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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.6 n.3 São Paulo Sep. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2003000300001 

Editorial

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Este número da revista é inteiramente composto por artigos do fluxo contínuo normal do processo editorial. São oito artigos, todos nacionais, provenientes de diversos estados e grupos de pesquisa da universidade e dos serviços de saúde. Mantém-se a característica que já está marcando a revista: nenhum deles é de autor solitário. O número de autores varia entre três e sete, com moda de quatro. Submetidos ao processo de peer review, os artigos chegam ao exemplar impresso em tempo relativamente curto, demonstrando a vitalidade que conseguimos após uma árdua batalha na qual tivemos o apoio da comunidade científica. Esse tempo será abreviado ainda mais e, esperamos ansiosamente, transformado numa divulgação precoce por meios virtuais assim que tivermos acolhido nosso pleito de ingresso no sistema Scielo.

Estamos desencadeando o processo de introdução de linhas temáticas especiais nos números comuns, em substituição aos números especiais. Temos em preparação pelo menos quatro temas. Dois são continuação de números temáticos anteriores: endemias e métodos estatísticos em epidemiologia. Dois são novos, embora um deles já tenha sido anunciado anteriormente: o debate da ética na pesquisa em seres humanos e as propostas circulantes de "abrandamento" de alguns parágrafos da Declaração de Helsinque. O outro foi originado numa reunião que teve a participação ativa da Abrasco e relacionada com o êxito de experiências de introdução da prática epidemiológica nos serviços de saúde.

Dos trabalhos apresentados neste número, três estão relacionados com estado nutricional e doença. Dois deles analisam consumo de alimentos através de questionários de freqüência alimentar, transitando por questões de validação e comparabilidade entre métodos. O outro, analisa a concordância de métodos de pesagem de alimentos em creche. Os autores desses trabalhos são da USP (6), da Universidade Metodista de São Paulo (1), da UFMG (4) e da FIOCRUZ (1).

Um trabalho, de autores da UNESP (2) e da UNICAMP (1), analisa a sobrevida de pessoas com sessenta anos e mais, através de estudos de morbidade referida em inquéritos domiciliares.

Dois trabalhos procedem do Maranhão, são ao todo nove pesquisadores da UFMA, e relacionam-se: com o sub registro de nascimentos, num inquérito por amostragem domiciliar, analisando o resultado de "mutirões" de registro; e com a mortalidade por causas externas no município de São Luís.

Um trabalho, de autores da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (3) e da UNICAMP (1), analisa a busca ativa de tuberculose pulmonar numa amostra intencional de pessoas atendidas em serviço de alcoolismo e drogadição, com emprego de questionário estruturado.

Um trabalho analisa extenso seguimento, por quatro anos, de mais de seis mil pessoas residentes em área de alta endemicidade de hanseníase, relacionando o risco com o resultado de um teste sorológico. Seus autores são da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (4), da Secretaria Municipal de Saúde de Severínia, SP (1), da UNESP (1) e da UNIFESP (1).

Deve ser ressaltado, ainda, um Editorial Especial, de autoria de Glória Teixeira, membro da Comissão de Epidemiologia da Abrasco, a respeito da criação de Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde, no Ministério da Saúde. Embora as idéias emitidas nos Editoriais Especiais reflitam em geral apenas a opinião de seus autores, neste caso particular incorporam o resultado de uma reunião da Comissão de Epidemiologia com a direção da nova Secretaria e os debates travados numa Mesa Redonda do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado em Brasília em agosto do corrente ano.

Finalmente, na seção de Notícias, destacamos a apreciação que a Direção do Instituto Pasteur de São Paulo, através de Ivanete Kotait e Neide Takaoka, faz do transcurso de seu centenário, ocorrido em agosto. Longe de ser apenas uma notícia fria: é notável a objetividade de descrição do quadro epidemiológico atual de uma zoonose com focos naturais, em particular da importância dos morcegos no que as autoras chamam de "ciclo aéreo" do processo endemo-epidêmico.

Boa leitura.

 

O Editor