa SAS. Constatou-se que 42,6% dos trabalhadores apresentavam TMC. A observação de associação - alta prevalência de TMC com elevado desgaste (classificação de Karasek) e baixa prevalência de TMC com baixo desgaste - indica que, no município estudado, as condições de trabalho na atenção básica constituem fator contributivo não negligenciável ao adoecimento dos trabalhadores. Revela-se a necessidade de intervenções direcionadas ao cuidado aos trabalhadores, melhoria das condições de trabalho e aumento do suporte social no trabalho.

Palavras-chave: Atenção primária à saúde, Modelo demanda-controle, Saúde do trabalhador, Saúde mental, Transtornos mentais


ABSTRACT

Common mental disorders (CMD) present high prevalence among general populations and workers with important individual and social consequences. This cross-sectional and descriptive study explores the relationship between psychological job demands, job control degree and job support and prevalence of CMD among primary health care workers of Botucatu - SP. The data collection was carried out using an unidentified self-administered questionnaire, with emphasis on items relating to demand-control-support situation and occurrence of CMD (Self Reporting Questionnaire, SRQ-20). The data were stored using the software Excel / Office XP 2003, and the statistical analyses were performed in SAS system. It was evidenced that 42.6% of primary health care workers presented CMD. The observed association - high prevalence of CMD with high-strain job (Karasek model) and low prevalence of CMD with low-strain job - indicates that, in the studied city, primary health care work conditions are contributive factors to workers' illness. The survey reveals the need of interventions aiming at caring the workers and also gets better work conditions and increase social support at work.

Key words: Primary health care, Demand-control model, Occupational health, Mental health, Mental disorders


 

 

Introdução

Em princípio, o trabalho deveria ser fonte de prazer, já que, através dele, o homem se constitui sujeito e reconhece sua importância para a sobrevivência de outros seres humanos. A Carta de Ottawa1, elaborada em 1986, na cidade canadense de mesmo nome, durante a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, reconhece o trabalho como fonte de saúde para o homem.

Para Leplat2, no desenvolvimento do trabalho, além de modificar a natureza, o homem modifica-se a si próprio, na medida em que o trabalho propicia ou cerceia o desenvolvimento de suas potencialidades latentes. O autor enfatiza a importância da natureza do trabalho e das condições em que é exercido no desenvolvimento das capacidades dos trabalhadores.

Entretanto, ao longo da história, o trabalho, para a maioria da humanidade, tem representado dor, adoecimento e morte, fruto das diferentes formas de exploração a que os homens têm sido submetidos ao longo dos séculos e que, nos primórdios do século XXI, têm se intensificado.

Praticamente em todos os países do mundo, vêm ocorrendo profundas transformações no mundo do trabalho que, por um lado, guardam estreitas relações com a crise do capitalismo iniciada nos anos setenta e, por outro, com as notáveis inovações tecnológicas, particularmente nos campos da informática, da automação e das comunicações, a ponto de ser denominada terceira revolução industrial3.

A mais recente crise do capitalismo torna-se evidente quando os países capitalistas centrais começam a ser atingidos por prolongada queda nas taxas de acumulação, o que leva o capital a buscar alternativas para retornar aos níveis precedentes, processo que, segundo Antunes3, vem sendo conhecido como acumulação flexível. Para este autor, isso tem significado aumento das taxas de exploração da classe-que-vive-do-trabalho, com sérias consequências para a qualidade de vida e para a saúde e segurança dos trabalhadores. Kurz4 enfatiza os efeitos dessa realidade: intensificação do trabalho, aumento da jornada, desregulamentação de direitos trabalhistas e precarização do trabalho.

Com alguns anos de defasagem, essas mudanças no mundo do trabalho começaram a chegar ao Brasil, com efeitos mais dramáticos, uma vez que o "estado de bem-estar social", conquistado nos países desenvolvidos, no caso brasileiro estava longe de ser alcançado. E, além disso, o país estava mergulhado, há décadas, em crise econômica.

Segundo Pochmann5, no contexto da concorrência internacional não regulamentada, a concentração da inovação tecnológica nas grandes corporações agravou a exclusão de muitos países do espaço econômico. O corolário disto tem sido o aumento do desemprego e o predomínio da criação de empregos precários, com baixos salários, acarretando retrocesso produtivo e social para o país.

Nas últimas décadas, tem-se observado aumento do número de trabalhadores sem proteção social: empregos precários, organização de falsas cooperativas, admissão em falsos estágios, exercício de atividades como falsos autônomos ou em situação de falsas terceirizações5.

As influências do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores são conhecidas desde a antiguidade e, ao longo dos últimos três séculos, cresceu progressivamente a compreensão das relações entre trabalho e processo saúde-doença. Avanços em vários campos do conhecimento têm contribuído para isto, particularmente os da epidemiologia, da psicologia social, da ergonomia, dentre outros6.

A precarização do trabalho tem sido responsável pela piora das condições de saúde e pela mudança do perfil epidemiológico de adoecimento dos trabalhadores, com destaque para o aumento das doenças relacionadas ao trabalho ou atípicas e, entre elas, dos transtornos mentais6.

Transtornos mentais comuns (TMC) é uma expressão criada por Goldberg e Huxley7 para designar sintomas tais como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de concentração e queixas somáticas, que demonstram ruptura do funcionamento normal do indivíduo, mas não configuram categoria nosológica da 10ª Classificação Internacional de Doenças (CID-10), bem como dos Manuais de Diagnóstico e Estatística (DSM) da Associação Psiquiátrica Americana8. Entretanto, os transtornos mentais comuns constituem problema de saúde pública e apresentam impactos econômicos relevantes em função das demandas geradas aos serviços de saúde e do absenteísmo no trabalho8.

No Brasil, vários autores têm revelado alta prevalência desses transtornos nas populações estudadas9-13, cujas consequências, individuais e sociais, reforçam a necessidade de identificação precoce, para orientar intervenções individuais e coletivas14,15.

Em vários estudos, numerosos fatores têm sido associados à prevalência de transtornos mentais comuns, dentre os quais atributos do indivíduo10,11,16,17, aspectos sociais e familiares9,13,17-20 e aspectos do trabalho. Dentre os últimos, cabe citar a baixa renda11,16, a exclusão do mercado formal de trabalho10,16,18 e o desemprego18 e, em destaque, as altas demandas psicológicas no trabalho e o baixo controle sobre o trabalho12.

Segundo Karasek21, as demandas são as pressões psicológicas a que os trabalhadores são submetidos no trabalho e podem originar-se da quantidade de trabalho a executar na unidade de tempo e/ou do descompasso entre as capacidades do trabalhador e o trabalho a executar. Quanto ao controle, trata-se do grau de autonomia ou possibilidade que ele tem de "governar" o seu trabalho, a partir de suas habilidades e conhecimentos. Esse autor desenvolveu modelo de análise do trabalho denominado demanda-controle, cuja representação se dá em uma figura quadrangular, na qual cada quadrante representa associações entre os níveis das demandas e os graus de controle, ou seja:

. demandas psicológicas elevadas e baixo controle do trabalho ou job strain, configurando condição de trabalho geradora de desgaste psicológico elevado;

. demandas psicológicas elevadas e alto grau de controle sobre o trabalho ou trabalho ativo, situação considerada como potencialmente desafiadora e capaz de propiciar o desenvolvimento das potencialidades dos trabalhadores;

. baixas demandas psicológicas e baixo controle ou trabalho passivo, configurando situações desestimulantes, geradoras de tédio e de desinteresse;

. baixas demandas psicológicas e alto grau de controle ou baixo desgaste, situação em que haveria pouco desgaste para o trabalhador, uma vez que ele tem as melhores condições para planejar e para executar seu trabalho.

A esse modelo bidimensional, Johnson22 acrescentou o suporte social, considerado uma terceira dimensão.

 

A saúde mental dos profissionais de saúde: o caso da atenção básica

Segundo o Ministério da Saúde23, a atenção básica constitui um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior frequência e relevância em seu território. É o contato preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e continuidade, da integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social.

Cunha24 ressalta a complexidade da atenção básica, que implica exigências diversificadas aos trabalhadores, que não se esgotam na realização do diagnóstico e na orientação do tratamento. Ao contrário, a atenção básica busca superar a visão reducionista de necessidades de saúde como equivalentes a processos fisiopatológicos, transformando-se em espaço privilegiado para a prática da integralidade do cuidado e para a valorização da subjetividade25.

Além das exigências inerentes à atenção integral à saúde e à humanização das práticas, os trabalhadores da saúde ficam expostos a situações geradas pela pobreza e pelas desigualdades sociais, assim como pelas deficiências dos demais níveis do sistema de saúde. E mais, necessitam desenvolver múltiplas habilidades e incorporar tecnologias bastante complexas para superar os desafios que se colocam no cotidiano do trabalho.

A esses aspectos somam-se as mudanças atuais no mundo do trabalho, que não pouparam o setor saúde da precarização, gerando medo, isolamento e submissão dos trabalhadores. A falta de reconhecimento profissional, aliada à discussão tardia sobre planos de cargos e salários para os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) e ao arrocho salarial no âmbito do sistema de saúde, dentre outros, são reveladores dessa precarização.

Em relação aos usuários do SUS, verifica-se o aumento da demanda por serviços públicos de saúde, de tal sorte que cerca de 75% da população brasileira tornou-se quase inteiramente dependente desse sistema26. Para Luz27, o aumento da busca por cuidados em saúde constitui uma espécie de compensação pelo esvaziamento de valores culturais da sociedade, dilacerados pelo capitalismo.

A associação de transtornos psíquicos às profissões de saúde tem sido estabelecida por uma série de estudos que, até o momento, têm privilegiado as categorias dos médicos e dos enfermeiros, sobretudo em atividades hospitalares, particularmente de urgência/emergência e centros de terapia intensiva12,28-30.

Alguns estudos têm revelado frequência elevada de transtornos mentais comuns entre os profissionais investigados12,30, associada a situações de risco, conforme modelo demanda-controle, especialmente as com altas demandas.

Abordando a relação trabalho-saúde entre enfermeiros do Programa de Saúde da Família em parte da grande São Paulo, Santos31 identifica, no cotidiano do trabalho desses profissionais, situações de alta exigência emocional, acarretando desgaste físico e mental.

Este estudo, cuja motivação inicial relacionou-se estreitamente com a vivência profissional de duas das autoras, teve como objetivo explorar as relações entre demandas psicológicas, grau de controle e presença de suporte social no trabalho e prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) em trabalhadores da rede básica de saúde de Botucatu (SP).

 

Metodologia

Trata-se de estudo populacional de corte transversal, realizado de abril a outubro de 2006, em município de médio porte do Estado de São Paulo.

Fundada em 23 de dezembro de 1843, Botucatu - Ibytu-katu, que em tupi significa "bons ares" - é uma cidade paulista de 121.274 habitantes32, localizada a 224,8 km da capital. O perfil de atividade econômica do município caracteriza-se por participação nos setores de prestação de serviços e industrial33.

A rede básica de saúde do município compõe-se de dezessete unidades de saúde (oito unidades de saúde da família, oito centros de saúde - dois dos quais gerenciados pela Faculdade de Medicina de Botucatu, Unesp - e um Centro de Referência em Saúde do Trabalhador).

Até 1986, a cidade contava com duas unidades básicas de saúde, então denominadas centros de saúde. Neste ano, portanto antes da implantação do SUS, teve início a expansão desses serviços, com a criação de unidades municipais. Em 2004, foram implantados o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador e o Programa de Saúde da Família, este último priorizando áreas periféricas e com população em piores condições de vida e de saúde.

 

Casuística

No período estudado, a rede básica de saúde possuía efetivo de 399 trabalhadores, dos quais 378 aderiram ao estudo. Dezenove trabalhadores afastados por motivo de doença foram incluídos no estudo, com intuito de reduzir o efeito do trabalhador sadio34.

Participaram do estudo todas as categorias profissionais que compõem o efetivo da rede básica: trabalhadores administrativos, agentes comunitários, auxiliares/técnicos de enfermagem, auxiliares de consultório dentário, auxiliares de serviços gerais, enfermeiros, médicos, outros profissionais de nível superior e outros profissio-nais de nível médio.

 

Coleta de informações

Foi realizada por meio de questionário autoaplicável, não identificado, distribuído e recolhido por profissional habilitada para fornecer as explicações necessárias aos trabalhadores.

O questionário compôs-se de quatro seções:

Seção A: informações sociodemográficas dos trabalhadores (idade, sexo, situação conjugal, naturalidade, escolaridade e existência de dependentes);

Seção B: informações sobre o trabalho (vínculo empregatício, ocupação, atividade exercida, características da jornada de trabalho, etc.);

Seção C: questões para avaliar a satisfação no trabalho (objeto de outro estudo);

Seção D: questões destinadas à exploração da situação de trabalho relativas às demandas psicológicas, ao grau de controle sobre o próprio trabalho e à existência de apoio social no trabalho. Questões destinadas à investigação de TMC, por meio do Self Reporting Questionnaire ou SRQ-20.

Para avaliação dos aspectos demanda/controle/suporte, utilizou-se a versão resumida do questionário de Karasek, conhecido como Job Stress Scale, traduzido e validado por Alves et al.35 para utilização no Brasil. Trata-se de dezessete questões, das quais cinco referem-se às demandas do trabalho, seis, ao grau de controle exercido pelo trabalhador sobre sua atividade, e seis, aos mecanismos de suporte no trabalho existentes.

O aspecto demanda tinha como mínimo e máximo possíveis, respectivamente, 5 e 20 pontos, o controle, 6 e 24 pontos e o suporte (apoio social), 6 e 24 pontos. Foram criadas duas categorias para cada aspecto, "alto" e "baixo", utilizando-se como ponto de corte 12,5 para demanda e 15 para controle e para suporte.

A identificação de transtornos mentais comuns foi efetuada por meio do Self Reporting Questionnaire - SRQ-20, desenvolvido por Harding et al.36, sob coordenação da Organização Mundial de Saúde e validado para utilização no Brasil por Mari e Willians37, tendo sido observadas sensibilidade de 83% e especificidade de 80%. Estudos internacionais encontraram sensibilidade e especificidade variando de 62,9% a 99% e 44% a 95%, respectivamente38. Estudo realizado em Pernambuco determinou sensibilidade de 62,0% e especificidade de 80,0%16.

A versão mais utilizada em estudos de base populacional é composta por vinte questões: quatro sobre sintomas físicos e dezesseis sobre sintomas psicoemocionais (SRQ-20)9,13,16. As respostas são do tipo "sim" ou "não", atribuindo-se, respectivamente, valores de 1 e 0. Os pontos de corte sugeridos por Mari e Willians são 5/6 para homens e 7/8 para mulheres, pois, no estudo desses autores, o valor preditivo positivo foi menor entre os homens (66%) do que entre as mulheres (83%).

Neste estudo, foram adotados os pontos de corte sugeridos por Mari e Willians37.

 

Procedimentos prévios

O passo inicial constituiu-se na apresentação do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp, onde foi analisado e aprovado (processo nº 559/2004). Em seguida, obteve-se, junto à Secretaria Municipal de Saúde, a relação de trabalhadores da rede básica segundo a função exercida e a unidade em que trabalhava, informações que foram confrontadas com as existentes nos serviços.

A primeira autora, então, visitou todas as unidades de saúde para explicar aos trabalhadores os objetivos do estudo e como este seria conduzido, ocasião em que os que concordaram em participar preencheram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Visando verificar o tempo aproximado de preenchimento e a clareza do instrumento de coleta de informações, foi realizado piloto em unidade básica de saúde de um município vizinho.

 

Aplicação dos questionários

Os trabalhadores que aderiram ao estudo e que estavam em atividade preencheram o questionário no próprio local de trabalho e os afastados, nas respectivas residências ou em outro local indicado por eles.

Os questionários foram distribuídos e coletados no mesmo dia por uma mesma profissional (entrevistadora), com experiência nesse tipo de atividade. Sempre que um trabalhador, por razões relacionadas à dinâmica do serviço, não podia interromper suas atividades para preencher o questionário, a entrevistadora, de comum acordo com o trabalhador e a chefia do serviço, voltava em outra ocasião, a fim de evitar transtorno ao serviço, bem como restringir perda de sujeitos que haviam aderido à pesquisa.

Antes da entrega dos questionários, a entrevis-tadora explicava novamente os objetivos do estudo, dava as instruções gerais sobre o preenchimento, aguardando sua devolução. No caso dos trabalhadores afastados, a entrevistadora, após contato telefônico e autorização do trabalhador, dirigia-se a sua residência ou outro local indicado por ele para a aplicação do questionário.

Os questionários eram identificados apenas quanto à unidade de saúde. Durante a coleta de informações, entrevistadora e a autora principal reuniram-se semanalmente para entrega e revisão dos questionários.

 

Construção do banco de dados

Foram construídos dois bancos de dados para confrontar as informações e identificar possíveis erros de digitação. Foram utilizados os programas Excel, do Office XP 2003, e Epi Info 6.0.

 

Análise dos dados

Para detectar a existência de associações entre as variáveis estudadas, utilizou-se o teste do qui-quadrado, tendo-se estabelecido 5% como nível de significância.

Nos cruzamentos em que foram detectadas associações entre as variáveis estudadas, aplicou-se o teste de Goodman, utilizando-se letras minúsculas e letras maiúsculas, respectivamente, ao lado e abaixo das porcentagens. Estas, quando acompanhadas por letras iguais, indicam que as porcentagens não diferem significativamente entre si. As letras minúsculas comparam os valores nas linhas e as maiúsculas, nas colunas das tabelas. Na análise estatística, foi utilizado o pacote estatístico SAS.

 

Resultados

No período do estudo, as dezessete unidades de saúde possuíam 399 trabalhadores, dos quais dezenove estavam em licença por motivo de saúde. Do total, 378 (94,7%) aderiram ao estudo e responderam os questionários. Destes, 366 trabalhadores estavam em atividade e doze, afastados por motivo de saúde.

Em relação aos principais atributos pessoais, sabe-se que 85% dos indivíduos possuíam idades de 20 a 59 anos; 80% eram mulheres; 58% viviam em união estável; 54% possuíam nível médio de escolaridade e 44%, nível superior; 59% eram naturais de Botucatu ou de cidades vizinhas e 65% possuíam algum dependente.

Situação de trabalho avaliada pelo questionário demanda/controle/suporte

Dos 378 indivíduos que compuseram a casuística, vinte não preencheram todos os itens do questionário demanda-controle-suporte e foram excluídos da análise quanto à situação de trabalho avaliada por estas questões.

Os resultados obtidos para os 358 trabalhadores que responderam todas as questões encontram-se na Figura 1. Esta figura revela predomínio de situação de trabalho ativo com 53,1% dos trabalhadores. Os números representados na figura possibilitam calcular o número de trabalhadores submetidos à situação de demandas psicológicas elevadas - 263 indivíduos ou 73,5%.

 

 

Ocorrência de transtornos mentais comuns

Dos 378 trabalhadores que aderiram ao estudo, 161 (42,6%) apresentaram TMC. Não foram observadas associações entre ocorrência destes transtornos e fatores sociodemográficos como gênero, idade, escolaridade, situação conjugal, naturalidade e existência de dependentes diretos do trabalhador.

A distribuição dos trabalhadores segundo ocorrência de TMC e categoria profissional encontra-se na Tabela 1, não tendo sido observadas diferenças estatisticamente significantes entre as várias categorias profissionais. Entretanto, considerando-se apenas os dois grandes grupos - trabalhadores em atividades que exigem nível médio de escolaridade e trabalhadores em atividades que exigem escolaridade superior -, constatou-se que, respectivamente, 46,5% e 34,1% dos profissionais apresentaram TMC. O teste do qui-quadrado revelou associação de ocorrência de TMC entre os dois grupos e ocorrência de TMC. O teste de Goodman mostrou que a diferença observada era estatisticamente significante.

Não foi observada associação estatisticamente significativa quanto à ocorrência de TMC entre as dezessete unidades de saúde. Entretanto, foi possível identificar três grupos distintos de unidades quanto à ocorrência desses transtornos (Tabela 2). O teste de Goodman revelou que a diferença observada na proporção de casos de TMC nas unidades básicas de saúde do grupo 1 e do grupo 3 foi estatisticamente significante. Já entre o grupo 1 e o grupo 2, assim como entre este e o grupo 3, as diferenças não foram estatisticamente significantes.

A distribuição dos portadores de TMC segundo as quatro situações possíveis do modelo de Karasek (demanda-controle) encontra-se na Figura 1 e, mais detalhadamente, na Tabela 3, na qual a aplicação do teste do qui-quadrado revelou associação estatisticamente significante (p<0,0001) entre algumas situações de trabalho e presença de TMC. O teste de Goodman indicou que a ocorrência de TMC foi significativamente mais elevada na situação de elevado desgaste (64,4%) em comparação com as demais e significativamente menor (13,9%) na situação de baixo desgaste.

A influência do suporte social no trabalho como fator de proteção em relação à ocorrência de TMC nas diferentes situações de trabalho do ponto de vista das demandas psicológicas e do grau de controle do trabalhador sobre seu trabalho pode ser analisada na Tabela 4. A aplicação do teste do qui-quadrado mostrou existência de associação (p < 0,0001) e os resultados do teste de Goodman revelaram que algumas diferenças foram estatisticamente significantes e outras não (Tabela 4).

Nas situações de trabalho passivo e elevado desgaste, o suporte social no trabalho não influenciou de maneira estatisticamente significante a ocorrência de TMC. Na situação de elevado desgaste, verificou-se que, na existência de suporte social elevado no trabalho, a proporção de casos de TMC (29/49 ou 59,2%) foi inferior à observada quando o suporte era baixo (18/24 ou 75%).

 

Discussão

A adesão ao estudo foi considera boa, apesar da perda de alguns questionários pelo preenchimento incompleto, particularmente das questões que avaliam a situação de trabalho segundo o modelo de Karasek.

A constatação de que a maioria dos profissionais estava exposta a situações de altas demandas psicológicas no trabalho está de acordo com alguns estudos realizados entre profissionais de saúde30. Isso configura realidade preocupante, já que a alta demanda psicológica no trabalho predispõe ao adoecimento e, em alguns estudos, é descrita como a variável do modelo demanda-controle que melhor discrimina a ocorrência de TMC12,30.

Algumas condições de trabalho, como extensão da jornada de trabalho, tempo de locomoção trabalho-casa-trabalho, fruição regular de férias, flexibilidade do horário de trabalho, realização de cursos de capacitação, possibilidade de informar à chefia sobre o andamento do trabalho e tratamento dado pela chefia às informações sobre o trabalho, investigadas nesta mesma população, foram consideradas adequadas, porém os trabalhadores revelaram-se insatisfeitos com a remuneração, o reconhecimento profissional e a impossibilidade de ascensão na carreira39.

A verificação de que os grupos submetidos a altas demandas psicológicas apresentam os maiores índices de baixo suporte no trabalho mostra combinação ruim, dada a presença de fator de risco para o adoecimento com ausência de fator protetor. Mesmo assim, neste estudo, nas situações de trabalho passivo e elevado desgaste, o suporte não interferiu na ocorrência de TMC.

A ocorrência de TMC na população de trabalhadores da rede básica de Botucatu (42%) foi aproximadamente duas vezes maior que a observada no estudo populacional - 21,7% (IC 95% = 19,2% - 24,3%) - efetuado por Lima9 e maior também que as prevalências encontradas em outras populações10,17. Trata-se de resultado alarmante devido à magnitude do problema e ao impacto negativo dos transtornos mentais para os indivíduos e para a sociedade15.

A verificação de que a ocorrência de TMC não esteve associada aos fatores sociodemográficos abordados indica a necessidade de ampliar a investigação da associação a outros aspectos relativos tanto às condições de vida quanto de trabalho da população em questão.

Esperava-se encontrar diferenças estatisticamente significantes na ocorrência de TMC nas diferentes categorias profissionais, sinalizando possíveis peculiaridades dos processos de trabalho como fatores estressores, fato não observado. Mesmo assim, o estudo mostrou maior frequência de TMC no grupo de profissões com exigência de nível médio de escolaridade do que no grupo com exigência de nível superior, sem, contudo, fornecer elementos concretos que explicassem essa diferença. Cabe assinalar que, para todas as categorias, os valores encontrados para TMC foram superiores aos observados por Lima9 na população geral de Botucatu: 21,7% (IC 95% 19,2% - 24,3%).

A porcentagem de médicos (33,3%) com TMC ficou abaixo da encontrada para o conjunto de trabalhadores (42,6%). Apesar das diferenças não terem sido estatisticamente significantes, a posição de destaque na equipe de saúde e a possibilidade de ter outros vínculos de trabalho e maior remuneração poderiam explicar ocorrência de menor número de casos de TMC entre os médicos.

Antes de afastar a existência de associação entre categoria profissional e desenvolvimento de TMC em trabalhadores da rede básica de saúde, é necessário dar continuidade aos estudos das condições de vida e trabalho dessa população. Isto porque as categorias em que as porcentagens de portadores de TMC foram mais elevadas são as situadas em escalões hierárquicos inferiores, recebendo salários mais baixos e, em geral, submetidas a maiores exigências quanto ao cumprimento de horários.

A formação de três grupos de unidades com taxas de TMC semelhantes aponta a necessidade de se investir na identificação de características das unidades (condições de vida dos trabalhadores, população de abrangência, processo de trabalho, composição da equipe, características gerenciais, entre outros) que possam explicar essa semelhança e orientar possíveis intervenções visando à redução das taxas de adoecimento. Nesta exploração inicial, não foram esclarecidas essas semelhanças.

A demonstração de que a ocorrência de TMC associou-se positivamente à situação de elevado desgaste e, negativamente, à situação de baixo desgaste está de acordo com a literatura, ou seja, a situação de elevado desgaste apresenta maior risco à saúde e a de baixo desgaste, menor risco12,21,30,40. Neste estudo, a segunda maior prevalência de TMC foi observada nos trabalhadores classificados no grupo trabalho ativo, o que também vai ao encontro dos resultados de outros estudos12,30,40.

Mesmo sem haver significância estatística, o achado de que em situação de elevado suporte social no trabalho, a proporção de casos de TMC é inferior à observada quando o suporte é baixo está de acordo com os achados de Reis et al.40 e Nascimento Sobrinho et al.30. Nas situações de trabalho ativo e de baixo desgaste, o suporte social no trabalho influenciou de maneira estatisticamente significante a ocorrência de TMC, concordando com os resultados obtidos por outros pesquisadores30,40.

É preciso assinalar que houve dispersão dos trabalhadores classificados nos grupos trabalho passivo e elevado desgaste, respectivamente, com dezesseis e 73 indivíduos, o que pode explicar a não observação de diferenças estatisticamente significativas entre os subgrupos com e sem suporte social no trabalho, ou seja, que o suporte social no trabalho não teria constituído, nesta casuística, fator de proteção para TMC.

De acordo com o modelo de Karasek, a maioria dos profissionais enquadrou-se em situações de trabalho caracterizadas por demandas psicológicas elevadas. A prevalência de TMC entre os trabalhadores da rede básica foi aproximadamente duas vezes superior à observada para a população geral de Botucatu. Observou-se associação entre situações de trabalho caracterizadas por demandas psicológicas elevadas e ocorrência de TMC. Para a maioria dos trabalhadores portadores de TMC, os sintomas assinalados no SRQ-20 possuíam relação com o trabalho.

 

Conclusões

Este estudo demonstra que os profissionais da rede básica de saúde de Botucatu estão submetidos a demandas psicológicas elevadas no trabalho. Além disso, evidenciam-se fatores de estresse no trabalho que implicam prevalência elevada de TMC entre esses trabalhadores. Tais resultados indicam necessidade de intervenção, visando melhorar as condições gerais de trabalho e fornecer suporte social ao coletivo de trabalhadores.

É preciso atentar para o paradoxo representado por situações de trabalho que contribuem para o adoecimento de trabalhadores cujas atividades visam à promoção e à recuperação da saúde de outrem.

 

Colaboradores

LC Braga, LR Carvalho, MCP Binder participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

 

Referências

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Artigo apresentado em 26/11/2007
Aprovado em 22/07/2008
Versão final apresentada em 06/08/2008