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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.15  suppl.2 Rio de Janeiro Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232010000800013 

ARTIGOS ARTICLES

 

Consumo e comportamento alimentar entre adolescentes brasileiros: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2009

 

Food consumption and eating behavior among Brazilian adolescents: National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE), 2009

 

 

Renata Bertazzi LevyI; Inês Rugani Ribeiro de CastroII; Letícia de Oliveira CardosoIII; Letícia Ferreira TavaresII; Luciana Monteiro Vasconcelos SardinhaIV; Fabio da Silva GomesV; André Wallace Nery da CostaVI

IDepartamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo 455, 2º andar. 01246-903 São Paulo SP. rlevy@usp.br
IIDepartamento de Nutrição Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro
IIIDepartamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz
IVCoordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde
VÁrea de Alimentação, Nutrição e Câncer, Coordenação de Prevenção e Vigilância, Coordenação Geral de Ações Estratégicas, Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde
VIInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 

 


RESUMO

O objetivo deste artigo é descrever características de consumo e comportamento alimentar de adolescentes brasileiros e sua associação com fatores sociodemográficos. Estudou-se, em 2009, amostra representativa de alunos do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal. Utilizou-se questionário autoaplicável sobre atributos sociodemográficos, consumo e comportamento alimentar, entre outros. Estimativas dos indicadores construídos foram apresentadas para o total da população e por sexo. A associação de cada um dos indicadores com variáveis sociodemográficas foi examinada por meio de regressão logística. A maioria dos adolescentes consumia regularmente feijão (62,6%), leite (53,6%) e guloseimas (50,9%), realizava pelo menos o almoço ou o jantar com a mãe ou responsável (62,6%) e comia assistindo televisão ou estudando (50,9%). Em geral, as meninas estavam mais expostas a práticas alimentares não desejáveis, e o melhor nível socioeconômico associou-se a maiores prevalências dos indicadores estudados. Os resultados revelaram consumo regular dos marcadores de alimentação não saudável e consumo inferior ao recomendado dos de alimentação saudável, apontando a necessidade de ações de promoção de saúde dirigidas a jovens.

Palavras-chave: Adolescente, Escola, Consumo alimentar, Comportamento alimentar.


ABSTRACT

The objective of this article is to describe the characteristics of food consumption and eating behavior of adolescents and its association with socio-demographic factors. In 2009, a random sample of students in 9th grade of elementary education at public and private schools from 26 Brazilian state capitals and Federal District was studied. It was applied a self-administered questionnaire with socio-demographic attributes, food consumption and eating behavior, among others. Estimates of the constructed indicators were presented for the total population and by sex. The association of each indicator with socio-demographic variables was examined by logistic regression. The results showed that over half of adolescents presented frequent consumption of beans (62.6%), milk (53.6%) and sweets (50.9%), and held at least lunch or dinner with the mother or responsible (62.6%) and watching television or studying (50.9%). In general, girls were more exposed to undesirable eating habits and higher socioeconomic status was associated with a higher prevalence of the indicators studied. The results revealed regular consumption of unhealthy diet markers and consumption of less than the recommended for a healthy diet, pointing the need for strengthening health promotion activities targeting young people.

Key words: Adolescent, School, Food consumption, Eating behavior.


 

 

Introdução

A adolescência é um período de intensas transformações que são influenciadas pelos hábitos familiares, amizades, valores e regras sociais e culturais, condições socioeconômicas, assim como por experiências e conhecimentos do indivíduo. Hábitos e aprendizagens desse período repercutem sobre o comportamento em muitos aspectos da vida futura, como a alimentação, autoimagem, saúde individual, valores, preferências e desenvolvimento psicossocial1. Hábitos inadequados na infância e na adolescência podem ser fatores de risco para doenças crônicas na fase adulta2.

Estudos recentes têm identificado, neste grupo etário, hábitos alimentares pouco saudáveis, especialmente entre os jovens pertencentes às classes econômicas mais favorecidas, que possuem maior acesso aos alimentos e à informação3,4, sendo a dieta adotada usualmente rica em gorduras, açúcares e sódio, com pequena participação de frutas e hortaliças5. Observa-se, ainda, consumo mais frequente de alimentos como o arroz e o feijão entre adolescentes de famílias mais pobres6,7.

Na cidade do Rio de Janeiro, resultados de estudo realizado em 2003 numa amostra representativa de adolescentes de escolas públicas indicam baixo consumo de frutas e hortaliças e consumo frequente de refrigerantes, balas e doces8. Também nesta cidade, entre adolescentes residentes em localidade de baixo nível socioeconômico, observa-se a adoção de comportamentos alimentares não saudáveis por 40% dos jovens, como por exemplo a substituição das principais refeições (desjejum, almoço e jantar) por lanches rápidos9.

Outros comportamentos alimentares também têm sido examinados entre adolescentes. Entre eles, podem ser citados o hábito de realizar refeições com a família e o hábito de comer enquanto assiste televisão e/ou estuda. Estudos demonstram associação positiva entre realizar refeições com a família e ingestão de alimentos saudáveis e associação inversa entre este comportamento e a ocorrência de excesso de peso10-14. Apontam, ainda, associação positiva do hábito de comer enquanto se assiste televisão com dietas menos saudáveis e com excesso de peso12-14.

Com vistas a subsidiar a formulação e o redirecionamento de ações e programas voltados para esse grupo, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, implementou um sistema de vigilância de fatores de risco para a saúde de adolescentes baseado em inquéritos regulares no âmbito escolar, entendendo a escola como um espaço privilegiado, não só por oportunizar a coleta dessas informações, mas também como lócus para o desenvolvimento de ações de promoção da saúde junto a esse grupo etário.

O desenho e a implementação desse sistema foram inspirados na recomendação da Organização Mundial da Saúde de implantação e manutenção de sistemas de vigilância de fatores de risco à saúde dirigidos a adolescentes, nas experiências de sistemas de outros países (Youth Risk Behavior Surveillance System – YRBSS; e Health Behaviour in School-aged Children – HBSC)15,16 e em experiências prévias brasileiras8,17,18. O primeiro inquérito (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar– PeNSE) foi realizado no ano de 2009. O objetivo desta publicação é descrever características do consumo e comportamento alimentar de adolescentes estudados pela PeNSE-2009, bem como examinar a associação dessas características com fatores sociodemográficos.

 

Metodologia

População do estudo e amostragem

A população de estudo foi composta por alunos que cursavam em 2009 o 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais de estados brasileiros e do Distrito Federal. O Censo Escolar 2007, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação, serviu como cadastro base, a partir do qual foi definida a amostra.

O desenho da amostra foi estruturado de modo a representar o conjunto de estudantes do 9º ano de escolas públicas e privadas das capitais brasileiras e do Distrito Federal. Trata-se de uma amostra complexa que envolve estratificação e conglomeração, com seleção em dois estágios. Os estratos amostrais corresponderam às capitais das unidades da federação e ao Distrito Federal, totalizando 27 estratos. Em cada um desses estratos, as escolas que possuíam classes do 9º ano do ensino fundamental foram agrupadas em escolas privadas ou públicas. Cada estrato correspondeu a um domínio de interesse para a divulgação de resultados da pesquisa. O sorteio das escolas (unidade primária de amostragem) dentro de cada estrato foi feito por amostragem sistemática com probabilidade proporcional ao número de escolas nos estratos. Cada uma dasescolas selecionadas nesse primeiro estágio foi visitada para a construção de uma lista atualizada de turmas do 9º ano do ensino fundamental existentes em 2009. O sorteio das turmas (unidade secundária de amostragem) dentro de cada escola selecionada ocorreu quando esta possuía duas ou mais turmas do 9º ano. Foi escolhida uma turma em cada escola selecionada que tivesse uma ou duas turmas do 9º ano do ensino fundamental, e duas turmas em cada escola com três ou mais turmas do 9º ano do ensino fundamental. Em cada uma das turmas do 9º ano do ensino fundamental selecionadas, todos os escolares responderam ao questionário da pesquisa, eliminando-se, desta maneira, a necessidade de um terceiro estágio de seleção. No período, foram estudados 63.411 estudantes. Do total de escolares presentes na data da pesquisa, nas turmas selecionadas, 501 escolares se negaram a participar da pesquisa, restando 62.910 que preencheram os questionários. Para as análises do presente artigo, utilizaram-se informações dos escolares que concordaram em participar e que responderam à variável sexo, totalizando 60.973 escolares distribuídos em 1.453 escolas e 2.175 turmas. O peso amostral usado nas análises de dados foi atribuído a cada um dos estudantes da amostra final, levando em conta as perdas amostrais citadas aqui. Mais informações do procedimento amostral encontram-se disponíveis em outra publicação19.

Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada utilizando-se microcomputador de mão (Personal Digital Assistant – PDA) que continha questionário estruturado e autoaplicável dividido em módulos por assunto: características sociodemográficas, alimentação, imagem corporal, atividade física, tabagismo, consumo de álcool e outras drogas, saúde bucal, comportamento sexual, violência, acidentes, segurança e medidas antropométricas.

Variáveis analisadase construção de indicadores

O consumo alimentar foi aferido utilizando-se a frequência de consumo, nos sete dias que antecederam a pesquisa, de oito alimentos, grupos de alimentos ou preparações: feijão; hortaliças; frutas in natura; leite; refrigerantes; guloseimas; biscoitos doces e embutidos. Os quatro primeiros foram considerados alimentos marcadores de alimentação saudável e os quatro últimos, marcadores de alimentação não saudável. Esta classificação foi baseada nas recomendações nutricionais para prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e, também, em evidências que sugerem a associação destas variáveis com o excesso de peso e outros fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como as dislipidemias20-22. Considerou-se, ainda, a evolução do padrão de compras de alimentos observado na população brasileira nas últimas décadas23.

O consumo desses alimentos foi expresso de duas formas: (1) pela distribuição percentual da frequência semanal de consumo de cada alimento; e (2) por um indicador que expressasse a proporção de adolescentes que consumiam mais frequentemente (regularmente: em pelo menos cinco dos sete dias que antecederam o estudo) e menos frequentemente (entre zero e quatro dias dos sete dias que antecederam o estudo) cada um dos alimentos selecionados, indicador esse já utilizado em sistema de vigilância de fatores de risco no município do Rio de Janeiro8.

Além disso, dois comportamentos alimentares foram estudados: realização de almoço ou jantar com a mãe ou responsável (marcador de comportamento saudável) e comer enquanto estudava ou assistia TV (marcador de comportamento não saudável). Esses comportamentos também foram expressos de duas formas: (1) pela distribuição percentual da frequência de ocorrência de cada um dos comportamentos; e (2) por um indicador que expressasse prática regular desses comportamentos (categorizado em: 0 a 4 dias e 5 dias ou mais por semana).

Além das variáveis demográficas sexo e faixa etária (< 13; 14; 15; > 16 anos), foram estudados como marcadores de nível socioeconômico o nível de escolaridade materna (ensino fundamental incompleto; ensino médio incompleto; superior incompleto e superior completo) e escore de bens e serviço (EBS) (categorizado em terços da distribuição observada na amostra estudada). Compuseram o escore os seguintes itens: posse de televisão, geladeira, fogão, micro-ondas, máquina de lavar, telefone fixo, telefone celular, aparelho de DVD, computador, automóvel, presença de banheiro dentro de casa e presença de empregada doméstica em cinco dias ou mais por semana. Cada item recebeu um peso que equivaleu ao inverso da frequência de posse ou presença no total da amostra estudada. O escore de cada adolescente foi obtido somando-se os pesos dos respectivos itens. A distribuição do escore foi dividida em terços, respeitando-se as informações estruturais da amostra. Também foi estudada a dependência administrativa da escola (categorizada em pública ou privada).

Tratamento a dados faltantes

No processo de construção da variável EBS, observou-se que, embora a média do percentual de dados faltantes para cada um dos itens do escore fosse baixa (1,35%), quando combinados para compor o escore final esse percentual chegava a 9,2%. Foi implementado um processo de imputação de dados que compreendeu a identificação de variáveis auxiliares que não tivessem nenhum dado faltante e que fossem capazes predizer a variável de interesse (i.e., EBS), utilizando-se um modelo de regressão logística. As covariáveis inicialmente eleitas como preditoras foram: sexo do adolescente, dependência administrativa da escola e capital. Após esta etapa foram construídas árvores de classificação, técnica não paramétrica de regressão multivariada que permite predizer valores que deveriam ser imputados aos dados faltantes do escore24. Ao final do procedimento, apenas a capital onde estava localizada a escola e a dependência administrativa (i.e., escola pública ou privada) serviram como preditoras da variável a ser imputada. A variável escolaridade da mãe apresentou 18,4% de dados faltantes, por essa razão também foi submetida ao mesmo processo de imputação descrito anteriormente. Neste caso, a dependência administrativa e o EBS, agora sem nenhum dado faltante, serviram como preditores da escolaridade da mãe. Os procedimentos de imputação foram realizados em ambiente e linguagem R, versão 2.6.1, utilizando a biblioteca rpart.

Análise dos dados

As prevalências brutas e as razões deprevalência ajustadas e seus respectivos intervalos de confiança de 95% dos indicadores referentes ao consumo e ao comportamento alimentar foram apresentados segundo sexo, dependência administrativa da escola, nível de escolaridade da mãe e escore de bens e serviço. Análises adicionais foram realizadas por meio de regressões logísticas múltiplas a fim de verificar a associação entre cada uma das variáveis sociodemográficas ajustada pelas demais. Foram consideradas diferenças estatisticamente significativas quando o valor p do modelo de regressão para cada variável explanatória era menor que 0,05 na presença das variáveis de ajuste. Para o exame da tendência linear, o nível de escolaridade da mãe e o escore de bens de consumo e serviço foram inseridos nos modelos como variáveis contínuas. Todas as análises foram realizadas levando-se em conta o desenho da amostra e com o auxílio do aplicativo Stata 11.0 (Stata Corp. College Station).

Aspectos éticos

A PeNSE foi aprovada pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde sob o parecer nº 11.537. A participação dos alunos foi voluntária. O questionário poderia ser respondido em sua totalidade ou em parte. Todas as informações tanto do aluno quanto da escola foram confidenciais e não identificadas.

 

Resultados

Do total de alunos, 72,9% estudavam em escolas públicas e cerca de metade tinha 14 anos de idade. Em relação ao EBS, maior proporção de meninos encontrava-se no terço superior, e de meninas no terço inferior. A distribuição da amostra segundo escolaridade da mãe indicou proporções similares (de aproximadamente 1/3) de baixa escolaridade (ensino fundamental incompleto) e alta escolaridade (superior completo) (Tabela 1).

 

 

Indicadores de proteção à saúde

Quando analisados os marcadores de alimentação saudável, observou-se que a proporção de alunos que os consumiam regularmente variou de 31,3% a 57,4%, sendo maior a proporção daqueles que consumiam feijão e leite e menor a daqueles que consumiam hortaliças e frutas. Registrou- se, ainda, que mais de 20% dos alunos não haviam consumido leite, frutas ou hortaliças na semana anterior ao estudo. Constatou-se também que a maioria dos estudantes realizava frequentemente (cinco ou mais dias na semana) pelo menos uma das principais refeições na presença da mãe ou responsável, embora cerca de 1/4 deles nunca ou raramente tivessem essa prática. Comparando- se esses indicadores segundo sexo, observou- se maior proporção de consumo regular de feijão e leite entre os meninos e, entre as meninas, maior proporção tanto de não consumo de todos os marcadores de alimentação saudável na semana anterior ao estudo quanto de ausência da prática de realização de refeições junto com a mãe ou responsável (tabelas 1 e 2).

 

 

Examinando-se esses indicadores segundo marcadores socioeconômicos para o conjunto de alunos estudados (tabelas 3 e 5), observou-se maior frequência de consumo regular de feijão entre alunos de escolas públicas, menor frequência desse consumo com o aumento da escolaridade da mãe e frequência oscilante com o aumento do EBS. Esses resultados se mantiveram após ajuste dos demais atributos sociodemográficos, exceto no caso do EBS, com o qual o consumo frequente de feijão passou a apresentar associação direta.

 

 

Quanto às hortaliças, foi registrada maior frequência de consumo regular com o aumento da escolaridade materna e com o aumento do EBS, resultado que se manteve após ajuste dos demais atributos sociodemográficos. Por sua vez, a associação entre frequência de consumo regular de hortaliças e dependência administrativa se inverteu quando realizado o ajuste: inicialmente, observou-se maior frequência entre os alunos de escolas privadas; depois desse procedimento, essa maior frequüência foi observada entre os de escolas públicas.

Já em relação às frutas, observou-se frequência semelhante de consumo regular entre alunos de escolas públicas e privadas e maior frequência tanto com o aumento do EBS quanto com o aumento da escolaridade materna. Após os procedimentos de ajuste, a associação direta entre consumo regular de frutas e EBS se manteve, não se observando o mesmo em relação à associação com escolaridade materna. Em relação à dependência administrativa, passou-se a observar associação positiva entre este consumo e ser aluno de escola pública.

No tocante ao consumo regular de leite, observou-se maior proporção entre alunos de escola privada e associação direta dessa prática com a escolaridade materna e com o EBS. Após procedimentos de ajuste, a vantagem observada entre os alunos de escolas privadas não se manteve.

Quanto ao hábito de realizar uma das principais refeições na presença da mãe ou responsável, observaram-se proporções similares entre alunos de escolas públicas e privadas (levemente superiores no segundo grupo) e associação direta deste comportamento com o aumento do EBS e da escolaridade materna. Esses resultados se mantiveram após ajuste.

Exceto para o consumo regular de frutas, em geral, ao serem feitas as análises citadas por sexo, foram observados resultados similares aos encontrados para o conjunto dos alunos estudados (tabelas 3 e 5).

Indicadores de risco à saúde

Quando analisados os marcadores de alimentação não saudável, observou-se que a proporção de alunos que os consumiam regularmente variou de 18,0% a 50,9%, sendo maior a proporção daqueles que consumiam guloseimas e refrigerantes e menor a daqueles que consumiam biscoitos doces e embutidos. Foram registradas, ainda, altas proporções de alunos que haviam consumido esses alimentos pelo menos uma vez na última semana: de 78,3% (para embutidos) a 92% (para guloseimas). Constatou-se, também, que mais da metade dos estudantes tinha o hábito (>=5 dias na semana) de comer enquanto assistia televisão ou estudava, ainda que 37% nunca ou raramente tivessem essa prática. Comparando- se esses indicadores segundo sexo, observou- se entre as meninas, por um lado, maior proporção de consumo regular de guloseimas, biscoitos doces e embutidos. Por outro lado, observou-se entre elas menor proporção da prática de comer enquanto assistia televisão ou estudava (pelo menos uma vez na semana: 60,5% contra 65,4% para meninos) (tabelas 1 e 2).

Analisando-se esses indicadores segundo marcadores socioeconômicos para o conjunto de alunos estudados (tabelas 4 e 5), foi observada associação direta do consumo regular de refrigerantes, guloseimas, biscoitos doces e embutidos com a escolaridade materna e o EBS. Essa tendência se manteve após ajuste dos demais atributos sociodemográficos, exceto para consumo de refrigerantes e escolaridade materna. Maior proporção de consumo regular de guloseimas e biscoitos doces foi observada entre alunos de escola pública, mesmo após ajuste. Já em relação ao consumo de refrigerantes e embutidos, a maior frequência observada entre alunos de escola privada não se manteve quando ajustada para os demais atributos. Quanto a comer vendo televisão ou estudando, observou-se maior proporção de alunos que possuíam esse hábito (>=5 dias na semana) entre os alunos de escolas públicas e associação inversa desse comportamento com escolaridade materna e EBS. Esse cenário se manteve após ajuste, exceto para a associação com escolaridade materna. Ao serem feitas essas análises por sexo, foram observados resultados similares aos encontrados para o conjunto dos alunos estudados, exceto em quatro situações: em relação à dependência administrativa, após ajuste, observou-se maior consumo de refrigerantes entre meninos de escolas públicas e maior consumo de embutidos entre meninas de escolas públicas. Já em relação à escolaridade materna, após ajuste, a tendência de aumento de consumo tanto de guloseimas quanto de biscoitos doces não foi observada entre os meninos.

 

Discussão

Os resultados apresentados revelaram que, entre adolescentes das capitais brasileiras, houve consumo frequente de marcadores de alimentação não saudável e consumo de marcadores de alimentação saudável inferior ao recomendado25,26.

Analisando-se os dez indicadores estudados (oito alimentos – ou grupos de alimentos – e dois comportamentos alimentares) por sexo, observou-se que, quando comparadas aos meninos, as meninas apresentaram pior situação em seis deles (consumo mais frequente de guloseimas, biscoito doce, embutidos e menos frequente de feijão e leite e ausência do hábito de realização de refeições com responsáveis), situação semelhante em dois deles (consumo mais frequente de frutas e hortaliças) e melhor situação em dois deles (consumo mais frequente de refrigerante e hábito de comer enquanto assiste TV ou estuda). Além disso, elas não estavam em vantagem em nenhum dos indicadores de proteção. Ou seja, em geral, as meninas parecem estar mais expostas a situações não desejáveis em termos de práticas alimentares.

A análise desses indicadores por dependência administrativa indicou a seguinte situação: similaridade entre as proporções observadas para alunos de escolas públicas e privadas para quatro deles (dois marcadores de proteção – consumo mais frequente de leite e presença do responsável no momento da refeição – e dois marcadores de risco – consumo mais frequente de refrigerante e biscoito doce); quando havia diferença, as proporções eram maiores sempre entre os alunos de escolas públicas (tanto para os outros três marcadores de proteção – consumo mais frequente de feijão, hortaliças e frutas – quanto para os outros três marcadores de risco – consumo mais frequente de guloseimas e biscoito doce e hábito de comer enquanto assiste TV ou estuda). Esta é primeira vez que se tem a possibilidade de se estudar, numa amostra que abarca todos os estados do país, a associação do consumo alimentar entre adolescentes com a dependência administrativa da escola. Para se examinar em maior profundidade essa associação, são necessários estudos complementares que levem em conta a alimentação disponível no ambiente escolar, seja por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (no caso das escolas públicas), seja por meio dos alimentos comercializados em cantinas (em ambas as dependências administrativas) e refeitórios (no caso das escolas privadas).

O exame desses dez indicadores segundo EBS indicou associação direta com o consumo tanto de marcadores de alimentação saudável quanto de alimentação não saudável. Ou seja, assim como entre adultos brasileiros e adolescentes europeus, também entre os adolescentes estudados o aumento de poder aquisitivo está associado ao aumento do consumo de alimentos em geral27,28. Já a análise segundo escolaridade materna apontou perfil semelhante, exceto para feijão (em que se observou associação inversa) e para refrigerantes e frutas (em que não houve associação). Já para os indicadores referentes aos comportamentos alimentares, observou-se ainda melhor situação para os alunos de melhor nível socioeconômico: maior proporção de alunos com o hábito de fazer refeições com a mãe ou responsável (para os dois indicadores socioeconômicos) e menor proporção de alunos com o hábito de comer assistindo televisão ou estudando (apenas para EBS).

A comparação desses achados com os de outros estudos não é simples, tendo em vista as diferenças observadas na faixa etária dos adolescentes estudados e na construção dos indicadores examinados. Faremos, aqui, a comparação dos achados de consumo alimentar desse estudo com os de dois sistemas de vigilância de fatores de risco dirigidos a adolescentes: o europeu (HBSC)29 e o americano (YRBSS)30.

No caso do HBSC, ainda que com algumas ressalvas, são passíveis de comparação: o consumo regular de frutas e o consumo regular de refrigerantes. Em relação ao primeiro, o consumo regular de frutas (pelo menos uma vez por dia) foi observado em 30% dos alunos estudados (subgrupo com 15 anos de idade). Assim como no Brasil, também entre os adolescentes europeus se observou associação direta entre esse consumo e o nível socioeconômico, mas, diferentemente dos nossos resultados (em que se encontrou comportamento similar entre os sexos), esse indicador foi mais recorrente entre as meninas na maioria dos países estudados. O consumo regular de refrigerantes (pelo menos uma vez por dia) foi registrado em 28% dos alunos (subgrupo com 15 anos de idade), sendo mais frequente entre meninos. Já em relação à associação com nível socioeconômico, nossos resultados divergem dos observados para parte dos países (em que se observa associação inversa entre este consumo e o nível socioeconômico) e coincidem com os de países do Leste Europeu e os Países Bálticos, em que se observou associação direta entre consumo regular de refrigerantes e nível socioeconômico29.

Em relação ao YRBSS, ainda que boa parte dos alimentos estudados coincida com o elenco estudado no Brasil, a forma como os indicadores foram construídos compromete, de certa forma, a comparabilidade dos resultados, uma vez que, naquele sistema, os indicadores foram pautados no número de vezes por dia em que cada alimento era consumido. Os resultados, então, devem ser cotejados com cautela. Além disso, não foram disponibilizadas análises segundo o nível socioeconômico. Entre os adolescentes americanos, 29,9% consumiam refrigerante diariamente, sendo essa prática mais recorrente entre os meninos (como registrado entre adolescentes brasileiros), e 33% consumiam frutas ou suco natural de frutas pelo menos duas vezes por dia, prática também mais recorrente entre os meninos. O consumo de leite (pelo menos três vezes ao dia) foi registrado em 14% dos adolescentes, sendo mais recorrente entre meninos (como também observado entre os brasileiros)30.

Não foi possível comparar os achados referentes aos comportamentos alimentares, uma vez que esses dois sistemas não disponibilizam dados sobre esse âmbito das práticas alimentares. Cabe registrar, no entanto, que nossos achados corroboram o observado na literatura: associação direta entre nível socioeconômico e hábito de realizar as refeições com os pais31 e associação inversa entre nível socioeconômico e hábito de comer enquanto assiste televisão32.

Esses resultados apontam para a necessidade de intensificação e ampliação das ações de promoção de saúde dirigidas a jovens. O atual contexto brasileiro é propício para isso. Além de várias iniciativas no campo das políticas públicas apontarem a promoção da alimentação saudável como prioridade para a promoção da saúde e da segurança alimentar e nutricional26,33, está em curso a revisão da Política Nacional de Alimentação e Nutrição34. Nessa perspectiva, esses resultados, assim como todos os outros provenientes da PeNSE 2009, devem ser amplamente divulgados com vistas a subsidiar ações a serem implementadas, expandidas e/ou reformuladas. Além disso, deve fazer parte do elenco de ações futuras a manutenção do sistema de vigilância de fatores de risco à saúde dirigido a adolescentes, de forma a propiciar o acompanhamento da magnitude e das tendências temporais desses fatores, bem como a avaliar as ações dirigidas a esse grupo populacional.

 

Colaboradores

RB Levy, IRR Castro e LO Cardoso participaram no delineamento do estudo, na elaboração, na análise dos dados, na redação e na revisão final do manuscrito. LF Tavares participou na elaboração, na análise dos dados e na redação do manuscrito. LMV Sardinha participou no delineamento do estudo e na redação do manuscrito. FS Gomes participou do processo de imputação de dados faltantes, na análise do banco de dados e na revisão final do manuscrito. AWN Costa trabalhou na revisão final do manuscrito.

 

Agradecimentos

A Regina Rodrigues, por seu apoio na edição das tabelas deste artigo, e a Carlos Augusto Monteiro, por suas contribuições no desenho analítico dos dados.

 

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Artigo apresentado em 08/06/2010
Aprovado em 26/07/2010
Versão final apresentada em 05/08/2010