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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS  </b>  BOOK REVIEWS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Everardo Duarte    Nunes</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Departamento de    Sa&uacute;de Coletiva, Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, Universidade    Estadual de Campinas</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>United Nations    Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco). <em>World Social    Science Report: Knowledge Divides</em>. Paris: Unesco; 2010.</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/csc/v17n7/33f01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Resenhar a mais    recente publica&ccedil;&atilde;o da Unesco sobre as ci&ecirc;ncias sociais n&atilde;o    &eacute; tarefa f&aacute;cil. Trata-se de um volumoso e dos mais completos relatos    sobre as ci&ecirc;ncias sociais da &uacute;ltima d&eacute;cada; s&atilde;o 422    p&aacute;ginas (coluna dupla) que os organizadores denominaram <i><b>World Social    Science Report: Knowledge Divides</b></i> e que re&uacute;ne centenas de colaboradores    de todos os continentes que buscaram trabalhar n&atilde;o somente as realidades    dos seus pa&iacute;ses, mas tra&ccedil;ar a trajet&oacute;ria de distintos campos    e temas das ci&ecirc;ncias sociais. As apresenta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    de Irina Bokova (Diretora Geral da Unesco) e Pierre San&eacute; (Assistente    do Diretor Geral para as Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas) e o Pref&aacute;cio    de Gudmund Hernes (Presidente do Conselho Internacional de Ci&ecirc;ncia Social)    e a Introdu&ccedil;&atilde;o Geral de Fran&ccedil;oise Caillods e Laurent Jeanpierre.    S&atilde;o enf&aacute;ticos quando afirmam que as ci&ecirc;ncias sociais alcan&ccedil;am    nesse per&iacute;odo a sua fase de maior influ&ecirc;ncia com seus profissionais    em atividades p&uacute;blicas, privadas e nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    e muitos dos jarg&otilde;es antes acad&ecirc;micos s&atilde;o vulgarizados pela    m&iacute;dia e tornam-se parte da linguagem cotidiana. Mas como anota Hernes    (p. vi) "Entretanto, apesar do seu impacto, os seres humanos enfrentam crises    que p&otilde;em &agrave; prova seu entendimento e a capacidade de enfrent&aacute;-las".    At&eacute; onde as ci&ecirc;ncias sociais podem ajudar nessa compreens&atilde;o    e oferecer instrumentos para os problemas mais candentes &eacute; o que o Relat&oacute;rio    procura oferecer, sem deixar de lado as suas fraturas, separa&ccedil;&otilde;es    e dificuldades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Incluindo o Capitulo que trata das Conclus&otilde;es e futuras linhas de a&ccedil;&atilde;o,    o extenso Relat&oacute;rio est&aacute; dividido em 10 Cap&iacute;tulos, subdivididos    em diversos itens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O primeiro Cap&iacute;tulo    <i><b>Social Sciences facing the world</b></i> trata dos desafios globais e    das perspectivas regionais das ci&ecirc;ncias sociais. S&atilde;o abordados    grandes problemas mundiais: mudan&ccedil;a ambiental, pobreza, crises financeiras,    desigualdade, marginaliza&ccedil;&atilde;o, envelhecimento e o futuro das cidades.    Destaca que algumas ci&ecirc;ncias sociais s&atilde;o mais apropriadas que outras    para discutir determinadas quest&otilde;es: a demografia nas quest&otilde;es    das tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas; a economia na valida&ccedil;&atilde;o    dos indicadores da desigualdade de renda global e a sociologia no estudo do    desenvolvimento das cidades globais. Para apresentar a quest&atilde;o ambiental    global, o especialista &eacute; um ge&oacute;grafo, sendo tamb&eacute;m deste    grupo de cientistas, o que escreve sobre a crise financeira, sendo que o tema    da marginaliza&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia coube a um cientista pol&iacute;tico.    Como consta no Relat&oacute;rio: "Assim este retrato do mundo &eacute; tamb&eacute;m    um espelho da riqueza das ci&ecirc;ncias sociais, e a fertilidade de seus instrumentos    e perspectivas quando se prop&otilde;e a entender hoje os desenvolvimentos nas    sociedades humanas" (p. 9). Os autores deixam claro que hoje os desafios das    sociedades s&atilde;o tamb&eacute;m desafios para as suas disciplinas, for&ccedil;ando-os    a ajust&aacute;-las em suas metodologias e abordagens. Para eles a aten&ccedil;&atilde;o    deve ser dirigida &agrave; pluralidade de contextos, &agrave;s caracter&iacute;sticas    culturais e locais na avalia&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es globais. Outro    ponto &eacute; o da inter-rela&ccedil;&atilde;o entre as mudan&ccedil;as globais    (clima, &aacute;gua, biodiversidade, ecossistemas marinhos, etc.) e a as dimens&otilde;es    humanas, pol&iacute;ticas e organizacionais. Da mesma forma, destacam o grande    interesse sobre a pobreza global, a partir do final de 1990, na agenda pol&iacute;tica,    mas que merece cr&iacute;ticas, especialmente, pelo fato de que sua descontextualiza&ccedil;&atilde;o    "convida para 'solu&ccedil;&otilde;es' que s&atilde;o amplamente inefetivas"    (p. 16). N&atilde;o basta alardear sobre a sua extens&atilde;o para combat&ecirc;-la;    &eacute; necess&aacute;rio dimensionar as desigualdades hist&oacute;rica e estruturalmente,    sem esquecer de, antropologicamente, verificar "o significado da pobreza para    aqueles que realmente a vicenciam, antes de tentar encontrar solu&ccedil;&otilde;es"    (p.15). Ressaltam que a mensura&ccedil;&atilde;o das desigualdades &eacute;    fundamental, mas que isso levanta problemas metodol&oacute;gicos, incluindo    como s&atilde;o definidos a renda e o consumo, o que redunda em s&eacute;rias    quest&otilde;es de compara&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses. Lembram que    talvez em um futuro n&atilde;o muito distante seja poss&iacute;vel desenvolver    um inqu&eacute;rito domiciliar global, organizado pelas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. O tema da crise financeira atual foi abordado a partir da sua ocorr&ecirc;ncia    nas grandes cidades norte-americanas, sendo que a quest&atilde;o urbana, propriamente    dita, foi analisada tomando o conceito de "cidade global" como refer&ecirc;ncia,    ou seja, cidades com m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas,    comerciais, sociais, culturais. Conectado a estas quest&otilde;es o texto que    trabalha com os desafios populacionais evidencia que os principais problemas    s&atilde;o: crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, urbaniza&ccedil;&atilde;o,    envelhecimento e migra&ccedil;&atilde;o internacional. Em rela&ccedil;&atilde;o    aos temas da marginaliza&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia, aponta que h&aacute;    necessidade de uma nova teoria da moderniza&ccedil;&atilde;o, visto que a 'antiga'    n&atilde;o trabalhou com as conex&otilde;es entre as condi&ccedil;&otilde;es    estruturais e os modelos interpretativos de an&aacute;lise, numa perspectiva    fenomenol&oacute;gica, mas que "traga as institui&ccedil;&otilde;es de volta,    assim como o papel das redes sociais e o desempenho" (p. 34, 27).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s situar os grandes problemas, o Relat&oacute;rio faz um retrospecto    sobre os v&aacute;rios conselhos regionais de pesquisa em ci&ecirc;ncias sociais,    apontando que a tend&ecirc;ncia parece ser de regionalmente acompanhar as transforma&ccedil;&otilde;es    no contexto da mudan&ccedil;a global (p. 38). S&atilde;o apresentadas pequenas    s&iacute;nteses e os problemas que enfrentam: o Conselho &Aacute;rabe - incapacidade    dos cientistas sociais participarem nos debates p&uacute;blicos devido &agrave;s    condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas; Associa&ccedil;&atilde;o Asi&aacute;tica    - contrastes entre temas importantes e o isolamento dos pesquisadores; Conselho    Latino Americano - com uma produ&ccedil;&atilde;o original sofre os riscos de    baixos n&iacute;veis de financiamento e coordena&ccedil;&atilde;o dentro e entre    os sistemas cient&iacute;ficos nacionais; Conselho para o Desenvolvimento da    Pesquisa em Ci&ecirc;ncia Social na &Aacute;frica - falta de infraestrutura    em muitos pa&iacute;ses africanos e desafios nos n&iacute;veis epistemol&oacute;gico    e institucional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segundo Cap&iacute;tulo    <i><b>The institutional geography of social science</b></i> focaliza a organiza&ccedil;&atilde;o    institucional dos sistemas de pesquisa em diferentes regi&otilde;es e pa&iacute;ses,    usando v&aacute;rios m&eacute;todos: bibliometria, <i>surveys</i>, revis&otilde;es    e a rede de rela&ccedil;&otilde;es dos pesquisadores. Destaco alguns pontos    de cada realidade estudada, situando as palavras iniciais deste Cap&iacute;tulo,    quando assinala que s&atilde;o enormes as discrep&acirc;ncias e as diversidades    em tamanhos, estruturas institucionais e as condi&ccedil;&otilde;es gerais dos    sistemas de pesquisas ao redor do mundo (p. 53). Em muitos pa&iacute;ses a pesquisa    &eacute; predominantemente exercida nas universidades ou em centros vinculados    a elas, sendo exce&ccedil;&atilde;o os pa&iacute;ses sovi&eacute;ticos, nos    quais a pesquisa &eacute; realizada em academias e institutos fora das universidades.    Os dados sobre a Am&eacute;rica do Norte (Estados Unidos e Canad&aacute;) mostram    que h&aacute; mais de 100 mil cientistas sociais engajados na pesquisa acad&ecirc;mica,    al&eacute;m de um grande n&uacute;mero em institui&ccedil;&otilde;es governamentais,    empresas privadas e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o lucrativas. De um    modo geral, os profissionais trabalham na sa&uacute;de p&uacute;blica, educa&ccedil;&atilde;o    e servi&ccedil;o social, sendo que n&atilde;o h&aacute; &oacute;rg&atilde;os    centrais governamentais de financiamento de pesquisas. Se, de um lado, ocorreu    um interesse acad&ecirc;mico de "olhar para dentro" do campo, de outro, se expressa    o desejo de um "engajamento p&uacute;blico" em esfor&ccedil;os disciplinares    espec&iacute;ficos para subsidiar a "sociologia p&uacute;blica", a "antropologia    p&uacute;blica", etc. Para a Am&eacute;rica Latina, os autores apontam que o    desafio &eacute; "construir abordagens te&oacute;ricas renovadas capazes de    orientar a pesquisa e a a&ccedil;&atilde;o". Lembram que o ex&iacute;lio de    muitos pesquisadores da Argentina, Chile e Uruguai, de 1950-1980, for&ccedil;ou    tanto a profissionaliza&ccedil;&atilde;o e a institucionaliza&ccedil;&atilde;o    de muitas disciplinas do social em termos internacionais, mas "expandiu a orienta&ccedil;&atilde;o    do campo frente a uma perspectiva regional latino-americana" (p. 59). Sem d&uacute;vida,    "as universidades s&atilde;o atores institucionais cruciais" para as ci&ecirc;ncias    sociais e humanidades, e a expans&atilde;o do n&uacute;mero de estudantes inicia-se    nos anos 70, estreitamente relacionada &agrave; expans&atilde;o do setor privado    na educa&ccedil;&atilde;o superior. A exce&ccedil;&atilde;o &eacute; a Argentina    onde 79% dos estudantes de cursos superiores pertencem &agrave;s faculdades    p&uacute;blicas, mas em outros pa&iacute;ses como M&eacute;xico, Col&ocirc;mbia,    Costa Rica, Chile e Rep&uacute;blica Dominicana, especialmente no Brasil, predomina    o setor privado. Outro dado importante &eacute; que 90% das institui&ccedil;&otilde;es    da regi&atilde;o est&atilde;o envolvidas somente em atividades de ensino, sendo    que a maior parte da pesquisa &eacute; realizada nos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o,    figurando o Brasil e M&eacute;xico com mais de dois ter&ccedil;os da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    em universidades p&uacute;blicas. Ag&ecirc;ncias estatais de fomento existem    em alguns pa&iacute;ses - Brasil (CNPq), Argentina (Conicet), Col&ocirc;mbia,    Chile, Costa Rica, M&eacute;xico (Conacyt), Venezuela, ao lado de algumas ag&ecirc;ncias    de consultoria de car&aacute;ter independente (Cebrap, Brasil; Cedes, Argentina)    no campo das ci&ecirc;ncias sociais. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o,    o Brasil produz cerca de 10 mil mestres e 2.500 doutores anualmente, em ci&ecirc;ncias    sociais, conforme dados Capes, de 2007. Ponto destacado pelos autores desta    apresenta&ccedil;&atilde;o &eacute; o fato de que no final dos anos 90, as ci&ecirc;ncias    sociais entraram em um "per&iacute;odo de autoavalia&ccedil;&atilde;o", quando    muitos pesquisadores falaram de uma "crise no campo e de novos desafios postos    pelos desenvolvimentos do s&eacute;culo vinte e um". Frente &agrave; grande    perda de seu lado cr&iacute;tico e de sua contribui&ccedil;&atilde;o para a    an&aacute;lise dos fen&ocirc;menos sociais e culturais, impunha-se um "novo    discurso" que se voltasse para as quest&otilde;es de mercado, competitividade,    racionaliza&ccedil;&atilde;o, governabilidade, etc., assim como o retorno a    algumas ideias dos anos 60 e 70, tais como: subjetividade de grupos ind&iacute;genas    e marginalizados, estudos culturais, estudos da ci&ecirc;ncia e estudos feministas.    Temas como movimentos sociais, participa&ccedil;&atilde;o social, multiculturalismo,    identidades latino-americanas, educa&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia urbana    ressurgem e novos, como tecnologias da m&iacute;dia, informa&ccedil;&atilde;o,    comunica&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento sustent&aacute;vel e mudan&ccedil;a    clim&aacute;tica juntam-se a uma nova agenda.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pelos limites de uma resenha, n&atilde;o podemos detalhar o estado das ci&ecirc;ncias    sociais em todas as regi&otilde;es geogr&aacute;ficas, mas destacar pontos que    nos chamam a aten&ccedil;&atilde;o. No caso dos pa&iacute;ses do norte da &Aacute;frica,    as ci&ecirc;ncias sociais s&atilde;o praticadas predominantemente dentro das    universidades, poucos pa&iacute;ses t&ecirc;m institutos de pesquisas, os quais    contam com parcos recursos governamentais e com modestas contribui&ccedil;&otilde;es    na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O destaque &eacute; para os pa&iacute;ses    sul-africanos onde se localizam as universidades mais produtivas. No mundo &aacute;rabe    a pesquisa cient&iacute;fica n&atilde;o desempenha um papel espec&iacute;fico,    mas "h&aacute; significantes diferen&ccedil;as entre regi&otilde;es e pa&iacute;ses".    De um modo geral, discute-se a utilidade das ci&ecirc;ncias sociais que "tendem    a ser olhadas como uma atividade cultural" (p. 71). Na China ocorre uma reintrodu&ccedil;&atilde;o    das ci&ecirc;ncias sociais, assim, a sociologia banida em 1952, volta em 1979,    mantendo suas caracter&iacute;sticas acad&ecirc;micas, mas com maior integra&ccedil;&atilde;o    nas quest&otilde;es das pol&iacute;ticas sociais, incluindo, dentre outras a    urbaniza&ccedil;&atilde;o e as reformas no cuidado &agrave; sa&uacute;de. Na    regi&atilde;o que compreende o sul da &Aacute;sia, a principal refer&ecirc;ncia    das ci&ecirc;ncias sociais &eacute; a &Iacute;ndia onde as universidades e as    funda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, mas aut&ocirc;nomas, realizam a maior    parte das pesquisas, cujas publica&ccedil;&otilde;es em &acirc;mbito internacional    s&atilde;o ainda modestas. Nos outros pa&iacute;ses (Paquist&atilde;o, Bangladesh,    Sri Lanka) as ci&ecirc;ncias sociais est&atilde;o em decl&iacute;nio. Em rela&ccedil;&atilde;o    ao status das ci&ecirc;ncias sociais na Europa, os autores iniciam dizendo que    "vista como o ber&ccedil;o das ci&ecirc;ncias sociais", a organiza&ccedil;&atilde;o    da pesquisa passou por grandes reformas nos &uacute;ltimos vinte anos. Mesmo    conservando as suas caracter&iacute;sticas nacionais e supranacionais, sente-se    um incremento no papel das funda&ccedil;&otilde;es e seu papel no financiamento    das pesquisas. Pontos comuns encontrados nos pa&iacute;ses (Europa Ocidental    e Central): carreiras de pesquisa relativamente est&aacute;veis; homogeneidade    nos cargos efetivos nas universidades e organiza&ccedil;&otilde;es estatais;    concentra&ccedil;&atilde;o da pesquisa nas universidades p&uacute;blicas, academias    e centros de pesquisa; frequente sobreposi&ccedil;&atilde;o entre ensino e pesquisa;    relativa autonomia da academia; organiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa ao longo    de linhas estritamente disciplinares. Os autores apontam que h&aacute; a necessidade    de um trabalho conjunto das institui&ccedil;&otilde;es na forma&ccedil;&atilde;o    de novas gera&ccedil;&otilde;es de cientistas frente &agrave;s demandas sociais,    econ&ocirc;micas, tecnol&oacute;gicas e clim&aacute;ticas enfrentadas por muitos    pa&iacute;ses europeus. Do ponto de vista das bases que fundamentam as ci&ecirc;ncias    sociais, na Europa elas est&atilde;o "fortemente enraizadas nas humanidades    e enfatizam suas origens hist&oacute;ricas no desenvolvimento econ&ocirc;mico    e social" (p. 86), sendo que h&aacute; mais cientistas sociais nas universidades,    quando comparado aos Estados Unidos. Lembram, ainda, que o marxismo, como ideologia    pol&iacute;tica, tem sido amplamente rejeitado, mas "a influ&ecirc;ncia da sua    &ecirc;nfase sobre as rela&ccedil;&otilde;es de classe e poder dentro da sociedade    continuam vivas". Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia, apontam 23.200    pesquisadores em 2007, com grupos din&acirc;micos de pesquisa, mas que frequentemente    "produzem an&aacute;lises superficiais sob a press&atilde;o de resultados imediatos"    (p. 89). O lado positivo &eacute; que as ci&ecirc;ncias sociais e humanas russas    t&ecirc;m conservado suas originalidades pelas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas    culturais, mas de outro lado, deve-se reconhecer que no come&ccedil;o do s&eacute;culo    XXI "a sociedade russa parece incapaz de formular respostas que adequadamente    abranjam a escala dos problemas que ela enfrenta". Sobre a Nova Zel&acirc;ndia,    as informa&ccedil;&otilde;es relatam um crescimento de pesquisas relacionadas    &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, fam&iacute;lia    e sociedade, sa&uacute;de e incapacidade, principalmente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    3 <i><b>Unequal capacities</b></i> analisa as desgualdades na produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos, apontando os d&eacute;ficits na capacita&ccedil;&atilde;o    em ci&ecirc;ncias sociais nas diversas regi&otilde;es geogr&aacute;ficas. Os    autores situam que a capacita&ccedil;&atilde;o envolve tr&ecirc;s n&iacute;veis:    individual, organizacional e do sistema sociopol&iacute;tico. S&atilde;o analisados    os desafios para o desenvolvimento cient&iacute;fico nos estados &aacute;rabes,    pa&iacute;ses africanos, pa&iacute;ses asi&aacute;ticos (exce&ccedil;&atilde;o    feita &agrave; China e &Iacute;ndia) que t&ecirc;m investido muito lentamente    em pesquisas e n&atilde;o demonstram conex&otilde;es com as tend&ecirc;ncias    internacionais. Na mesma sequ&ecirc;ncia, os desafios tra&ccedil;ados para a    Am&eacute;rica Latina relacionam-se a: financiar projetos com abordagem cr&iacute;tica,    vincular essas pesquisas &agrave; p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, disponibilizar    informa&ccedil;&otilde;es e pesquisas e dissemin&aacute;-las por meio de novas    tecnologias, promover a participa&ccedil;&atilde;o regional de cientistas daquelas    &aacute;reas menos desenvolvidas. Dentre as sugest&otilde;es, lembram a necessidade    de pesquisas regionais abordando a pobreza e as desigualdades sociais. Dois    outros temas fazem parte deste cap&iacute;tulo: a "fuga" e a "circula&ccedil;&atilde;o"    de c&eacute;rebros e a capacidade de superar as divis&otilde;es entre os pa&iacute;ses.    O relat&oacute;rio ressalta que em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro tema, ele    tem suas origens principalmente por raz&otilde;es econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas,    levando estudantes que n&atilde;o retornam aos seus pa&iacute;ses ap&oacute;s    a forma&ccedil;&atilde;o graduada ou p&oacute;s-graduada. Calcula-se que de    1960-1990, 1 milh&atilde;o de estudantes sa&iacute;ram de seus pa&iacute;ses    para estudar em outros centros. Dados de 2005 situam os Estados Unidos como    tendo recebido o maior n&uacute;mero de estudantes (595.900, dos quais 25% da    China e &Iacute;ndia), seguido do Reino Unido, Alemanha, Fran&ccedil;a e Austr&aacute;lia.    Sobre a Am&eacute;rica Latina os dados s&atilde;o heterog&ecirc;neos, mas sugerem    que a mobilidade das elites cient&iacute;ficas para o exterior &eacute; "apenas    um aspecto de um fen&ocirc;meno mais amplo de mobilidade internacional" (p.    122). Interessante a avalia&ccedil;&atilde;o sobre as Filipinas, com uma constante    migra&ccedil;&atilde;o de profissionais, mas cujos efeitos s&atilde;o vistos    como positivos, na medida em que "A di&aacute;spora &eacute; central na constru&ccedil;&atilde;o    da coopera&ccedil;&atilde;o com acad&ecirc;micos em seus pa&iacute;ses de origem,    assim ajudando sua integra&ccedil;&atilde;o nas redes de pesquisas internacionais"    (p. 117). Relatam, tamb&eacute;m, o retorno de muitos pesquisadores indianos,    na onda da recess&atilde;o norte-americana. Outro tema importante &eacute; como    os pa&iacute;ses est&atilde;o enfrentando a capacita&ccedil;&atilde;o para a    pesquisa. Nesse item, destaco o Brasil. Os dados de 2008 mostram que 33% dos    mestrandos e 26% dos doutorandos pertencem &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais,    predominando a &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, seguida pela hist&oacute;ria,    psicologia, sociologia e direito nos doutorados. Assinale-se a expans&atilde;o    da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o que atingiu 2.568 programas, dos quais    692 eram de ci&ecirc;ncias sociais, mas com distribui&ccedil;&atilde;o bastante    desigual no pa&iacute;s, concentrando-se 70% nas regi&otilde;es sul e sudeste.    Quanto &agrave; empregabilidade (em 2004), 66% dos doutores estavam em institui&ccedil;&otilde;es    educacionais, 18% na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, defesa nacional    ou seguridade social e somente 1,2% na esfera industrial Al&eacute;m de destacar    o papel da Capes, CNPq e Finep, &eacute; lembrado que no Brasil a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    permanece essencialmente p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    4 <i><b>Uneven internationalization</b></i> analisa a dimens&atilde;o crescentemente    global assumida pelas ci&ecirc;ncias sociais, num processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o.    Em um primeiro momento, este processo "reduz as divis&otilde;es do conhecimento    das ci&ecirc;ncias sociais entre diferentes regi&otilde;es do mundo sem destruir    a diversidade" (p. 143), mas quando visto pelos crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o (coautoria entre pesquisadores de diferentes pa&iacute;ses),    como tamb&eacute;m onde s&atilde;o produzidos os peri&oacute;dicos e os artigos,    a internacionaliza&ccedil;&atilde;o tem sido questionada. Como &eacute; mostrado    "A produ&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia social e colabora&ccedil;&atilde;o    ret&eacute;m um forte padr&atilde;o centro-periferia e tem uma estrutura altamente    assim&eacute;trica de troca. Mas h&aacute; sinas de mudan&ccedil;a gradual"    (p. 144). Assim, um dos artigos situa o dom&iacute;nio da Am&eacute;rica do    Norte e Europa Ocidental nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, quando analisado    por meio do n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es conjuntas (artigos com    dois endere&ccedil;os institucionais de diferentes pa&iacute;ses). Na mesma    dire&ccedil;&atilde;o est&aacute; o predom&iacute;nio de cita&ccedil;&otilde;es    nos artigos produzidos, sendo que estas regi&otilde;es foram grandemente favorecidas    pela globaliza&ccedil;&atilde;o e internacionaliza&ccedil;&atilde;o da pesquisa.    Aponta que o risco &eacute; a exclus&atilde;o de "pesquisadores menos favorecidos"    dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, em nome de um discurso que aborde "temas    de relev&acirc;ncia global". Outro tema refere-se &agrave; prefer&ecirc;ncia    pelo uso do ingl&ecirc;s - menos pronunciado nas ci&ecirc;ncias sociais do que    nas naturais, mas mais do que nas humanidades, com varia&ccedil;&otilde;es dentro    e entre as disciplinas. A segunda l&iacute;ngua &eacute; o franc&ecirc;s, seguida    do alem&atilde;o (dados de 2005).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    5 <i><b>Homogenizing or pluralizing social sciences</b></i> retoma a discuss&atilde;o    da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias    sociais, mas focando a hip&oacute;tese se ela pode levar &agrave; homogeneiza&ccedil;&atilde;o    do conhecimento. A primeira resposta &eacute; que isso pode se dar no caso das    ci&ecirc;ncias sociais ocidentais, especialmente a norte-americana, dominarem    o contexto da pesquisa, definindo metodologias, teorias e tem&aacute;ticas,    o que levaria outras regi&otilde;es a adotarem esses padr&otilde;es a fim de    "tornarem vis&iacute;veis a sua produ&ccedil;&atilde;o". De outro lado, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o    facilita "o advento de vozes divergentes no cen&aacute;rio mundial" produzindo    o "encontro de ideias e m&eacute;todos heterog&ecirc;neos" (p. 167). O Cap&iacute;tulo    aborda esses dois pontos indicando que os pesquisadores do "global South" voltam-se    mais para estudos emp&iacute;ricos e de coleta de dados e as quest&otilde;es    te&oacute;ricas desses trabalhos nos pa&iacute;ses norte-ocidentais. Frente    &agrave; universalidade buscada por essa ci&ecirc;ncia social, tem emergido    correntes contra hegem&ocirc;nicas, desde 1960. Um ponto discutido refere-se    ao fato de aparecerem nesses pa&iacute;ses "sociologias locais" num processo    de dissid&ecirc;ncia frente a domina&ccedil;&atilde;o. Isto tem rela&ccedil;&atilde;o    a cr&iacute;ticas quer seja ao eurocentrismo, desconstru&ccedil;&atilde;o do    orientalismo e estudos antropol&oacute;gicos. N&atilde;o se pode falar de um    "movimento intelectual unificado", mas de diferentes processos ocorrendo nos    pa&iacute;ses em desenvolvimento como discursos alternativos, como &eacute;    exemplificado no caso das ci&ecirc;ncias sociais na &Aacute;sia e como    analisam alguns autores "O objetivo n&atilde;o &eacute; substituir o eurocentrismo    com qualquer outro etnocentrismo", mas de respeitar as diferen&ccedil;as (p.    172). Interessante, tamb&eacute;m, a discuss&atilde;o que n&atilde;o podemos    estender nesta resenha &eacute; sobre a quest&atilde;o epistemol&oacute;gica    frente ao sexismo e ao racismo. Os dois itens finais desse cap&iacute;tulo apresentam    as tens&otilde;es entre conhecimento global e local em tr&ecirc;s pa&iacute;ses    do Maghreb, Jap&atilde;o e China. Destaco a China cujo processo de ocidentaliza&ccedil;&atilde;o    das ci&ecirc;ncias sociais &eacute; criticado frente &agrave; ideia de que "Para    estabelecer a autonomia acad&ecirc;mica, as ci&ecirc;ncias sociais chinesas    devem mover-se em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo (...), mas o processo 'envolve    mais do que integra&ccedil;&atilde;o' (...) 'sugere participa&ccedil;&atilde;o    no discurso acad&ecirc;mico e trocas com cientistas de outros lugares'". (p.    183).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    6 <i><b>Disciplinary territories</b></i> analisa em tr&ecirc;s partes: as disciplinas    e suas divis&otilde;es, cruzando as fronteiras disciplinares e varia&ccedil;&otilde;es    regionais. Parte de uma observa&ccedil;&atilde;o interessante, "As disciplinas    s&atilde;o para a esfera cient&iacute;fica o que os estados-na&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o para a esfera pol&iacute;tica global" (p. 189). Nesse sentido, "as    divis&otilde;es nas ci&ecirc;ncias sociais n&atilde;o s&atilde;o somente divis&otilde;es    entre tradi&ccedil;&otilde;es nacionais de sistemas e pesquisas, mas configuram    divis&otilde;es entre e dentro das disciplinas, levando &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de especialidades e subdisciplinas". Repensar a hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias    sociais e humanidades al&eacute;m das duas perspectivas, como um "progresso    constante" ou como "um per&iacute;odo de decl&iacute;nio de uma Idade de Ouro    anterior (a atual)" &eacute; um dos pontos de destaque, visto que elas n&atilde;o    se sustentam (p. 191, 192). Frente &agrave;s possiblidades de uma "hist&oacute;ria    espacial", sugere-se o estudo em tr&ecirc;s &eacute;pocas: origens europeias,    primeira globaliza&ccedil;&atilde;o com a emerg&ecirc;ncia da hegemonia americana    (em especial para as ci&ecirc;ncias sociais e menos para as humanidades) e regionaliza&ccedil;&atilde;o    pluralista. O artigo considera que essa pluralidade pode ser mais promissora    e efetivamente ser competitiva no plano global. Um outro ponto deste cap&iacute;tulo    &eacute; sobre o decl&iacute;nio da sociologia e da antropologia e o crescimento    da economia e da psicologia. Esta avalia&ccedil;&atilde;o baseia-se nos dados    entre 1980-2007 dos artigos do SSCI (Social Science Citation Index), num total,    respectivamente de 55 mil e 93 mil. Duas &aacute;reas s&atilde;o ainda lembradas    como destaque: a integra&ccedil;&atilde;o do direito e ci&ecirc;ncias sociais    e a emerg&ecirc;ncia dos estudos de comunica&ccedil;&atilde;o como novo campo    de pesquisa. Da mesma forma, salienta-se uma "mudan&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es    intelectuais" com subcampos que apareceram mais recentemente - sociologia econ&ocirc;mica,    socioecon&ocirc;mica e economia pol&iacute;tica internacional, possibilitando    o cruzamento da economia e da sociologia. Na perspectiva conceitual, a utiliza&ccedil;&atilde;o    da no&ccedil;&atilde;o de "capital social" e o uso comum de metodologias quantitativas    t&ecirc;m concorrido para a maior aproxima&ccedil;&atilde;o das duas disciplinas.    Outra quest&atilde;o tratada dentro da tem&aacute;tica refere-se &agrave; exist&ecirc;ncia    de uma ou de muitas ci&ecirc;ncias sociais. A resposta &eacute; que "H&aacute;    somente uma ci&ecirc;ncia social, mas ela n&atilde;o &eacute; unificada" (Elster,    p. 199). Al&eacute;m do car&aacute;ter cumulativo da ci&ecirc;ncia, aponta que    "A principal candidata a uma teoria da ci&ecirc;ncia social &eacute; a teoria    da escolha racional, incluindo a teoria dos jogos" (paradigma dominante na economia    e em menor grau na ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica). Dentre os assuntos abordados,    cite-se a economia comportamental e as quest&otilde;es sobre as escolhas e as    a&ccedil;&otilde;es individuais. Ao final, sugere que uma base em hist&oacute;ria    pode ser um caminho para "criar uma ci&ecirc;ncia social unit&aacute;ria com    uma linguagem comum" (p. 202). Dois verbetes encerram este t&oacute;pico: hist&oacute;ria    global e an&aacute;lise espacial. A segunda parte deste Cap&iacute;tulo trabalha    o cruzamento de tr&ecirc;s culturas epist&ecirc;micas que abrangem muitas disciplinas:    as ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas e naturais, as artes e humanidades e as ci&ecirc;ncias    sociais e as dificuldades dessa tarefa. Para repensar as rela&ccedil;&otilde;es    ci&ecirc;ncias naturais e sociais as pesquisas incluem: estudos lingu&iacute;sticos    entre linguistas, historiadores, arque&oacute;logos e geneticistas; estudos    da mente humana, da filosofia da mente e consci&ecirc;ncia e a colabora&ccedil;&atilde;o    entre fil&oacute;sofos, psic&oacute;logos e neurologistas; tamb&eacute;m, entre    matem&aacute;ticos, l&oacute;gicos e cientistas da computa&ccedil;&atilde;o,    como no campo da bio&eacute;tica. O tema leva a repensar as rela&ccedil;&otilde;es    entre centros e periferias na quest&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o    de novos conhecimentos. Este longo Cap&iacute;tulo apresenta os desafios interdisciplinares    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa clim&aacute;tica, campo novo para    os cientistas sociais num trabalho junto com dem&oacute;grafos, estat&iacute;sticos    e economistas. Al&eacute;m deste ponto, outro tema refere-se ao papel da psicologia    num mundo em mudan&ccedil;a e &agrave; necessidade de interc&acirc;mbios com    as ci&ecirc;ncias sociais e biol&oacute;gicas. Para finalizar este Cap&iacute;tulo    s&atilde;o apresentados dois trabalhos que tratam da ci&ecirc;ncia social norte-americana    "al&eacute;m das disciplinas", salientando a import&acirc;ncia das conex&otilde;es    interdisciplinares e da reconfigura&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias sociais    na &Iacute;ndia, com &ecirc;nfase na economia, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    7 <i><b>Competing in the knowledge society</b></i> em tr&ecirc;s partes analisa:    os rankings globais - as ci&ecirc;ncias sociais e o ranking das universidades,    alternativas para os atuais <i><b>rankings</b></i>, uma "nova ind&uacute;stria"    os <i><b>rankings</b></i> das universidades e as ci&ecirc;ncias sociais, as    universidades de "classe" e o sul; a avalia&ccedil;&atilde;o da pesquisa - conceitos,    limites da bibliometria, pr&oacute;s e contras, avalia&ccedil;&atilde;o no Reino    Unido e na Espanha; projetos de financiamento e agenda. De todo esse Cap&iacute;tulo    ressalto alguns aspectos. As primeiras observa&ccedil;&otilde;es feitas dirigem-se    &agrave; quest&atilde;o que as metodologias adotadas para se chegar a esses <b>   <i>rankings</i></b> (Shanghai Jiao Tong University Rankings - SITUIHE e outros)    s&atilde;o controvertidas, mas t&ecirc;m se tornado populares. Um dos pontos    levantados diz respeito &agrave; &ecirc;nfase em artigos de peri&oacute;dicos    minimizando monografias que s&atilde;o mais comuns nas ci&ecirc;ncias sociais.    Sendo o <i><b>ranking</b></i> de universidades uma "realidade prov&aacute;vel    de permanecer e multiplicar", considera-se importante "acrescentar aos <i><b>rankings</b></i>    novos atores com indicadores alternativos para o conjunto de disciplinas, para    o ensino e a aprendizagem e para as atividades avaliadas por comiss&otilde;es    (Plano da Comiss&atilde;o Europeia, 2008). Estes pontos se revelam importantes    porque h&aacute; claras diferen&ccedil;as no papel desempenhado pelas publica&ccedil;&otilde;es    das ci&ecirc;ncias naturais e m&eacute;dicas que dominam os rankings e as ci&ecirc;ncias    sociais e sugerem a cria&ccedil;&atilde;o de uma base de dados nacionais ou    universit&aacute;rios cobrindo todas as publica&ccedil;&otilde;es, inclusive    ci&ecirc;ncias sociais (p. 238). Certamente, os rankings t&ecirc;m se tornado    instrumentos para pol&iacute;ticas educacionais, apesar das suas limita&ccedil;&otilde;es.    O THE (Time Higher Education) que avalia 300 universidades com atividades em    ci&ecirc;ncias sociais no mundo, em 2008, apresentou os seguintes resultados    (aqui anotamos somente as 10 primeiras universidades) por ordem decrescente:    Harvard, California (Berkerley), Stanford, London School of Economics and Political    Sciences, Cambridge, Oxford, Yale, Chicago, Princeton, Massachussets Institute    of Technology (MIT). Aponta-se que esse <i><b>ranking</b></i> varia de acordo    com a &ecirc;nfase, quer seja da "popularidade" dentro da comunidade acad&ecirc;mica    (&eacute; o caso do THE) ou nos resultados cient&iacute;ficos (Scimago Institutions    Ranking) (p. 244). Neste Cap&iacute;tulo aparecem fortes cr&iacute;ticas por    parte de pesquisadores (por ex. Saleen Badat - Rhodes University South Africa)    quando salientam que "As ci&ecirc;ncias sociais e as humanidades n&atilde;o    t&ecirc;m que se integrar no discurso acad&ecirc;mico internacional no mesmo    n&iacute;vel que as ci&ecirc;ncias naturais a fim de alcan&ccedil;arem um alto    padr&atilde;o qualitativo" (p. 250). Para isso, devem ser julgadas considerando    suas especificidades. Da mesma forma, h&aacute; cr&iacute;ticas sobre os limites    do uso das an&aacute;lises bibliom&eacute;tricas devido: propor&ccedil;&atilde;o    mais baixa de artigos, taxa de envelhecimento dos artigos e cita&ccedil;&otilde;es    (nas artes e humanidades a "vida &uacute;til" do conhecimento &eacute; mais    longa do que em outros campos; nas ci&ecirc;ncias sociais a idade &eacute; altamente    similar &agrave;s ci&ecirc;ncias naturais e engenharias) e a relev&acirc;ncia    local das ci&ecirc;ncias sociais e humanidades (mais frequentemente os pesquisadores    dessas &aacute;reas publicam em sua l&iacute;ngua materna). Tema sempre presente    &eacute; o da import&acirc;ncia de livros e publica&ccedil;&otilde;es seriadas    (cont&iacute;nuas) para as ci&ecirc;ncias sociais e humanas, como tamb&eacute;m    rever o papel dos rankings e da escolha dos indicadores de qualidade. Da mesma    forma, aten&ccedil;&atilde;o deve ser dada ao sistema dos "peer reviewers" em    termos de originalidade, seletividade-sensibilidade, capacidade de resposta-rigor,    efic&aacute;cia-efici&ecirc;ncia, validade-confian&ccedil;a. Tamb&eacute;m,    analisam-se as rela&ccedil;&otilde;es entre os indicadores e a concess&atilde;o    de fundos para pesquisa, sendo que se conclui que mesmo uma moderada associa&ccedil;&atilde;o    "dificilmente ocorre". Em rela&ccedil;&atilde;o aos fundos, as ci&ecirc;ncias    sociais e humanidades t&ecirc;m obtido mais verbas governamentais na China,    dentro de crit&eacute;rios que envolvem dentre outros, originalidade e impacto    social dos projetos. Esta tem sido tamb&eacute;m a pol&iacute;tica do Canad&aacute;,    com fundos para programas que estendam seus benef&iacute;cios de pesquisa "al&eacute;m    da academia".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    8, <i><b>Disseminating social sciences</b></i> aborda dois temas: as rela&ccedil;&otilde;es    ci&ecirc;ncias sociais, educa&ccedil;&atilde;o e sociedade e a difus&atilde;o    e o acesso do conhecimento. As quest&otilde;es levantadas no primeiro tema referem-se    &agrave; participa&ccedil;&atilde;o dos cientistas sociais nas pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas e privadas, "regularmente acusados de estarem mais interessados    em detalhes conceituais e metodol&oacute;gicos e de se recusarem a se engajar    em assuntos de interesse p&uacute;blico" (p. 285). Claro, que isto n&atilde;o    se aplica a todos, pois h&aacute; muitos que "disseminam seu conhecimento ativamente"    - ensinam, publicam e divulgam. Os destaques das ocupa&ccedil;&otilde;es do    espa&ccedil;o p&uacute;blico pelas ci&ecirc;ncias sociais s&atilde;o: ensino,    constru&ccedil;&atilde;o de conceitos chaves e modelos anal&iacute;ticos, avalia&ccedil;&atilde;o    de assuntos priorit&aacute;rios da agenda pol&iacute;tica, "falar a verdade    frente ao poder" e avaliar criticamente as pol&iacute;ticas e as ideologias    do poder. Como &eacute; apontado, isso depende de cada realidade e pa&iacute;s    e dos interesses nacionais. As discuss&otilde;es neste Cap&iacute;tulo sobre    o papel dos cientistas sociais estendem-se da m&iacute;dia &agrave;s universidades;    das salas de aulas &agrave;s cafeterias e crescentemente da internet. Destaca-se    a import&acirc;ncia das ci&ecirc;ncias sociais no ensino secund&aacute;rio e    universit&aacute;rio e a necessidade de mais pesquisas sobre esse tema. Outro    tema inclu&iacute;do diz respeito aos livros did&aacute;ticos e manuais no ensino    (&aacute;rea muito pouco pesquisada) e seu "papel estrat&eacute;gico na cristaliza&ccedil;&atilde;o    do conhecimento" (p. 292), mas que deve refletir o car&aacute;ter pluralista    do campo. Chama-se aten&ccedil;&atilde;o para a nova gera&ccedil;&atilde;o de    atores formada pelos alunos como "importante canal atrav&eacute;s do qual as    ci&ecirc;ncias sociais influenciam a sociedade" (p. 294). Sobre os doutores    em ci&ecirc;ncia social, s&atilde;o apresentados dados de alguns pa&iacute;ses    da OECD (Oragnization for Economic Co-operation and Development) com cerca de    52 mil doutorados (2006) nos mais diversos campos, incluindo jornalismo, informa&ccedil;&atilde;o,    neg&oacute;cios e administra&ccedil;&atilde;o, etc., com 52% de mulheres desse    total. A maioria dos doutores trabalha como pesquisadores e docentes no ensino    superior, como, tamb&eacute;m, nas ocupa&ccedil;&otilde;es gerenciais. Sobre    o tema da difus&atilde;o do conhecimento, o Capitulo mostra que tem havido mudan&ccedil;as    relacionadas aos peri&oacute;dicos impressos, publica&ccedil;&atilde;o de monografias    (que t&ecirc;m sido reduzidas), livros did&aacute;ticos, especialmente frente    ao acesso aberto (forma de reduzir gastos) e &agrave; cobertura dos gastos de    publica&ccedil;&atilde;o pelos autores. Estas quest&otilde;es variam entre as    disciplinas e os pa&iacute;ses. Cita-se que o dep&oacute;sito dos peri&oacute;dicos    para livre acesso vem ocorrendo crescentemente na Am&eacute;rica Latina. Especial    aten&ccedil;&atilde;o foi dedicada &agrave;s novas ICT (tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o    e comunica&ccedil;&atilde;o, em ingl&ecirc;s) e seu papel junto &agrave;s formas    mais convencionais como informa&ccedil;&atilde;o oral e impressa, coexistindo    com as digitais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Cap&iacute;tulo    9 <i>Social <b>Sciences and policymakers</b></i> aborda em tres se&ccedil;&otilde;es:    o uso e abuso pol&iacute;tico das ci&ecirc;ncias sociais, tomada de decis&atilde;o    baseada em evid&ecirc;ncias e os <b>'<i>brokers</i>'</b> e <b>'<i>think-tanks</i>'</b>    do conhecimento. Em realidade, este Cap&iacute;tulo complementa muitas quest&otilde;es    abordadas anteriormente, mas como resumem os autores "Este cap&iacute;tulo come&ccedil;a    por explorar as diferen&ccedil;as entre a racionalidade cient&iacute;fica e    as formas de racionalidade social e pol&iacute;tica" (p. 317). Aponta que por    n&atilde;o serem lineares, as rela&ccedil;&otilde;es entre pesquisa e os formuladores    de pol&iacute;ticas s&atilde;o atravessadas por intui&ccedil;&atilde;o, ideologia    ou press&atilde;o de grupos interessados e os formuladores muitas vezes n&atilde;o    querem ouvir o que a ci&ecirc;ncia tem a dizer, como foi o caso da AIDS (p.    318, 325-328). Como &eacute; mostrado, isto n&atilde;o impede que se busquem    forma de engajamentos, de inova&ccedil;&otilde;es no momento em que ocorrem    tantos processos como globalidade/diversidade, m&uacute;ltiplas modernidades,    muitas formas de capitalismo, exigem perspectivas de estudo e an&aacute;lises    num movimento no qual "o natural e o feito pelo homem est&atilde;o intrinsecamente    entrela&ccedil;ados". (p. 321). Dentre as in&uacute;meras quest&otilde;es que    s&atilde;o postas neste Cap&iacute;tulo, somente algumas refer&ecirc;ncias evidenciam    a import&acirc;ncia do tema. Destaco, por exemplo, programas educacionais e    de sa&uacute;de no M&eacute;xico, Nicar&aacute;gua, Equador e Honduras (denominado    Progresa) que testados no primeiro pa&iacute;s, de forma experimental, foram    posteriormente reaplicados nos outros. Isto, segundo a an&aacute;lise, leva    a concluir que "Experimentos criam um di&aacute;logo mutuamente enriquecedor    entre a ci&ecirc;ncia social e o desenho de pol&iacute;ticas" (p. 332). N&atilde;o    foi marginalizado neste Cap&iacute;tulo o tema das estat&iacute;sticas como    indicadores de desempenho, mas com a advert&ecirc;ncia de que no s&eacute;culo    XXI elas dever&atilde;o estar associadas &agrave;s formula&ccedil;&otilde;es    referidas pelas quest&otilde;es ecol&oacute;gicas, sociais e feministas, numa    cr&iacute;tica &agrave;s estat&iacute;sticas tradicionais. O cap&iacute;tulo    encerra a tem&aacute;tica com dois trabalhos que abordam a defasagem entre as    pesquisas acad&ecirc;micas e os usu&aacute;rios, formuladores de pol&iacute;ticas    e sociedade civil e as institui&ccedil;&otilde;es que emergiram fora das universidades.    Destacam os 'think-tanks' que apareceram nos Estados Unidos no come&ccedil;o    do s&eacute;culo XX e se espalharam por outros pa&iacute;ses e seu papel de    produzir e divulgar o conhecimento cient&iacute;fico em institui&ccedil;&otilde;es    e ag&ecirc;ncias extrauniversit&aacute;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A extens&atilde;o    e a complexidade deste Relat&oacute;rio n&atilde;o podem ser circunscritas a    uma resenha, e a sele&ccedil;&atilde;o de pontos de refer&ecirc;ncia t&ecirc;m    obviamente o vi&eacute;s do autor. N&atilde;o ser&aacute; feito um resumo, mas    seguirei o pr&oacute;prio esquema adotado no Cap&iacute;tulo 10, <i><b>Conclusions    and future lines of action</b></i>. Assim, as conclus&otilde;es apontam que    as ci&ecirc;ncias sociais s&atilde;o: 1. hoje mais cruciais do que foram anteriormente    frente os desafios globais; 2. "global" n&atilde;o &eacute; o mesmo que "uniforme";    3. estudos globais e teoriza&ccedil;&atilde;o global s&atilde;o ambos necess&aacute;rios;    4. houve aumento no n&uacute;mero de estudantes graduados e p&oacute;s-graduados;    5. crescente import&acirc;ncia nos debates p&uacute;blicos e maior dissemina&ccedil;&atilde;o    do conhecimento; 6. presen&ccedil;a de divis&otilde;es geogr&aacute;ficas, capacita&ccedil;&atilde;o,    desigual internacionaliza&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento,    divis&atilde;o entre as disciplinas, divis&atilde;o entre a pesquisa "mainstream"    e as abordagens alternativas, tens&atilde;o entre os acad&ecirc;micos e os formuladores    de pol&iacute;ticas, competi&ccedil;&atilde;o entre as novas pr&aacute;ticas    administrativas. Os autores sintetizam a situa&ccedil;&atilde;o encontrada na    d&eacute;cada ao escreverem que os dois pontos principais s&atilde;o "as persistentes    disparidades nas capacidades de pesquisa, e a fragmenta&ccedil;&atilde;o do    conhecimento" (p.349). Sem d&uacute;vida, "Muitos dos desafios que as ci&ecirc;ncias    sociais s&atilde;o convidadas a abordar requerem conhecimento al&eacute;m    dos confins das disciplinas individuais, e &agrave;s vezes abrangem os    dom&iacute;nios das ci&ecirc;ncias naturais e humanidades" (p. 356). Imediatamente,    o apelo &eacute; para a pesquisa interdisciplinar e sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o,    assim como programas experimentais , com cientistas naturais educados em ci&ecirc;ncias    sociais e vice-versa. Tamb&eacute;m, assegurar bases de dados digitais internacionais    a fim de criar "instrumentos para a supera&ccedil;&atilde;o das divis&otilde;es    de conhecimento entre diferentes &aacute;reas do mundo e abrir a possibilidade    de programas internacionais de pesquisa" (p. 356).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de documento    essencial para reconstituir o campo das ci&ecirc;ncias sociais na &uacute;ltima    d&eacute;cada e de consulta para pesquisadores, professores e estudantes independente    das &aacute;reas especificas de conhecimento. Al&eacute;m do trabalho de an&aacute;lise    que envolveu centenas de pesquisadores, o documento oferece importantes estat&iacute;sticas    b&aacute;sicas sobre a produ&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias sociais e um    resumo sobre a base de dados bibliogr&aacute;ficos. Sem d&uacute;vida, um documento    para consulta e discuss&atilde;o, n&atilde;o somente dos cientistas sociais,    mas para toda a comunidade cient&iacute;fica que se interessa pelo destino e    pelas transforma&ccedil;&otilde;es da humanidade.</font></p>      ]]></body>
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