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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.17 n.7 Rio de Janeiro Jul. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012000700031 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Ansiedade frente ao tratamento odontológico: prevalência e fatores predictores em brasileiros

 

Anxiety regarding dental treatment: prevalence and predictors among Brazilians

 

 

Ricardo Wathson Feitosa de CarvalhoI; Paulo Germano de Carvalho Bezerra FalcãoI; Gustavo José de Luna CamposI; Alliny de Souza BastosII; José Carlos PereiraIII; Maria Auxiliadora da Silva PereiraIV; Maria do Socorro Orestes CardosoI; Belmiro Cavalcanti do Egito VasconcelosI

IFaculdade de Odontologia, Universidade de Pernambuco. Av. Agamenom Magalhães S/N, Santo Amaro. 50100-010 Recife Pernambuco. wathson@ig.com.br
IIFaculdade de Odontologia,Universidade Estadual Paulista
IIIFaculdade de Odontologia, Universidade Tiradentes
IVFaculdade de Odontologia, Universidade Federal de Sergipe

 

 


RESUMO

Diante do impacto negativo que a ansiedade exerce sobre o atendimento odontológico, buscou-se conhecer sua prevalência e seus fatores predictores frente esse tratamento em brasileiros. Foi realizado um estudo de corte transversal, utilizando-se a escala de ansiedade de Corah para avaliar 3000 pacientes. Os resultados demonstram que 2 em cada 8 brasileiros avaliados apresentaram moderada ou severa ansiedade frente ao atendimento odontológico, verificando-se que a probabilidade de um paciente da população da qual a amostra foi extraída apresentar ansiedade é mais elevada se: for mulher (p = 0,007), da faixa etária superior a 20 anos (p = 0,006), se não possuir acesso a internet e/ou jornais (p = 0,016), se tiver baixa frequência de higiene oral (p = 0,001), se a visita dental for motivada por busca de tratamento curativo, por dor ou outro problema, ao invés de um check-up (p = 0,047), e experiência de odontalgia (p<0,001). O medo e a ansiedade a fatores odontológicos existem de fato na população brasileira e as conclusões do estudo sugerem que, além da falta de recursos econômicos, o descaso com a saúde bucal, o gênero e a idade podem aumentar o grau de ansiedade.

Palavras-chave: Ansiedade ao tratamento odontológico, Assistência odontológica, Prevalência


ABSTRACT

Considering the negative impact anxiety can exert over dental treatment, the scope of this study was to determine the prevalence of predictors of anxiety regarding dental treatment among Brazilians. A cross-sectional study was carried out using the Corah dental anxiety scale to assess the degree of anxiety regarding dental treatment among 3000 patients. The results reveal that two out of every eight Brazilian patients manifest moderate to severe anxiety regarding dental treatment. In this sample, the degree of anxiety was higher among females (p=0.007), over 20 years of age (p=0.006), without access to the Internet and/or newspapers (p=0.016), with a low frequency of oral hygiene (p=0.001), for whom the reason for the dental appointment was curative treatment, pain or another problem rather than a check up (p=0.047) and those suffering from toothache (p<0.001). Fear and anxiety regarding dental treatment indeed exist in the Brazilian population and the findings of this study suggest that, besides the lack of economic resources, negligence with respect to oral health, gender and age may increase the degree of anxiety.

Key words: Anxiety regarding dental treatment, Dental care, Prevalence


 

 

Introdução

Ao longo dos séculos a expectativa de dor frente ao tratamento odontológico se perpetuou como motivo de medo e ansiedade1,2. Apesar da literatura científica reconhecer um progresso significativo nos tratamentos odontológicos, os pacientes trazem consigo um elevando nível de ansiedade. Parece ser o medo uma reação natural e ser fato conhecido que os tratamentos odontológicos causam dor3.

Apesar dos avanços no controle da dor em todo o mundo, dados sobre a prevalência de ansiedade frente ao atendimento odontológico ainda estão na proporção de 10-15%4,5, permanecendo como um obstáculo significativo a uma parte consistente da população, ocasionando evasão de cuidados dentários6,7.

Diante do impacto negativo que a ansiedade exerce sobre o atendimento odontológico e da carência de informações oficiais no Brasil, buscou-se ajustar um modelo multivariado para explicar cada um dos fatores predictores para ocorrência de ansiedade frente ao atendimento odontológico em brasileiros.

 

Métodos

Para este trabalho foram utilizadas unidades amostrais primárias de centros universitários na cidade de Aracaju, Sergipe, Brasil. O município possui uma população de 570.937 pessoas8, contando com dois centros universitários, um federal e outro privado, que prestam serviços odontológicos gratuitos e de qualidade à comunidade local, registrando uma média de 100 atendimentos/dia.

Estes centros contam com atendimento ambulatorial em todas as especialidades odontológicas, em dias e turnos específicos, existindo demanda variada para cada especialidade. Assim foi realizado um sorteio para escolha independente dos dias da semana e dos turnos que a pesquisa seria realizada.

Para cada dia do estudo foi estabelecido um limite máximo da amostra em 10 pacientes (10% da média diária de atendimento), sendo o universal total de 3000 pacientes a serem estudados, foram realizadas coletas independentes em 300 dias e turnos, entre março de 2005 a março de 2010.

Todos os pacientes foram abordados de maneira individual por um único examinador, dos quais 2812 preenchiam os critérios de inclusão (Indicação de tratamento odontológico ambulatorial) e 188 pacientes foram excluídos segundo os critérios de exclusão (Paciente portador de alteração sistêmica e/ou necessidades especiais que inviabilize o tratamento odontológico ambulatorial; Paciente na faixa etária abaixo dos 10 anos de idade; Mulheres em período de gestação/lactação/menstruação; Paciente na faixa etária dos 10-18 anos, sem presença do responsável legal; Pacientes com impossibilidade de compreensão do objetivo do estudo e/ou não aceitação da metodologia; Questionário preenchido incompletamente).

Na fase pré-atendimento, todos pacientes assinaram um termo de consentimento, estando aprovado pelo comitê de ética, sendo pesquisadas variáveis socioeconômicas, demográficas, comportamentais, de saúde bucal e do serviço odontológico, através de questionário objetivo.

Avaliação do grau de ansiedade

Vários meios de avaliação da ansiedade frente ao tratamento odontológico têm sido utilizados. A escala de Corah9 é conhecida como um instrumento para avaliar as manifestações da ansiedade odontológica desde a década de 1970, sendo amplamente utilizada em várias línguas, por permitir reconhecer objetivamente o nível de ansiedade através da soma das respostas fornecidas pelas perguntas multi-itens (Quadro 1).

 

 

Hu et al.10 explorando as propriedades psicométricas da versão em português da escala de ansiedade odontológica de Corah, mostraram ser esta um instrumento de boa consistência interna e confiabilidade teste-reteste, surgerindo que a versão em português é um instrumento confiável para avaliar as características dos pacientes ansiosos, sendo esta a forma de avaliação do grau de ansiedade utilizada neste estudo.

Para efeito de interpretação do grau de ansiedade, pacientes cuja soma das respostas foi inferior a 5 pontos, são considerados muito pouco ansiosos; entre 6 a 10 pontos, levemente ansiosos; entre 11 a 15 pontos, moderadamente ansiosos; e somas superiores a 15 pontos, extremamente ansiosos (Tabela 1)9.

 

 

Aquisição do banco de dados

Para elaboração do banco de dados, um segundo examinador que não tinha contato com os pacientes na fase de coleta dos dados e não tinham acesso aos dias e turnos que as coletas foram realizadas, armazenava os dados extraídos dos questionários preenchidos, em um banco de dados no programa Microsoft Office Excel 2007, desenvolvido pela Microsoft Corporation.

Análise estatística dos dados

Para a realização dos objetivos ajustou-se um modelo de regressão logística multivariado para explicar cada uma das variáveis independentes: características dos pacientes e nível de ansiedade frente ao tratamento odontológico.

Inicialmente foi ajustado um modelo para cada variável resposta considerando-se todas variáveis independentes significativas a 15,0% (p < 0,15) e para ajuste do modelo final foi utilizado o procedimento de seleção das variáveis passo a passo para trás ("Backward"), mantendo-se no modelo variáveis com significância de até 5,0% (p < 0,05). O "software" estatístico utilizado para a obtenção dos cálculos estatísticos foi o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) na versão 15.

 

Resultados

Os pacientes deste estudo demonstraram ser predominantemente mulheres, havendo uma proporção de aproximadamente três para um entre mulheres e homens, sendo os pacientes na terceira e quarta décadas de vida, os que mais procuraram atendimento odontológico, com idade média de 24,8 ± 2,4 anos (Tabela 2).

Quanto à procedência e ao grau de escolaridade, aproximadamente 8 em cada 10 pacientes eram oriundos da capital, sendo o 1º grau (incompleto ou completo) o nível de escolaridade predominante entre os pacientes pesquisados. A renda familiar predominante da população estudada abrangeu a faixa entre 260 a 520 reais, afirmando em sua maioria ter acesso a internet e"ou jornais (Tabela 2).

Higiene oral diária foi respondida positivamente pela maioria dos pacientes, sendo uma vez ao dia, a frequência predominante. A maioria dos pacientes relatou odontalgia ao menos uma vez, relatando, também, conhecer alguém que já afirmou dor frente ao tratamento odontológico (Tabela 2).

Quando perguntados de experiência prévia de tratamento odontológico, se já tinha ido ao dentista alguma vez, 1 em cada 3 pacientes afirmaram nunca ter ido anteriormente. Os demais, em sua maioria, afirmam como motivo da última consulta a busca por tratamento curativo (Tabela 3).

Quanto a ter conhecimento a qual tipo de tratamento seria submetido e a que horas chegou, 2/3 da amostra afirmaram saber a qual procedimento seria submetidos, em sua maioria chegando antes do horário do atendimento, sendo 30 minutos de antecedência o período mais frequente (Tabela 3).

Quanto ao grau de ansiedade, em sua maioria demonstram pouca ou leve ansiedade frente ao atendimento odontológico, observando-se que 2 em cada 10 pacientes apresentavam-se moderadamente ou severamente ansiosos (Gráfico 1).

 

 

Fazendo uma regressão logística e da bivariada para as variáveis que apresentaram significância para o modelo ao nível de 15,0% para a ocorrência de ansiedade, verifica-se através dos valores do OR que a probabilidade de um paciente da população da qual a amostra foi extraída apresentar ansiedade é mais elevada se: for mulher quando comprado ao homem, da faixa etária superior a 20 anos em relação aos que têm de 10 a 20 anos, se não possuir acesso a internet e/ou jornais em relação aos que possuem acesso, se tiver baixa frequência de higiene oral quando comparado com os que têm elevada frequente, se a visita dental for motivada por busca de tratamento curativo, por dor ou outro problema, ao invés de um check-up, e experiência de odontalgia em relação aos que nunca a tiveram.

 

Discussão

A ansiedade é um importante obstáculo na entrega de cuidados a saúde11, tendo consequências prejudiciais, representando um sério desafio epidemiológico para os profissionais que cuidam da saúde oral12,13. O impacto que a ansiedade a fatores odontológicos pode ter na vida das pessoas é amplo e dinâmico6, não só levando à evasão de cuidados dentários, mas também a efeitos individuais em geral, como perturbações do sono, baixa autoestima e distúrbios psicológicos14,15.

Klingberg e Broberg16 analisando a literatura publicada entre 1982 a 2006 estimam a prevalência de ansiedade a fatores odontológicos no mundo, em 9%. Nas sociedades desenvolvidas a ansiedade odontológica é bem descrita13. Estudos realizados na Suécia2, EUA17 e na Dinamarca18, demonstraram prevalência de 6,7%, 10% e 10,2% da população, respectivamente. No mundo em desenvolvimento há pouca literatura sobre o assunto, não havendo estudo similar na população brasileira. Os resultados demonstraram que 2 em cada 8 brasileiros avaliados neste estudo apresentaram modera ou severa ansiedade frente ao tratamento odontológico.

Na busca da saúde, seja na manutenção ou na abordagem curativa, as mulheres não raro são tidas como as que mais se preocupam. Este estudo demonstra que, em sua maioria, as mulheres buscam mais frequentemente atendimento odontológico, sendo encontrado para ser esta significativamente mais propensa a relatar um alto nível de ansiedade em comparação com os homens (p < 0,05), corroborando estudos realizados em países desenvolvidos2,16,19, onde as mulheres demonstram maiores níveis de ansiedade a fatores odontológicos.

A faixa etária dos pacientes que apresentaram ansiedade mostrou ser amplamente variada, havendo casos que vão de jovens a idosos, estando aproximadamente duas vezes mais frequente nos grupos etários mais velhos (p < 0,05). Este perfil pode ser justificado porque atualmente lidamos com adultos que, na infância, frequentaram consultórios onde não existia tecnologia que propiciasse um atendimento sem estresse. Esses fatores fazem com que a realidade atual reflita comportamentos fóbicos.

Os pacientes que mais buscaram tratamento odontológico na amostra estudada, predominantemente, eram procedentes da capital, não sendo encontrada nenhuma correlação significativa entre ansiedade odontológica e procedência do paciente. Porém, escores de ansiedade foram maiores entre os pacientes com menor escolaridade (p = 0,631), baixa renda familiar (p = 0,085) e sem acesso a internet e"ou jornais (p < 0,05), estando em semelhança à população indiana20, onde escores de ansiedade são maiores entre os de menor escolaridade. Por esses achados, tudo sugere que além do grau de escolaridade, a classe social e a falta de recursos econômicos em países em desenvolvimento como o Brasil e a Índia, possam aumentar os níveis de estresse, diferentemente do que é observado em sociedades desenvolvidas. Hakeberg et al.2, em estudo semelhante realizado com pacientes suecos, demonstram que nesta sociedade o nível de escolaridade ou renda não apresentam correlação significante à ansiedade odontológica, evidenciando o envolvimento cultural da população.

Entre os brasileiros deste estudo, a maioria afirmou realizar higiene oral apenas uma vez ao dia, observando-se uma relação significante entre baixa frequência de escovação com níveis mais altos de ansiedade (p<0,05), por estarem mais propensos a cárie severa, odontalgias e múltiplas ausências dentárias21.

Cinar e Murtomaa22 em estudo semelhante realizado na Turquia, evidenciaram que além dos altos níveis de higiene oral, a dieta pouco cariogênica e uma elevada autoestima, influenciam positivamente na ansiedade odontológica.

No Brasil, o atendimento odontológico vem sendo desmistificado como de privilégio da classe social mais elevada e se tornando acessível aos cidadãos de baixa renda, sendo ratificado nos resultados deste estudo, no qual, em sua maioria, os pacientes relataram já ter ido ao dentista alguma vez, não sendo detectada correlação significante na memória da experiência anterior com Odontologia. Todavia, o motivo da última consulta revelou ter significância estatística (p < 0,05), com grande influência sobre o comportamento, onde os pacientes cuja visita dental mais recente foi motivada por busca de tratamento curativo, dor ou outro problema marcou maiores escores de ansiedade, quando comparados aos que iam realizar check-up.

A abordagem odontológica curativa comumente ocasiona alta sensibilidade, necessitando de medidas que reduzam as sensações álgicas, sendo usualmente necessária a realização de anestesia local, que já demonstrou ser uma situação com alta probabilidade de evasão ao tratamento23. Em pesquisa nacional realizada no Canadá, os resultados demonstram ser o medo e a ansiedade um motivo comum no cancelamento de consultas odontológicas3.

O medo surge nos indivíduos de duas formas, distintas ou conjugadas, que são: através de suas próprias experiências; através das expectativas e experiências dos outros; ou seja, os indivíduos vivenciam o medo ou já o encontram estabelecido e o assimilam. As situações odontológicas traumáticas vividas pelos pacientes influenciam a sua postura atual frente ao profissional. As respostas dos pacientes evidenciam que a maioria teve uma experiência prévia de odontalgia, gerando elevada ansiedade a cada atendimento (p < 0,05).

A relação entre o medo dos acompanhantes e a ansiedade que gera no pacientes tem sido há muito estudada. Uma revisão da literatura estruturada e de meta-análise confirma uma associação entre pais e filhos de medo24. Entre os pacientes deste estudo, a maioria afirmou ter conhecimento de alguém que já relatou dor frente ao tratamento odontológico, porém o seu efeito não mostrou ser significante no nível de ansiedade (p = 0,635).

Quando questionados do conhecimento do tipo de tratamento a que seriam submetidos, a maioria dos pacientes afirmou ter conhecimento. Os resultados evidenciam que ao contrário de outros estudos19,25, o conhecimento prévio da realização de procedimentos dentários clínicos ou invasivos, não demonstrou ser significante quanto a ansiedade (p = 0,056), o que demonstra ser positivo o total esclarecimento do tratamento previamente a realização do procedimento.

No que se refere ao tempo na sala de espera à maioria dos pacientes afirmou chegar antes do horário, não sendo observada influência no grau de ansiedade (p = 0,631).

 

Conclusão

O medo e a ansiedade a fatores odontológicos existem de fato na população brasileira, mostrando valores superiores à média mundial. Mulheres, idade superior a 20 anos, não possuir acesso a internet e"ou jornais, baixa frequência de higiene oral, se a visita dental for motivada por busca de tratamento curativo, por dor ou outro problema, ao invés de um check-up, e experiência de odontalgia foram encontradas para serem variáveis predictiveis significantes, sugerindo que além da falta de recursos econômicos, o descaso com a saúde bucal, o gênero e a idade podem aumentar o grau de ansiedade.

 

Colaboradores

RWF Carvalho, AS Bastos, JC Pereira, BCE Vasconcelos trabalharam na concepção e metodologia. RWF Carvalho, MAS Pereira, MSO Cardoso, PGCBF Falcão e GJL Campos trabalharam no delineamento. RWF Carvalho trabalhou na coleta dos dados. AS Bastos trabalhou na aquisição do banco de dados. PGCBF Falcão e GJL Campos trabalharam na busca de referen´pcial teórico. RWF Carvalho, MAS Pereira, MSO Cardoso e BCE Vasconcelos trabalharam na análise e interpretação dos dados. Carvalho RWF, JC Pereira e BCE Vasconcelos trabalharam na redação do artigo. Todos realizaram a revisão crítica do artigo.

 

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Artigo apresentado em 20/04/2011
Aprovado em 13/05/2011
Versão final em 01/06/2011