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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 n.5 Rio de Janeiro May. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000500001 

EDITORIAL

 

Desafios da atenção à saúde integral da mulher

 

 

Desde as primeiras décadas do século passado, anseios de uma perspectiva ampliada da atenção à saúde da mulher vêm se esboçando no país. Tributadas à organização e à mobilização de setores civis e governamentais, em geral, e ao protagonimso do movimento feminista, em específico, as transformações desses anseios em diretrizes e ações programáticas ocorreram no campo das políticas. No conjunto dos vários textos legais que procuraram e procuram dar sustentação a essas transformações, destaca-se a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, criada em 2004 e vigente até os dias atuais.

Em suas diretrizes, essa política se propõe a atingir mulheres, em todos os ciclos de vida, levando em conta as especificidades de distintos grupos populacionais, como mulheres negras, indígenas, urbanas, rurais, presidiárias, homossexuais e as com deficiências, dentre outras. Dois eixos servem de ancoragem para essas diretrizes: o primeiro se relaciona à perspectiva de gênero, de raça e de etnia que deve nortear a política, enquanto o segundo diz respeito à ampliação do enfoque para que se consiga avançar da saúde sexual e da saúde reprodutiva para todos os aspectos da saúde da mulher.

Ainda que os objetivos dessa política tenham logrado êxito ao longo da sua existência, não se pode deixar de focalizar alguns desafios, principalmente no que tange ao enfrentamento de reduções que costumam ocorrer no âmbito de algumas práticas que buscam viabilizar tais objetivos. Nesse sentido, observam-se dificuldades de atender à saúde das mulheres de forma integral, por conta de abordagens biomédicas reducionistas; não contextualização da mulher no campo das relações de gênero; domínio quase que exclusivo da heteronormatividade; questões estruturais que limitam o acesso à saúde; e comprometimentos na quantidade e na qualidade da prestação dos serviços de saúde.

Esses desafios não devem ser vistos como algo paralisante; ao contrário, devem servir de mote para que se caminhe na garantia da atenção à saúde da mulher. Um dos caminhos para que isso ocorra diz respeito à socialização de achados de pesquisas – teóricas ou empíricas – que procuram trazer luz para os comprometimentos e as ações de prevenção e promoção da saúde da mulher. É com esse propósito que se apresenta a seguir uma coletânea de artigos voltada para a saúde da mulher.

 

Romeu Gomes

Editor Chefe