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Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.10 n.3 São Paulo Sep. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2007000300007 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Abordagem das pesquisas em epidemiologia aplicada à gerontologia no Brasil: revisão da literatura em periódicos, entre 1995 e 2005

 

Approach to research in epidemiology applied to gerontology in Brazil: literature review of papers published between 1995 and 2005

 

 

Regina Bueno Ribas PintoI; Laudelino Cordeiro BastosII

IMestranda em Tecnologia em Saúde, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
IIProfessor do Mestrado em Tecnologia em Saúde, PUC-PR

Correspondência

 

 


RESUMO

O presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão da literatura de forma exploratória e descritiva, buscando determinar a abordagem das pesquisas realizadas em epidemiologia aplicada à gerontologia no Brasil. Com esse intuito, foi efetuado um levantamento bibliográfico por meio da utilização do banco de dados da biblioteca virtual do SciELO, do LILACS e do PubMed. A busca dos artigos foi feita, exclusivamente, em periódicos incluídos nestes bancos de dados, sendo realizada a procura em artigos publicados no período compreendido entre os anos de 1995 a 2005. Os resultados encontrados demonstraram uma grande diversidade e abrangência nos enfoques das pesquisas realizadas, com o predomínio de pesquisas que abordam a área de psicologia, estudos delimitados por regiões e doenças relevantes para o envelhecimento. Houve também, um aumento de forma considerável no número total de pesquisas que foram realizadas a partir do ano de 2001, com aproximadamente 18,4 % do total de artigos publicados encontrados somente no ano de 2005.

Palavras-chave: Epidemiologia. Gerontologia. Idosos.


ABSTRACT

The present study had the objective of carrying out an exploratory and descriptive literature review, to determine the approach of research in epidemiology applied to gerontology in Brazil. The literature review used the databases of SciELO virtual library, LILACS and PubMed, and only included papers published in journals indexed these databases, in the period between 1995 and 2005. The results found were greatly diversified and comprehensive in terms of research focus with an important prevalence of issues related to psychology and conditions associated to aging. There was also an increase in the amount of research starting from 2001, with approximately 18.4% of the total papers published in 2005.

Keywords: Epidemiology. Gerontology. Elderly.


 

 

Introdução

O crescimento da população de idosos, em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial relacionado com o aumento da expectativa de vida. No Brasil, segundo dados do Censo de 2000, as estimativas indicam que a população da terceira idade poderá exceder 30 milhões de pessoas para os próximos vinte anos, chegando a representar quase 13% da população total1. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1999, e realizado no período compreendido entre 1995 e 1999, ocorreu um aumento de 1,8 milhão no número total de idosos no país. O total de pessoas com 60 anos ou mais passou de 7,4% em 1989 para 8,3% em 1995, chegando a alcançar 9,1% no ano de 19992.

O envelhecimento populacional e a expectativa de vida elevada acarretam no aumento significativo do número de idosos com doenças em relação à população em geral, principalmente as doenças de caráter crônico-degenerativo3. A pesquisa realizada por Filho e Ramos3 identificou que 61,4% dos idosos necessitaram procurar serviços de saúde nos últimos seis meses, sendo que 6,6% destes referiram pelo menos a ocorrência de um internamento. Outro dado importante é que 78,1% dos idosos apresentaram de uma a cinco doenças crônicas associadas. Confirmando estes achados, Ramos et al4 encontraram alta prevalência na ocorrência de doenças crônico-degenerativas nos idosos, além da presença de distúrbios psiquiátricos e alterações físicas freqüentes, referidas no estudo pela inabilidade destes idosos em realizar suas atividades da vida diária. De forma semelhante, Lebrão & Laurenti5 identificaram uma limitação importante nas atividades dos idosos que apresentam doenças crônicas associadas, como, por exemplo, artrite, reumatismo e artrose.

Um dos fatores importantes na terceira idade são os episódios de depressão. São freqüentes, principalmente, em idosos octogenários, sendo o declínio da saúde considerado fator de risco para a instalação de quadros depressivos6. O estudo comparativo realizado por Porcu et al7 determinou uma prevalência elevada de sintomas depressivos nas populações estudadas. Tal amostra era constituída de idosos hospitalizados, institucionalizados e residentes na comunidade7.

Além da depressão, o transtorno de ansiedade generalizada foi apresentado no estudo de Xavier et al6 como um fator associado a sintoma depressivo e impacto negativo na qualidade de vida do idoso em relação à sua saúde8. Os transtornos depressivos constituem fatores que acarretam altos custos para os serviços de saúde, necessitando de cuidados altamente especializados para o tratamento e a intervenção destes idosos9.

Em relação a pesquisas com abordagem social, política e econômica, Veras10 identificou que, para atender as demandas relacionadas às condições de saúde e suporte social dos idosos, são necessários estudos diversos. A partir destes estudos, os gestores de saúde podem realizar mudanças nos modelos de assistência existentes atualmente.

Além da qualidade dos serviços prestados aos idosos, o fator relacionado aos custos é de fundamental importância, visto que, atualmente, os gastos com a saúde do idoso freqüentemente são elevados e onerosos ao país10. Em relação à qualidade, existe a necessidade de capacitar profissionais que estejam aptos e especializados para exercer suas funções frente aos aspectos multidisciplinares de tratamento e avaliação dos idosos11.

No Brasil, o aumento do número de idosos, provavelmente, motivou o interesse dos profissionais das diversas áreas em desenvolver pesquisas que abordem temas relacionados à epidemiologia. Esse interesse visa fundamentar a necessidade de cuidados aos idosos, também denominados anciãos, velhos ou grupo da terceira idade. Esses cuidados na área de saúde estão incluídos na geriatria, que é a parte da medicina responsável por tratar os problemas de saúde do idoso, e na gerontologia, que é a ciência que estuda o processo de envelhecimento do idoso sob múltiplos aspectos, entre os quais os biológicos, psicológicos, políticos, sociais, econômicos e espirituais12.

Além do conhecimento de geriatria e gerontologia, é importante identificar que a prática da epidemiologia apresenta três tipos de atividades analíticas: prestação de serviços, pesquisa e ensino em variados níveis. O tema epidemiologia da terceira idade encontra-se na subárea de epidemiologia13. A partir dos dados do Diretório dos Grupos de Pesquisa, pode-se afirmar que existem 209 linhas de pesquisa referentes ao envelhecimento humano, divididas em 144 grupos de pesquisa no Brasil, o que sugere uma capacidade pequena de reprodução desta força de trabalho14.

Estudos epidemiológicos com abordagem gerontológica auxiliam, não só na compreensão do envelhecer, como também fornecem parâmetros para organizar e praticar políticas de saúde voltadas à população de idosos em geral.

Em vista do processo acelerado de envelhecimento populacional associado a comorbidades, o objetivo desta revisão da literatura foi identificar a abordagem das pesquisas em epidemiologia aplicada à gerontologia em periódicos no Brasil, durante um período de dez anos.

 

Métodos

Para se realizar este estudo, exploratório e descritivo, foi realizado um levantamento bibliográfico utilizando-se o banco de dados da biblioteca virtual do SciELO (http://www.scielo.br), o banco de dados LILACS, que está indexado na base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) da BIREME (http://www.bireme.br) e o banco de dados do PubMed (http://www.pubmed.com). Nestas bases de dados foram identificados, exclusivamente, periódicos que estivessem indexados. O fato da utilização exclusiva de periódicos está relacionado com a avaliação realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que estabelece uma classificação, chamada de Qualis, para os periódicos que se encontram indexados nos bancos de dados das bibliotecas virtuais utilizadas.

Nesta pesquisa não foram incluídos livros, pois, embora haja uma forte e necessária reivindicação pela valorização destas publicações15, não há consenso sobre a avaliação que a própria CAPES efetua. Há estudos, como o de Raggio15, que questionam a avaliação atual da CAPES e propõe novos critérios de avaliação da produção acadêmica, incluindo a avaliação de livros.

Como critério de inclusão, foi definida a necessidade de os artigos no SciELO possuírem o período de publicação compreendido entre os anos de 1995 até 2005, e o termo epidemiologia, além dos termos disponíveis fornecidos, epidemiologia do envelhecimento e epidemiologia. Foi feita uma busca no formulário avançado, incluindo, além do termo epidemiologia, no campo de entrada assuntos, o termo idosos em todos os índices da base de dados, sendo encontrados 37 (trinta e sete) artigos no total. Com a troca do termo de todos os índices para geriatria e também gerontologia, foram encontrados os mesmos artigos que na busca para o termo idosos. Ao utilizar o termo envelhecimento em todos os índices, foram encontrados 15 (quinze) artigos, sendo 7 (sete) deles acrescidos aos achados anteriores, porém com a exclusão de 3 (três) por não se encaixarem nos critérios de inclusão do estudo.

Os artigos disponibilizados foram visualizados na íntegra e constam de periódicos publicados nas revistas a seguir: Revista Brasileira de Epidemiologia, Revista de Saúde Pública, Cadernos de Saúde Pública, Ciência e Saúde Coletiva, Revista Brasileira de Psiquiatria, Epidemiologia e Serviços de Saúde, Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Revista de Psiquiatria Clínica, Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Pesquisa em Odontologia Brasileira, Arquivos de Neuropsiquiatria, Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil e Arquivo Brasileiro de Oftalmologia.

As buscas no LILACS e no PubMed tiveram como critérios de inclusão: período de publicação compreendido entre os anos de 1995 até 2005; as palavras selecionadas para busca deveriam estar contidas no título ou no resumo do artigo; os termos selecionados para a busca foram geriatria, idoso, envelhecimento, epidemiologia e gerontologia, de acordo com os descritores em saúde (DECS) estabelecidos pela BVS.

No LILACS foram encontrados três artigos com as características exigidas. Em relação à busca realizada no site do PubMed, foram selecionados os descritores correspondentes em inglês: epidemiology, aging, "old age", aged, elderly and Brazil. O último descritor foi selecionado devido à pesquisa enfocar apenas periódicos com trabalhos realizados no Brasil. Foi encontrado um total de 11 (onze) artigos nessa base de dados, dos quais, após leitura detalhada, foram incluídos apenas 2 (dois) que atendiam aos critérios de inclusão.

Os artigos encontrados nos periódicos deveriam conter os termos relacionados acima, não necessariamente todos, porém o termo epidemiologia foi fator de inclusão neste artigo de revisão. A pesquisa deveria tratar de epidemiologia e estar relacionada com idosos, não sendo levado em conta o enfoque nem a área abordada.

De acordo com o DECS16, o termo geriatria é definido como ramo da medicina que estuda os aspectos fisiológicos e patológicos de idosos, inclusive alterações clínicas do envelhecimento e senilidade. Um termo sinônimo em português é gerontologia. O descritor idoso é definido como pessoa de 65 a 79 anos de idade, sendo o idoso acima de 80 anos ou mais considerado como octogenário, nonagenário e centenário. O descritor envelhecimento é definido como alterações que acontecem de forma gradual e irreversível na estrutura e no funcionamento de um organismo, e que ocorrem pela passagem do tempo. O descritor epidemiologia é definido como a ciência que estuda a distribuição de doenças e seus agravos nas comunidades, relacionando ambos com múltiplos fatores16.

No final das etapas de busca foram obtidos 41 (quarenta e um) artigos no SciELO, sendo que deste total foram utilizados para a análise 33 (trinta e três) deles que se encaixaram nos critérios pré-estabelecidos. No LILACS e no PubMed foram encontrados 14 (catorze) artigos, sendo utilizados 5 (cinco).

Com o material previamente definido, foram estabelecidas etapas para desenvolver a análise e posterior discussão. Primeiramente, foi realizada uma leitura de forma exploratória para definir o tema e o enfoque da pesquisa. Após os artigos serem selecionados, foram elaborados tabelas e gráfico para apresentar os resultados encontrados pela área e enfoque da pesquisa e também pelo ano de publicação do artigo. Após a criação das tabelas e do gráfico, foi realizada uma discussão para identificar a abordagem das pesquisas encontradas, a importância do direcionamento e o futuro para as pesquisas nas áreas de epidemiologia e gerontologia.

 

Resultados e Discussão

O tema epidemiologia associado à gerontologia foi identificado como de fundamental importância para se estabelecer condições e determinantes de saúde dos idosos brasileiros, pois, com estes conhecimentos, será possível subsidiar políticas públicas e de saúde direcionadas a necessidades específicas17. Os artigos que tratam dos temas foram encontrados em 13 (treze) revistas no SciELo e 5 (cinco) no LILACS e no PubMed.

Os dados visualizados na Tabela 1 estão organizados pela abordagem da pesquisa, número de artigos encontrados, percentuais e o enfoque predominante. No item "outros", estão incluídas as pesquisas que não se encaixaram nas abordagens identificadas.

 

 

Observa-se, por meio dos dados obtidos, uma grande variação dos temas de pesquisa que abordam a epidemiologia e estão associados ao tema gerontologia. As pesquisas com maior número de artigos, em relação aos demais, são as que enfocam depressão e os estudos regionais.

O tema depressão foi identificado, em estudos apresentados por Xavier et al.8 e Snowdon9, como relevante e preocupante na população de idosos estudada, sendo encontrado um total de 21,1% de artigos que enfocam este tema. A epidemiologia, associada ao tema depressão no envelhecimento, encontra-se identificada com temas correlatos como ansiedade, capacidade cognitiva e sono nos idosos.

Com resultado igual (21,1%), estão os artigos associados ao tema epidemiologia e as questões sociais. O enfoque inclui pesquisas por região (cidades e/ou estados do Brasil), com investigações em qualidade de vida e perfil epidemiológico, entre outros.

No âmbito regional, o Estado com maior número de pesquisas foi o de Minas Gerais, representando 37,5% do total de artigos. Em seguida, Pernambuco com 25%, São Paulo com 25% e Fortaleza com 12,5%. A partir desses dados, observa-se uma tendência a se investigar as características destes idosos, para que a intervenção a ser realizada atue de maneira efetiva, de acordo com hábitos, crenças, clima, entre outros fatores regionais importantes.

Na proporção de 5,2% do total estão as pesquisas com enfoque nutricional, sendo resultante de quantidades irrelevantes de artigos. Esta área necessita de maior número de estudos e aprofundamento nos temas relacionados com desnutrição e sobrepeso, os quais são abordados nas pesquisas encontradas18,19.

Com a mesma proporção (5,2%) estão as pesquisas em estudos epidemiológicos, o que representa um valor insignificante pela importância do tema. O envelhecimento populacional é um desafio para a Saúde Pública atual, principalmente pelo fato de o Brasil ser um país em desenvolvimento e com desigualdades sociais aparentes17. Isto justifica a relevância de estudos epidemiológicos de qualidade, que auxiliem no subsídio para a elaboração de políticas de saúde voltadas para os idosos, visando promover o envelhecimento saudável17.

Os dados observados na Tabela 2 identificam que, no ano de 1995, existiam poucas pesquisas com o tema epidemiologia aplicada à gerontologia, o que persistiu até meados de 2000, com um total de publicações inexpressivo. O único artigo encontrado em 1995 aborda o tema relacionado com sintomas depressivos e déficit cognitivo em um grupo de idosos20.

 

 

Em geral, pode ser observado um crescente aumento nas publicações a partir do ano de 2001 (13,2%), com um pico maior em 2005 (18,4%). Este fenômeno é igualmente demonstrado no Gráfico 1, que apresenta essa relação de crescimento nas pesquisas com o tema em epidemiologia aplicada à gerontologia. Pressupõe-se, pelo conhecimento do envelhecimento populacional, fato amplamente divulgado em pesquisas como o Censo, que existe uma preocupação e uma necessidade elevada de dedicação por estudos nessa área. Este crescimento pronunciado no número de publicações, maior do que vinha acontecendo anteriormente no país, é um fato observado após a criação da Lei n° 10.741 de 1° de Outubro de 200321 (Estatuto do Idoso), porém, este dado não apresenta correlação nenhuma, sendo apenas um ponto de vista. Esta lei foi uma forma encontrada para se estabelecer e regulamentar direitos dos idosos e entidades que os assistem, formalizando uma preocupação com aspectos da saúde e com a qualidade dos serviços prestados. Para estes aspectos, é relevante o enfoque de pesquisas com temas em epidemiologia aplicados à gerontologia, questões estas que visam identificar situações de intervenção nos idosos.

 

 

Embora o processo de envelhecimento traga consigo alterações importantes e múltiplas podem, porém, em muitos casos, serem modificadas por meio da identificação dos problemas e atuações diante de medidas preventivas22. Com esse intuito, as pesquisas brasileiras encontradas identificaram a importância da promoção da saúde do idoso e de seu bem estar, pelo desenvolvimento de projetos como o estudo Saúde, Bem estar e Envelhecimento (SABE) no município de São Paulo e o estudo Bambuí sobre saúde e envelhecimento (BHAS) no Brasil5,23. Tais estudos apresentam experiências realizadas com grupos de idosos, visando principalmente identificar fatores que interferem na questão relacionada com qualidade de vida. O estudo SABE5 faz uma coleta de informações sobre as condições de vida dos idosos, definindo características da população estudada, como o estado de saúde, acesso e utilização de serviços e cuidados em saúde, além da identificação de dados sócio-econômicos. Outro estudo semelhante é o de Filho e Ramos3, que buscou identificar o perfil do idoso por nível socioeconômico, entre outros fatores. O que fica caracterizado é uma demanda aumentada de idosos na procura por serviços de saúde3, justificando a importância de pesquisas que forneçam subsídios para o governo e profissionais da área de saúde. Já o estudo Bambuí23 visa identificar fatores que predizem eventos adversos à saúde dos idosos.

É importante identificar, nas pesquisas encontradas, que as características populacionais apresentadas são semelhantes às de outros estudos epidemiológicos realizados com idosos, o que salienta a importância da intervenção preventiva e de medidas de saúde pública específicas.

 

Conclusão

Durante o desenvolvimento desta revisão, foi observado que pesquisas epidemiológicas associadas a temas referentes aos idosos tiveram um crescimento acelerado nos últimos cinco anos. Conforme foi demonstrado, as pesquisas revelam que a correlação dos temas epidemiologia e gerontologia estabeleceram conhecimentos para diversas áreas, entre elas sociais, psicológicas, regionais e de saúde, com abordagens diversificadas.

As pesquisas identificam a necessidade emergente de se capacitarem recursos para a assistência dessa população específica, no âmbito da assistência a saúde e qualificação de profissionais, com a identificação de fatores de transição demográfica e epidemiológica populacional. É importante a implementação de serviços que promovam saúde, atuem na prevenção e no tratamento de doenças, com o objetivo de proporcionar incremento na qualidade de vida, buscando restabelecer a autonomia e manter a independência das pessoas durante o processo de envelhecimento.

Neste sentido, pesquisadores e instituições de ensino superior necessitam atuar e ampliar as linhas de pesquisa relacionadas ao tema epidemiologia, principalmente associados à gerontologia. Este interesse pode alterar a representação do idoso na sociedade, direcionando pesquisas que enfoquem visões voltadas ao processo de envelhecimento e senescência e ao desenvolvimento de perfis do ponto de vista epidemiológico. Pode também possibilitar a ampliação do conhecimento sobre idoso, velhice e processo de envelhecimento fisiológico e curso de doenças.

Dessa forma, os profissionais que trabalham com idosos podem se utilizar das pesquisas para obter dados relevantes da atualidade, com o intuito de desenvolver planejamentos e decidir em prol da saúde do idoso. A divulgação de pesquisas e o desenvolvimento de ações voltadas ao conhecimento científico da epidemiologia voltada para a gerontologia auxiliam, ainda, na elaboração de ações adequadas para a transformação social, política e de saúde dos idosos brasileiros.

 

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Correspondência:
Regina Bueno Ribas Pinto
Mestrado em Tecnologia em Saúde
Rua Imaculada Conceição, n° 1155, Prado Velho
Curitiba, PR CEP 80215-901.
E-mail: regifisio@hotmail.com

Recebido em: 22/08/06
Versão final reapresentada em: 16/07/07
Aprovado em: 27/07/07