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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autópsias psicológicas e psicossociais de idosos que morreram por suicídio no Brasil]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fundação Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública Centro Latino Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors analyze 51 cases of suicide among the elderly from ten Brazilian municipalities. The objective is to understand the interaction of variables associated with suicide among the elderly. A bibliographic review gives theoretical support to this study. Based on psychological autopsy, the study begins with a semi-structured interview format, which was applied and analyzed by peer researchers, using the same procedure for gathering, organizing and analyzing the data. This material was reviewed using a psychosocial and qualitative meta-analysis approach based on family interview data, researchers' interpretations, socio-anthropological contextualization and relevance categories. Ways of committing suicide, reasons for suicide, associated factors, attributed motives and lethality were studied by sex, age and socioeconomic characteristics. The interaction of major precipitant factors was analyzed. The conclusions showed that there are convergences among epidemiological and qualitative studies. Severe illness, disabilities and mental disorders are the major causes, followed by depression and family and marital conflicts. Close attention to the quality of life of the elderly is recommended, especially of men who constitute the main suicide risk group.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Suicídio]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Autópsia psicológica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DEBATE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Aut&oacute;psias    psicol&oacute;gicas e psicossociais de idosos que morreram por suic&iacute;dio    no Brasil</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Psychological    and psychosocial autopsies of the elderly who committed suicide in Brazil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>F&aacute;tima    Gon&ccedil;alves Cavalcante<sup>I</sup>; Maria Cec&iacute;lia de Souza Minayo<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Laborat&oacute;rio    de Pr&aacute;ticas Sociais Integradas, Mestrado Profissional em Psican&aacute;lise,    Sa&uacute;de e Sociedade, Universidade Veiga de Almeida. Rua Ibituruna 108,    Tijuca. 20271-020 Rio de Janeiro RJ. <a href="mailto:fatimagold7x7@%20yahoo.com.br">fatimagold7x7@    yahoo.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Centro Latino Americano de Estudos de Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de    Jorge Carelli, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Analisam-se 51    casos de suic&iacute;dio de idosos em dez munic&iacute;pios brasileiros, visando    a conhecer a intera&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis associadas ao fen&ocirc;meno.    Uma revis&atilde;o sobre o tema d&aacute; suporte te&oacute;rico ao estudo.    Tendo como base o m&eacute;todo da aut&oacute;psia psicol&oacute;gica, o estudo    parte de um roteiro de entrevista semiestruturada, aplicada e analisada por    pares de pesquisadores, mediante um mesmo procedimento de coleta, organiza&ccedil;&atilde;o    e an&aacute;lise dos dados. O conjunto foi reexaminado atrav&eacute;s de uma    meta-an&aacute;lise de enfoque psicossocial e qualitativo sobre dados dos familiares    entrevistados, interpreta&ccedil;&otilde;es dos pesquisadores, contextualiza&ccedil;&atilde;o    socioantropol&oacute;gica e categorias de relev&acirc;ncia. Foram estudadas    formas de perpetra&ccedil;&atilde;o e letalidade por sexo, faixa et&aacute;ria,    perfil socioecon&ocirc;mico; fatores associados; e motivos atribu&iacute;dos.    Analisou-se a intera&ccedil;&atilde;o de fatores precipitantes relevantes. As    conclus&otilde;es apontam converg&ecirc;ncias entre estudos epidemiol&oacute;gicos    e qualitativos. Doen&ccedil;as graves, defici&ecirc;ncias e transtornos mentais    juntos formam as principais causas, seguidas de depress&atilde;o, conflitos    familiares e conjugais. Recomenda-se aten&ccedil;&atilde;o &agrave; qualidade    de vida dos idosos, especialmente dos homens, que constituem o grupo de maior    risco para suic&iacute;dio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Suic&iacute;dio, Idosos, Aut&oacute;psia psicol&oacute;gica, Aut&oacute;psia    psicossocial</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The authors analyze    51 cases of suicide among the elderly from ten Brazilian municipalities. The    objective is to understand the interaction of variables associated with suicide    among the elderly. A bibliographic review gives theoretical support to this    study. Based on psychological autopsy, the study begins with a semi-structured    interview format, which was applied and analyzed by peer researchers, using    the same procedure for gathering, organizing and analyzing the data. This material    was reviewed using a psychosocial and qualitative meta-analysis approach based    on family interview data, researchers' interpretations, socio-anthropological    contextualization and relevance categories. Ways of committing suicide, reasons    for suicide, associated factors, attributed motives and lethality were studied    by sex, age and socioeconomic characteristics. The interaction of major precipitant    factors was analyzed. The conclusions showed that there are convergences among    epidemiological and qualitative studies. Severe illness, disabilities and mental    disorders are the major causes, followed by depression and family and marital    conflicts. Close attention to the quality of life of the elderly is recommended,    especially of men who constitute the main suicide risk group.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key words:</b>    Suicide, The elderly, Psychological autopsy, Psychosocial autopsy</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo apresenta    uma an&aacute;lise de 51 casos de suic&iacute;dio em idosos, elaborada de um    ponto de vista psicossocial. Resultou de um estudo multic&ecirc;ntrico<sup>1</sup>    desenvolvido em dez munic&iacute;pios brasileiros. O m&eacute;todo utilizado    chamado "aut&oacute;psia psicol&oacute;gica" incluiu um roteiro de entrevista    semiestruturado<sup>2,3</sup>, adaptado para a popula&ccedil;&atilde;o acima    de 60 anos e submetido a um processo de padroniza&ccedil;&atilde;o, sistematiza&ccedil;&atilde;o    e valida&ccedil;&atilde;o por um grupo de pesquisadores<sup>4,5</sup>. O artigo    tamb&eacute;m se baseia em extensa revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre    o tema, de 1980 a 2012, a partir dos descritores "suicide and elderly"; "suicide    and older people", feita nas bases de dados da Medline, PsychINFO, SciELO e    Bireme.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aut&oacute;psia    psicol&oacute;gica &eacute; um m&eacute;todo criado por Edwin Shneidman<sup>6,7</sup>,    amplamente difundido nos &uacute;ltimos quarenta anos<sup>8</sup>. Foi concebido    como meio para auxiliar m&eacute;dicos legistas a esclarecer a natureza de uma    morte tida como indeterminada e que poderia estar associada a uma causa natural,    acidental, suic&iacute;dio ou homic&iacute;dio. O m&eacute;todo tamb&eacute;m    foi utilizado para conhecer as raz&otilde;es que motivaram mortes autoinfligidas    e para confortar os familiares dos que assim haviam falecido. Em <i>Autopsy    of a Suicidal Mind</i><sup>9</sup>, Shneidman trabalhou meses numa s&oacute;    aut&oacute;psia, escutando pais, irm&atilde;os, ex-esposa, namorada, psicoterapeuta    e psiquiatra para compreender as raz&otilde;es que levaram um estudante de filosofia    a dar cabo &agrave; vida. As entrevistas por ele transcritas foram partilhadas    com especialistas em suic&iacute;dio para que pudessem integrar seus pontos    de vista sobre o acontecido e se o evento poderia ou n&atilde;o ter sido prevenido.    Ao final, Shneidman ofereceu dezoito diferentes hip&oacute;teses sobre a morte    ou a inten&ccedil;&atilde;o do ato suicida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Shneidman optou    por n&atilde;o utilizar um roteiro fixo<sup>10,11</sup>, mas sugeriu categorias    norteadoras, que est&atilde;o descritas no estudo de Werlang e Botega<sup>8</sup>.    Em sintonia com esse autor que fundou a disciplina cient&iacute;fica denominada    suicidologia, sistematizou-se o m&eacute;todo da <i>aut&oacute;psia psicossocial</i><sup>4,5</sup>    visando a compreender raz&otilde;es e circunst&acirc;ncias afetivas, sociais,    econ&ocirc;micas e culturais associadas ao suic&iacute;dio de pessoas idosas.    O objetivo do estudo foi conhecer e analisar a relev&acirc;ncia das vari&aacute;veis    em intera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As taxas de suic&iacute;dio    variam entre pa&iacute;ses, por idade, sexo, ra&ccedil;a e etnia. Elas s&atilde;o    mais altas na Europa Oriental, medianas nos Estados Unidos, Europa Ocidental    e &Aacute;sia e mais baixas na Am&eacute;rica Central e Am&eacute;rica do Sul.    Na maioria dos pa&iacute;ses os homens t&ecirc;m taxas mais elevadas do que    as mulheres, numa varia&ccedil;&atilde;o de 3:1 a 7.5:1<sup>12</sup>. Duas exce&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o a China e a &Iacute;ndia, em que as taxas referentes a homens e mulheres    s&atilde;o semelhantes. Na China, o risco de suic&iacute;dio para os grupos    de idades mais avan&ccedil;adas (homens acima de 70 anos e mulheres acima de    75 anos) &eacute; de 100/100 mil<sup>13</sup>. Nos Estados Unidos, h&aacute;    uma m&eacute;dia 10.8/100 mil mortes por suic&iacute;dio na popula&ccedil;&atilde;o    em geral. Mas, homens brancos alcan&ccedil;am a taxa de suic&iacute;dio de 23.9/100    mil na faixa de 65 a 69 anos e 49.7/100 mil na faixa acima dos 85 anos<sup>12,14</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, as taxas    de suic&iacute;dio s&atilde;o baixas se comparadas a muitos pa&iacute;ses. No    ano de 2008<sup>15</sup>, encontrou-se uma m&eacute;dia de 5.8/100 mil para    a popula&ccedil;&atilde;o em geral e de 9/100 mil para a popula&ccedil;&atilde;o    idosa, o que revela que os mais velhos configuram a faixa de maior risco. Observou-se    que esse aumento no Brasil se deve ao suic&iacute;dio de homens, numa oscila&ccedil;&atilde;o    entre 8.7/100 mil e 15.4/100 mil entre homens abaixo ou acima de sessenta anos,    enquanto as taxas relativas &agrave;s mulheres s&atilde;o baixas, entre 2.4/100    mil e 2.6/100 mil. Os meios utilizados na pr&aacute;tica do suic&iacute;dio    no pa&iacute;s<sup>15</sup> entre 1980 e 2006 s&atilde;o enforcamento (51.7%    a 56.2%), armas de fogo (13.4% a 16.6%) e o envenenamento (4.8% a 7.5%). Entre    as formas mais raras est&atilde;o a queda de altura (1.7% a 2.8%) e a carboniza&ccedil;&atilde;o    parcial por chamas (2.6 %).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estima-se que haja    mais de 600 milh&otilde;es de pessoas com 60 anos ou mais em todo o mundo e    que em 2020 essa popula&ccedil;&atilde;o chegar&aacute; a um bilh&atilde;o<sup>16</sup>.    No Brasil, estima-se um crescimento de 59.3% da popula&ccedil;&atilde;o idosa    com 60 anos ou mais, passando de 8.1% no ano 2000 para 12.9% em 2020<sup>17</sup>,    o que representa um aumento de 14 milh&otilde;es ao longo de 20 anos, numa m&eacute;dia    de 700 mil novos idosos por ano<sup>18</sup>. Como o risco de suic&iacute;dio    tende a aumentar com a idade, a preven&ccedil;&atilde;o se torna um desafio    para os setores sociais e de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os idosos que atentam    contra a pr&oacute;pria vida est&atilde;o mais suscet&iacute;veis de n&atilde;o    serem nem encontrados e nem ajudados em tempo h&aacute;bil, pois muitos que    comp&otilde;em esse grupo et&aacute;rio vivem sozinhos - embora no estudo que    aqui se apresenta todos tinham algum tipo de apoio ou rela&ccedil;&atilde;o    com a fam&iacute;lia. Al&eacute;m disso, eles usam meios mais letais do que    pessoas mais jovens e, por isso, suas tentativas costumam ser fatais<sup>19,20</sup>.    Os idosos em idades mais avan&ccedil;adas (acima de 80 anos) explicitam mais    facilmente suas idea&ccedil;&otilde;es suicidas do que os idosos mais jovens    (65-80 anos)<sup>20,21</sup> e dados dos Estados Unidos mostram que 75% dos    velhos que se suicidaram, nunca haviam feito uma tentativa<sup>19</sup>. Entre    os idosos h&aacute; cerca de duas a quatro tentativas para cada suic&iacute;dio    consumado<sup>21,22</sup>, ou seja, a presen&ccedil;a de idea&ccedil;&atilde;o    ou de tentativas aumenta neles o risco de mortes autoinfligidas<sup>23-25</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maior parte do    que se conhece sobre fatores de risco e fatores protetores associados ao suic&iacute;dio    vem de aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas<sup>19,26</sup>, com a seguinte    distribui&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica: transtornos afetivos (de 54%    a 90%) e transtornos por uso de subst&acirc;ncias (entre 3% a 46%). H&aacute;    associa&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio com uso de &aacute;lcool e n&atilde;o    h&aacute; com dem&ecirc;ncia, exceto nas fases iniciais quando existe maior    consci&ecirc;ncia das mudan&ccedil;as cognitivas e funcionais<sup>20,21</sup>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Material e M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo foi    realizar no m&iacute;nimo cinquenta autopsias psicossociais com familiares de    idosos que haviam falecido por suic&iacute;dio em dez munic&iacute;pios das    cinco regi&otilde;es brasileiras com elevadas taxas desses eventos, escolhidos    com base num estudo epidemiol&oacute;gico sobre a evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica    do fen&ocirc;meno no &acirc;mbito nacional, regional e local<sup>27</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Escolha dos    munic&iacute;pios e equipes</i>: A partir de uma an&aacute;lise descritiva e    evolutiva sobre o suic&iacute;dio em idosos<sup>27</sup> optou-se por estudar    alguns dos que apresentavam &iacute;ndices acima de 10/100 mil, maiores propor&ccedil;&otilde;es    de idosos e diferentes padr&otilde;es populacionais. Ainda outros crit&eacute;rios    nortearam a escolha das localidades para estudo: proximidade com universidades    e pesquisadores colaboradores com experi&ecirc;ncia na tem&aacute;tica, forma&ccedil;&atilde;o    em sa&uacute;de p&uacute;blica ou sa&uacute;de mental e inser&ccedil;&atilde;o    universit&aacute;ria. Foram escolhidos: Manaus (Amazonas), na regi&atilde;o    norte; Fortaleza e Tau&aacute; (Cear&aacute;) e Teresina (Piau&iacute;), no    nordeste; Campo Grande e Dourados (Mato Grosso do Sul), no centro oeste; Campos    (Rio de Janeiro), no sudeste e Ven&acirc;ncio Aires, Candel&aacute;ria e S&atilde;o    Louren&ccedil;o (Rio Grande do Sul), no sul.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Amostra selecionada    e fontes pesquisadas</i>: Selecionaram-se 51 dos casos de idosos com sessenta    anos ou mais que faleceram num intervalo de dois e cinco anos. Foram feitas    pelos menos cinco aut&oacute;psias em cada localidade. As fontes foram: os bancos    de dados oficiais sobre mortalidade, laudos periciais, registros de &oacute;bito    em cart&oacute;rio, registros hospitalares e informa&ccedil;&otilde;es de profissionais    do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. Familiares e vizinhos foram localizados    atrav&eacute;s de cartas, contato telef&ocirc;nico, visitas agendadas com ou    sem apoio de profissionais da Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia    (ESF)<sup>5</sup>. Os contatos s&oacute; prosseguiram ap&oacute;s assinatura    do termo de consentimento aprovado pelo comit&ecirc; de &eacute;tica da Fiocruz.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Capacita&ccedil;&atilde;o    das equipes</i>: Num primeiro semin&aacute;rio foram estabelecidos os par&acirc;metros    para coleta e organiza&ccedil;&atilde;o dos dados, com roteiros explicativos<sup>4</sup>.    Foi feita a capacita&ccedil;&atilde;o de cinco coordenadores de &aacute;rea    representantes das cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s, utilizando-se um manual    que padronizou as orienta&ccedil;&otilde;es e serviu de base para o trabalho.    O estudo em cada munic&iacute;pio foi liderado por um pesquisador s&ecirc;nior    e uma equipe formada por doutores e mestres, alunos de mestrado, especializa&ccedil;&atilde;o    e inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Foi proposto um alinhamento te&oacute;rico<sup>21,28</sup>    e as capacita&ccedil;&otilde;es locais envolveram leituras, dramatiza&ccedil;&otilde;es    e estudo piloto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Coleta de dados</i>:    O principal instrumento qualitativo para coleta de dados foi um roteiro semiestruturado,    acompanhado de uma ficha de identifica&ccedil;&atilde;o da pessoa que se suicidou    e do(s) entrevistado(s) e de um modelo simplificado de genograma para se contextualizar    a configura&ccedil;&atilde;o familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Roteiro<sup>4</sup>    continha: sete quest&otilde;es sobre caracteriza&ccedil;&atilde;o social; dezoito    sobre o perfil e modo de vida da pessoa que se suicidou; sete sobre a descri&ccedil;&atilde;o    do suic&iacute;dio e da atmosfera que o acompanhou; seis sobre o estado mental    do idoso antes do ato final; e cinco sobre a imagem da fam&iacute;lia antes,    durante e depois do suic&iacute;dio, num total de 43 perguntas simples ou compostas.    As entrevistas foram realizadas por duplas de pesquisadores, com dura&ccedil;&atilde;o    de uma a duas horas<sup>5.</sup> Tamb&eacute;m foi feita uma contextualiza&ccedil;&atilde;o    socioantropol&oacute;gica de cada munic&iacute;pio. As aut&oacute;psias realizadas    foram sistematizadas num formato padr&atilde;o que continha as categorias comuns<sup>4</sup>    da pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>An&aacute;lise    de dados</i>: Numa oficina de trabalho com o grupo de campo e os coordenadores    foram compartilhados os resultados elaborados por caso e por localidade num    formato de pr&eacute;-an&aacute;lise, feitos ajustes e definidas estrat&eacute;gias    para an&aacute;lise final. As aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas foram analisadas    em profundidade, caso a caso, por duplas de pesquisadores e submetidas a posterior    exame dos coordenadores da investiga&ccedil;&atilde;o, numa abordagem que levou    em considera&ccedil;&atilde;o o relato dos entrevistados, as interpreta&ccedil;&otilde;es    dos pesquisadores e os dados de contextualiza&ccedil;&atilde;o para se estabelecer    as categorias de relev&acirc;ncia. A an&aacute;lise local espelhou uma organiza&ccedil;&atilde;o    tem&aacute;tica semelhante &agrave; dos instrumentos. A an&aacute;lise final    consistiu numa meta-an&aacute;lise - aqui entendida como uma forma nova de organiza&ccedil;&atilde;o    das informa&ccedil;&otilde;es quantitativas ou qualitativas que re&uacute;ne    e aprofunda resultados e conclus&otilde;es de outros pesquisadores - reapreciou    os dados em seu conjunto e os estudou por sexo, faixa et&aacute;ria e formas    de perpetra&ccedil;&atilde;o; perfil socioecon&ocirc;mico; fatores de risco    e protetores; motivos atribu&iacute;dos ao suic&iacute;dio, letalidade dos m&eacute;todos    empregados. Ao final, se situou a intera&ccedil;&atilde;o entre os fatores precipitantes    mais relevantes. Tamb&eacute;m se fez uma abordagem comparativa entre regi&otilde;es,    munic&iacute;pios e casos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aut&oacute;psia    psicol&oacute;gica permitiu analisar diferentes graus de perturba&ccedil;&atilde;o    em que uma pessoa pode se tornar inimiga do pr&oacute;prio <i>self</i>, como    diz Shneidman<sup>9</sup>. Ao utilizar esse <i>m&eacute;todo</i> que aproxima    dimens&otilde;es hist&oacute;ricas, sociol&oacute;gicas e psiqui&aacute;tricas    dentro de uma <i>an&aacute;lise psicossocial</i>, buscou-se integrar tr&ecirc;s    perspectivas: (1) a vis&atilde;o psicossociol&oacute;gica de Bertaux<sup>29</sup>,    segundo o qual, a biografia reflete a vida em sociedade com suas riquezas e    contradi&ccedil;&otilde;es; (2) a cl&aacute;ssica concep&ccedil;&atilde;o de    Durkheim<sup>30</sup>, a qual define o suic&iacute;dio como um evento social    em que o contexto econ&ocirc;mico e cultural se presentifica na frequ&ecirc;ncia    do evento; (3) a revis&atilde;o feita por Lester e Thomas<sup>31</sup> sobre    as pesquisas de suic&iacute;dio nos &uacute;ltimos cinquenta anos que recomendam    que se examinem em detalhes os relacionamentos sociais de pessoas que se suicidam,    observando-se estilos interacionais. Em resposta &agrave; tend&ecirc;ncia atual    de se valorizar question&aacute;rios estandartizados e vari&aacute;veis distantes,    dizem os autores<sup>31</sup>: <i>as pesquisas est&atilde;o pobres, faltam teoriza&ccedil;&otilde;es    e novos temas n&atilde;o s&atilde;o apresentados</i>. Assim, a presente an&aacute;lise    aponta a tens&atilde;o entre fatores psicol&oacute;gicos e sociais na caracteriza&ccedil;&atilde;o    qualitativa dos suic&iacute;dios de pessoas idosas. &Eacute; claro que os resultados    aqui apresentados n&atilde;o podem ser generalizados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Vantagens e    limites do m&eacute;todo e das estrat&eacute;gias</i>: A capacita&ccedil;&atilde;o    dos pesquisadores respons&aacute;veis pela investiga&ccedil;&atilde;o nos dez    munic&iacute;pios e, localmente, das v&aacute;rias pessoas que participaram    do estudo, visou a padroniza&ccedil;&atilde;o dos instrumentos, a organiza&ccedil;&atilde;o    dos dados e a elabora&ccedil;&atilde;o de categorias, facilitando a circula&ccedil;&atilde;o    de uma linguagem comum para compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno. A experi&ecirc;ncia    cl&iacute;nica da equipe, a presen&ccedil;a de dois pesquisadores seniores na    coleta e na an&aacute;lise, a fala de um ou v&aacute;rios familiares ou cuidadores    por cada caso contribu&iacute;ram para dar fidedignidade e consist&ecirc;ncia    &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es. Os limites do m&eacute;todo<sup>8</sup>    est&atilde;o associados inicialmente ao fato de se trabalhar com um tema que    requer equil&iacute;brio e dom&iacute;nio emocional dos pesquisadores; ao tempo    de estudo reduzido a uma ou duas entrevistas por fam&iacute;lia; e &agrave;    dificuldade de se lidar com discrep&acirc;ncias dos relatos<sup>4</sup>. Buscou-se    minimizar tais limites pelas interlocu&ccedil;&otilde;es compartilhadas numa    rede de comunica&ccedil;&atilde;o, a exemplo de Shneidman<sup>9</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Breve contextualiza&ccedil;&atilde;o    dos locais estudados</i>: Manaus, o s&eacute;timo munic&iacute;pio mais populoso    e o sexto com maior produto interno bruto do pa&iacute;s, localiza-se no centro    da maior floresta tropical do mundo, no Amazonas. Do cultivo da borracha &agrave;    zona franca, comercializando produtos internacionais, Manaus se destaca atualmente    como Polo Industrial. Capital do Cear&aacute;, Fortaleza &eacute; o quinto munic&iacute;pio    mais populoso e o d&eacute;cimo quinto com maior produto interno bruto do pa&iacute;s.    Sua economia &eacute; baseada no turismo, no com&eacute;rcio e na ind&uacute;stria    de produ&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ados, produtos t&ecirc;xteis e alimentos.    Tau&aacute;, munic&iacute;pio cinco vezes menos populoso do que a capital cearense    &eacute; conhecida como a "Princesa dos Inhamuns" e a terra do barro vermelho,    por localizar-se no semi&aacute;rido nordestino. Sua economia &eacute; baseada    na agropecu&aacute;ria e no com&eacute;rcio, destacando-se o turismo de S&iacute;tios    Arqueol&oacute;gicos e Paleontol&oacute;gicos. Teresina, a primeira cidade planejada    do pa&iacute;s, por seus parques ambientais e pra&ccedil;as arborizadas &eacute;    chamada de "cidade verde". Atravessada por dois rios que se abra&ccedil;am (Parna&iacute;ba    e Poti), a capital do Piau&iacute;, notabiliza-se pelo ponto tur&iacute;stico    do Encontro das &Aacute;guas, manifesta&ccedil;&otilde;es folcl&oacute;ricas    e artesanato. Capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande &eacute; o vig&eacute;simo    segundo munic&iacute;pio mais populoso do pa&iacute;s e terceiro centro urbano    mais desenvolvido da regi&atilde;o centro-oeste e palco de forte migra&ccedil;&atilde;o    interna de descendentes de espanh&oacute;is, italianos, portugueses, japoneses,    s&iacute;rio-libaneses, arm&ecirc;nios, paraguaios e bolivianos. A economia    baseia-se no com&eacute;rcio e na constru&ccedil;&atilde;o civil. Dourados,    tamb&eacute;m em Mato Grosso do Sul, &eacute; um local com forte tradi&ccedil;&atilde;o    das tribos &iacute;ndigenas Terena, Kaiw&aacute; e Guaranis e vem atraindo empres&aacute;rios    e agricultores ga&uacute;chos em virtude da fertilidade da terra. Campos do    Goytacazes, um dos maiores munic&iacute;pios do Estado do Rio de Janeiro tem    forte tradi&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria, cultivo da cana de a&ccedil;&uacute;car    e elevada popula&ccedil;&atilde;o rural. No nome traz a origem ind&iacute;gena    Goitac&aacute;s, Guarulhos e Puris. Campos, atualmente, &eacute; um importante    polo de produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo e g&aacute;s natural. Ven&acirc;ncio    Aires, Candel&aacute;ria e S&atilde;o Louren&ccedil;o, no Rio Grande do Sul,    s&atilde;o munic&iacute;pios de coloniza&ccedil;&atilde;o alem&atilde; e se    destacam pelo cultivo do fumo e pela diversificada produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.    Ven&acirc;ncio Aires &eacute; a maior produtora de tabaco do pa&iacute;s, enquanto    Candel&aacute;ria - o munic&iacute;pio menos populoso do estudo - e S&atilde;o    Louren&ccedil;o s&atilde;o polos tur&iacute;sticos e agropecu&aacute;rios. As    duas &uacute;ltimas localidades foram colonizadas por pomeranos, imigrantes    alem&atilde;es da Pomer&acirc;nia, regi&atilde;o devastada na Segunda Guerra    Mundial. Nesses munic&iacute;pios, as fam&iacute;lias e os idosos vivem muito    isolados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Perfil dos casos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nos dez munic&iacute;pios    citados foram entrevistadas 84 pessoas, 62 mulheres e 22 homens, a mais nova    com 18 anos e a mais velha com 76. A maior parte dos interlocutores foi de parentes    (94%), filhos, netos, irm&atilde;os, esposas e ex-esposas, noras, genros e sobrinhos,    havendo ainda vizinhos. A maioria dos entrevistados foram os filhos (45,2%),    as esposas e ex-esposas (17,8%), tendo algumas ex-esposas assumido o lugar de    cuidadora da pessoa que faleceu, ao final de sua vida. Em 40% das entrevistas    foi poss&iacute;vel conversar com dois a cinco integrantes da fam&iacute;lia.    Essa entrevista ampliada ocorreu em todos os munic&iacute;pios, com uma, duas    ou tr&ecirc;s sess&otilde;es por localidade, exceto em Ven&acirc;ncio Aires    em que foi entrevistado apenas o filho ca&ccedil;ula que na cultura local deve    assumir a tarefa de cuidar dos pais na velhice. A maioria dos interlocutores    era cuidador direto ou indireto da pessoa idosa e mantinha com ela um conv&iacute;vio    cotidiano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram estudados    casos de pessoas com sessenta anos ou mais, sendo 40 homens e 11 mulheres. A    maioria dos homens (55%) estava na faixa entre 60 e 69 anos, vindo a seguir,    os de 70 e 79 anos (25%) e acima de 80 anos (20%). Entre as mulheres predominaram    as de 70 a 75 anos (45,3%), as de 60 e 69 (36,5%) e apenas duas tinham mais    de 80 anos. Nas cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s foram estudados casos de    suic&iacute;dio em homens, cinco no norte (12,5%), quatorze no nordeste (35%),    sete no centro-oeste (17,5%), quatro no sudeste (10%) e dez no sul (25%); e    em mulheres: cinco na regi&atilde;o sul (45,4%), tr&ecirc;s no centro oeste    (27,3%), dois no nordeste e um no sudeste.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o de faixa et&aacute;ria e sexo por regi&atilde;o,    constata-se na <a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t01.jpg">Tabela 1</a> que as regi&otilde;es    norte e nordeste concentraram as hist&oacute;rias de suic&iacute;dio de homens    mais jovens, na faixa de 60 a 69 anos (80% de casos no norte e 78,6% no nordeste).    No sudeste foram estudados casos de pessoas mais velhas, entre 75 e 84 anos.    J&aacute; o centro oeste e o sul tiveram uma distribui&ccedil;&atilde;o entre    homens e mulheres de diferentes faixas et&aacute;rias, entre 60 e 84. Em ambas    as regi&otilde;es, houve o caso de uma pessoa acima de 85 anos e do sexo masculino.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O enforcamento    foi o meio mais utilizado para o suic&iacute;dio tanto por homens (65%) quanto    por mulheres (72,7%), seguido de armas de fogo (20%) e envenenamento (10%) em    homens. Entre as causas menos frequentes, houve uma morte de homem por facada    no peito e outra por afogamento; e dois de mulheres por chamas e um de queda    de altura. Os resultados convergem com os estudos epidemiol&oacute;gicos mais    recentes sobre suic&iacute;dio de idosos no pa&iacute;s<sup>15</sup>. Essa distribui&ccedil;&atilde;o    dos 51 casos pode ser vista na <a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t02.jpg">Tabela 2</a>. Chama    aten&ccedil;&atilde;o a diversidade de formas de perpetra&ccedil;&atilde;o utilizada    por homens idosos mais jovens entre 60 e 64 anos (dez casos), e entre 65 e 79    (quatro casos), nos munic&iacute;pios de Teresina, Fortaleza e Tau&aacute; no    nordeste. Essa regi&atilde;o apresenta o maior percentual de uso de armas de    fogo (62,5% se comparado aos demais) e de envenenamento (75% do total de envenenamentos).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Convergente com    dados da literatura<sup>15</sup>, o local predominante de ocorr&ecirc;ncia do    suic&iacute;dio foi o domic&iacute;lio - quarto, banheiro, varanda, terra&ccedil;o,    quintal, garagem - numa propor&ccedil;&atilde;o de 72,4% entre homens e 63,6%    entre mulheres. A quase totalidade dos casos em &aacute;rea externa ocorreu    nos munic&iacute;pios do Sul, em Ven&acirc;ncio Aires, Candel&aacute;ria e S&atilde;o    Louren&ccedil;o, nos galp&otilde;es, espa&ccedil;os extensivos de armazenagem    dos produtos e instrumentos de trabalho rural.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Perfil socioecon&ocirc;mico</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma vis&atilde;o    de conjunto do perfil social e econ&ocirc;mico de homens e mulheres estudados    &eacute; apresentada nas <a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t03.jpg">Tabelas 3</a> e <a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t04.jpg">4</a>,    quanto a estado civil, escolaridade, religi&atilde;o, estilo de vida, atividade    profissional e tipo de v&iacute;nculo do chamado trabalhador ativo ou inativo.    A nomea&ccedil;&atilde;o das profiss&otilde;es seguiu a Classifica&ccedil;&atilde;o    Brasileira das Ocupa&ccedil;&otilde;es (CBO) do Minist&eacute;rio do Trabalho    e Emprego<sup>32</sup>. Algumas foram agrupadas em categorias afins.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um primeiro contraste    entre homens e mulheres aparece nas diferen&ccedil;as de estado civil. Enquanto    a maioria dos homens era casada ou recasada e uma minoria vi&uacute;va, divorciada    ou separada (32,5), a quase totalidade das mulheres encontrava-se sem companheiro,    por estar vi&uacute;va, divorciada, separada ou solteira (90,9%). No nordeste,    centro-oeste e sudeste predominaram homens casados ou em uni&atilde;o est&aacute;vel;    no norte, homens separados ou vi&uacute;vos e, no sul, uma metade era casada    e a outra vi&uacute;va.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora a metade    dos homens tivesse o ensino fundamental completo ou incompleto, e alguns, n&iacute;vel    t&eacute;cnico (50%), uma parcela s&oacute; havia completado o ensino prim&aacute;rio    (7,5%), era analfabeta ou semianalfabeta (22,5%) ou n&atilde;o havia informa&ccedil;&atilde;o    sobre escolaridade (12,5%). A maior parte das mulheres (63,6%) tinha baixa escolariza&ccedil;&atilde;o    e uma minoria concluiu o ensino prim&aacute;rio (18,2%). Apenas um idoso e uma    idosa tinham n&iacute;vel superior.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As regi&otilde;es    sul e nordeste concentraram a quase totalidade dos homens e mulheres analfabetos    (doze). No nordeste, os analfabetos estavam em Tau&aacute;, munic&iacute;pio    com caracter&iacute;sticas rurais. N&iacute;veis melhores de escolaridade foram    encontrados entre os idosos que faleceram por suic&iacute;dio nos centros urbanos    de Manaus, Fortaleza, Teresina e Dourados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observa-se o predom&iacute;nio    da religi&atilde;o cat&oacute;lica entre homens e mulheres (53%), seguida da    religi&atilde;o evang&eacute;lica (15,7%) e uma minoria, especialmente de homens,    n&atilde;o tinha religi&atilde;o (12,5%). Em 20% dos relatos n&atilde;o houve    informa&ccedil;&atilde;o sobre esse dado. No estudo fica claro que o apoio religioso    foi pouco efetivo para os idosos e suas fam&iacute;lias, em que pese a inser&ccedil;&atilde;o    de 68,0% dos homens e 81,5% das mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As idosas que faleceram    por suic&iacute;dio eram donas de casa ou agricultoras. Apenas duas constru&iacute;ram    carreira profissional de n&iacute;vel t&eacute;cnico (estat&iacute;stica) e    superior (odontologia) (<a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t04.jpg">Tabela 4</a>). Quanto aos    homens destacam-se idosos em tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es: agricultura (34%);    presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os: carpinteiro, pedreiro, serralheiro,    estofador, condutor de ve&iacute;culos, gar&ccedil;om e despachante (31,8%);    e administrador do pr&oacute;prio neg&oacute;cio (20,5%): comerciante, empres&aacute;rio,    produtor rural, fazendeiro, dono de restaurante, de mercado e de loja. Houve    ainda casos de homens idosos que haviam tido atividade t&eacute;cnica (eletr&ocirc;nica),    de n&iacute;vel superior (engenharia), e religiosa (pastor). Tr&ecirc;s deles    haviam exercido fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quase a totalidade    das mulheres estava aposentada ou recebia pens&atilde;o do c&ocirc;njuge. Mais    da metade dos homens era aposentado (55%) e 32,5% tinham v&iacute;nculos funcionais    ativos, uma vez que eram idosos jovens (60-69 anos). Alguns aposentados ainda    exerciam atividades profissionais, outros n&atilde;o conseguiram ter acesso    &agrave; aposentadoria e uma minoria estava em atividades informais ou sem emprego.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Fatores associados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <a href="/img/revistas/csc/v17n8/02t05.jpg">Tabela    5</a> identifica os fatores de risco para homens e mulheres. Embora detalhe    uma diversidade de itens, a an&aacute;lise os re&uacute;ne em categorias por    afinidades tem&aacute;ticas. Foram encontrados seis principais fatores associados:    sobrecarga financeira; abusos e desqualifica&ccedil;&otilde;es; morte e adoecimentos    de parentes; defici&ecirc;ncia, doen&ccedil;as f&iacute;sicas e transtornos    mentais; isolamento social e tra&ccedil;os depressivos; idea&ccedil;&otilde;es,    tentativas e suic&iacute;dio na fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fator de maior    frequ&ecirc;ncia para homens (32,1%) e mulheres (31,7%) foi o isolamento social:    quando a pessoa introspectiva apresenta tra&ccedil;os depressivos, com ou sem    confus&atilde;o, com ou sem ansiedade e agita&ccedil;&atilde;o. Entre os homens,    o segundo fator de risco mais observado (19,5%) foram doen&ccedil;as ou defici&ecirc;ncias    que levam &agrave; invalidez, &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o do trabalho    ou &agrave; limita&ccedil;&atilde;o da capacidade funcional. Em terceiro lugar    (17,3%) est&atilde;o as idea&ccedil;&otilde;es suicidas, em alguns casos, acompanhadas    por tentativas ou pela viv&ecirc;ncia de outras mortes autoinfligidas na fam&iacute;lia.    Em quarto lugar (13,7%) ressaltam-se os abusos f&iacute;sicos e verbais, as    desqualifica&ccedil;&otilde;es familiares e as rela&ccedil;&otilde;es extraconjugais    tumultuadas e clandestinas. Esses &uacute;ltimos fatores est&atilde;o associados    &agrave; solid&atilde;o e &agrave; falta de apoio, sentida por alguns ao final    da vida. O quinto e sexto fatores est&atilde;o relacionados &agrave; morte ou    doen&ccedil;a de parentes (8,9%) e ao impacto de sobrecarga financeira (6,3%),    por endividamento pessoal ou de membros da fam&iacute;lia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre as mulheres,    o segundo fator associado mais importante foram as idea&ccedil;&otilde;es e    as tentativas pr&eacute;vias e a ocorr&ecirc;ncia de casos de suic&iacute;dio    na fam&iacute;lia (27,4%). A esse se seguem doen&ccedil;as e defici&ecirc;ncias    como transtornos f&iacute;sicos ou mentais incapacitantes (15.2%) e impacto    de mortes ou doen&ccedil;as na fam&iacute;lia (15,1%). Os dois elementos menos    frequentes foram os abusos e as desqualifica&ccedil;&otilde;es sofridos por    viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero ou por rela&ccedil;&otilde;es extraconjugais    do marido (6,0%) e endividamento pessoal ou familiar (4,5%).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo a representa&ccedil;&atilde;o    dos familiares, os fatores protetores associados relevantes para se evitar o    suic&iacute;dio de pessoas idosas s&atilde;o o apoio familiar e de amigos (48,3%    para homens e 38,9% para mulheres) envolvendo elos afetivos, amparo social e    encontros de sociabilidade e lazer. Para os homens foi destacada a import&acirc;ncia    da estabilidade material (26,7%) num momento em que colhem os frutos do que    realizaram na vida, sobretudo e tendo em vista a reinante vis&atilde;o patriarcal    e o papel tradicional de provedor. Entre as mulheres, foi mencionada a import&acirc;ncia    da busca por apoio &agrave; sa&uacute;de (44,3%) incluindo-se acompanhamento    m&eacute;dico ou psiqui&aacute;trico. Muitos entrevistados chamaram aten&ccedil;&atilde;o    para o fato de que homens idosos cuidam menos de si e v&atilde;o menos ao m&eacute;dico,    mesmo sendo o grupo de maior risco para suic&iacute;dio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Casos ilustrativos    da amostra estudada</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seis casos ilustram    o suic&iacute;dio no contexto biogr&aacute;fico. O primeiro narra o hist&oacute;rico    de um homem de 61 anos, trabalhador e respeitado na localidade, que havia superado    tumor raro na inf&acirc;ncia e j&aacute; estava no terceiro casamento. Dizendo    n&atilde;o ter sorte com mulheres, envolveu-se numa trama conjugal permeada    por viol&ecirc;ncia e humilha&ccedil;&otilde;es. A &uacute;ltima esposa o difamava    e o provocava publicamente, tinha crises de ci&uacute;mes e lhe fazia dif&iacute;ceis    exig&ecirc;ncias, provocando seu &oacute;dio. Ele a matou com facadas, envenenando-se    em seguida. De homem digno, passou a ser lembrado na localidade como monstro    e sua fam&iacute;lia discriminada. Aqui houve a viol&ecirc;ncia da mulher em    oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; tradicionalmente de origem machista, evocando    nesse idoso uma f&uacute;ria destrutiva e autodestrutiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dois casos de homens    de 61anos s&atilde;o contrastados a seguir. Da vida pacata de comerciante de    carros e um primeiro casamento em que era bem visto como pai, o primeiro desses    homens viveu uma segunda uni&atilde;o tumultuada. Ele e a segunda esposa foram    presos por tr&aacute;fico de drogas e houve d&uacute;vidas sobre a paternidade    de um de seus filhos. Nos quatro anos de pris&atilde;o sofreu maus-tratos e    humilha&ccedil;&otilde;es. E na sa&iacute;da, lidou mal com o preconceito, a    discrimina&ccedil;&atilde;o social e o vis&iacute;vel decl&iacute;nio financeiro.    Esse homem fez de sua morte um ritual. Separou as roupas com que queria ser    sepultado, telefonou &agrave;s duas fam&iacute;lias avisando da inten&ccedil;&atilde;o    de suic&iacute;dio e deixou um bilhete, onde dizia: "<i>ele j&aacute; era</i>".    Deitado numa toalha branca deu duas facadas no peito. Outro idoso na mesma faixa    et&aacute;ria construiu um patrim&ocirc;nio que dava tranquilidade &agrave;    fam&iacute;lia. Mas seu padr&atilde;o de vida foi afetado pela aposentadoria.    Sentiu-se envolvido por uma d&iacute;vida de grande monta feita pela filha e    afetado pela indiferen&ccedil;a da esposa que lhe cobrava o padr&atilde;o de    vida que tinha antes e o desqualificava. A suas falas dizendo que se mataria    ela retrucava: "<i>voc&ecirc; &eacute; um frouxo, n&atilde;o tem coragem de    se matar</i>". Esse idoso deu um tiro na boca na frente da esposa e da filha.    H&aacute; em comum nesses dois casos, al&eacute;m de outros elementos, a dificuldade    financeira e a queda de padr&atilde;o de vida, cen&aacute;rio que contextualiza    os motivos de dois "endividados e discriminados sociais".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A seguir resumem-se    dois casos de mulheres que faleceram em chamas. O primeiro &eacute; de uma idosa    de 72 anos com defici&ecirc;ncia auditiva, solteira, com hist&oacute;rico de    supera&ccedil;&atilde;o, conquista de autonomia por meio de estudo e emprego    p&uacute;blico e posterior aposentadoria com estabilidade. Ap&oacute;s perda    dos pais, essa mulher teve como disparador de idea&ccedil;&otilde;es e tentativas    de suic&iacute;dio recorrentes, um in&iacute;cio de doen&ccedil;a de Alzheimer    que limitava suas capacidades. Nem a fam&iacute;lia, nem o apoio psiqui&aacute;trico    a impediram de tirar a pr&oacute;pria vida. Depois de v&aacute;rias tentativas    frustradas, colocou solvente no corpo, acendeu o f&oacute;sforo, carbonizando-se    no banheiro. Aos 82 anos, outra idosa trazia um hist&oacute;rico de sofrimento    por viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, marcada por sil&ecirc;ncios, n&atilde;o    ditos e fatos traum&aacute;ticos e tr&aacute;gicos. Seu marido matou um empregado    na fazenda de sua propriedade e estava foragido; a filha ficou parapl&eacute;gica,    ap&oacute;s ter sido baleada pelo marido que se suicidou em seguida; um filho    morreu afogado no rio da cidade e outro tinha transtornos mentais. Essa mulher,    era reconhecida pela sua serenidade: "<i>sempre sorria, nunca se deixava abater</i>",    disse a irm&atilde;. O suic&iacute;dio com solvente e o corpo em chamas foi    a fala em ato. Chamou aten&ccedil;&atilde;o dos que a assistiram que, no auge    do sofrimento por queimaduras, essa mulher n&atilde;o gemia e nem gritava, nem    quando seu corpo foi tocado para os cuidados m&eacute;dicos, mas revelou-se    externamente como se sentia internamente: em carne viva. H&aacute; nos dois    casos distintas marcas sociais: no primeiro, a dor de n&atilde;o ser funcional    numa sociedade que tende a excluir os incapacitados. No segundo, o silenciamento    permanente de tanta dor evocou na idosa, aparentemente resignada, as larvas    vulc&acirc;nicas de seu sofrimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por fim, apresenta-se    o caso de um idoso de 92 anos, agricultor de origem alem&atilde;, semianalfabeto,    vi&uacute;vo, evang&eacute;lico, cuidado pelo filho ca&ccedil;ula e que vivia    nos limites de um corpo e de uma mente que n&atilde;o colaboravam mais. N&atilde;o    tinha aposentadoria e dependia de cuidados filiais para se alimentar e realizar    as atividades cotidianas. Disse o filho: <i>ele se sentia sem sentido de vida,    sem trabalho, sem companheirismo</i>. Enforcou-se no galp&atilde;o de sua propriedade,    aproveitando um pequeno lapso nos cuidados que lhe dedicavam o filho e a nora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A vida &eacute;    como uma ampulheta de tempo. Sabe aquela areia que vai escorrendo? Ent&atilde;o    isto &eacute; o nosso tempo de vida e quando vamos envelhecendo temos duas possibilidades:    - ou deixar o tempo escorrer at&eacute; acabar, ou virar a ampulheta e fazer    correr a areia para o outro lado, sacudindo tudo de novo. Quem escolhe se a    vida vai acabar na velhice somos n&oacute;s, assim prefiro aproveitar o m&aacute;ximo    poss&iacute;vel antes que a areia esgote</i><sup>33</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A met&aacute;fora    da ampulheta relembra que: "<i>quem escolhe se a vida vai acabar na velhice    somos n&oacute;s"</i><sup>33</sup>. Kamkhagi<sup>34</sup> assinala dois tempos    de vida no per&iacute;odo do envelhecimento, entre 60 e 85 anos, uma fase ainda    de plena atividade e outra acima de 85 anos, etapa em que restri&ccedil;&otilde;es    f&iacute;sicas e globais podem afetar a qualidade de vida. Para a autora, a    velhice tanto pode ser um tempo de realiza&ccedil;&otilde;es como pode se constituir    numa hist&oacute;ria de frustra&ccedil;&otilde;es, marcada por defesas ps&iacute;quicas    que levam o idoso a se encapsular ou a fugir da vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aqui se examina    a op&ccedil;&atilde;o pela morte, discutindo-se a multicausalidade do suic&iacute;dio    de idosos mediante o estudo de uma hierarquia de vari&aacute;veis sob dois pontos    de vista: <i>por satura&ccedil;&atilde;o</i>, baseado numa an&aacute;lise por    frequ&ecirc;ncia que concentra em um ou mais motivos associados caso a caso,    reunindo evid&ecirc;ncias dos informantes; e <i>por hierarquia de intera&ccedil;&otilde;es,</i>    o que leva em conta os principais fatores precipitantes, o papel das vari&aacute;veis    em intera&ccedil;&atilde;o e as predomin&acirc;ncias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na an&aacute;lise    por frequ&ecirc;ncia foram estudados 79 motivos para o suic&iacute;dio, organizados    em seis categorias: altera&ccedil;&otilde;es de comportamento; impacto de perdas,    doen&ccedil;as ou defici&ecirc;ncias; conflitos conjugais ou familiares; estilo    de vida; aposentadoria ou desemprego; sobrecarga financeira. Momentos antes    do suic&iacute;dio, o fator que mais chamou aten&ccedil;&atilde;o, tanto no    caso de homens (34,2%) quanto de mulheres (38,9%), foi um comportamento depressivo,    introspectivo, solit&aacute;rio e triste<sup>19-22</sup>, associado &agrave;    perda, &agrave; doen&ccedil;a, &agrave; defici&ecirc;ncia ou &agrave; trai&ccedil;&atilde;o.    Foi intensa tamb&eacute;m a associa&ccedil;&atilde;o entre infelicidade e falta    de sentido para a vida entre as mulheres (27,8%) - menor entre homens (8,8%)    - motivada por perdas, defici&ecirc;ncias ou viol&ecirc;ncias. Um fator bastante    importante para homens (15,2%) e mulheres (16,7%) foi o ter que lidar com dores    intensas<sup>19,21,28</sup> quando n&atilde;o se vislumbravam melhoras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apenas entre homens    idosos foram encontrados motivos quanto ao estilo de vida, uma vez que 7,6%    assumiram comportamentos de risco, como gosto por orgias e prostitui&ccedil;&atilde;o    ou esbanjamento do patrim&ocirc;nio adquirido, o que os deixou em endividamento    e decad&ecirc;ncia material. A aposentadoria<sup>19,21,28</sup> por idade ou    invalidez foi desencadeadora de depress&atilde;o ou isolamento em alguns casos    (8,8%), tanto por causa da redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio e da queda    no padr&atilde;o familiar como pela perda do status social. A sobrecarga financeira<sup>21,28</sup>    (6,3%) apareceu associada &agrave; fal&ecirc;ncia de empresas ou de outras atividades    aut&ocirc;nomas e &agrave; dificuldade da&iacute; advinda para que o idoso se    aposentasse; &agrave;s d&iacute;vidas e queda na renda familiar, decorrentes    de perdas na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola destru&iacute;da por condi&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na an&aacute;lise    por <i>hierarquia de intera&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis,</i> reuniram-se    41 hip&oacute;teses multicausais. Foram identificados fatores centrais e precipitantes    do suic&iacute;dio, numa esp&eacute;cie de "laudo das aut&oacute;psias", tratadas    em conjunto. Os fatores de maior impacto, por ordem decrescente de magnitude,    foram doen&ccedil;as e defici&ecirc;ncias, para 70% dos homens (28 casos) e    54,5% das mulheres (6 casos); depress&atilde;o e estados depressivos, para 20%    dos homens (8 casos) e 18,2% das mulheres (2 casos) e conflitos familiares e    crises conjugais, para 10% dos homens (4 casos) e 27,3% das mulheres (3 casos).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No grupo <i>doen&ccedil;as    e defici&ecirc;ncias</i> encontraram-se os seguintes fatores precipitantes:    (1) doen&ccedil;a cr&ocirc;nica ou terminal com limita&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas,    depend&ecirc;ncias e medo do estado geral evoluir para uma vulnerabilidade ainda    maior, sentida como intoler&aacute;vel (nove homens e quatro mulheres); (2)    adoecimento recente com agonia f&iacute;sica e ansiedade, associada a dor intensa    (quatro homens); (3) defici&ecirc;ncia f&iacute;sica ou sensorial seguida de    interrup&ccedil;&atilde;o do trabalho com quadro depressivo e aposentadoria    por invalidez (cinco homens); (4) alcoolismo com altera&ccedil;&atilde;o de    humor e piora progressiva, fragilizando la&ccedil;os e apoios (cinco homens);    (5) transtorno mental, associado a perdas por morte tr&aacute;gica, a comportamento    de risco, a viol&ecirc;ncia e a casos de doen&ccedil;a mental na fam&iacute;lia    (cinco homens e duas mulheres). Este estudo, ao contr&aacute;rio de uma parte    da literatura<sup>19,20,21,28</sup> que tende a tratar os transtornos isoladamente,    os reuniu em padr&otilde;es psicossociais e aos impactos f&iacute;sicos, ps&iacute;quicos    e sociais. A citada categoria n&atilde;o exclui os tra&ccedil;os depressivos,    entretanto, aqui eles n&atilde;o t&ecirc;m um papel determinante, sendo um coadjuvante    entre in&uacute;meras outras vari&aacute;veis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>depress&atilde;o    e os estados depressivos</i> como fatores precipitantes do suic&iacute;dio apareceram    associados &agrave;s seguintes causas: (1) efeito cumulativo de perdas sociais,    tais como: fal&ecirc;ncia, neg&oacute;cio com pouco retorno lucrativo, divis&atilde;o    de heran&ccedil;a, encarceramento e dificuldade de readapta&ccedil;&atilde;o    &agrave; vida ap&oacute;s a pris&atilde;o, perda de safra e dificuldade para    arcar com endividamentos e queda no padr&atilde;o de vida familiar (quatro homens);    (2) rea&ccedil;&atilde;o &agrave; perda afetiva da mulher que morreu por doen&ccedil;a    que exigiu intensos cuidados e alto custo financeiro (um homem); (3) depress&atilde;o    com idea&ccedil;&otilde;es suicidas, evoluindo para um quadro de depress&atilde;o    grave<sup>14,25</sup>, associado &agrave; ins&ocirc;nia e ao isolamento (um    homem e duas mulheres); (4) aposentadoria como disparadora de estados depressivos,    associada &agrave; ociosidade, &agrave; perda de status social e &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o    de inutilidade (dois homens). Nessa amostra, a depress&atilde;o pode, de um    lado, ser relativizada<sup>14,19,21,25,28</sup> , pois apareceu apenas em 29%    dos casos. E, sua exist&ecirc;ncia, pode ser melhor compreendida e contextualizada    em intera&ccedil;&atilde;o com outros fatores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por fim, um conjunto    de <i>conflitos familiares e crises conjugais</i> estiveram entre os fatores    precipitantes: (1) crise conjugal ou familiar com din&acirc;mica de viol&ecirc;ncia    (dois homens e duas mulheres); (2) separa&ccedil;&atilde;o-individua&ccedil;&atilde;o    na fam&iacute;lia, r&iacute;gidos pap&eacute;is de g&ecirc;nero, depend&ecirc;ncia    afetiva entre gera&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&atilde;o depressiva<sup>19-21,24,28</sup>    (um homem e uma mulher); (3) raz&otilde;es morais, no caso de um idoso considerado    marido e pai modelo, abatido pelo sentimento de vergonha frente &agrave; amea&ccedil;a    de revela&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o extraconjugal e de uma    suposta gravidez da amante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Analisaram-se quarenta    e nove casos de pessoas idosas entre 60 e 85 anos, fase de maior autonomia,    e dois casos de maiores de 85 anos, grupo reconhecidamente mais vulner&aacute;vel    e que requer aten&ccedil;&atilde;o permanente e especializada. Embora n&atilde;o    possam ser generalizados, os resultados refletem o que dizem as abordagens epidemiol&oacute;gicas,    como predomin&acirc;ncia de suic&iacute;dio de homens, enforcamento como principal    meio para se matar e concentra&ccedil;&atilde;o de casos em munic&iacute;pios    com menos de 100 mil habitantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diferen&ccedil;as    de g&ecirc;nero marcaram a an&aacute;lise. Os homens idosos eram mais escolarizados    e casados, trabalhavam na agricultura, em servi&ccedil;os ou em seus pr&oacute;prios    neg&oacute;cios, eram provedores da fam&iacute;lia e tinham fun&ccedil;&atilde;o    de poder. As mulheres idosas tinham baixa escolaridade, estavam vi&uacute;vas    ou separadas e eram donas de casa ou agricultoras. Os dados indicam que homens    e mulheres est&atilde;o igualmente em risco quando se isolam, se fecham, permanecem    calados, deprimidos, introspectivos, solit&aacute;rios e tristes. Em ambos os    grupos se encontravam idosos impactados por doen&ccedil;as, defici&ecirc;ncias    e dores cr&ocirc;nicas. Homens s&atilde;o mais afetados por estados depressivos    e mulheres por conflitos familiares e conjugais. Entre os homens encontram-se    os efeitos do alcoolismo, da vida social conturbada, da sobrecarga financeira,    da aposentadoria com queda de renda, dos abusos f&iacute;sicos ou verbais. Mas    h&aacute; hist&oacute;rias de mulheres infelizes, com falta de sentido da vida    e afetadas por perdas, doen&ccedil;as e viol&ecirc;ncia conjugal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Chama a aten&ccedil;&atilde;o    o modo como a dor e o sofrimento f&iacute;sico desempenham papel importante    na fragiliza&ccedil;&atilde;o do idoso e no desencadeamento suic&iacute;dio,    associada ao agravamento de transtornos f&iacute;sicos. Ressalta-se, tamb&eacute;m,    o papel da depress&atilde;o interagindo com outras vari&aacute;veis. Ela aparece    ora como coadjuvante de complica&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas e mentais,    ora como principal causa quando associada a perdas, quedas abruptas na vida    socioecon&ocirc;mica, aposentadoria, endividamento ou processos existenciais    de tristeza e melancolia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Algumas narrativas    evidenciaram a import&acirc;ncia da presen&ccedil;a dos profissionais do SUS    no suporte &agrave;s fam&iacute;lias. Mas a maioria das hist&oacute;rias de    vida revela que falta uma aten&ccedil;&atilde;o diferenciada &agrave; pessoa    idosa em risco de suic&iacute;dio e a sua fam&iacute;lia quando o ato fatal    ocorre. Os parentes ficam muito fragilizados, discriminados e sem possibilidade    de se expressar na comunidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A diversidade da    sociedade brasileira aponta para a necessidade de um cuidado na aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; sa&uacute;de dos migrantes e seus descendentes, dos &iacute;ndios e    seus descendentes e dos pequenos povoados atravessados por diversidade de l&iacute;nguas,    ra&iacute;zes culturais, etnias e diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero e de tradi&ccedil;&otilde;es    e com vida social prec&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recomenda-se ao    setor sa&uacute;de o estabelecimento de estrat&eacute;gias preventivas que busquem    a qualidade de vida dos idosos e combinem apoio social e programas voltados    ao atendimento espec&iacute;fico. Por exemplo, muitos dos que haviam falecido    por suic&iacute;dio tinham dificuldade de comparecer aos servi&ccedil;os de    sa&uacute;de ou por limita&ccedil;&otilde;es pessoais, ou porque os familiares    n&atilde;o tinham carro, ou simplesmente porque os cuidados de que necessitavam    n&atilde;o estavam access&iacute;veis. O crescimento acelerado do n&uacute;mero    de idosos no pa&iacute;s, sobretudo dos grupos acima de 75 anos, exige uma aten&ccedil;&atilde;o    redobrada na preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FG Cavalcante e    MCS Minayo trabalharam em conjunto na pesquisa e na elabora&ccedil;&atilde;o    do artigo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Minayo MCS,    Cavalcante FG. &Eacute; poss&iacute;vel prevenir a antecipa&ccedil;&atilde;o    do fim? Suic&iacute;dio de Idosos no Brasil e possibilidades de Atua&ccedil;&atilde;o    do Setor Sa&uacute;de.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635587&pid=S1413-8123201200080000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &#91;Projeto de Pesquisa&#93;. Rio de Janeiro: Claves,    Fiocruz; 2010.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Cavalcante FG,    Minayo MCS. Organizadores ps&iacute;quicos e suic&iacute;dio: retratos de uma    aut&oacute;psia psicossocial. In: Almeida-Prado MCC, organizador. <i>O mosaico    da viol&ecirc;ncia.</i> S&atilde;o Paulo: Vetor; 2004. p. 371-343.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635589&pid=S1413-8123201200080000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Minayo MCS,    Cavalcante FG, Souza ER. Methodological proposal for studying suicide as a complex    phenomenon. <i>Cad Saude Publica</i> 2006; 22(8):1587-1596.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635591&pid=S1413-8123201200080000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Cavalcante FG,    Minayo MCS, Meneghel SN, Silva RM, Gutierrez DDM, Conte M, Figueiredo AEB, Grubtis    S, Cavalcante ACS, Mangas RMN, Vieira LJES, Moreira GAR. Aut&oacute;psia psicol&oacute;gica    e psicossocial sobre suic&iacute;dio de idosos: abordagem metodol&oacute;gica.    <i>Cien Saude Colet</i> 2012; 17(8):2039-2052.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635593&pid=S1413-8123201200080000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Minayo MCS,    Grubits S, Cavalcante FG. Observar, ouvir, compartilhar: trabalho de campo para    aut&oacute;psias psicossociais. <i>Cien Saude Colet</i> 2012; 17(8):2027-2038.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635595&pid=S1413-8123201200080000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Litman RE, Curphey    TJ, Shneidman ES, Farberow NL, Tabachnick N. The psychological autopsy of equivocal    deaths. In: Shneidman ES, Farberow NL, Litman RE, editors. The Psychology of    suicide. Scranton: Science House; 1970. p. 485-496.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635597&pid=S1413-8123201200080000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Shneidman ES.    Suicide thoughts and reflections, 1960-1980. <i>Suicide Life-Threat Behav,</i>    1981; 11:195-364.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635599&pid=S1413-8123201200080000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Werlang BG,    Botega NJ. Avalia&ccedil;&atilde;o retrospectiva (aut&oacute;psia psicol&oacute;gica)    de casos de suic&iacute;dio: considera&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas.    <i>Psicologia</i> (PUCRS) 2002; 33(1):97-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635601&pid=S1413-8123201200080000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Shneidman ES.    <i>Autopsy of a Suicidal Mind</i>. Oxford: Oxford University Press; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635603&pid=S1413-8123201200080000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Shneidman ES.    Suicide, lethality and the psychological autopsy. In: Shneidman ES, Ortega M,    editors. <i>Aspects of depression</i>. Boston: Little, Brown; 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635605&pid=S1413-8123201200080000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Shneidman ES.    The Psychological Autopsy. <i>Suicide Life Threat Behav</i> 1981; 11(4):325-340.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635607&pid=S1413-8123201200080000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. Nock MK, Borges    G, Bromet EJ, Cha CB, Kessler RC, Lee S. 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Genebra: WHO; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635617&pid=S1413-8123201200080000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17. Instituto Brasileiro    de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). <i>Censo Demogr&aacute;fico de 2000</i>:    microdados da amostra. Rio de Janeiro: IBGE; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635619&pid=S1413-8123201200080000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18. Ferreira ARS,    Wong LR. Cuidadores informais da popula&ccedil;&atilde;o idosa com alguma limita&ccedil;&atilde;o:    estimativas indiretas - Brasil - 2000 a 2015. <i>Ser Social</i> 2007; 20:71-104.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635621&pid=S1413-8123201200080000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19. Conwell Y,    Thompson C. 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Beeston D.    <i>Older People and Suicide</i>. Staffordshire: Staffordshire University; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635627&pid=S1413-8123201200080000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22. McIntosh JL,    Santos JF, Hubbard RW, Overholser JC. <i>Elder suicide</i>: research, theory,    and treatment. 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Conwell Y,    Lyness JM, Duberstein P, Cox C, Seidlitz L, DiGiorgio A. Completed suicide among    older patients in primary care practices: a controlled study. <i>J Am Geriatr    Soc</i> 2000; 48(1):23-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635633&pid=S1413-8123201200080000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">25. Beck AT, Brown    GK, Steer RA, Dahlsgaard KK, Grisham JR. 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The psychological autopsy    approach to studying suicide: a review of methodological issues. <i>J Affect    Disord</i> 1998; 50(2-3):269-276.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635637&pid=S1413-8123201200080000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">27. Pinto LW, Silva    CMFP, Pires TO, Assis SG, Minayo MCS. 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Lester D, Thomas    CC. <i>Why People Kill Themselves</i>: A 2000 Summary of Research on Suicide.    Springfield IL: Charles C Thomas; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635647&pid=S1413-8123201200080000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">32. Bras&iacute;l.    Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE). <i>Classifica&ccedil;&atilde;o    Brasileira das Ocupa&ccedil;&otilde;es</i>. 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Kamkhagi D.    <i>O envelhecimento como met&aacute;fora da morte</i>: a cl&iacute;nica do envelhecer    &#91;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1635653&pid=S1413-8123201200080000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->tese&#93;. Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o    Paulo: S&atilde;o Paulo; 2007.</font></p>      ]]></body><back>
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