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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.3 n.1-3 São Paulo Apr./Dec. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2000000100001 

Editorial

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Este exemplar incorpora os três números do volume 3 da Revista Brasileira de Epidemiologia, correspondente ao ano de 2000. Trata-se de uma maneira legítima de colocar em dia a circulação da Revista. Porém, exige uma reflexão a respeito por parte dos principais interessados, os epidemiologistas das instituições acadêmicas, de pesquisa e de serviços, que participam do processo, simultaneamente, como produtores e "consumidores" dos novos conhecimentos. A Revista pertence a eles, mais do que ao corpo de editores, à Comissão de Epidemiologia e à própria Abrasco. Sem a ativa participação de autores da área, enviando suas contribuições com prioridade para a nossa Revista, esta não poderá sobreviver. Já foi dito, no Editorial do número inaugural, citando Cecília Donnangelo, que nossa área tem "mais atores que autores". Essa afirmação deve ser contextualizada, na medida em que representava um reconhecimento de que a maneira brasileira de fazer epidemiologia tinha várias moradas, das quais a publicação em revistas especializadas não era a mais freqüentada. Este momento está ultrapassado. Por mais que nos atinja em cheio a classificação de periódicos introduzida recentemente no cenário da pós graduação no Brasil, é uma realidade com a qual devemos conviver. Ou lutar para transformar. Os programas são avaliados, em grande parte, através do número de trabalhos publicados em "revistas de impacto". É inevitável que os que batalham para figurar entre os melhores em cada área, o que é legítimo, direcionem sua produção apenas para aqueles veículos que podem contribuir para uma boa avaliação. Estabeleceu-se um círculo vicioso que, se não for rompido, inviabiliza o surgimento de novos periódicos com padrão de exigência e julgamento por pares igual ao dos veículos já consolidados em cada área do conhecimento.

A Revista Brasileira de Epidemiologia, apenas ao completar dois volumes, foi capaz de iniciar o processo de indexação, com limitado sucesso por enquanto. Porém com boas perspectivas, em vista do reconhecimento do elevado padrão de julgamento científico ao qual não podemos renunciar. Estão em curso apenas algumas medidas puramente editoriais, como a edição de números temáticos e de revisão, compostos por trabalhos encomendados, mas também submetidos à apreciação de especialistas designados "ad hoc". E outras, meramente técnicas de editoração como a redefinição da maneira de divulgar o sumário estendido, que atualmente é exigido além do usual abstract. Uma das idéias é a de suprimir o sumário estendido da edição em papel, remetendo ao site da Abrasco para a divulgação do mesmo, apenas daqueles artigos, em português ou em espanhol, dos quais os autores tenham providenciado a elaboração. Parece uma questão de menor importância, mas tem sido um constante entrave editorial a maneira pouco clara como os autores têm interpretado a diferença entre essas maneiras de registro simplificado de seus trabalhos.

Neste número estamos divulgando o III Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil, 2000 a 2004, elaborado pela Comissão de Epidemiologia da Abrasco, através de um complexo processo no qual figuraram praticamente todos os segmentos de relevância na área. Sendo a terceira versão de um Plano que já demonstrou sua importância nas anteriores, resta-nos esperar que sirva para orientar o desenvolvimento da área na pesquisa, no ensino em todos os níveis, nos serviços, na formulação de políticas e na avaliação de saúde.

Um dos trabalhos, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, incursiona, da maneira competente com que o autor nos tem brindado com freqüência, pelo conceito de saúde, considerando-o "ponto cego" da epidemiologia e afirmando ser desprovida de base lógica uma definição negativa da saúde. Outro, da Faculdade de Saúde Publica da Universidade de São Paulo, interpreta como a introdução de novas tecnologias computacionais e informáticas tem contribuído para facilitar a elaboração de estatísticas de mortalidade segundo causas múltiplas. Da Universidade Federal do Ceará, em colaboração com o GAPA do Ceará, um estudo das práticas sexuais "desprotegidas" entre homens que fazem sexo com homens em Fortaleza. Proveniente do "Núcleo de Nutrição, Alimentação e Desenvolvimento Infantil", da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em colaboração com o Departamento de Epidemiologia da Emory University e do CDC, dos E.U.A., uma análise sobre a recuperação nutricional de crianças pobres atendidas em serviço especializado. Finalmente, um trabalho da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e da Faculdade de Saúde Pública da USP, aborda o quadro de quarenta anos de mortes violentas no Município de São Paulo.

Como nos números anteriores, a grande diversidade temática, de origem dos autores e de abordagem teórica e metodológica, já pode ser identificada como uma das principais características da Revista. Esperemos que ela continue com a mesma linha editorial, com o mesmo perfil de colaboradores, de linhas temáticas e filiação conceitual.

 

O Editor