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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.7 n.1 São Paulo Mar. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2004000100005 

Indicadores do aleitamento materno no município de Ribeirão Preto, São Paulo

 

Breast feeding indicators in the municipality of Ribeirão Preto, São Paulo

 

 

Maria José Bistafa PereiraI; Márcia Cristina Guerreiro dos ReisII; Ana Márcia Spanó NakanoIII; Claudia Benedita dos SantosI; Maria Renata G. Bellizzi VillelaIV; Mirela C.P. LourençoV

IDepartamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Av. Bandeirantes, 3900; 14040-902 Ribeirão Preto - SP; zezebis@eerp.usp.br
IIPrograma Aleitamento Materno Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto
IIIDepartamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública Núcleo do Aleitamento Materno Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo
IVPrograma de Saúde da Criança Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto
VSecretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto

 

 


RESUMO

O estudo objetiva identificar a situação do Aleitamento Materno utilizando os indicadores propostos pela OMS (1991), em crianças menores de 1 ano que compareceram à segunda etapa da campanha nacional de vacinação em 1999, no município de Ribeirão Preto, SP. Do total de 7.894 crianças menores de 1 ano que compareceram à campanha de vacinação, fizeram parte da amostra estudada 1.715 crianças (21,7%). Destas, 951 (55,5%) receberam leite materno nas últimas 24 horas. Para o grupo menores de 4 meses (554 crianças) obtivemos os índices de 104 (18,8%) em Aleitamento Materno Exclusivo; 223 (40,3%) em Aleitamento Materno Predominante; 327 (59%) em Aleitamento Materno Completo; e 471 (85%) em Aleitamento Materno. A utilização de outro leite associado ao leite materno foi verificada em 144 (26%) das crianças menores de 4 meses e em 268 (31,5%) das crianças menores de 6 meses. A duração média do aleitamento materno para o município foi de 6 meses. A metodologia possibilitou comparação dos dados com aqueles obtidos para o Estado de São Paulo e forneceu subsídios para redirecionar e planejar ações em aleitamento materno.

Palavras-chave: Aleitamento materno. Indicadores.


ABSTRACT

The purpose of the present study was to use indicators proposed by the WHO (1991) to identify breastfeeding status in children less than one year old that took part in the second phase of the National Immunization Program in 1999. A sample of 1,715 (21.7%) children was taken from a total of 7,894 children less than one year old. Among them, 951 (55.5%) had been breastfed by their mothers in the past 24 hours. Considering children less than 4 months old (554), 104 were on exclusive breastfeeding; 223 (40.3%) were on predominant breastfeeding; 327 (59%) on complete breastfeeding and 471 (85%) on breastfeeding. Results showed that 144 (26%) children less than 4 months old and 268 (31.5%) children less than 6 months old used other milks associated to mothers' milk. The average duration of breastfeeding was 6 months in the municipality. The methodology enabled a comparison of data with those of the State of São Paulo, providing elements to guide and plan actions to promote breastfeeding.

Key Words: Breastfeeding. Indicators.


 

 

Introdução

São inquestionáveis as vantagens do leite humano para a criança até o sexto mês de vida. A superioridade do leite humano está diretamente relacionada à sua digestibilidade, à sua composição química balanceada, à ausência de fenômenos alergênicos e à sua ação anti-infecciosa. A amamentação é valorizada ainda como importante fator na promoção da interação mãe e filho, o que é recomendável para o bom desenvolvimento psico-emocional e social da criança1.

Assim, o aleitamento materno foi instituído e reafirmado ao longo dos tempos, como estratégia simplificada em nível de atenção primária para a redução da mortalidade e da morbidade infantis, principalmente em países do Terceiro Mundo. As políticas na área da saúde da mulher e da criança têm colocado a amamentação como de extrema relevância social, particularmente para a classe social pobre, onde ela deve ser amplamente estimulada por ser vital à sobrevivência das crianças no primeiro ano de vida, em razão das condições desfavoráveis de vida que trazem implicações para a saúde infantil.

No Brasil, estudos epidemiológicos evidenciam que, ao longo dos anos, tem-se conseguido saldos positivos na retomada do aleitamento materno. No entanto, as taxas de prevalência estão muito longe de atingir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, do aleitamento materno exclusivo (AME) por 6 meses e da manutenção do aleitamento materno (AM) após a introdução de outros alimentos até os 2 anos de vida ou mais.

Monteiro2 apresenta a comparação entre resultados obtidos pela Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde (PNDS-1996) e os resultados da Pesquisa Nacional sobre Saúde Materno Infantil e Planejamento Familiar (PNSMIPF-1986), revelando a tendência ascendente de aleitamento materno exclusivo (AME), que é 11 vezes maior para menores de 4 meses e 25 vezes maior para crianças entre 4 e 6 meses.

Dados mais recentes de Pesquisa Nacional realizada em 1999 pelo Ministério da Saúde em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde3, em dia nacional de campanha de vacinação em 25 capitais brasileiras verificou-se que, na região urbana, a duração média do AME foi de 23 dias e a duração média do AM foi de 296 dias. Comparando-se com a duração média do AM de 210 dias, obtida na pesquisa anterior, em 1996, confirma-se assim a tendência ascendente.

No Estado de São Paulo, considerando dados levantados em 12 municípios em 1998, a prevalência de aleitamento exclusivo e completo variou de 8,4% a 54%, e de 41,5% a 73%, respectivamente4.

Em Ribeirão Preto, Ricco5 verificou no período compreendido entre outubro de 1973 a maio de 1974, no grupo etário de 0 a 02 anos de idade, que o tempo mediano de amamentação foi de dois meses e meio a três meses. No ano seguinte, Martins Filho6, realizando investigação semelhante em Campinas (SP), confirmou a tendência do desmame precoce, encontrando um tempo mediano de amamentação de dois meses e vinte e quatro dias.

Posteriormente, em 1985, Villa7 desenvol veu uma investigação no subprograma de suplementação alimentar em cinco Centros de Saúde de Ribeirão Preto, que desenvolviam ações de incentivo ao aleitamento materno e obteve os seguintes resultados: mediana de 134 dias para o aleitamento misto e 72 dias para o aleitamento exclusivo .

O tempo mediano encontrado nos estudos de Ricco5, Martins Filho6 e Villa7, de dois meses e meio a três meses, tem extrema aproximação com os dados apresentados em relação ao Brasil, para o ano de 1975, por Venâncio e Monteiro8.

Durante décadas tem-se investido na promoção do aleitamento materno, por meio das ações dos Programas de Saúde e das demais organizações governamentais e não governamentais, na tentativa de reverter o desmame precoce. Em Ribeirão Preto, atividades conjuntas entre Instituições de Saúde e Ensino vêm sendo realizadas desde a segunda metade da década de 70. O esforço conjunto de docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP) e de enfermeiras do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFM-RP), em 1975, culminou com a criação do Núcleo de Aleitamento Materno (NALMA) do Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, oficializado posteriormente em 1985. De início, os princípios técnicos científicos do NALMA foram implementados no HCFM-RP; posteriormente, em decorrência da reorganização dos serviços de saúde que começou a se configurar a partir de 1984, em adesão à Ações Integradas de Saúde (AIS), tais ações foram ampliadas para os serviços da rede básica de saúde do município.

Na atualidade, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto (SMS-RP) dispõem de enfermeiras treinadas para assistência à mulher nas questões do aleitamento materno. Outros profissionais de saúde também estão sendo capacitados para prestar tal atendimento.

Diante dessa série de iniciativas e articulações entre Instituições de Saúde, Órgãos Formadores e grupos da comunidade ocorridas em Ribeirão Preto nos últimos anos, faz-se necessário avaliar a situação do aleitamento materno no município.

O objetivo do estudo é identificar as práticas do aleitamento materno segundo os indicadores de avaliação propostos pela OMS9 em crianças menores de 1 ano que compareceram à segunda etapa da campanha de vacinação no dia 16 de outubro de 1999, nos 28 postos de vacinação amostrados da Cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.

 

Material e Método

A metodologia empregada na coleta dos dados já foi anteriormente utilizada em estudos semelhantes, realizados em outros municípios do Estado de São Paulo, no Projeto Amamentação e Municípios: Avaliação das práticas alimentares no 1º ano de vida, em dias nacionais de vacinação (Núcleo de Investigação em Saúde da Mulher e da Criança, Instituto de Saúde, Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, Faculdade de Saúde Pública da USP), em colaboração com o Centro Técnico de Saúde da Criança da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A uniformização da metodologia, em termos da definição de padrões de coleta de dados e análise, permite comparação entre diferentes estudos nacionais e internacionais 9 .

Contexto da pesquisa

Ribeirão Preto foi um dos 126 municípios do Estado de São Paulo a participar no ano de 1999 do Projeto Amamentação e Municípios. Localiza-se na região norte/nordeste do Estado. A população do município é de 456.252 habitantes, segundo contagem populacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1996.

A configuração da população por faixa etária é composta em 26,34% pelo grupo menor de 15 anos, sendo que os menores de 01 ano representam 1,37% da população total. A faixa etária compreendida entre 15 e 44 anos representa, no município, 50,34%, enquanto os adultos acima de 60 anos correspondem a 9,35%.

O setor saúde ocupa lugar de destaque, dispondo de universidades pública e privadas com diversos cursos na área de saúde e uma extensa rede de serviços públicos municipais: 26 Unidades Básicas de Saúde, 5 Unidades Básicas e Distritais, 1 Ambulatório Regional de Saúde Mental, 1 Ambulatório Regional de Especialidades e 2 Núcleos de Assistência Psicossocial. Com relação à rede hospitalar, o município conta com 2 hospitais públicos, sendo um deles o hospital universitário, de referência terciária, e o outro para internações psiquiátricas. Ainda dispõe de 4 hospitais filantrópicos conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS), 2 hospitais privados/conveniados com o SUS e 3 hospitais privados, além de inúmeros serviços de caráter ambulatorial. Informações sistematizadas e mais detalhadas sobre o perfil de Ribeirão Preto podem ser encontradas em Mischima10.

Coleta de dados

Este estudo, realizado no dia 16 de outubro de 1999, durante a segunda etapa da campanha nacional de vacinação no município de Ribeirão Preto, teve por base uma amostra por conglomerados que procurou garantir a representatividade de toda a população do município. Desta forma, de 70 postos, foram sorteados 28. O segundo sorteio foi realizado pelos supervisores da pesquisa no dia da campanha de vacinação, onde foram sorteadas, na própria fila, as crianças que fariam parte da amostra com base na fração estabelecida para cada posto, que foi calculada de acordo com a demanda da Campanha de Vacinação de 1998. Foi previsto, no mínimo, a aplicação de 40 inquéritos por posto de vacinação.

A coleta de dados foi realizada por 75 entrevistadores voluntários, alunos do Curso de Graduação em Enfermagem da EERP-USP, e 9 alunos do Curso de Graduação em Nutrição da Universidade Paulista (UNIP), que foram submetidos a treinamento prévio 15 dias antes da coleta. Foram locados no mínimo 2 entrevistadores por posto. Como parte da equipe de coleta de dados, cada posto teve de 1 a 2 supervisores, função assumida por profissionais de nível universitário da SMS-RP, docentes e pós-graduandos da EERP-USP.

O instrumento de coleta de dados utilizado foi composto de 47 questões fechadas. O acompanhante da criança (mãe, pai, avó, tia etc.) foi informado de que estava sendo realizada uma pesquisa sobre alimentação, e perguntava-se o que a criança havia comido nas últimas 24 horas.

Antes da realização da entrevista foi apresentado ao entrevistado o formulário para consentimento livre e esclarecido sobre a que se referia a pesquisa, procedimentos, implicações e liberdade de decidir quanto à participação. Este formulário, bem como o projeto, foram submetidos à apreciação do Comitê de Ética da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. O parecer do referido comitê foi favorável à realização do estudo, estando o mesmo dentro das normas éticas exigidas.

Análise dos dados

Foram calculadas as taxas dos seguintes indicadores do aleitamento materno9:

Aleitamento Materno Exclusivo(AME): proporção de crianças que receberam apenas o leite materno como única fonte de nutrição durante as últimas 24 horas. Calculada para as crianças menores de 4 meses (<120 dias).

Aleitamento Materno Predominante (AMP)): proporção de crianças em que o leite materno foi a fonte predominante de nutrição da criança, porém a criança também pode ter recebido água, bebidas à base de água (água açucarada e com sabores, infusões, chá), suco de frutas, solução de sais de hidratação oral etc., durante as últimas 24 horas. Calculada para as crianças menores de 4 meses (<120 dias).

Aleitamento Materno Completo (AME+AMP): proporção de crianças que estavam em aleitamento materno exclusivo e aleitamento materno predominante durante as últimas 24 horas. Calculada para as crianças menores de 4 meses (<120 dias).

Alimentação Complementar Oportuna: proporção de crianças que receberam leite materno e alimentos sólidos ou semi-sólidos durante as últimas 24 horas. Calculada para as crianças de 6 a 9 meses (180-299 dias).

Alimentação com Mamadeira: proporção de crianças que receberam líquidos (incluindo leite materno) e alimentos semi-sólidos em mamadeira, durante as últimas 24 horas. Calculada para crianças menores de 1 ano.

Aleitamento Materno: proporção de crianças menores de 1 ano que receberam leite materno, nas últimas 24 horas.

No tratamento estatístico dos dados utilizou-se o programa de banco de dados Access, linguagem de programa Visual Basic, cedido pela Coordenação Geral do Projeto Amamentação e Município (SES-SP), sendo o processamento dos dados realizado pelos pesquisadores do NALMA-EERP/USP e SMS-RP. Foi enviada cópia do banco de dados para a Coordenação Geral do Projeto, a fim de servir para comparação com os dados de outros municípios.

Para a comparação entre as proporções de indicadores de aleitamento materno no Estado de São Paulo e no município de Ribeirão Preto, optou-se pelo teste estatístico paramétrico Z para análise. O programa estatístico utilizado foi o SPSS, versão 10.0.

Por se tratar de um estudo transversal e não longitudinal, a mediana para o tempo de aleitamento (nos diferentes indicadores estabelecidos) não é uma medida apropriada. Por isso, optou-se por descrever a duração média do aleitamento materno por idade, em meses, na qual a média móvel de três meses é 50% ou menos, ou seja, pelo menos 50% das crianças deixaram de mamar. Deste modo, cada mês é representado não apenas pelo valor encontrado para ele, mas pela média de três meses, incluindo o anterior e o posterior.

 

Resultados e Discussão

Do total de 7.894 crianças menores de 1 ano que compareceram à segunda etapa da campanha de vacinação de 1999, fizeram parte da amostra estudada 1.715 ( 21,7%) crianças, distribuídas proporcionalmente em faixas etárias de cada 2 meses, variando de 14,7 % a 18,3% de 0 a 12 meses.

Considerando o total de 1.715 crianças menores de 1 ano verificamos que 951 (55,5%) receberam leite materno nas últimas 24 horas, conforme está apresentado na Tabela 1.

 

 

Avaliando a prática da amamentação segundo os indicadores estabelecidos – Aleitamento materno exclusivo, Aleitamento materno predominante, Aleitamento Materno Completo, calculados para crianças menores de 4 meses, e Aleitamento Materno – observamos que, do subtotal de 554 crianças menores de 4 meses, 104 (18,8%) estavam em AME – Aleitamento Materno Exclusivo, 223 (40,3%) em AMP – Aleitamento Materno Predominante, 327 (59,0%) em AMC – Aleitamento Materno Completo e 471 (85,0%) do total de crianças menores de 4 meses receberam leite materno (Tabela 2).

Quando analisamos as 850 crianças menores de 6 meses observamos que 108 (12,7%) estavam em aleitamento exclusivo, 280 (32,9%) em aleitamento predominante e 656 (77,2%) em aleitamento materno (Tabela 3).

A utilização de outro leite junto com o leite materno foi relatada em 144 (26,0%) das crianças menores de 4 meses, enquanto esta mesma situação em crianças menores de 6 meses foi identificada em 268 (31,5%) crianças.

Issler, Sampaio e Sales12 alertam para o risco de morte pela simples introdução de outro líquido na alimentação da criança, reforçando a importância do aleitamento materno exclusivo. É hoje consenso que todas as crianças devem receber exclusivamente leite materno nos primeiros 6 meses de vida, e que a amamentação complementada por outros alimentos deve prosseguir até o 2° ou mais anos de idade15. Isso aponta para o papel relevante dos serviços e dos profissionais de saúde para prestar assistência, no mínimo, à mulher e seu filho nos diferentes períodos de desenvolvimento e crescimento da criança, também com enfoque na alimentação.

Entre as crianças de 6 a 9 meses verificou-se a proporção daquelas que estavam em Alimentação Complementar Oportuna. Do total de 481 crianças que pertenciam a esta faixa etária, 169 (35,1%) estavam recebendo, além do leite materno, alimentos sólidos e semi-sólidos.

No indicador de análise sobre alimentação com mamadeira em crianças menores de 1 ano, observou-se que, das 1.715 crianças, 1.240 (72,3%) receberam mamadeira com leite materno ou outro tipo de alimento líquido ou semi-sólido.

Em Ribeirão Preto, a duração média do aleitamento materno foi de 6 meses, como está mostrado na Tabela 4.

Na Tabela 5 estão apresentados os indicadores de aleitamento materno no Estado de São Paulo e no Município de Ribeirão Preto. Diferenças estatisticamente significativas entre os indicadores estão assinaladas por um asterisco. As duas últimas colunas da tabela mostram, respectivamente, valores obtidos para a estatística Z e para probabilidades a elas associadas, obtidos após a aplicação do teste para a diferença entre duas proporções, com nível de significância a= 0,05.

Analisando-se a Tabela 5, verificou-se que os indicadores de aleitamento materno (AM) e aleitamento materno exclusivo (AME) para as faixas etárias de crianças menores de 1 ano e menores de 4 meses, respectivamente, estavam em concordância com os achados do Estado de São Paulo. Entretanto, foram encontradas diferenças estatísticas significativas entre o Estado de São Paulo e o Município de Ribeirão Preto nos seguintes indicadores: o Aleitamento Materno Completo (AMC) em menores de 4 meses apresentou-se maior para o município de Ribeirão Preto; a Alimentação Complementar oportuna dos 6 aos 9 meses apresentou-se menor para o município de Ribeirão Preto; o indicador Alimentação em Mamadeira em menores de 1 ano apresentou-se também maior para o município de Ribeirão Preto.

A análise comparativa dos dados apresentados com os achados de outros estudos anteriormente realizados em Ribeirão Preto mostrou-se limitada devido às diferenças metodológicas empregadas. Entendemos que este estudo poderá ser realizado periodicamente, permitindo analisar o impacto das medidas implementadas. E também fornecer subsídios para outros estudos.

 

Conclusão

Os Indicadores de Aleitamento Materno identificados no Município de Ribeirão Preto, SP foram :

- Aleitamento Materno em crianças menores de 1 ano – 55,5%

- Aleitamento Materno Exclusivo em crianças menores de 4 meses – 18,8%

- Aleitamento Materno Predominante em crianças menores de 4 meses – 40,3%

- Aleitamento Materno Completo em crianças menores de 4 meses – 59%

- Alimentação Complementar Oportuna em crianças de 6 a 9 meses – 35,1%

- Alimentação com mamadeira em crianças menores de 1 ano – 72,3%

- Duração Média do Aleitamento Materno – 6 meses.

 

Referências

1. Bowby J. Apego. São Paulo: Editora Martins Fontes; 1990.        [ Links ]

2. Monteiro CA. O panorama da nutrição infantil nos anos 90. Cadernos de Políticas Sociais 1996; (Série Documentos para Discussão, 1) 1-17.        [ Links ]

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5. Ricco RG. Estudo sobre aleitamento materno em Ribeirão Preto [dissertação de mestrado]. Ribeirão Preto: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP; 1975.        [ Links ]

6. Martins Filho J. Contribuição ao estudo do aleitamento materno em Campinas [tese de livre docência]. Campinas: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas; 1976.        [ Links ]

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8. Venâncio SI, Monteiro CA. A tendência da prática da amamentação no Brasil nas décadas de 70 e 80. Rev Bras Epidemiol 1998; 1(1): 40-8.        [ Links ]

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10. Mischima et al. A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem em Saúde Coletiva no Brasil – CIPESC. Apresentando o Cenário de Pesquisa do Município de Ribeirão Preto, São Paulo. In.: Chianca TCM, Antunes MJM (org). A Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva – CIPESC (org.). Brasília: Série Didática: Enfermagem no SUS - Associação Brasileira de Enfermagem; 1999. p. 204 –44.        [ Links ]

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recebido em: 20/03/2003
versão final reapresentada em: 17/11/2003
aprovado em: 20/01/2004