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Revista Brasileira de Epidemiologia

versão impressa ISSN 1415-790X

Rev. bras. epidemiol. vol.15 no.3 São Paulo Set. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2012000300015 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Magnitude e tendência da Leishmaniose Tegumentar Americana no Estado de São Paulo, Brasil, 1975 a 2008

 

 

Rubens Antonio da Silva; Vanessa Taís Cruz Mercado; Lúcia de Fátima Henriques; Ricardo Mário de Carvalho Ciaravolo; Dalva Marli Valério Wanderley

Departamento de Combate a Vetores - Superintendência de Controle de Endemias - Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

Correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi analisar a magnitude e tendência da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) no Estado de São Paulo entre 1975 e 2008. Foi conduzido um estudo ecológico que categorizou os municípios segundo a magnitude da transmissão. No período de 1975 a 1985, 45 municípios foram responsáveis pelo registro de 1.281 casos de LTA, passando a 258 municípios e 4.093 casos entre 1986 e 1995, e a 385 municípios e 7.604 casos entre 1996 a 2008. O vetor Lutzomyia intermedia s.l. foi coletado na maioria das pesquisas entomológicas. Na classificação dos municípios segundo a magnitude pode-se verificar que 67,5% possuíam "pequena magnitude", 19,2% "média magnitude" e 13,3% "grande magnitude". As maiores incidências de LTA permanecem restritas a algumas áreas carentes e próximas à Mata Atlântica. Houve aumento no número de municípios com pequena ocorrência de casos e ampliação da área de risco.

Palavras-chave: Leishmaniose Tegumentar Americana. Vigilância entomológica. Controle. Epidemiologia. Estado de São Paulo. Brasil.


 

Introdução

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma zoonose amplamente distribuída no continente americano, estendendo-se do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina. É considerada uma das doenças infecciosas de maior relevância nas Américas1. No Brasil, nos últimos 20 anos, a LTA tem apresentado um aumento do número de casos e ampliação de sua ocorrência geográfica. É encontrada, atualmente, em todos os Estados brasileiros, sob diferentes perfis epidemiológicos e padrões de transmissão2.

No Estado de São Paulo (ESP), a LTA é uma doença endêmica transmitida por insetos Diptera, Família Psychodidae, pertencentes, principalmente, ao gênero Lutzomyia, apresentando dois perfis epidemiológicos de transmissão: o primeiro envolvendo o homem quando entra em contato com o ciclo enzoótico silvestre, e o segundo relacionado com a transmissão domiciliar envolvendo o homem, animais sinantrópicos e espécies de flebotomíneos que estão se adaptando aos ambientes rurais e periurbanos3, em áreas onde ocorreram profundas modificações no ambiente natural. Nos dias atuais, considera-se que a transmissão da LTA no ESP mantém relação com o local de registro do caso e a mata; a doença tem se manifestado em todas as faixas etárias e indistintamente entre os sexos masculino e feminino. No passado, a LTA apresentava aspecto geográfico localizado e alta incidência em trabalhadores que exerciam atividades relacionadas às florestas4. Com o passar dos anos este quadro foi se alterando, apresentando, a partir da década de 1970, uma nova feição epidemiológica, na qual a ocorrência de casos esporádicos e/ou micro surtos caracterizam o padrão atual da transmissão de LTA no território paulista5,6,7.

Em 1993, o aumento gradativo no número de casos levou a se compor grupo inter-institucional sob a coordenação do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CVE/SES/SP) e participação da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) e do Instituto Adolfo Lutz (IAL) para a reavaliação das Normas Técnicas de Vigilância Epidemiológica e Controle de Leishmaniose Tegumentar Americana. Neste grupo, coube à SUCEN a avaliação e constituição de um sistema de informação para a vigilância entomológica, para a notificação de casos e o retorno de informações aos Serviços de Saúde8.

O sistema de vigilância é definido como um sistema passivo, onde as notificações oriundas da rede de saúde pública, através das unidades básicas de saúde (UBS), são obrigatórias a partir da confirmação do caso. Mesmo assim, apesar dos esforços para ocorrência de pronta notificação ainda se verifica a subnotificação de um número importante de casos9.

Quanto à vigilância entomológica, Lutzomyia intermedia s.l. (Lutz & Neiva, 1912) tem sido apontado como o táxon mais importante na atual feição epidemiológica da LTA no território paulista, devido à sua predominância em ambientes modificados e constante presença no intra e peridomicílio7,10-13, embora considerando tratar-se de um complexo de espécies bem definidas: Lu. intermedia s.str. e Lutzomyia neivai14,15. No entanto, a transmissão não pode ser atribuída unicamente à Lu. intermedia s.str.10.16. Este táxon tem papel vetorial preponderante da Leishmania (Viannia) braziliensis no ambiente domiciliar, enquanto Lutzomyia whitmani (Antunes & Coutinho, 1939) e Lutzomyia migonei (França, 1920) se apresentam no ambiente extradomiciliar17.

Este estudo teve por objetivo analisar a magnitude e a tendência da LTA nos municípios do Estado de São Paulo, de 1975 a 2008, com vistas a subsidiar o programa de controle desenvolvido no Estado.

 

Métodos

Trata-se de um estudo ecológico e descritivo onde foram analisados dados secundários sobre os casos autóctones de LTA e a distribuição geográfica dos mesmos obtidos junto ao CVE, no período de 1975 a 2008, e informações das pesquisas entomológicas realizadas pela SUCEN, geradas a partir da confirmação de casos autóctones referentes ao período de 1985 a 2008.

As metodologias de pesquisa entomológica empregadas foram sem isca luminosa, em local de repouso, no intradomicílio ou em paredes dos anexos, com duração de no mínimo 03 horas, utilizando-se capturador de Castro, câmara mortífera ou aspirador manual nas paredes internas do domicílio, com utilização da técnica do lençol quando as paredes não eram rebocadas ou eram escuras; com isca luminosa, utilizando armadilhas elétricas modelo CDC instaladas em diferentes pontos do local provável de transmissão relacionado com o domicílio, do crepúsculo vespertino ao matutino, por 12 horas; e a armadilha de Shannon por 03 horas, a partir do crepúsculo vespertino, de preferência localizada no peridomicílio ou à margem da mata quando localizada próxima a casa8. O objetivo das capturas entomológicas é identificar a espécie vetora e não quantificá-la. A classificação das espécies segue a adotada por Young e Duncan18.

Foi considerada neste trabalho a classificação Lu. intermedia s.l. e não Lu. intermedia s.str. ou Lu. neivai, em razão de os dados constantes nos bancos consultados referirem informações anteriores à distinção deste complexo de espécies.

Taxas de incidência médias foram calculadas a partir dos casos autóctones notificados ao CVE. Para este capítulo foram consideradas as datas de início das manifestações clínicas de cada caso notificado no período compreendido entre 1998 a 2008.

Os municípios foram classificados segundo a magnitude de ocorrência de casos em "pequena magnitude" (ocorrência de 01 a 05 casos), "média magnitude" (ocorrência de 06 a 20 casos) e "grande magnitude" (ocorrência de 20 ou mais casos), e analisados por suas características ambientais, por suas taxas de incidência de LTA e por sua magnitude.

As Figuras sobre a ocorrência dos vetores foram confeccionadas com dados de Pessoa e Barretto4 referentes à década de 1940, e das pesquisas entomológicas realizadas pela SUCEN para o período de 1985 a 2008, tendo considerado os estudos de Marcondes (1996)14 e Andrade-Filho et al. (2003 e 2007)19,20 no tocante às espécies Lutzomyia intermedia e Lutzomyia neivai, representadas neste artigo como Lutzomyia intermedia s.l.

A pesquisa foi realizada a partir de dados secundários da SUCEN e CVE da SES/SP, sendo divulgados apenas dados agrupados. O protocolo de pesquisa foi submetido e aprovado pela SUCEN (CEP 1210/10).

 

Resultados

Entre 1975 e 2008, o CVE registrou 12.978 casos autóctones de LTA distribuídos em 385 municípios, com predomínio daqueles localizados nas áreas de domínio da Mata Atlântica. No período de 1975 a 1985, 45 municípios foram responsáveis pelo registro de 1.281 casos de LTA, passando a 258 municípios e 4.093 casos entre 1986 e 1995, com elevação de 32,9% nos municípios acometidos no período de 1996 a 2008, representando uma tendência linear de crescimento no número de casos (r2 = 0,5243) (Figura 1). Houve aumento no número de municípios do Estado com registro de 01 a 05 casos autóctones de LTA. No período de 1986 a 1995, os municípios com 01 a 05 casos representavam 58,9%, e aqueles com até 20 casos da doença 80,6%. Para o período de 1998 a 2008 estes percentuais foram de 67,5 e 86,7, respectivamente. Número superior a 20 casos foi verificado em 19,4% dos municípios do Estado para o período de 1986 a 1995, e 13,3% para o período de 1998 a 2008.

 

 

Os coeficientes de incidência média acumulada foram calculados para o período de 1998 a 2008 e variaram de 0,00 a 152,48 casos/100.000 hab, quando os maiores índices foram em municípios situados, principalmente, a leste do Estado (Figura 2). As regiões sul, sudeste, nordeste e oeste também contribuíram com percentuais elevados. Na classificação dos municípios segundo a magnitude de ocorrência de casos pode-se verificar que 67,5% possuíam "pequena magnitude", 19,2% "média magnitude" e 13,3% "grande magnitude".

 

 

O vetor Lutzomyia intermedia s.l. esteve associado à maioria das pesquisas entomológicas realizadas pela SUCEN. Se comparada à distribuição do Lu. intermedia feita por Pessoa e Barretto (1948)4, pode-se verificar ampliação de sua área de distribuição (Figura 3). No período de 1998 a 2008 foram coletados 14.354 exemplares de flebotomíneos de 16 espécies do gênero Lutzomyia representados prin-cipalmente por Lu. intermedia s.l. (81,25%), Lu. whitmani (7,28%) e Lutzomyia pessoai (3,28%) (Tabela 1). Considerando-se os 645 municípios existentes no Estado e as coletas entomológicas realizadas no período de 1985 a 2008, Lu. intermedia s.l. foi registrada em 148 deles (22,9%), Lu. whitmani em 111 (17,2%) Lutzomyia fischeri em 102 (15,8%), Lu. migonei em 87 (13,4%) e Lu. pessoai em 66 (10,2%). Percentuais menores foram obtidos para espécies de menor importância epidemiológica.

 

 

 

 

Nos locais prováveis de infecção foi observada a presença de uma única espécie de flebotomíneo em 41 (6,3%) municípios do Estado, duas espécies em 33 municípios (5,1%) e número superior a três espécies foram constatadas em 132 (20,5%) municípios.

O cruzamento de dados de cobertura vegetal e geomorfológicos21 com aqueles da distribuição de casos, segundo magnitude referente ao período de 1998 a 2008 e distribuição dos vetores da LTA para o período de 1985 a 2008, permitiram verificar ampliação das áreas de risco.

 

Discussão

Nas primeiras décadas do século XX, com o desbravamento da região oeste do ESP surgiram importantes focos endêmicos de LTA, principalmente nas regiões da Alta Sorocabana, Noroeste e Alta Paulista22. Após esta fase, os casos concentraram-se em determinadas regiões de forma não homogênea. Atualmente, a situação epidemiológica da LTA caracteriza-se pela predominância de casos autóctones, com a transmissão presente em todo o Estado se sobrepondo à distribuição dos flebotomíneos vetores.

Maiores coeficientes de incidência têm sido constatados nas regiões sul, leste, oeste e sudeste. Áreas de incidência anteriormente conhecidas foram ampliadas registrando grande número de casos em novas áreas rurais. As maiores incidências de LTA permanecem restritas a algumas áreas próximas à Mata Atlântica do ESP. Houve aumento no número de municípios com pequena ocorrência de casos ("baixa magnitude"). A concentração de casos se dá em uma população que cresce, em locais onde a moradia é precária, com baixa renda per capita23 e que, além disso, está exposta ao vetor24 aonde as estratégias de controle devem privilegiar as medidas diretamente relacionadas com o ambiente humano.

A presença de 17 espécies de flebotomíneos indica uma alta diversidade, provavelmente, em virtude de vegetação e relevo diversificados. O clima é um fator que afeta a distribuição de espécies de Lutzomyia. A elevação da temperatura global desencadeia impacto na variabilidade climática, propiciando aumento da densidade de dípteros com reflexos na casuística de LTA, o que foi observado com o efeito do El Ninõ em algumas localidades da Colômbia25.

Na observação das espécies presentes por município do Estado, mesmo que estejam sobre a mesma feição paisagística, ora uma, ora outra espécie parece ter destacado papel na transmissão de LTA coincidindo com dados de outros autores11,26,27. No passado, durante as décadas de 1930 e 1940, a transmissão da LTA esteve associada a Lu. whitmani, Lu. pessoai, Lu. migonei, espécies que mostravam um comportamento silvestre28,29. No momento atual, L. (V.) braziliensis é encontrada associada a uma variedade de flebotomíneos com diferentes ciclos de transmissão, em muitas áreas geográficas onde o vetor está presente dentro das casas, no entorno e em abrigo de animais domésticos25.

Lu. intermedia s.l. tem sido apontado como o táxon mais importante no atual perfil epidemiológico da LTA, por sua predominância em ambientes modificados e constante presença no intra e peridomicílio, corroborando com os estudos de Shimabukuro et al.30. Pessoa e Barretto4, na época, classificaram a região litorânea do ESP como área indene e o Planalto Ocidental como área de alta endemicidade, com predomínio de Lu. whitmani e Lu. pessoai. Em nossa avaliação verificou-se a presença de Lu. intermedia s.l. como o principal envolvido na transmissão da LTA nas áreas litorâneas e de planalto. A sobreposição de distribuição das espécies na maioria dos municípios com casos autóctones de LTA indica a necessidade de realização de estudos longitudinais em diferentes locais como estratégia para o conhecimento dos ciclos de transmissão de Leishmania (V.) braziliensis. Segundo Neves et al.31, pode-se supor que a simples detecção de uma das espécies de flebotomíneo de maior importância epidemiológica já configura fator de risco para a LTA, não sendo este risco potencializado pela detecção de mais de uma espécie.

A análise da distribuição espacial das espécies no ESP mostrou ampla dispersão, mas com forte concentração em algumas áreas, permitindo a identificação de áreas de menor endemicidade ou de ocorrência de casos isolados. As espécies de flebotomíneos parecem ocorrer em padrão de distribuição de acordo com cobertura vegetal natural, aspectos geomorfológicos, isotermas e pluviosidade. Embora algumas espécies mais silvestres tenham demonstrado distribuição diferente no passado, estando relacionadas com áreas anteriormente de matas; as espécies que possuem comportamento endofílico apresentaram pouca modificação em relação à sua distribuição, quando comparados com os dados da literatura. Áreas caracterizadas como de média endemicidade por Neves (1999)24 passaram a ser áreas de grande magnitude de ocorrência de casos, com abundância e diversidade de vetores, resultando em ampliação da área de transmissão da LTA. Esta ampliação também foi observada na região do Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado, área considerada de baixa endemicidade. Há nesta região considerável grau de exposição relacionado a assentamentos populacionais agrícolas que se formaram, o que favoreceu a adaptação de hospedeiros mamíferos e vetores ao novo ambiente, gerando impactos sobre a saúde humana31.

O fato é que o surgimento da infecção está primariamente relacionado com o processo migratório e com aglomerados semi-urbanizados, em que a presença de animais domésticos parece ter papel importante como novos reservatórios do parasito24,31,32. Neste caso, basta que a infecção entre no circuito peridoméstico, por intermédio de animais sinantrópicos (ou domésticos), para que a doença se estabeleça e se incremente por causa das condições de vida insalubres e precárias.

No Estado de São Paulo, a LTA encontra-se em expansão e a região do Vale do Ribeira, situada ao sul do Estado, apresenta as taxas de incidência mais altas33. Embora esta região apresente imenso patrimônio ambiental e cultural, é desprovida de infraestrutura de saneamento e de alternativas econômicas adequadas ao desenvolvimento sustentável que permitam a utilização racional dos recursos. As extensas áreas com remanescentes de Mata Atlântica no Vale do Ribeira e a localização das moradias próximas às matas tem favorecido a presença de flebotomíneos, aumentando a possibilidade de transmissão autóctone de LTA33.

Apesar de ampliados os conhecimentos a respeito da epidemiologia e do comportamento dos vetores, muito deverá ser investigado a respeito de mecanismos de dispersão e sobrevivências frente ao desequilíbrio ecológico. A existência de vetores fora dos limites silvestres representa chance de disseminação dos parasitos longe dos limites do foco natural da doença e a ocorrência de ciclos secundários da Leishmania, o que traduz a multiplicidade de aspectos na transmissão da LTA. Isto deve ser investigado de forma a garantir estratégias de controle mais adequadas e eficazes, e também medidas de proteção para prevenir a transmissão nas áreas destacadas.

A diversidade dos perfis epidemiológicos e ecológicos para as diversas regiões impossibilita a adoção de medidas comuns de controle da doença34. A vigilância e controle do programa estão baseados em medidas específicas para cada área, segundo a situação epidemiológica, e estão centradas no diagnóstico precoce, no tratamento adequado dos casos humanos - além da identificação do agente etiológico circulante e do vetor predominante - e na redução do contato homem-vetor, por meio da adoção de medidas de proteção individuais e coletivas35. O esclarecimento da população torna-se imprescindível como instrumento principal no controle da LTA. Crianças e professores informados podem funcionar como difusores de conhecimento em sua residência e comunidade, sendo capazes de atuar de forma relevante no controle de endemias36.

Vale ressaltar a importância da notificação oportuna de caso de LTA, considerando-se, principalmente, a necessidade de implementar e desencadear as medidas de controle, uma vez que a subnotificação de casos, além de induzir distorções no que se refere às taxas de incidência, dificulta o conhecimento do comportamento da doença nas prováveis áreas de transmissão e o seu acompanhamento naquelas já conhecidas. No tocante à distribuição dos vetores da LTA, o conhecimento e a divulgação de áreas receptivas fornece subsídios à vigilância da doença.

Conflito de interesse: Os autores declaram não haver nenhum tipo de conflito de interesse.

 

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Correspondência:
Rubens Antonio da Silva
Departamento de Combate a Vetores
Superintendência de Controle de Endemias
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Rua Paula Sousa 166, 1º andar, Luz
CEP 01027-000 São Paulo, SP
E-mail: rubensantoniosilva@gmail.com

Recebido em: 14/04/11
Versão final apresentada em: 11/01/12
Aprovado em: 03/02/12