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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 n.10 Rio de Janeiro Oct. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011001100014 

ARTIGO ARTICLE

 

Fatores associados ao nível de participação em atividades físicas em estudantes de uma universidade pública no sul do Brasil

 

Factors associated with the degree of participation in physical activities among students of a public university in the south of Brazil

 

 

Diego Augusto Santos Silva; Edio Luiz Petroski

Programa de Pós Graduação em Educação Física, Centros de Desportos, Núcleo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempeno Humano, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário Caixa Postal 476, Trindade. 88040-900 Florianópolis SC. petroski@cds.ufsc.br

 

 


RESUMO

Objetivou-se analisar os fatores associados ao nível de participação em atividades físicas (NPAF) em estudantes de uma universidade pública no Sul do Brasil. Para a avaliação do NPAF, foi utilizado o questionário da Associação Canadense de Fisiologia do Exercício. O NPAF foi classificado em adequado e inadequado. O estado nutricional foi verificado por meio do IMC, classificado em normal (< 25 kg/m2) e excesso de peso (> 25 kg/m2). As variáveis sociodemográficas foram: sexo, idade, trabalho, escolaridade da mãe, turno de estudo e estado civil. A regressão Poisson foi usada para examinar as associações entre o desfecho e variáveis independentes, considerando p < 0,05. A amostra representativa foi de 738 universitários (59,2% do sexo masculino). A prevalência inadequada de participação em atividades físicas foi de 30,8%. Os resultados na análise ajustada indicaram que universitários do sexo feminino (RP=2,79; IC95%:2,10-3,68) e com excesso de peso (RP=1,53; IC95%:1,04-2,23) apresentaram maior risco de inadequação para participação em atividades físicas. Estes achados são úteis para o desenvolvimento de programas de promoção da saúde, na universidade, com atenção especial aos calouros do sexo feminino e com excesso de peso.

Palavras-chave: Atividade motora, Estudantes, Sobrepeso, Estado nutricional, Escolaridade


ABSTRACT

The scope of this study was to analyze the factors associated with the degree of participation in physical activities (DPPA) among students of a public university in the south of Brazil. The Canadian Society for Exercise Physiology Questionnaire was used for the evaluation of DPPA. DPPA was classified as adequate and inadequate. Nutritional status was evaluated based on BMI, classified as normal (< 25 kg/m2) and overweight (> 25 kg/m2). The following socio-demographic variables were analyzed: gender, age group, work, maternal educational level, class period, and marital status. Poisson regression was used to examine the association between DPPA and independent variables, considering p < 0.05. The sample, which was representative of the institution, consisted of 738 students (59.2% males). The prevalence of inadequate physical activity participation was 30.8%. Adjusted analysis showed that female (PR=2.79; 95%CI: 2.10-3.68) and overweight students (PR=1.53; 95%CI: 1.04-2.23) presented a higher risk of inadequate physical activity participation. These findings might be useful for the implementation of health promotion programs in universities, which should pay special attention to female and overweight students in their freshman year.

Key words: Motor activity, Students, Overweight, Nutritional status, Educational level


 

 

Introdução

Em muitas situações, as universidades são os locais onde os jovens têm a primeira experiência de liberdade e independência, sem a supervisão direta dos pais e da família. Ao comparar o mundo universitário com experiências anteriores, verifica-se que os jovens tendem a enfrentar maiores pressões sociais e acadêmicas, objetivando o ingresso no mercado de trabalho1. Além destas cobranças, naturais com o passar dos anos, o ingresso na universidade e o contato com diferentes pessoas resultam no questionamento de valores, crenças e atitudes empregadas pela família no processo de educação, o que pode provocar modificações nos hábitos de vida1,2.

A literatura demonstra que com o ingresso no ensino superior ocorre uma diminuição na participação em atividades físicas2, o que pode resultar em doenças e agravos não transmissíveis3. Pesquisas demonstraram que a inatividade física está associada às doenças como o diabetes4, hipertensão5, alguns tipos de câncer6 e obesidade7.

Além dos benefícios à saúde, investigações reportaram que o aumento na prática de atividade física pode ajudar na adoção de outros comportamentos saudáveis, como a redução do tabagismo8, adequação dos hábitos alimentares9 e diminuição do estresse6. Assim, o incentivo à participação em atividades físicas é uma estratégia que as universidades podem dispor para que os alunos tenham estilo de vida mais saudável.

Para a estratégia ser eficaz, é necessário identificar os fatores que determinam a participação dos calouros em atividades físicas. Pesquisas populacionais indicaram que sujeitos com excesso de peso9, do sexo feminino10, com idade mais avançada1, de nível econômico baixo11, solteiros12, com elevada jornada de trabalho semanal13 apresentaram baixo nível de participação em atividades físicas.

No entanto, na população universitária, os resultados são controversos, sendo que algumas pesquisas verificaram associação com o estado nutricional9 e aspectos sociodemográficos14. Seo et al.9 investigaram, durante os anos de 2006 e 2007, universitários dos Estados Unidos, Costa Rica, Índia e Coreia do Sul e encontraram que, entre os estudantes com excesso de peso, há uma maior chance de inatividade física. Dawson et al.14 reportaram que estudantes Canadenses do sexo feminino são mais inativos fisicamente que os do masculino. Em outras pesquisas, tais associa­ções não são tão consistentes15,16. No levantamento do American College Health Association, com 94.806 estudantes dos Estados Unidos, não foram encontradas diferenças entre os sexos para o nível de participação em atividades físicas durante os anos acadêmicos15. Economos et al.16, em uma pesquisa longitudinal com duração de quatro anos, encontraram que universitários tenderam a aumentar a massa corporal em 1,7 kg por ano, estando esse incremento associado ao elevado consumo de álcool e a hábitos alimentares inadequados. Os autores não identificaram associação entre o incremento na massa corporal e a diminuição do nível de participação em atividades físicas.

Diante das controvérsias existentes na literatura e da importância de detectar fatores que podem auxiliar na implantação de programas de promoção da saúde nas universidades, o presente estudo tem o objetivo de analisar os fatores associados ao nível de participação em atividades físicas em estudantes de uma universidade pública no Sul do Brasil.

 

Métodos

Este estudo foi realizado com base no banco de dados do projeto de pesquisa "Avaliação da aptidão física relacionada à saúde de universitários da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)". Os protocolos de intervenção do estudo foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos da UFSC.

A população de estudo foi composta por 2.290 universitários ingressantes no primeiro semestre de 2008. Para o cálculo do tamanho da amostra, seguiram-se os procedimentos de Luiz e Magnanini17, adotando um nível de confiança de 95%, prevalência estimada de 30%12 e um erro máximo permitido de 3,0 pontos percentuais. Após um acréscimo de 10% para eventuais perdas, estimou-se que seria necessário avaliar 708 universitários. Utilizou-se a amostragem estratificada proporcional por centro de ensino e turno de estudo (diurno e noturno). Dentro de cada centro de ensino utilizou-se o procedimento conglomerado de turmas, participando da coleta de dados todos os alunos presentes em sala de aula, no dia da avaliação.

Foram considerados como recusas, os acadêmicos que não quiseram participar da pesquisa e não assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para determinar o nível de participação em atividades físicas, utilizou-se o instrumento "Participação em atividades físicas para a saúde" da Associação Canadense de Fisiologia do Exercício - CSEP18. O instrumento é composto por três perguntas sobre participação em atividades física (frequência, intensidade e percepção da condição física), no qual é gerado um escore com classificação em cinco categorias que determinam zonas benéficas à saúde, na seguinte ordem: "Necessita melhorar", "Regular", "Bom", "Muito Bom" e "Excelente". No presente estudo, analisaram-se as categorias de forma separada e dicotomizada em adequada ("Bom", "Muito Bom" e "Excelente") e inadequada ("Necessita melhorar", "Regular") para saúde. Este questionário foi construído baseado nas pesquisas de Godin e Shephard19 e Shephard e Bouchard20. Indicadores de validade do instrumento para pessoas de 15 a 69 anos de idade podem ser verificados em Tremblay et al.21.

Foram analisadas como exposição às variáveis sociodemográficas sexo (masculino e feminino), faixa etária (< 20 e > 20 anos), trabalho (sim e não), escolaridade da mãe (< 8 anos e > 8 anos de estudo), turno de estudo (diurno e noturno), situação conjugal (sem companheiro e com companheiro) e nível econômico. O nível econômico foi identificado pelo questionário da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa22 que utiliza um sistema de pontos que, somados, servem para dividir a população brasileira em classes econômicas conforme sua capacidade de compra. As classes dos critérios adotados pela ABEP são cinco: "A", "B", "C", "D" e "E" por ordem decrescente de poder de compra. No presente estudo, o nível econômico foi dividido em três classes: "A"; "B"; "C+D+E".

O estado nutricional foi investigado pelo índice de massa corporal (IMC) por meio dos pontos de corte estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde23, no qual foi considerado com excesso de peso acadêmicos com IMC > 25 kg.m-2. Para o cálculo do IMC, coletaram-se a massa corporal (kg) e a estatura (cm) de forma auto referida, procedimento utilizado, extensivamente, na população universitária15,24.

Para a caracterização da amostra empregou-se a estatística descritiva por meio de frequências absolutas e relativas. Ao dicotomizar a variável nível de participação em atividades físicas e verificar que o desfecho (participação inadequada) apresentou uma prevalência elevada, utilizou-se a regressão de Poisson (bruta e ajustada) com ajuste robusto de variância, para examinar as associações entre esta variável (variável dependente) com aspectos sociodemográficos e estado nutricional (variáveis independentes), estimando-se razões de prevalências e os intervalos de confiança. Todas as variáveis sociodemográficas investigadas e o estado nutricional foram introduzidos no modelo de regressão. O nível de significância foi estabelecido em 5%.

 

Resultados

A amostra do presente estudo foi composta por 738 calouros de uma instituição de ensino superior, pública e federal, da cidade de Florianópolis-SC, Brasil, com uma média de 20,1 (desvio padrão = 4,6) anos de idade, sendo 59,2% (IC95%: 55,7-62,8) do sexo masculino e 40,8% (IC95%: 37,2-44,3) do feminino. Não houve nenhuma recusa à pesquisa.

Na Figura 1, verifica-se a distribuição dos universitários em relação ao nível de participação em atividades físicas que possam gerar benefícios à saúde. A maior parte foi classificada na categoria "Muito Bom" e nenhum aluno estava na categoria "Necessita melhorar". Observou-se que 69,2% (IC95%: 65,9-72,6) dos calouros estavam com nível de participação adequado (categorias - "excelente" + "Muito Bom" + "Bom") e 30,8% (IC95%: 27,4-34,1) com nível de participação inadequado (categoria - "Regular").

Na Tabela 1, encontra-se a distribuição da amostra quanto às variáveis sociodemográficas e ao estado nutricional. A maior parte dos universitários investigados era do sexo masculino, com idade inferior a 20 anos, não trabalhava, com escolaridade materna menor ou igual a oito anos, estudantes do turno diurno, que viviam sem companheiro, de nível econômico B e de estado nutricional normal.

 

 

Na Tabela 2, é apresentada a associação entre o nível de participação em atividades físicas com as variáveis sociodemográficas e o estado nutricional. Na análise bruta, a variável que se associou foi o sexo. Na análise ajustada, os resultados indicaram que universitários do sexo feminino (RP: 2,79; IC95%: 2,10-3,68) e com excesso de peso (RP: 1,53; IC95%: 1,04-2,23) foram os calouros com maiores probabilidades de apresentar um nível inadequado de participação em atividades físicas.

 

 

Discussão

O principal achado deste estudo foi identificar os grupos de universitários calouros com maiores probabilidades de apresentar um nível inadequado de participação em atividades físicas, o que pode ser útil no planejamento, implantação e orientações de intervenções específicas para esta população. Outro aspecto a ser destacado no presente estudo é a representatividade da amostra dos universitários (calouros), considerando o alto percentual de indivíduos que responderam ao questionário e o baixo índice de perdas e recusas.

O instrumento empregado para identificar o nível de participação em atividades físicas é de origem Canadense e vem sendo utilizado, desde 1996, naquela população, devido à sua simples aplicação, fácil entendimento e capacidade de distinguir níveis diferentes de participação em atividades físicas, sendo bastante útil para estudos clínicos e populacionais18. Shephard e Bouchard20 sugeriram um escore de classificação proveniente de associações realizadas com indicadores de saúde (IMC, circunferências, dobras cutâneas, massa de gordura, glicose sanguínea, colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol, triglicerídeos, pressão arterial e frequência cardíaca), e identificaram que os três itens poderiam demonstrar, de uma maneira simples, possíveis riscos à saúde, o que dá consistência às classificações do questionário.

Dos universitários pesquisados, 69,2% estava com um nível adequado de participação em atividades físicas, o que está associado a benefí­cios consideráveis à saúde18. Além dos benefícios de cunho fisiológico da atividade física para o organismo, como diminuição da gordura corporal7, colesterol total4, níveis pressóricos5 e fortalecimento muscular3, a atividade física pode diminuir o estresse e amenizar as tensões e pressões que os universitários sofrem diariamente6, podendo ser um meio para melhorar a qualidade de vida de estudantes. Ademais, níveis adequados de participação em atividades físicas estão associados a um melhor desempenho acadêmico, sucesso na vida profissional e motivação para o estudo25. Assim, indivíduos nesta categoria têm que continuar recebendo incentivos para manter os níveis de frequência e intensidade nas atividades físicas.

Nenhum estudante foi classificado na categoria "Necessita melhorar", a qual está associada a muitos riscos à saúde. Entretanto, 30,8% dos alunos estavam na categoria "Regular", que está associada com alguns riscos à saúde, como desequilíbrio do perfil lipídico, níveis pressóricos elevados e excesso de gordura corporal20. Indivíduos que se encontram nesta classificação necessitam de orientação para aumentar seus níveis de participação em atividades físicas e conseguir algum benefício. Esta etapa é considerada importante para argumentar os benefícios de um estilo de vida ativo, e uma das orientações destinadas às pessoas desta categoria é o acúmulo, também, de atividades físicas vigorosas na maioria dos dias da semana18.

Neste sentido, a universidade poderia ser um local para oportunizar a orientação e a participação em atividades físicas. Muitas instituições possuem instalações que dão condições à criação de programas de atividade física para a comunidade acadêmica, entretanto, tão importante quanto a infraestrutura da instituição são as campanhas de conscientização e incentivo a um estilo de vida saudável. Pois pesquisas com adultos demonstraram que locais apropriados, com infraestrutura adequada e com programas permanentes de promoção da atividade física estão relacionados a comportamentos mais saudáveis e a um menor risco de agravos à saúde8.

As variáveis sociodemográficas são utilizadas em estudos epidemiológicos para identificação dos principais grupos populacionais de risco para determinado desfecho, sendo útil para o planejamento e implantação de intervenções12. No presente estudo, os calouros do sexo feminino apresentaram um risco 2,79 vezes (IC95%: 2,10-3,68) maior de inadequação na participação em atividades físicas do que os universitários do sexo masculino. Estes resultados indicam que o sexo feminino é o grupo que necessita de um aconselhamento mais direcionado à participação em atividades físicas.

Outras pesquisas na população universitária que objetivaram identificar o nível de atividade física reportaram ser o sexo feminino o mais propenso a um comportamento inadequado10,14, o que indica que na população jovem, as mulheres formam um grupo de risco para apresentar um comportamento indesejável para atividade física. Uma possível explicação para este achado pode estar relacionada a um maior número de atividades sociais que os homens estão envolvidos, diariamente, em comparação às mulheres26. Esta maior participação dos homens em atividades sociais, como reuniões de trabalho, de amigos, jogos de fim de semana, resulta em um maior suporte social para as atividades desenvolvidas, dentre elas as atividades físicas14. O suporte so­cial é considerado um determinante para a participação nestas, sendo que as pessoas com uma maior rede de relações sociais têm mais chances de serem ativas fisicamente26. Mais investigações sobre o assunto necessitam ser realizadas na população universitária brasileira para inferências mais precisas.

Ao ajustar o modelo de regressão por todas as variáveis sociodemográficas consideradas, foi encontrado que o estado nutricional se associou com o nível de participação em atividade física, evidenciando que estudantes com excesso de peso apresentaram uma probabilidade 53% maior de inadequação, na participação em atividades físicas, que os alunos de estado nutricional normal. Estes achados corroboram outros em que o excesso de peso pode ter sido determinante para um comportamento inadequado de atividade física27.

A interrelação atividade física e excesso de peso está bem elucidada na literatura e indica uma relação inversamente proporcional entre estas variáveis3. O que necessita ser mais estudado são as razões para as pessoas com excesso de peso não participarem de atividades físicas. Uma possível explicação para esse achado pode ser a de que jovens com excesso de peso não participam de atividades físicas porque sentem vergonha de se expor em atividades corporais devido ao peso corporal elevado, com receio de alguma observação ou discriminação por parte de seus pares de peso normal28. Este panorama é preocupante e conduz a reflexões acerca de estratégias que visem aumentar a aceitação corporal da população e à diminuição de ações discriminatórias, tendo em vista a consistente associação entre insatisfação com a imagem corporal e baixa autoestima, depressão, desordens mentais e percepção negativa da qualidade de vida29.

Como limitações do presente estudo citam-se o fato de a investigação ter um delineamento transversal que impossibilita identificar se a associação encontrada entre o excesso de peso e o nível de participação em atividades física é causal; e a não investigação de comportamentos anteriores à entrada na universidade, como o período de preparação para o vestibular, que é considerado um momento em que as pessoas adquirem hábitos inadequados à saúde, como sedentarismo, estresse e hábitos alimentares errados16.

Outra limitação desta pesquisa reside no fato da massa corporal e da estatura serem obtidas por meio do autorelato, o que exige cautela na interpretação dos resultados referente ao estado nutricional. Estudo realizado em Pelotas-RS, por Silveira et al.30, envolvendo amostra de 140 pessoas, evidenciou que a utilização do IMC "referido" para predizer o estado nutricional de adultos pode resultar em subestimativa da prevalência de obesidade e superestimativa do sobrepeso, especialmente em mulheres. Peixoto et al.31, em pesquisa de base populacional, realizada em Goiânia-GO, mostraram que homens e mulheres tenderam a superestimar a estatura, o que contribuiu para a subestimação do IMC (0,27 kg.m-2e 0,67 kg.m-2, respectivamente).

Como pontos fortes do estudo, têm-se a excelente taxa de resposta e a seleção da amostra que contribuem para a validade interna da pesquisa, diminuindo a chance de ocorrência de erros sistemáticos. A amostra reproduziu a estrutura de estudantes recém-ingressos na universidade, segundo o centro de ensino e o turno de estudo, garantindo a extrapolação dos resultados para os calouros como um todo.

De acordo com o que foi observado, pode-se concluir que a maior parte dos calouros apresenta um nível muito bom de participação em atividades físicas, entretanto, aproximadamente, um em cada três calouros encontra-se com um nível de participação em atividades físicas inadequado. Os grupos com maiores prevalências de inadequação foram universitários do sexo feminino e aqueles com excesso de peso.

Recomenda-se que as instituições de ensino superior realizem pesquisas prospectivas com a população universitária para identificar como se comporta o nível de participação em atividades físicas durante os anos acadêmicos. Além disso, sugere-se que as universidades realizem orientações e disponibilizem programas de atividade física no decorrer do período acadêmico.

 

Colaboradores

DAS Silva pensou o problema de pesquisa, contribuiu na análise estatística, coleta de dados e na redação do manuscrito. EL Petroski é coordenador geral do projeto, contribuiu na redação do manuscrito e na análise crítica do mesmo.

 

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Artigo apresentado em 13/09/2010
Aprovado em 09/11/2010
Versão final apresentada em 18/11/2010