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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Atuação diante das situações de aborto legal na perspectiva dos profissionais de saúde do Hospital Municipal Fernando Magalhães]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Practice in situations of legal abortion from the perspective of health professionals at Fernando Magalhães public hospital]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola de Serviço Social Núcleo de Políticas Públicas, Indicadores e Identidades]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The scope of this study was to analyze perceptions of health professionals at Fernando Magalhães Public Hospital regarding situations involving the practice of legal abortion. With this in mind, we sought to characterize the professionals interviewed, understand the qualifying process for assistance of women requiring abortion and identify the perceptions of the professionals regarding the practice of legal abortion. The quantitative and qualitative approach in terms of methodology was adopted. The instruments used were analysis of institutional documentation and semi-structured interviews based on a script with informed consent. The results of this research revealed: the inappropriate use of the right to conscientious objection by health professionals; the existence of difficulties faced by professionals in construction of a posture that ensures access to legally sanctioned abortion; and the interference of ethical and religious values as an important element in professional attitudes that discourage the practice of legal abortion. Measures for the ongoing education of professionals and the monitoring of actions applied to technical norms are recommended.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aborto legal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGO    </b> ARTICLE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="TOP"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Atua&ccedil;&atilde;o    diante das situa&ccedil;&otilde;es de aborto legal na perspectiva dos profissionais    de sa&uacute;de do Hospital Municipal Fernando Magalh&atilde;es</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Practice in    situations of legal abortion from the perspective of health professionals at    Fernando Magalh&atilde;es public hospital</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rejane Santos    Farias; Ludmila Fontenele Cavalcanti</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&uacute;cleo de    Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas, Indicadores e Identidades, Escola de Servi&ccedil;o    Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro. <a href="mailto:rejanes_farias@yahoo.com.br">rejanes_farias@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo    teve como objetivo analisar as percep&ccedil;&otilde;es dos profissionais de    sa&uacute;de do Hospital Municipal Fernando Magalh&atilde;es (HMFM) sobre a    atua&ccedil;&atilde;o diante das situa&ccedil;&otilde;es de aborto legal. Para    tal, buscou-se caracterizar os profissionais entrevistados, compreender o processo    de qualifica&ccedil;&atilde;o para o atendimento &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o    de aborto e identificar as percep&ccedil;&otilde;es dos profissionais sobre    a atua&ccedil;&atilde;o diante do aborto legal. Quanto &agrave; metodologia,    adotou-se a abordagem quantitativa e qualitativa. Os instrumentos utilizados    foram a an&aacute;lise de documenta&ccedil;&atilde;o institucional e as entrevistas    do tipo semiestruturada, baseadas em roteiro com consentimento livre e esclarecido.    Os resultados desta pesquisa apontaram para: o uso inadequado do direito a obje&ccedil;&atilde;o    de consci&ecirc;ncia por parte dos profissionais de sa&uacute;de; a exist&ecirc;ncia    de diferentes dificuldades dos profissionais na constru&ccedil;&atilde;o de    uma postura capaz de garantir o acesso ao aborto previsto em lei; e a interfer&ecirc;ncia    dos princ&iacute;pios &eacute;ticos e dos valores religiosos como um elemento    importante na postura profissional que desestimula a pr&aacute;tica do aborto    legal. Recomendam-se medidas voltadas para a forma&ccedil;&atilde;o continuada    dos profissionais e monitoramento das a&ccedil;&otilde;es preconizadas pelas    normas t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Aborto legal, Profissionais de sa&uacute;de, Percep&ccedil;&otilde;es</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The scope of this    study was to analyze perceptions of health professionals at Fernando Magalh&atilde;es    Public Hospital regarding situations involving the practice of legal abortion.    With this in mind, we sought to characterize the professionals interviewed,    understand the qualifying process for assistance of women requiring abortion    and identify the perceptions of the professionals regarding the practice of    legal abortion. The quantitative and qualitative approach in terms of methodology    was adopted. The instruments used were analysis of institutional documentation    and semi-structured interviews based on a script with informed consent. The    results of this research revealed: the inappropriate use of the right to conscientious    objection by health professionals; the existence of difficulties faced by professionals    in construction of a posture that ensures access to legally sanctioned abortion;    and the interference of ethical and religious values as an important element    in professional attitudes that discourage the practice of legal abortion. Measures    for the ongoing education of professionals and the monitoring of actions applied    to technical norms are recommended.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Legal abortion, Health professionals, Perceptions</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo    teve como objetivo analisar as percep&ccedil;&otilde;es dos profissionais de    sa&uacute;de do Hospital Municipal Fernando Magalh&atilde;es (HMFM) sobre a    atua&ccedil;&atilde;o diante das situa&ccedil;&otilde;es de aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal escolha est&aacute;    relacionada com a necessidade da promo&ccedil;&atilde;o deste tipo de servi&ccedil;o    e com as consequ&ecirc;ncias de sua aus&ecirc;ncia na vida da popula&ccedil;&atilde;o    feminina no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A realiza&ccedil;&atilde;o    de diagn&oacute;sticos quantitativos e qualitativos sobre os servi&ccedil;os    de acesso ao aborto legal est&aacute; prevista na Norma T&eacute;cnica de Preven&ccedil;&atilde;o    e Tratamento dos Agravos Resultantes da Viol&ecirc;ncia Sexual Contra Mulheres    e Adolescentes<sup>1</sup> e na Norma T&eacute;cnica de Aten&ccedil;&atilde;o    Humanizada ao Abortamento<sup>2</sup>. A insufici&ecirc;ncia de estudos sobre    o &uacute;nico servi&ccedil;o de aborto legal no estado do Rio de Janeiro<sup>3</sup>    faz com que sua realiza&ccedil;&atilde;o seja necess&aacute;ria para reflex&atilde;o    sobre novas estrat&eacute;gias de enfrentamento, orienta&ccedil;&atilde;o das    capacita&ccedil;&otilde;es dos profissionais e melhoria desse servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Galli<sup>4</sup>,    o direito humano a viver livre de viol&ecirc;ncia inclui o direito a receber    um tratamento humanizado nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Nos casos de viol&ecirc;ncia    sexual, a recusa dos profissionais de sa&uacute;de em realizar a interrup&ccedil;&atilde;o    da gravidez se constitui em uma viol&ecirc;ncia institucional contra essas mulheres,    afetando sua autodetermina&ccedil;&atilde;o sexual e reprodutiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto dos    direitos sexuais e reprodutivos, a no&ccedil;&atilde;o de acesso deve ser entendida    n&atilde;o de forma restrita, uma vez que a no&ccedil;&atilde;o de acessibilidade    n&atilde;o se reduz ao acesso f&iacute;sico &agrave; unidade de sa&uacute;de.    Faz-se necess&aacute;rio destacar que o conceito de acessibilidade &eacute;    mais abrangente do que simplesmente acesso (ato de ingressar, entrada), pois    inclui todo o processo realizado pelo usu&aacute;rio, desde o momento que este    sai de sua casa, sua chegada e perman&ecirc;ncia no servi&ccedil;o de sa&uacute;de,    e o retorno &agrave; sua resid&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O acesso &eacute;    um elemento essencial no atendimento para que se possa incidir sobre o estado    de sa&uacute;de do indiv&iacute;duo e da coletividade. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de<sup>5</sup>, a acessibilidade &eacute; um indicador    de avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho dos sistemas de sa&uacute;de. Nessa    perspectiva, o processo de utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os &eacute;    visto como resultante da intera&ccedil;&atilde;o do comportamento do indiv&iacute;duo    que procura e do profissional que o conduz dentro do sistema<sup>6</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A condi&ccedil;&atilde;o    de ilegalidade do aborto no pa&iacute;s, al&eacute;m de todas as consequ&ecirc;ncias    danosas para a vida e a sa&uacute;de das mulheres, tamb&eacute;m influi negativamente    sobre os servi&ccedil;os de sa&uacute;de, pois contamina inclusive o atendimento    realizado nos casos de aborto previsto em lei.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Soares<sup>7</sup>,    uma das principais dificuldades encontradas para a implanta&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os de atendimento ao aborto legal tem sido a de identificar    profissionais de sa&uacute;de dispon&iacute;veis para atuar. Isto se d&aacute;    devido aos seguintes fatores: a) desconhecimento dos profissionais de sa&uacute;de    inseridos nos servi&ccedil;os de refer&ecirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o vigente sobre o aborto legal; b) temor em    rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es judiciais sentido    pelos profissionais devido ao receio de serem punidos legalmente e culpabilizados    pela realiza&ccedil;&atilde;o do aborto mesmo ao realizar procedimentos permitidos    por lei; c) forte influ&ecirc;ncia dos valores &eacute;tico-religiosos destes    profissionais que na maioria das vezes n&atilde;o conseguem desvencilhar a pr&aacute;tica    profissional de suas concep&ccedil;&otilde;es e valores pessoais; e d) rep&uacute;dio    ao estigma de aborteiros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso ocorre em    grande parte devido ao despreparo dos profissionais de sa&uacute;de para lidar    com as quest&otilde;es relacionadas ao abortamento, &agrave; viol&ecirc;ncia    sexual e dom&eacute;stica e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero,    uma vez que os mesmos n&atilde;o recebem em sua forma&ccedil;&atilde;o profissional    nenhum preparo e nem abordagem para lidar com esses temas que atualmente ganharam    relev&acirc;ncia no campo da sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal vis&atilde;o    &eacute; reiterada por D'Oliveira e Schraiber<sup>8</sup>, quando afirmam que    o despreparo dos profissionais para lidar com estas quest&otilde;es est&aacute;    relacionado com a falta de dom&iacute;nio do instrumental te&oacute;rico e pr&aacute;tico    para tratar dos agravos resultantes da viol&ecirc;ncia sexual, uma vez que este    tema n&atilde;o faz parte da forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aten&ccedil;&atilde;o    ao aborto legal no Brasil deve estar pautada nos seguintes princ&iacute;pios    &eacute;ticos que orientam os profissionais de sa&uacute;de: a concep&ccedil;&atilde;o    de autonomia do paciente, a benefic&ecirc;ncia, a probidade e a justi&ccedil;a<sup>9</sup>.    Estes princ&iacute;pios devem ser a base para os cuidados voltados para as mulheres    que se encontram em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia sexual. As mulheres    que a vivenciam necessitam ser atendidas nas unidades de sa&uacute;de com respeito    e acolhimento e devem ser bem informadas sobre seus direitos, para que ent&atilde;o    possam fazer escolhas conscientes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; decis&atilde;o    que ir&atilde;o tomar em caso de gesta&ccedil;&atilde;o fruto da viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os profissionais    de sa&uacute;de devem levar em conta o fato dessas mulheres se encontrarem na    maioria das vezes n&atilde;o s&oacute; feridas fisicamente, pois o abuso sexual,    dentre outras complica&ccedil;&otilde;es para a sa&uacute;de da mulher, tamb&eacute;m    a abala psicologicamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O HMFM, inaugurado    em 1955, &eacute; a maior maternidade da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de    e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC/RJ). Essa unidade localiza-se em S&atilde;o    Crist&oacute;v&atilde;o, na &Aacute;rea Program&aacute;tica 1.0, e foi reestruturada    em 1985, tornando-se refer&ecirc;ncia para o atendimento &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o    de alto risco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa unidade foi    considerada legalmente, em 1988, como o primeiro hospital do munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro refer&ecirc;ncia no atendimento aos casos de aborto previsto    em lei. Somente em 1996, seguindo a recomenda&ccedil;&atilde;o da III Confer&ecirc;ncia    Municipal de Sa&uacute;de de programar o funcionamento dos servi&ccedil;os de    aborto legal, iniciou-se a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos de atendimento    &agrave;s mulheres que necessitam realizar a interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 1999, o HMFM    ampliou sua proposta de atendimento &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o    de viol&ecirc;ncia sexual, tornando-se refer&ecirc;ncia e envolvendo diferentes    servi&ccedil;os da unidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa demora entre    a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto de lei e a efetiva&ccedil;&atilde;o do    atendimento &agrave;s mulheres com demanda por aborto legal demonstra o quanto    a implanta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de acesso ao aborto legal vem    ocorrendo de forma lenta e gradativa no munic&iacute;pio<sup>10</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Leoc&aacute;dio<sup>11</sup>,    isso ocorre porque a discuss&atilde;o sobre a necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o    do acesso a esses servi&ccedil;os no Brasil ainda esbarra na discuss&atilde;o    do aborto sob a &oacute;tica dos valores, da moral e da religi&atilde;o, deixando    de ser discutida a partir de uma &oacute;tica human&iacute;stica, mesmo quando    se trata de uma gravidez decorrente do estupro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fator a ser    considerado &eacute; que durante todos esses anos, a tem&aacute;tica do aborto    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de    dessas mulheres s&oacute; ganhou relev&acirc;ncia sob o ponto de vista legal,    n&atilde;o se refletindo diretamente em servi&ccedil;os.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Percurso metodol&oacute;gico</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estudo vale-se    do pressuposto de que as percep&ccedil;&otilde;es dos profissionais de sa&uacute;de    est&atilde;o condicionadas pelo processo de capacita&ccedil;&atilde;o e pela    experi&ecirc;ncia no atendimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para tal, buscou-se    caracterizar os profissionais entrevistados, atrav&eacute;s das seguintes informa&ccedil;&otilde;es:    atua&ccedil;&atilde;o profissional, sexo, idade, naturalidade, situa&ccedil;&atilde;o    conjugal, orienta&ccedil;&atilde;o religiosa, profiss&atilde;o, local de forma&ccedil;&atilde;o,    tempo de formado, p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, tempo na unidade e tempo    no atendimento &agrave;s mulheres que procuram o servi&ccedil;o de aborto legal.    Tamb&eacute;m tornou-se necess&aacute;rio compreender o processo de qualifica&ccedil;&atilde;o    para o atendimento &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de aborto e    identificar as percep&ccedil;&otilde;es dos profissionais sobre a atua&ccedil;&atilde;o    diante de casos de aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Procurou-se adotar    neste estudo a abordagem do tipo pluralista, em que a complementaridade entre    t&eacute;cnicas quantitativas e qualitativas resulta em uma pesquisa por triangula&ccedil;&atilde;o    de m&eacute;todos<sup>12,13</sup>. Pois este m&eacute;todo &eacute; o que melhor    permite alcan&ccedil;ar o objetivo proposto, uma vez que possibilita estabelecer    uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica no processo de pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para tanto, utilizou-se    os seguintes instrumentos: an&aacute;lise de documenta&ccedil;&atilde;o institucional    (estat&iacute;stica institucional contendo o total de procedimentos de aborto    legal realizados na unidade entre os anos de 1997 e 2008), bem como a realiza&ccedil;&atilde;o    de entrevistas semiestruturadas baseadas em roteiro<sup>14</sup>, com perguntas    formuladas a partir do delineamento do objeto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A coleta de dados    foi desenvolvida no per&iacute;odo de setembro a outubro de 2008 e sua abrang&ecirc;ncia    limitou-se aos profissionais de sa&uacute;de que participavam do atendimento    &agrave;s mulheres com demanda por aborto legal no HMFM.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A amostra utilizada    no estudo foi composta pelos profissionais de n&iacute;vel superior pertencentes    a cada categoria presente nos plant&otilde;es da emerg&ecirc;ncia e que s&atilde;o    preconizados pelas normas t&eacute;cnicas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de<sup>1,2</sup>    para a realiza&ccedil;&atilde;o do atendimento &agrave;s mulheres com demanda    por aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A participa&ccedil;&atilde;o    dos sujeitos da pesquisa se deu de forma volunt&aacute;ria e a realiza&ccedil;&atilde;o    das entrevistas esteve condicionada &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o dos mesmos    em participar do estudo, atrav&eacute;s do termo de consentimento livre e esclarecido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistas    foram gravadas e posteriormente transcritas. Foram realizadas 24 (vinte e quatro)    entrevistas com dura&ccedil;&atilde;o total de 7 (sete) horas e 10 (dez) minutos,    com tempo m&aacute;ximo de 34 minutos e 6 segundos e m&iacute;nimo de 8 minutos    e 12 segundos. O tempo m&eacute;dio das entrevistas foi de 16 minutos e 48 segundos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram entrevistados    24 profissionais de sa&uacute;de que incorporam em seus procedimentos de rotina    o atendimento &agrave;s mulheres com demanda por aborto legal &#91;2 assistentes    sociais, 2 psic&oacute;logas, 3 m&eacute;dicos(as) anestesistas, 6 enfermeiros(as)    e 11 m&eacute;dicos(as) obstetras&#93;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dados apreendidos    na fala dos entrevistados foram analisados utilizando-se a t&eacute;cnica de    an&aacute;lise de conte&uacute;do<sup>14</sup>, na modalidade tem&aacute;tica<sup>15</sup>,    classificados em n&uacute;cleos de sentido. Esta t&eacute;cnica permite caminhar    na dire&ccedil;&atilde;o da descoberta do que est&aacute; por tr&aacute;s dos    conte&uacute;dos manifestos, indo al&eacute;m das apar&ecirc;ncias do que est&aacute;    sendo analisado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A realiza&ccedil;&atilde;o    da an&aacute;lise de conte&uacute;do foi desenvolvida em tr&ecirc;s etapas:    pr&eacute;-an&aacute;lise, explora&ccedil;&atilde;o do material e interpreta&ccedil;&atilde;o.    Na primeira realizou-se a leitura, organiza&ccedil;&atilde;o do material e a    defini&ccedil;&atilde;o das categorias; na segunda, as percep&ccedil;&otilde;es    dos profissionais de sa&uacute;de foram classificadas a partir das categorias    realizadas na etapa anterior e, por &uacute;ltimo, na terceira, foram feitas    as an&aacute;lises e articula&ccedil;&otilde;es com os referenciais te&oacute;ricos    do estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo    foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica e Pesquisa da SMSDC/RJ em 01    de setembro de 2008, em cumprimento a Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96 do Conselho    Nacional de Sa&uacute;de, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o    dos profissionais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos por atua&ccedil;&atilde;o profissional,    observa-se que entre os entrevistados houve o predom&iacute;nio do conjunto    de m&eacute;dicos(as) obstetras. Apesar das normas t&eacute;cnicas<sup>1,2</sup>    preconizarem que a equipe de sa&uacute;de para os atendimentos tanto nos casos    de viol&ecirc;ncia sexual como nos casos de aborto legal devem ser compostas    n&atilde;o s&oacute; por profissionais m&eacute;dicos(as), mas tamb&eacute;m    por psic&oacute;logo(as), assistentes sociais e enfermeiros(as), o atendimento    nesses dois casos s&oacute; &eacute; inviabilizado pela aus&ecirc;ncia do profissional    m&eacute;dico. Verifica-se que os profissionais de enfermagem s&atilde;o o segundo    grupo mais numeroso dentre os entrevistados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A atua&ccedil;&atilde;o    dos(as) enfermeiros(as) no atendimento &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o    de viol&ecirc;ncia sexual ou com demanda por aborto legal, de acordo com Cavalcanti<sup>16</sup>,    assume um papel fundamental tanto na recep&ccedil;&atilde;o e acolhimento quanto    no acompanhamento posterior delas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chama a aten&ccedil;&atilde;o    o reduzido n&uacute;mero de m&eacute;dicos(as) anestesistas na unidade envolvidos    neste atendimento, pois sua atua&ccedil;&atilde;o &eacute; indispens&aacute;vel    para a realiza&ccedil;&atilde;o deste tipo de procedimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fato relevante    &eacute; o reduzido n&uacute;mero de assistentes sociais e psic&oacute;logas    inseridos no HMFM. Deve-se considerar que os enfoques da psicologia e do servi&ccedil;o    social podem ser diferenciados no trato das quest&otilde;es emocionais, relacionais    e sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao comparar a distribui&ccedil;&atilde;o    dos sujeitos das equipes de profissionais inseridos na institui&ccedil;&atilde;o    por sexo verifica-se que h&aacute; uma concentra&ccedil;&atilde;o de profissionais    do sexo feminino (15) em quase todos os conjuntos de profissionais, com exce&ccedil;&atilde;o    dos(as) m&eacute;dicos(as) obstetras e anestesistas, onde houve o predom&iacute;nio    do sexo masculino (08) atuando no atendimento &agrave;s mulheres com demanda    por aborto legal. Isso est&aacute; relacionado com a hist&oacute;rica inser&ccedil;&atilde;o    do sexo feminino na &aacute;rea da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O maior agrupamento    de profissionais do sexo feminino pode ser observado entre os(as) enfermeiros(as).    Tal fato pode ser justificado pela exist&ecirc;ncia de um imagin&aacute;rio    social ainda muito forte e presente em nossa sociedade, que estabelece pap&eacute;is    diferenciados para homens e mulheres quando o assunto &eacute; tratar e cuidar    de doen&ccedil;as. Entretanto, essa reflex&atilde;o deve ser ampliada para al&eacute;m    das quest&otilde;es de g&ecirc;nero no sentido de se contemplar as rela&ccedil;&otilde;es    hierarquizadas entre as diferentes categorias profissionais em jogo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s idades dos sujeitos entrevistados, nota-se que as idades variam entre    30 a 64 anos e que as faixas et&aacute;rias predominantes foram de 45 a 49 anos    (07) e de 50 a 54 anos (05).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    naturalidade dos profissionais de sa&uacute;de, observa-se que a grande maioria    (20) &eacute; oriunda do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    situa&ccedil;&atilde;o conjugal, optou-se por adotar a classifica&ccedil;&atilde;o    unido(a) e n&atilde;o unido(a) por retrat&aacute;-la mais fielmente. A classifica&ccedil;&atilde;o    unido(a) refere-se &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es conjugais: casamento e    uni&atilde;o est&aacute;vel &#91;casado(a), solteiro(a) com companheira(o),    divorciado(a) com companheira(o)&#93;. A classifica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    unido(a) refere-se &agrave; seguinte situa&ccedil;&atilde;o conjugal: solteiro(a).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maioria dos profissionais    se auto-declarou unido(a) nas seguintes situa&ccedil;&otilde;es: casado(a),    solteiro(a) com companheira(o) e divorciado(a) com companheira(o), o que correspondeu    a 18 dos 24 profissionais entrevistados. Essa condi&ccedil;&atilde;o est&aacute;    diretamente ligada &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o em determinado modelo    de fam&iacute;lia e tamb&eacute;m pode ter rela&ccedil;&atilde;o com a faixa    et&aacute;ria dos entrevistados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o religiosa, a maioria dos profissionais entrevistados    (08) se declarou como sendo cat&oacute;lico n&atilde;o praticante. Esta autodefini&ccedil;&atilde;o    esteve presente principalmente na fala dos(as) m&eacute;dicos(as).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos por local de forma&ccedil;&atilde;o,    o resultado aponta que a maioria dos profissionais (13) estudou em institui&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica de ensino superior.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto ao tempo    de formado, observa-se que dentre os 24 profissionais entrevistados, 17 possu&iacute;am    entre 11 e 25 anos de forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se refere    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos por p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    &eacute; poss&iacute;vel observar que entre os entrevistados o tipo que mais    se destacou foi a <i><b>lato sensu</b></i>, indicando deste modo que a maioria    dos profissionais possu&iacute;a em sua forma&ccedil;&atilde;o cursos de resid&ecirc;ncia    m&eacute;dica e de especializa&ccedil;&otilde;es diversificadas dentro de suas    respectivas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave;    distribui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos por tempo na unidade, nota-se que o    tempo de inser&ccedil;&atilde;o entre os entrevistados variou entre 2 meses    e 25 anos, apresentando tr&ecirc;s concentra&ccedil;&otilde;es, de 0 a 5 anos    (09), de 6 a 10 anos (05) e de 11 a 15 anos (06).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    ao tempo no atendimento &agrave;s mulheres com demanda por aborto legal, observa-se    duas concentra&ccedil;&otilde;es, de 0 a 5 anos (07) e de 6 a 10 anos (09).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Qualifica&ccedil;&atilde;o    para o atendimento &agrave;s mulheres com demanda por aborto legal</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    ao preparo ou abordagem sobre a tem&aacute;tica do aborto legal durante a gradua&ccedil;&atilde;o,    identificou-se a <i><b>aus&ecirc;ncia de discuss&atilde;o sobre a tem&aacute;tica    na gradua&ccedil;&atilde;o</b></i>, associada <i>ao <b>desconhecimento dos profissionais    de sa&uacute;de</b></i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante a an&aacute;lise,    foi poss&iacute;vel observar que alguns profissionais s&oacute; tiveram acesso    ao tema do aborto legal ap&oacute;s sua inser&ccedil;&atilde;o profissional.    Tal fato pode contribuir para o aumento das dificuldades dos profissionais de    sa&uacute;de em lidar com esse tema em seu exerc&iacute;cio profissional, e,    deste modo, dificultar a promo&ccedil;&atilde;o de uma assist&ecirc;ncia adequada    &agrave;s mulheres com demanda por este tipo de servi&ccedil;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chama aten&ccedil;&atilde;o    o fato de os(as) m&eacute;dicos(as) obstetras informarem a aus&ecirc;ncia da    abordagem da tem&aacute;tica nos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    (<i><b>stricto</b></i> <b>ou <i>lato sensu</i></b>). Isso demonstra que o foco    da forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, em especial os    m&eacute;dicos, ainda est&aacute; muito centrado na vis&atilde;o t&eacute;cnico-curativa    e biologista do processo sa&uacute;de-doen&ccedil;a, resultando no despreparo    dos profissionais para lidar com dimens&otilde;es sociais, culturais e subjetivas    presentes no cuidado &agrave; sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Soares<sup>7</sup>,    a pr&aacute;tica da indu&ccedil;&atilde;o ao abortamento se constitui em uma    dificuldade t&eacute;cnica para os profissionais de sa&uacute;de devido ao fato    de seus treinamentos serem dirigidos apenas para os processos de abortamento    que chegam aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de j&aacute; iniciados, sem dar    &ecirc;nfase &agrave; quest&atilde;o do direito ao acesso ao aborto previsto    em lei nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i><b>participa&ccedil;&atilde;o    em cursos e capacita&ccedil;&otilde;es</b></i> foi observada na fala da maioria    dos entrevistados associada &agrave; ideia <i><b>de necessidade de qualifica&ccedil;&atilde;o    para prestar a assist&ecirc;ncia adequada</b></i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No munic&iacute;pio    do Rio de Janeiro essas atividades de capacita&ccedil;&atilde;o s&atilde;o promovidas    pelas seguintes institui&ccedil;&otilde;es: SMSDC/RJ, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de,    organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e pelas unidades de sa&uacute;de,    com o intuito de qualificar a assist&ecirc;ncia prestada, contudo, essa iniciativa    &eacute; incipiente e n&atilde;o contempla a gama de profissionais de sa&uacute;de    existente nos servi&ccedil;os.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A an&aacute;lise    das falas dos entrevistados demonstra que ainda h&aacute; um n&uacute;mero significativo    de profissionais de sa&uacute;de que atuam no atendimento &agrave;s mulheres    com demanda por aborto legal e que n&atilde;o participaram de atividades de    capacita&ccedil;&atilde;o. Dentre os motivos alegados pelos profissionais para    a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o nessas capacita&ccedil;&otilde;es destaca-se:    terem como foco apenas os aspectos relacionados ao parto e n&atilde;o ao aborto;    a incompatibilidade de hor&aacute;rio, pois as atividades por vezes foram oferecidas    nos dias e hor&aacute;rios que estavam trabalhando em outra institui&ccedil;&atilde;o;    aus&ecirc;ncia de convoca&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que em alguns casos somente    os gestores da unidade participaram; n&atilde;o ter sido o profissional da equipe    escolhido, pois, segundo alguns profissionais, havia um n&uacute;mero m&aacute;ximo    de profissionais por equipe de sa&uacute;de liberado para participar da atividade;    e n&atilde;o pensar de antem&atilde;o em realizar o aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe ressaltar    que quando essas capacita&ccedil;&otilde;es ocorrem, na maioria das vezes a    discuss&atilde;o sobre o aborto legal vincula-se ao atendimento &agrave;s mulheres    em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia sexual, sendo pouco exploradas    as outras condi&ccedil;&otilde;es legais nas quais o aborto tamb&eacute;m &eacute;    permitido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i><b>participa&ccedil;&atilde;o    em treinamentos relacionados &agrave; tem&aacute;tica do aborto legal</b></i>    apareceu de modo t&iacute;mido no discurso dos seguintes conjuntos de profissionais:    psic&oacute;logas, enfermeiros(as) e m&eacute;dicos(as) obstetras. Destaca-se    apenas na fala dos(as) enfermeiros(as), que associaram a no&ccedil;&atilde;o    de treinamento para atuar nas situa&ccedil;&otilde;es de aborto legal <b>&agrave;s    <i>orienta&ccedil;&otilde;es passadas pela chefia do setor de enfermagem durante    os plant&otilde;es e rotinas da unidade</i></b>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso porque &eacute;    durante as reuni&otilde;es de equipe ou no momento em que s&atilde;o repassadas    as informa&ccedil;&otilde;es de rotina que muito dos profissionais que n&atilde;o    tiveram a oportunidade de participar dos treinamentos ou palestras ocorridos,    dentro ou fora da unidade, tomam conhecimento sobre o que foi passado nas mesmas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devido &agrave;    insufici&ecirc;ncia de treinamentos, muitos profissionais por n&atilde;o se    sentirem capacitados ou confort&aacute;veis em oferecer este tipo de atendimento,    acabam encaminhando as mulheres que chegam com demanda por aborto legal para    a chefia das suas respectivas &aacute;reas ou para a dire&ccedil;&atilde;o da    unidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Percep&ccedil;&otilde;es    sobre a atua&ccedil;&atilde;o diante das situa&ccedil;&atilde;o de aborto legal</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que se refere    &agrave;s percep&ccedil;&otilde;es sobre o aborto legal, identificou-se o seguinte    n&uacute;cleo de sentido: <i><b>interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez prevista    em lei</b></i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i><b>Aborto como    direito da mulher</b></i>, primeira ideia associada a este n&uacute;cleo, predominou    na fala das assistentes sociais e faz men&ccedil;&atilde;o ao fato do aborto    legal ser um direito j&aacute; garantido por lei a todas as mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ideia da interrup&ccedil;&atilde;o    da gravidez como um direito de escolha pode evidenciar uma identifica&ccedil;&atilde;o    com o discurso feminista que defende o abortamento como um direito reprodutivo,    no &acirc;mbito dos direitos humanos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse entendimento    mais democr&aacute;tico sobre o aborto legal tem rela&ccedil;&atilde;o com a    forma&ccedil;&atilde;o profissional dos assistentes sociais, uma vez que seu    c&oacute;digo de &eacute;tica tem por princ&iacute;pio uma concep&ccedil;&atilde;o    de equidade e justi&ccedil;a social que assegure a universalidade de acesso    aos bens e servi&ccedil;os relativos aos programas e pol&iacute;ticas sociais    independentemente da classe social, sexo ou etnia a que os usu&aacute;rios dos    servi&ccedil;os de sa&uacute;de venham a pertencer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i><b>n&atilde;o    viola&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo de &eacute;tica profissional</b></i>,    segunda ideia associada, foi observada principalmente na fala dos(as) m&eacute;dicos(as)    obstetras e aponta para o receio que a maioria destes profissionais tem de descumprir    o seu c&oacute;digo de &eacute;tica profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, o que    se observa &eacute; que n&atilde;o s&oacute; os(as) m&eacute;dicos(as), mas    tamb&eacute;m as demais categorias entrevistadas acabam por reproduzir tal posicionamento    quando afirmam entender o aborto legal como a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez    prevista em lei e, principalmente, como uma atua&ccedil;&atilde;o respaldada    por seu c&oacute;digo de &eacute;tica profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O n&uacute;mero    de procedimentos de aborto legal ocorridos no HMFM demonstra que, no per&iacute;odo    de janeiro de 1997 a junho de 2008, apenas 103 procedimentos foram realizados    na unidade, sendo que destes, 74 tiveram indica&ccedil;&atilde;o por gravidez    decorrente de estupro, 19 por gravidez de feto anenc&eacute;falo e 10 por risco    de vida materna.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso pode explicar    o fato de os profissionais de sa&uacute;de inseridos na unidade estudada constantemente    associarem o acesso ao procedimento de aborto legal somente aos casos de gravidez    decorrente de viol&ecirc;ncia sexual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas informa&ccedil;&otilde;es    demonstram a baixa procura pelo procedimento de aborto legal. Isto pode estar    relacionada a fatores como: o &ecirc;xito da contracep&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia    no atendimento &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia    sexual; a car&ecirc;ncia de divulga&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de    aborto legal; a subnotifica&ccedil;&atilde;o dos casos de viol&ecirc;ncia sexual    que resultam em uma gravidez indesejada; e por &uacute;ltimo, o fato de as mulheres    ainda enfrentarem in&uacute;meras barreiras culturais e institucionais no momento    que necessitam utiliz&aacute;-lo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Talib e Citeli<sup>10</sup>    apontam que uma parcela significativa dos servi&ccedil;os de interrup&ccedil;&atilde;o    legal do aborto no Brasil presta uma quantidade m&iacute;nima de atendimentos    devido &agrave; invisibilidade do acesso. Sendo assim, as mulheres, mesmo tendo    esse direito assegurado por lei, acabam n&atilde;o tendo o acesso garantido    porque desconhecem a exist&ecirc;ncia dessa pol&iacute;tica p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que concerne    &agrave; pr&aacute;tica do aborto legal, identificou-se os seguintes n&uacute;cleos    de sentidos: <i><b>favor&aacute;vel a realiza&ccedil;&atilde;o; favor&aacute;vel    a realiza&ccedil;&atilde;o do aborto legal com ressalvas</b></i>; e <i><b>desfavor&aacute;vel    a pr&aacute;tica do aborto legal</b></i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O primeiro n&uacute;cleo    de sentido, <i><b>favor&aacute;vel a realiza&ccedil;&atilde;o</b></i>, predominou    nas falas dos profissionais de todas as categorias entrevistadas, tendo duas    ideias associadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira, <i><b>concord&acirc;ncia    de que o servi&ccedil;o seja oferecido devido &agrave; sensibiliza&ccedil;&atilde;o    e &agrave; compreens&atilde;o do sofrimento vivido pela paciente</b></i>, demonstra    o reconhecimento do sofrimento vivenciado pelas mulheres que necessitam realizar    um aborto legal e evidencia a incorpora&ccedil;&atilde;o da humaniza&ccedil;&atilde;o    no atendimento preconizado pelas normas t&eacute;cnicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme apontam    Fa&uacute;ndes et al.<sup>17</sup>, o que ocorre &eacute; um aumento na compreens&atilde;o    (e aceita&ccedil;&atilde;o) por parte dos profissionais de sa&uacute;de de que    existem certas situa&ccedil;&otilde;es em que n&atilde;o se justifica obrigar    a mulher a realizar o aborto na clandestinidade, visando n&atilde;o s&oacute;    preservar sua sa&uacute;de f&iacute;sica, como tamb&eacute;m a ps&iacute;quica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A segunda ideia    associada, <i><b>o entendimento da pr&aacute;tica como um direito da mulher    e um dever do Estado</b></i>, aponta para uma postura mais democr&aacute;tica    observada na fala de alguns profissionais entrevistados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa ideia associada    reconhece e relaciona o direito ao aborto legal, contido no C&oacute;digo Penal,    ao direito das mulheres ao exerc&iacute;cio da automonia sexual e reprodutiva    seguindo o que est&aacute; preconizado pela Norma T&eacute;cnica<sup>1</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muito embora, de    acordo com a an&aacute;lise das entrevistas, a realiza&ccedil;&atilde;o do procedimento    de aborto legal seja considerada como uma situa&ccedil;&atilde;o desconfort&aacute;vel    tanto para as mulheres quanto para a equipe de sa&uacute;de envolvida em tal    procedimento, foi poss&iacute;vel observar que todos os profissionais que se    colocaram como sendo favor&aacute;veis &agrave; pr&aacute;tica do aborto legal    enfatizaram a defesa do exerc&iacute;cio da cidadania das mulheres e a amplia&ccedil;&atilde;o    deste tipo de servi&ccedil;o, independentemente das concep&ccedil;&otilde;es    pessoais dos profissionais envolvidos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    a an&aacute;lise tamb&eacute;m permitiu identificar que os profissionais de    sa&uacute;de consideraram a viabiliza&ccedil;&atilde;o do acesso ao aborto legal    como sendo uma responsabilidade do Estado, uma vez que &eacute; sua fun&ccedil;&atilde;o    estar equipando os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de, a fim de    oferecer &agrave;s mulheres os cuidados necess&aacute;rios de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cavalcanti<sup>18</sup>,    no entanto, alerta para o fato de que apesar de haver um recente crescimento    no n&uacute;mero de servi&ccedil;os de aborto legal em n&iacute;vel nacional,    mesmo assim ainda &eacute; poss&iacute;vel observar uma forte resist&ecirc;ncia    de profissionais e gestores na implementa&ccedil;&atilde;o desses servi&ccedil;os,    que dependem em grande parte do treinamento e da perman&ecirc;ncia dos integrantes    das equipes para seu funcionamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segundo n&uacute;cleo    de sentido, <i><b>favor&aacute;vel a realiza&ccedil;&atilde;o do aborto legal    com ressalvas</b></i>, aparece associado <i><b>&agrave; exig&ecirc;ncia da apresenta&ccedil;&atilde;o    do boletim de ocorr&ecirc;ncia (BO) e de laudo m&eacute;dico</b></i>. Isso tem    rela&ccedil;&atilde;o com o ju&iacute;zo de valor feito por alguns profissionais    de sa&uacute;de, que em suas atua&ccedil;&otilde;es colocam em xeque a veracidade    dos relatos das usu&aacute;rias que procuram os servi&ccedil;os de aborto legal    e acabam condicionando sua realiza&ccedil;&atilde;o &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o    de BO e de laudo m&eacute;dico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isto ocorre devido    &agrave; desconfian&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria    contada pelas usu&aacute;rias durante o atendimento, &agrave; inseguran&ccedil;a    e ao receio que os profissionais possuem em estar cometendo um crime ou contribuindo    para tal. Entretanto, esse receio demonstra o desconhecimento dos profissionais    com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legisla&ccedil;&otilde;es vigentes e &agrave;s    normas t&eacute;cnicas concernentes &agrave; pr&aacute;tica do aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; o terceiro    n&uacute;cleo de sentido, <i><b>desfavor&aacute;vel a pr&aacute;tica do aborto    legal</b></i>, est&aacute; associado a duas ideias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira, <b>    <i>incompatibilidade com a forma&ccedil;&atilde;o profissional</i></b>, retrata    o dilema vivido pelos profissionais de sa&uacute;de acerca da pr&aacute;tica    do aborto legal, pois, embora concordem que seus colegas de profiss&atilde;o    realizem o aborto legal e reconhe&ccedil;am o direito das mulheres de acesso    ao aborto legal, n&atilde;o se sentem confort&aacute;veis em realiz&aacute;-lo    devido &agrave; cultura da forma&ccedil;&atilde;o profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Fa&uacute;ndes    e Barzelatto<sup>19</sup>, isso ocorre porque os profissionais de sa&uacute;de    em geral, e os obstetras e ginecologistas em particular, frequentemente s&atilde;o    ambivalentes a respeito do problema do aborto, pois t&ecirc;m que enfrentar    valores profissionais e morais conflitantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre os muitos    fatores que podem contribuir para o permanente dilema sofrido por parte significativa    dos profissionais de sa&uacute;de, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica    do aborto, destacam-se: o valor da vida, sua rela&ccedil;&atilde;o com a natureza    de sua forma&ccedil;&atilde;o profissional e os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos,    que permitem aos profissionais visualizar o embri&atilde;o-feto em forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ato de salvar    vidas se constitui em objetivo principal dos provedores dos servi&ccedil;os    de sa&uacute;de. Isso significa dizer que para aqueles que cuidam de uma mulher    gr&aacute;vida, este objetivo inclui tanto cuidar da vida da futura m&atilde;e    quanto do produto da concep&ccedil;&atilde;o<sup>19</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Soma-se a isso,    o fato dos adventos da vida moderna terem contribu&iacute;do para dar mais visibilidade    ao embri&atilde;o atrav&eacute;s da tecnologia ultrassonogr&aacute;fica, uma    vez que esse avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico contribuiu para mudar o valor    subjetivo atribu&iacute;do ao embri&atilde;o. Essa mudan&ccedil;a alterou a    maneira tanto da mulher, como do m&eacute;dico e da sociedade, de ver o feto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    o conceito abstrato de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez, que era visto    como apenas uma mudan&ccedil;a no corpo das mulheres, foi substitu&iacute;do    por um conceito mais concreto, ou seja, o da retirada de um embri&atilde;o que    agora pode ser visto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; a segunda    ideia associada, <i><b>motivos religiosos</b></i>, est&aacute; relacionada ao    fato de alguns profissionais fazerem uso da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia,    permitida pelo c&oacute;digo de &eacute;tica, para justificar os motivos religiosos    que repudiam o aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A presen&ccedil;a    do discurso religioso, observado na fala de alguns profissionais de sa&uacute;de,    ainda que muitas vezes confundido com o direito &agrave; obje&ccedil;&atilde;o    de consci&ecirc;ncia, demonstra que diante de uma cultura impregnada por uma    religi&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o, algumas normas estabelecidas passam    a ser consideradas como viola&ccedil;&atilde;o da vontade divina. A isso Porto<sup>20</sup>    denominou de <i><b>habitus religioso</b></i>, que faz com que a ideia de pecado    ainda atravesse a consci&ecirc;ncia de muitos profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Igreja, ao defender    que as mulheres devam levar a gesta&ccedil;&atilde;o adiante nos casos de estupro    e anencefalia, age de forma arbitr&aacute;ria, pois desconsidera os sofrimentos    envolvidos neste tipo de gesta&ccedil;&atilde;o, como se a gravidez fosse algo    desprovido de significados, afetos e consequ&ecirc;ncias para a vida delas<sup>11</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa postura de    criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto &eacute; recha&ccedil;ada pelas normas    t&eacute;cnicas<sup>1,2</sup>, pois estas ressaltam que as mulheres que passam    por situa&ccedil;&otilde;es de abortamento t&ecirc;m a necessidade de serem    tratadas com respeito, gentileza e compaix&atilde;o durante todo o processo    antes e p&oacute;s-aborto. Explicam que os profissionais de sa&uacute;de devem    usar uma abordagem sens&iacute;vel, que inclua evitar julgamentos, estar consciente    das necessidades e preocupa&ccedil;&otilde;es da mulher, manter-se aberto para    falar sobre a gravidez, aborto inseguro e sa&uacute;de reprodutiva, informar    as mulheres sobre os procedimentos que ser&atilde;o realizados e oferecer a    elas contracep&ccedil;&atilde;o para evitar outra gravidez indesejada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta pesquisa teve    como limites: a impossibilidade de generaliza&ccedil;&atilde;o; o fato das entrevistas    terem ocorrido no espa&ccedil;o institucional; e a possibilidade das respostas    dadas pelos sujeitos entrevistados ter sido influenciada pelas expectativas    da entrevistadora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A fragilidade na    forma&ccedil;&atilde;o profissional para atuar junto &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o    de aborto legal, decorrente da limitada abordagem sobre esse tema durante a    gradua&ccedil;&atilde;o das profiss&otilde;es de sa&uacute;de, agravada pela    dificuldade na participa&ccedil;&atilde;o em cursos e capacita&ccedil;&otilde;es    e pela falta de treinamento do contexto dos servi&ccedil;os, contribui para    a invisibilidade da demanda e para a assist&ecirc;ncia nem sempre adequada.    A relativa qualifica&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de, associada    &agrave; experi&ecirc;ncia profissional, n&atilde;o se mostrou suficiente para    ampliar a compreens&atilde;o sobre o aborto legal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As percep&ccedil;&otilde;es    identificadas evidenciam que, para os sujeitos entrevistados, um dos grandes    obst&aacute;culos vivenciados tem sido entender em que medida as refer&ecirc;ncias    para o exerc&iacute;cio profissional, constantes em seus c&oacute;digos de &eacute;tica,    expressam conformidade com a realidade vivida pelas mulheres em situa&ccedil;&atilde;o    de aborto legal, uma vez que incidem sobre esta pr&aacute;tica in&uacute;meras    implica&ccedil;&otilde;es sociais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir dos resultados    apresentados, podem ser feitas as seguintes recomenda&ccedil;&otilde;es: inclus&atilde;o    do tema na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de; amplia&ccedil;&atilde;o    de cursos e capacita&ccedil;&otilde;es que abordem a tem&aacute;tica do acesso    ao aborto legal junto &agrave; equipe de sa&uacute;de, com &ecirc;nfase na viabiliza&ccedil;&atilde;o    dos direitos sexuais e reprodutivos das usu&aacute;rias; est&iacute;mulo ao    desenvolvimento do monitoramento das a&ccedil;&otilde;es preconizadas pelas    normas t&eacute;cnicas<sup>1,2</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RS Farias participou    no planejamento da pesquisa, na coleta e an&aacute;lise dos dados. LF Cavalcanti    contribuiu no planejamento da pesquisa e na an&aacute;lise dos dados. O trabalho    de revis&atilde;o e reda&ccedil;&atilde;o do artigo foi desenvolvido de forma    conjunta, com um frequente debate entre as autoras, considerando o conhecimento    acumulado por cada uma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Agradecimentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aos profissionais    e gestores do HMFM pelo acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es e pela disponibilidade    em participar das entrevistas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Brasil. Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de (MS). <i><b>Preven&ccedil;&atilde;o e Tratamento dos Agravos    Resultantes da Viol&ecirc;ncia Sexual contra Mulheres e Adolescentes: Norma    T&eacute;cnica</b></i>. Bras&iacute;lia: MS; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610360&pid=S1413-8123201200070001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Brasil. Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de (MS). <b><i>Aten&ccedil;&atilde;o humanizada ao Aborto: Norma    T&eacute;cnica</i></b>. Bras&iacute;lia: MS; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610362&pid=S1413-8123201200070001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Diniz D, C&ocirc;rrea    M. <i><b>Aborto e Sa&uacute;de P&uacute;blica - 20 anos de pesquisa no Brasil.    Relat&oacute;rio Preliminar</b></i>. Bras&iacute;lia: MS; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610364&pid=S1413-8123201200070001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Galli B. <i><b>Viol&ecirc;ncia    sexual, gravidez indesejada e acesso ao aborto legal</b></i>: uma abordagem    de direitos humanos e igualdade de g&ecirc;nero. Rio de Janeiro: Ipas Brasil;    2005. &#91;acessado 2008 maio 09&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ipas.org.br/arquivos/caso_out2005.doc" target="_blank">http://www.ipas.org.br/arquivos/caso_out2005.doc</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610366&pid=S1413-8123201200070001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. World Health    Organization (WHO). <i><b>World report on violence and health</b></i>. Geneva:    WHO; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610367&pid=S1413-8123201200070001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Travassos C,    Martins M. Uma revis&atilde;o sobre os conceitos de acesso e utiliza&ccedil;&atilde;o    de servi&ccedil;os de sa&uacute;de. <i><b>Cad Saude Publica</b></i> 2004; 20(2):27-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610369&pid=S1413-8123201200070001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Soares G. Profissionais    de sa&uacute;de frente ao aborto legal no Brasil: desafios, conflitos e significados.    <i><b>Cad Saude Publica</b></i> 2003; 19(2):399-406.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610371&pid=S1413-8123201200070001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. D'Oliveira AF,    Schraiber LB. Viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, sa&uacute;de reprodutiva e servi&ccedil;os.    In: Giffin K, Costa SH, organizadores. <i><b>Quest&otilde;es de sa&uacute;de    reprodutiva</b></i>. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1999. p. 337-355.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610373&pid=S1413-8123201200070001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Adesse L, Almeida    LCR. Utilizando princ&iacute;pios de direitos humanos para promover qualidade    nos servi&ccedil;os de aborto no Brasil. <i><b>Revista quest&otilde;es de sa&uacute;de    reprodutiva</b></i> 2006; 1(1):114-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610375&pid=S1413-8123201200070001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Talib RA, Citeli    MT. <i><b>Servi&ccedil;os de Aborto Legal em Hospitais P&uacute;blicos Brasileiros    (1989-2004) Dossi&ecirc;</b></i>. Cadernos nº13. S&atilde;o Paulo: Cat&oacute;licas    pelo Direito de Decidir; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610377&pid=S1413-8123201200070001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Leoc&aacute;dio    EMA. <i><b>Aborto p&oacute;s-estupro</b></i>: uma trama (des)conhecida entre    o direito e a pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de da    mulher &#91;disserta&ccedil;&atilde;o&#93;. Distrito Federal: Universidade Federal    de Bras&iacute;lia; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610379&pid=S1413-8123201200070001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. Souza ER, Minayo    MCS, Deslandes SF, Veiga JPC. Constru&ccedil;&atilde;o dos instrumentos qualitativos    e quantitativos. In: Minayo MCS, Assis SG, Souza ER, organizadores. <i><b>Avalia&ccedil;&atilde;o    por triangula&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos</b></i>: abordagem de programas    sociais. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2005. p. 133-155.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610381&pid=S1413-8123201200070001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13. Sessions G.    <i><b>Avalia&ccedil;&atilde;o em HIV/AIDS</b></i>: uma perspectiva internacional.    Rio de Janeiro: ABIA; 2001. (Cole&ccedil;&atilde;o Fundamentos de Avalia&ccedil;&atilde;o,    nº 2)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610383&pid=S1413-8123201200070001400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14. Minayo MCS.    <i><b>O desafio do conhecimento</b></i>: pesquisa qualitativa em sa&uacute;de.    3ª ed. S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro: Hucitec; 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610384&pid=S1413-8123201200070001400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15. Gomes R. A    an&aacute;lise de dados em pesquisa qualitativa. In: Deslandes SF, Neto CO,    Gomes R, Minayo MCS, organizadores. <i><b>Pesquisa social: teoria, m&eacute;todo    e criatividade</b></i>. 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Rio de Janeiro:    Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610388&pid=S1413-8123201200070001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17. Fa&uacute;ndes    A, Simoneti RM, Duarte GA, Andalaft-Neto J. Factors associated to knowledge    and opinion of gynecologists and obstetricians about the Brazilian legislation    on abortion. <i><b>Rev. bras. epidemiol.</b></i> 2007; 10(1):6-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610390&pid=S1413-8123201200070001400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18. Cavalcanti    LF. <i><b>Projeto de Pesquisa Avalia&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos de    aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia    sexual nas maternidades municipais do Rio de Janeiro</b></i>. Rio de Janeiro:    N&uacute;cleo de Estudos e A&ccedil;&otilde;es em Sa&uacute;de Reprodutiva e    Trabalho Feminino da Escola de Servi&ccedil;o Social da UFRJ; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610392&pid=S1413-8123201200070001400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19. Fa&uacute;ndes    A, Barzelatto J. <i><b>O drama do aborto em busca de um consenso</b></i>. S&atilde;o    Paulo: Komedi; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610394&pid=S1413-8123201200070001400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20. Porto RM. Obje&ccedil;&atilde;o    de consci&ecirc;ncia, aborto e religiosidade: pr&aacute;ticas e comportamentos    dos profissionais de sa&uacute;de em Lisboa. <i><b>Estudos Feministas</b></i>    2008; 16(2):661-666.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1610396&pid=S1413-8123201200070001400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo apresentado    em 30/11/2011    ]]></body>
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