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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 n.3 Rio de Janeiro Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000300029 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Prevalência e perfil dos usuários de tabaco de população adulta em cidade do Sul do Brasil (Joaçaba, SC)

 

Prevalence and tobacco user profile in adult population in the South of Brazil (Joaçaba, SC)

 

 

Marcelo Carlos BortoluzziI; Ruth Terezinha KehrigII; Alessandro Dourado LoguercioIII; Jefferson Luiz TraebertIV

IUniversidade do Oeste de Santa Catarina. Rua Getúlio Vargas 2.521. 89600-000 Joaçaba SC. mbortoluzzi@gmail.com
IIFaculdades Integradas Associação de Ensino de Santa Catarina
IIIUniversidade Estadual de Ponta Grossa
IVUniversidade do Sul de Santa Catarina

 

 


RESUMO

O tabagismo tem sido apontado como uma epidemia, e a prevenção ao hábito é indicada como prioridade máxima para a saúde pública das nações. Este é um estudo do tipo observacional e transversal envolvendo uma amostra representativa da população adulta de município do sul do Brasil com o intuito de conhecer a prevalência do consumo do tabaco e o perfil do tabagista. A prevalência de fumantes foi de 17,3%, sendo que o sexo feminino representou 54,9% da amostra. Neste estudo, o tabagismo ocorreu predominantemente em pessoas com idade superior a 39 anos (p<0,001), com escolaridade de até oito anos de estudo (p<0,001), com índices de depressão verificados pelo Inventário de Beck para Depressão considerados como moderado ou grave (p=0,001) e com baixa renda familiar (p<0,029). O município apresenta alta prevalência de consumo de tabaco, que afeta, predominantemente, a população acima de 39 anos de idade, com menor renda e com menor escolaridade. Este estudo evidencia ainda uma associação entre depressão moderada a severa e o hábito do tabagismo.

Palavras-chave: Tabagismo, Prevalência, Tabaco, Tabagismo/epidemiologia, Depressão


ABSTRACT

The tobacco consumption has been pointed as an epidemic and the prevention to the smoking habit is indicated as high priority for the public health of the nations. This is an observational cross-sectional study comprising a representative sample of an adult population in a Southern Brazilian city aiming to know the tobacco consumption prevalence and the profile of the smoker. Smokers' prevalence was 17.3% and female subjects were 54.9% of the sample. Smoking occurred predominantly in subjects with age older than 39 years (p<0.001), with less than eight years of education (p<0.001), with moderate and severe scores of depression measured by Beck Depression Inventory (p=0.001) and low familiar income (p=0,029). The district shows high prevalence of smokers which are predominantly subjects older than 39 years, with low income and education. This study also showed an association with moderate or severe depression and the smoking habit.

Key words: Smoking, Prevalence, Tobacco, Smoking/epidemiology, Depression


 

 

Introdução

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS)1, durante o século XX o tabagismo matou 100 milhões de pessoas e durante o século XXI poderá matar um bilhão de pessoas no mundo inteiro. O relatório mostra ainda que dois terços da população mundial de fumantes habitam em dez países e o Brasil figura entre estes, ocupando a sétima colocação. Aponta também que ocorrem cerca de 5,4 milhões de mortes anualmente em consequência do tabagismo e, por essa razão, agir de forma a reverter a epidemia deve ser a prioridade máxima para a saúde pública e dos líderes políticos de cada país do planeta.

De acordo com o inquérito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doenças e agravos não transmissíveis, realizado em dezesseis capitais brasileiras, para os anos de 2002 e 20032, no Brasil, a maior prevalência de uso regular de cigarros foi encontrada em Porto Alegre/RS (25,2%) e a menor em Aracaju/SE (12,9%). De uma forma geral, as capitais menos populosas e menos industrializadas apresentaram menores prevalências de consumo, e das oito cidades com maiores prevalências, sete situam-se nas regiões Sul e Sudeste do país. O inquérito nacional, ao comparar seus dados com pesquisas anteriores, destaca que a prevalência do tabagismo no Brasil diminuiu numa percentagem que varia entre 10,3% em Porto Alegre/RS a 45,2% em Belém/PA.

Cabe ressaltar ainda que, além das consequências à saúde, o tabagismo provoca enormes custos sociais, econômicos e ambientais, principalmente nas economias em desenvolvimento1,2. Este estudo justifica-se, entre outros motivos, pelo fato de monitorar a prevalência de consumo, que é uma das seis normas estabelecidas pela OMS1 para reverter a epidemia do tabagismo, além de procurar conhecer o perfil do usuário e, através desses dados, estabelecer planos de prevenção tanto abrangentes quanto específicos, direcionados à população mais vulnerável. Há ainda a se destacar o pouco conhecimento acerca da prevalência e do perfil do usuário do tabaco em pequenas cidades do Brasil3.

 

Materiais e métodos

Foi realizado um estudo do tipo observacional e transversal envolvendo uma amostra representativa da população adulta compreendida entre 20 e 59 anos de idade do município de Joaçaba/SC no ano de 2005. Este estudo é parte de uma pesquisa maior denominada Projeto Saúde Joaçaba4-6, que visa conhecer diversos aspectos relacionados à saúde dos cidadãos do município.

Para a determinação do tamanho da amostra com intervalo de confiança de 95%, foram adotados os seguintes parâmetros: proporção de situações autorreferidas de saúde desconhecida (P igual a 50%) e margem de erro de 4%. O tamanho da amostra obtido foi de 575 participantes. Considerando-se um fator de correção de 1,2 em razão do desenho do estudo, este valor cresceu para 690 indivíduos. Estimando-se perdas, recusas e potenciais fatores de confusão de 20%, o número final da amostra foi de 828 indivíduos.

A seleção da amostra foi realizada pelo método de amostragem por conglomerados7, utilizando como unidade de referência para localização da população os setores censitários. Todos os setores censitários existentes no município de Joaçaba (n=25) participaram do estudo, e a amostra foi composta por 33 indivíduos de cada setor. Através de mapas cartográficos, foram identificados e numerados todos os quarteirões dos setores. Em cada setor foi sorteado um quarteirão, e neste uma esquina foi selecionada para o início do estudo. Foram percorridos os 12 primeiros domicílios, no sentido horário da esquina sorteada, necessários para a obtenção do número de indivíduos estimados para compor a amostra em cada um dos 25 setores censitários. Todos os indivíduos que residiam no domicílio sorteado e que pertenciam à faixa de 20 a 59 anos foram entrevistados. No total, foram visitados 345 domicílios.

O instrumento de pesquisa global foi composto por um questionário que continha questões que visavam: (1) identificar aspectos demográficos e socioeconômicos; (2) identificar condições relacionadas aos processos ecológicos do ambiente residencial e de trabalho; (3) identificar a ocorrência de fatores de risco selecionados à saúde derivados de hábitos, condutas e estilo de vida; (4) estimar a prevalência de afastamento do trabalho por problemas de saúde; (5) estimar a prevalência de problemas de saúde mental e insatisfação com a aparência corporal; (6) estimar a prevalência de problemas respiratórios; e (7) descrever as necessidades autorreferidas de serviços de saúde. O questionário, portanto, foi formulado de forma a atender aos objetivos específicos da pesquisa, o que incluía 193 questões elaboradas de acordo com a literatura vigente4. Além deste instrumento, instrumentos validados foram utilizados para avaliar condições específicas como os níveis de ansiedade, que foram mensurados pelo Inventário Beck de Ansiedade (BAI), ou os níveis de depressão, que foram mensurados pelo Inventário de Beck para Depressão (BDI)8.

O BAI consta de uma lista de 21 sintomas com quatro alternativas cada um, em ordem crescente do nível de ansiedade. A classificação brasileira propõe como resultados os níveis de 0 a 9 como mínimo, de 10 a 16 como leve e segue até uma pontuação máxima de 63 numa escala de moderada a grave. Para fins de análise, a amostra foi dicotomizada, estabelecendo que de 0 a 16 a ansiedade fosse caracterizada como mínima e/ou leve e acima deste nível como moderada a grave. O BDI mede as manifestações comportamentais da depressão, e a soma dos escores identifica o nível de depressão. A classificação brasileira propõe que de 0 a 11 o nível da depressão é mínima e de 12 a 19 é leve e segue uma pontuação até 63, representando índices de depressão também crescentes. No presente estudo, a amostra foi dicotomizada, estabelecendo que de 0 a 19 fosse caracterizada como mínima e/ou leve e acima deste ponto foi considerada como moderada a grave. A dicotomização estabelecida para o BAI e o BDI segue a classificação brasileira8.

A equipe de trabalho de coleta dos dados foi composta por sete pesquisadores e sete auxiliares de pesquisa, que passaram por um processo de capacitação para assegurar a uniformidade da aplicação do instrumento de pesquisa, de forma a minimizar variações entre as observações realizadas pelos diferentes pesquisadores integrantes do projeto. O trabalho de campo ocorreu nos meses de dezembro de 2005 a março de 2006.

Os resultados são descritos e analisados de forma descritiva e analítica. Os testes de associação foram realizados utilizando o programa estatístico SPSS 13.0 para Windows em um nível de significância de p<0,05. Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Oeste de Santa Catarina.

 

Resultados

Foram entrevistados 707 indivíduos entre 20 e 59 anos de idade (média 38,7; desvio padrão 11,7), sendo que 60% da amostra eram do sexo feminino (424). A prevalência de fumantes foi de 122 indivíduos (17,3%). Conforme o sexo, 54,9% (67) dos tabagistas eram do sexo feminino. Dentre os fumantes, o número de cigarros consumidos ao dia variou entre dois (mínimo) e sessenta (máximo), com média de 16,6 (± 10,5) cigarros ao dia. A maioria dos fumantes, 88,5% (108), utiliza cigarros industrializados com filtro e teores de nicotina normais ou regulares, enquanto 7,4% (nove) optam por cigarros industrializados com filtro, porém de baixos teores, e 4,1% (cinco) dos fumantes utilizam cigarros industrializados sem filtro ou ainda cigarros "de palha". Dentre os fumantes, 18,8% (23) relatam fumar o primeiro cigarro nos primeiros cinco minutos após o despertar, e 58,1% (71) fumam o primeiro cigarro dentro dos primeiros trinta minutos após o despertar. Entre os 122 fumantes, 32% (39) nunca tentaram parar de fumar, 18,9% (23) tentaram ao menos uma vez parar de fumar nos últimos seis meses, 9,8% (12) tentaram parar de fumar ao menos uma vez entre seis e 12 meses atrás, e 39,3% (48) tentaram parar de fumar ao menos uma vez há mais de 12 meses.

Do total da amostra, 55,6% (393) dos entrevistados relataram já ter experimentado o tabaco, e entre estes 31% tornaram-se tabagistas (122/393); contudo, se considerarmos os ex-fumantes (108), 58% dos que experimentam tabaco tornam-se tabagistas. Entre fumantes (122) e ex-fumantes (108), o tempo médio do hábito do tabagismo foi de 15,9 (± 11,3) anos. Atualmente, 254 (35,9%) indivíduos do total da amostra relatam ter contato com fumaça de cigarro de forma periódica em casa, trabalho ou escola.

Considerando o conhecimento sobre a relação entre o tabagismo e o desenvolvimento de câncer, foi solicitado ao entrevistado que pontuasse entre zero (0; tabagismo não causa câncer, com certeza) a dez (10; tabagismo causa câncer, com certeza), e 11 (1,6%) dos pacientes acreditam que, com certeza, tabagismo não causa câncer; 54% (380) dos entrevistados acreditam que, com certeza, tabagismo causa câncer.

A análise bivariada mostra que o hábito do tabagismo ocorre predominantemente em pessoas com idade superior a 39 anos (Teste Qui-quadrado, p<0,001), com escolaridade de até oito anos de estudo (Teste Qui-quadrado, p<0,001), e com níveis de depressão verificados pelo Inventário de Beck para Depressão (BDI) considerados como moderado ou grave (Teste Qui-quadrado, p=0,001). A análise bivariada contendo outras variáveis de interesse podem ser observadas na Tabela 1.

Um modelo de regressão logística mostrou uma associação estatisticamente significante entre o hábito do tabagismo e idade superior a 39 anos (p<0,001), com renda familiar de até R$ 1.738,00 (p<0,029) e com níveis de depressão medidos pelo Inventário de Beck para Depressão (BDI) classificados como moderado ou grave (p<0,006). Os resultados da análise de regressão logística podem ser observados na Tabela 2.

 

Discussão

O município de Joaçaba está situado no meio-oeste do estado de Santa Catarina (Brasil) e tem uma população de 24.066 habitantes e 7.196 domicílios. A prevalência de fumantes encontrada no município (17,3%) foi semelhante à média das capitais brasileiras (18%) levantadas pelo inquérito nacional2.

Conforme o inquérito domiciliar brasileiro2, o percentual de fumantes é maior entre os homens, quando comparados às mulheres. O presente estudo evidenciou no município um percentual maior de mulheres tabagistas do que homens. Conforme já alertava a OMS1, entre os países mais populosos as mulheres jovens impulsionam a epidemia do tabagismo. Menezes et al.9 observaram através de um estudo de coorte de nascimento que, após 19 anos, os do sexo masculino 48,6% já haviam experimentado cigarro e 15,8% eram fumantes diários, enquanto para o sexo feminino 53,1% já haviam experimentado cigarro e 15,4% eram fumantes diárias, confirmando a tendência descrita pela OMS1.

O inquérito domiciliar brasileiro1 apurou, ainda, que o tabagismo foi maior entre os grupos com menor escolaridade, quando comparado com os de maior escolaridade, de forma semelhante aos resultados encontrados por Castro et al.10. Os dados do município também evidenciaram que a baixa escolaridade está associada ao hábito do tabagismo e, indo além, também mostra associação com menor renda familiar. Segundo Meirelles11, o tabagismo tem se concentrado nas populações de baixa renda desde que esta população tem menor acesso à informação, educação e saúde. A baixa renda e a escolaridade dos pais, bem como o ambiente social, são preditores importantes para o uso de tabaco na adolescência9.

A quantidade de cigarros consumida pode ser utilizada como parâmetro para avaliação da gravidade da dependência. Castro et al.10 avaliaram a associação entre a qualidade de vida e a gravidade da dependência do tabaco e apontam que os tabagistas graves apresentavam maior prejuízo na qualidade de vida. Em relação ao número de cigarros consumidos em um dia, a média encontrada no estudo de Castro et al.10 foi de 17,9 (±11,07), bastante semelhante aos índices encontrados na presente pesquisa, que apresentou uma média de 16,6 (±10,5). Castro et al.10 apontaram ainda correlações significativas de baixa intensidade entre a gravidade da dependência de tabaco e a severidade dos sintomas de ansiedade e de depressão medidos pelo Inventário de Beck para Depressão (BDI). Os resultados de Joaçaba também indicaram associação estatística entre o hábito do tabagismo e depressão moderada a grave, relacionando o tabagismo à comorbidade psiquiátrica. De fato, outros estudos mostram associação entre tabagismo e desordem mental12-14, enquanto outros não observaram esta associação15.

Cerca de cinquenta doenças estão relacionadas ao uso do tabaco, como neoplasias malignas, doenças respiratórias e cardiovasculares. Comprovadamente, os não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados tornam-se fumantes passivos e também podem adoecer pelas mesmas doenças aqui relacionadas16. Em 2007, a OMS16 publicou as recomendações para a proteção ao tabagismo passivo, relatando que não existem níveis seguros para a exposição à fumaça do tabaco, implicando o tabagismo passivo como fator etiológico de sérias doenças tanto em adultos como em crianças. Conforme os dados referentes ao município, estima-se que cerca de 40% da população tem contato com fumaça de cigarro de forma periódica em casa, trabalho ou escola. Para alguns países latino-americanos, conforme a OMS16, ambientes com fumaça de cigarro podem chegar a 94%, incluindo hospitais, escolas e prédios governamentais. Falcão e Costa3, ao estudarem a prevalência do tabagismo em pequeno município do Nordeste brasileiro (23,5%), observaram que aproximadamente 45% dos entrevistados tabagistas afirmavam existir mais algum fumante dentro de sua casa, o que dificultava o abandono do hábito. A OMS16 aponta que, além dos prejuízos diretos sobre a saúde, existe evidência de que, quando existentes, as diretrizes que mantenham os ambientes livres de fumaça de cigarro também diminuem a probabilidade de jovens tornarem-se adictos ao tabaco.

Aproximadamente 45% dos entrevistados da pesquisa desconhecem ou têm dúvida da associação entre o tabagismo e o desenvolvimento de câncer, enquanto uma pequena porcentagem acredita, com certeza, que o tabagismo não produz neoplasia maligna. Esta resposta pode ser explicada em parte devido ao fato de que o consumo de cigarros envolve motivações conscientes e inconscientes, fatores socioculturais e educacionais17, como a falta de informação e o acesso a esta, a penetração adequada desta informação e na linguagem acessível sobre a real relação entre o tabagismo e o desenvolvimento de câncer. De fato, Falcão e Costa3, ao analisarem a situação do uso do tabaco em população adulta de pequeno município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil), observaram que 90% das pessoas entrevistadas relataram que gostariam de receber mais informações sobre o tabagismo.

A nicotina é o principal agente responsável pelo desenvolvimento da dependência ao tabaco, cuja dependência também envolve aspectos comportamentais, neuroquímicos e moleculares. A fumaça do cigarro contém outras substâncias químicas, muitas das quais podem contribuir para os efeitos reforçadores do hábito18,19. A observação deste estudo aponta para o alto poder de adicção do tabaco, indicando que mais da metade das pessoas que experimentam o tabaco podem se tornar consumidores regulares e que a extensa maioria já tentou parar de fumar sem sucesso. A gravidade da adicção também é apontada por Sales et al.20, que mostraram que mesmo com tratamento farmacológico e acompanhamento ambulatorial apenas 50,8% dos pacientes pararam de fumar.

 

Conclusão

Os resultados deste estudo demonstram que o município de Joaçaba apresenta índices de consumo de tabaco tão elevados quanto os apresentados por capitais brasileiras. Indicam ainda que a população acima de 39 anos de idade, com menor renda e com menor escolaridade, é afetada predominantemente. Este estudo também evidenciou uma associação entre depressão moderada a grave e o hábito do tabagismo.

 

Colaboradores

MC Bortoluzzi, RT Kehrig, AD Loguercio e JL Traebert participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

 

Referências

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Artigo apresentado em 10/11/2008
Aprovado em 29/06/2009
Versão final apresentada em 10/07/2009