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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Aborto:    sa&uacute;de das mulheres</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"O aborto &eacute;    uma quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica". Essa &eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o    de sanitaristas, feministas, gestores e ministros de Estado no Brasil. Apesar    do vasto coro que a sustenta, o debate p&uacute;blico sobre a descriminaliza&ccedil;&atilde;o    do aborto caminha a passos lentos. A principal for&ccedil;a contr&aacute;ria    &eacute; moral, uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as religiosas    e filos&oacute;ficas &agrave; ordem jur&iacute;dica democr&aacute;tica. A recente    decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal de autorizar o aborto em caso de    anencefalia no feto foi uma solit&aacute;ria altera&ccedil;&atilde;o legal em    mais de 70 anos de C&oacute;digo Penal. H&aacute; projetos de lei no Congresso    Nacional que prop&otilde;em a criminaliza&ccedil;&atilde;o irrestrita do aborto    - inclusive em caso de risco de morte para as mulheres ou de estupro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Temerosas da lei    penal, mas convictas de suas escolhas, as mulheres abortam. Aos 40 anos, uma    em cada cinco mulheres j&aacute; fez pelo menos um aborto. O aborto legal e    seguro &eacute; uma necessidade de sa&uacute;de n&atilde;o satisfeita. As mulheres    morrem, adoecem, sofrem f&iacute;sica e psiquicamente pelo aborto realizado    em condi&ccedil;&otilde;es inseguras e ilegais. Esse quadro perverso de consequ&ecirc;ncias    &agrave; sa&uacute;de deve ser comprovado por estudos que explorem diferentes    facetas da ilegalidade do aborto na vida das mulheres. Essa foi a tarefa conjunta    das pesquisadoras que submeteram suas pesquisas a este n&uacute;mero tem&aacute;tico    sobre aborto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O tema vem suscitando    interesse crescente de pesquisadoras de diferentes campos do saber. A&ccedil;&otilde;es    afirmativas das ag&ecirc;ncias de financiamento s&atilde;o fundamentais para    estimular a realiza&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&otilde;es sobre temas    estrat&eacute;gicos para a sa&uacute;de p&uacute;blica e para o Sistema &Uacute;nico    de Sa&uacute;de, como &eacute; o caso do aborto e da sa&uacute;de das mulheres.    Os editais CT/CNPq/MS/SCTIE/DECIT nº22/2007 e nº54/2008 s&atilde;o exemplos.    Diversos artigos aqui apresentados foram apoiados por essas iniciativas, al&eacute;m    deste n&uacute;mero especial contar com o apoio do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    por meio de recursos do Fundo Nacional de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas h&aacute; desafios    &agrave; pesquisa sobre aborto no Brasil. A ilegalidade faz com que as mulheres    temam falar de suas hist&oacute;rias. O estigma do crime contribui para uma    aten&ccedil;&atilde;o de baixa qualidade as mulheres com abortamento e intimida    profissionais de sa&uacute;de que atuam em servi&ccedil;os de aborto legal.    H&aacute; um sil&ecirc;ncio que emudece mulheres e profissionais de sa&uacute;de.    A inseguran&ccedil;a acompanha as pesquisadoras em todas as etapas da pesquisa    de campo - como proteger as mulheres, como garantir sigilo sobre suas hist&oacute;rias,    como proteg&ecirc;-las do risco de uma investiga&ccedil;&atilde;o policial s&atilde;o    dimens&otilde;es novas e inquietantes para as equipes de pesquisa. Esse contexto    de risco e proibi&ccedil;&atilde;o vem exigindo sa&iacute;das criativas e novas    metodologias para a pesquisa sobre o aborto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A magnitude do    aborto ilegal e inseguro desafia as pesquisadoras em sa&uacute;de p&uacute;blica    a enfrentar a controv&eacute;rsia pol&iacute;tica pelo uso da pesquisa acad&ecirc;mica.    N&atilde;o devemos esperar que o dilema moral do aborto seja solucionado por    um pacto moral razo&aacute;vel sobre cren&ccedil;as t&atilde;o diversas. Nossos    esfor&ccedil;os argumentativos devem estar na produ&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias    cient&iacute;ficas que demonstrem as consequ&ecirc;ncias para a vida e a sa&uacute;de    das mulheres em criminalizar o aborto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Debora Diniz e    Greice Menezes    <br>   <i><b>Editoras convidadas</b></i></font></p>      ]]></body>
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