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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.17 n.4 Rio de Janeiro Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012000400006 

DEBATEDORES DISCUSSANTS

 

Os autores respondem

 

The authors reply

 

 

O papel da avaliação para a tomada de decisão na gestão de serviços de saúde

The role of evaluation for decision-making in the management of health services

 

As contribuições de Zulmira apontam o esforço de vários avaliadores na busca de garantir a utilização da avaliação de serviços, sistemas e programas de saúde visando melhorar o desempenho destes, que realmente resultem em modificações concretas nas condições de vida das pessoas.

Na consecução destes objetivos nos aporta a importância da escolha de indicadores e a necessidade de que estes tenham a sensibilidade e a simplicidade de refletir os resultados e os impactos esperados na atenção à saúde.

Uma contribuição importante é a distinção que se apresenta entre a avaliação e o monitoramento, o que facilita a identificação de informações sintéticas para esta ultima e a necessidade de garantir uma abrangência e amplitude de indicadores para a avaliação.

Concordo com a Zulmira na necessidade de fortalecer a capacidade avaliativa de todos os atores envolvidos na gestão, bem como em outras instancias como aponta Leonor. Cabe, no entanto, realçar que há ainda insuficiente desenvolvimento de instrumentos e técnicas que propiciem contemplar adequadamente as informações necessárias para que cada grupo de interessados se veja contemplado na avaliação realizada. Aponta com clareza a frágil capacidade da avaliação em ser utilizada de forma racional, oportuna e objetiva na tomada de decisão na gestão do SUS.

Como excelente pesquisadora e avaliadora, destaca a importância da avaliação externa com um desenho de pesquisa bem estruturado que permita aprofundar o conhecimento necessário para os desafios atuais de implementação do SUS.

Odorico, como um administrador com grande responsabilidade na gestão do SUS, contribui ao relacionar a presente proposta de incorporar a avaliação no cotidiano da gestão na implantação do Índice de desempenho do SUS (IDSUS), que consiste na nova sistemática de melhoramento de qualidade do sistema de saúde.

Brinda-nos com uma reflexão importante entre os conceitos de governabilidade e de governança, tanto do ponto de vista histórico como na construção do Estado moderno, permite uma analise critica do alcance e dos limites destes conceitos na gestão de serviços, sistemas e programas de saúde.

Como gestor atual do SUS, identifica a governança com um processo de maior viabilidade politica do que técnica, pois possibilita realçar o processo de negociação e de parcerias para a responsabilização da tomada de decisão.

O artigo ao defender a tomada de decisão como inerente à autoridade para mobilizar recursos de natureza material, financeira ou mesmo pessoal torna mais transparente os desafios a serem enfrentados nas etapas atuais de implementação do SUS.

Odorico identifica cenários distintos para a negociação e, para a tomada de decisão, reforça a proposta de Zulmira com foco na responsabilização dos avaliadores na escolha de informações mais adequadas aos distintos interessados que podem mobilizar recursos no SUS.

A nova modelagem apresentada para avaliação baseada em distintas inteligências, entendida como um processo de retrabalho do existente, que possibilitaria a associação entre teoria e experiência empírica, tem o potencial de alavancar o processo de negociação na tomada de decisão, na governança. Esta alternativa englobaria distintas vertentes politica, aumentando a capacidade de levar em conta os distintos interesses dos atores sociais.

A proposta é inovadora, desafiadora e inquietante, motivo pelo qual deverá ser validada no processo politico em um contexto de conflito de interesses, legítimos, mas por vezes contraditórios, que estamos enfrentando na implementação e na melhoria do SUS, visando garantir o direito à saúde.

Eleonor Conil contribui ao debate ao apontar distintos tipos e formas utilizadas para a melhoria de desempenho em serviços, sistemas e programas de saúde.

Ao propor a separação analítica da avaliação em três níveis - macro, meso e micro -, identifica distintas abordagens em avaliação que possibilitam compreender, realizar julgamento de valor e tomar decisões envolvendo atores sociais que verdadeiramente estejam envolvidos com distintos níveis de tomada de decisão. Desta maneira, aponta uma alternativa visando ter foco dirigido aos interessados na tomada de decisão.

Ao caracterizar o nível macro mais politico, com interessados mais dispersos, enfatiza a disseminação efetiva de informações como uma estratégia potencializadora ao processo de participação e de envolvimento dos distintos atores sociais envolvidos. A possibilidade de contar com instancias de coleta, consolidação e estudos comparativos, em contextos socioeconômicos conhecidos, permite a construção de parâmetros com grande utilidade na etapa de julgamento de valor.

Ao identificar a importância da proposta do artigo para o nível meso, reforçando a proposta de incorporar a avaliação na gestão de serviços, sistemas e programas de saúde também aponta com propriedade a insuficiente utilização da avaliação para a tomada de decisão neste nível de gestão do SUS.

Caracteriza o nível micro como o lócus da interação direta entre o profissional e o usuário e identifica a carência de instrumentos e técnicas a serem utilizadas em avaliação que contemple uma maior compreensão do usuário para tornar esta interação mais efetiva para a real melhoria das condições de saúde da população e não apenas para aumentar a eficiência na prestação de serviços de saúde.

Aponta o desafio que temos adiante para podermos avançar na avaliação no nível micro tendo em vista as dificuldades encontradas para negociar as expectativas e as necessidades desejadas pelos usuários, com as definições técnicas imanadas pelo conhecimento cientifico.