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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Projeto Bambuí: a experiência do cuidado domiciliário por esposas de idosos dependentes]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Bambuí Health and Aging Study (BHAS): the experience with home care provided by wives of dependent elderly]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper investigates the characteristics of caregiving and the experience of women that care for their elderly husbands in Bambuí, Minas Gerais, Brazil. Among the elderly population in this community, the authors interviewed ten wives, using a survey exploring the main themes on the subject of caregiving. The data were interpreted based on an anthropological model of analysis. This model places the interaction between the individual and the context in the center of the interpretative process, underlying the construction and expression of diverse forms of human experience. The results of the survey highlighted the role, responsibilities, and obligations of women in Brazilian society with respect to caregiving for dependent elders. Women are seen as "natural" caregivers, whereby it is their given obligation to take care of their husbands, providing all kinds of support. Both the individual in need of care and the caregiver live the reality of functional disability in a society lacking the proper mechanisms to provide for the elderly population. The current study clearly shows the need to systematize home caregiving in Brazilian society.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="RIGHT"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO    </b>ARTICLE</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top10"></a>Projeto    Bambu&iacute;: a experi&ecirc;ncia do cuidado domicili&aacute;rio por esposas    de idosos dependentes</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The Bambu&iacute;    Health and Aging Study (BHAS): the experience with home care provided by wives    of dependent elderly</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Karla C. Giacomin<sup>I,    II</sup>; Elizabeth Uchoa<sup>II</sup>; Maria Fernanda F. Lima-Costa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Programa    de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de P&uacute;blica, Universidade    Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil    <br>   <sup>II</sup>N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica e Envelhecimento,    Centro de Pesquisas Ren&eacute; Rachou, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz/Faculdade    de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back10">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente trabalho    tem por objetivo investigar as caracter&iacute;sticas do processo de cuidar    e a experi&ecirc;ncia de mulheres que cuidam de seus maridos idosos em Bambu&iacute;,    Minas Gerais, Brasil. Entre os participantes do Projeto Bambu&iacute;, selecionaram-se    dez idosos que necessitavam de cuidador e disseram ser cuidados por suas esposas.    As dez esposas foram entrevistadas, utilizando-se de um roteiro de quest&otilde;es,    com os grandes eixos tem&aacute;ticos sugeridos pela literatura. A an&aacute;lise    dos dados inspirou-se na corrente interpretativa da antropologia e nos remete    a uma cultura que define o papel, as responsabilidades e as obriga&ccedil;&otilde;es    da mulher, determina as regras que regem as rela&ccedil;&otilde;es conjugais,    dita normas e modelos de comportamento e estabelece que cuidar de um idoso dependente    &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o "natural" da mulher. Apesar de todas as    evid&ecirc;ncias, as mulheres t&ecirc;m dificuldade em dissociar o cuidado de    seu papel de esposas e em admitir o fardo. Cuidador e necessitados de cuidados    vivem a dura realidade da incapacidade funcional, de modo integral, intuitivo    e improvisado. Essa reflex&atilde;o refor&ccedil;a a responsabilidade pela sistematiza&ccedil;&atilde;o    do cuidado domicili&aacute;rio no nosso meio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antropologia; Idoso;    Cuidadores</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This paper investigates    the characteristics of caregiving and the experience of women that care for    their elderly husbands in Bambu&iacute;, Minas Gerais, Brazil. Among the elderly    population in this community, the authors interviewed ten wives, using a survey    exploring the main themes on the subject of caregiving. The data were interpreted    based on an anthropological model of analysis. This model places the interaction    between the individual and the context in the center of the interpretative process,    underlying the construction and expression of diverse forms of human experience.    The results of the survey highlighted the role, responsibilities, and obligations    of women in Brazilian society with respect to caregiving for dependent elders.    Women are seen as "natural" caregivers, whereby it is their given obligation    to take care of their husbands, providing all kinds of support. Both the individual    in need of care and the caregiver live the reality of functional disability    in a society lacking the proper mechanisms to provide for the elderly population.    The current study clearly shows the need to systematize home caregiving in Brazilian    society.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Anthropology; Aged;    Caregivers</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O envelhecimento    populacional brasileiro tem sido muito r&aacute;pido e intenso. A cada ano,    650 mil idosos s&atilde;o incorporados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira    <sup>1</sup>. O cuidado de uma popula&ccedil;&atilde;o que envelhece representa    um extraordin&aacute;rio desafio, especialmente pelo crescimento ainda mais    acelerado da parcela idosa fr&aacute;gil e muito idosa da popula&ccedil;&atilde;o    <sup>1,2</sup> e por esse grupo apresentar uma grande carga de doen&ccedil;as    cr&ocirc;nicas e incapacitantes, quando comparado a outros grupos et&aacute;rios    <sup>3,4,5</sup>. Disso resulta uma demanda crescente por servi&ccedil;os sociais    e de sa&uacute;de <sup>6</sup>, mas &eacute; a fam&iacute;lia a institui&ccedil;&atilde;o    que cumpre o papel social de cuidar de idosos fr&aacute;geis <sup>5,7,8</sup>.    Apesar de relevantes estudos terem apontado a realidade de desigualdade social    e de sa&uacute;de entre os idosos brasileiros <sup>3,4,9,10,11</sup>, ainda    n&atilde;o existem pol&iacute;ticas oficiais direcionadas para o cuidado &agrave;    popula&ccedil;&atilde;o idosa que desenvolve depend&ecirc;ncia funcional e n&atilde;o    h&aacute; o reconhecimento dos cuidadores de idosos nessa aten&ccedil;&atilde;o    cotidiana.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Entende-se a sa&uacute;de do idoso como a intera&ccedil;&atilde;o multidimensional entre sa&uacute;de f&iacute;sica, mental, independ&ecirc;ncia na vida di&aacute;ria, integra&ccedil;&atilde;o social, suporte familiar e independ&ecirc;ncia econ&ocirc;mica <sup>7</sup>. A capacidade funcional &eacute; um indicador de sa&uacute;de dos idosos e a incapacidade funcional, um sinal de fal&ecirc;ncia da habilidade em realizar as atividades cotidianas, seja pela presen&ccedil;a de d&eacute;ficits f&iacute;sicos <sup>12,13</sup> ou cognitivos <sup>13,14</sup>, seja, mesmo, pelo processo cont&iacute;nuo do envelhecimento <sup>15</sup>. A depend&ecirc;ncia &eacute; a express&atilde;o da dificuldade ou incapacidade em realizar uma atividade espec&iacute;fica por causa de um problema de sa&uacute;de <sup>16</sup>. A exist&ecirc;ncia de uma incapacidade funcional determina a necessidade de um cuidador <sup>17</sup>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Cuidador &eacute; a pessoa que oferece cuidados para suprir a incapacidade funcional, tempor&aacute;ria ou definitiva. O cuidador pode ser informal ou formal. A figura do cuidador j&aacute; &eacute; assimilada, nos pa&iacute;ses desenvolvidos, como um parceiro da equipe de sa&uacute;de, mas isto n&atilde;o acontece no Brasil. Na Inglaterra, estima-se que mais de seis milh&otilde;es de pessoas sejam cuidadoras de pessoas dependentes, em sua maioria idosos <sup>18</sup>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domic&iacute;lios (PNAD 1998) <sup>11</sup>, conduzida em uma amostra representativa da popula&ccedil;&atilde;o idosa brasileira (exceto regi&atilde;o Norte), mostram que 13,9% dos idosos tiveram suas atividades rotineiras interrompidas por problemas de sa&uacute;de nas duas semanas anteriores &agrave; entrevista <sup>4</sup>. Essa necessidade de cuidado n&atilde;o vem sendo considerada, de maneira expl&iacute;cita, pelo sistema de sa&uacute;de brasileiro.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nos pa&iacute;ses desenvolvidos, o cuidado formal, que &eacute; oferecido pelo sistema de sa&uacute;de <sup>19</sup>, vem superpor-se ao cuidado informal oferecido por familiares; no Brasil, o cuidado formal, organizado e eficiente para idosos dependentes praticamente nunca existiu. O cuidado do idoso dependente sempre coube &agrave; fam&iacute;lia brasileira. Inexistem estruturas intermedi&aacute;rias de cuidado entre a fam&iacute;lia e a institui&ccedil;&atilde;o de longa perman&ecirc;ncia para idosos. Estruturas de suporte como centros-dia, hospitais-dia, visitas regulares de enfermeiros, embora previstos em lei <sup>20</sup>, ainda n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis para a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o idosa brasileira. Os idosos fr&aacute;geis, acamados e seus cuidadores familiares apenas recentemente t&ecirc;m sido visitados pelo sistema de sa&uacute;de, por interm&eacute;dio do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF). O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) ainda n&atilde;o garante esse cuidado domicili&aacute;rio de longa perman&ecirc;ncia.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Os cuidadores de idosos experimentam um fardo consider&aacute;vel e est&atilde;o em maior risco de morbidade psiqui&aacute;trica e f&iacute;sica comparados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o geral e a grupos <sup>21,22</sup>. Estudos brasileiros sobre cuidadores de idosos t&ecirc;m discutido quest&otilde;es psicol&oacute;gicas e sociais com base em grupos selecionados de cuidadores <sup>17,23,24,25</sup>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Um estudo epidemiol&oacute;gico realizado entre idosos residentes na comunidade de Bambu&iacute;, Minas Gerais, Brasil, revelou a magnitude do problema: 23,0% dos idosos necessitavam de cuidador <sup>26</sup>. Todavia, n&atilde;o se conhecem as exig&ecirc;ncias concretas ditadas pelo cuidado a um idoso dependente no seu domic&iacute;lio, nem a experi&ecirc;ncia vivida pelo cuidador. S&atilde;o necess&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es mais profundas sobre os elementos que influenciam as percep&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es de quem cuida.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O presente trabalho,    desenvolvido como parte do Projeto Bambu&iacute;, tem por objetivo explorar,    fundamentando-se numa vis&atilde;o antropol&oacute;gica, a conjuga&ccedil;&atilde;o    entre elementos externos e internos na determina&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias    e significados inerentes ao cuidado e na constru&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias    de esposas que cuidam de homens idosos numa cidade do interior do Brasil.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Uma abordagem    antropol&oacute;gica do cuidado</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentro da perspectiva    antropol&oacute;gica, o envelhecimento &eacute; encarado como um fen&ocirc;meno    universal que gera problemas comuns, mas que podem ser vividos e resolvidos    diferentemente pelas culturas <sup>27</sup>. Considera-se o envelhecimento como    um fen&ocirc;meno biol&oacute;gico ao qual o indiv&iacute;duo reage com base    em suas refer&ecirc;ncias pessoais e culturais <sup>28</sup>. O processo biol&oacute;gico    &eacute;, assim, apropriado e elaborado simbolicamente, ao longo da vida, por    rituais que definem um sentido pol&iacute;tico e organizador do sistema social    <sup>29</sup>. Nesta perspectiva, representa&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas    em rela&ccedil;&atilde;o ao indiv&iacute;duo que envelhece devem ser compreendidas    como elementos do universo de regras sociais e s&iacute;mbolos culturais que    as guiam e as validam. O estudo da experi&ecirc;ncia do cuidar de um idoso deve    ser explorado em refer&ecirc;ncia a um universo social e cultural espec&iacute;fico.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A corrente interpretativa da antropologia desenvolveu conceitos essenciais para avan&ccedil;ar nessa dire&ccedil;&atilde;o. Geertz <sup>30</sup> define a cultura como um universo de s&iacute;mbolos e significados que permite aos indiv&iacute;duos de um grupo interpretar a experi&ecirc;ncia e guiar suas a&ccedil;&otilde;es e afirma que a cultura forneceria "modelos de" e "modelos para" constru&ccedil;&atilde;o de realidades sociais e psicol&oacute;gicas participando, ent&atilde;o, da constru&ccedil;&atilde;o de todo fen&ocirc;meno humano. As emo&ccedil;&otilde;es, percep&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos s&atilde;o constru&iacute;das em refer&ecirc;ncia a um universo cultural de significados que lhes permite interpretar e responder aos diferentes acontecimentos e situa&ccedil;&otilde;es da vida <sup>8,31</sup>. Tal perspectiva coloca a intera&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo e o contexto no centro do processo interpretativo que subentende a constru&ccedil;&atilde;o e a express&atilde;o de diversas formas de experi&ecirc;ncia humana <sup>31,32</sup>. No presente estudo, a narrativa de cada cuidadora ser&aacute; analisada com o objetivo de compreender como a <i>experi&ecirc;ncia de cuidar</i> (percep&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es) &eacute; constru&iacute;da no interior de uma hist&oacute;ria de vida e na intera&ccedil;&atilde;o com um contexto social e cultural espec&iacute;fico <sup>31,33</sup>. A investiga&ccedil;&atilde;o ter&aacute; como eixos fundamentais: os elementos internos (as necessidades e exig&ecirc;ncias ditadas pelo cuidado, as caracter&iacute;sticas pessoais de quem &eacute; cuidado e as do cuidador) e externos (dos contextos social, cultural e pol&iacute;tico) que constroem o cuidado.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ser&atilde;o focalizadas    caracter&iacute;sticas do processo de cuidar: O que &eacute; esse cuidado? Quem    s&atilde;o essas cuidadoras? O que elas fazem? Como percebem o cuidado em suas    vidas? O que desejam? Com quem podem contar? Por que est&atilde;o cuidando?    Quais significados s&atilde;o atribu&iacute;dos &agrave;s suas experi&ecirc;ncias    de cuidado (emo&ccedil;&otilde;es positivas e negativas, situa&ccedil;&otilde;es    de estresse e apontamento de poss&iacute;veis estrat&eacute;gias facilitadoras    do cuidado)?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Popula&ccedil;&atilde;o    estudada</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este estudo foi    realizado com esposas que cuidam de seus maridos idosos participantes do Projeto    Bambu&iacute;, um estudo de coorte com base populacional de idosos residentes    na comunidade. O Projeto Bambu&iacute; iniciou-se com o recenseamento da popula&ccedil;&atilde;o    idosa residente no Munic&iacute;pio (n = 1.742) e com a realiza&ccedil;&atilde;o    de entrevistas e exames na linha de base constitu&iacute;da em 1997, que contou    com a participa&ccedil;&atilde;o de 92,0% de toda a popula&ccedil;&atilde;o    com sessenta e mais anos de idade (n = 1.606). As entrevistas anuais de seguimento    foram iniciadas em 1997 e continuar&atilde;o at&eacute; 2007. Uma descri&ccedil;&atilde;o    detalhada do Projeto Bambu&iacute; pode ser encontrada em Lima-Costa et al.    <sup>34</sup>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em um estudo epidemiol&oacute;gico    anterior <sup>26</sup>, investigou-se qual era a necessidade de cuidador entre    os idosos participantes da linha de base do Projeto Bambu&iacute; (1997). Foram    identificados 370 (23,0%) idosos que necessitavam de cuidador, sendo 146 homens    e 224 mulheres. Na entrevista de seguimento do ano 2003, 11 homens disseram    ser cuidados por suas esposas e foram selecionados. Todos foram procurados.    Um deles havia mudado de Bambu&iacute;. Os outros dez homens foram localizados    e suas esposas foram convidadas a participar do estudo. Todas aceitaram.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Coleta e an&aacute;lise    de dados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistas    foram realizadas no Posto de Sa&uacute;de Emmanuel Dias da Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz, em Bambu&iacute;. Todas as entrevistas foram realizadas por uma    das pesquisadoras (K. C. G.), com o consentimento das participantes, ap&oacute;s    esclarecimento.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Foi utilizado    um roteiro de quest&otilde;es com os temas sugeridos pela literatura (quem &eacute;    a pessoa de quem ela cuida, qual a doen&ccedil;a, h&aacute; quanto tempo, as    percep&ccedil;&otilde;es individuais dos pap&eacute;is e tarefas do cuidador,    os sentimentos experimentados, o significado do cuidado, cuidado e solid&atilde;o,    cuidado e solidariedade, a presen&ccedil;a de outras pessoas e de servi&ccedil;os    institucionais que auxiliavam no cuidado, o impacto de estar cuidando) <sup>19,35,36,37,38,39,40,41,42</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>An&aacute;lise</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todas as entrevistas    foram gravadas e transcritas. Ap&oacute;s a leitura atenta das mesmas, foram    criadas categorias anal&iacute;ticas que permitissem fragmentar a totalidade    das entrevistas nos grandes eixos tem&aacute;ticos mencionados <sup>31,32,43,44</sup>.    Uma primeira an&aacute;lise de conte&uacute;do da informa&ccedil;&atilde;o assim    codificada permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o de categorias anal&iacute;ticas    mais finas (subcategorias) e, posteriormente, a verifica&ccedil;&atilde;o das    ocorr&ecirc;ncias de cada categoria anal&iacute;tica e extra&ccedil;&atilde;o    dos textos correspondentes a uma ou mais dessas categorias. A an&aacute;lise    de conte&uacute;do focalizou, primeiramente, 16 categorias, que versavam sobre:    (a) o cuidado propriamente dito (in&iacute;cio da doen&ccedil;a do marido, tipo    de cuidado realizado, necessidades, dificuldades e raz&otilde;es evocadas para    o cuidado); (b) as estrat&eacute;gias desenvolvidas para cuidar e as mudan&ccedil;as    determinadas pelo cuidado na vida do cuidador, incluindo a administra&ccedil;&atilde;o    do tempo livre e o papel da religi&atilde;o; (c) o contexto social em que se    d&aacute; o cuidado: ajuda institucional, ajuda de outros, recursos financeiros    (seguridade social, rendimentos, trabalho na juventude); (d) as dificuldades    em expressar descontentamento e as contradi&ccedil;&otilde;es do discurso das    cuidadoras. Em um segundo momento, focalizou-se a intera&ccedil;&atilde;o entre    essas categorias e sua articula&ccedil;&atilde;o com o contexto s&oacute;cio-cultural    vigente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A experi&ecirc;ncia    e o significado do cuidado</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As esposas entrevistadas    s&atilde;o donas de casa, t&ecirc;m idades entre 57 e 90 anos e estudaram no    m&aacute;ximo at&eacute; o quarto ano do ensino fundamental. Todas residem na    cidade de Bambu&iacute; e vivem com o marido em casas pr&oacute;prias. Quando    jovens, elas exerceram profiss&otilde;es bra&ccedil;ais e pouco qualificadas    (empregada dom&eacute;stica, lavadeira, lavradora), na zona rural ou na cidade.    Todas, com apenas uma exce&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m renda mensal familiar    de at&eacute; dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos, e cinco delas n&atilde;o    possuem qualquer rendimento ou benef&iacute;cio de seguridade e as demais recebem    mensalmente um sal&aacute;rio m&iacute;nimo &#150; quatro por aposentadoria (Instituto    Nacional de Seguridade Social &#150; INSS) e uma por invalidez tempor&aacute;ria.    A maioria gerencia o dinheiro do casal, mas apenas uma &eacute; legalmente curadora    do marido.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Todas as entrevistadas referem-se &agrave; necessidade de cuidar do marido de forma integral, isto &eacute;, elas devem ser uma presen&ccedil;a constante e ter a disponibilidade para ajud&aacute;-lo em quase todas as tarefas cotidianas, ao longo de todo o dia. Uma delas compara as necessidades do marido &agrave;quelas de uma crian&ccedil;a e explica: "<i>ele &eacute; que nem uma crian&ccedil;a, eu dou banho nele, a comida eu ponho no prato pra ele, o rem&eacute;dio eu dou na m&atilde;o, sen&atilde;o eu ponho at&eacute; na boca, e &aacute;gua tamb&eacute;m</i>" (Entrevistada 8, 67 anos). Outra entrevistada enfatiza as exig&ecirc;ncias ao longo de todo dia: "<i>de manh&atilde;, tenho que dar a ele o caf&eacute;, tudo 'arrumadinho', p&ocirc;r na m&atilde;o, l&aacute; pra ele. Sou eu quem d&aacute; o banho nele. Ajudo ele a deitar. Pra dormir, dou a ele o pijama, facilito pra ele vestir. Eu o ajudo</i>" (Entrevistada 10, 90 anos).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na descri&ccedil;&atilde;o das tarefas que constituem o cuidado integral, incluem-se aquelas relacionadas ao cuidado do corpo (higiene, vestu&aacute;rio, banho), as dom&eacute;sticas (cuidado da casa e da alimenta&ccedil;&atilde;o), a necessidade de presen&ccedil;a f&iacute;sica em tempo integral e os cuidados referentes a tratamentos de sa&uacute;de (ida ao m&eacute;dico, administra&ccedil;&atilde;o de medicamentos). Geralmente, as esposas consideram as tarefas que exigem maior intimidade, como o banho, a higiene &iacute;ntima e o cuidado de feridas, como as mais dif&iacute;ceis de serem realizadas: "<i>eu acho mais dif&iacute;cil na hora do banho, na hora dele ir &agrave; instala&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m eu acho dif&iacute;cil porque ele n&atilde;o vai sozinho. Ele escorrega, cai e vira aquela confus&atilde;o</i>" (Entrevistada 1, 72 anos). H&aacute; tamb&eacute;m relato de uma progress&atilde;o das necessidades com a evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Uma das cuidadoras descreve em detalhes o processo: "<i>porque, com esse bra&ccedil;o assim, eu levantava ele, eu escorava ele, punha uns travesseiros, ele sentava e comia. Agora n&atilde;o.</i> &#91;Ele tem de comer deitado&#93;. <i>Isso aqui nele virou d&oacute;</i> &#91;aponta a regi&atilde;o lombar&#93;<i>, ficou na carne viva, a cama ficava toda molhada. Precisa lavar a roupa todo dia. Soltava uma &aacute;gua mal cheirosa, ruim, sabe?</i>" (Entrevistada 3, 73 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O comportamento do marido, atual ou passado, parece complicar a situa&ccedil;&atilde;o: agressivo, pirracento, custoso, luxento, "descompreendido", teimoso, impertinente s&atilde;o alguns dos adjetivos escolhidos pelas mulheres para falar de seus esposos. Uma delas explica: <i>"ele &eacute; daquelas pessoas que &eacute; igual menino, menino a gente pega e leva. Ele n&atilde;o. Se ele falar: 'n&atilde;o'. &Eacute; desse jeito... Quanto mais fala, pior fica</i>" (Entrevistada 5, 74 anos). Tr&ecirc;s mulheres evocaram relacionamentos extraconjugais de seus maridos. Uma senhora argumenta: "<i>tem que brincar.</i> (...) <i>Tem dia que eu enfezo l&aacute; eu falo: 'cad&ecirc; a fulana agora, n&eacute;? Agora que era hora dela ajudar.</i> (...) <i>Quantas vezes voc&ecirc; me largou aqui sem os trem dos meninos e foi cuidar dela, n&eacute;? Passear? Ia passear, n&eacute;?' Dif&iacute;cil demais a vida"</i> (Entrevistada 4, 73 anos). A resigna&ccedil;&atilde;o &eacute;, na maioria das vezes utilizada, para facilitar o exerc&iacute;cio do papel de cuidadora.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica tamb&eacute;m aparece em dois relatos: "<i>&eacute; uma vez, &eacute; tem duas vezes que eu apanhei dele, que eu apanhei pra valer, isso foi no come&ccedil;o. Ele n&atilde;o bebia. Ele nunca bebeu. Bateu em mim, uma vez foi por conta de, n&oacute;s est&aacute;vamos fazendo um banheiro</i> (...) <i>e outra vez foi l&aacute; na ro&ccedil;a, n&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos fam&iacute;lia ainda n&atilde;o</i>" (Entrevistada 8, 67 anos). Ela afirma ter passado fome com os filhos ainda pequenos: "<i>eu bati nela</i> &#91;na filha pequena&#93;<i>. Eu n&atilde;o queria que meu irm&atilde;o soubesse que eu n&atilde;o tinha nada de comer, e no fundo morava uma vizinha, no meu lote, tamb&eacute;m eu n&atilde;o queria que ela ouvisse ela gritar que tava com fome, n&atilde;o</i>" (Entrevistada 8, 67 anos). A outra mulher diz: "<i>quando ele t&aacute; nervoso, ele fala que eu n&atilde;o fa&ccedil;o nada, que eu vivo &agrave; toa</i> &#91;risos&#93;<i>. Deus me livre, s&aacute;, &eacute; duro!"</i> (Entrevistada 4, 73 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Apesar das in&uacute;meras atividades inclu&iacute;das pelas cuidadoras na presta&ccedil;&atilde;o desse cuidado integral, apenas tr&ecirc;s delas foram capazes de situar, no tempo, o momento em que se tornaram cuidadoras de seus maridos e, somente uma, informou a data precisa de in&iacute;cio: "<i>dia 10 de abril, faz dezesseis anos. A doen&ccedil;a dele, n&oacute;s falamos derrame</i> (...) <i>e ele tem glicose alta, press&atilde;o alta</i>" (Entrevistada 5, 74 anos). Duas entrevistadas confundem o in&iacute;cio do cuidado com o in&iacute;cio do pr&oacute;prio casamento. Uma delas explica: "<i>toda vida eu cuidei dele, mas na sa&uacute;de, porque a gente &eacute; obrigada, n&eacute;? Eu sempre colocava</i> &#91;comida no prato&#93;<i>, mas &eacute; por amizade, sabe? Mas n&atilde;o &eacute; assim de precis&atilde;o n&atilde;o. Agora que &eacute; de precis&atilde;o</i>" (Entrevistada 1, 72 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Parece que a dificuldade de precisar o momento em que se tornaram cuidadoras pode ser, em parte, explicada pela semelhan&ccedil;a entre as tarefas que realizam ao cuidar do marido e as tarefas dom&eacute;sticas que elas sempre realizaram como esposas. O cuidado com a casa, com a roupa e com a alimenta&ccedil;&atilde;o faz parte das atribui&ccedil;&otilde;es da esposa desde o in&iacute;cio do casamento e n&atilde;o &eacute; percebido como um fardo. As novas atribui&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; higiene &iacute;ntima e ao cuidado com feridas s&atilde;o recentes e exigem maior intimidade com o esposo, talvez, por essas raz&otilde;es, sejam consideradas as mais dif&iacute;ceis. A higiene &iacute;ntima envolve o pudor de ambos, traz &agrave; tona dificuldades conjugais e evoca a decad&ecirc;ncia do corpo e do pr&oacute;prio casal &#150; que n&atilde;o existe mais para o prazer. As tarefas de cuidado com o corpo do marido refletem um envelhecimento mal sucedido e um futuro projetado das pr&oacute;prias mulheres idosas. Al&eacute;m disso, elas sup&otilde;em a aprendizagem de novas habilidades (inclusive f&iacute;sicas &#150; de acomodar, mudar de posi&ccedil;&atilde;o e/ou carregar o marido; e psicol&oacute;gicas &#150; de est&iacute;mulo, escuta). Ainda assim, as entrevistadas acolhem essas novas tarefas como esposas. Ao se casar, elas assumiram o compromisso de cuidar do marido na sa&uacute;de e na doen&ccedil;a. Essa verdade a mulher assimila sem questionar, sem pedir ou aceitar ajuda.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A ajuda de outras pessoas incluindo os filhos, parentes e vizinhos, embora relatada pela maioria das cuidadoras, n&atilde;o acontece de fato. Quase todas justificam a impossibilidade dos(as) filhos(as) em participar do cuidado, por distintas raz&otilde;es: problemas de sa&uacute;de dos filhos, falta de tempo, dificuldade financeira, trabalho, imposi&ccedil;&atilde;o da pessoa que &eacute; cuidada. Uma senhora fala de seu desamparo, mas reafirma que os filhos n&atilde;o s&atilde;o maus: "<i>ah, tem hora que eu sinto</i> &#91;desamparo&#93;<i>. Que os meus filho s&atilde;o muito bons, n&atilde;o estou falando que eles s&atilde;o ruins, n&atilde;o. Mas acho que o povo hoje em dia, os mais novos, n&atilde;o querem saber de gente idoso, eles n&atilde;o acham que a gente precisa deles</i>" (Entrevistada 8, 67 anos). Uma outra senhora explica que a realidade &eacute; inversa: "<i>eu fico dando apoio, inv&eacute;s delas me darem, eu que dou. Mas a gente que &eacute; mais antiga, boba, conheceu muito o mundo pra tr&aacute;s</i>" (Entrevistada 5, 74 anos). Apenas uma esposa reclama : "<i>n&atilde;o &eacute; dizer que eu preciso n&atilde;o, que meus filhos me ajudam, mas eles n&atilde;o d&atilde;o &agrave; gente nada, nem a cesta</i> &#91;b&aacute;sica de alimentos&#93;<i>. Ele devia de ganhar uma cesta porque eu s&oacute; n&atilde;o dou conta. O dinheiro dele vai pro rem&eacute;dio e pro m&eacute;dico</i>" (Entrevistada 10, 90 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nos poucos casos em que outros participam do cuidado, a ajuda &eacute; sempre dada por outras mulheres: "<i>ah, depois ele veio pra casa, minhas meninas cuidavam, minha cunhada cuidava, minha nora que mora l&aacute; na porta da cozinha &eacute; que lavava roupa, fazia a comida</i>" (Entrevistada 3, 73 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para cumprir com as exig&ecirc;ncias do cuidado ao marido, duas entrevistadas precisaram modificar o domic&iacute;lio, entretanto o fizeram sem orienta&ccedil;&atilde;o profissional. Uma delas explica "<i>eu suspendi os dois quartos, pra eu dar conta de subir ele sozinha, e tirar ele do quarto sozinha, porque chamar</i> &#91;algu&eacute;m&#93; <i>di&aacute;rio n&atilde;o tem jeito.</i> (...) <i>A&iacute; ele ficou pior, porque levou um tombo l&aacute;</i>" (Entrevistada 5, 74 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Quatro entrevistadas evocaram a aus&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es adequadas para o exerc&iacute;cio do cuidado. Uma delas esclarece: "<i>uai, minha casa &eacute; muito pequena.</i> (...) <i>n&atilde;o d&aacute; pra ele ir ao banheiro pra tomar um banho. P&otilde;e na cadeira de rodas ali dentro da sala, ali n&oacute;s damos o banho nele. P&otilde;e &aacute;gua num balde, jogando assim com um copo d'&aacute;gua</i>" (Entrevistada 3, 73 anos). H&aacute; refer&ecirc;ncias &agrave; falta de orienta&ccedil;&atilde;o sobre a forma de cuidar: "<i>ningu&eacute;m nunca me deu conselho. Eu cuido l&aacute; mesmo do meu jeito</i>" (Entrevistada 7, 57 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A procura por ajuda profissional m&eacute;dica aparece em todos os casos. Todos os homens tomam medicamentos. Uma mulher explica: "<i>a gente d&aacute; uns rem&eacute;dios tamb&eacute;m que ele 'acalma'. Agora t&ocirc; achando que os rem&eacute;dio dele, parece que vai indo acostuma, n&eacute;?</i>" (Entrevistada 4, 73 anos). De maneira geral, as cuidadoras atribuem ao SUS uma ajuda irregular, de qualidade inferior e t&ecirc;m dificuldade em reconhecer o seu valor. Uma esposa diz: "<i>l&aacute;</i> &#91;no Posto de Sa&uacute;de&#93; <i>s&oacute; tem rem&eacute;dio barato</i>" (Entrevistada 1, 72 anos)<i>.</i> Outra completa: "<i>ambul&acirc;ncia um dia ia, falhava duas semanas sem ir</i>" (Entrevistada 5, 74 anos). Nenhuma das entrevistadas conseguiu acesso &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o no sistema p&uacute;blico. Uma &uacute;nica cuidadora relatou uso recomendado de &oacute;rteses: <i>"o m&eacute;dico receitou uma bengala e passou pra ele a fisioterapia,</i> (...) <i>pegou os aparelhos da perna que p&otilde;em os p&eacute;s de jeito,</i> (...) <i>e pegou uma tala, pra p&ocirc;r no bra&ccedil;o</i>" (Entrevistada 5, 74 anos). Mesmo aquelas que se referem ao PSF relatam dificuldades para aceitar a ajuda externa. Uma delas explica: "<i>eles at&eacute; que me ofereceram, mas eu falei: 'n&atilde;o, n&atilde;o precisa de vim, n&atilde;o'. Eles vivem ocupados tamb&eacute;m, n&eacute;? Eu fa&ccedil;o. Eu dou muito conta de fazer. A&iacute; eu fazia os curativos em casa</i>" (Entrevistada 1, 72 anos).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O uso de calmantes &#150; e a indica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica para utiliz&aacute;-los &#150; &eacute; relatado por algumas cuidadoras; h&aacute; as que escolhem tomar e as que preferem n&atilde;o tomar. Uma delas relata "<i>o Rivotril consola a gente. Consola</i> &#91;risos&#93;<i>.</i> (...) <i>Que se a gente n&atilde;o tomar um calmante, n&atilde;o vai n&atilde;o</i> &#91;risos&#93;" (Entrevistada 8, 67 anos), outra discorda "<i>eles receitavam calmante pra mim e eu n&atilde;o tomo porque no outro dia eu n&atilde;o ag&uuml;ento fazer as coisas. Fico muito bamba, naquela moleza, uma fraqueza e eu n&atilde;o tomo, e eu n&atilde;o durmo bem, n&atilde;o</i> &#91;chora&#93;" (Entrevistada 3, 74 anos). Por um lado o uso de calmantes &eacute; visto como amea&ccedil;a &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do cuidado efetivo. Por outro, a simples express&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m &eacute; sentida como amea&ccedil;a e precisa ser contida. "<i>Tem dia que eu sou nervosa at&eacute; comigo mesma. Mas com ele, n&atilde;o. Se a gente fizer raiva nele, ele volta o derrame. Uma vez eu assim, eu n&atilde;o dou demonstra&ccedil;&atilde;o, sabe? Porque &eacute;, se ele ficar pior do que est&aacute;, fica pior pra mim, n&eacute;?</i>" (Entrevistada 8, 67 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Muitas vezes &eacute; para Deus que elas apelam. Deus aparece em quase todas as entrevistas como for&ccedil;a, ref&uacute;gio, esperan&ccedil;a e guardi&atilde;o do compromisso de cuidar. "<i>Ah, eu pe&ccedil;o a Deus pra me dar for&ccedil;a e paci&ecirc;ncia. &Agrave;s vezes eu entro pro quarto, choro um pouquinho, a&iacute; parece que aquilo desaparece um pouco, parece que Deus me d&aacute; for&ccedil;a e eu...</i>&#91;chora&#93;. <i>N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil a vida. Mas eu penso: 'tudo posso n'aquele que me fortalece', n&eacute;? Quando eu t&ocirc; triste, t&ocirc; fraca, sentindo desamparada, eu pe&ccedil;o a Deus, Ele me d&aacute; for&ccedil;a, parece que na hora aquilo desaparece e, &oacute;</i>" (Entrevistada 3, 73 anos). Para muitas, o cuidado presente e passado &eacute; visto como des&iacute;gnio de Deus: "<i>uai, minha filha, o que vier, eu confio em Deus, n&eacute;? Que eu acho que Deus n&atilde;o d&aacute; nada pra gente, que a gente n&atilde;o ag&uuml;enta, voc&ecirc; acha? Se Deus deu &eacute; porque a gente ag&uuml;enta, n&eacute;?</i>" (Entrevistada 6, 77 anos). Elas confiam em um Deus que ajudar&aacute; a suportar o momento atual e esperam d'Ele a gra&ccedil;a de que a condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se agrave: "<i>ah, eu espero de Deus ter d&oacute; da gente, pra n&atilde;o piorar muito n&atilde;o</i> &#91;risos&#93;" (Entrevistada 9, 73 anos). A mais velha das cuidadoras (Entrevistada 10), aos 90 anos, sente-se conformada: "<i>eu conformo com a vontade de Deus. O qu&ecirc; que se h&aacute; de fazer? Eu n&atilde;o posso judiar dele.</i> (...) <i>Tem de aceitar</i>". Contudo, reconhece: "<i>eu me sinto com for&ccedil;a, mas de vez em quando a gente assim parece que vai desanimando, n&eacute;? Porque vai ficando cada vez mais velha, mais sem for&ccedil;a. Porque Ele d&aacute; a vida e tira a for&ccedil;a, n&eacute;?</i> (...) <i>Se eu acho dif&iacute;cil? Tem dia que a gente t&aacute; mais desanimada que eu acho dif&iacute;cil, mas depois n&atilde;o. Tudo &eacute; por Deus, vamos aceitar</i>". O cuidado exercido, hoje, serve como esperan&ccedil;a de um reconhecimento desse sacrif&iacute;cio em prol do marido e de uma recompensa divina futura, como &eacute; dito por estas duas esposas: "<i>ent&atilde;o hoje pra eu largar dele, hoje eu n&atilde;o largo n&atilde;o. Nem... vou fazer duas festas: uma aqui na Terra, outra l&aacute; no c&eacute;u. Se Deus quiser</i> &#91;risos&#93;" (Entrevistada 1, 72 anos); "<i>Deus d&aacute; for&ccedil;a pra gente. Que tem um ditado: 'quem planta colhe'</i>" (Entrevistada 9, 73 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A maioria das entrevistadas "entrega para Deus" suas s&uacute;plicas, crises e sil&ecirc;ncios. Isso &eacute; consistente com um estudo que utilizou grupos focais para entender as preces de idosos e que concluiu que, &agrave; medida que envelhece, a pessoa gradualmente desloca-se de estrat&eacute;gias de enfrentamento mais ativas para outras mais passivas <sup>45</sup>. Essa "passividade" est&aacute; associada com desfechos negativos, incluindo maior sofrimento psicol&oacute;gico. Por outro lado, Krause et al. <sup>45</sup> argumentam que isso poderia significar uma f&eacute; amadurecida que consegue: (a) diferenciar aquilo que se pode mudar do que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel modificar; (b) concentrar esfor&ccedil;os em situa&ccedil;&otilde;es que podem ser modificadas; e (c) desprender-se emocionalmente daqueles aspectos de um problema fora de seu controle, focalizando-se na certeza de que, no fim, Deus assegurar&aacute; o melhor desfecho poss&iacute;vel. Desse modo, a religiosidade das esposas bambuienses revela certo fatalismo diante da situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o admite alternativa, al&eacute;m daquela que &eacute; prosseguir cuidando "como e at&eacute; quando Deus quiser". Essa cren&ccedil;a religiosa tampona sofrimentos individuais, mas tamb&eacute;m colabora para minimizar a responsabilidade social pelo cuidado e esconde a descren&ccedil;a nos aparelhos p&uacute;blicos existentes.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Fica a impress&atilde;o de que est&atilde;o ambos esquecidos, cuidador e quem precisa de cuidados, vivendo entre quatro paredes e, a seu modo, vivenciando a dura realidade da incapacidade funcional numa sociedade que n&atilde;o parece acreditar que est&aacute; envelhecendo, n&atilde;o cria aparelhos para fazer face ao desafio que representa cuidar de idosos que n&atilde;o envelheceram com sa&uacute;de.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A continuar dessa maneira, elas brevemente estar&atilde;o duplamente desassistidas: n&atilde;o encontram, no &acirc;mbito familiar, pessoas que possam assumir ou dividir o cuidado dos maridos e ser&atilde;o elas as pr&oacute;ximas a precisar de algu&eacute;m que cuide delas.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> De regra, as cuidadoras dizem que n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil cuidar do marido. Apenas uma delas admitiu dificuldades: "<i>ah, eu enfraqueci muito. Olhando uma pessoa assim doente assim, sozinha. Eu n&atilde;o era magra assim, n&atilde;o. Eu era gordinha, bonitinha</i>" (Entrevistada 1, 72 anos). Para as demais, as dificuldades s&atilde;o explicadas pelo seu pr&oacute;prio envelhecimento ou pela sua condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de. V&aacute;rios s&atilde;o os problemas de sa&uacute;de apontados, e os sintomas podem ser f&iacute;sicos e/ou psicol&oacute;gicos. "<i>Sou desanimada demais. Eu tenho problema nos p&eacute;s.</i> (...) <i>Eu tenho depress&atilde;o, eu tomo 'fluoxetina' direto</i>" (Entrevistada 6, 77 anos). Duas senhoras estiveram internadas, uma foi para a casa da vizinha e uma outra para a casa de uma tia. Esta &uacute;ltima afirma: <i>"igual o m&eacute;dico falou, eu j&aacute; machuquei meus bra&ccedil;os demais pra pelejar pra ele n&atilde;o machucar, pra ele n&atilde;o cair, n&eacute;?</i> (...) <i>Uma vez eu machuquei tanto que tive que ir pra casa da minha tia, pra ela tomar conta de n&oacute;s</i>" (Entrevistada 5, 74 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ainda que neguem explicitamente que seja dif&iacute;cil cuidar do marido e minimizem o impacto do papel de cuidadora em suas vidas, o relato de todas as entrevistadas demonstra o qu&atilde;o penoso pode ser o exerc&iacute;cio cotidiano desse papel. Uma entrevistada explica: "<i>&agrave;s vezes, outro olha a gente e acha que a gente 'vive' satisfeita com a vida, n&eacute;? Mas n&atilde;o, porque passa trabalho demais, mas a gente v&ecirc; os trabalho dos outros, a gente conforma, tamb&eacute;m, n&eacute;? Porque pensa n&atilde;o &eacute; s&oacute; eu que passo. Igual, &agrave;s vezes, eu penso pra qu&ecirc; eu fui fazer isso, pegar... essa, como diz, essa cruz, n&eacute;? A&iacute;, eu penso que vai levando... At&eacute; o dia que Deus quiser, n&eacute;?</i>" (Entrevistada 4, 73 anos).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O conjunto de relatos deixa claro n&atilde;o s&oacute; que a esposa deve cuidar, mas tamb&eacute;m que deve calar suas dores, ang&uacute;stias, medos. Queixar-se de cansa&ccedil;o, pedir ou aceitar ajuda, &eacute; negar-se a fazer o que lhe foi predestinado, o que n&atilde;o pode ser passado adiante nem compartilhado. A esposa que &eacute; respeitada e admirada n&atilde;o &eacute; a que admite os seus limites, mas aquela que cala seus sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es, que nega suas dores e que continua a cuidar do outro, por mais que para isso tenha que se sacrificar e abandonar o pr&oacute;prio cuidado. A ela n&atilde;o &eacute; permitido queixar-se. Ela deve continuar resignada, dar mostras de discri&ccedil;&atilde;o e de devo&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao marido &#150; este sim, doente, fr&aacute;gil e merecedor de toda a dedica&ccedil;&atilde;o. O relato de todas as esposas veicula um universo de valores e normas em que o sil&ecirc;ncio precisa ser mantido em respeito ao que se chama "dever" de esposa.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em raz&atilde;o    disso, a narrativa de todas revela muitas contradi&ccedil;&otilde;es. Uma mulher    expressa o prazer que sente em cuidar "do que &eacute; dela"; entretanto, fala    de sua tristeza: "<i>tenho prazer. Porque &eacute; meu mesmo, n&eacute;? Eu    tenho que aceitar.</i> (...) <i>N&atilde;o gosto de clamar com ningu&eacute;m.    Porque ningu&eacute;m &eacute; obrigado a suportar o mal do outro. Ent&atilde;o,    choro</i>" (Entrevistada 10, 90 anos). Outras minimizam o &ocirc;nus decorrente    do cuidado; no entanto, percebe-se certo descontentamento: "<i>agora at&eacute;    que n&atilde;o est&aacute; muito dif&iacute;cil n&atilde;o. N&atilde;o tem nada    dif&iacute;cil n&atilde;o. Solid&atilde;o como assim? &Eacute; tem dia que eu    fico assim contrariada. Principalmente os dias que t&aacute; armando chuva,    sabe?</i>" (Entrevistada 2, 59 anos). Uma delas diz que cuidar n&atilde;o interfere    porque a vida nunca foi f&aacute;cil: "<i>ah, boba, a vida da gente, toda vida    foi dif&iacute;cil, n&eacute;? Porque vida de gente pobre &eacute; dif&iacute;cil,    mas a gente vai levando, n&eacute;? Porque toda a vida a gente t&aacute; acostumado    com a trabalheira, n&eacute;? Sempre &eacute; a rotina</i>" (Entrevistada 9,    73 anos). Outra se atrapalha na avalia&ccedil;&atilde;o do que representa o    cuidado em sua vida, insistindo que o importante &eacute; o marido ainda estar    vivo: "<i>mas agora t&aacute; mais f&aacute;cil, n&eacute;?</i> (...) <i>Era    mais dif&iacute;cil, agora t&aacute; mais... Mas eu j&aacute; tive um tempo    mais f&aacute;cil pra mim com ele. Agora t&aacute; mais dif&iacute;cil, mas    j&aacute; teve mais ainda, sabe? Agora j&aacute; t&aacute; mais ou menos. Mas    j&aacute; passei trabalho, j&aacute; valeu, mas sabe que ainda agrade&ccedil;o    a Deus de eu inda ter ele comigo. Porque muitos que j&aacute; ajudou a carregar    ele, quantos j&aacute; morreram e ele t&aacute; a&iacute;</i>" (Entrevistada    5, 74 anos). Essas mulheres aprenderam desde crian&ccedil;as que ser esposa    &eacute; um papel integral, que exige discri&ccedil;&atilde;o, abnega&ccedil;&atilde;o,    resigna&ccedil;&atilde;o. Admitir a ajuda de um terceiro significa falhar na    integralidade e permitir um intruso na intimidade da casa. Outra pondera&ccedil;&atilde;o    &eacute; que o cuidado &eacute; di&aacute;rio e esse terceiro, por vezes, n&atilde;o    se disp&otilde;e a estar l&aacute; todos os dias. Para que algu&eacute;m, de    vez em quando, se o que vivo &eacute; rotina de todos os dias? Outro risco a    n&atilde;o ser corrido &eacute; o de pedir e n&atilde;o obter a ajuda. Fontes    irregulares de ajuda n&atilde;o s&atilde;o confi&aacute;veis (os profissionais    de sa&uacute;de do PSF, por exemplo). Por isso tamb&eacute;m, ser&aacute; Deus    &#150; aquele que nunca falta &#150; quem sempre &eacute; lembrado como &uacute;nico    ref&uacute;gio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Cuidar de um    marido idoso em Bambu&iacute;</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A an&aacute;lise    do conjunto de entrevistas revela que as mulheres de Bambu&iacute; cuidam de    seus maridos idosos de uma forma integral, cotidiana, intuitiva, improvisada    e solit&aacute;ria. Todas prestam cuidados ao idoso dependente, sem orienta&ccedil;&atilde;o    de profissionais e com grande car&ecirc;ncia de recursos p&uacute;blicos e sociais    de suporte. Para cuidar, elas lan&ccedil;am m&atilde;o de estrat&eacute;gias    de ordem material, institucional (ajuda profissional e da comunidade), psicol&oacute;gica    e m&iacute;stica. As exig&ecirc;ncias concretas desse cuidado integral tamb&eacute;m    interagem com a condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de do marido e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias    em termos de incapacidade funcional e de depend&ecirc;ncia; com as caracter&iacute;sticas    de quem &eacute; cuidado, com as limita&ccedil;&otilde;es de quem cuida &#150;    ditadas pelos processos paralelos de envelhecimento e adoecimento da cuidadora    &#150;, com situa&ccedil;&otilde;es de pen&uacute;ria social, experimentadas    ao longo de toda a vida, e com a aus&ecirc;ncia de suporte institucional e de    aparelhos p&uacute;blicos que pudessem facilitar o cuidado no domic&iacute;lio.    Tudo isso permeia as dificuldades no cuidado cotidiano e colabora para aumentar    o fardo das cuidadoras, bem como para prejudicar a efetividade das a&ccedil;&otilde;es    que elas realizam com o prop&oacute;sito de cuidar bem. Mesmo assim, elas tiveram    grande dificuldade em admitir que o cuidado signifique um fardo em suas vidas.    No relato das mulheres de Bambu&iacute;, a experi&ecirc;ncia de cuidar do marido    reflete mais um senso de obriga&ccedil;&atilde;o que de realiza&ccedil;&atilde;o    pessoal, mais uma sina do que uma escolha.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Diversos estudos demonstram que a carga de cuidado dos idosos dependentes recai desproporcionalmente sobre as mulheres <sup>35,37,38, 39,42</sup>. Apesar disso, elas raramente reconhecem muitas das tarefas que realizam como "cuidado <i>per si</i>", j&aacute; que envolvem trabalhos que elas realizaram ao longo de toda a vida (preparar a comida, fazer a faxina, lavar roupas) <sup>46</sup>. Isso foi corroborado neste estudo. Em Bambu&iacute;, todas as cuidadoras entrevistadas v&ecirc;em com naturalidade o fato de serem elas a cuidar de seus maridos, n&atilde;o questionam nem esperam que outros se ofere&ccedil;am para compartilhar o cuidado. A maioria n&atilde;o soube precisar quando come&ccedil;ou a cuidar do marido. A cultura lhes informa que o cuidado &eacute; indissoci&aacute;vel das tarefas de uma esposa.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A tend&ecirc;ncia a minorar ou, mesmo, a negar o fardo inerente ao exerc&iacute;cio do cuidado que marca todas as narrativas nos remete fortemente &agrave; cultura que define, de maneira espec&iacute;fica, o papel, as responsabilidades e as obriga&ccedil;&otilde;es da mulher e estabelece que cuidar de um idoso dependente &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o "natural" da esposa. Ela nos remete tamb&eacute;m a um conjunto de regras que regem as rela&ccedil;&otilde;es conjugais e de g&ecirc;nero na sociedade bambuiense, bem como a um universo religioso que sanciona regras sociais e modelos de comportamento e promete recompensar no futuro, em uma vida eterna e melhor.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Os estudos t&ecirc;m repetidamente revelado que cuidadores experimentam altos n&iacute;veis de estresse, fadiga <sup>38,41</sup> e que a sa&uacute;de do cuidador sofre <sup>37</sup>, havendo um maior risco de morbidade psiqui&aacute;trica e f&iacute;sica quando comparados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o geral e a grupos-controle <sup>21,22,47,48</sup>. Em Bambu&iacute;, todas as entrevistadas referiram-se &agrave; piora do estado de sa&uacute;de e uso cr&ocirc;nico de medicamentos, inclusive antidepressivos, hipn&oacute;ticos e ansiol&iacute;ticos. Todavia, elas n&atilde;o relacionam cuidado e agravamento da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de. Essa s&iacute;ntese causal mais uma vez n&atilde;o ocorre no discurso da maioria delas. Al&eacute;m disso, o cuidado com a pr&oacute;pria sa&uacute;de &eacute; negligenciado em prol do cuidado do idoso, na ilus&atilde;o de que tal sacrif&iacute;cio possa ajudar &#150; ao marido e a si mesma, em resposta &agrave; demanda por um cuidado integral e intransfer&iacute;vel.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ward-Griffin &amp; Marshall <sup>19</sup> discutem as mudan&ccedil;as na provis&atilde;o de cuidados para pessoas idosas fr&aacute;geis ou incapacitadas. Segundo esses autores, desde os anos 50, nos pa&iacute;ses industrializados, existe uma rede de seguridade social e um sistema formal de cuidado destinado a idosos com necessidades especiais. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, esses pa&iacute;ses assistiram &agrave; retra&ccedil;&atilde;o das provis&otilde;es estatais e a um retorno para a era de bem-estar primitivo, no qual o cuidado de longa perman&ecirc;ncia ao idoso &eacute; transferido para a fam&iacute;lia, mesmo para aquela popula&ccedil;&atilde;o mais cronicamente incapacitada. Atualmente, no Canad&aacute;, por exemplo, cerca de 90,0% do cuidado domicili&aacute;rio de idosos, com uma complexidade crescente, &eacute; assumido por cuidadores familiares <sup>49</sup>.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Essa reflex&atilde;o aumenta, ainda mais, a responsabilidade pela sistematiza&ccedil;&atilde;o do cuidado domicili&aacute;rio no nosso meio. Se os pa&iacute;ses com maiores recursos e com uma rede de seguridade social mais bem estruturada concluem que &eacute; necess&aacute;rio dar suporte &agrave; fam&iacute;lia para que ela cuide do idoso dependente, que dizer da nossa realidade em que essa preocupa&ccedil;&atilde;o nunca existiu? Em um estudo com fam&iacute;lias de baixa renda que prestavam cuidados a adultos com perda de independ&ecirc;ncia no Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, Brasil, de 1991 a 1995, mais de 90,0% das fam&iacute;lias n&atilde;o recebiam ajuda de servi&ccedil;os, organiza&ccedil;&otilde;es ou grupos volunt&aacute;rios e/ou ag&ecirc;ncias particulares; por&eacute;m, cerca de 30,0% delas confirmaram que, se pudessem receber tal aux&iacute;lio, ficariam satisfeitas <sup>25</sup>. Caso o cuidado ao idoso dependente continue sendo entendido como um cuidado a ser realizado pela mulher, &eacute; importante que se estabele&ccedil;am pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de assist&ecirc;ncia domicili&aacute;ria, com redu&ccedil;&atilde;o do &ocirc;nus do cuidado, com perspectivas de reabilita&ccedil;&atilde;o funcional e com maior orienta&ccedil;&atilde;o para as atividades rotineiras.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Finalmente, cabe    ressaltar que a pessoa que cuida de idosos nem sempre escolheu ser cuidador.    A necessidade de cuidar de um idoso decorre de uma imposi&ccedil;&atilde;o circunstancial    mais do que de uma escolha. A figura do cuidador informal emerge de rela&ccedil;&otilde;es    familiares, quase sempre fragilizadas pela presen&ccedil;a da doen&ccedil;a    e pelo que foi vivenciado, exigindo severos e profundos "arranjos" na organiza&ccedil;&atilde;o    e din&acirc;mica intrafamiliares para corresponder &agrave;s necessidades da    pessoa dependente. Comumente esses cuidadores n&atilde;o contam com conhecimentos    pr&eacute;vios e b&aacute;sicos para o desempenho de seu papel, em conson&acirc;ncia    com as necessidades do idoso funcionalmente dependente, muitas vezes por per&iacute;odos    prolongados. Essa &eacute; a realidade que assegura que idosos dependentes continuem    vivos. Essa realidade exige reconhecimento por parte dos &oacute;rg&atilde;os    p&uacute;blicos de sa&uacute;de, assist&ecirc;ncia social e esfor&ccedil;os    intersetoriais devem ser feitos para proporcionar um cuidado adequado a idosos    dependentes e &agrave;s pessoas que cuidam deles.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colaboradores</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">K. C. Giacomin    participou do delineamento do estudo, realizou e transcreveu todas as entrevistas,    desenvolveu a an&aacute;lise dos dados e foi a redatora principal do artigo.    E. Uch&ocirc;a orientou o delineamento do estudo, a discuss&atilde;o e an&aacute;lise    dos resultados e a revis&atilde;o cr&iacute;tica final do artigo. M. F. F. Lima-Costa    participou da discuss&atilde;o do delineamento do estudo e da reda&ccedil;&atilde;o    final do trabalho.</font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Instituto Brasileiro    de Geografia e Estat&iacute;stica. Censo demogr&aacute;fico, 2000. Rio de Janeiro:    Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica; 2002.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716968&pid=S0102-311X200500050002400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Russel R. In sickness and in health: a qualitative study of elderly men who care for wives with dementia. J Aging Stud 2001; 15:351-67.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716969&pid=S0102-311X200500050002400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Lima-Costa MF, Barreto S, Giatti L, Uchoa E. Desigualdade social e sa&uacute;de entre idosos brasileiros: um estudo baseado na <i>Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios</i>. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 19:745-57.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716970&pid=S0102-311X200500050002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Lima-Costa MF, Barreto SM, Giatti L. Condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, capacidade funcional, uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e gastos com medicamentos da popula&ccedil;&atilde;o idosa brasileira: um estudo descritivo baseado na <i>Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios</i>. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 19:735-43.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716971&pid=S0102-311X200500050002400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Caldas CP. Envelhecimento com depend&ecirc;ncia: responsabilidades e demandas da fam&iacute;lia. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 19:773-81.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716972&pid=S0102-311X200500050002400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Lima-Costa MF, Veras R. Sa&uacute;de p&uacute;blica e envelhecimento. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 19:700-1.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716973&pid=S0102-311X200500050002400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Ramos LR. Epidemiologia do envelhecimento. In: Freitas EV, Py L, N&eacute;ri AL, Gorzoni ML, Rocha SM, organizadores. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. p. 72-8.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716974&pid=S0102-311X200500050002400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Uch&ocirc;a E, Firmo JOA, Lima-Costa MF. Envelhecimento e sa&uacute;de: experi&ecirc;ncia e constru&ccedil;&atilde;o cultural. In: Minayo MCS, Coimbra Jr. CEA, organizadores. Antropologia, sa&uacute;de e envelhecimento. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2002. p. 25-50.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716975&pid=S0102-311X200500050002400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Guerra HL, Vidigall PG, Lima-Costa MF. Biomedical factors associated with hospitalization of older adults: The Bambu&iacute; Health and Aging Study (BHAS). Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 19:829-38.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716976&pid=S0102-311X200500050002400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Lima-Costa MF, Guerra HL, Barreto SM, Guimar&atilde;es RM. Diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o idosa brasileira: um estudo da mortalidade e das interna&ccedil;&otilde;es hospitalares p&uacute;blicas. Inf Epidemiol SUS 2000; 9:23-41.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716977&pid=S0102-311X200500050002400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lio) acesso e utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de 1998. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica; 2000.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716978&pid=S0102-311X200500050002400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. Rosa TEC, Ben&iacute;cio MHA, Latorre MRDO, Ramos LR. Fatores determinantes da capacidade funcional entre idosos. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica 2003; 37:40-8.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716979&pid=S0102-311X200500050002400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13. Stuck AE, Walthert JM, Nikolaus T, B&uuml;la CJ, Hohmann C, Beck JC. Risk factor for functional status decline in community-living elderly people: a systematic literature review. Soc Sci Med 1999; 48:445-69.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716980&pid=S0102-311X200500050002400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14. Gill TM, Williams CS, Richardson ED, Berkman LF, Tinetti ME. A preditive model for ADL dependence in community-living older adults based on a reduced set of cognitive status items. J Am Geriatr Soc 1997; 45:441-5.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716981&pid=S0102-311X200500050002400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15. Agree EM. The influence of personal care and assistive devices on the measurement of disability. Soc Sci Med 1999; 48:427-43.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716982&pid=S0102-311X200500050002400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16. H&eacute;bert R. La perte d'autonomie. Neurologie, Psychiatrie, G&eacute;riatrie 2003; 3:33-40.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716983&pid=S0102-311X200500050002400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17. N&eacute;ri AL, organizador. Cuidar de idosos no contexto da fam&iacute;lia: quest&otilde;es psicol&oacute;gicas e sociais. S&atilde;o Paulo: Al&iacute;nea; 2002.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716984&pid=S0102-311X200500050002400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18. Grundy E. The epidemiology of aging. In: Tallis RC, Fillit HM, editors. Brocklehurst' s textbook of geriatric medicine and gerontology. London: Churchill Livingstone; 1998. p. 1-18.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716985&pid=S0102-311X200500050002400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19. Ward-Griffin C, Marshall VW. Reconceptualizing the relationship between "public" and "private" eldercare. J Aging Stud 2003; 17:189-208.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716986&pid=S0102-311X200500050002400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20. Brasil. Portaria do Gabinete do Ministro de Estado da Sa&uacute;de de n. 1.395, de 9 de dezembro de 1999, que aprova a pol&iacute;tica nacional de sa&uacute;de do idoso e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Bras&iacute;lia: Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o 1999; 13 dez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716987&pid=S0102-311X200500050002400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21. Ducharme F. La chaire de recherche en soins infirmiers &agrave; la personne &acirc;g&eacute;e et &agrave; la famille: un programme visant &agrave; soutenir les familles par le d&eacute;veloppement d'approches de soins novatrices. La G&eacute;rontoise 2002; 13:13-6.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716988&pid=S0102-311X200500050002400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22. Canadian Study on Health and Aging. Patterns of caring for people with dementia in Canada. Can J Aging 1994; 13:470-87.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716989&pid=S0102-311X200500050002400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">23. Caldas CP. O idoso em processo de dem&ecirc;ncia: o impacto na fam&iacute;lia. In: Minayo MCS, Coimbra Jr. CEA, organizadores. Antropologia, sa&uacute;de e envelhecimento. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2002. p. 51-71.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716990&pid=S0102-311X200500050002400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">24. Santos SMA, Dalgalarrondo P. Familiarizando-se com o estranho e transpondo as barreiras culturais. Jornal Brasileiro de Neuropsiquiatria Geri&aacute;trica 2001; 2:74-8.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716991&pid=S0102-311X200500050002400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">25. Karsh UMS, organizador. Envelhecimento com depend&ecirc;ncia: revelando cuidadores. S&atilde;o Paulo: EDUC; 1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716992&pid=S0102-311X200500050002400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">26. Giacomin KC. Projeto Bambu&iacute;: um estudo de base populacional da preval&ecirc;ncia e dos fatores associados &agrave; necessidade de cuidador entre idosos &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais; 2004.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716993&pid=S0102-311X200500050002400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">27. Meyerhoff B, Simic A, editors. Life's career aging. Cultural variations on growing old. London: Sage Publications; 1978.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716994&pid=S0102-311X200500050002400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">28. Corin E. R&eacute;gards anthropologiques sur la veillesse. Anthropol Soc 1982; 6:63-90.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716995&pid=S0102-311X200500050002400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">29. Minayo MCS, Coimbra Jr. CEA. Entre a liberdade e a depend&ecirc;ncia: reflex&otilde;es sobre o fen&ocirc;meno social do envelhecimento. In: Minayo MCS, Coimbra Jr. CEA, organizadores. Antropologia, sa&uacute;de e envelhecimento. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz 2002; p. 11-24.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716996&pid=S0102-311X200500050002400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">30. Geertz C. The interpretation of cultures. New York: Basic Books Inc. Publishers; 1973.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716997&pid=S0102-311X200500050002400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">31. Uch&ocirc;a E. Espace d&eacute;volu, espace d&eacute;sir&eacute;, espace r&eacute;vendiqu&eacute;. Indiff&eacute;renciation et folie d'Ajaratou. Anthropol Soc 1993; 17:157-72.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716998&pid=S0102-311X200500050002400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">32. Uch&ocirc;a E, Vidal JM. Antropologia m&eacute;dica: elementos conceituais e metodol&oacute;gicos para uma abordagem da sa&uacute;de e da doen&ccedil;a. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 1994; 10:497-504.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=716999&pid=S0102-311X200500050002400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">33. Uch&ocirc;a E. Epidemiologia e antropologia: contribui&ccedil;&otilde;es dos aspectos transculturais da depress&atilde;o. In: Canesqui AM, organizador. Ci&ecirc;ncias sociais e sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: Editora Hucitec/Rio de Janeiro: ABRASCO; 1997. p. 87-109.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717000&pid=S0102-311X200500050002400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">34. Lima-Costa MF, Uch&ocirc;a E, Guerra HL, Firmo JOA, Vidigal PG, Barreto SM. The Bambu&iacute; Health and Aging Study (BHAS): methodological approach and preliminary results of a population-based cohort study of the elderly in Brazil. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica 2000; 34:126-35.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717001&pid=S0102-311X200500050002400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">35. Ducharme F, Trudeau D. Qualitative evaluation of a stress management intervention for elderly caregivers at home: a constructivist approach. Issues Ment Health Nurs 2002; 23:691-713.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717002&pid=S0102-311X200500050002400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">36. S&ouml;rensen S, Pinquart M, Duberstein P. How effective are interventions with caregivers? An updated meta-analysis. Gerontologist 2002; 42:356-72.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717003&pid=S0102-311X200500050002400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">37. Brewer L. Gender socialization and the cultural construction of elder caregivers. J Aging Stud 2001; 15:217-35.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717004&pid=S0102-311X200500050002400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">38. B&eacute;dard M, Pedlar D, Martin NJ, Malott O, Stones MJ. Burden in caregivers of cognitively impaired older adults living in community: methodological issues and determinants. Int Psychogeriatr 2000; 12:307-32.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717005&pid=S0102-311X200500050002400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">39. B&eacute;dard M, Molloy DW, Squire L, Dubois S, Lever JA, O'Donnell M. The Zarit Burden Interview: a new short version and screening version. Gerontologist 2001; 41:652-7.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717006&pid=S0102-311X200500050002400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">40. Noonan AE, Tennstedt SL, Rebelsky F. Making the best of it: themes of meaning among informal caregivers to the elderly. J Aging Stud 1996; 10: 313-27.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717007&pid=S0102-311X200500050002400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">41. Pearlin LI, Mullan JT, Semple SJ, Skaff MM. Caregiving and the stress process: an overview of concepts and their measures. Gerontologist 1990; 30:583-94.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717008&pid=S0102-311X200500050002400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">42. Zarit SH, Todd PA, Zarit JM. Relatives of the impaired elderly: correlates of feelings of burden. Gerontologist 1980; 20:649-55.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717009&pid=S0102-311X200500050002400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">43. Minayo MCS, organizador. Pesquisa social: teoria, m&eacute;todo e criatividade. S&atilde;o Paulo: Editora Hucitec/Rio de Janeiro: ABRASCO; 1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717010&pid=S0102-311X200500050002400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">44. Minayo MCS. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; metodologia de pesquisa social. In: Minayo MCS, organizador. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em sa&uacute;de. S&atilde;o Paulo: Editora Hucitec/Rio de Janeiro: ABRASCO; 1993. p. 19-89.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717011&pid=S0102-311X200500050002400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">45. Krause N, Chatters LM, Meltzer T, Morgan DL. Using focus groups to explore the nature of prayer in late life. J Aging Stud 2000; 14:191-212.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717012&pid=S0102-311X200500050002400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">46. Dwer J, Coward. Gender, families and elder care. Newbury Park: Sage Publications; 1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717013&pid=S0102-311X200500050002400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">47. Williamson GM, Schulz R. Coping with specific stressors in Alzheimer's disease caregiving. Gerontologist 1993; 33:747-55.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717014&pid=S0102-311X200500050002400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">48. Kruse A. Caregivers coping with chronic disease, dying and death of an aged family member. Rev Clin Gerontol 1991; 1:411-5.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717015&pid=S0102-311X200500050002400048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">49. Ducharme F, Perodeau G, Trudeau D. Perceptions, strategies adaptatives et attentes des femmes &acirc;g&eacute;es aidantes familiales dans la perspective du virage ambulatoire. Can J Ment Health 2000; 19:79-103.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=717016&pid=S0102-311X200500050002400049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back10"></a><a href="#top10"><img src="/img/revistas/csp/v21n5/seta.gif" border="0"></a>    <b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b><b>    <br>   </b>K. C. Giacomin    <br>   N&uacute;cleo de Estudos em Sa&uacute;de P&uacute;blica e Envelhecimento    <br>   Centro de Pesquisas Ren&eacute; Rachou, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz    <br>   Faculdade de Medicina    <br>   Universidade Federal de Minas Gerais    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Av. Augusto de Lima 1715    <br>   Belo Horizonte, MG 30190-002, Brasil    <br>   <a href="mailto:giacomin@cpqrr.fiocruz.br">giacomin@cpqrr.fiocruz.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 28/Jul/2004    <br>   Vers&atilde;o    final reapresentada em 18/Mar/2005    <br>   Aprovado    em 01/Abr/2005</font></p>       ]]></body><back>
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<collab>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística</collab>
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