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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15  suppl.2 Rio de Janeiro Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000800011 

ARTIGOS ARTICLES

 

Bullying nas escolas brasileiras: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2009

 

Bullying in Brazilian schools: results from the National School-based Health Survey (PeNSE), 2009

 

 

Deborah Carvalho MaltaI; Marta Angélica Iossi SilvaII; Flavia Carvalho Malta de MelloII; Rosane Aparecida MonteiroIII; Luciana Monteiro Vasconcelos SardinhaI; Claudio CrespoIV; Mércia Gomes Oliveira de CarvalhoI; Marta Maria Alves da SilvaI; Denise Lopes PortoV

ICoordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde. SAF Sul, trecho 02, lotes 05 e 06, bloco F, torre I, Edifício Premium, térreo, sala 14. 70070-600 Brasília DF. deborah.malta@saude.gov.br
IIEscola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
IIIFaculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo
IVInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
VDepartamento de Análise de Situação de Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo é identificar e descrever a ocorrência do bullying, episódios de humilhação ou provocação perpetrados pelos colegas da escola, entre estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Trata-se de estudo transversal feito com 60.973 escolares de 1.453 escolas públicas e privadas. A análise dos dados aponta que 5,4% (IC95%: 5,1%-5,7%) dos estudantes relataram ter sofrido bullying quase sempre ou sempre nos últimos 30 dias; 25,4% (IC95%: 24,8%-26,0%) foram raramente ou às vezes vítimas de bullying e 69,2% (IC95%: 68,5%-69,8%) não sentiram nenhuma humilhação ou provocação (bullying). A capital com maior frequência de foi Belo Horizonte-MG (6,9%; IC95%: 5,9%-7,9) e a menor foi Palmas-TO (3,5%; IC95%: 2,6%-4,5%). Meninos relatam mais bullying (6,0%; IC95%: 5,5%-6,5%) do que meninas (4,8%; IC95%: 4,4%-5,3%). Não houve diferença entre escolas públicas (5,5%; IC95%: 5,1%-5,8%) e privadas (5,2%; IC95%: 4,6%-5,8%), exceto em Aracaju-SE, onde foi registrada maior ocorrência de bullying em escolas privadas. Os dados mostram urgente necessidade de ações intersetoriais a partir de políticas e práticas educativas que efetivem redução e prevenção da ocorrência do bullying nas escolas.

Palavras-chave: Bullying, Violência, Adolescente, Instituições acadêmicas, Epidemiologia descritiva.


ABSTRACT

The aim of this study is to identify and describe the occurrence of bullying among students in the 9th year (8th grade) from public and private schools from 26 Brazilian state capitals and the Federal District. It is a cross-sectional study involving 60,973 students and 1,453 public and private schools. Data analysis indicates that 5.4% (IC95%: 5.1%-5.7%) of students reported having suffered bullying almost always or always in the last 30 days, 25.4% (IC95%: 24.8%-26.0%) were rarely or sometimes the victim of bullying and 69.2% (IC95%: 68.5%-69.8%) of students felt no humiliation or provocation at school. The capital with higher frequency of bullying was Belo Horizonte (6.9%; IC95%: 5,9%-7,9%), Minas Gerais, and the lowest was Palmas (3.5%; IC95%: 2.6%-4.5%), Tocantins. Boys reported more bullying (6,0%; IC95%: 5.5%-6.5%) compared with girls (4,8%; IC95%: 4.4%-5.3%). There was no difference between public schools 5.5% (IC95%: 5.1%-5.8%) and private (5.2%) (IC95%: 4.6%-5.8%), except in Aracaju, Sergipe, that show more bullying in private schools. The findings indicate an urgent need for intersectoral action from educational policies and practices that enforce the reduction and prevention of the occurrence of bullying in schools in Brazil.

Key words: Bullying, Violence, Adolescent, School, Epidemiology descriptive.


 

 

Introdução

As diferentes manifestações de violência urbana têm importância crescente na sociedade brasileira. Por se caracterizarem como um fato social que abrange a sociedade como um todo, acabam por atingir também o espaço escolar e se expressando no seu cotidiano por meio de preconceitos, intolerâncias e outras expressões. A violência atinge os territórios do entorno da escola e, por extensão, também se estende para dentro da escola em proporções crescentes1.

Na realidade brasileira, as relações estabelecidas na comunidade escolar no desenvolvimento das atividades pedagógicas estão permeadas, de modo contundente ou sutil, por variadas formas de violência, reproduzindo a vida social extramuro escolar. A violência escolar tem suscitado investigações não apenas em razão da contradição que ela representa em relação à missão educativa da escola, mas também pelas consequências a longo prazo que dela podem decorrer1.

Explicar as causas da violência na escola relacionando-a apenas à desigualdade social e à frustração de expectativas de ascensão e consumo é insuficiente, considerando que a violência também tem crescido em instituições privadas de ensino1.

No contexto escolar, considera-se que existe tanto a violência na escola como a da escola. A primeira se refere às violências produzidas fora da escola e que atravessam seus muros. A segunda se refere às práticas efetivadas pelos próprios atores escolares, engendrada nas especificidades das relações escolares2 como agressões morais, psicológicas e físicas; discriminações racial, de gênero, política e de opção sexual; incentivo e reforço a estereótipos; institucionalização de avaliações predominantemente ou apenas quantitativas e com estímulo à mera competição; depredações do prédio e dos equipamentos escolares2,3.

O bullying (do inglês bully = valentão, brigão; termo sem tradução adequada em português) compreende comportamentos com diversos níveis de violência que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos francamente agressivos, em forma verbal ou não, intencionais e repetidos, sem motivação aparente, provocados por um ou mais estudantes em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação e discriminação, por exemplo4. Trata-se de situações em que se constatam relações de poder assimétricas entre agente(s) e vítima(s), esta(s) apresentando dificuldade de se defender(em). Na literatura especializada, adota-se também o termo de vitimização. Este tipo de atitude deve ser identificado como violência pela comunidade escolar e ser trabalhado para a construção de um ambiente saudável5.

No Brasil, diversas palavras e expressões tem sentido equivalentes ao bullying, como zoar, intimidar, humilhar, ameaçar, excluir, difamar e tantas outras6. Tal comportamento se manifesta também por atos repetidos de opressão, discriminação, intimidação, xingamentos, chacotas, tirania, agressão a pessoas ou grupos. Nesse sentido, dada a sua relevância social, o número de pesquisas sobre o tema vem crescendo em todo o mundo nos últimos vinte anos7,8.

Compreender as formas como a violência se apresenta no âmbito escolar é um grande desafio a ser enfrentado pelos gestores, pais e educadores. Essas informações podem ajudar no enfrentamento desse grave problema e na busca de um agir educativo9. Portanto, torna-se importante realizar pesquisas e monitoramentos que permitam definir sua incidência, as situações violentas mais frequentemente vividas pelos estudantes, suas prováveis causas e as intervenções realizadas, desde o nível macro, das políticas públicas, até o âmbito escolar1.

No Brasil, os estudos são recentes, motivo pelo qual a maioria dos brasileiros desconhece o tema, sua gravidade e abrangência10,11.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou inquéritos transversais com a população escolar, como o Health Behaviour in School-aged Children (HBSC)12, em mais de quarenta países, pesquisando situações sobre a saúde dos adolescentes e incluindo temas como a violência. Entre adolescentes de 13 anos, 14% referiram já ter sofrido bullying nos últimos dois meses.

A necessidade de se conhecer e estudar esse fenômeno dentro da escola se reforça na medida em que a contínua exposição ao bullying, nos seus mais variados tipos, pode acarretar às vítimas problemas comportamentais e emocionais, destacando-se o estresse, a diminuição ou perda da autoestima, a ansiedade e depressão, o baixo rendimento escolar e até mesmo, em casos mais severos, o suicídio13-15.

Nesse sentido, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 200916, vem contribuir para aclarar esse cenário na medida em que tomou situações de violência vividas e percebidas por estudantes adolescentes como tema de investigação. Seus resultados podem contribuir para melhor compreensão desse fenômeno e apoiar as tomadas de decisão visando a sua prevenção.

O objetivo do presente estudo é identificar e descrever a ocorrência do bullying entre estudantes do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal.

 

Métodos

Trata-se de um estudo transversal descritivo, com dados derivados de um inquérito epidemiológico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde. A PeNSE envolveu escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das capitais dos estados brasileiros e do Distrito Federal, entre março e junho de 2009.

A escolha do 9º ano do ensino fundamental teve como justificativa o mínimo de escolarização necessária para responder a questionário autoaplicável e também a proximidade da idade de referência preconizada pela OMS12, que é de 13 a 15 anos.

A amostra por conglomerados em dois estágios utilizou os dados do cadastro do Censo Escolar de 200716. No primeiro estágio, foi feita a seleção das escolas e, no segundo, a seleção das turmas, entrevistando todos os estudantes dentre as selecionadas16. A amostra foi calculada para fornecer estimativas de proporções (ou prevalências) de algumas características de interesse, em cada um dos estratos geográficos (as 26 capitais dos estados e o Distrito Federal), com um erro máximo de 3% e nível de confiança de 95%16.

A coleta dos dados foi feita com todos os estudantes das turmas selecionadas por meio de um questionário autoaplicável que versava sobre módulos temáticos acerca de diversos fatores de risco e proteção como: alimentação saudável, atividade física, uso de tabaco, álcool e outras drogas, acidentes de trânsito, violência, dentre outros. Para isto utilizou-se um computador de uso manual (Personal Digital Assistant – PDA).

O instrumento foi criado a partir de inquéritos internacionais da OMS12, e foram realizados pré-testes em oito escolas (públicas e privadas) para adaptação à realidade nacional16. Os resultados dos pré-testes mostraram boa aceitação, compreensão das perguntas, habilidade no uso do equipamento e aceitação do escolar sobre a pesquisa e a utilização do PDA16.

Neste artigo foram analisadas situações de bullying envolvendo adolescentes a partir da seguinte pergunta do questionário: "Nos últimos trinta dias, com que frequência algum dos seus colegas de escola te esculacharam, zoaram, mangaram, intimidaram ou caçoaram tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido?"

A variável "ter sofrido bullying em nenhum momento, raramente ou às vezes; quase sempre ou sempre" foi descrita segundo idade, sexo, cor/raça, escolaridade materna, com quem reside, local (capitais) e dependência administrativa da escola (pública ou privada). São apresentadas as prevalências (proporções) e seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%).

A variável bullying foi apresentada segundo três opções de resposta no questionário: não sofrer nenhum episódio de bullying (ou não sofrer bullying); sofrer bullying raramente ou às vezes (ou raramente); sofrer bullying quase sempre ou sempre (ou sempre). Observa-se que todos são referentes aos últimos trinta dias e que a última opção é a que melhor caracteriza ter-se sofrido episódios de bullying .

As variáveis idade, sexo, escolaridade materna, com quem reside e raça/cor foram informadas pelos estudantes. Adotou-se a mesma classificação de cor/raça utilizada nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas quais o informante escolhe uma entre cinco opções: branca, preta, parda, amarela ou indígena16. Segundo os critérios do IBGE, o quesito é denominado de "cor ou raça" e não apenas de "cor" ou apenas de "raça", porque as categorias que englobam podem ser entendidas pelo entrevistado de forma bastante diversa, tornando a questão complexa. Ou seja, envolve elementos de atribuição de "identidade" e de "percepção".

Para análise dos dados, foi utilizado o Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS)17.

O estudo foi aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisas do Ministério da Saúde, sob a emenda nº 005/2009 referente ao Registro nº 11.537 do Conep/MS, em 10/06/2009. A sua realização foi precedida do contato com as Secretarias Estadual e Municipal de Educação e com a direção das escolas selecionadas em cada município.

 

Resultados

Foram incluídos na amostra estudantes de 1.453 escolas (2.175 turmas de 9º ano do ensino fundamental), nas quais havia 72.872 estudantes matriculados e 68.735 estudantes frequentavam a escola. Destes, 63.411 (92,3%) estavam presentes no dia da coleta de dados, totalizando 7,7% de perdas nesse estágio. Foram ainda excluídos da amostra outros 501 estudantes por recusa e 1.937 estudantes por não preencherem a variável sexo. Finalmente, foram analisados dados referentes a 60.973 (88,7%) escolares, correspondendo a uma taxa de não resposta geral de 11,3%.

Na amostra de escolares estudada, 89% tinham idade entre 13 e 15 anos, 47,5% eram do sexo masculino e 52,5% do sexo feminino, sendo 20,8% estudantes de escolas privadas e 79,2% de escolas públicas (dados não apresentados)16.

A Tabela 1 descreve a amostra de estudantes conforme as variáveis independentes sexo, idade, faixa etária, cor/raça e escolaridade materna.

 

 

Quando se analisa a idade, não sofrer bullying é mais frequente entre adolescentes mais velhos: 15 anos (73,8%; IC95%: 72,4%-75,2%); 16 anos ou mais (74,8%; IC95%: 72,9%-76,5%), comparados com estudantes de 13 anos (65,3%; IC95%: 63,8%- 66,7%). Nas demais opções, raramente e sempre sofrer bullying, não há diferença estatisticamente significativa em relação à idade (Tabela 1).

Em relação à variável sexo, não sofrer bullying é mais frequente entre as meninas (70,9%; IC95%: 70,0%-71,7%) que entre os meninos (67,4%; IC95%: 66,4%-68,3%). Sempre sofrer bullying é mais frequente entre os meninos (6,0%; IC95%: 5,5%-6,5%) do que entre meninas (4,8%; IC95%: 4,4%-5,3%).

Para a variável cor/raça, não sofrer bullying é mais frequente na cor/raça parda (70,8%; IC95%: 69,8%-71,8%) e preta (70,9%; IC95%: 69,1%- 72,6%) que entre brancos (67,8%; IC95%: 66,7%- 68,9%), amarelos (64,6%; IC95%: 61,1%-68,1%) e indígenas (66,5%; IC95%: 63,4%-69,4%). Não há diferença significativa quanto à cor/raça em relação ao relato de sempre sofrer bullying (Tabela 1).

Para a variável escolaridade da mãe, não sofrer bullying é mais frequente entre adolescentes com mães com nenhuma escolaridade ou ensino fundamental incompleto (71,7%; IC95%: 70,5%- 73,0%), seguindo-se os filhos com mães com ensino fundamental completo ou médio incompleto (68,9%; IC95%: 67,1%-70,6%), ensino médio completo e superior incompleto (67,8%; IC95%: 66,5%-69,1%); e por último, superior completo (65%; IC95%: 63,4%-66,6%). Para a ocorrência sempre sofrer bullying na escola, não houve diferença estatisticamente significativa (Tabela 1).

Os resultados nas capitais brasileiras revelaram que 69,2% dos estudantes não sofreram bullying (IC95%: 68,5%-69,8%); 25,4% raramente sofreram (IC95%; 24,8%-26,0%) e 5,4% sofreram sempre bullying (IC 95%: 5,1%-5,7%) (Tabela 2).

 

 

Houve variação regional. Não sofrer bullying na escola foi mais frequente em Palmas-TO (73,8%; IC95%: 71,4%-76,2%), Belém-PA (73,3%; IC95%: 71,1%-75,4%) e Natal-RN (73,3%; IC95%: 71,5%-75,2%). Sofrer raramente foi mais frequente em Curitiba-PR (29,5%; IC95%: 27,5%-31,4%). A capital com maior frequência de bullying foi Belo Horizonte-MG (6,9%; IC95%: 5,9%-7,9%) e a menor foi Palmas-TO (3,5%; IC95%: 2,6%-4,5%).

Frequências maiores que a média das capitais de sempre sofrer bullying foram encontradas no sexo masculino no Distrito Federal (9,2%; IC95%: 7,5%-11%) e no sexo feminino em Belo Horizonte (6,6%; IC95%: 5,4%-7,9%). Menores frequências foram observadas entre meninas nas cidades de Palmas (2,4%; IC95%: 1,3%-3,4%), Cuiabá-MT (2,7%; IC95%: 1,6%-3,7%), Natal e Porto Velho-RO (ambas com 3,1%; IC95%: 2,0%-4,1%) (Gráfico 1).

 

 

O Gráfico 2 mostra a frequência de sempre sofrer-se bullying nas escolas públicas e privadas das capitais. Não houve diferença entre as escolas públicas (5,5%; IC95%: 5,1%-5,8%) e privadas (5,2%; IC95%: 4,6%-5,8%), exceto em Aracaju, onde foi registrada maior ocorrência de bullying nas escolas privadas (6,9%; IC95%: 5,0%-8,8%) do que nas públicas (3,5%; IC95%: 2,5%-4,5%). Frequências maiores do que a média das capitais de "sempre sofrer bullying" foram encontradas em escolas públicas em Belo Horizonte (7,1%; IC95%: 6,0%-8,2%); e freqüências menores foram encontradas em Natal (3,1%; IC95%: 2,2%-4,1%), Aracaju (3,5%; IC95%: 2,5%-4,5%), Palmas (3,5%; IC95%: 2,5%-4,6%), Belém (3,8%; IC95%: 2,8%-4,7%) e Salvador-BA (4,1%; IC95%: 3,1%-5,1%). Nas escolas privadas, não foram identificadas variações em relação à média das capitais.

 

 

Discussão

Este é o primeiro estudo sobre bullying com dados de todas as capitais do país. O relato de ter sofrido bullying quase sempre ou sempre nos dois últimos meses foi feito por 5,4% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental que participaram do PeNSE. A maior frequência foi registrada nos meninos em comparação com as meninas; não houve diferença entre as escolas públicas e privadas, nem em relação à cor/raça, ou escolaridade materna. A cidade com maior frequência foi Belo Horizonte e a menor foi Palmas.

Os estudos sobre violência no âmbito escolar são recentes, e os primeiros datam da década de 1980. Entretanto, a preocupação sobre o tema tem aumentado nos últimos anos, despertando a atenção dos educadores, da sociedade e das famílias. A violência presente nas escolas refere-se a um fenômeno complexo e tem afetado a vida cotidiana, como uma ameaça diária à integridade física, psíquica e da dignidade humana. Além disso, as diferentes manifestações das violências no âmbito escolar vêm comprometendo ainda mais a qualidade da educação no contexto da escola pública brasileira18.

Segundo dados do Inquérito Viva – Vigilância de Violências e Acidentes – realizado pelo Ministério da Saúde nos anos de 2006 e 2007, a violência entre jovens é a maior causa de morbimortalidade nesta faixa, e os locais mais frequentes de ocorrência apontados no ano de 2007 foram a via pública, a residência e a escola19.

Sposito20, em revisão da pesquisa brasileira sobre o tema da violência escolar, identificou dificuldades na aferição da magnitude do fenômeno, em razão de poucas iniciativas na coleta de informações, faltando consistência no monitoramento e registro das ocorrências. Diversos estudos têm identificado um crescimento na violência escolar nas últimas décadas, destacando-se ocorrências como depredação de patrimônio, furtos, roubos, agressões físicas e verbais entre estudantes, assim como agressões destes últimos contra professores1,2,20,21.

A partir da década de 1990, tem sido descrito o aumento da violência interpessoal entre estudantes, expressa, principalmente, em agressões verbais e ameaças, persistindo a depredação de patrimônio como uma transgressão frequente1.

A violência nas escolas é um fenômeno complexo e múltiplo que necessita melhor compreensão de suas origens. O entorno e o ambiente nas proximidades da escola sendo violentos aumentam os riscos de violência na escola.

A escola é um espaço que reflete as violências presentes na sociedade em geral e na comunidade onde se situa, mas a escola também favorece o aparecimento de violências2. No espaço escolar podem ocorrer diversas manifestações, como a violência física; a simbólica ou institucional e as microviolências, caracterizadas por atos de incivilidade, humilhações, falta de respeito. Estes fenômenos combinam-se e se reforçam mutuamente22.

Em relação à pesquisa HBSC, a OMS identificou em média 14% bullying em adolescentes de 13 anos, embora existam grandes variações entre países, sendo a maior frequência na Lituânia (29%) e a menor na Suécia (4,5%)12.

Fischer et al.23 realizaram estudo no Brasil com amostra de 5.168 estudantes de 5ª a 8ª séries de escolas públicas e privadas nas cinco regiões do país, revelando que 12,5% dos estudantes haviam sido vítimas bullying definido como ações de maus-tratos entre colegas ocorridas com frequência superior a três vezes naquele ano. Portanto, os dados nem sempre são comparáveis à pesquisa atual, seja pelas diferenças metodológicas, seja pelas perguntas diferentes nos questionários, tempo de recordação, amostras distintas, faixas etárias, dentre outros aspectos. No caso da pesquisa de Fischer et al.23, trabalhou-se com relatos de três episódios ou mais no último ano; a pesquisa da OMS12 utiliza os últimos dois meses e quantifica o numero de eventos, contando a partir de dois ou mais eventos nos últimos dois meses. Para o questionário da PeNSE16, utilizou-se o último mês, visando reduzir o viés de recordatório e as opções de resposta como nenhuma vez, raramente e quase sempre ou sempre. Entretanto, mesmo com estas diferenças conclui-se que as ocorrências ocasionais (raramente os às vezes) são relativamente frequentes (24,5%), e a humilhação que ocorre quase sempre ou sempre, e descreve como evento constante, é relatada em menor proporção (5,4%). Esses achados são compatíveis com os achados nacionais e internacionais.

A maior frequência de relato de bullying (quase sempre ou sempre) foi registrada entre estudantes do sexo masculino. Este mesmo resultado é descrito por outros estudos12,24-27 e compatível com os resultados da PeNSE16. Essa associação provavelmente se deve às diferenças que caracterizam o sexo masculino e o feminino, sobretudo refletindo as questões de gênero que permeiam os papéis sexuais esperados e legitimados pelo processo de socialização. Fundamenta-se em um modelo social machista, que é reproduzido no contexto escolar, no qual em sua maioria o sexo masculino está significativamente associado à vivência e expressão da agressividade28. Outro ponto a ser considerado é o fato de que a identificação do bullying entre as meninas pode estar relacionada ao uso de formas mais sutis de humilhação, agressividade, ou intimidação29.

Inquérito realizado entre adolescentes na Espanha26 revelou que a frequência de bullying nos últimos dois meses foi maior entre estudantes mais novos, 29% entre 11 e 12 anos, 30% entre 13 e 14 anos, caindo para 27% entre 15 e 16 anos. No estudo da OMS, foi descrito como menos frequente entre adolescentes com 15 anos (10%), sobe para (14%) aos 13 anos e é mais frequente entre pré-adolescentes de 11 anos (15%)16. Outro estudo encontrou frequências de bullying entre adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade e alocados na 6ªsérie do ensino fundamental23. O atual estudo não conseguiu identificar ests tendência de aumento entre adolescentes mais novos, provavelmente por terem sido pesquisados estudantes da mesma série (9º ano do ensino fundamental), com idade mais homogênea, entre 13 e 15 anos. Os estudantes menores de 13 anos na amostra da PeNSE são um número muito pequeno, apresentando grande variabilidade nos intervalos de confiança, não mostrando diferenças estatisticamente significativas.

O estudo de Fischer et al.23 não encontrou diferença de escolaridade entre os pais dos meninos que sofreram bullying o mesmo ocorreu no presente estudo. Este dado configura o fato de que o bullying permeia diferentes classes sociais e níveis culturais, não se restringindo ao estereótipo de que se trata de um fenômeno de classes sociais desfavorecidas.

A ocorrência do bullying tem sido demonstrada com maior frequência em minorias étnicas ou em populações etnicamente heterogêneas, a exemplo da composição das turmas escolares30. No presente estudo, não foi identificada distinção entre cor/raça em relação a sofrer bullying frequentemente; entretanto, pretos e pardos relatam não sofrer bullying no ultimo mês em maior proporção.

Fischer et al.23 destacam o Sul e o Sudeste com as maiores frequências. No presente estudo, também foram identificadas diferenças regionais, destacando-se a maior frequência, em ambos os sexos, em Belo Horizonte (6,9%), e a menor frequência em Palmas (3,5%). Entre meninos destaca-se a maior frequência no Distrito Federal (9,2%), e entre meninas em Belo Horizonte (6,6%). A pesquisa atual não possibilita uma explicação para esse fenômeno, o que deverá ser aprofundado em outros estudos qualitativos.

A percepção de violência nos atos de bullying nem sempre está clara para os estudantes, sendo que muitas vezes eles não conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agressões verbais relativamente inócuas e maus-tratos violentos23.

Dentre os limites do estudo, a PeNSE foi realizada em capitais, portanto a realidade de exposição aos episódios de bullying pode não corresponder ao encontrado em todo o país, em especial nas cidades do interior; além disto, refere-se a escolares de 9º ano, podendo haver outras diferenças em relação aos adolescentes em outras faixas etárias que não foram detectadas no atual estudo. Outras lacunas não foram abordadas na pesquisa, como por exemplo as motivações do bullying. Alguns estudos apontam que os agressores buscam a obtenção de popularidade entre os colegas, a necessidade de serem aceitos pelo grupo de referência ou de sentirem-se poderosos em relação aos demais. Deverá ser objeto de futuros estudos qualitativos a exploração dessas questões23. O cyberbullying não foi abordado no questionário do estudante, apenas no questionário realizado com os diretores da escola na mesma pesquisa, e será objeto de análise futura. Esse formato de violência tem se tornado frequente e com grande possibilidade de disseminação pela Internet ou celulares, devendo ser objeto de outras investigações31. Recomenda-se a manutenção desse tema nas próximas edições da PeNSE, visando ao monitoramento desses eventos, bem como a avaliação da implantação de ações objetivando o seu controle.

Como consequência dessas ocorrências de maus-tratos entre colegas de escola, os estudiosos ressaltam os prejuízos sobre o processo de aprendizagem dos alunos e a insegurança na escola. É importante ressaltar que tanto vítimas quanto agressores perdem o interesse pelo ensino, não se sentem motivados a frequentar as aulas e não se sentem seguros na escola diante da ocorrência do bullying23. Isto pode explicar em parte outro achado da PeNSE, que mostrou que 5,5% dos estudantes deixaram de ir à escola nos últimos trinta dias porque não se sentiam seguros na escola (dados não mostrados)16. Esse fato pode estar relacionado a uma limitação do presente estudo, uma vez que a ausência de estudantes na escola no dia da pesquisa pode estar associada à ocorrência do bullying, o que possivelmente resulta na subestimação das medidas de frequência apresentadas.

Os dados do presente estudo corroboram achados de que a escola deixou de ser um espaço protegido e tornou-se um espaço de reprodução das violências da sociedade. Além da violência de "fora para dentro", que diz respeito ao contexto social e às desigualdades, a violência é resultante de relações estabelecidas no interior dela própria como ação de seus agentes: professores, gestores, funcionários, estudantes. Enfim, "a escola pode ser vítima, mas também autora de processos violentos"2,3,21.

 

Conclusão

O estudo possibilitou dimensionar a ocorrência do bullying entre adolescentes nas escolas das capitais brasileiras, revelando que o contexto escolar brasileiro também tem se constituído em um espaço de reprodução da violência.

Este tema é de extrema relevância no contexto atual das escolas, sendo urgente que medidas sejam efetivadas via políticas e práticas educativas que efetivem sua redução e sua prevenção. As escolas devem procurar identificar a ocorrência de bullying e outras formas de violência nas relações interpessoais, visando a sua eliminação. Devem ser incorporadas ações de prevenção e controle da violência. Nessa tarefa a escola necessita do apoio da comunidade, pais, sociedade civil, Secretarias de Educação, Saúde, dentre outras instituições.

Por se tratar de um fenômeno de numerosas interfaces e relevante importância para a saúde escolar e a saúde pública, áreas como a saúde e a educação, como práticas sociais, devem estabelecer no seu processo de trabalho – em conjunto com outras áreas e instituições – ações que potencializem a perspectiva interdisciplinar e intersetorial para o enfrentamento dessa problemática e para a consequente promoção da qualidade de vida individual e coletiva.

 

Colaboradores

DC Malta trabalhou na concepção e no delineamento do estudo, na análise e interpretação dos dados, redigiu a primeira versão do artigo, trabalhou na sua revisão crítica e aprovou a versão a ser publicada. MAI Silva, FCM Melo, RA Monteiro, DL Porto, MMA Silva e MGO Carvalho trabalharam na análise dos dados, na sua revisão crítica e aprovaram a versão a ser publicada. LMV Sardinha e C Crespo trabalharam na concepção e no delineamento do estudo, na sua revisão crítica e aprovaram a versão a ser publicada.

 

Referências

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Artigo apresentado em 30/05/2010
Aprovado em 08/07/2010
Versão final apresentada em 12/07/2010