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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.10 n.1 São Paulo Mar. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2007000100001 

EDITORIAL

 

 

José da Rocha Carvalheiro

 

 

Este número da RBE inicia seu décimo ano de existência e consolida suas características essenciais estabelecidas no correr desta década.

São doze artigos processados no fluxo contínuo que se estabiliza e confere periodicidade regular e certeza de continuidade à RBE. Não há artigos provenientes do exterior, nem das regiões Norte e Centro Oeste, porém as capitais de todo o país e indígenas do Brasil Central são temas de dois dos artigos. Noutro são colhidas opiniões de médicos de todo o país.

Dois artigos provêm do Nordeste, ambos de Pernambuco, um do Rio Grande do Sul e nove do Sudeste. Predomina São Paulo com seis artigos, outros dois do Rio de Janeiro e um do Espírito Santo. A diversidade institucional da filiação dos autores é grande, como de hábito, sendo diversos deles vinculados a serviços de saúde, geralmente com parcerias da universidade local. Média de 3,25 autores por artigo, com apenas um de autor solitário. A predominância de autores femininos, características dos últimos números, não se observa neste. Dos 39 autores, apenas 19 (48,7%) são mulheres.

Neste momento, março de 2007, o novo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, abre a discussão na sociedade sobre a descriminalização do aborto. O primeiro artigo deste número, de autores da UNICAMP, do CEMICAMP, da PUC-São Paulo e da FEBRASGO, analisam fatores relacionados com conhecimento e opiniões de ginecologistas e obstetras de todo o país a respeito da legislação brasileira sobre o aborto.

Outro artigo, conceitual, de autora da Ensp/Fiocruz, Rio de Janeiro, analisa a alteridade e sua integração no conceito de saúde.

Autores da FSP/ USP, analisam a qualidade da informação a respeito da desnutrição como causa básica ou associada na morte de mulheres em idade fértil, nas capitais brasileiras no primeiro semestre de 2002.

As condições de nutrição de crianças indígenas do Alto Xingu são tema de artigo de autores da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e do Instituto de Saúde (Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo).

A tuberculose é tema de dois artigos. Um deles analisa a morbimortalidade hospitalar em São Paulo e é de autoras da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e da FSP/USP. No outro, autores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) analisam o perfil epidemiológico de casos de tuberculose multirresistente no Espírito Santo.

Automedicação é tema de dois trabalhos. Um deles, da Universidade Federal de Pelotas, RS, analisa o tema associado a condições de trabalho em profissionais de saúde de Pelotas. Outro, de autores da Universidade Federal de Pernambuco, analisa a automedicação em idosos em Salgueiro, PE.

Osteoporose e fraturas vertebrais em mulheres na pós-menopausa são analisadas em amostra de conveniência em serviços de referência da Universidade de Pernambuco. Os autores são da própria Universidade e do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, da Fiocruz em Recife, PE.

Em outra amostra de conveniência, num serviço público de pré-natal na cidade de São Paulo, autores da UNIFESP e da FSP/USP, analisam determinantes do ganho ponderal excessivo em gestantes de baixo risco.

Autores ligados à Faculdade de Odontologia da UNICAMP, em Piracicaba, analisam as fissuras labiopalatais em Campos de Goytacazes, no Rio de Janeiro. Empregaram prontuários de serviços de referência para anomalias craniofaciais e definiram o "universo do estudo" através do SINASC, entre 1999 e 2004.

Um estudo entre estudantes de Educação Física, realizado por autores da Universidade Estácio da Sá, no Rio de Janeiro, analisa comportamentos de risco e vulnerabilidade nesses jovens em contraste com o discurso do "estilo de vida saudável".

Em nossa seção de Debates, neste número não há novas contribuições sobre o "papel de filtro" do médico geral no Sistema de Saúde, nem sobre as questões relacionadas com Ética em Pesquisa em Seres Humanos ou do conceito de "problema de saúde pública". Esperamos ansiosamente novas contribuições nesses Debates e prometemos que vamos direcionar nossos esforçar para um procedimento típico da Epidemiologia nos Serviços de Saúde: a busca ativa. Também o debate sobre a gripe aviária arrefeceu. Apresentamos apenas a tabela de casos e óbitos confirmados em laboratório divulgada pela OMS em final de março. Com a inauguração da fábrica de vacinas de influenza no Instituto Butantan, em São Paulo, no mês de abril, voltaremos ao tema em junho. Contribuição de Sylvaim N. Levy, médico sanitarista e psicanalista, celebrando os 31 anos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) é publicado numa coluna de Opinião e vai induzir busca ativa para novo Debate. O autor menciona o grupo que esteve envolvido na definição do SIM no final de 1975, incluindo a si próprio e ao Editor da RBE. Faz tocante homenagem ao saudoso Edmundo Juarez mas incide, no entanto, em pelo menos duas importantes omissões: Mário Hamilton e Bento de Jesus Bandarra. O episódio que marcou a definição do SIM e, especialmente, a definição do (então) novo modelo de Certificado de Óbito merece ser melhor trabalhado. Prometemos, para o próximo número da RBE, pelo menos uma nova contribuição (uma Prateleira, segundo nossa classificação usual): o Relatório do "Primeiro Seminário do Sistema de Informações em Saúde", publicação avulsa do Ministério da Saúde, de novembro de 1975.

Tenham todos uma boa leitura.

 

O Editor