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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16  suppl.1 Rio de Janeiro Jan. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000700093 

ARTIGO
EDUCAÇÃO E CONTRIBUIÇÕES DOS VÁRIOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

 

Do faz de conta à realidade: compreendendo o brincar de crianças institucionalizadas vítimas de violência por meio do brinquedo terapêutico

 

From fantasy to reality: understanding the way of playing of institutionalized children victims of violence through therapeutic play

 

 

Karina Jorgino Giacomello; Luciana de Lione Melo

Departamento de Enfermagem, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas. Rua Tessália Vieira de Camargo 126, Cidade Universitária "Zeferino Vaz". 13083-887 Campinas SP. giacomelinha@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Trata-se de uma pesquisa qualitativa embasada no referencial da fenomenologia análise da estrutura do fenômeno situado, cujo objetivo é compreender a criança institucionalizada vítima de violência por meio de sessões de brinquedo terapêutico. Participaram três crianças abrigadas em idade pré-escolar, sendo um menino e duas meninas. As sessões de brinquedo terapêutico do tipo dramático foram realizadas em um local reservado, variando de trinta a cinquenta minutos, com a seguinte proposta norteadora: "Vamos brincar de uma criança que mora no abrigo?" Foi possível apreender duas amplas categorias temáticas: o brincar e o faz de conta e o brincar e a realidade. Ao brincar de faz de conta, ora de modo tranquilo, ora de modo violento, as crianças trouxeram conteúdos que evidenciaram situações de seu cotidiano familiar. Ao exporem sua realidade, as crianças abordaram questões sobre a instituição de abrigamento e a vinculação com estes profissionais e com os familiares. É possível afirmar que o brinquedo terapêutico permitiu uma comunicação eficaz da criança por meio da expressão de seus sentimentos, de seus desejos, de suas experiências vividas, de críticas ao meio onde vive e às relações familiares, além de possibilitar um momento de prazer e de descontração.

Palavras-chave: Criança institucionalizada, Violência, Jogos e brinquedos, Pesquisa qualitativa


ABSTRACT

This qualitative research is based on the reference framework of Phenomenology analysis of the structure of the situated phenomenon, and aims to understand institutionalized children victims of violence through therapeutic play sessions. Participants were three sheltered children of preschool age, one boy and two goals. The therapeutic play sessions of the drama type were held in a reserved place and ranged from 30 to 50 minutes, using the following guiding proposal: "Let us play that we are children who live at the shelter?" Two broad theme categories could be captured: playing and pretending and playing and reality. When they are pretending while playing, sometimes calmly, sometimes violently, the children brought contents that evidenced situations in their daily family reality. When they expose their reality, the children addressed questions about the shelter institution and the bond with these professionals and with the relatives. It can be affirmed that therapeutic play allowed for the children's effective communication by expressing their feelings, desires, experiences, criticism against the environment they live in and family relations, besides permitting a moment of pleasure and relaxation.

Key words: Institutionalized child, Violence, Games and toys, Qualitative research


 

 

Introdução

A violência se constitui, atualmente, em um dos mais graves problemas de saúde pública, fenômeno esse observado no Brasil e em diversos outros países1, e, no entanto, o que se tem quantificado representa apenas a ponta de um iceberg2.

A violência contra crianças e adolescentes representa todo ato ou omissão praticada por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou adolescentes que sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima implica de um lado, numa transgressão do poder, dever de proteção do adulto, e de outro, numa "coisificação" da influência, isto é, numa negação do direito que os adolescentes e crianças têm de serem tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento3.

A violência pode ser classificada como sexual, psicológica, física e negligência, sendo que a violência fatal pode se fazer presente em qualquer uma dessas modalidades, quando as mesmas forem capazes de causar-lhe danos de diversas ordens, podendo ser considerados condicionantes, únicos ou não, de sua morte4.

O que mais choca nos casos de violência contra a criança, é que ela ocorre, na maioria das vezes, no espaço intrafamiliar. Entretanto, ninguém nasce agressor; os comportamentos são construídos dentro de um contexto socioeconômico, político e cultural5, enfatizando que, na maioria das vezes, o agressor foi vítima de maus tratos durante a infância, com privação ou rejeição afetiva, e que agora, eles expressam suas necessidades emocionais de forma inadequada6.

A violência dentro da família gera a violência social, em que o grande perdedor acaba sendo a própria sociedade, pois as vítimas da violência acabam assimilando valores desfigurados de respeito humano e, assim sendo, a vulnerabilidade e fraqueza que apresentam na época da agressão são apenas temporárias, vindo a criança a se tornar, na maioria dos casos, um adulto agressivo e pouco cuidadoso com o outro7.

Desde 1990, com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)8, o Brasil busca garantir os direitos das crianças e adolescentes. Quando a família não consegue prover os seus membros de cuidados, cabe, então, à sociedade, protegê-los, que é o que ocorre quando o conselho tutelar é acionado7.

Na maioria das vezes, crianças/adolescentes que tiveram seus direitos violados são encaminhados para abrigos mantidos pelo poder municipal/estadual e por ONGs, onde aguardam até que o Juizado da Infância e da Juventude decida o caminho mais adequado. Neste contexto, a criança/adolescente passa a ser cuidada por diversos cuidadores, além de manter contato com outras vítimas, com realidades semelhantes.

Desta forma, compreende-se que estas mudanças de ambiente físico e psicológico, do contato com cuidadores e afastamento dos familiares causam, como qualquer alteração do cotidiano, um estranhamento e um sentimento de desconfiança que, gradativamente, poderá ser substituído por um outro sentimento, o de proteção. Contudo, este movimento é singular para cada criança/adolescente, diferenciando-os em tempo, atitudes, engajamento e tranquilidade.

Durante um estudo realizado em uma instituição para crianças vítimas da violência sob tutela da justiça, apontou-se a necessidade de haver um espaço de acolhimento e elaboração dos conflitos trazidos pelas crianças9. Do exposto até aqui, busca-se, então, uma direção que tente compreender esse processo de mudança na vida da criança vítima de violência e acredita-se que o brinquedo terapêutico (BT) seja um instrumento adequado para contribuir com essas necessidades.

O brinquedo terapêutico é um instrumento essencial na assistência à criança por ser uma prática integradora, pois, a partir do brincar, ela se integra a si mesma, às outras pessoas e ao meio ambiente. Possui também o atributo de possibilitar à criança a dramatização de papeis, de conflitos e a catarse (alívio ou purificação do indivíduo), funcionando como "válvula de escape", permitindo desta forma que um conflito vivenciado pela criança seja compreendido10.

O brinquedo representa para a criança um meio para inserir-se na realidade pois, através dele, a criança deixa de ser um simples espectador e passa a ser agente transformador, expressando a maneira pela qual reflete, ordena e desordena, constrói e destrói um mundo que lhe seja significativo e que corresponda às suas necessidades intrínsecas, permitindo que ela trabalhe suas relações com o mundo11.

O brinquedo terapêutico pode ser utilizado como estratégia com qualquer criança. A sessão pode variar entre quinze e 45 minutos, pode ser realizada em qualquer área conveniente e sua meta é compreender os sentimentos e as necessidades da criança12.

Os brinquedos necessários, geralmente dispostos em uma caixa, são figuras representativas da família e animais domésticos, além de objetos representativos do cotidiano da criança13. Contudo, não há um conteúdo específico, de forma que o profissional tem liberdade de escolha.

O brinquedo terapêutico pode ser classificado em três tipos:

. Dramático ou catártico - permite a descarga emocional da criança;

. Instrucional - permite a explicação de procedimentos para a criança;

. Capacitador de funções fisiológicas - permite que a criança seja capacitada para utilizar suas funções de acordo com sua condição biofísica10.

Fica explícito, então, que cada um dos tipos de brinquedo terapêutico permite atingir um objetivo específico e, para este estudo, com o objetivo de compreender a criança institucionalizada vítima de violência, a opção que se mostra adequada é o brinquedo terapêutico dramático, pois ele permite que a criança expresse seus sentimentos, fantasias, desejos e experiências vividas; exteriorize as relações e papeis sociais por ela internalizados; comunique-se eficazmente com os adultos; critique o meio e as relações familiares; torne-se ser ativo; fortaleça seu ego; assuma papeis de faz de conta de ser pai, mãe e/ou profissionais, além de possibilitar uma modificação de seu comportamento10.

Assim, a motivação em estudar crianças institucionalizadas, vítimas de violência, revelou a necessidade de se buscar um caminho que pudesse desvelar o significado de tais experiências para estas, compreendendo que somente elas é que poderiam tornar manifesto aquilo que lhes foi fundamental, enquanto sujeito dessa experiência.

 

Metodologia

Na modalidade de pesquisa qualitativa fenomenológica14,15, o pesquisador está mais preocupado, de início, com a natureza daquilo que vai investigar, de tal forma que não existe para ele, ainda, uma compreensão do fenômeno15. Assim, o pesquisador procura desvelar e tornar explícita a constituição dos acontecimentos da vida diária dos sujeitos.

Por meio dos comportamentos e discursos das crianças durante o brincar, pergunta-se sobre a realidade experienciada por elas, buscando compreender a estrutura do fenômeno situado.

É importante ressaltar que as unidades de significado não estão contidas nos comportamentos e nos discursos dos sujeitos, mas existem em relação a uma predisposição do pesquisador, tendo em vista sua inquietação inicial, de forma a sintetizar o que é vivido pelo sujeito com relação ao fenômeno em estudo.

A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição municipal de proteção a crianças e adolescentes localizada no município de Campinas (SP).

A população deste estudo foi formada por três crianças abrigadas em idade pré-escolar, sendo um menino de cinco anos e duas meninas uma com cinco anos e outra com seis anos.

Após contato e permissão da instituição e parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, iniciaram-se as sessões de brinquedo terapêutico dramático, num total de quatro sessões com cada criança.

Antes da realização as sessões de BT, fazia-se com as crianças um momento de familiarização e somente após esse momento é que se convidava uma criança para brincar em um local reservado, apresentando a ela uma caixa de brinquedos e oferecendo instruções sobre a irrestrita manipulação dos mesmos, ou seja, ela poderia brincar com os brinquedos que a agradassem, contudo com tempo determinado, explicação esta realizada utilizando-se o maior ponteiro do relógio para indicar o tempo máximo, solicitando a colaboração para guardar os brinquedos ao término do horário previsto, e fazendo a seguinte proposta norteadora: Vamos brincar de uma criança que mora no abrigo?

O tempo das sessões variou de trinta a cinquenta minutos. Vale ressaltar que a criança poderia finalizar a sessão antes do tempo estipulado, se assim fosse de sua vontade. Durante o brincar, manteve-se o gravador de fitas cassete ligado, independente da expressão verbal das crianças, além de anotar em diário de campo, seus comportamentos.

A fim de manter o anonimato das crianças, estas foram renomeadas como príncipe e princesas da Disney, conforme escolha das próprias crianças. Os nomes das pessoas citadas pelas crianças também foram substituídos.

As crianças foram acompanhadas de modo não diretivo, durante o brincar. O modo não diretivo, para a pesquisa fenomenológica, significa ir à busca da experiência vivida do outro e, para tal, é necessário compartilhar o seu ser com o outro, participando da brincadeira apenas quando convidado, sempre mantendo a liberdade de escolha das crianças em relação às brincadeiras, deixando-as conduzir seu próprio brincar. Esta opção pela não condução está embasada no referencial fenomenológico, pois o pesquisador "não considera diante de si o ser humano como seu objeto de pesquisa, mas um sujeito que tem um mundo a ser desvelado"16.

Na abordagem fenomenológica, a criança é considerada em sua totalidade. Seus comportamentos, gestos, falas e silêncios demonstram seu modo singular de existir que se busca compreender, a fim de desvelar suas vivências.

De posse dos registros do brincar das crianças, foram considerados os seguintes passos: leitura global do conteúdo total do brincar, de forma a apreender sua configuração global; releitura, considerando a proposta norteadora, de modo a identificar as afirmações significativas dos sujeitos (unidades de significado); diante dessas unidades de significado, buscavam-se suas convergências (elementos que sejam comuns a várias crianças) e suas divergências (elementos que são peculiares a apenas uma criança ou a poucas) e, a partir das convergências/divergências, construíram-se as categorias temáticas14,15, apresentadas a seguir.

 

A criança institucionalizada vítima de violência: significados de seu brincar

As princesas e o príncipe: suas histórias de vida

Pequena Sereia

Criança de cinco anos e cinco meses, do sexo feminino, institucionalizada há dez meses por suspeita de violência física e negligência. As visitas familiares foram suspensas há dois meses, em razão da solicitação de destituição de guarda.

Branca de Neve

Criança de cinco anos e dois meses, do sexo feminino, institucionalizada há sete meses por negligência e suspeita de violência sexual. Recebe visitas periódicas da mãe e encontra-se em estudo a transferência de guarda para a avó, já que a mãe ainda mantém vínculo com o pai, que é o agressor da criança.

Aladim

Criança de seis anos e dois meses, do sexo masculino, que está institucionalizada há cinco meses em virtude do abandono materno. Vale enfatizar que a mãe permanece desaparecida. Foi solicitada destituição de guarda.

 

Do faz de conta à realidade: o brincar das crianças institucionalizadas vítimas de violência

O brincar das crianças institucionalizadas vítimas de violência, durante as sessões de brinquedo terapêutico, revelou facetas de seu passado, presente e futuro. Contudo, passado, presente e futuro fundem-se e confundem-se durante a brincadeira, pois o estágio de desenvolvimento cognitivo em que se encontram não permite completa compreensão desta tríade.

Nesta perspectiva, em que o tempo principal é o aqui e agora, o já, o imediato, a criança fascinada com o brincar vai descobrindo o mundo, do mais desconhecido e estranho, ao mais familiar e acolhedor, sempre oscilando entre o faz de conta e a realidade. Esta relação criança-mundo, sempre rica de possibilidades e significados, é que compõe o enredo único do brincar, em que é possível relembrar, inventar, experimentar, modificar, atualizar o que quer e o que não quer ante o que se impõe, de tudo o que aparece. E assim, de modo criativo, a criança cresce e se desenvolve17.

Dessa forma, organizou-se o brincar das crianças em duas categorias: o brincar e o faz de conta e o brincar e a realidade.

O brincar e o faz de conta

A categoria "o brincar e o faz de conta" foi dividida em três subcategorias: fazendo de conta que é adulto, brincando de modo violento e revivendo situações cotidianas.

Fazendo de conta que é adulto

Por diversas vezes, surgiram situações em que as crianças colocavam-se no papel de adultos e até mesmo de profissionais, predominantemente os profissionais da saúde, mostrando, através disso, a necessidade de se colocarem na posição daqueles que detêm o poder.

É evidente que o brincar das crianças esteja condicionado pelo desejo de serem grandes e de se comportarem como pessoas grandes18,19, sendo que, para isso, utilizam o faz de conta, o jogo imaginativo, progredindo, dessa forma, da necessidade de experimentar alguma coisa para a habilidade de pensar sobre ela20.

Pequena Sereia: [criança acha um jornal no caderno da pesquisadora, brinca com ele e guarda-o novamente no caderno]. "Eu vou tirar daqui e vou colocar no seu caderno. E fala pra sua mãe que foi eu que coloquei [Pequena Sereia coloca o jornal de volta no caderno]. Tá bom? Fala de verdade. Se você falar de mentirinha você vai apanhar. De mim! De mim. Porque eu estou, porque eu sou brava. Não pode fazer bagunça comigo e eu sou brava e não pode mexer aí nas minhas coisas, porque esse caderno é meu. Você trouxe e eu já falei obrigado e eu sou tia".

Brincando de modo violento

As crianças apresentaram, durantes as sessões de BT, algumas atitudes violentas, agressivas e automutiladoras. Quando joga, a criança mostra-se em todo o seu frescor, em toda a sua espontaneidade. [...] não sabe esconder nenhum dos sentimentos que a impulsionam, e assim, reproduzem no brinquedo a experiência vivida de forma a vingar-se em alguém, da pessoa que a fez sofrer21.

Pequena Sereia [ao brincar com animais]: "Eu vou fazer, que, que eu vou, um negócio pra você, que aí depois [pega a lima] corta ele [passa a lima no cavalo]. Estou cortando de mentirinha [criança corta todos os animais]. Esse, cortou sozinho. Olha tia, cortou sozinho. Esse aqui cortou sozinho. E aquele fui eu. Pra ele parar de chorar porque ele está chorando! Não vou cortar não. Pra ele parar, pra ele, pra mãe dele não bater nele".

Branca de Neve demonstra um comportamento violento não só voltado a si própria, como também, para a pesquisadora.

Branca de Neve: "Onde está o relógio? [criança ri e abre a caixa] Cadê? Está em cima de você!"[Ela procura o relógio embaixo da pesquisadora, a qual se vira um pouco para que Branca de Neve consiga procurar e então esta começa a dar tapas na região glútea da pesquisadora e continua a bater olhando nos olhos da mesma e rindo, mesmo após a pesquisadora perguntar por que estava fazendo isso].

"A ameaça da perda gera ansiedade e a perda real causa tristeza, ao passo que ambas as situações podem despertar raiva"22, a qual pode mostrar-se útil, quando a separação é apenas temporária, pois ajuda a criança a vencer os obstáculos da figura ausente ao expressar recriminação em relação a quem parece ter sido responsável pela separação, portanto, ansiar pelo impossível, raiva desmedida, choro impotente, horror ante a perspectiva de solidão, súplicas lastimosas por compaixão e apoio são sentimentos que crianças que sofreram uma perda necessitam expressar23.

Vale ressaltar, ainda, que o ato antissocial possui um aspecto positivo, na medida em que ele seria um indicativo de que a criança ainda possui esperança em reencontrar a experiência boa que foi perdida24.

Assim, portanto, pode-se afirmar que o comportamento de Branca de Neve ora expressa sua raiva, ora reproduz a violência sofrida no ambiente doméstico. Quando a criança, ao brincar, dá vazão ao ódio e à agressão, significa que ela pode expressar seus sentimentos para o meio, sem o receio de que eles retornem a si. Este movimento ajuda a criança a dominar suas angústias25.

Revivendo situações cotidianas

A descrição do brincar de uma criança de cinco anos de idade explicita de modo objetivo a representação que a criança faz de seu cotidiano26. Esta descrição sustenta a afirmação de que, durante seu brincar, as crianças trazem temas comuns da vida, como educação, relações familiares e vários papeis que representam as pessoas que integram sua cultura20.

As crianças, principalmente as do sexo feminino, brincaram muitas vezes de casinha durante as sessões de brinquedo terapêutico, trazendo, inclusive, falas e gestos comuns, relacionados aos utensílios e aos afazeres domésticos.

Branca de Neve: "Esse aqui é o garfo. Esse é de fazer comida. Negócio de arroz, garfo é de comer e a faca é de cortar linguiça. Gosta da linguiça?" [criança finge estar comendo].

Branca de Neve: [criança pega a calça de um dos bonecos e passa o ferro]. "E eu vou passar roupa. Passar o short e depois a camiseta. Passei".

Sob este prisma, ao brincar, a criança exterioriza um misto do que ela vive ou viveu com aquilo que ela pensa, imagina ou cria interiormente18.

Outro aspecto evidenciado diz respeito às figuras familiares.

Branca de Neve: [criança retira da caixa a boneca avó e as nomeia]. "Tia! Papai [retira o avô e então muda de ideia, dizendo que esse último é pai e não mais a avó]. Esse aqui é o papai [pega o filho]. Esse aqui é eu [mostra a boneca avó]. E esse aqui é a minha mãe, a mãe".

Apesar dos familiares estarem presentes no cotidiano de crianças, apenas Branca de Neve os revelou no seu brincar. A família que Branca de Neve constrói vem repleta de conteúdos vividos por ela. O foco da família de faz de conta de Branca de Neve é o pai, seu agressor, demonstrando que, apesar de, muitas vezes, o fazer de conta tomar formas confusas, ele sempre revela uma estrutura, uma regra que é própria do mundo real da criança18.

Ao exteriorizar seu mundo real, Branca de Neve revela cenas compatíveis com a violência sofrida, uma vez que a criança chegou à instituição com suspeita de violência sexual.

Branca de Neve: "A tia, a tia Rosinha, Mônica. Eu tiro a roupa dela, ela vai ficar pelada. Não, é o tio! Ai! Pensei que é o tio, é a tia" [criança ri e começa a tirar a roupa da boneca]. O peito dela. A cueca, a calcinha da tia. Vou tirar a calcinha dela também. Calcinha, ela vai ficar sem calcinha. Vai ficar, ó, só o pelinho dela. O pelinho! [criança começa a tirar a roupa do boneco pai]. Esse homem também tem. Tem cueca. Tem cueca, olha. Mulher tem calcinha [criança tira a cueca do boneco]. Pinto do homem. Homem não tem peito. Só mulher. Vai ficar tudo pelado. Ela gosta de homem pelado. Eu gosto de homem pelado".

Um dos comportamentos da criança abusada sexualmente são brincadeiras com conteúdos sexuais27. Refletindo sobre o brincar de Branca de Neve que traz a família como figura central na brincadeira, pode-se evidenciar que esta é considerada uma unidade inviolável em nossa cultura, devendo ser preservada a qualquer preço, não permitindo interferências externas.

Além das brincadeiras já apresentadas, outras também exploradas pelas crianças foram escrever e desenhar. Todas elas não apresentam alfabetização completa, sendo que umas encontravam ainda mais dificuldades que outras na escrita, na identificação de letras, palavras e/ou cores.

Mas, embora ainda não fossem alfabetizadas, as crianças se expressaram lendo o que "haviam escrito" ou pedindo para que a pesquisadora escrevesse. Colocaram-se na posição de professor, mostrando conhecimento de algumas letras, embora as confundissem na hora de fazê-las ou de identificá-las e verbalizaram o desejo de aprender a escrever, principalmente com letra manuscrita.

Branca de Neve: "Vou fazer o nome da tia Barbie, que eu sei. Ó, vou fazer o da tia Barbie aqui [criança faz um traço e depois continua fazendo traços, um abaixo do outro]. "Aí eu vou fazer o da tia Suzi. É. Agora eu vou fazer o da tia Moranguinho. Tia Moranquinho. Está vendo? Tá certo? Tá certo, tia? Agora eu vou fazer o meu, agora eu vou fazer o nome da, da, da tia Fo, da tia Fofolete".

O brincar e a realidade

A categoria "o brincar e a realidade" foi dividida em duas categorias: falando sobre a instituição e falando sobre a realidade.

Falando sobre a instituição

Em diversos momentos do brincar, as crianças revelam seu cotidiano na instituição, comen tam sobre as normas e rotinas existentes, questionam as razões do abrigamento, as relações com os demais abrigados e com os profissionais/ocupacionais da instituição, chamados pelas crianças de tios e tias. Assim, foi possível evidenciar, ainda que brevemente, alguns determinantes dos relacionamentos interpessoais existentes na instituição.

Quando uma criança é retirada da família, isto é feito com a finalidade de protegê-la e de conscientizar seus pais sobre a responsabilidade da maternidade/paternidade, tendo como objetivo a reinserção da mesma no seu ambiente de origem, pois é sabido que a institucionalização jamais substituirá o ambiente familiar, embora sejam oferecidos os cuidados básicos de saúde, higiene, alimentação e educação28. Tal fato ocorre porque, embora haja o suprimento das necessidades fisiológicas e escolares das crianças, estas sofrem com o rompimento dos vínculos afetivos que têm com seus familiares, quando vão para um ambiente desconhecido.

Ao adentrar o mundo do abrigo, a criança não compreende exatamente o porquê e tenderá a atribuir esse acontecimento a uma vontade ou decisão arbitrária de alguém, responsabilizando, por vezes, a mãe, o pai ou algum outro familiar pelo seu asilamento numa instituição29, o que podemos verificar através do discurso durante o brincar de Branca de Neve: "Quando eu tava lá, quando eu tava lá, o meu pai me batia, né? Por isso que eu vim pra cá" .

Em razão do medo e desamparo que acompanham a criança em sua chegada à instituição, a mesma deveria ser um ambiente acolhedor e sustentador, de forma a oferecer à criança o que ela não possuía em sua casa, proporcionando a oportunidade de recuperar aquilo que foi falho em seu ambiente doméstico, de forma que ela realizasse a integração e o vir-a-ser do sujeito, permitindo um desenvolvimento adequado24.

Para que a criança encontre no abrigo esse ambiente acolhedor, um dos fatores necessários seria a formação de vínculo com os cuidadores, aqueles que, durante a sua permanência, terão a função de cuidar. Estes deveriam ser aqueles que, na ausência dos pais das crianças, formariam o vínculo necessário para se tornarem sua figura de ligação, essencial para que se sintam seguras o suficiente para se desenvolverem.

A figura de ligação está embasada na teoria de Bowlby. A teoria explicita que um comportamento de ligação é concebido como qualquer forma de comportamento que resulta em que uma pessoa alcance ou mantenha a proximidade com algum outro indivíduo diferenciado e preferido, o qual é usualmente considerado o mais forte e (ou) mais sábio. [...] Inclui choro ou chamamento, que suscitam cuidados e desvelos, o seguimento e o apego, e também os vigorosos protestos se uma criança ficar sozinha ou na companhia de estranhos30.

Dessa forma, seria esperado que as crianças dirigissem esse comportamento de ligação às pessoas específicas e apresentassem algumas das atitudes acima citadas quando separadas da(s) sua(s) figura(s) de ligação, fato que não ocorreu durante a permanência na instituição. Vale ressaltar ainda que, nos momentos em que as crianças eram convidadas para brincar e conduzidas até um local reservado, deixando as demais crianças abrigadas e os cuidadores, elas não demonstravam movimento de busca pela figura de ligação.

O relacionamento entre cuidadores e crianças não ocorre de forma efetiva porque há uma proporção grande de crianças em relação aos adultos28. Seria vital que as crianças que vivem em uma instituição pudessem ter um adulto que as visse de forma singular, diferenciando-as do resto do grupo31 e mantendo com elas um vínculo amoroso.

É impossível fazer algo certo por uma criança, promulgando uma lei ou instalando uma engrenagem administrativa. Isto tudo é necessário, mas constitui apenas um primeiro estágio. Em todos os casos, o cuidado de crianças envolve seres humanos, e estes têm que ser do tipo certo. É preciso que haja pessoas que transitem entre autoridades superiores, mas que também mantenham contato com os cuidadores das crianças, apreciando seus pontos bons, reconhecendo os êxitos, permitindo que o processo educativo fermente e torne interessante a tarefa, debatendo os fracassos e as razões dos fracassos32.

Outro aspecto digno de discussão diz respeito aos modos de cuidar dos cuidadores. É necessário que haja preocupação dos gestores dos abrigos, sobre a possibilidade de revitimar a criança, já que a maioria dos abrigos brasileiros não oferece formação específica àqueles que cuidam da criança vítima de violência, lembrando que, infelizmente, na sociedade brasileira atual, o uso da punição física é ainda um instrumento frequentemente utilizado na educação das crianças e tais atos não são considerados práticas abusivas, sendo reproduzidos como uma prática disciplinar33. Esta realidade emerge durante o brincar:

Pequena Sereia: "Ah, porque não pode tirar, bagunçar as trancinha, né? Porque senão as tia vai brigar. As tia do abrigo! Ela é bravas!"

O discurso acima revela a existência de uma violência institucional, onde a cultura de poder e dominação por parte dos "educadores" do abrigo impera28.

Ao destinar esse tratamento às crianças, os cuidadores desrespeitam o ECA e a criança, distorcem a função do abrigo, tornam a experiência do abrigamento negativa para as crianças e criam um ambiente desfavorável ao desenvolvimento saudável das mesmas34.

Um limite revelado pelo abrigamento é a não formação de vínculos entre crianças-crianças, dado que corrobora com um estudo realizado, em 1999, com crianças vítimas de violência pelo Centro de Referência às Vítimas de Violência do Instituto Sedes Sapietiae (CNRVV), ao mostrar que, apesar de encontrarem indícios de que essas crianças se reconheciam no outro, tal possibilidade não se configurava em um fator de união e indicou que as relações eram permeadas de competição e disputa, além de sentimentos de inveja, cobiça, ciúmes, dissimulação e traição34.

Pequena Sereia: "Não! Amanhã que é a Cinderela. Eu, eu, amanhã eu que sou a primeira. Todo dia eu sou a primeira. Ah! Todo dia eu sou a primeira". (Pesquisadora: Não, as outras crianças também tem que brincar). "Não, não tem! Não tem que vim. Só eu porque eu sou boazinha. Eu não bato. Eu faço lição! Eu não bato, não xingo e não belisco. E não mordo. E não fico mordendo".

Ao não formarem, com os profissionais do abrigo, um vínculo a ponto de os verem como figuras de ligação, as crianças, com o passar do tempo, aprendem a lidar com o poder constituído e com toda a "cultura" institucional, criando assim "bons vínculos" com pessoas externas à instituição como estratégias de sobrevivência, um vínculo permeado de relações de troca, negociação, sedução, caridade e piedade29.

Aladim: "Só quem obedece você, não faz bagunça, né tia, que leva? Leva pra brincar aqui, né? É só quem obedece".

E da mesma forma que aprendem a viver com a falta de vínculo existente no abrigo, as crianças aprendem também a lidar com as regras e com as rotinas institucionais:

Aladim: "Não pode fazer barulho no quarto, né tia? No quarto, né? Quando a gente está dormindo, senão acorda, né?"

Falando sobre a família

Durante as sessões de BT, as crianças trouxeram várias vezes, em seus discursos, assuntos relacionados aos seus familiares, por meio dos quais é possível apreender a existência de vinculação entre eles. Porém, por vezes, o brincar revelou um caminhar para a desvinculação, restando à criança apenas lembranças e pensamentos distorcidos acerca de seus familiares.

A vinculação afetiva existe como resultado do comportamento social de cada indivíduo de uma espécie e o mesmo difere conforme o outro indivíduo de sua mesma espécie com quem esteja tratando e permanecerá enquanto cada membro de um par vinculado tender à manutenção da proximidade do outro e suscitar, no outro, o comportamento de manutenção da proximidade22.

Desta forma, a criança abrigada manterá o vínculo com sua mãe, pai ou outra pessoa significativa, se esse movimento for recíproco, e, assim, pode-se concluir que a manutenção do vínculo fica facilitada e possível quando a criança mantém contato com a figura de ligação, isto é, quando recebe visitas de familiares. Vale ressaltar, também, que uma ligação pode desenvolver-se apesar de repetidas punições da figura de ligação para com a criança30, o que se pode evidenciar através do discurso de Branca de Neve: "Porque um dia minha mãe veio aqui. Ela chama Magali. Magali. Foi outro dia que ela veio. Ela veio, ela veio três vez. Ela vai levar eu embora, eu de volta pra casa dela pra, pra fazer. Por causa, por causa que ela vai no varal. Está lá na chuva. Quando eu tava lá, quando eu tava lá, o meu pai me batia, né? Por isso que eu vim pra cá. Agora ele não vai bater mais".

É perceptível que Branca de Neve nutre esperanças de voltar ao lar por meio da idealização de que o pai não irá mais violentá-la, idealização feita pelas crianças abrigadas para "evitar o sofrimento causado pela realidade de abandono em que vivem em função da institucionalização, e também para nutrir um sentimento de esperança de que alguém as ama e poderá modificar sua situação de vida"28.

Além da figura dos pais, as crianças lembram-se de seus irmãos, também institucionalizados no mesmo local que elas ou em outros abrigos do município.

Pequena Sereia: "Visitei minha irmã. Lá, onde eu vi minha irmã, tem um monte de brinquedo".

Vale destacar que o brincar da criança não pode ser desvelado em sua totalidade. O que se mostra são facetas, muitas vezes parcialmente compreendidas, pois a criança em idade pré-escolar tem a linguagem verbal limitada, juntando-se a esta característica, a compreensão parcial das mudanças ocorridas em sua vida, o que pode gerar um discurso confuso, em que a tônica é a família, como o de Pequena Sereia: "É, Pedrita, é, é não, Chuquinha, que nem, que tem dois negócio, uma é a Ana Cláudia que tem cabelo roxo assim. [Pesquisadora pergunta: Ela tinha cabelo roxo?) Não. Cabelo vermelho" [criança refere-se à sua mãe].

[Pequena Sereia escreve a letra de forma A] "Que letra é essa? Essas duas? [refere-se ao pequeno círculo e à letra A]. É de Poli, minha mãe".

Assim, evidencia-se que o problema da filiação vivido pelas crianças asiladas nas atuais instituições de abrigo temporário, apesar das singularidades acompanharem cada caso, encontra-se bastante exposto à lógica do afrouxamento dos vínculos psicossociais, da movimentação, da compressão do tempo e do espaço, da volatilidade e de tantos outros dispositivos de produção da efemeridade, provisoriedade e da desfiliação28.

 

Considerações finais

Como na teoria, o brinquedo terapêutico permitiu uma comunicação eficaz da criança através da expressão de seus sentimentos, de suas fantasias, de seus desejos, de suas experiências vividas, de críticas ao meio onde vive e às relações familiares, trazendo um bem-estar único às crianças da instituição.

Dessa forma, após a realização das sessões de BT, não é possível mais ver estas crianças sem algum tipo de atividade lúdica que lhes dê suporte para viver o difícil dia a dia que enfrentam, e que essa oportunidade, a de momentos lúdicos, com o uso ou não do BT, precisa ser estendida a todas as crianças e adolescentes abrigados, sendo necessária a implantação de locais adequados para o desenvolvimento das mesmas, a aquisição de materiais para o mesmo fim e a capacitação de pessoas que se comprometam com essa causa.

Outra constatação feita durante a permanência na instituição é que essa necessita de profissionais preparados para oferecer às crianças abrigadas um ambiente saudável de forma a permitir um desenvolvimento pleno. Para a maioria dos profissionais da instituição, em especial os que mantêm contato direto com as crianças, requer-se apenas ensino médio completo, não exigindo nenhuma formação/qualificação que os subsidiem no cuidado com essas crianças com histórias de vida tão peculiares.

Quando o adulto é solicitado a cuidar da criança, ele deve lançar a vista na amplitude que a visão da criança não alcança. Assim, ao cuidar da criança, o adulto cuida também das próprias possibilidades. Na falta do adulto, a criança perde a oportunidade para experimentar, modificando o modo de perceber a si mesma. Isto se dá porque a presença real e efetiva do adulto aproxima a confiança, isto é, a descoberta da experiência de confiar. Assim, no envolvimento entre criança e adulto, ambos encontram oportunidade de desenvolvimento. E, se um dos dois estiver prisioneiro de um processo, o outro também não estará livre para compartilhar outras possibilidades. Desta forma, cuidar da abertura para as possibilidades futuras de uma criança implica em cuidar da abertura para as próprias possibilidades futuras.

Assim, cursos de capacitação/reciclagem sobre violência, além de supervisão de um profissional de saúde mental aos profissionais envolvidos, poderão ajudar a instituição e, consequentemente, os profissionais e crianças a um conviver saudável.

A realização deste estudo foi bastante reveladora no sentido de que o conhecimento da realidade em que vivem as crianças institucionalizadas é muito diferente daquele idealizado e preconizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Por isso, há a necessidade urgente e imediata de se fazer algo para contribuir com a mudança dessa realidade em que vivem, atualmente, as crianças vítimas de violência.

É preciso que os olhos da sociedade e dos profissionais envolvidos voltem-se para estas crianças que passam por situações de extrema solidão e desamparo e enxerguem as suas necessidades, a fim de que não se tornem mais vítimas do que já são.

 

Colaboradores

KJ Giacomello e LL Melo participaram igualmente de todas as etapas da elaboração do artigo.

 

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Artigo apresentado em 01/02/2008
Aprovado em 03/04/2008
Versão final apresentada em 29/10/2008