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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.7 n.1 São Paulo Mar. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2004000100012 

RESENHA

 

 

Maria da Penha Costa Vasconcellos

 

 

Silva, RC. Metodologias Participativas para trabalhos de Promoção de Saúde e Cidadania, Vetor Editora, 2002.

O primeiro mérito do trabalho de Rosalina Carvalho Silva está em colocar em cheque a base da conduta de alguns profissionais de saúde, e particularmente de educadores, que insistem e persistem em desenvolver todos os seus trabalhos acreditando na informação como desencadeadora de conduta preventivas diante dos enigmas da vida. Como a própria autora coloca a informação não é em si suficiente para a sensibilização pessoal. E acrescenta, a necessidade de um envolvimento das emoções e sentimentos junto às cognições.

A autora, fala sobre o trabalho profissional junto a grupo de jovens com conhecimento de causa, relatando de forma cuidadosa e respeitosa com o leitor, sem tornar o texto enfadonho, a origem de sua reflexão e a preocupação em aliar pesquisa, docência e atividades de extensão de serviços à comunidade, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, através do Núcleo de Estudos para Prevenção do uso de Drogas e das DST/Aids (NEPDA), e de como as análises teóricas metodológicas foram sendo incorporadas as atividades programadas pelo núcleo.

Carvalho Silva demonstra que é uma falácia se pensar que as técnicas disponíveis para trabalhar-se com pessoas em contextos grupais podem vir despossuídas de pressupostos teóricos e de requisitos para suas utilizações, pondo na vitrine, a questão do por quê se trabalhar com grupos, quando as questões são de natureza subjetiva e social, dando sustentação teórica e metodológica para o uso dessa dinâmica

Familiarizada com os "fazeres" da psicologia social que possibilitam pluralidade de recursos e instrumentos, este livro, confirma a possibilidades das áreas de saúde, mais voltadas às necessidades biológicas e de riscos à saúde, poderem também se utilizarem das metodologias participativas, como forma de aproximação e vivência e experiências que visualizem um discurso não limitador sobre as ações do "outro", tão presentes no raciocínio da clínica médica.

Cuidadosa, a autora descreve um conjunto composto por 11 técnicas ou estratégias facilitadoras para o desencadeamento de situações que possibilitem refletir questões subjetivas, interpessoais e de convivência em sociedade. Explicita também como organizar os grupos, aspectos éticos presentes no processo e as regras dos trabalhos grupais. Dedica todo um capítulo aos conteúdos programáticos para as sessões grupais, ressaltando temas e questões recorrentes no universo dos jovens e, não esquece em seu último capítulo de trazer uma reflexão sobre a avaliação das metodologias participativas para trabalhos grupais.

Carvalho Silva com habilidade nos conduz em seu livro a pensar que se tratando de lidar com seres humanos é preciso não ressaltar somente as semelhanças e segregar as diferenças, como modelos idealizados, pelo contrário, a maturidade e a transformação desejada pode chegar de forma mais prazerosa quando nos sentimos respeitados, queridos e cidadãos.

Para a autora "O importante é ter clareza que o fundamental, nos tipos de trabalho propostos, é a facilitação da emancipação social das pessoas e, conseqüentemente, a construção de novas formas de construção de subjetividades e sociabilidades mais saudáveis".

 

Maria da Penha Costa Vasconcellos, é psicóloga,
professora e orientadora no Programa de
Pós-Graduação em Saúde Pública da
Faculdade de Saúde Pública da USP
mpvascon@usp.br