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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.16 n.10 Rio de Janeiro Oct. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011001100026 

ARTIGO ARTICLE

 

A Representação da violência em adolescentes de escolas da rede pública de ensino do Município do Jaboatão dos Guararapes

 

Manifestatations of violence in adolescents in public schools in the municipality of Jaboatão dos Guararapes

 

 

Monica Cristina Batista de Melo; Érika Neves de Barros; Andréa Maria Lages Gomes de Almeida

Faculdade Mauricio de Nassau. Rua Manuel de Carvalho, Aflitos.  52050-370 Recife PE. monicademelo@ig.com.br

 

 


RESUMO

A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano caracterizada por profundas modificações biopsicossociais que envolvem, além do adolescente, todo o seu meio familiar e social. Esta etapa na qual se pode contar com oportunidades de bons investimentos, encontra-se também cercada por diversos riscos, entre os quais a violência. Atualmente, principal causa de morte entre os jovens, a violência é considerada área de preocupação da Saúde Coletiva. A presente pesquisa teve como interesse investigar a representação da violência em adolescentes de escolas da rede pública de ensino do Município do Jaboatão dos Guararapes. Trata-se de um estudo qualitativo, no qual os dados obtidos através de questionário foram analisados seguindo a técnica de análise de conteúdo. Os resultados apontam para a representação da violência como ato de causar danos a outrem, sendo sua forma física a mais citada; o uso de drogas foi assinalado como sua principal causa; um maior policiamento foi a estratégia de enfrentamento mais lembrada; a formação de família foi o projeto mais comentado. Como conclusão, percebe-se a relevância de uma maior discussão sobre formas mais veladas de violência, o que poderia contribuir para reflexões acerca de novas propostas de prevenção e para uma maior visibilidade do fenômeno.

Palavras-chave: Adolescência, Violência, Representação social, Saúde coletiva


ABSTRACT

Adolescence is a period in human development characterized by profound biological, psychological and social modifications affecting both adolescents and their entire social and family environment. This stage, which has good character forming opportunities, is also permeated by various risks, including violence. Nowadays, violence is the main cause of death among adolescents and is considered a public health concern. This research sought to investigate manifestations of violence in adolescents from public schools of the municipality of Jaboatão dos Guararapes. This is a qualitative study, in which the data obtained from a questionnaire was analyzed using the content analysis technique. The results show that the main manifestations of violence involve harm to others. Drug usage was revealed as the main motive behind physical violence. The deployment of more policemen was the strategy most cited and strengthening the family unit was the most commented preventative measure. In conclusion, the importance of further discussion about disguised manifestations of violence is clear as this would contribute to reflections on new prevention proposals and greater visibility of the phenomenon.

Key words: Adolescence, Violence, Social manifestation, Public health


 

 

Introdução

Entende-se por adolescência o período situado entre a infância e a idade adulta, fase de importantes e intensas transformações. Apesar de o desenvolvimento humano perpassar toda a vida do sujeito, é neste estágio que se localiza o princípio e a intensificação de seu amadurecimento. Em seu aspecto biológico, a adolescência é assinalada por um veloz crescimento dos ossos e início da maturação sexual; no aspecto psicológico ocorre um enorme avanço no desenvolvimento cognitivo e uma solidificação da personalidade; no social, é uma época de ensaios e preparo para a vida adulta. Estes aspectos biológicos e psicossociais estão intimamente vinculados, numa constante e mútua troca. A adolescência não se limita apenas ao próprio adolescente, abrange todo o seu meio social e familiar, ou seja, todo o contexto no qual encontra-se inserido e, especialmente, ao qual está afetivamente envolvido1-4.

O conceito de adolescência recebe algumas ressalvas de autores como Coimbra et al.5, Menandro et al.6 e Minayo7 que identificam diferenças neste fenômeno de acordo com a classe social, a cultura e o momento histórico no qual ocorre, havendo, portanto diferentes formas de pensá-lo e vivenciá-lo. Nesta perspectiva, a adolescência é construída a partir de práticas sociais, e naturalizar a definição de uma identidade adolescente é, partindo de uma visão simplista, estabelecer critérios que vão contra a liberdade dos sujeitos e, muitas vezes, apenas atendem a interesses comerciais.

Vitiello4 revela que a noção da adolescência como período bem definido de passagem da infância à idade adulta esteve presente e desapareceu diversas vezes ao longo da história. A adolescência percebida como período problemático de mudanças aparece em sociedades onde um grupo social alcança um grau alto de bem-estar material, capaz de proporcionar aos filhos uma formação mais prolongada, sem necessidade de que se iniciem cedo no trabalho. Em épocas históricas onde as condições de vida não são tão favoráveis, a adolescência se encurta ou mesmo desaparece, saltando-se do final da infância para a idade adulta sem que esta transição seja bem demarcada.

Estes fenômenos de prolongamento e retraimento da adolescência podem ser percebidos simultaneamente em uma mesma sociedade. Observa-se que nas classes média e alta, frequentemente, ocorre o fenômeno da adolescência prolongada, relacionada a uma exigência profissional cada vez maior fazendo com que os filhos prolonguem o tempo de moradia com os pais. Essa realidade convive com outra oposta, típica de classes economicamente desfavorecidas, em que há uma precoce entrada no mercado de trabalho, com todas as responsabilidades que isto acarreta, provocando o encolhimento ou até a impossibilidade de vivenciar esta fase da vida3.

Sabe-se que compreender a adolescência requer considerar as especificidades e as diversidades de manifestação desse período do ciclo vital, contextualizando-a na cultura e na sociedade na qual está inserida. Em um país com tanta diversidade como o Brasil, a adolescência não pode ser compreendida como um fenômeno homogêneo em diferentes regiões e classes sociais3,7.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística8, existem no Brasil 61 milhões de crianças e adolescentes. Destes brasileiros, 45% vivem na pobreza, em famílias com renda per capita de, no máximo, ½ salário mínimo. A região Nordeste é a segunda maior região brasileira em número de crianças e adolescentes, 19,2 milhões, representando 40,1% da população da região. Sobre a cor: 51,2% são considerados brancos; 42,7% são tidos como pardos; 5,4% são descritos como pretos; 0,5% se declaram indígenas e 0,3% amarelos.

Assis et al.9 afirmam que um dos fortes empecilhos para o total desenvolvimento dos 35 milhões de adolescentes entre 10 e 19 anos no Brasil é a violência, sejam como vítimas ou autores de suas diferentes manifestações. Para essas autoras, a violência diminui a expectativa de vida, reduz o potencial da população, representa custos para as famílias e para os sistemas de saúde, e prejudica os projetos de vida.

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde10 mostram que no ano de 2000 ocorreram no Brasil 9.302 mortes de adolescentes por causas externas. Dentre estas, 40,5% foram por homicídio.

Minayo7 chama a atenção para as características da maioria das vítimas de homicídios no Brasil: jovem não branco; de classe economicamente desfavorecida; sexo masculino; com idade entre 15 e 18 anos; morador de periferias ou favelas urbanas; frequentemente morto por projétil de arma de fogo; considerado marginal nos registros policiais.

Esta caracterização assemelha-se ao perfil encontrado por Waiselfisz11, que apresenta como as principais vítimas de homicídio no país: pessoas do sexo masculino (aproximadamente 93% das vítimas) e de raça negra (73,1% maior que os brancos na população geral e 85,3% a mais nos jovens). Segundo este autor, o Brasil encontra-se na quarta posição mundial no ranking de homicídios na população geral e em 2004 estava em terceiro lugar em relação aos homicídios de jovens, com taxa de 51,7 homicídios em 100 mil jovens, ficando atrás apenas da Colômbia e Venezuela. Os índices de homicídios de jovens no Brasil, ainda de acordo com Waiselfisz, são 100 vezes maiores que os índices de países como Áustria, Japão, Egito e Luxemburgo.

Pernambuco foi o terceiro Estado brasileiro com maior número de homicídios (4.517) no ano de 2003, sendo o primeiro na Região Nordeste neste índice10. Em 1994, ocupava a quinta colocação no número de homicídios na população total, passando para a primeira colocação em 2004, com taxa de 50,7 para 100 mil habitantes. Na população jovem em 1994, ocupava a sexta posição neste índice, saltando para o segundo lugar em 2004, com taxa de 101,5 por 100.000 jovens11.

Segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco12, o Município do Jaboatão dos Guararapes ocupa o primeiro lugar em mortes por causas não naturais na Região Metropolitana Sul e o terceiro lugar no número de óbitos por causas externas no Estado de Pernambuco, com 39 mortes (Recife e Olinda ocupam respectivamente o primeiro e o segundo lugar, com 140 e 52 óbitos). No referido Município, o Bairro de Praze­res foi o que apresentou maior número de mortes por causas não naturais nos anos de 2003 e 2005.

Os dados de mortalidade acima descritos expõem apenas uma faceta da violência que atinge os adolescentes brasileiros. A desigualdade econômica e social prejudica o desenvolvimento juvenil. A violência é vivenciada de outras formas, através das condições inadequadas de moradia, das importantes limitações aos bens de consumo e de serviços, da desqualificação do ensino, dos esfacelados relacionamentos em família e com a sociedade13.

Adorno, citado em Guerra14, descreve a violência como um modo de relação social intimamente vinculado à forma como as pessoas constroem e reconstroem suas convenções sociais de vida. A violência exprime formas de socialização e padrões de vida, expressando modos atuais de atitudes em vigor em certo momento histórico de uma sociedade.

Existem várias maneiras de expressão da violência: agressão física, abuso sexual, violência psicológica e violência institucional. Os diferentes grupos populacionais são afetados por diferentes formas de violência com diferentes consequências15.

Minayo16 argumenta que em sua origem e manifestações, a violência seria um fenômeno social e histórico presente em toda a experiência humana, não sendo assim, problema de saúde coletiva. Porém, por ter se transformado em ameaça à saúde individual e coletiva, demandando políticas públicas voltadas para sua prevenção e tratamento, com a organização de práticas e de serviços específicos, tornou-se um problema para o setor. Esta autora defende que as consequências da violência correspondem a elevados custos emocionais, sociais e com segurança pública, prejuízos econômicos por faltas no trabalho e por aumento de gastos com emergência, assistência e reabilitação, entre outros.

A partir da década de 80 do século XX, o tema da violência participa mais ativamente nos debates de saúde, se solidificando no final dos anos 90. Na saúde o maior interesse pelo tema foi influenciado pela crescente conscientização sobre a valorização da vida e dos direitos à cidadania e também pelas mudanças ocorridas no perfil de morbimortalidade, onde causas externas constituem uma das três principais causas de morte17.

A Teoria das Representações Sociais serve como instrumento para se trabalhar com o pensamento social, contribuindo para um maior entendimento de fenômenos sociais como a violência.

Embora o conceito de representação social tenha sua origem vinculada à Sociologia e Antropologia de Durkheim e Lévi-Bruhl, a Teoria das Representações Sociais (TRS) surge na Psicologia Social em 1961, na Europa, a partir da publicação de La Psychanalyse: son image et son public, de Serge Moscovici. Posteriormente aprofundada por Denise Jodelet, a TRS passa a ser utilizada como instrumento para outras áreas como a saúde, a educação, a didática e o meio ambiente, e na atualidade para a interpretação de fenômenos sociais18-21.

Minayo22 afirma que Representação Social (RS) é uma expressão filosófica que tem como significado a reprodução de uma percepção mantida na lembrança ou no pensamento. A RS é definida nas Ciências Sociais como classes de pensamentos que exprimem a realidade e a clarificam, fundamentando-a ou colocando-a em questão. Sua manifestação se dá através de palavras, sentimentos e condutas, institucionalizando-se, o que permite que sejam analisadas através do entendimento das estruturas e condutas sociais.

Jovchelovitch23 acrescenta que as representações sociais são fenômenos psicossociais, pertencentes, portanto, ao espaço público e às ações humanas que permitem a construção da identidade, de simbolizar, de interagir. Por serem simbólicas, são constituídas através da capacidade de representar do sujeito. Seus processos formadores se relacionariam à comunicação e às práticas sócias: o diálogo, o discurso, os rituais, os padrões de trabalho, a produção e a arte, ou seja, a cultura.

As representações sociais podem ser identificadas e trabalhadas a partir das conversações, por ser este o local onde se produzem o saber popular e o senso comum20.

Assim, o estudo das representações sociais acrescenta importante contribuição para a compreensão dos fenômenos coletivos. Investigar, a partir do discurso de adolescentes de camadas sociais desfavorecidas, a representação da violência, pode ampliar o entendimento deste fenômeno e favorecer a elaboração de estratégias de enfrentamento voltadas para esta parcela da população. A presente pesquisa teve como objetivo investigar a representação da violência em adolescentes de escolas da rede pública de ensino do município do Jaboatão dos Guararapes-PE.

 

Método

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa sobre a representação da violência em adolescentes de escolas da rede pública de ensino, realizado com alunos de três escolas do Bairro de Prazeres, Município do Jaboatão dos Guararapes-PE.

O estudo atendeu aos critérios éticos contidos na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que contempla as Diretrizes e as Normas Regulares de Pesquisa envolvendo seres humanos. O projeto de pesquisa foi previamente apreciado e aprovado pela direção das escolas onde o trabalho desenvolveu-se e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira.

Participantes

Participaram desta pesquisa quinze adolescentes, com idades entre quinze e dezenove anos, do sexo masculino, estudantes de três escolas da rede pública de ensino do bairro de Prazeres, município do Jaboatão dos Guararapes, que aceitaram participar do estudo e para tanto receberam autorização de seus representantes legais.

Procedimentos

A coleta de dados ocorreu no mês de setembro de 2007. Para a mesma, foram utilizados dois questionários: um primeiro contendo perguntas sobre aspectos sócio-demográficos dos participantes e outro com questões abertas voltadas para os objetivos da pesquisa.

Para analisar os dados utilizou-se o método da análise de conteúdo, do tipo análise temática em suas três etapas: pré-análise; exploração do material e tratamento dos dados obtidos22.

 

Resultados

Em sua maioria, os sujeitos deste estudo cursavam o Ensino Médio, eram trabalhadores informais, com renda familiar per capita mensal de 0,42 salários mínimos, média de 5,7 pessoas residentes em domicílio, declarando-se pertencendo a alguma religião e de cor parda.

A análise dos questionários apontou para uma percepção otimista sobre a vida e a presença de boas relações familiares. A representação da adolescência predominantemente vinculou-se à ideia de uma fase de transição, citando-se como importante aspecto positivo deste período o investimento nas relações interpessoais e como aspecto negativo, o uso de drogas. No grupo estudado, a violência teve como representação o ato de causar danos a outrem, sendo a violência física o tipo mais mencionado. A maior parte dos adolescentes afirmou não ter vivenciado nenhum tipo de violência, apontou como causa da mesma o uso de drogas e citou um maior policiamento como principal estratégia para seu enfrentamento. A formação de família foi o projeto futuro mais comentado.

 

Discussão

Aspectos sócio-demográficos

No grupo estudado, oito participantes cursavam o Ensino Médio e sete o Fundamental. Entre estes adolescentes, oito conciliavam estudos e trabalho, sendo em sua maioria trabalhadores informais (entregador de água, auxiliar de pedreiro, auxiliar de soldador). Segundo informações da Prefeitura Municipal do Jaboatão dos Guararapes24, 74,3% dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos estão matriculados em escolas, sendo que destes, 18,8% cursam o Ensino Médio. Dados do IBGE8 apontam um aumento de 40,7% para 60,9% no número de adolescentes com idade entre 15 e 17 anos que apenas dedicam-se ao estudo. Nesta faixa etária, 21,4% deles trabalham e estudam e 7,7% apenas trabalham. No entanto, este crescimento não é acompanhado em outras faixas etárias: apenas 30,4% dos jovens com idade entre 18 e 19 anos tem como atividade exclusiva estudar; 21,3% trabalham e estudam e 26,9% só trabalham. A presença de jovens trabalhadores no grupo reflete uma situação comum no país, na qual em classes sociais economicamente desfavorecidas aparece atrelada aos estudos uma jornada de trabalho com baixa remuneração.

A média da renda familiar mensal do grupo foi de 2,4 salários mínimos e a média de pessoas residentes em domicílio de 5,7 habitantes, o que leva a uma renda per capita de 0,42 salários mínimos. Estes achados refletem uma realidade mostrada pelo IBGE8, onde 45% das crianças e adolescentes brasileiros pertencem a famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, com as menores rendas do país concentradas nas regiões Nordeste e Norte. No grupo estudado o número de pessoas residentes em domicílio mostrou-se elevado, acima da média brasileira. A renda familiar mensal do grupo, associada ao fato de que mais da metade destes adolescentes estudavam e trabalhavam, reforça a ideia exposta pela UNICEF3 e por Vitiello4, segundo os quais, em classes sociais menos favorecidas há o ingresso precoce no mercado de trabalho.

Oito participantes afirmaram pertencer a alguma religião, sendo que cinco se denominaram evangélicos e três católicos. Este achado é contrário aos dados apresentados pela Prefeitura Municipal do Jaboatão dos Guararapes24, onde se mostra uma prevalência da religião católica na população geral. É interessante observar que em um país considerado predominantemente católico, quase metade dos entrevistados nesta pesquisa declararam não pertencer a nenhuma religião e entre os que se declararam pertencentes, a sua maioria era evangélica. Este fato parece estar em consonância com o reconhecido crescimento das igrejas evangélicas, bem como com a noção da adolescência como uma fase de escolhas1-4: quase metade dos adolescentes do grupo não tem definida uma religião.

Doze participantes declararam-se pardos, dois brancos e um preto. Em pesquisa realizada pelo IBGE10 sobre os adolescentes brasileiros, mais da metade dos entrevistados (51,2%) haviam se declarado brancos, 42,7% se declarado pardos e 5,4% pretos. Em estudo da UNICEF25, 39% dos adolescentes com idade entre 12 e 19 anos se declararam brancos e 39% pardos. Na amostra desta pesquisa, o predomínio de adolescentes que se definiram como pardos pode exprimir a relação existente entre cor e renda, também reconhecida pelo IBGE8, pois, sabe-se que no país há um maior quantitativo de pardos e negros em classes de menor renda.

Análise Temática

A vida

Quando indagados sobre a vida, esta foi em geral descrita de forma otimista, com qualidades tais como: tranquilidade, felicidade e dignidade. Entre os adolescentes entrevistados, sete consideraram a vida boa; seis a avaliaram como normal ou regular; dois falaram sobre dificuldades, porém, superáveis.

Minha vida é muito boa. Trabalho, moro com meus pais, tenho hora para tudo. Faço curso, gosto muito de me divertir, sou muito pontual com as coisas. Gosto de viagem, viajo todo mês. (Júlio, 19 anos)

A resiliência, capacidade de vencer obstáculos e aprender com os mesmos, tem sua origem a partir da interação de características individuais e aspectos presentes no meio familiar e social, favorecendo a aquisição de recursos internos para lidar com situações adversas. Assis et al.26 citam a resiliência como importante fator na prevenção à violência a qual os adolescentes estão comumente expostos. Para estes autores, são fatores de proteção que agem da infância à idade adulta: capacidade individual (autonomia, autoestima positiva e maleabilidade); apoio familiar e apoio social. Os relatos contidos nos questionários parecem mostrar a resiliência como fator existente no grupo, pois, mesmo em relatos de situações difíceis persistiu uma percepção positiva e a crença em melhorias.

A família

A família foi comumente descrita de forma a valorizar sua importância como lugar de aprendizagem, compreensão e união, local de amor e carinho. Treze participantes da pesquisa afirmaram ter boa relação familiar.

Dou graças a Deus, pela família que tenho, uma família alegre, divertida, que me ensinou a ultrapassar os obstáculos que temos em nossas vidas, minha família valoriza muito a educação. Educação que pretendo passar para meus filhos. (João, 16 anos)

A representação da família no grupo está relacionada à ideia de suporte, apoio para enfrentar as dificuldades e vicissitudes da vida e talvez superar a falta de suporte social. Sabe-se que uma representação social é, simultaneamente, individual e coletiva. O grupo compartilha com a sociedade a representação da família como instituição privilegiada, investida de significativo valor afetivo.

Este achado sobre o relevante papel desempenhado pela família na vida dos adolescentes coincide com os apresentados pela UNICEF25, onde adolescentes apontam a família como instituição de referência, principal responsável pelo acesso aos seus direitos e garantia de bem-estar. Como expõem Assis et al.26, a interação com a família é um dos fatores contribuintes para o desenvolvimento da capacidade de resiliência, podendo servir como importante recurso para a prevenção da violência. No grupo estudado, a suposta capacidade de resiliência anteriormente assinalada pode estar relacionada a este suporte familiar, percebido como favorável pela maioria dos adolescentes.

A adolescência

Para sete dos adolescentes entrevistados, a adolescência é uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, período de mudanças, aprendizagens e escolhas. Cinco falaram sobre os riscos aos quais os adolescentes constantemente estão expostos.

A adolescência é uma fase interessante da vida, pois é a fase intermediária do ser humano entre a infância e a idade de adulto. A adolescência traz consigo muitas mudanças psicológicas para o amadurecimento da pessoa. (André, 15 anos)

No grupo, a representação da adolescência é semelhante àquela comumente apresentada pela mídia. Percebe-se implícita uma ideia de universalidade no adolescer, são citadas características estereotipadas sobre esta fase do desenvolvimento humano. As respostas não fizeram referência à adolescência como pluralidade e reproduziram a noção apresentada frequentemente em sociedade, sem questionamentos aparentes.

Guimarães e Pasian1; Kaplan et al.2; Vitiello4 conceituam a adolescência como fase intermediária entre infância e idade adulta, etapa do ciclo vital permeada por mudanças físicas, psíquicas e sociais, período de solidificação da identidade e de experimentação de papéis na família e na comunidade. Para Kaplan et al.2 os adolescentes muitas vezes desenvolvem comportamentos de risco como o uso de drogas lícitas e ilícitas, atividade sexual promíscua favorecendo a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis, conduta propensa a acidentes. Os adolescentes do presente estudo demonstraram compartilhar com a noção presente na mídia e em alguns estudos que apresentam esta fase do desenvolvimento como período de mudanças e aprendizagens, etapa de escolhas e possibilidades, reproduzindo sua representação social.

Entre os aspectos positivos em ser adolescente, os mais citados foram: investimento nas relações interpessoais (namoro, amizade, família), lembrado por sete adolescentes; tempo disponível para os estudos e aprendizagem, presente em seis relatos; diversão e lazer para cinco deles.

É ter amigos e poder sair com a namorada e poder estudar enquanto há um tempo. (Paulo, 18 anos)

A importância do grupo e de um maior investimento nas relações interpessoais é reconhecida como uma característica da adolescência, período onde se observa uma maior necessidade de interação com seus pares e uma mudança em seu papel social. Zimerman27 salienta a tendência natural que os adolescentes demonstram para o agrupamento. Kaplan et al.2 argumentam que na adolescência os relacionamentos mais importantes são com a família e com grupo de iguais, pessoas com interesses e idades semelhantes, o que favorece o sentimento de identidade. Erick Erikson, citado em Kaplan et al.2, descreve como uma das tarefas desta etapa do ciclo vital o desenvolvimento de identidade com o grupo, ou seja, com seus pares. Através dos relatos contidos nas respostas ao questionário, ficou claro o investimento feito nas relações interpessoais e a importância que esse contato assumia na vida dos adolescentes, sendo percebido como fonte geradora de prazer e bem-estar. Essa boa interação mostra-se relevante para a construção da identidade dos jovens, influenciando sua valorização individual e social, favorecendo a sensação de pertencimento ao grupo.

O uso de drogas foi citado, por seis participantes, como principal aspecto negativo na adolescência.

As piores é cair no mundo das drogas e não sair mais, sem vida, é o que está acontecendo. (Lucas, 18 anos)

A UNICEF25 define o uso de drogas como um dos ricos aos quais os adolescentes estão comumente expostos e relata que em sua pesquisa 84,4% dos adolescentes entrevistados afirmaram nunca haver experimentado drogas, 14,2% disseram já ter utilizado ou utilizar alguma droga. Neste estudo da UNICEF, o maior consumo encontra-se nas classes A e B (respectivamente, 21,6% e 20,5%), sendo menor nas classes D (16,5%) e C (11,4%), o que contraria a visão muitas vezes expressa pelo senso comum que associa o uso de drogas às classes menos favorecidas, moradora de periferias urbanas. No grupo, os adolescentes reconhecem o uso de drogas como algo presente na adolescência, mas lhe atribuem uma conotação negativa, sendo visto como pior acontecimento desta fase do ciclo vital. Este dado aponta certa semelhança com os apresentados pela UNICEF25, se considerarmos que os adolescentes desta pesquisa pertencem a uma classe social mostrada como de baixo consumo de drogas e aparentemente não valorizam seu uso.

A violência

A maior parte dos adolescentes deste estudo definiu a violência como agressão, ato de causar danos ou sofrimento a outrem.

É uma pessoa agredir a outra de qualquer coisa, tipo moral, físico etc. (Pedro, 19 anos)

A representação da violência é, entre os adolescentes estudados, uma atitude agressiva contra outra pessoa. Foram lembradas formas de violência expostas e exploradas pela mídia e reconhecidas pela sociedade, como a física, a psicológica e a sexual. Outras formas de violência como a exclusão social, o preconceito, a falta de condições dignas de moradia não apareceram como parte da representação de violência destes sujeitos. Essas violências não são ainda facilmente legitimadas e reconhecidas por boa parcela da nossa sociedade, o que pode dificultar a cobrança social por políticas públicas para seu enfrentamento. Considerando que as representações sociais são transmitidas a partir do discurso e das conversações, os sujeitos deste estudo revelaram em sua fala o não reconhecimento das situações de adversidades sociais, com as quais podem conviver cotidianamente, como formas de violência.

A partir da definição da OMS, citada em Silva28, pode-se compreender a violência como a utilização proposital de força física ou poder, real ou como ameaça, contra um indivíduo, grupo ou comunidade, provocando ou capaz de provocar ferimento, morte, privação, prejuízo no desenvolvimento. Minayo e Souza29 consideram a violência como um fenômeno de complexa conceituação e a definem como ato realizado por pessoas, grupos, classes, nações, capaz de provocar consequências físicas, emocionais, morais e/ou espirituais a si mesmo ou a outros. Assim, os adolescentes deste estudo apresentaram uma ideia de violência semelhante à conceituação literária, mostraram entendimento sobre este tema atualmente tão discutido, embora não o tenham abordado a partir de seus aspectos sociais.

O grupo mostrou certo conhecimento sobre as diversas formas de violência existentes, as mais lembradas foram: violência física, presente em nove relatos; violência sexual, citada por oito participantes; assaltos, roubos e latrocínios em sete respostas.

As brigas, as mortes, os estupros, os assaltos etc. (Igor, 19 anos)

Minayo7 chama de delinquência a forma de violência que se caracteriza por roubo, sequestros, delitos cometidos sob efeito de drogas, etc. A autora aponta esta como a forma de violência mais reconhecida pelo senso comum, porém, nem sempre bem entendida, pois geralmente é vista de forma isolada não tendo suas causas sociais consideradas. As expressões da violência podem contar ou não com a legitimação social, tornando-as conforme ou não a lei. A violência que leva à morte é muitas vezes a mais reconhecida embora os outros tipos provoquem sérias consequências e contribuam para o adoecimento da população. Percebe-se no grupo uma representação da violência compartilhada com o senso comum, pois houve um reconhecimento maior dos tipos de violência que deixam sequelas mais visíveis e que são mais comentadas em sociedade.

Nove entre os adolescentes entrevistados afirmaram não ter sofrido violência. Seis se consideraram vítimas deste fenômeno. Entre aqueles que disseram já ter sofrido violência, o tipo mais citado foi assalto, descrito em metade destas respostas. Um dos participantes citou a violência verbal como aquela da qual havia sido alvo.

Já fui roubado mas não fui agredido (Vitor, 18 anos)

Apesar de os participantes terem demonstrado conhecimento sobre várias formas de violência existentes, quando questionados se haviam sofrido algum tipo de violência os relatos, em sua maioria, se resumiram às violências que deixam marcas mais visíveis. No grupo não houve menção sobre formas mais veladas de violência como a denominada por Minayo7 de violência estrutural e que abarca as desigualdades sociais, falta de oportunidades e de emprego, dificuldade de acesso a serviços de saúde. Minayo-Gomes e Meirelles30 abordam o trabalho de crianças e adolescentes como uma das formas mais antigas, e ainda presente em nossa sociedade, de violência. A falta de políticas públicas no Brasil voltadas para adolescentes e o não respeito aos direitos garantidos por lei no Estatuto da Criança e do Adolescente31 também consistem modos de violência. Embora os participantes do estudo pertençam a uma classe social comumente alvo destas formas de violência, pode-se supor que não se percebem vítimas das mesmas. Esta falta de reconhecimento pode refletir o processo de naturalização pelo qual passam esses tipos de violência, que por não serem nomeadas tornam-se muitas vezes mais difíceis de serem enfrentadas. A representação que os adolescentes deste estudo fizeram da violência não permitiu que se incluíssem como vítimas da mesma.

Os adolescentes desta pesquisa apontaram várias causas para a violência como o ódio, más influências, desemprego e adversidades. No entanto, a causa mais citada foi o uso de drogas, presente em cinco respostas.

Drogas, bebidas, vícios. (Caio, 16 anos)

Este achado parece refletir a existência no grupo de um pensamento presente no senso comum: a associação entre violência e o envolvimento de jovens com drogas. A vinculação entre jovens e drogas geralmente é percebida como geradora de violência e não como uma consequência desses outros tipos de violência anteriormente citados (falta de oportunidades, desemprego, dificuldade de acesso à educação, serviços de saúde e bens de consumo etc.), o que pode denunciar uma visão simplista do fenômeno e a existência de preconceitos envolvendo os jovens de classes economicamente desfavorecidas. Para Assis e Constantino32, o material produzido atualmente sobre a violência cometida por jovens pode refletir a atenção da sociedade, mais voltada para esse aspecto da violência de que para refletir a respeito de sua prevenção. Neste sentido, os adolescentes que moram nas periferias ou que não pertencem à camada dominante, frequentemente são percebidos como agentes e não vítimas da violência, embora sejam maioria nos índices de mortalidade por causas externas. As causas da violência são múltiplas, assim como o próprio fenômeno da violência também é. Seu estudo deve compreender uma visão plural, abrangendo aspectos que não se restrinjam aos individuais, contextualizando questões socioculturais. O próprio uso de drogas necessita de uma abordagem sensível, pois, geralmente é consequência de diversas formas de violência e não simples causa das mesmas. Minayo7 afirma que o aumento da criminalidade é nutrido a partir da desigualdade social, do processo de alienação individual, da desvalorização de normas e valores morais, da importância dada ao poder e da conduta machista, da cobiça e da falta de referências culturais.

Maior policiamento nas ruas foi apontado como ação principal no enfrentamento à violência, sendo citado por quatro adolescentes. Investimentos na educação, segunda forma de enfrentamento mais citada, foi mencionada por três dos pesquisados.

Ter mais polícias nas comunidades. Ser do bem (Raul, 16 anos)

A ênfase em um maior policiamento como principal estratégia de enfrentamento à violência parece apontar para a existência, no grupo, da noção de lutar contra algo já instituído. A representação da violência novamente ancora-se nas agressões físicas, nos assaltos e nos homicídios, visto que para outras formas de violência como a psicológica, a intrafamiliar e a institucional a ação policial frequentemente não é tão associada. Minayo16 aborda esta temática de uma forma ampla, abrangendo a violência desde a física àquela presente nas desigualdades sociais, nos estigmas e preconceitos, concluindo então que a prevenção no campo social e da saúde deve estar atrelada a estratégias voltadas para o fortalecimento dos sujeitos, melhorias na qualidade de vida e favorecimento de inclusão social. Neste sentido, garantias à cidadania como condições dignas de trabalho e moradia, o acesso a serviços de saúde, ao lazer e à educação de qualidade, ocupam importante papel na prevenção e enfrentamento da violência. A educação consiste também em forte instrumento de combate à alienação, permitindo que as pessoas conscientizem-se e se apoderem de seus direitos para assim exigirem o cumprimento dos mesmos. As diversas formas de violência não podem ser entendidas isoladamente, pois estão intimamente atreladas e mutuamente se alimentam.

O futuro

Entre os principais sonhos e planos para o futuro, a formação de uma família foi o mais citado, estando presente em doze respostas. Em seguida esteve o trabalho remunerado, lembrado por onze entrevistados.

Ter uma família, ter um emprego e ser muito feliz. (Davi, 16 anos) O futuro mostra-se intimamente vinculada às aspirações e sonhos comuns a esses adolescentes e que os permitiriam serem reconhecidos e aceitos em sociedade. Fazem parte da representação social do papel de adulto: a formação de família e o emprego.

A importância da família se mostra presente ao longo dos relatos contidos neste estudo. As tarefas evolutivas como trabalhar, casar e ter filhos são amplamente desejadas. Considerando que os adolescentes pesquisados, de acordo com os dados apresentados nos aspectos sócio-demográficos, provavelmente convivem com algumas dificuldades de acesso a bens de consumo e dinheiro, é interessante observar que a aquisição destes não foi mencionada como fazendo parte de seus sonhos e planos para o futuro, sendo enfatizado, no entanto, a família e o trabalho remunerado, este talvez relacionado à própria sobrevivência ou o que possibilitaria a tão sonhada construção familiar. Este fato se assemelha ao discurso de Minayo7 quando, abordando o preconceito que envolve as periferias urbanas e que frequentemente as vincula à marginalidade e delinquência, explica que nas classes sociais desfavorecidas há um respeito às normas sociais vigentes, sendo a vida de trabalho e em família tida como principal ideal.

Assim, os resultados aqui expressos revelam, na amostra estudada, a representação da violência como fenômeno capaz de causar prejuízo e sofrimento a outrem. Percebe-se certo esclarecimento sobre suas manifestações, causas e estratégias de enfrentamento, porém, não houve um reconhecimento quanto a alguns tipos de violência aos quais estes jovens podem estar expostos cotidianamente, como a violência estrutural. A percepção de formas mais veladas de violência e que estão intimamente vinculadas ao contexto social mostra-se, no grupo, superficial.

Considerando que as palavras consistem uma importante expressão das representações sociais, os achados reforçam a relevância de uma maior discussão sobre estas formas de violência, nem sempre alvo de reflexões, o que possibilitaria um maior entendimento sobre as mesmas e favoreceria a (re)construção de estratégias para sua prevenção e enfrentamento, como a luta por melhorias na qualidade de vida da população e a diminuição da desigualdade social.

Por tratar-se de um estudo qualitativo, as conclusões aqui apresentadas limitam-se ao grupo estudado. No entanto, o estudo contribui para uma melhor compreensão sobre a representação da violência em adolescentes de classes sociais economicamente desfavorecidas, servindo de veículo para que os mesmos possam expressar suas opiniões a respeito deste fenômeno.

 

Colaboradores

MCB Melo trabalhou na concepção do projeto de pesquisa, na metodologia, na revisão crítica e redação final do texto; EN Barros trabalhou na concepção do projeto de pesquisa, na metodologia, nas entrevistas e redação final do texto; A Lages trabalhou na revisão crítica e redação final do texto.

 

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Artigo apresentado em 30/05/2008
Aprovado em 03/12/2008
Versão final apresentada em 06/01/2009