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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0034-89102007000200019</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação das farmácias virtuais brasileiras]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The growing number of Internet users brought forth an increase in the search for Brazilian online pharmacy services. Aiming at evaluating the validity of information disseminated in these websites, a descriptive study was carried out in 18 virtual pharmacies concerning legal aspects, accessibility, sources of information and drug advertisings. It was found 15 pharmacies did not have authorization of the Brazilian National Health Surveillance Agency; the manager pharmaceutical officer's name could not be found in 17 of them; 17 pharmacies marketed drugs with no registration, especially herbal medicines, and did not show either information on adverse drug reactions or this agency's alerts and health recommendations. Since health control and drug commerce in Brazilian online pharmacies have not been yet regulated by proper government agencies, these gaps found in the sites can pose risk to the users' health.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comercialização de medicamentos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS    ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top10"></a>Avalia&ccedil;&atilde;o    das farm&aacute;cias virtuais brasileiras</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Paula Soares    Gondim<sup>I</sup>; Cl&aacute;udio    Borges Falc&atilde;o<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Curso    de Farm&aacute;cia. Universidade de Fortaleza. Fortaleza, CE, Brasil    <br>   <sup>II</sup>Northeastern    University Boston. Boston, MA, EUA</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back10">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O crescente n&uacute;mero de usu&aacute;rios de internet desencadeou um aumento na busca dos servi&ccedil;os de farm&aacute;cias virtuais brasileiras. Com o objetivo de avaliar a validade das informa&ccedil;&otilde;es divulgadas nesses <i>sites</i>, realizou-se estudo descritivo com 18 farm&aacute;cias virtuais quanto aos aspectos legais, acessibilidade, fontes de informa&ccedil;&atilde;o e propagandas de medicamentos. Verificou-se que 15 n&atilde;o possu&iacute;am autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria; 17 n&atilde;o tinham o nome do farmac&ecirc;utico respons&aacute;vel pelo funcionamento; 17 comercializavam medicamentos sem registro, especialmente fitoter&aacute;picos, e n&atilde;o dispunham de informa&ccedil;&otilde;es sobre rea&ccedil;&otilde;es adversas a medicamentos e nem exibiam alertas e recomenda&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias determinadas por essa Ag&ecirc;ncia. Como o controle sanit&aacute;rio e o com&eacute;rcio de medicamentos nas farm&aacute;cias virtuais brasileiras ainda n&atilde;o est&atilde;o regulamentados pelos &oacute;rg&atilde;os governamentais competentes, essas falhas encontradas nos <i>sites</i> podem colocar em risco a sa&uacute;de de seus usu&aacute;rios.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Descritores:    </b>Comercializa&ccedil;&atilde;o de medicamentos. Internet. Normas. Interface    usu&aacute;rio-computador. Legisla&ccedil;&atilde;o de medicamentos. Vigil&acirc;ncia    Sanit&aacute;ria.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A farm&aacute;cia    virtual &eacute; um sistema informatizado com fun&ccedil;&otilde;es potenciais    de uma farm&aacute;cia real e permite transa&ccedil;&otilde;es comerciais por    meio remoto, sem proximidade f&iacute;sica entre o comprador e o vendedor de    medicamentos.<a href="#back1"><sup>1</sup></a> O com&eacute;rcio dessas farm&aacute;cias    no Brasil &eacute; modesto em rela&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses desenvolvidos,    onde a venda eletr&ocirc;nica de medicamentos &eacute; freq&uuml;ente.<sup>1</sup>    O crescente n&uacute;mero de usu&aacute;rios de internet no Pa&iacute;s pode    provocar aumento de demanda por esse servi&ccedil;o para aquisi&ccedil;&atilde;o    de medicamentos.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O controle sanit&aacute;rio    e o com&eacute;rcio de medicamentos nas farm&aacute;cias virtuais brasileiras    n&atilde;o est&atilde;o regulamentados. Em 2001, a Ag&ecirc;ncia Nacional de    Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) divulgou uma consulta p&uacute;blica<a href="#back1"><sup>1</sup></a>    com o prop&oacute;sito de regulamentar o funcionamento dessas farm&aacute;cias.    No entanto, esse funcionamento ainda n&atilde;o est&aacute; regularizado, devido    a intensos debates entre a Anvisa, empres&aacute;rios das ind&uacute;strias    farmac&ecirc;uticas, sociedade e Conselho Federal de Farm&aacute;cia, &oacute;rg&atilde;o    que regulamenta a profiss&atilde;o farmac&ecirc;utica. Assim, o objetivo do    presente estudo foi avaliar as farm&aacute;cias virtuais brasileiras visando    conhecer a validade e eventuais falhas de suas informa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&Eacute;TODOS</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estudo descritivo de avalia&ccedil;&atilde;o das farm&aacute;cias virtuais brasileiras.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o foram <i>sites</i> cujos endere&ccedil;os <i>Uniform Resource Locator</i> (URL) terminavam com ".br" e que vendiam medicamentos. Os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o foram <i>sites</i> que apenas disponibilizavam de informa&ccedil;&atilde;o sobre medicamentos e pre&ccedil;os; <i>sites</i> institucionais de farm&aacute;cias comerciais; <i>sites</i> de distribuidores; <i>sites</i> de farm&aacute;cias virtuais veterin&aacute;rias e <i>sites</i> de farm&aacute;cias de manipula&ccedil;&atilde;o, perfazendo um total de 18 farm&aacute;cias virtuais brasileiras entre mar&ccedil;o e maio de 2005.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a coleta de dados de cada <i>site</i> foi preenchido um formul&aacute;rio composto por 13 t&oacute;picos agrupados, de acordo com cinco vari&aacute;veis:</font></p>  <ul>       <li><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">aspectos legais      - autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento, endere&ccedil;o geogr&aacute;fico      completo da empresa, Estados em que est&aacute; licenciado a vender medicamentos,      nome do farmac&ecirc;utico respons&aacute;vel pelo atendimento e registros      de contato com o prescritor para garantir a dispensa&ccedil;&atilde;o da prescri&ccedil;&atilde;o;</font></li>       <li> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">informa&ccedil;&otilde;es      sobre medicamentos - acess&iacute;veis ao consumidor, cita&ccedil;&atilde;o      da institui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pelas informa&ccedil;&otilde;es      ou de alguma entidade que ap&oacute;ia a publica&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es;</font></li>       <li><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">formas de comunica&ccedil;&atilde;o      - tipos de contato para o fornecimento de informa&ccedil;&otilde;es sobre      medicamentos ou esclarecimento de d&uacute;vidas com o farmac&ecirc;utico      respons&aacute;vel e meios que facilitem o contato com o paciente e, se necess&aacute;rio,      com o prescritor;</font></li>       <li><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">comercializa&ccedil;&atilde;o      de medicamentos - medicamentos registrados na Anvisa, propaganda ou promo&ccedil;&atilde;o      de medicamentos de venda sob prescri&ccedil;&atilde;o em qualquer parte do      site e medicamentos sujeitos ao controle especial e;</font></li>       <li><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">comunica&ccedil;&atilde;o      com a Anvisa - mecanismos de comunica&ccedil;&atilde;o imediata de rea&ccedil;&otilde;es      adversas a medicamentos e comunica&ccedil;&otilde;es ao Servi&ccedil;o Nacional      de Farmacovigil&acirc;ncia, alertas e recomenda&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias.</font></li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>AN&Aacute;LISE    DOS RESULTADOS</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram avaliadas 18 farm&aacute;cias virtuais distribu&iacute;das por quase todas as regi&otilde;es do Pa&iacute;s, das quais dez estavam localizadas em S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro e seis no Sul (tr&ecirc;s no Paran&aacute;, duas no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina). E nos demais Estados, uma no Mato Grosso do Sul e uma no Cear&aacute;.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No item autoriza&ccedil;&atilde;o    de funcionamento concedido pela Anvisa, 15 farm&aacute;cias n&atilde;o tinham    essa autoriza&ccedil;&atilde;o, o que pode ser conseq&uuml;&ecirc;ncia da n&atilde;o    regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica dessas farm&aacute;cias. Segundo    a Consulta P&uacute;blica Nº 20/01,<a href="#back1"><sup>1</sup></a> em seus    requisitos m&iacute;nimos sobre autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento,    as farm&aacute;cias virtuais devem seguir a legisla&ccedil;&atilde;o vigente    no Pa&iacute;s, a Lei Nº 6.360/76, que concede &agrave;s empresas autoriza&ccedil;&atilde;o    para comercializarem produtos sujeitos ao controle sanit&aacute;rio.<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a>    No entanto, esses requisitos legais n&atilde;o foram regulamentados at&eacute;    o momento. Dessa forma, pode-se constatar a aus&ecirc;ncia dessa informa&ccedil;&atilde;o    nos <i>sites</i> das farm&aacute;cias virtuais.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verificou-se que    em 17 farm&aacute;cias n&atilde;o foi encontrado o nome do farmac&ecirc;utico    respons&aacute;vel pelo atendimento e funcionamento do <i>site</i>. De acordo    com a Lei Nº 5.991/73, o &uacute;nico profissional respons&aacute;vel pela dispensa&ccedil;&atilde;o    de medicamentos &eacute; o farmac&ecirc;utico.<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>3</sup></a>    Portanto, muitas farm&aacute;cias virtuais funcionam de forma ilegal, por n&atilde;o    apresentar responsabiliza&ccedil;&atilde;o pela dispensa&ccedil;&atilde;o e    pela assist&ecirc;ncia farmac&ecirc;utica.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A informa&ccedil;&atilde;o do endere&ccedil;o geogr&aacute;fico da farm&aacute;cia ou da matriz da empresa deve ser apresentado na p&aacute;gina de entrada do <i>site</i>, e indicar os Estados autorizados a comercializar os medicamentos dessa farm&aacute;cia. A informa&ccedil;&atilde;o sobre o endere&ccedil;o foi fornecida por duas farm&aacute;cias e apenas uma informou o Estado autorizado a comercializar medicamentos, e essa informa&ccedil;&atilde;o constava em uma p&aacute;gina secund&aacute;ria do <i>site</i>. Das tr&ecirc;s farm&aacute;cias que apresentaram autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento, apenas uma indicou o endere&ccedil;o geogr&aacute;fico completo, embora em nenhuma dessas indicaram os Estados onde est&atilde;o licenciadas a vender medicamentos e nem informaram o nome dos farmac&ecirc;uticos respons&aacute;veis.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo a Consulta P&uacute;blica Nº 20/01, a farm&aacute;cia virtual deve dispor de um n&uacute;mero de telefone gratuito (0-800) que facilite o contato do paciente com a farm&aacute;cia, para obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre o uso dos medicamentos ou esclarecimento de d&uacute;vidas com o farmac&ecirc;utico respons&aacute;vel pelo <i>site</i>. Das 18 farm&aacute;cias, somente quatro possu&iacute;am n&uacute;mero de telefone gratuito, enquanto 12 possu&iacute;am n&uacute;meros de discagem direta &agrave; dist&acirc;ncia e duas n&atilde;o indicavam n&uacute;mero para contato. As quatro farm&aacute;cias com n&uacute;mero gratuito tamb&eacute;m possu&iacute;am comunica&ccedil;&atilde;o por e-mail e duas delas tinham <i>chats.</i> Observou-se que todas as farm&aacute;cias n&atilde;o ofereceram meios (telefone, e-mail, <i>chat</i>) ao consumidor para obter informa&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s a compra do medicamento.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto ao transporte de medicamentos pela Empresa Brasileira de Correios e Tel&eacute;grafos (ECT), 17 farm&aacute;cias informaram usar esse servi&ccedil;o para todo o Pa&iacute;s. Entre essas, duas n&atilde;o estavam autorizadas a vender medicamentos diretamente ao consumidor: uma distribuidora e uma ind&uacute;stria; a ind&uacute;stria possu&iacute;a autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento e a distribuidora n&atilde;o. As informa&ccedil;&otilde;es sobre a distribuidora n&atilde;o estavam dispon&iacute;veis em seu <i>site</i>, apresentando-se como farm&aacute;cia virtual, mas sua classifica&ccedil;&atilde;o como distribuidora foi confirmada no <i>site</i> da Anvisa.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os medicamentos    precisam ser armazenados e transportados sob condi&ccedil;&otilde;es de temperatura    e umidade espec&iacute;ficas para cada tipo. O transporte s&oacute; pode ser    feito por empresas credenciadas pela Anvisa, segundo a Portaria nº. 12.<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>4</sup></a>    Todavia, embora credenciada, a ECT n&atilde;o tem como garantir as especifica&ccedil;&otilde;es    de transporte para cada tipo de medicamento durante seu trajeto at&eacute; a    resid&ecirc;ncia do consumidor. Isso pode comprometer a estabilidade f&iacute;sico-qu&iacute;mica    e microbiol&oacute;gica do medicamento, e assim provocar danos &agrave; sa&uacute;de    do usu&aacute;rio. Este &eacute; um problema que necessita ser analisado pelos    &oacute;rg&atilde;os competentes.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apenas seis farm&aacute;cias forneceram informa&ccedil;&otilde;es aos pacientes sobre o uso adequado de medicamentos, como condi&ccedil;&otilde;es de conserva&ccedil;&atilde;o, posologia, contra-indica&ccedil;&otilde;es, intera&ccedil;&otilde;es (medicamentosas e/ou alimentos), e poss&iacute;veis rea&ccedil;&otilde;es adversas. A fonte dessas informa&ccedil;&otilde;es eram as ind&uacute;strias fornecedoras, por meio das bulas medicamentosas. Segundo Gon&ccedil;alves et al,<sup>2</sup> a qualidade dos textos das bulas dos medicamentos comercializados no Brasil &eacute; duvidosa, pois omitem ou abrandam informa&ccedil;&otilde;es importantes. Al&eacute;m disso, quatro farm&aacute;cias apresentaram informa&ccedil;&otilde;es do tipo "produto natural", "sem contra-indica&ccedil;&otilde;es" e "sem efeitos adversos", que constituem propaganda enganosa.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi identificado que 17 farm&aacute;cias colocavam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do consumidor medicamentos sem registro, especialmente fitoter&aacute;picos, segundo verifica&ccedil;&atilde;o dos registros desses medicamentos na Anvisa. Seis delas descumpriam os crit&eacute;rios quanto &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o de medicamentos e quatro desrespeitavam a proibi&ccedil;&atilde;o de venda de medicamentos sujeitos ao controle especial.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aus&ecirc;ncia    de registro para os fitoter&aacute;picos indica que esses medicamentos n&atilde;o    passaram por inspe&ccedil;&atilde;o da Anvisa. Logo, torna-se question&aacute;vel    a qualidade desses medicamentos, pois n&atilde;o se tem a comprova&ccedil;&atilde;o    da seguran&ccedil;a e efic&aacute;cia terap&ecirc;utica, colocando, mais uma    vez, em risco a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o.<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>5</sup></a></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verificou-se que nenhuma das farm&aacute;cias possu&iacute;a qualquer modo de comunica&ccedil;&atilde;o com a Anvisa nos <i>sites</i> por meio de um mecanismo de comunica&ccedil;&atilde;o imediata de rea&ccedil;&otilde;es adversas a medicamentos, tampouco fornecia alertas e recomenda&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ficou evidenciada a falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o da Anvisa e vigil&acirc;ncias sanit&aacute;rias estaduais sobre as farm&aacute;cias virtuais. Tal fato pode levar &agrave; facilidade de acesso a medicamentos n&atilde;o registrados e a falta de controle sobre venda de medicamentos controlados como facilitadores do uso inadequado e indiscriminado de medicamentos. O uso inadequado pode expor &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o a riscos como: inefic&aacute;cia terap&ecirc;utica e seguran&ccedil;a de medicamentos, surgimento de rea&ccedil;&otilde;es adversas, intoxica&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es (medicamentosas e/ou alimentares).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os achados revelam a necessidade de regulamenta&ccedil;&atilde;o para essa nova modalidade de com&eacute;rcio de medicamentos no Pa&iacute;s. A fiscaliza&ccedil;&atilde;o dessas farm&aacute;cias pelos &oacute;rg&atilde;os sanit&aacute;rios dever&aacute; ser mais eficiente, com aplica&ccedil;&atilde;o de penalidades severas, beneficiando a sociedade e as farm&aacute;cias id&ocirc;neas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para que essa regulamenta&ccedil;&atilde;o seja efetivada, &eacute; imprescind&iacute;vel a presen&ccedil;a do farmac&ecirc;utico, como respons&aacute;vel t&eacute;cnico pelas farm&aacute;cias virtuais e pelas informa&ccedil;&otilde;es sobre medicamentos fornecidas por esses <i>sites</i> e qualificado atendimento aos pacientes. Assim, ser&aacute; poss&iacute;vel praticar um servi&ccedil;o eficaz e possibilitar &agrave; profiss&atilde;o farmac&ecirc;utica um novo campo  de atua&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Barros, JAC. Pol&iacute;ticas Farmac&ecirc;uticas: a servi&ccedil;o dos interesses da sa&uacute;de? Bras&iacute;lia: UNESCO, 2004, 400p.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3185743&pid=S0034-8910200700020001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Gon&ccedil;alves    SA, Melo G, Tokarski MHL, Branco AB. Bula de medicamentos como instrumento de    informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica. <i>Rev. Sa&uacute;de    P&uacute;blica</i> 2002; 36: 33-39.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3185744&pid=S0034-8910200700020001900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <a name="back10"></a><a href="#top10"><img src="/img/revistas/rsp/v41n2/seta.gif" border="0"></a>    <b>Correspond&ecirc;ncia:</b>     <br>   Ana Paula    Soares Gondim     <br>   Av. Washington Soares, 1321 - Bairro Edson Queiroz     <br>   60811-905 Fortaleza, CE, Brasil     <br>   E-mail: <a href="mailto:anapaulasgondim@unifor.br">anapaulasgondim@unifor.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 30/8/2006        <br>   Aprovado: 3/10/2006</font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CB Falc&atilde;o    &eacute; doutorando pela Northeastern University Boston, Estados Unidos.    <br>   <a name="back1"></a>1    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia    Sanit&aacute;ria. Consulta P&uacute;blica No 20, de 21 de mar&ccedil;o de 2001.    Bras&iacute;lia: MS/Anvisa, mar. 2001. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP%5B2946-1-0%5D.PDF" target="_blank">http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/CP/CP&#91;2946-1-0&#93;.PDF</a>    &#91;Acesso em 2 Dez 2002&#93;     <br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Brasil. Lei nº. 6.360, de 23 de setembro    de 1976. Disp&otilde;e a vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria a que ficam sujeitos    os medicamentos, as drogas, os insumos farmac&ecirc;uticos e correlatos, cosm&eacute;ticos,    saneantes e outros produtos e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Bras&iacute;lia,    1976. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=16615&word=" target="_blank">http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=16615&amp;word=</a>    &#91;Acesso em 30 Maio 2005&#93;     <br>   <a name="back3"></a><a href="#top3">3</a> Brasil. Lei nº. 5.991, de 17 de dezembro    de 1973. Disp&otilde;e sobre o controle sanit&aacute;rio do com&eacute;rcio    de drogas, medicamentos, insumos farmac&ecirc;uticos e correlatos, e d&aacute;    outras provid&ecirc;ncias. Bras&iacute;lia, 1973. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=16614&word=" target="_blank">http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=16614&amp;word=</a>&gt;    &#91;Acesso em 2 Dez 2004&#93;    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4">4</a> Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Portaria nº. 12, de 05 de janeiro de 2005. Bras&iacute;lia: MS, 2005. Dispon&iacute;vel    em URL: <a href="http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=14133&word=" target="_blank">http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=14133&amp;word=</a>    &#91;Acesso em 30 Maio 2005&#93;     <br>   <a name="back5"></a><a href="#top5">5</a> Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria. Resolu&ccedil;&atilde;o    de Diretoria Colegiada nº 48, de 16 de mar&ccedil;o de 2004. Bras&iacute;lia:    MS/Anvisa, 2004. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=10230&word=" target="_blank">http://e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showAct.php?id=10230&amp;word=</a>    &#91;Acesso em 19 Maio 2006&#93;</font></p>      ]]></body><back>
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