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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.1 n.2 São Paulo Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X1998000200001 

Editorial

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Este segundo número da Revista Brasileira de Epidemiologia apresenta duas novidades que se incorporam a nossa linha editorial, como já havia sido anunciado anteriormente. Uma, o primeiro Artigo Especial, modalidade com que os leitores passarão a conviver daqui por diante. Serão sempre textos encomendados a especialistas consagrados em nosso campo temático. Para inaugurar esta seção, seria difícil encontrar Autor mais consagrado, verdadeira unanimidade internacional como um dos maiores epidemiologistas do século, Sir Richard Doll. O texto escolhido é inédito, tendo sido apresentado pelo Autor como Conferência no Congresso de Epidemiologia da Abrasco, realizado no Rio de Janeiro (EpiRio 98). Nos próximos números publicaremos, ainda como Artigos Especiais, as demais Conferências proferidas no EpiRio 98.

A segunda novidade é a inauguração de uma Seção de Debates. Esta será uma seção permanente da Revista, embora nem sempre formalizada na modalidade com que se apresenta neste número. A idéia é manter acesa a polêmica, o debate, a controvérsia sobre temas relevantes em nosso campo de atuação. Daremos espaço ao debate de idéias em qualquer dos terrenos: teórico, prático, metodológico, opinião.

Por sua essência, será a seção de Correspondência aquela em que os leitores poderão participar espontaneamente tornando-a dinâmica e conduzindo as discussões para o terreno de escolha do público leitor. Eventualmente, o debate poderá ser induzido juntando cartas espontâneas e críticas encomendadas, antes da resposta do autor original. Será uma espécie de Consenso e Dissenso, habitual em algumas revistas da área.

Um formato mais convencional inicia o processo por um artigo encomendado, seguem-se críticas também encomendadas e finaliza com a resposta do primeiro autor. Neste número damos início a este tipo de debate com um artigo de Maurício Lima Barreto intitulado Por uma epidemiologia da saúde coletiva e comentários de Moisés Goldbaum e Cláudio Struchiner, ambos membros do Comitê Editorial da Revista.

Outro tema para debate mais formal já foi escolhido pelo Comitê Editorial. Trata-se de ingressar numa polêmica que, no momento, figura com destaque na maioria dos periódicos científicos de circulação mundial. Existem múltiplas éticas na pesquisa científica que envolve seres humanos ? Haverá uma ética para as investigações realizadas nos países subdesenvolvidos, mais branda que a dos países industrializados ? A ética das investigações de "mundo real", envolvendo milhares de pessoas, na reta final dos testes de eficácia (fase III) de medicamentos e vacinas é diferente da ética dos ensaios em pequena escala (fase pré clínica e fases clínicas I e II)? Para introduzir este tema na literatura científica epidemiológica no Brasil, encaminhando uma espécie de visão terceiro mundista nesta polêmica mundial, escolhemos uma das questões mais candentes da atualidade: a Controvérsia da Vacina anti-HIV/aids. Para coordenar o Debate foi convidado Dirceu Bartolomeu Greco, da UFMG, que tem representado o Brasil em diversos encontros internacionais sobre o tema promovidos pela UNAIDS (OMS). Estabelecendo um critério a ser seguido nos Debates mais formais, o convidado será acompanhado por um membro do Corpo Editorial da Revista, neste caso o Assessor Carlos Maurício de Azevedo Antunes, também da UFMG. Os debatedores serão convidados pelo Editor Especial para encaminhar contribuições de extensões variáveis. Geralmente, haverá um ou mais artigos introdutórios, seguidos no mesmo número ou em números sucessivos da Revista por contribuições de menor extensão, encomendadas ou espontâneas. Nesta modalidade também serão aceitas sugestões dos leitores para novos temas e debatedores

Uma alternativa, mais usada em jornais diários e que tentaremos adaptar a uma revista periódica de Epidemiologia, é a de simplesmente enunciarmos temas que podem ser debatidos de uma maneira menos formal, num momento inicial, para se transformarem num debate mais formal, na seqüência. As contribuições, neste caso, necessariamente limitadas em sua extensão, por exemplo a uma página, serão selecionadas por um dos Editores da Revista. Também, como no caso anterior, serão aceitas sugestões.

Outra modalidade será constituída por Mesas Redondas, reais ou virtuais, geralmente encomendadas pelos Editores. Algumas poderão ser as que se programarem para Congressos da área, mas não somente; a Redação da Revista poderá ser o palco da Mesa Redonda, com ou sem público. Esperam-se sugestões.

Entrevistas especiais e Reportagens, geralmente conduzidas pelo corpo de Editores, também poderão ser indutoras de debate. Sugestões também aqui são bem vindas, sendo natural que os Congressos da área, realizados no Brasil ou no exterior, sejam momentos privilegiados para a realização destas atividades.

A seção Gavetas e Prateleiras, que será inaugurada no próximo número, também deverá ser uma fonte inesgotável de temas para debate. Por sua essência, estará aberta a indicações de textos.

Procuramos indicar os formatos das seções de Debates mais comuns em revistas da mesma natureza desta Revista Brasileira de Epidemiologia. Evidentemente, esperam-se sugestões dos leitores que superem nossa limitada criatividade. Quem sabe não poderemos ter alguma idéia inusitada provinda dos leitores e que acabe por ser a marca registrada dos nossos debates?

O conteúdo principal deste número é resultado do processo editorial convencional, comum a todos os periódicos científicos. Conduzido pelos Editores, tem como protagonistas os Autores, os Editores Associados e os pareceristas ad hoc recrutados na comunidade científica da área. Este processo de revisão por pares (peer review) caminha sempre com suas próprias pernas. Mantidas as regras enunciadas em nosso número inaugural, os artigos irão sendo publicados à medida em que completem o longo percurso de interação entre pareceristas e autores.

É, portanto, sempre um exercício instigante para os Editores compor o elenco de trabalhos que figuram em cada número da Revista. Da mesma forma que já ocorrera no primeiro número da Revista, também neste aparecem espontaneamente trabalhos em dois dos idiomas oficiais da Revista. Temos um trabalho escrito em inglês sobre dados colhidos entre usuários de drogas injetáveis (UDI) ilícitas em Barcelona, Espanha. O Autor principal é um brasileiro da Universidade Federal de Minas Gerais e os co-autores, profissionais de vários serviços de saúde da cidade espanhola. O trabalho aborda a validação de diversas maneiras de definir casos de infecção por HIV.

Os demais trabalhos têm todos o texto principal em português. Um deles também estuda a questão da infecção por HIV em UDI, no Brasil, chamando a atenção para a heterogeneidade e a contínua transformação dessa sub-população especial. Estimativas do seu tamanho e da sua composição exigem métodos especiais. O acompanhamento de seu padrão de estrutura e suas tendências é essencial para orientar as medidas de intervenção. Neste caso, o Autor principal também é da Universidade Federal de Minas Gerais e seu colaborador, da Fundação Oswaldo Cruz.

Apenas um dos trabalhos deste número é de autoria individual. Proveniente da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, reflete sobre a diferença de abordagem implícita na opção por uma das categorias, gênero ou sexo, nos modelos hierarquizados de análise epidemiológica.

Os três trabalhos restantes são produções coletivas. Provenientes de instituições brasileiras distintas, têm características que nos fazem pensar num padrão que parece ir-se compondo na composição das equipes de autores de nossa Revista. Um deles, com dois Autores, ambos do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, transita pela questão das diversas "modalidades" de validade em estudos epidemiológicos. Os outros dois apresentam um mesmo número de Autores, cinco. Um, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, analisa a relação entre a migração, o tipo de inserção no processo produtivo e o consumo de bebida alcoólica. Tem como Autores, dois pesquisadores senior, um bolsista de Aperfeiçoamento e dois de Iniciação Científica. Noutro, quatro dos Autores provêm de três Universidades Federais brasileiras (Rio Grande do Norte, Santa Maria e Uberlândia). Analisam a metodologia dos levantamentos epidemiológicos em saúde bucal da Organização Mundial da Saúde. O que os une é o fato de serem, todos, doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Odontologia Preventiva e Social da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), a cujo corpo docente pertence o outro co-autor.

O Corpo de Editores mantém seu otimismo quanto à vitalidade da Revista. O número de trabalhos em tramitação, seguindo o processo de peer review, garante a concretização da proposta original de uma revista de âmbito nacional, aberta à produção internacional e editada com artigos em qualquer um dos seus três idiomas oficiais. A previsão de lançamento de novos números com freqüência quadrimestral está assegurada.

 

O Editor