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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.7 n.2 São Paulo Jun. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2004000200001 

Editorial

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Este número da Revista Brasileira de Epidemiologia apresenta dez trabalhos que seguiram o trâmite normal do julgamento por pares, conduzido em caráter sigiloso sob o comando de Editores Associados. Já está se tornando uma característica regular da RBE apresentar grande diversidade temática, de método e de vínculo institucional dos autores, distribuídos por todo o país. A Região Sudeste aparece com seis trabalhos, três de São Paulo, dois do Rio de Janeiro e um de Minas Gerais. A Centro Oeste com dois, ambos de Mato Grosso, um deles em parceria com um co-autor do Acre, na Região Norte. Um vem da Bahia, no Nordeste, e outro de Santa Catarina, no Sul. Repetindo números anteriores, a média de autores é três, sendo apenas um dos trabalhos de autoria individual. Novamente um desequilíbrio, vinte mulheres e dez homens compõem o elenco de autores e apenas um dos trabalhos tem primeiro autor masculino.

Um trabalho, de professores de Estatística da UFMG, analisa padrões espaço- temporais da distribuição de câncer de pulmão no "Sul do Brasil", composto pelos três estados da Região Sul, e por São Paulo, da Sudeste. Empregam como fonte o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde e lançam mão de um modelo bayesiano para estabelecer os padrões.

Três professores da USP investigam a validade de levantamentos epidemiológicos na saúde bucal. É outra característica que a RBE está assumindo: ser o veículo da divulgação de trabalhos epidemiológicos nesta importante área da Saúde Pública. Os autores empregam metodologia padronizada pela OMS para levantamentos de prevalência de cárie dentária, estendendo-se em considerações sobre precisão, reprodutibilidade, sensibilidade e especificidade dos procedimentos empregados.

Dois professores, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e da Universidade de Cuiabá (UNIC), associados a outro da ENSP/ FIOCRUZ, do Rio de Janeiro, e a um consultor da OMS, comparam resultados de duas propostas metodológicas de estimativa da "prevalência oculta" da hanseníase no Estado de Mato Grosso.

No trabalho com maior número de autores, todos do Rio de Janeiro, cinco professores da UERJ, apenas um epidemiologista e os demais bioquímicos, com a colaboração de outro de um Instituto de Pesquisas Clínicas (IPEC/ FIOCRUZ). Analisam mutações num gene em câncer de mama e sua associação com fatores de risco e características do tumor.

Os níveis séricos de creatinina, numa amostra domiciliar de adultos em Salvador , Bahia, são estudados num modelo de inquérito que associa entrevistas e exames, para estimar a prevalência de hipercreatininemia. A autora é professora do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.

Sobrepeso e obesidade são temas de dois trabalhos, realizados em contextos distintos em grupos etários e gêneros diferentes. Um deles, de autoria de duas professoras do Rio de Janeiro, representa o resultado de trabalho conjunto dos Departamentos de Nutrição e Dietética da UFRJ e do Departamento de Epidemiologia da ENSP/ FIOCRUZ. Apresenta revisão da literatura (LILACS e MEDLINE) sobre fatores associados com a retenção e o ganho de peso após o parto, considerado um dos determinantes da obesidade em mulheres. O outro, foi realizado em crianças menores de seis anos matriculadas em creches públicas de Florianópolis, Santa Catarina. De autoria de três professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), relaciona a prevalência de sobrepeso com área de moradia, adotada como proxy de condições socioeconômicas.

Também realizado em crianças em idade pré- escolar, estudo de intervenção analisa a redução da prevalência da anemia pela suplementação de ferro em esquema de fornecimento semanal. Foi realizado por duas professoras de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em colaboração com outro do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Acre (UFAC).

Finalmente, dois trabalhos, ambos realizados em São Paulo, analisam internações hospitalares empregando dados do Sistema de Informações do SUS, através das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs). Num deles, duas professoras do Departamento de Medicina Preventiva e Social da UNICAMP e outra do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP analisam as internações por doenças respiratórias em idosos num período suficiente que permite avaliar a influência da vacinação contra a influenza. No outro, duas professoras da USP, da Faculdade de Saúde Pública e da Escola de Enfermagem, discutem os custos da violência na área da saúde. Empregando as AIHs, estimam os gastos do SUS com internações hospitalares por causas externas.

Estes dois últimos trabalhos nos permitem retomar a discussão de dois temas para os quais temos chamado a atenção de autores, editores e pareceristas ad hoc: a submissão dos trabalhos a Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e a declaração de potencial conflito de interesses. No primeiro, uma intervenção representada pela campanha de vacinação de idosos contra influenza é objeto de um estudo observacional. Emprega fontes de dados públicas e em casos como esse pode ser questionada a obrigatoriedade de submissão a um CEP. A questão é polêmica e pretendemos submetê-la a debate nos próximos números da RBE. No outro, o Editor Científico da RBE é diretamente interessado: o trabalho é resultado de um Projeto aprovado pelo Programa de Políticas Públicas da FAPESP em que é um dos coordenadores. A solução foi atribuir a condução do processo de julgamento, sigilosamente, a um do Editores Adjuntos. Em outros casos, os autores devem estar atentos para identificar e explicitar os potenciais conflitos. Em estudos de avaliação de programas de saúde, por exemplo, é conveniente explicitar que relação os autores têm com as autoridades sanitárias responsáveis por sua execução.

Finalmente devemos chamar a atenção para duas matérias especiais. Uma é a notícia da outorga do "Prêmio de Ciência e Cultura 2004", da Fundação Conrado Wessel, na categoria Medicina, a Maria Inês Schmidt, Editora Associada da Revista Brasileira de Epidemiologia. Desnecessário assinalar o quanto essa premiação nos enche de orgulho. A outra, é destinada a divulgar o VI Congresso Brasileiro de Epidemiologia que se realiza neste mês de junho em Recife, Pernambuco. A RBE estará sendo distribuída nesse evento e aproveitará a oportunidade não só para colher matérias entre as celebridades convidadas: conferencistas e debatedores. Especialmente, deseja consolidar sua regularidade pelo incentivo aos autores potenciais presentes no evento: não deixem de enviar seus trabalhos para publicar na RBE.

Tenham todos um bom mês de junho, desfrutando da leitura das matérias deste número da RBE e das atividades programadas para o VI Congresso.

 

O Editor