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Ciência & Saúde Coletiva

Print version ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.17 n.12 Rio de Janeiro Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012001200017 

TEMAS LIVRES FREE THEMES

 

Automedicação em estudantes universitários: a influência da área de formação

 

Self-medication among university students: the influence of the field of study

 

 

Dayani GalatoI; Jaqueline MadalenaII; Greicy Borges PereiraII

IPrograma de Mestrado em Ciências da Saúde, Núcleo de Pesquisa em Atenção Farmacêutica e Estudos de Utilização de Medicamentos (NAFEUM), Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Avenida José Acácio Moreira 787, Dehon. CEP 88704-900 Tubarão SC. dayani.galato@unisul.br
IICurso de Farmácia, Universidade do Sul de Santa Catarina

 

 


RESUMO

Investigar a influência da área de formação de universitários na prática da automedicação. Estudo transversal com aplicação de questionários sobre o perfil dos entrevistados, a prática da automedicação e outras questões relacionadas ao manejo da saúde. Foram entrevistados 342 universitários das diferentes áreas de formação, sendo 81 da área da saúde. Destes, 37,0% referiram ter se automedicado nos últimos quinze dias. Neste período os problemas de saúde mais comuns para esta prática foram a dor em geral (90,4%) adotando-se principalmente analgésicos e antitérmicos. Observou-se que ser mulher (p = 0,049) e possuir plano de saúde (p = 0,036) associaram-se significativamente a automedicação e que ser da área de saúde não está associado à prevalência desta prática (p = 0,139). Contudo, identificou-se que a influência da propaganda (p < 0,001), de prescrições antigas (p = 0,041), de farmacêuticos ou funcionários da farmácia (p = 0,005) e de amigos, vizinhos e familiares (p = 0,003) são significativas em universitários que não são da área de saúde e que a influência do conhecimento próprio (p < 0,001) é significativo em estudantes da área da saúde.

Palavras-chave: Automedicação, Estudantes, Educação superior, Brasil


ABSTRACT

The scope of this paper was to investigate the influence of a university student's field of study upon self-medication. A cross-sectional study was conducted through the administration of questionnaires on the profile of the respondents, self-medication and other healthcare-related issues. In all, 342 students from different fields of study were interviewed, 81 of which were from the health area. Of the respondents, 37% reported self-medicating in the last fortnight. The most common health problems for self-medication in this period were general pain (90.4%) and analgesics and antipyretics were the most common form of medication. It was observed that being female (p=0.049), as well as the fact of having health insurance (p=0.036), were significantly associated with self-medication and that studying in the health area was not associated with self-medication (0.139). However, it was found that the influence of advertising (p<0.001), old prescriptions (p=0.041), pharmacists or pharmacy employees (p=0.005), as well as friends, neighbors and relatives (p=0.003) were more significant among university students who were not within the health area, though the influence of acquired knowledge (p<0.001) is more significant among students in the health area.

Key words: Self-medication, Students, Higher education, Brazil


 

 

Introdução

A automedicação é a prática de utilizar medicamentos sem prescrição1, estando inclusa dentro do conceito de autocuidado2. Neste caso, relacionado com o cuidado que as pessoas têm de prevenir as doença e manter a saúde abrangendo a higiene (geral e individual); a alimentação (tipo e qualidade dos alimentos ingeridos); estilo de vida (atividades esportivas, lazer, etc.); os fatores ambientais (condições de vida, hábitos sociais, etc.); os fatores socioeconômicos (renda, crenças culturais, etc.); e a automedicação2.

A automedicação responsável é definida como a prática pela qual indivíduos tratam seus problemas de saúde com medicamentos aprovados e disponíveis para serem adquiridos sem prescrição, e que sejam seguros e efetivos quando utilizados como indicado2.

Vários trabalhos3-6 têm demonstrado que esta prática é muito comum, em idosos pode chegar a 80%7 e na população em geral a 46%8 quando investigado os últimos 90 dias. Em trabalhos realizados com estudantes estes valores foram superiores a 70%3,5.

Mesmo que muitas vezes esta prática possa ter resultados favoráveis (melhora de sintomas ou resolução do problema de saúde), outras vezes pode trazer prejuízos à saúde do indivíduo (mascaramento dos problemas de saúde, intoxicação, reações adversas, interações medicamentosas, desenvolvimento de resistência entre outros)9,10.

Segundo Tomasi et al.11 o risco dessa prática está correlacionado com o grau de instrução e informação dos usuários sobre medicamentos, bem como com a acessibilidade dos mesmos ao sistema de saúde. Neste contexto, buscando investigar a influência da área de formação da graduação na prática da automedicação foi realizado um estudo com universitários.

 

Métodos

Delineamento do estudo e local de realização

Este estudo possui um delineamento transversal utilizando a técnica de entrevista.

A população estudada envolveu universitários de uma instituição de ensino superior do Sul do Estado de Santa Catarina, localizada a 130 quilômetros da Capital do Estado, Florianópolis. Este campus da Universidade possui atualmente 42 cursos que estão organizados em quatro áreas: gestão e jurídica (Sociais Aplicadas segundo o CNPq), tecnológica (Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Ciências Agrárias segundo o CNPq), saúde (Ciências da Saúde, Ciências Biológicas e psicologia das Ciências humanas segundo o CNPq), comunicação e educação (Linguísticas, letras e artes segundo o CNPq).

Procedimento amostral, critérios de inclusão e de exclusão

A amostra mínima desta pesquisa foi calculada levando-se em consideração um erro de 5%, uma prevalência estimada de automedicação nos últimos 15 dias de 50% (o que maximiza a amostra), um intervalo de confiança de 95%, levando em consideração uma população de 3726 estudantes matriculados naquele período, totalizando um mínimo de 349 sujeitos.

Adotou-se um processo de amostragem em duas etapas. Na primeira foi realizado o sorteio de 12 cursos, sendo três representantes de cada uma das áreas apresentadas anteriormente.

Posteriormente, ocorreu por conveniência a seleção das turmas de alunos dos cursos sorteados para as entrevistas. Como critério de inclusão para os entrevistados foi adotado o fato de pertencerem a turmas que tivessem cursado pelo menos 50% dos respectivos cursos, pois assim já teriam o conhecimento da área de formação. Para esta seleção, os proponentes solicitaram a permissão de realização da pesquisa aos coordenadores de curso que auxiliaram na definição das turmas para compor a amostra e dos melhores horários para a realização da coleta de dados, neste caso a conveniência foi a facilidade de acesso as turmas. Foram entrevistados no mínimo 30 alunos por curso.

Como critérios de exclusão foi o de ter cursado anteriormente outra faculdade e não assinar o termo de consentimento livre e esclarecido.

Instrumento e variáveis da pesquisa

O Instrumento de coleta de dados composto por questões fechadas está estruturado em duas partes, na primeira é descrito o perfil dos entrevistados como: curso, idade, sexo e classificação econômica. Na segunda foram descritas questões relacionadas à automedicação (sobre essa prática em algum momento da vida e; nos últimos 15 dias; fatores que influenciam; medicamentos utilizados e; problemas de saúde em que esta prática é adotada) e sobre outras questões relacionadas ao manejo da saúde (frequência de procura a médicos e farmacêuticos no último ano; leitura de bula; presença de plano de saúde).

Antes da aplicação do instrumento para a coleta de dados ele foi testado em estudantes universitários a fim de avaliar a legibilidade do mesmo, para isto foi escolhida uma turma do curso de Farmácia, sendo estes dados inclusos na pesquisa, pois não houve alteração no questionário nesta etapa.

É importante salientar que neste trabalho foram definidos os últimos 15 dias12,13 como período de recordatório para a automedicação.

Métodos estatísticos e análise de dados

Os resultados foram apresentados adotando-se para variáveis categóricas números absolutos e proporções e para variáveis numéricas medidas de tendência central e de dispersão e de amplitude de variação.

Foram realizadas também as análises associação utilizando o teste do qui-quadrado ou a prova exata de Fischer para avaliar a influência do perfil dos universitários na prática da automedicação, sendo adotado como significância p < 0,05. Também foi estimada a razão de prevalência (IC 95%) na análise das variáveis categóricas.

Adotou-se o programa Estatístico SPSS 19.0 para a realização das análises.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Sul de Santa Catarina.

 

Resultados

Foram entrevistados 384 estudantes divididos entre os 12 cursos sorteados nas quatro áreas. Destes foram excluídos 5 que não assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, 2 por não terem cursado 50% do curso e 35 por já terem cursado outra faculdade. Totalizando 342 entrevistados. Os cursos sorteados na área da saúde foram: Farmácia, Fisioterapia e Medicina; na área de Gestão: Contabilidade, Administração e Direito. Na área de Tecnológicas: Química Industrial, Engenharia Química e Tecnologia em Redes de Computadores; e, na área de Comunicação: Pedagogia, Letras Português/Inglês e Tecnologia em Design de Moda.

Do total de entrevistados, 81 (23,7%) eram da área da saúde, 237 (69,7%) eram do sexo feminino, quanto à idade, a mesma variou de 18 a 49 apresentando a média de 22,9 ± 4,2 anos.

Em relação à automedicação, 330 (96,5%) afirmaram que já realizaram essa prática, 137 (41,9%) já utilizaram sobras de medicamentos anteriores e 125 (37,0%) utilizaram medicamentos sem prescrição nos últimos 15 dias. De todas as pessoas que afirmaram que se automedicaram em algum momento da vida 21 (6,4%) relataram ter apresentado problemas, sendo que 1 relatou intoxicação, 3 mascaramento de outros problemas de saúde, 2 resistência bacteriana e as demais reações adversas ao medicamento.

Os problemas de saúde cujo manejo foi realizado por automedicação estão apresentados na Tabela 1, juntamente com os medicamentos mais utilizados, os motivos para a prática e as influências para a automedicação.

 

 

Observou-se que existe uma associação significativa em realizar a automedicação através de sobras de tratamentos anteriores quando os universitários afirmam sofrer influência de familiares, vizinhos e amigos (p = 0,005) ou de prescrições antigas (p < 0,001).

Apenas duas pessoas (1,8%) que realizaram a automedicação nos últimos 15 dias afirmaram adotar plantas medicinais. Em relação ao uso de anticoncepcional das 161 mulheres que responderam esta questão 38 (23,6%) afirmaram utilizar este medicamento sem a prescrição de um profissional médico.

Não foram identificadas diferenças significativas entre as variáveis de desfecho (automedicação) e as diferentes áreas de formação. Também não foi observada nenhuma associação quando se analisou separadamente os acadêmicos da área de saúde com as demais áreas (dados não apresentados). No entanto, quando comparada a área da saúde com as demais, em relação às influências relatadas para a prática da automedicação, houve uma associação significativa, conforme apresentado na Tabela 2.

A Tabela 3 apresenta os resultados dos testes de associação entre a variável automedicação nos últimos quinze dias e o perfil dos entrevistados e outras questões relacionadas à saúde.

 

Discussão

Em relação à automedicação 96,5% dos entrevistados já realizaram essa prática em algum momento da vida, segundo Penna et al.5 em um estudo realizado com universitários no ano de 2004, este percentual variou de 75,5% a 92,0%. Já em outras populações este valor também foi superior a 80 %3,7.

Loyola et al.8 encontraram uma prevalência de automedicação nos últimos 90 dias de 46%, já em nosso trabalho, este percentual nos últimos 15 dias foi de 37%, sendo menor o percentual provavelmente pelo tempo de recordatório utilizado.

Mesmo que a automedicação faça parte do autocuidado2 é importante que seja avaliado se a mesma é realizada de forma responsável1, isto significa afirmar que deve ser realizada no contexto do uso racional de medicamentos14. Neste caso, é necessário que os estudantes utilizem os medicamentos para as suas necessidades clínicas, que devem ser caracterizadas no contexto da automedicação como transtornos menores, ou seja, problemas autolimitados1. Além disso, devem ser selecionadas alternativas terapêuticas, seguras e eficazes14 que estejam à venda sem obrigatoriedade da prescrição médica1 e devem ser utilizadas nas doses, posologias e tempos de tratamento adequados para que se alcance a maior efetividade e segurança. Ainda neste contexto, é importante destacar que a automedicação não deve ser adotada pelos pacientes ditos especiais, neste caso inclui-se as gestantes, as crianças menores de dois anos, os idosos e os pacientes polimedicados ou com morbidades graves1.

Quando não ocorre a adoção desta prática seguindo os critérios de uso racional de medicamentos, tanto o paciente quanto a sociedade podem ter prejuízos. Estes podem estar relacionados ao mascaramento de sintomas de problemas sérios, a seleção de bactérias resistentes, a procura a hospitais por problemas de segurança dos medicamentos, entre outros9.

Das pessoas que afirmaram que se automedicaram em algum momento da vida, 6,4% apresentaram algum tipo de problema. Apesar de não ter sido encontrado trabalhos que demonstrem a prevalência deste fato, alguns descrevem os riscos da prática de automedicação9,10.

No presente trabalho foi observado que o problema de saúde mais citado para o manejo com automedicação foi a dor em 90,4% das situações, englobando dores de cabeça, cólicas, dor em geral, entre outras. Este problema de saúde também é apresentado em outras pesquisas3,5,10,15-18 como o mais comum para a prática da automedicação. Quando investigados os medicamentos selecionados para a automedicação nos últimos 15 dias observou-se que entre os 6 mais utilizados 5 possuem analgésicos, que totalizam sozinhos 52,3% dos medicamentos utilizados. Estes resultados são coerentes com o principal problema de saúde que motivou a prática da automedicação, que foi a dor, e encontra subsídios em outros trabalhos descritos na literatura3,5,6,8,15-19. No entanto, é importante destacar que em algumas situações o manejo da dor tem sido realizado com outros medicamentos, como por exemplo o uso de antiespasmódicos no caso de cólicas e de relaxantes em problemas musculares.

Entre os motivos que influenciaram na automedicação os mais citados foram a praticidade, facilidade de compra e falta de acesso ao serviço de saúde. Sendo este resultado semelhante ao encontrado por Mussolin4 em estudo realizado entre universitários de relações públicas e enfermagem. Neste mesmo estudo, Mussolin4 observou que os alunos de enfermagem liam mais a bula. Este resultado também se apresenta semelhante ao nosso trabalho onde, os estudantes da área da saúde lêem mais a bula em relação às outras áreas.

Com relação à utilização de plantas medicinais como uma alternativa para a prática de automedicação nos últimos 15 dias, apenas duas pessoas relataram utilizar plantas. Esse resultado pode estar relacionado com o fato de que os entrevistados eram em sua maioria jovens, já que a utilização de plantas é mais comum na população idosa7.

Quando investigado o uso de sobras de medicamentos, ou seja, de medicamentos já armazenados no domicílio oriundos de tratamentos anteriores observou-se que esta prática associa-se significativamente naqueles indivíduos que afirmam ser influenciados por familiares ou por antigas prescrições. Estes fatos podem ser possivelmente explicados por experiências exitosas com o medicamento indicado seja pelo familiar ou pelo próprio sujeito da pesquisa.

Uma das hipóteses levantadas pelos investigadores para a realização deste trabalho era de que possuir formação na área de saúde poderia influenciar na prevalência da prática da automedicação, no entanto, esta informação não foi confirmada. Por outro lado, mesmo que a prevalência da automedicação não seja alterada significativamente pela área de formação, observou-se que todas as influências investigadas para esta prática diferem significativamente em relação à área de formação, ser a saúde ou outra.

Desta forma, verificou-se que a propaganda de medicamentos, prescrições antigas, o farmacêutico ou o funcionário da farmácia e os familiares vizinhos e amigos, influenciam significativamente os universitários de outras áreas de formação. De outra forma, o conhecimento próprio a respeito do problema de saúde e do medicamento tem influenciado significativamente os universitários da área da saúde. Estes resultados são importantes, pois, podem nortear as estratégicas para a promoção do uso racional de medicamentos dependendo do público que se pretende atuar.

Um dado alarmante deste trabalho foi o fato de que 23,6% das mulheres que utilizavam anticoncepcional o faziam sem prescrição médica. Segundo a Organização Mundial de Saúde20 existem critérios médicos de elegibilidade de anticoncepcionais orais que devem ser respeitados na seleção deste medicamento. Em um estudo publicado por Matarezi et al.21, na região de Maringá, no estado do Paraná, um terço das usuárias de anticoncepcionais orais o faziam sem nenhuma consulta médica prévia, dado este que fica ainda mais importante quando estes mesmos autores afirmam que praticamente metade dessas mulheres apresentava alguma contra-indicação para o seu uso.

Foi observado que as mulheres se automedicaram nos últimos 15 dias de uma forma mais significativa (p = 0,049) que os homens, isto tem sido descrito em outros trabalhos8. Este comportamento pode ser explicado pelo fato das mulheres realizarem mais o autocuidado e consequentemente a automedicação.

A idade não teve associação com a automedicação, vários trabalhos têm demonstrado não haver padrões de comportamento entre estas duas variáveis7,8.

Diferente do apresentado por Loyola Filho et al.8, que investigaram este tema em pacientes adultos, o número de visitas ao médico ou ao farmacêutico nos últimos 12 meses não apresentou associação a automedicação nos últimos 15 dias, assim como o número de moradores no domicílio que também não apresentou associação significativa.

Damasceno et al.3 observaram que a renda familiar não influenciou a prática da automedicação, assim como no nosso trabalho que também não apresentou associação significativa quando comparado à classificação socioeconômica com a prática da automedicação nos últimos 15 dias.

Neste trabalho foi observado que pessoas com planos de saúde automedicam-se de forma mais significativa do quem não os possuem, este resultado é controverso daqueles apresentados por Mussolin4 em seu trabalho realizado com universitários e por Vilarino22 em seu estudo com a população em geral. Uma das hipóteses levantadas para explicar este fenômeno seria o fato de que pessoas que possuem planos de saúde poderiam estar reutilizando mais antigas prescrições, a qual não foi confirmada em nosso trabalho.

Uma limitação deste estudo é o fato de não ter sido analisado se a automedicação realizada pelos entrevistados era adequada ou não levando em consideração o perfil dos sujeitos e as características do problema de saúde, no entanto, justifica-se que este não era objetivo deste estudo.

 

Conclusões

Observou-se que a automedicação é bastante comum nesta população, no entanto, não houve diferença entre esta prática em função da área de formação. Uma contribuição importante deste trabalho diz respeito às influências que levam à prática da automedicação, ou seja, amigos, vizinhos e familiares, da propaganda, de farmacêuticos ou funcionários da farmácia e de prescrições antigas influenciam significativamente estudantes de outras áreas, enquanto o conhecimento próprio influencia mais estudantes da área da saúde. Estes dados podem, portanto, ser utilizados na definição de estratégias voltadas a promoção do uso racional de medicamentos.

 

Colaboradores

D Galato, J Madalena e GB Pereira participaram igualmente de todas as etapas de elaboração do artigo.

 

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Artigo apresentado em 23/03/2011
Aprovado em 19/07/2011
Versão final apresentada em 21/03/2012