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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 n.10 Rio de Janeiro Oct. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011001100001 

EDITORIAL

 

Saúde da criança e do adolescente em perspectiva

 

 

Esse número temático traz grande contribuição para profissionais que trabalham com crianças e adolescentes. Os artigos oferecem diferentes abordagens metodológicas, apresentam diferentes saberes e abrangem diferentes regiões do país. Possibilitam uma reflexão abrangente sobre aspectos que vão desde o nascimento pré-termo à adolescência, integrando, em seu conjunto, estudos epidemiológicos, avaliação de comportamentos e práticas, educação em saúde e avaliação de programas de assistência à saúde.

As pesquisas sobre abandono do aleitamento materno e sobre intenção de abandono de mães de bebês prematuros impõem uma reavaliação de condutas e de práticas ligadas ao nascimento. Evidências científicas têm demonstrado a importância do aleitamento materno para a redução da morbidade e da mortalidade infantis.

Neste número temático destacam-se, ainda, condutas que fortaleçam o vínculo mãe-bebê para que possam contribuir para, dentre outras coisas, a redução do abandono. O parto e o nascimento hoje são práticas, em geral hospitalares e com excesso de medicalização. O abandono da amamentação, e posteriormente do bebê, podem ter raízes no desamparo institucional à mulher no ciclo grávido-puerperal, no excesso de cesarianas, nas práticas hospitalares que desautorizam as mães e que afastam o pai, a família e as redes de apoio social. Profissionais que trabalham na gestão ou na assistência pré-natal, sala de parto, alojamento conjunto, bancos de leite e ambulatórios devem estar atentos para a qualidade do vínculo e para a construção de redes familiares.

O debate natureza versus experiência traz à discussão as influências relativas de fatores biológicos e ambientais no desenvolvimento infantil. Tema esse também discutido neste número temático, nos artigos sobre ambiente domiciliar e alterações do desenvolvimento, retardo estatural em menores de cinco anos, fatores de risco para sobrepeso em adolescentes e o papel das redes sociais e da comunicação em programas de acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento da criança.

Outro destaque são seis trabalhos sobre saúde bucal, aspecto importante para a reorganização das ações e serviços, no âmbito da atenção básica, no SUS.

Também importantes são pesquisas sobre percepção e representação de crianças e adolescentes sobre diferentes questões, como corpo, sexualidade e violência, aqui abordadas.

Descortinamos, com os avanços e a incorporação cada vez maior das tecnologias duras, a necessidade de mudança no processo de trabalho em busca da interdisciplinaridade e da humanização. Deve-se evitar um descompasso entre as competências técnica e relacional, o que é discutido no artigo "Dialogia do riso: um novo conceito que introduz alegria para a promoção da saúde apoiando-se no diálogo, no riso, na alegria e na arte da palhaçaria".

Cuidar de crianças e adolescentes implica em formar laços e em construir redes. Acarreta em promover educação em saúde e em fomentar a construção de práticas de atenção integral no SUS, algumas estudadas e apresentadas aqui, como a assistência pediátrica no SUS a crianças com dependência crônica de ventilação pulmonar mecânica e a reflexão sobre o papel dos pediatras na Estratégia de Saúde da Família.

Como criar a ponte entre o conhecimento e a prática? As pesquisas desse número temático contribuem para a construção do conhecimento e promovem reflexões sobre a qualidade do cuidado, em busca da redução da morbidade e da mortalidade de crianças e adolescentes.

 

 

Zeni Carvalho Lamy; Antonio Augusto Moura da Silva

Departamento de Saúde Pública, Universidade Federal do Maranhão