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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0102-311X2006000700010</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho, escolaridade e saúde reprodutiva: um estudo etno-epidemiológico com jovens mulheres pertencentes a uma coorte de nascimento]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Work, schooling, and reproductive health: an ethno-epidemiological study of adolescent women belonging to a birth cohort]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[An ethno-epidemiological study was carried out with adolescent women who have been studied since birth. In 2001, all female adolescents from the 1982 Pelotas Birth Cohort were identified in 27% of all census tracts in Pelotas, Rio Grande do Sul State. Risk factors for childbearing during adolescence were investigated using a case-control approach. Cases (n = 420) were identified through the local live birth information system, and controls included 408 women who had not given birth by 2001. To understand social and cultural factors related to childbearing during adolescence, an ethnographic study focused on 23 young women from the case group. Work, schooling, sexuality, and reproductive health were analyzed using an ethno-epidemiological approach. Socioeconomic variables like work and schooling were strongly associated with childbearing in adolescence. An inverse linear association was observed between age at first dating and childbearing during adolescence (p < 0.001). Focusing on the contexts and social values (traditional and/or modern), pregnancy was: a positive consequence of an affective relationship with the partner; a way of exposing adolescent sexuality; and a means to achieve a certain social autonomy and other forms of social status within the age group.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Gravidez na Adolescência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>ARTIGO</B>  ARTICLE </FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><A name="top10"></A><B>Trabalho,  escolaridade e sa&uacute;de reprodutiva: um estudo etno-epidemiol&oacute;gico  com jovens mulheres pertencentes a uma coorte de nascimento</B></FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Work,  schooling, and reproductive health: an ethno-epidemiological study of adolescent  women belonging to a birth cohort</B></FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Helen  Gon&ccedil;alves; Denise Gigante</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">  Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Epidemiologia, Universidade  Federal de Pelotas, Relotas , Brasil</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><A href="#back10">Correspond&ecirc;ncia</A></FONT></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>    <P>&nbsp;</P><HR size="1" noshade>      <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>RESUMO</B>&nbsp;</FONT>  </P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 2001, realizou-se  em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, um estudo etno-epidemiol&oacute;gico com  mulheres jovens que residiam em 27% dos setores censit&aacute;rios da cidade,  pertencentes ao estudo de coorte dos nascidos em 1982. Os fatores associados &agrave;  gravidez juvenil foram investigados por meio de um estudo de caso-controle. Os  casos (n = 420) foram identificados pelo Sistema Nacional de Registro de Nascidos  Vivos e o grupo controle incluiu 408 jovens sem filhos. Para entender os fatores  e significados s&oacute;cio-culturais da gravidez at&eacute; 19 anos, o componente  etnogr&aacute;fico foi desenvolvido com 23 mulheres. Levando-se em conta a possibilidade  de complementa&ccedil;&atilde;o entre as duas abordagens utilizadas, foram privilegiados,  por sua import&acirc;ncia na juventude e na sua transi&ccedil;&atilde;o para a  fase adulta, trabalho, escolaridade, sexualidade e sa&uacute;de reprodutiva. Os  resultados demonstraram associa&ccedil;&atilde;o linear inversa entre a idade  do primeiro namoro e paridade (p &lt; 0,001). Priorizando os contextos e valores  sociais (tradicionais e/ou modernos), foi poss&iacute;vel compreender que a gravidez  &eacute; uma decorr&ecirc;ncia positiva do envolvimento afetivo com o companheiro;  exp&otilde;e a sexualidade juvenil; confere novo status no grupo e d&aacute; certa  autonomia social.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gravidez  na Adolesc&ecirc;ncia; Sexualidade; Escolaridade; Trabalho</FONT></P><HR size="1" noshade>      <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>ABSTRACT&nbsp;</B></FONT>  </P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">An ethno-epidemiological  study was carried out with adolescent women who have been studied since birth.  In 2001, all female adolescents from the 1982 Pelotas Birth Cohort were identified  in 27% of all census tracts in Pelotas, Rio Grande do Sul State. Risk factors  for childbearing during adolescence were investigated using a case-control approach.  Cases (n = 420) were identified through the local live birth information system,  and controls included 408 women who had not given birth by 2001. To understand  social and cultural factors related to childbearing during adolescence, an ethnographic  study focused on 23 young women from the case group. Work, schooling, sexuality,  and reproductive health were analyzed using an ethno-epidemiological approach.  Socioeconomic variables like work and schooling were strongly associated with  childbearing in adolescence. An inverse linear association was observed between  age at first dating and childbearing during adolescence (p &lt; 0.001). Focusing  on the contexts and social values (traditional and/or modern), pregnancy was:  a positive consequence of an affective relationship with the partner; a way of  exposing adolescent sexuality; and a means to achieve a certain social autonomy  and other forms of social status within the age group.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pregnancy  in Adolescence; Sexuality; Educational Status; Work</FONT></P><HR size="1" noshade>      <P>&nbsp;</P>    <P>&nbsp;</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  gravidez na adolesc&ecirc;ncia, 10-19 anos, tem assumido import&acirc;ncia crescente  no cen&aacute;rio da sa&uacute;de p&uacute;blica. Com o advento da AIDS, estudos  sobre sexualidade e sa&uacute;de reprodutiva juvenil ganharam maior destaque,  pois &eacute; nessa faixa et&aacute;ria que as pr&aacute;ticas sexuais e reprodutivas,  as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e os comportamentos de "risco" deviam  ser conhecidos e medidas preventivas tomadas <SUP>1</SUP>. Contudo, a transi&ccedil;&atilde;o  demogr&aacute;fica ocorrida nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas teceu outro olhar  para a sa&uacute;de reprodutiva juvenil. Com o aumento do n&uacute;mero de gravidezes  de jovens at&eacute; 19 anos e a redu&ccedil;&atilde;o da fecundidade em outras  faixas et&aacute;rias, as adolescentes passam a representar, proporcionalmente,  um percentual maior de mulheres que d&atilde;o &agrave; luz <SUP>2,3,4</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, comparando dois estudos de coortes de nascimentos,  1982 e 1993, observou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o no total de nascimentos  na cidade, principalmente entre as m&atilde;es com idade de 20 a 29 anos <SUP>5</SUP>.  Considerando o n&uacute;mero de nascimentos para o total de mulheres, em 1982  houve 81 nascimentos e em 1993, 60 nascimentos para cada mil mulheres de 10 a  49 anos. Entre os 10-19 anos, em 1982 houve 41 nascimentos por mil, em 1993 houve  38 por mil. A queda na fecundidade observada para o total da popula&ccedil;&atilde;o  feminina n&atilde;o atingiu as adolescentes, que proporcionalmente passaram a  representar uma maior fra&ccedil;&atilde;o de todos os nascimentos. Nesse contexto,  a gravidez na adolesc&ecirc;ncia ganha visibilidade e espa&ccedil;o de discuss&atilde;o  em v&aacute;rios meios. Passa a ser conceituada, principalmente nos &acirc;mbitos  biom&eacute;dicos, como fen&ocirc;meno ou problema social, que rompe com a sucess&atilde;o  esperada e naturalizada dos eventos e adquire car&aacute;ter de epidemia a ser  controlada <SUP>6,7,8</SUP>. H&aacute; tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es, a gravidez  na adolesc&ecirc;ncia n&atilde;o suscitaria qualquer m&aacute; surpresa desde  que vinculada ao matrim&ocirc;nio <SUP>9</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  in&iacute;cio cada vez mais precoce da vida sexual e o sexo fora do casamento  favorecem o tom moralista do discurso p&uacute;blico, agrupando os adolescentes  na onda dos comportamentos inconseq&uuml;entes modernos <SUP>10</SUP>. Cont&iacute;guo  &agrave; maternidade ou ao paridade juvenil questionam-se dois aspectos: o acesso  aos m&eacute;todos contraceptivos e uso destes, bem como a desvincula&ccedil;&atilde;o  do feminino com o lar, pelas possibilidades atuais de as mulheres se igualarem  e crescerem profissionalmente com os homens atrav&eacute;s dos estudos e/ou trabalho.  Engravidar e interromper os estudos na juventude ou n&atilde;o almejar uma independ&ecirc;ncia  pela profiss&atilde;o s&atilde;o comportamentos que quebram o paradigma da igualdade  entre g&ecirc;neros nas sociedades ocidentais urbanas, al&eacute;m de vincularem  o exerc&iacute;cio sexual &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o <SUP>4,11</SUP>. Portanto,  desagrupar dessa discuss&atilde;o o fato de a adolesc&ecirc;ncia/juventude estar  associada empiricamente &agrave; quebra de regras sociais e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o  de comportamentos propicia interpreta&ccedil;&otilde;es e julgamentos sob o enfoque  do erro ou do preju&iacute;zo <SUP>12,13</SUP>. Junto &agrave;s discuss&otilde;es  citadas, destaca-se a primazia do crit&eacute;rio et&aacute;rio para definir adolesc&ecirc;ncia  e a gravidez adolescente, tratando esse evento e suas decorr&ecirc;ncias como  algo pouco vari&aacute;vel e comum aos jovens <SUP>11,12,14,15,16</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais  recentemente, o ponto de vista dos jovens ganhou mais espa&ccedil;o nos estudos  com abordagem qualitativa <SUP>12,13,17,18</SUP>. Esses trabalhos relativizam  e apontam que a gravidez antecipa ou redimensiona alguns acontecimentos e posi&ccedil;&otilde;es  dos jovens na fam&iacute;lia, como reafirmar ou romper um la&ccedil;o afetivo;  refor&ccedil;ar o papel feminino da maternidade; instigar a r&aacute;pida transi&ccedil;&atilde;o  da juventude para a idade adulta, principalmente nas trajet&oacute;rias escolar-profissional  e familiar-residencial. Tamb&eacute;m colaboram para pensar a gravidez: (1) como  um desvio do projeto aut&ocirc;nomo das camadas m&eacute;dias &shy; no qual o  indiv&iacute;duo orienta seus comportamentos por regras e normas impessoais e  se classificam como iguais em termos de valor, ou (2) como uma reprodu&ccedil;&atilde;o  das condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-culturais e valorativas das camadas populares,  cujos indiv&iacute;duos s&atilde;o representados e identificados conforme a posi&ccedil;&atilde;o  que ocupam na hierarquia estratificada da sociedade &shy; nesse sistema holista  h&aacute; preemin&ecirc;ncia das considera&ccedil;&otilde;es do grupo e da fam&iacute;lia  sobre os indiv&iacute;duos <SUP>19,20</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora  a cronologiza&ccedil;&atilde;o da vida viabilize um tipo de di&aacute;logo entre  distintas disciplinas e seus resultados, &eacute; importante entend&ecirc;-la  na organiza&ccedil;&atilde;o social &shy; visto que h&aacute; v&aacute;rias juventudes  <SUP>21</SUP>. Neste trabalho, a juventude &eacute; assumida como um processo  social de transi&ccedil;&atilde;o, priorizando as trajet&oacute;rias biogr&aacute;ficas  de socializa&ccedil;&atilde;o, de escolha de parceiros, da fam&iacute;lia e de  entrada na vida adulta <SUP>11,12</SUP>. As idades e as classifica&ccedil;&otilde;es  et&aacute;rias servem como ponto de partida para compara&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas  e desconstru&ccedil;&otilde;es futuras, questionando uma vis&atilde;o mais estanque.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este  artigo tem como objetivo descrever um perfil de jovens mulheres com filhos e sem  filhos e analis&aacute;-lo com base na complementaridade entre dois tipos de abordagem:  quantitativa e qualitativa. Al&eacute;m da descri&ccedil;&atilde;o das associa&ccedil;&otilde;es  entre as que engravidaram e n&atilde;o engravidaram, h&aacute; uma discuss&atilde;o  sobre os significados sociais da gravidez na juventude. Levando-se em conta as  duas abordagens utilizadas, temas como trabalho, escolaridade, sexualidade e sa&uacute;de  reprodutiva foram privilegiados, por sua import&acirc;ncia na juventude e na transi&ccedil;&atilde;o  para a fase adulta.</FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>M&eacute;todos</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  presente pesquisa est&aacute; vinculada a um estudo de coorte das crian&ccedil;as  nascidas em 1982, em Pelotas <SUP>22</SUP>. Outros acompanhamentos, com distintos  crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o de amostra, ocorreram em anos posteriores  <SUP>23</SUP>. No acompanhamento de 2001, realizou-se um estudo etno-epidemiol&oacute;gico  com mulheres jovens que residiam em 27% dos setores censit&aacute;rios da cidade  e pertencentes ao estudo de coorte. Nesse acompanhamento, utilizou-se um question&aacute;rio  aplicado por entrevistadora e outro autoaplicado, abordando temas como sexualidade,  consumo de bebidas e drogas.</FONT></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os  fatores associados &agrave; gravidez at&eacute; os 19 anos foram investigados  por meio de um estudo de caso-controle <SUP>24</SUP>. Os casos foram identificados  atrav&eacute;s do Sistema Nacional de Registro de Nascidos Vivos (SINASC), constituindo  um grupo de jovens que tiveram filho at&eacute; 31 de mar&ccedil;o de 2001, pertencentes  &agrave; coorte de 1982. Valendo-se de visitas a todos os domic&iacute;lios localizados  nos setores trabalhados, formou-se o grupo controle, composto por mo&ccedil;as  que nunca tiveram uma gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute; a mesma data definida  para os casos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  componente etnogr&aacute;fico teve in&iacute;cio no mesmo ano, com objetivo de  compreender quais os significados sociais da gravidez na fase de vida em estudo  e suas implica&ccedil;&otilde;es nas trajet&oacute;rias biogr&aacute;ficas. Com  dura&ccedil;&atilde;o de nove meses, foram contatadas 26 jovens com n&uacute;mero  de filhos distintos, residentes em quatro setores censit&aacute;rios visitados  para a amostra caso-controle; todas as jovens pertencentes ao grupo dos casos,  residiam nesses locais de renda e infra-estrutura distintas, sendo dois de cada  camada: popular e m&eacute;dia. Um contato mais aprofundado ocorreu com 23 delas;  as tr&ecirc;s restantes se mostraram pouco receptivas, dificultando o acesso e  a intera&ccedil;&atilde;o, sendo ent&atilde;o exclu&iacute;das das an&aacute;lises.  Com todas as mo&ccedil;as, foi fact&iacute;vel manter no m&iacute;nimo tr&ecirc;s  encontros; com algumas os contatos foram maiores pela afinidade ou peculiaridade  dos casos. Os m&eacute;todos utilizados inclu&iacute;ram conversas informais,  entrevistas semi-estruturadas e observa&ccedil;&atilde;o oportuna, ocorridas nas  resid&ecirc;ncias das jovens ou durante lazer na casa dos familiares. Durante  o trabalho, dez m&atilde;es se colocaram dispon&iacute;veis para participar, colaborando  para uma vis&atilde;o moral e cultural das mudan&ccedil;as geracionais relativas  &agrave; sexualidade e juventude. Todo o material colhido (gravado e n&atilde;o  gravado) foi analisado. O estudo, com os dois componentes, foi submetido ao Comit&ecirc;  de &Eacute;tica da Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas, sendo  aprovado.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  que se refere &agrave; an&aacute;lise, o componente epidemiol&oacute;gico incluiu  regress&atilde;o log&iacute;stica n&atilde;o condicional para estudar a associa&ccedil;&atilde;o  entre trabalho, escolaridade e fatores reprodutivos e sexuais da jovem com a paridade.  Os resultados dessa an&aacute;lise s&atilde;o apresentados atrav&eacute;s das  <I>odds ratio</I> (OR) e seus respectivos intervalos de confian&ccedil;a. Todas  as associa&ccedil;&otilde;es foram tamb&eacute;m investigadas ap&oacute;s ajuste  para escolaridade da m&atilde;e da adolescente, obtida em 1982, considerada como  um bom indicador de situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da fam&iacute;lia no  in&iacute;cio da vida da jovem e tamb&eacute;m como importante determinante do  seu desenvolvimento biopsicossocial.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B><U>A  gravidez sob dois olhares</U></B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ressalta-se  que os resultados aqui apresentados referem-se &agrave;s jovens do sexo feminino  pertencentes &agrave; coorte de 82; portanto, a vis&atilde;o sobre seus relacionamentos,  parceiros e suas fam&iacute;lias &eacute; a feminina. O grupo controle foi constitu&iacute;do  por 411 adolescentes que nunca haviam tido uma gesta&ccedil;&atilde;o a termo  antes de 31 de mar&ccedil;o de 2001. O grupo de casos foi definido a partir do  SINASC do munic&iacute;pio onde foram identificadas 446 adolescentes, pertencentes  &agrave; coorte, que j&aacute; tiveram pelo menos um filho nascido antes dos vinte  anos de idade (mar&ccedil;o/2001), representando 16,2% do total de meninas nascidas  em 1982. Excluindo perdas e recusas (tr&ecirc;s controles e 26 casos), esse trabalho  entrevistou 408 controles e 420 casos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aproximadamente  75% dos casos tiveram uma gesta&ccedil;&atilde;o antes dos vinte anos, enquanto  25% tiveram duas ou mais gesta&ccedil;&otilde;es, fato comum a 103 delas: cinco  tiveram quatro gesta&ccedil;&otilde;es, vinte tiveram tr&ecirc;s e 78, duas gesta&ccedil;&otilde;es.  Metade das jovens teve seu primeiro filho antes de completar 17 anos e 29 (7%)  mulheres tiveram antes dos 15 anos. As 23 jovens contatadas pelo componente etnogr&aacute;fico  possu&iacute;am de 1-4 filhos at&eacute; a conclus&atilde;o do trabalho (2002).  Duas delas engravidaram do primeiro filho aos 13 anos; quatro aos 14; quatro aos  15; duas aos 16 e as demais ap&oacute;s 17 anos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B><U>Trabalho  e escolaridade</U></B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por  ser um evento importante, a gravidez na juventude adquire significados contextuais  e relacionais diversos, fundamentais nas trajet&oacute;rias biogr&aacute;ficas  das jovens. O eixo escolar-profissional &shy; fim dos estudos e inser&ccedil;&atilde;o  no mercado de trabalho &shy; aliado ao eixo familiar-conjugal &shy; sexualidade-casamento-filho  &shy; norteiam a transi&ccedil;&atilde;o da juventude para a vida adulta <SUP>11</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  grupo das jovens de classe popular, com at&eacute; tr&ecirc;s sal&aacute;rios  m&iacute;nimos, a exig&ecirc;ncia de ajuda aos familiares &eacute; mais precoce  do que para aquelas com melhores condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas. A metade  das mulheres investigadas trabalhou entre 2000/2001. As raz&otilde;es alegadas  mais comumente para terem trabalhado no &uacute;ltimo ano foram: ser independente  (79%); ajudar a fam&iacute;lia (45%) e ter experi&ecirc;ncia (22%). No entanto,  ter trabalhado no &uacute;ltimo ano (2000) n&atilde;o se mostrou associado ao  n&uacute;mero de filhos. Ao analisar a distribui&ccedil;&atilde;o de casos e controles  de acordo com as vari&aacute;veis relacionadas ao trabalho, observa-se uma maior  propor&ccedil;&atilde;o de casos exercendo alguma atividade do que de controles;  os casos come&ccedil;aram a trabalhar antes dos 15 anos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora  exercendo uma tarefa paga, 35% dos controles e 65% dos casos receberam algum tipo  de ajuda (dinheiro e/ou alimento) dos seus pais, dos av&oacute;s ou tios. O trabalho  dom&eacute;stico n&atilde;o foi diferente entre casos e controles. Lavar lou&ccedil;a  e roupa, preparar comida, limpar a casa, cuidar de crian&ccedil;as e pagar contas  foram as atividades mais citadas pelas mulheres estudadas.</FONT></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  estudo qualitativo percebeu-se que, se o dinheiro n&atilde;o ajuda nas despesas  familiares, ele &eacute; empregado nos gastos pessoais. Nos contextos etnografados  de menor poder s&oacute;cio-econ&ocirc;mico (n = 13), o trabalho, aos 18-19 anos,  torna-se mais valorizado do que o aumento do n&iacute;vel de escolaridade, visto  que a responsabilidade com o filho requer delas e dos parceiros um encargo tamb&eacute;m  financeiro, com o qual nem sempre os familiares podem arcar. No entanto, idealmente,  nas falas das jovens e das m&atilde;es, os estudos ocupam uma posi&ccedil;&atilde;o  importante, mas que pode ser redefinida conforme as situa&ccedil;&otilde;es se  apresentem. O primeiro ano de vida do filho, segundo as jovens e suas m&atilde;es,  &eacute; um per&iacute;odo em que se exige delas que fiquem pr&oacute;ximas da  crian&ccedil;a, como parte do processo de aprendizagem e aquisi&ccedil;&atilde;o  de responsabilidades.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  associa&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas entre trabalho e ter filho(s) mantiveram  a signific&acirc;ncia ao fazer uma an&aacute;lise ajustada para a escolaridade  da m&atilde;e da jovem, com uma discreta diminui&ccedil;&atilde;o nas OR, sugerindo  que a associa&ccedil;&atilde;o entre trabalho e gravidez at&eacute; os 19 anos  independe da escolaridade materna. Por outro lado, h&aacute; uma menor propor&ccedil;&atilde;o  de jovens do grupo dos casos trabalhando no &uacute;ltimo ano, mostrando, tamb&eacute;m  na an&aacute;lise ajustada, uma chance 60% menor de as jovens com filhos estarem  trabalhando fora de casa. Ter filho(s) pequeno(s) reduz muito as chances de poderem  trabalhar oito horas di&aacute;rias, pois requer coopera&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m  para cuidar da(s) crian&ccedil;a(s). &Eacute; importante considerar que os componentes  "quali-quanti" se desenvolveram durante o ano de 2001, &eacute;poca em que mais  jovens tiveram filhos ou estavam com eles pequenos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nas  entrevistas aprofundadas, investigaram-se igualmente atitudes referentes ao trabalho  e estudo antes da gravidez. Atividades que socializam para a maternidade e o lar  (cuidar de beb&ecirc;s de vizinhas/parentes, faxinas) eram freq&uuml;entemente  executadas pelas jovens mais pobres, compondo uma dupla exig&ecirc;ncia. Valorizar  e conciliar trabalho e estudo da mesma forma n&atilde;o &eacute; uma tarefa simples  e t&atilde;o recorrente entre as jovens, nem mesmo antes da gravidez. Esse quadro  se torna mais complexo depois do nascimento do filho, conforme o contexto, por  um tempo maior ou menor. Nesse per&iacute;odo, elas diminuem ou interrompem o  ritmo de suas atividades fora do lar e na escola. Algumas mo&ccedil;as dos dois  segmentos sociais estudados, por n&atilde;o terem outras op&ccedil;&otilde;es  ou por solicita&ccedil;&atilde;o do companheiro, dedicam-se mais &agrave; nova  fam&iacute;lia do que &agrave; procura de um trabalho fora de casa. Tal situa&ccedil;&atilde;o  mant&eacute;m e estimula a coopera&ccedil;&atilde;o familiar, como a ajuda financeira  destacada pelos dados quantitativos.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depois  do nascimento da crian&ccedil;a, poucas jovens de camada popular ganharam apoio  incondicional da fam&iacute;lia para dar continuidade aos seus estudos. Analisando  as passagens das falas dos familiares lembradas pelas jovens, ficou claro que  essas mo&ccedil;as foram "chamadas" em primeiro plano a atender suas tarefas maternas  e conjugais; os estudos s&atilde;o da ordem das imposi&ccedil;&otilde;es sociais  que se podem recuperar com o tempo. Ainda alusivo &agrave; volta aos estudos,  s&atilde;o comuns os coment&aacute;rios sobre o que a conviv&ecirc;ncia com outros  jovens pode trazer de negativo para o casal &shy; por n&atilde;o ser virgem, ela  pode usar esse "atributo" e cometer um erro moral, que atingiria a fam&iacute;lia  e a ela <SUP>13,14</SUP>. Nesse sentido, a uni&atilde;o com o pai do filho, geralmente  com pouco n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o escolar, passa a ser mais valorizada  pela fam&iacute;lia e por ela; conseq&uuml;entemente, o peso desse valor recai  sobre o casamento e as atividades como m&atilde;e. Esse processo as empurra para  mais longe da escola e dos estudos como objetivos imediatos de ascens&atilde;o  ou independ&ecirc;ncia e individualiza&ccedil;&atilde;o <SUP>13</SUP>. Mas n&atilde;o  &eacute; s&oacute; de estigmas que uma gravidez na adolesc&ecirc;ncia ou juventude  se cerca; novos v&iacute;nculos se criam, outros se renovam e alguns s&atilde;o  de car&aacute;ter permanente <SUP>18</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com  exce&ccedil;&atilde;o de uma, as jovens de camada m&eacute;dia (n = 10) n&atilde;o  trabalhavam antes de engravidar. Eram estudantes afinadas com as id&eacute;ias  de continuarem com os estudos at&eacute; a universidade. Apenas uma prestou vestibular  depois da gravidez. Essas jovens se mostraram mais propensas a relacionar os estudos  &agrave; necessidade de um ganho mais imediato atrav&eacute;s do trabalho, podendo  com isso adquirir certa autonomia perante os pais. Essa importante "associa&ccedil;&atilde;o"  entre estudo, trabalho e fam&iacute;lia se enfraqueceu ao engravidarem &shy; as  ajudas, geralmente em dinheiro, dos companheiros e dos familiares suprimiram parte  das necessidades de consumo, mas n&atilde;o totalmente de autonomia. A diferen&ccedil;a  se apresenta na forma como se sentiam respons&aacute;veis pela crian&ccedil;a.  Todavia, com o crescimento da crian&ccedil;a a fam&iacute;lia volta a incentivar  com mais const&acirc;ncia o retorno aos estudos e/ou ao trabalho. S&atilde;o tamb&eacute;m  essas jovens que referiram maior vontade e possibilidade de seguir um projeto  aut&ocirc;nomo-familiar e procuravam exercer uma rela&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero  mais igualit&aacute;ria em suas rela&ccedil;&otilde;es, apesar da resist&ecirc;ncia  de seus parceiros, que possuem n&iacute;vel escolar mais elevado que os das jovens  de camada popular.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na  an&aacute;lise quantitativa, no que tange ao estudo, os reflexos maiores parecem  recair sobre as jovens que tiveram filhos (<A href="/img/revistas/csp/v22n7/10t1.gif">Tabela  1</A>). Enquanto 76% das adolescentes do grupo controle completaram nove ou mais  anos de escolaridade, essa propor&ccedil;&atilde;o foi de 28% entre aquelas que  foram m&atilde;es. Um risco maior de ter menos anos de escolaridade pode ser constatado  entre os casos atrav&eacute;s dos resultados da an&aacute;lise ajustada, que mostra  OR de 7,8 e 6,6 para mulheres com at&eacute; quatro anos e com cinco a oito anos  de escolaridade, respectivamente. Esses resultados, no entanto, n&atilde;o s&atilde;o  suficientes para avaliar o n&iacute;vel de escolaridade como precedente ou conseq&uuml;ente  &agrave; gravidez na adolesc&ecirc;ncia. No grupo das 23 jovens do estudo qualitativo,  oito delas cursaram o ensino m&eacute;dio (apenas uma o completou) e 15 o ensino  fundamental (quatro o conclu&iacute;ram). Compreendendo as que completaram o ensino  m&eacute;dio, foi comum ouvir o discurso sobre as dificuldades existentes de ganhar  dinheiro at&eacute; para quem tem faculdade. &Eacute; fundamental entender que  a quase totalidade das jovens com menor escolaridade possu&iacute;a uma hist&oacute;ria  escolar com repet&ecirc;ncias, mudan&ccedil;as de turnos e de educand&aacute;rio  em virtude de diferentes acontecimentos familiares ou pessoais que interferiram  nessa trajet&oacute;ria.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pretens&atilde;o escolar depois da gravidez e analisando  somente o grupo de casos, observa-se que a diferen&ccedil;a da pretens&atilde;o  escolar foi menor (dados n&atilde;o apresentados) naquelas que tiveram dois ou  mais filhos: enquanto cerca de 30% n&atilde;o quer mais estudar, 27% aspiram completar  o ensino fundamental. Essa pretens&atilde;o mostra uma associa&ccedil;&atilde;o  com a renda familiar atual &shy; com desvantagem para o grupo com renda de at&eacute;  tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos. Grande parte daquelas que pretendem  apenas concluir o ensino fundamental tem de um a quatro anos de escolaridade e,  no m&iacute;nimo, duas repeti&ccedil;&otilde;es de s&eacute;rie. Esses dados tomam  outra dimens&atilde;o se analisados sob a &oacute;tica do grupo familiar a que  pertencem. Enquanto aproximadamente 80% do grupo controle pretende cursar a universidade,  essa propor&ccedil;&atilde;o &eacute; de 33% entre as inclu&iacute;das no grupo  de casos. Al&eacute;m disso, n&atilde;o pretender estudar esteve associado ao  aumento na OR (12 vezes) de ser m&atilde;e at&eacute; 19 anos. Por outro lado,  h&aacute; que se registrar que dificilmente a gravidez juvenil n&atilde;o ser&aacute;  um dos motivos ou um dos fatores de interrup&ccedil;&atilde;o dos estudos quando  se pesquisam jovens estudantes e quando a vis&atilde;o da juventude &eacute; tamb&eacute;m  a estudantil.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B><U>Rela&ccedil;&otilde;es  afetivo-sexuais e reprodutivas</U></B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  jovens que tiveram um ou mais filhos t&ecirc;m uma trajet&oacute;ria afetivo-sexual  semelhante. S&atilde;o mulheres que come&ccedil;aram a "ficar", namorar e ter  rela&ccedil;&otilde;es sexuais mais cedo, e seus primeiros namorados s&atilde;o  mais mo&ccedil;os que os do grupo controle. Para aproximadamente 68% das jovens  que engravidaram, o primeiro intercurso sexual ocorreu ao redor dos 15 anos, em  uma rela&ccedil;&atilde;o de namoro &shy; neste caso, o primeiro namorado tamb&eacute;m  foi o primeiro parceiro sexual (77% nos controles e 68% nos casos). No grupo controle  esse mesmo comportamento &eacute; comum a 57% delas. O parceiro da primeira gravidez  foi o primeiro namorado em 40% dos casos. Esses dados inicialmente ressaltam que  o intercurso sexual &eacute; um evento importante para as jovens para sagrar uma  rela&ccedil;&atilde;o <SUP>1</SUP>. O namoro mais prolongado e o n&iacute;vel  de escolaridade menor do namorado foram observados em maiores propor&ccedil;&otilde;es  nos casos &shy; grupo de menores condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-econ&ocirc;micas.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  associa&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas com algumas vari&aacute;veis reprodutivas  e afetivo-sexuais podem ser observadas na <A href="/img/revistas/csp/v22n7/10t2.gif">Tabela  2</A>. Verifica-se uma forte associa&ccedil;&atilde;o linear inversa entre idade  do primeiro namoro e paridade at&eacute; 19 anos, e, conseq&uuml;entemente, como  seria esperado, observa-se uma associa&ccedil;&atilde;o nesse mesmo sentido para  idade na primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual e paridade. Ter tido o primeiro  namorado e a primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual at&eacute; os 13 anos de idade  aumenta as chances de paridade juvenil de 12 e 20 vezes na OR, respectivamente.</FONT></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  componente etnogr&aacute;fico foi poss&iacute;vel perceber que o intercurso sexual  na adolesc&ecirc;ncia, assim como a gravidez, adquire sentidos diferentes conforme  a hist&oacute;ria de vida dessas jovens. Ficou igualmente evidente que ter e querer  ter uma rela&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; um argumento inicialmente masculino  &shy; para elas e para eles (na vis&atilde;o feminina) &eacute; algo culturalmente  exigido <SUP>25</SUP>. No entanto, para essas jovens &eacute; tamb&eacute;m um  modo sutil de falarem de suas vontades e justificarem socialmente o sexo pelo  sexo ou pelo v&iacute;nculo do namoro. Segundo as mo&ccedil;as, ceder ou n&atilde;o  ao envolvimento f&iacute;sico mais &iacute;ntimo durante essa rela&ccedil;&atilde;o  faz parte do jogo de conquista e da imagem feminina que querem ou sabem passar  para os pares. O fato de mais jovens terem se iniciado sexualmente com o primeiro  namorado sugere que nessa negocia&ccedil;&atilde;o h&aacute; outros fatores envolvidos  <SUP>25</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As  mo&ccedil;as que engravidaram antes dos 19 anos, sobretudo as com mais de um filho,  demonstraram ter, nas entrevistas aprofundadas, uma perspectiva rom&acirc;ntica  do namoro e de sua participa&ccedil;&atilde;o nele <SUP>26</SUP>. Essa forma de  vivenciar suas rela&ccedil;&otilde;es &shy; em algum n&iacute;vel &shy; minimiza  o ideal moderno e juvenil de igualdade entre sexos <SUP>27</SUP>. Durante o namoro  e a coabita&ccedil;&atilde;o, colocam-se pouco mais ou pouco menos submissas aos  parceiros; fixam-se em regras que ainda conservam das tradi&ccedil;&otilde;es  hier&aacute;rquicas de g&ecirc;nero e da preocupa&ccedil;&atilde;o moral: o que  os outros v&atilde;o pensar? Por&eacute;m, paradoxalmente, transar com o namorado  as aproxima das pr&aacute;ticas atuais de relacionamento afetivo e de liberdade  sexual, n&atilde;o se sentindo t&atilde;o distantes da modernidade. A ado&ccedil;&atilde;o  de comportamentos modernos <I>versus</I> manuten&ccedil;&atilde;o de tradi&ccedil;&otilde;es  &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o que envolve valores moral-sociais e geracionais  <SUP>20</SUP>. A distin&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o, se d&aacute; pela forma  como as negocia&ccedil;&otilde;es s&atilde;o travadas e como as concess&otilde;es  s&atilde;o consideradas durante o namoro. O contr&aacute;rio seria moralmente  perigoso e dificultaria a inclus&atilde;o no mercado matrimonial. A combina&ccedil;&atilde;o  de experi&ecirc;ncias pr&eacute;-matrimoniais e coabita&ccedil;&otilde;es, de  inicia&ccedil;&otilde;es precoces e rela&ccedil;&otilde;es duradouras, relatadas  pela literatura sobre juventude contempor&acirc;nea <SUP>28</SUP>, s&oacute; foram  vivenciadas em dois casos do qualitativo &shy; mo&ccedil;as de camada popular  que n&atilde;o mantinham qualquer rela&ccedil;&atilde;o amorosa com o pai do filho.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  contexto moderno e/ou tradicional-rom&acirc;ntico, a preven&ccedil;&atilde;o da  gravidez est&aacute;, tamb&eacute;m, atrelada &agrave; eventualidade das rela&ccedil;&otilde;es  sexuais e &agrave;s vis&otilde;es de mundo <SUP>11,20</SUP>. Um n&uacute;mero  grande de mulheres desconhece a gama de m&eacute;todos contraceptivos dispon&iacute;veis  para evitar uma gravidez. O conhecimento de alguns m&eacute;todos anticoncepcionais,  como a tabelinha, diafragma e preservativo feminino mostraram prote&ccedil;&atilde;o  para paridade at&eacute; 19 anos no estudo caso-controle. Por outro lado, o conhecimento  sobre inje&ccedil;&atilde;o para anticoncep&ccedil;&atilde;o esteve associado  a um aumento superior a cinco vezes a OR de ter filho antes da idade investigada.  A propor&ccedil;&atilde;o de recusa da rela&ccedil;&atilde;o sexual por falta  de preservativo foi maior entre as que n&atilde;o tiveram filhos, e o uso de anticoncepcional  oral foi maior entre as que tiveram filho &shy; ressalta-se para os casos em que  os dados referem-se ao momento posterior a gravidez.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m  pode ser observado na <A href= "/img/revistas/csp/v22n7/10t2.gif">Tabela 2</A> que a utiliza&ccedil;&atilde;o  de preservativo masculino, tanto na primeira como na &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o  sexual, esteve fortemente associado &agrave; ocorr&ecirc;ncia de filhos at&eacute;  19 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;todos anticoncepcionais utilizados  na primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual, observa-se que o uso de anticoncepcional  oral ou da tabelinha foram protetores para a paridade no grupo controle. A chance  de paridade na juventude foi aumentada com uma OR de 1,5 para utiliza&ccedil;&atilde;o  de anticoncepcional oral na &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o sexual. O coito  interrompido foi uma pr&aacute;tica utilizada com maior freq&uuml;&ecirc;ncia  pelo grupo dos casos (32%). As mulheres que usavam algum m&eacute;todo na &eacute;poca  da primeira gravidez apontaram a p&iacute;lula e o preservativo masculino como  os que usavam e que "n&atilde;o funcionaram". Cerca de 20% das mulheres do grupo  dos casos relataram n&atilde;o estar usando contraceptivos no per&iacute;odo da  primeira gravidez.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Retomando  as lembran&ccedil;as da &eacute;poca da inicia&ccedil;&atilde;o sexual em entrevistas  semi-estruturadas, para a maioria delas, sem distin&ccedil;&atilde;o de segmento  social, ficou evidente que, por n&atilde;o se perceberem como mulheres sexualmente  ativas, foram pouco freq&uuml;entes os cuidados para n&atilde;o engravidarem.  Nestes casos, os riscos fazem parte do processo de experimenta&ccedil;&atilde;o  afetivo-sexual. Tal como no inqu&eacute;rito quantitativo, a p&iacute;lula, a  camisinha e o coito interrompido s&atilde;o os m&eacute;todos mais lembrados por  todas. Os anticoncepcionais orais s&atilde;o rememorados como causadores de efeitos  desagrad&aacute;veis e da obriga&ccedil;&atilde;o de ingest&atilde;o di&aacute;ria.  O preservativo masculino nem sempre &eacute;, de fato, utilizado pelo parceiro,  que alega desconforto e diminui&ccedil;&atilde;o da sensibilidade. Assim, o coito  interrompido &eacute; o m&eacute;todo mais usado &shy; fato que n&atilde;o foi  concordante com o inqu&eacute;rito domiciliar, pois alegam usar o anticoncepcional  oral mais que outros m&eacute;todos. Cabe lembrar que as perguntas n&atilde;o  eram autoaplicadas, o que pode ter ocasionado diferen&ccedil;as entre os dois  componentes da pesquisa.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  entanto, a ingest&atilde;o n&atilde;o di&aacute;ria e a instabilidade das rela&ccedil;&otilde;es  de namoro interferem na regularidade da utiliza&ccedil;&atilde;o de anticoncepcional  oral, invalidando a efici&ecirc;ncia do m&eacute;todo. Por outro lado, ter rela&ccedil;&otilde;es  sexuais n&atilde;o &eacute; o mesmo que ter condi&ccedil;&otilde;es de discutir  com o parceiro a utiliza&ccedil;&atilde;o de algum tipo de contracep&ccedil;&atilde;o  <SUP>29</SUP> &shy; ponto concordante entre as 23 jovens. Tal discuss&atilde;o  pressup&otilde;e a inten&ccedil;&atilde;o de se manter uma rela&ccedil;&atilde;o  duradoura enquanto isso n&atilde;o est&aacute; claro para os dois, exige tempo  &shy; preferencialmente quando est&atilde;o mais seguras com o namoro. A rela&ccedil;&atilde;o  sexual ocorre no momento em que elas n&atilde;o se sentem aptas a falarem sobre  contraceptivos. Portanto, quando poss&iacute;vel, &eacute; mais simples utilizar  o preservativo masculino ou o coito interrompido &shy; m&eacute;todos que n&atilde;o  as delatam &agrave; fam&iacute;lia, at&eacute; que a gravidez aconte&ccedil;a.  Al&eacute;m disso, &eacute; fundamental que os namorados entendam que elas conservam  certa ingenuidade e integridade, como sin&ocirc;nimos de pureza sexual. Esse comportamento  as diferencia de outras &shy; j&aacute; que h&aacute; aquelas para namorar (e  transar) e (s&oacute;) para transar. Diante desses fatores, "<I>a preocupa&ccedil;&atilde;o  principal n&atilde;o &eacute; a de se proteger de uma gravidez, mas de consolidar  um la&ccedil;o/alian&ccedil;a</I>", como apontou Bozon &amp; Groupe GRAVAD <SUP>30</SUP>.  Para a maior parte das jovens, ter filhos &eacute; uma decorr&ecirc;ncia do envolvimento  afetivo com o companheiro; um evento positivo; uma forma de concretizar ou falar  da sexualidade; uma possibilidade de ganhar novo status no grupo e de ter alguma  ou outra autonomia social; &eacute;, igualmente, uma &eacute;poca de visibilidade,  questionamentos, mudan&ccedil;as e decis&otilde;es. Parte dessa valoriza&ccedil;&atilde;o  pode ser avaliada no grupo dos casos: na &eacute;poca da primeira gesta&ccedil;&atilde;o,  26% das jovens mencionaram querer engravidar, 61% ainda estavam com o companheiro  da primeira gravidez e 93% relataram ter "curtido" essa gravidez.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro  ponto importante mencionado pelas jovens que engravidaram &eacute; a expectativa  dos familiares quanto ao seu futuro amoroso. Em decorr&ecirc;ncia dessa preocupa&ccedil;&atilde;o,  todas as mo&ccedil;as &shy; especialmente do segmento popular &shy; sentiram-se  pressionadas a namorar "s&eacute;rio". Esse dado demarcou uma diferen&ccedil;a  estatisticamente significativa (p = 0,005) entre casos e controles; as jovens  com filhos se sentiram mais pressionadas a namorar s&eacute;rio e a casar do que  as sem filhos. A fala de uma m&atilde;e &eacute; exemplar: "<I>Eu acho que devem  arrumar um namorado e namorar. Mas &eacute; que hoje em dia os rapazes n&atilde;o  querem nada com nada. Ent&atilde;o, quando &#91;elas&#93; arrumam um namorado  bom tem que ver se &#91;o namoro&#93; se firma. Porque isso de ficar &eacute;  muito chato</I>" (m&atilde;e de camada m&eacute;dia).</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre  as m&atilde;es entrevistadas, cuja maioria (n = 7) possui um n&iacute;vel escolar  menor e uma hist&oacute;ria de vida pautada pelo zelo dom&eacute;stico, todas  entendem que os "tempos mudaram". Na vis&atilde;o delas, o universo feminino &eacute;  o respons&aacute;vel pela moralidade e funcionamento da fam&iacute;lia. Logo,  o exerc&iacute;cio sexual feminino pode estar muito pr&oacute;ximo da promiscuidade  <SUP>4,11</SUP>. Todavia, os dados quantitativos revelam que o n&uacute;mero de  parceiros sexuais relatado por todas as mulheres entrevistadas n&atilde;o sugere  um comportamento prom&iacute;scuo. Mais da metade das jovens casos e das do grupo  controle tiveram, at&eacute; 19 anos, dois parceiros sexuais (65 e 72% respectivamente).  Em n&iacute;vel nacional, por exemplo, os dados da pesquisa realizada pela Unesco  s&atilde;o semelhantes: jovens de 14 capitais relatam contatos sexuais com um  parceiro e n&atilde;o com v&aacute;rios <SUP>31</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O  controle parental sobre a sociabilidade e sexualidade juvenil parece ter, ao menos,  duas fun&ccedil;&otilde;es: cristalizar valores do grupo e preparar as mo&ccedil;as  para se posicionarem em face de uma modernidade que fa&ccedil;a sentido no seu  meio.</FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Considera&ccedil;&otilde;es  finais</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  que se refere &agrave; poss&iacute;vel limita&ccedil;&atilde;o dos resultados,  deve-se salientar que as informa&ccedil;&otilde;es sobre conhecimento e uso de  m&eacute;todos anticoncepcionais na &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o foram  obtidas no acompanhamento de 2001, quando as mo&ccedil;as inclu&iacute;das no  grupo de casos j&aacute; haviam experimentado a maternidade. Entretanto, espera-se  que o crit&eacute;rio de temporalidade possa ser atendido na associa&ccedil;&atilde;o  entre o uso de anticoncepcional na primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual e paridade.  A possibilidade de vi&eacute;s de mem&oacute;ria na obten&ccedil;&atilde;o de  informa&ccedil;&otilde;es sobre a primeira rela&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o  deve ser descartada, da mesma forma que os resultados quantitativos dizem respeito  ao n&uacute;mero de filhos e n&atilde;o &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute;  os 19 anos. Muitas meninas podem ter engravidado e sofrido abortamentos espont&acirc;neos  ou induzidos que n&atilde;o foram dimensionados ou relatados no inqu&eacute;rito  domiciliar.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste  estudo, dentre as meninas nascidas em 1982 em Pelotas, 16,2% foram m&atilde;es  at&eacute; seus 19 anos. Grande parte das gesta&ccedil;&otilde;es ocorreu em rela&ccedil;&otilde;es  de namoro, mas mais da metade delas permaneciam com o companheiro da primeira  gesta&ccedil;&atilde;o &shy; consolidando a uni&atilde;o a partir da gravidez  e mudan&ccedil;as em alguns planos das jovens, na maioria das vezes consideradas  positivas. A inten&ccedil;&atilde;o de engravidar para estabelecer um v&iacute;nculo  permanente com o parceiro n&atilde;o fora relatado como sendo algo intencional.  Ao contr&aacute;rio, enquadrado no contexto feminino das rela&ccedil;&otilde;es  afetivas e sexuais, o engravidamento na juventude fala de modelos de intera&ccedil;&otilde;es  entre jovens, de pap&eacute;is de g&ecirc;nero, de valores de segmento social,  da coexist&ecirc;ncia e mescla de tradi&ccedil;&otilde;es e modernismos, bem como  de preceitos geracionais <SUP>10,32,33</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  vis&atilde;o de que a gravidez na adolesc&ecirc;ncia/juventude &eacute; um problema  de sa&uacute;de p&uacute;blica, al&eacute;m de associar os jovens &agrave; imagem  de inconseq&uuml;entes, n&atilde;o pondera que os efeitos cumulativos da exclus&atilde;o  social e econ&ocirc;mica sobre a sa&uacute;de das m&atilde;es e seus beb&ecirc;s,  em qualquer idade, &eacute; que torna esse evento um problema <SUP>34</SUP>, ou  mesmo que ele pode ser um entrave &agrave; luta de anos de grupos de mulheres  que requerem igualdade entre homens e mulheres em todos os aspectos da vida <SUP>11</SUP>.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A  escolaridade &eacute; outro importante aspecto a ser repensado <SUP>35</SUP>.  A rela&ccedil;&atilde;o do fracasso escolar relacionado com a gravidez na juventude  ou adolesc&ecirc;ncia, geralmente das jovens do segmento popular, leva &agrave;  necessidade de ampliar os horizontes anal&iacute;ticos: "<I>&eacute; preciso considerar  as conseq&uuml;&ecirc;ncias das defici&ecirc;ncias das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas  no campo da educa&ccedil;&atilde;o e aspectos relacionados aos valores culturais,  como as diferen&ccedil;as assinaladas entre a experi&ecirc;ncia social feminina  e masculina</I>" <SUP>36</SUP> (p. 121).</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De  modo semelhante, &eacute; fundamental relativizar as expectativas sociais e da  rede social mais pr&oacute;xima das jovens sobre o que cabe a elas em rela&ccedil;&atilde;o  ao eixo escolar-profissional. Em geral, o que se espera dos jovens &eacute; que  sua trajet&oacute;ria escolar seja cont&iacute;nua, embora interrup&ccedil;&otilde;es  ou fracassos possam ocorrer conforme as situa&ccedil;&otilde;es. No entanto, uma  gravidez tende a ser analisada como mais que um "desvio" nessa trajet&oacute;ria,  visto que ela provoca novas expectativas e abre outras possibilidades (negativas  ou positivas) ao antecipar o nascimento de uma crian&ccedil;a ao fim dos estudos  e entrada no mercado de trabalho.</FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m  de destacar nesta fase do ciclo da vida o valor dado &agrave; sexualidade, a gravidez  ainda implica olhar as jovens com filhos como aquelas que devem ter de assumir  posi&ccedil;&otilde;es maternas e/ou conjugais adultas <SUP>15</SUP>, o que &eacute;  incompat&iacute;vel com uma s&eacute;rie de vis&otilde;es sobre a juventude e  das pr&oacute;prias id&eacute;ias de ser m&atilde;e/pai. A gravidez imprime um  novo modo de ser jovem, pois deixa de ser um fen&ocirc;meno que diga respeito  somente &agrave;quelas que engravidam.</FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Colaboradores</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H.  Gon&ccedil;alves coordenou o censo de 27% dos setores da cidade, realizou estudo  etnogr&aacute;fico, pesquisa bibliogr&aacute;fica e fez a an&aacute;lise dos dados  qualitativos. D. Gigante foi respons&aacute;vel pelo estudo de caso-controle e  pelas an&aacute;lises estat&iacute;sticas. As autoras redigiram e revisaram o  artigo.</FONT></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Agradecimentos</B></FONT></P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse  estudo &eacute; financiado pelas seguintes institui&ccedil;&otilde;es: Wellcome  Trust (Inglaterra), Programa Nacional de N&uacute;cleos de Excel&ecirc;ncia e  pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (Brasil). As fases iniciais do estudo de  coorte foram financiadas pelo International Development Research Center, pela  Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e pelo Overseas Development  Administration (Reino Unido). Agradecemos, ainda, a colabora&ccedil;&atilde;o  de Fernando Barros, Dominique Behague, Cesar Victora e Daniela Knauth.</FONT></P>    <P>&nbsp;</P>    <P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Refer&ecirc;ncias</B></FONT></P>    <!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1.  Bozon M. Amor, sexualidade e rela&ccedil;&otilde;es sociais de sexo na Fran&ccedil;a  contempor&acirc;nea. Estudos Feministas 1995; 1: 122-35.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742078&pid=S0102-311X200600070001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2.  Melo A. Gravidez na adolesc&ecirc;ncia: uma tend&ecirc;ncia na transi&ccedil;&atilde;o  da fecundidade no Brasil. In: Anais do X Encontro Nacional de Estudos Populacionais.  v. 3. Belo Horizonte: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Estudos Populacionais;  1996. p. 1449-54.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742079&pid=S0102-311X200600070001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3.  Berqu&oacute; E. Quando, como e com quem se casam os jovens brasileiros. In: Berqu&oacute;  E , organizador. Jovens acontecendo na trilha das pol&iacute;ticas p&uacute;blica.  Bras&iacute;lia: Comiss&atilde;o Nacional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento;  1998. p. 93-108.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742080&pid=S0102-311X200600070001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4.  Bozon M. Sociologie de la sexualit&eacute;. Paris: Nathan Universit&eacute;; 2002.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742081&pid=S0102-311X200600070001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5.  Tomasi E , Barros FC , Victora C. Mothers and their pregnancies: a comparison  of two population-based cohorts in southern Brazil. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica  1996; 12 Suppl 1: 21-5.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742082&pid=S0102-311X200600070001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6.  Reis A. An&aacute;lise metaf&oacute;rico-meton&iacute;mica do processo de constitui&ccedil;&atilde;o  do pensamento da sa&uacute;de p&uacute;blica acerca da adolescente gr&aacute;vida:  os anos 60. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica 1998; 14 Suppl 1: 115-23.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742083&pid=S0102-311X200600070001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7.  Singh S. Adolescent childbearing in developed countries: a global review. Stud  Fam Plann 1998; 29: 117-35.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742084&pid=S0102-311X200600070001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8.  Singh S , Darroch J. Adolescent pregnancy and childbearing: levels and trends  in developed countries. Fam Plann Perspect 2000; 32: 14-23.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742085&pid=S0102-311X200600070001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9.  Rangel L. Da inf&acirc;ncia ao amadurecimento: uma reflex&atilde;o sobre rituais  de inicia&ccedil;&atilde;o. Interface Comun Sa&uacute;de Educ 1999; 5: 147-52.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742086&pid=S0102-311X200600070001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10.  Camarano A. Fecundidade e anticoncep&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o  jovem. In: Berqu&oacute; E, organizador. Jovens acontecendo na trilha das pol&iacute;ticas  p&uacute;blica. Bras&iacute;lia: Comiss&atilde;o Nacional de Popula&ccedil;&atilde;o  e Desenvolvimento; 1998. p. 109-33.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742087&pid=S0102-311X200600070001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11.  Heilborn M , Salem T , Knauth D , Aquino E , Bozon M , Rohden F, et al. Aproxima&ccedil;&otilde;es  s&oacute;cio-antropol&oacute;gicas sobre gravidez na adolesc&ecirc;ncia. Horizontes  Antropol&oacute;gicos 2002; 8: 13-45.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742088&pid=S0102-311X200600070001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12.  Galland O. Sociologie de la jeunesse. Paris: Armand Colin; 1997.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742089&pid=S0102-311X200600070001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13.  Gon&ccedil;alves H. Aproveitar a vida: um estudo antropol&oacute;gico sobre valores,  juventude e gravidez em uma cidade do interior &#91;Tese de Doutorado&#93;. Porto  Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2004.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742090&pid=S0102-311X200600070001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14.  Cabral C. Vicissitudes da gravidez na adolesc&ecirc;ncia entre jovens das camadas  populares do Rio de Janeiro &#91;Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado&#93;. Rio  de Janeiro: Instituto de Medicina Social , Universidade do Estado do Rio de Janeiro;  2002.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742091&pid=S0102-311X200600070001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15.  Brand&atilde;o E. Individua&ccedil;&atilde;o e v&iacute;nculo familiar em camadas  m&eacute;dias: um olhar atrav&eacute;s da gravidez na adolesc&ecirc;ncia &#91;Tese  de Doutorado&#93;. Rio de Janeiro: Instituto de Medicina Social , Universidade  do Estado do Rio de Janeiro; 2003.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742092&pid=S0102-311X200600070001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16.  Pais J. Culturas juvenis. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda; 1996.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742093&pid=S0102-311X200600070001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17.  Desser N. Adolesc&ecirc;ncia: sexualidade e culpa: Um estudo sobre a gravidez  precoce nas adolescentes brasileiras. Bras&iacute;lia: Rosa dos Tempos/Universidade  de Bras&iacute;lia; 1993.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742094&pid=S0102-311X200600070001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18.  Vilar D , Gaspar A. Tra&ccedil;os redondos: a gravidez em m&atilde;es adolescentes.  In: Pais J , organizador. Tra&ccedil;os e riscos de vida. Uma abordagem qualitativa  a modos de vida juvenis. Porto: &Acirc;mbar; 1999. p. 31-91.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742095&pid=S0102-311X200600070001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19.  Duarte LF. Da vida nervosa das classes trabalhadoras urbanas. Rio de Janeiro:  Jorge Zahar Editor; 1986.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742096&pid=S0102-311X200600070001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20.  Dumond L. Individualismo: uma perspectiva antropol&oacute;gica da ideologia moderna.  Rio de Janeiro: Rocco; 1993.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742097&pid=S0102-311X200600070001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21.  Groppo L. Juventude. Ensaios sobre sociologia e hist&oacute;ria das juventudes  modernas. Rio de Janeiro: Difel; 2000.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742098&pid=S0102-311X200600070001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22.  Victora C , Barros F , Vaughan J. Epidemiologia da desigualdade. S&atilde;o Paulo:  Editora Hucitec; 1989.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742099&pid=S0102-311X200600070001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">23.  Victora C , Barros F , Lima R , Behague D , Gon&ccedil;alves H , Horta BL, et  al. The Pelotas (Brazil) Birth Cohort Study, 1982-2001. Cad Sa&uacute;de P&uacute;blica  2003; 19: 1241-56.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742100&pid=S0102-311X200600070001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">24.  Gigante D , Victora C , Gon&ccedil;alves H , Lima R , Barros FC , Rasmussen K.  Risk factors for childbearing during adolescence in a population-based birth cohort  in southern Brazil. Rev Panam Salud P&uacute;blica 2004; 16: 1-10.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742101&pid=S0102-311X200600070001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">25.  Parker R. Corpos, prazeres e paix&otilde;es: a cultura sexual no Brasil contempor&acirc;neo.  S&atilde;o Paulo: Editora Best Seller; 1991.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742102&pid=S0102-311X200600070001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">26.  Giddens A. A transforma&ccedil;&atilde;o da intimidade: sexualidade, amor e erotismo  nas sociedades modernas. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp; 1993.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742103&pid=S0102-311X200600070001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">27.  Heilborn M. G&ecirc;nero e hierarquia: a costela de Ad&atilde;o revisitada. Estudos  Feministas 1993; 1: 50-82.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742104&pid=S0102-311X200600070001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">28.  Pais J. Sexualidade juvenil y cambio social: el caso de Portugal. Salud P&uacute;blica  M&eacute;x 2003; 45: 26-33.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742105&pid=S0102-311X200600070001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">29.  Boruchovitch E. Fatores associados &agrave; n&atilde;o-utiliza&ccedil;&atilde;o  de anticoncepcionais na adolesc&ecirc;ncia. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica 1992;  26: 437-43.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742106&pid=S0102-311X200600070001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">30.  Bozon M; Groupe GRAVAD. Sexualit&eacute; juvenile, contraceptions et rapports  de genre. Spontaneit&eacute; et desequilibres entre partenaires a l'initiation  sexuelle au Br&eacute;sil. <A href= "http://www-aidelf.ined.fr/colloques/seance5/t_bozon.pdf" TARGET="_blank">http://www-aidelf.ined.fr/colloques/seance5/t_bozon.pdf</A>  (acessado em 04/ Nov/2003).</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742107&pid=S0102-311X200600070001000030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">31.  Abramovay M , Garcia M , Silva LB. Juventudes e sexualidades. Bras&iacute;lia:  Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o,  a Ci&ecirc;ncia e a Cultura/Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura/Minist&eacute;rio  da Sa&uacute;de; 2004.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742108&pid=S0102-311X200600070001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">32.  Duarte LF. Pouca vergonha, muita vergonha: sexo e moralidade entre as classes  trabalhadoras urbanas. In: Leite-Lopes JS, organizador. Cultura e identidade oper&aacute;ria:  aspectos da cultura de classe trabalhadora. S&atilde;o Paulo: Marco Zero/Rio de  Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1987. p. 223-6.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742109&pid=S0102-311X200600070001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">33.  Velho G. Individualismo e cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; 1981.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742110&pid=S0102-311X200600070001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">34.  Lawlor D , Shaw M , Johns S. Teenage pregnancy is not a public health problem.  BMJ 2001; 323: 1428-9.</FONT>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=742111&pid=S0102-311X200600070001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">35.  Aquino E , Heilborn M , Knauth D , Bozon M , Almeida M , Ara&uacute;jo J, et al.  Adolesc&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o no Brasil: a heterogeneidade dos  perfis sociais. 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