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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The scope of this paper is an analysis of suicide of elderly people and the impact on the dynamics of their families is presented. The method used is of the qualitative research type known as psychosocial autopsy and is based on interviews with the family members of 51 elderly people who committed suicide in 10 Brazilian cities. The study in these cities was defined by epidemiological research that revealed the relevance of this phenomenon. Many themes were analyzed in the investigation. However, this text focuses on how the families coped with the death of the elderly person, their impressions regarding the act, and the repercussions on family members and the social network. Pursuant to a comprehensive analysis of the testimonies, the following nuclei of significance were revealed: feelings of guilt for the act; social isolation and its manifestations on health; social stigma and prejudice; prospects of overcoming family suffering; anger and feelings of the improbability of the act; and care for the family members. The families manifested suffering, sadness, and perplexity at the death of the elderly person, which influences and has repercussions on their dynamics and at an individual level. Such consequences are different in each area researched depending on the experiences the family has had with acts of this nature.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Suicídio]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO</b>    ARTICLE</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Impacto    do suic&iacute;dio da pessoa idosa em suas fam&iacute;lias</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Impact of suicide    of the elderly on their families</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana Elisa Bastos    Figueiredo<sup>I</sup>; Raimunda Magalh&atilde;es da Silva<sup>II</sup>; Raimunda    Matilde do Nascimento Mangas<sup>I</sup>; Luiza Jane Eyre de Souza Vieira<sup>II</sup>;    Herla Maria Jorge Furtado<sup>II</sup>; Denise Machado Duran Gutierrez<sup>III</sup>;    Girliani Silva de Sousa<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Centro    Latino-Americano de Estudos de Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Jorge Careli,    Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo    Cruz. Avenida Brasil 4036/700, Manguinhos. 21040-361 Rio de Janeiro, RJ. <a href="mailto:aebfigueiredo@yahoo.com.br">aebfigueiredo@yahoo.com.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de/Mestrado em Sa&uacute;de    Coletiva, Universidade de Fortaleza    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Departamento de Psicologia, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o,    Universidade Federal do Amazonas</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apresenta-se uma    an&aacute;lise sobre o impacto do suic&iacute;dio de idosos, na din&acirc;mica    de suas fam&iacute;lias. O artigo &eacute; fruto de um tipo de pesquisa qualitativa    a que se denomina aut&oacute;psia psicossocial e est&aacute; baseado em entrevistas    com familiares de 51 idosos suicidas de 10 cidades brasileiras. O estudo nessas    localidades foi definido por levantamento epidemiol&oacute;gico que revelou    a relev&acirc;ncia do fen&ocirc;meno. Foram v&aacute;rios os temas analisados    na investiga&ccedil;&atilde;o. Mas este texto se debru&ccedil;a sobre como a    fam&iacute;lia enfrentou a morte da pessoa idosa, suas impress&otilde;es sobre    o ato e as repercuss&otilde;es nos seus membros e na rede social. A partir da    an&aacute;lise compreensiva dos depoimentos, foram constru&iacute;dos os seguintes    n&uacute;cleos de sentido: culpa pelo ato, isolamento social e suas manifesta&ccedil;&otilde;es    na sa&uacute;de, estigma e preconceito social, sofrimento familiar e perspectivas    de supera&ccedil;&atilde;o, raiva e cren&ccedil;a na improbabilidade do ato    e aten&ccedil;&atilde;o aos familiares. As fam&iacute;lias manifestaram sofrimento,    tristeza e perplexidade pela morte do idoso, o que influi e tem repercuss&otilde;es    na sua din&acirc;mica e no &acirc;mbito individual. Tais consequ&ecirc;ncias    s&atilde;o diferenciadas nos locais pesquisados e dependendo das experi&ecirc;ncias    da fam&iacute;lia com atos dessa natureza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Suic&iacute;dio, Idoso, Fam&iacute;lia</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The scope of this    paper is an analysis of suicide of elderly people and the impact on the dynamics    of their families is presented. The method used is of the qualitative research    type known as psychosocial autopsy and is based on interviews with the family    members of 51 elderly people who committed suicide in 10 Brazilian cities. The    study in these cities was defined by epidemiological research that revealed    the relevance of this phenomenon. Many themes were analyzed in the investigation.    However, this text focuses on how the families coped with the death of the elderly    person, their impressions regarding the act, and the repercussions on family    members and the social network. Pursuant to a comprehensive analysis of the    testimonies, the following nuclei of significance were revealed: feelings of    guilt for the act; social isolation and its manifestations on health; social    stigma and prejudice; prospects of overcoming family suffering; anger and feelings    of the improbability of the act; and care for the family members. The families    manifested suffering, sadness, and perplexity at the death of the elderly person,    which influences and has repercussions on their dynamics and at an individual    level. Such consequences are different in each area researched depending on    the experiences the family has had with acts of this nature.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Key words:</b>    Suicide, The elderly, Family</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este estudo contempla    a an&aacute;lise da repercuss&atilde;o nos familiares do suic&iacute;dio de    suas pessoas idosas, insere-se num projeto de &acirc;mbito nacional que se denomina    "&Eacute; poss&iacute;vel prevenir a antecipa&ccedil;&atilde;o do fim? Suic&iacute;dios    de idosos no Brasil e possibilidades de atua&ccedil;&atilde;o do setor sa&uacute;de".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O foco no grupo    familiar vem do fato de que nossa experi&ecirc;ncia acumulada, como profissionais    de sa&uacute;de, aponta o quanto o suic&iacute;dio tem consequ&ecirc;ncias impactantes    nos grupos sociais mais pr&oacute;ximos das pessoas que se matam. Em especial,    identificamos a fam&iacute;lia como grupo que mais sofre os efeitos de diversas    naturezas, os quais se prolongam no curto, m&eacute;dio e longo prazo. Por exemplo,    numa pesquisa sobre o tema na cidade do Rio de Janeiro, entrevistamos uma mulher    cujo pai se matara havia 30 anos e ela narrou os fatos e as circunst&acirc;ncias    ainda v&iacute;vidos em sua mem&oacute;ria e todo o sofrimento que a fam&iacute;lia    passou a partir de ent&atilde;o. Inclusive, essa senhora falou-nos sobre as    v&aacute;rias tentativas de suic&iacute;dio da m&atilde;e em decorr&ecirc;ncia    do autoexterm&iacute;nio do marido<sup>1</sup>. Entender a intensidade e a amplitude    desses impactos &eacute; da mais alta import&acirc;ncia para pensarmos programas    de aten&ccedil;&atilde;o aos familiares, fato que at&eacute; o momento n&atilde;o    vem sendo levado em conta pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de<sup>2</sup>    e de assist&ecirc;ncia social. Com efeito, a partir de uma revis&atilde;o n&atilde;o    sistematizada realizada em 23 de fevereiro de 2012, mediante a intersec&ccedil;&atilde;o    dos descritores "servi&ccedil;o de sa&uacute;de para idosos, suic&iacute;dio,    fam&iacute;lia e autopsia" nas bases de dados Medline e PubMed, o resultado    apontou 12 artigos que se reportavam ao tema. Ao analisar os t&iacute;tulos    e resumos destas publica&ccedil;&otilde;es identificou-se que apenas seis deles    referenciavam o suic&iacute;dio e os servi&ccedil;os de sa&uacute;de. No entanto,    n&atilde;o houve a correla&ccedil;&atilde;o do "impacto na fam&iacute;lia" e    "suic&iacute;dio de idosos", constituindo, desse modo, uma lacuna na elabora&ccedil;&atilde;o    desse conhecimento para a ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A multiplicidade    de sentimentos, como culpa, sensa&ccedil;&otilde;es inexplic&aacute;veis, interroga&ccedil;&otilde;es    sem respostas l&oacute;gicas e forte estigma social, se instalam e pairam sobre    os familiares dos suicidas e necessitam serem verbalizados, pois, conforme nos    lembram Mitty e Flores<sup>3</sup>, trata-se de "uma realidade da qual ningu&eacute;m    sai ileso".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E, na constru&ccedil;&atilde;o    polarizada entre a indaga&ccedil;&atilde;o e a explica&ccedil;&atilde;o, pudemos    apreender a diversidade das sensa&ccedil;&otilde;es como uma dor manifesta pela    via dos sintomas exibidos pelo sujeito e a insist&ecirc;ncia na manuten&ccedil;&atilde;o    do la&ccedil;o social<sup>4</sup>. Portanto, este artigo, ao apresentar os resultados    do impacto do suic&iacute;dio de idosos nos familiares, suscita quest&otilde;es    e permite uma discuss&atilde;o ainda pouco presente na literatura e na consci&ecirc;ncia    da sociedade<sup>2</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trabalhamos com    os conceitos de "din&acirc;mica familiar" e "estrutura familiar", para entender    as formas relacionais que esse n&uacute;cleo social assume no processo de viv&ecirc;ncia    do ato suicida. Bronfman<sup>5</sup> define a din&acirc;mica familiar como "condutas    e a&ccedil;&otilde;es sustentadas em uma normatividade estabelecida, que permeia    a vida cotidiana dos membros de um grupo. Esta din&acirc;mica est&aacute; determinada    pelas intera&ccedil;&otilde;es e v&iacute;nculos entre seus membros e delimitada    pelas condi&ccedil;&otilde;es materiais nas quais a fam&iacute;lia vive". Podemos    conceitualizar o termo "estrutura familiar" como um "padr&atilde;o organizado    dentro do qual os membros da fam&iacute;lia interagem"<sup>6</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desse ponto de    vista, compreendemos que normas, fun&ccedil;&otilde;es, atribui&ccedil;&otilde;es    e pap&eacute;is distribu&iacute;dos e desempenhados no interior do grupo familiar    s&atilde;o incorporados por cada um, por oposi&ccedil;&atilde;o ou por similaridade.    As identifica&ccedil;&otilde;es que ocorrem nessa din&acirc;mica se reproduzem    nas rela&ccedil;&otilde;es sociais mais amplas e nos modos de manifesta&ccedil;&atilde;o    de afetos e emo&ccedil;&otilde;es, o que &eacute; peculiar nas rela&ccedil;&otilde;es    prim&aacute;rias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A complexidade    do tema "suic&iacute;dio e din&acirc;mica familiar" implica em uma abordagem    qualitativa, a partir da triangula&ccedil;&atilde;o de perspectivas te&oacute;ricas    da antropologia e da psicologia. Pensar triangulando essas teorias &eacute;    reconhecer na compreens&atilde;o e an&aacute;lise das viv&ecirc;ncias relatadas    pelos familiares elementos fundamentais tais como: contextos em que os fatos    ocorrem; intera&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es entre os v&aacute;rios    aspectos ps&iacute;quicos, sociais e culturais, presentes nos contextos; quebra    de uma vis&atilde;o linear e reducionista de causa-efeito; e abertura para a    complexidade dos significados dos fen&ocirc;menos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com esse olhar    mais abrangente, pretendemos analisar o impacto do suic&iacute;dio do idoso    sobre a din&acirc;mica de suas fam&iacute;lias, dando &ecirc;nfase especial    &agrave;s que vivem em cidades do interior e em ambiente agr&iacute;cola.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durkheim<sup>7</sup>    definiu o suic&iacute;dio como todo caso de morte que resulte direta ou indiretamente    de um ato positivo ou negativo, realizado pela pr&oacute;pria v&iacute;tima,    sabendo ela que produziria esse resultado. O mesmo autor ressaltou que esse    fato somente pode ser explicado analisando-se a sociedade em que os suicidas    vivem e n&atilde;o se limitando a interpretar o que ocorreu com o individuo.    Entendemos com ele que a natureza do suic&iacute;dio &eacute; social, no entanto    discordamos que o indiv&iacute;duo, e seu microuniverso, n&atilde;o tenham import&acirc;ncia    nessa equa&ccedil;&atilde;o. Por isso, compreendemos o ato suicida como uma    decis&atilde;o pessoal carregada de significa&ccedil;&atilde;o social. Na vis&atilde;o    de Shneidman<sup>8</sup>, por exemplo, o suic&iacute;dio &eacute; compreendido    como um ato consciente de autoaniquilamento, um "estado de desassossego multidimensional",    apresentado por um sujeito em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade, que    percebe o problema e define como melhor solu&ccedil;&atilde;o o autoexterm&iacute;nio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Trajet&oacute;ria    metodol&oacute;gica</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este estudo tem    como base as hist&oacute;rias contadas pelos familiares dos idosos, colhidas    atrav&eacute;s do que aqui denominamos aut&oacute;psias psicossociais. O termo    cl&aacute;ssico para defini&ccedil;&atilde;o do roteiro para explica&ccedil;&atilde;o    e compreens&atilde;o dos suic&iacute;dios &eacute; "aut&oacute;psia psicol&oacute;gica"    termo cunhado por Shneidamn<sup>8</sup>. No entanto, decidimos nesta pesquisa    modific&aacute;-lo para "aut&oacute;psia psicossocial" para dar relev&acirc;ncia    ao embricamento entre a perspectiva sociol&oacute;gica e subjetiva. A op&ccedil;&atilde;o    pela entrevista com familiares partiu do entendimento de que a hist&oacute;ria    familiar &eacute; importante para a compreens&atilde;o do ambiente em que ocorreu    o suic&iacute;dio, e para mostrar as fraturas que ficam entre os parentes depois    do ato fatal. Nesse sentido, a pessoa que atenta contra sua vida &eacute; coautora    das narrativas constru&iacute;das durante o tempo de sua exist&ecirc;ncia, e    seu ato tem um impacto que permanece atrav&eacute;s dos tempos<sup>9</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio da aut&oacute;psia    psicossocial procuramos conhecer e compreender, entre outros aspectos, as quest&otilde;es    microssociais que envolvem o &acirc;mbito familiar e comunit&aacute;rio do suicida,    sobretudo ap&oacute;s sua autoelimina&ccedil;&atilde;o<sup>10</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este estudo traz    informa&ccedil;&otilde;es de familiares dos idosos que se suicidaram em cidades    das cinco regi&otilde;es do pa&iacute;s: Norte (Manaus), Nordeste (Teresina,    Tau&aacute; e Fortaleza), Centro-Oeste (Campo Grande e Dourados), Sudeste (Campos    dos Goytacazes) e Sul (S&atilde;o Louren&ccedil;o do Sul, Candel&aacute;ria    e Ven&acirc;ncio Aires).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No caso deste estudo,    as localidades acima s&atilde;o as que possuem taxas de suic&iacute;dio mais    relevantes e re&uacute;nem uma popula&ccedil;&atilde;o que trabalha com cultivo    do fumo, com planta&ccedil;&atilde;o de cana de a&ccedil;&uacute;car, com rebanhos    de gado, com explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo, com extra&ccedil;&atilde;o    de min&eacute;rio e, algumas, est&atilde;o pr&oacute;ximas a aldeias ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme &eacute;    recomendado pela literatura cient&iacute;fica sobre o tema, obedeceu-se a um    per&iacute;odo m&eacute;dio de dois anos entre a consuma&ccedil;&atilde;o do    suic&iacute;dio pelo idoso e a realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista, no sentido    de preservar aspectos emocionais dos familiares, considerando e compreendendo    que o resgate da mem&oacute;ria acarreta sofrimento e faz aflorar fortes emo&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O contato com os    familiares obedeceu a uma log&iacute;stica envolvendo Institutos M&eacute;dico    Legal, Secretarias de Sa&uacute;de do Munic&iacute;pio e do Estado, servi&ccedil;os    de sa&uacute;de na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, principalmente a Estrat&eacute;gia    de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (ESF), Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial    (CAPs), Delegacias de Pol&iacute;cia e servi&ccedil;os de Vigil&acirc;ncia em    Sa&uacute;de que nos forneceram os laudos periciais, boletins de ocorr&ecirc;ncia    e listagem com o nome, endere&ccedil;o e familiar respons&aacute;vel pelo idoso    que se matou. E a sele&ccedil;&atilde;o obedeceu aos seguintes crit&eacute;rios:    tipo de perpetra&ccedil;&atilde;o; acessibilidade; sexo; idade; ano que ocorreu    o evento e disponibilidade da fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As fam&iacute;lias    foram contatadas por telefone para agendamento e posterior visita domiciliar.    Em alguns casos houve a media&ccedil;&atilde;o dos Agentes Comunit&aacute;rios    de Sa&uacute;de (ESF) favorecendo, sobremaneira, a localiza&ccedil;&atilde;o    de algumas, em outros, o acesso foi realizado diretamente pelos pesquisadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do n&uacute;mero    total de selecionados, dez fam&iacute;lias de idosos suicidas n&atilde;o foram    localizadas; oito se recusaram a serem entrevistadas alegando n&atilde;o estarem    preparadas para falarem sobre o assunto, uma, ainda, aceitou participar, mas    n&atilde;o compareceu no dia e local marcado para a conversa. A maioria das    fam&iacute;lias demonstrou alegria e agradecimento pela oportunidade de verbalizarem    e de conseguirem elaborar suas recorda&ccedil;&otilde;es com apoio dos pesquisadores.    A literatura aponta que fam&iacute;lias inseridas no contexto da crise suicida    precisam de aux&iacute;lio para que possam reconstruir-se por meio de um sistema    de apoio e prote&ccedil;&atilde;o<sup>10</sup>. &Eacute; claro que a entrevista    n&atilde;o foi realizada com finalidade terap&ecirc;utica, mas in&uacute;meras    pessoas disseram que foi a primeira vez que algu&eacute;m se disp&ocirc;s a    ouvi-las sobre acontecimento t&atilde;o doloroso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um informante-chave    assumiu a constru&ccedil;&atilde;o e o racioc&iacute;nio l&oacute;gico da hist&oacute;ria    de vida do idoso suicida: autorretrato, modo de vida, estado mental, impress&otilde;es    do ato, atmosfera do suic&iacute;dio, repercuss&otilde;es na fam&iacute;lia    e comportamento da rede social e familiar. Outros familiares presentes aos encontros    adicionaram informa&ccedil;&otilde;es importantes para o esclarecimento do ato.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As quest&otilde;es    do instrumento de coleta, padronizado para a pesquisa nacional, inspirou-se    em Shneidman<sup>11</sup> o qual articula o depoimento de parentes, amigos e    profissionais que testemunharam um caso de suic&iacute;dio e desenvolve diferentes    explica&ccedil;&otilde;es sobre: O que ocorreu? Por que ocorreu? E se o autoaniquilamento    poderia ter sido evitado. Para esse autor, o sucesso de tais aut&oacute;psias    n&atilde;o est&aacute; em prover um &uacute;nico tipo de vis&atilde;o sobre    o caso, mas em apresentar diferentes perspectivas sobre ele.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maioria das entrevistas    aconteceu com a presen&ccedil;a de mais de um familiar, com dura&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dia de 60 minutos, em ambiente providenciado pela fam&iacute;lia (varanda,    salas, galp&atilde;o, cozinha e restaurante). Oitenta e duas pessoas foram ouvidas,    sendo 53 mulheres e 29 homens.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As conversas foram    gravadas, e apenas cinco entrevistas foram anotadas por solicita&ccedil;&atilde;o    das fam&iacute;lias, que alegaram n&atilde;o se sentirem &agrave; vontade com    o gravador, tendo-se o cuidado de preservar as peculiaridades, descrever as    emo&ccedil;&otilde;es, evidenciar as pausas decorrentes de exacerba&ccedil;&otilde;es    emocionais. As entrevistas gravadas foram transcritas na &iacute;ntegra e a    organiza&ccedil;&atilde;o dos dados anotados ocorreu imediatamente ap&oacute;s    os encontros. Em seguida, os dados coletados foram compilados e organizados    em categorias, originando estruturas de relev&acirc;ncia que constitu&iacute;ram    t&oacute;picos para an&aacute;lise. A discuss&atilde;o dos achados conjuga a    literatura sobre o tema, o material emp&iacute;rico coletado e as infer&ecirc;ncias    compreensivas e interpretativas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto que deu    origem a este artigo foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica e Pesquisa    da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Fiocruz e todos os participantes    assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). As recomenda&ccedil;&otilde;es    e os cuidados &eacute;ticos foram respeitados e os familiares que apresentaram    conflitos relacionais foram encaminhados para os servi&ccedil;os de refer&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e    Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As fam&iacute;lias    entrevistadas possuem escolaridade abrangendo desde o n&iacute;vel superior    completo a nenhuma; as ocupa&ccedil;&otilde;es das pessoas s&atilde;o variadas    como: servidores p&uacute;blicos, funcion&aacute;rios de empresa privada, agricultores,    aut&ocirc;nomos (carpinteiro, pedreiro, sapateiro, mec&acirc;nico, caminhoneiro,    vendedor ambulante) e trabalhadores rurais. A maioria reside na zona rural,    ou os idosos que faleceram eram da&iacute; procedentes. Quanto &agrave; religi&atilde;o,    predomina a cat&oacute;lica, embora alguns se declarem esp&iacute;ritas, evang&eacute;licos    ou neguem qualquer credo. Os parentes dos idosos suicidas fazem parte de fam&iacute;lias    numerosas. Encontramos forma&ccedil;&otilde;es familiares de cinco a quinze    irm&atilde;os.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O impacto do suic&iacute;dio    de idoso entre as fam&iacute;lias foi tratado por meio das seguintes categorias    anal&iacute;ticas ou n&uacute;cleos de sentidos extra&iacute;dos da an&aacute;lise    compreensiva das aut&oacute;psias psicossocias<sup>12</sup>: "culpa pelo ato    suicida", "isolamento social e suas manifesta&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de",    "estigma", "preconceito social" "descren&ccedil;a na improbabilidade do ato",    "raiva", "sofrimento familiar", "perspectivas de supera&ccedil;&atilde;o" e    "aten&ccedil;&atilde;o aos familiares".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas categorias    ser&atilde;o apresentadas, mostrando-se como o processo da morte autoinfligida    interfere na estrutura e na din&acirc;mica familiar de forma combinada, produzindo    uma causa&ccedil;&atilde;o recursiva. Os sentimentos se misturam nos relatos    dos familiares e integram um universo de sofrimento e dor, mas tamb&eacute;m    de possibilidades de reorganiza&ccedil;&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o    individual e familiar. A culpabiliza&ccedil;&atilde;o pelo ato suicida assim    como a raiva, sobretudo por n&atilde;o ter acreditado que ele pudesse acontecer    v&ecirc;m mescladas ao isolamento social a que muitos se entregam, prejudicando    sua recupera&ccedil;&atilde;o e sua sa&uacute;de emocional. E ainda, nos casos    que nos foram relatados, as indaga&ccedil;&otilde;es, a perplexidade e as acusa&ccedil;&otilde;es    se mesclam no imagin&aacute;rio familiar e social<sup>13</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sentimento de    culpa pelo ato suicida do familiar idoso</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre a diversidade    de manifesta&ccedil;&otilde;es e verbaliza&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias,    o sentimento de autoculpabiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o que primeiro aflora,    seja de forma expl&iacute;cita ou velada, por meio de narrativas entrecortadas    de emo&ccedil;&atilde;o, choro e sil&ecirc;ncios compungidos, seja no direcionamento    do sentimento de culpa para o outro. Numa incoer&ecirc;ncia entre fato e sentimentos,    constatamos que todos os idosos que se suicidaram e dos quais tivemos acesso    &agrave;s hist&oacute;rias, contavam com o apoio, com presen&ccedil;a regular    e cuidadosa de familiares junto a eles. Esse cuidado, na maioria das vezes era    atribui&ccedil;&atilde;o das mulheres: esposas, filhas ou noras: "Comecei a    me sentir culpada. A psic&oacute;loga disse que n&atilde;o, por mais que se    fa&ccedil;a, essas coisas acontecem" (Filha; regi&atilde;o norte). "Sinto-me    culpada por facilitar naquele momento. O vel&oacute;rio foi uma tristeza, debaixo    de &aacute;gua" (Vi&uacute;va; regi&atilde;o sul). O sentimento de culpa parece    ser ainda mais forte e menos elaborado nos familiares que mantinham v&iacute;nculos    afetivos estreitos com o suicida. Esses consideram e acreditam que poderiam    "ter feito mais". Essa ideia &eacute; recorrente, e muitos dizem que mesmo tendo    estado presentes faltou-lhes oferecer um cuidado mais zeloso e mais perceptivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em algumas fam&iacute;lias,    a culpa n&atilde;o traduz sentimentos de raiva ou de revolta, pois &eacute;    projetada para outras explica&ccedil;&otilde;es, como por exemplo, para o fato    de os filhos n&atilde;o estarem em casa no momento do ato: "a culpa fica em    todo mundo, por n&atilde;o estar presente l&aacute; no momento" (Neto; regi&atilde;o    nordeste) e por se darem conta de que n&atilde;o foram capazes de valorizar    certos di&aacute;logos ou epis&oacute;dios sugestivos do desejo de morrer, esbo&ccedil;ado    pelo idoso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Isolamento social    e suas manifesta&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O isolamento social    e suas manifesta&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de dos membros da fam&iacute;lia    aparecem em algumas falas, sobretudo, por meio da manifesta&ccedil;&atilde;o    de apego ao ambiente f&iacute;sico onde se consumou o suic&iacute;dio, ou por    algum sintoma de sofrimento ps&iacute;quico: "esses dias estava com come&ccedil;o    de depress&atilde;o" (filha referindo-se &agrave; m&atilde;e; regi&atilde;o    nordeste). Tais narrativas v&ecirc;m acompanhadas de desesperan&ccedil;a, perda    de entusiasmo, tristeza e vontade de n&atilde;o sair de casa: "nunca mais tive    gosto pela vida!" (Vi&uacute;va; regi&atilde;o sul).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns familiares    pesquisados fazem uso de medicamentos psiqui&aacute;tricos ou tratamento psicoter&aacute;pico,    sem estabelecerem uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a perda e o aparecimento    dos sintomas e sem perceberem que o tratamento ao qual est&atilde;o submetidos    tem em vista contribuir para superar o trauma causado pelo suic&iacute;dio.    Essa situa&ccedil;&atilde;o pode ser observada no relato em que a nora n&atilde;o    estabelece nenhuma rela&ccedil;&atilde;o entre o suic&iacute;dio do idoso e    o tratamento psiqui&aacute;trico do seu marido, preferindo atribuir o problema    ao excesso de trabalho. Vale a pena esclarecer que nem sempre existe uma rela&ccedil;&atilde;o    entre uso de medicamentos psiqui&aacute;tricos pela fam&iacute;lia e o suic&iacute;dio    de um familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ele</i> &#91;filho&#93;    <i>n&atilde;o consegue dormir, dois, tr&ecirc;s anos que ele est&aacute; tomando    rem&eacute;dio para dormir, mas eu acho que &eacute; porque a gente trabalha    muito. Agora sem o rem&eacute;dio ele n&atilde;o dorme</i> (Nora; regi&atilde;o    sul).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se supor que    muitos familiares n&atilde;o percebam o adoecimento de um dos seus membros,    por nega&ccedil;&atilde;o do ato, da diversidade dos sentimentos envolvidos    e da fr&aacute;gil e fraca abordagem dos profissionais de sa&uacute;de sobre    a quest&atilde;o, quando ela se lhes apresenta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fechar-se em    si mesmo, caracter&iacute;stica do isolamento social &eacute; elemento facilitador    para o surgimento de doen&ccedil;as, principalmente as relacionadas ao sofrimento    ps&iacute;quico provocado pelo suic&iacute;dio. A sensa&ccedil;&atilde;o que    muitos t&ecirc;m quando compartilham na fam&iacute;lia a dor que sentem - uma    vez que n&atilde;o t&ecirc;m nenhum apoio especializado - &eacute; que o sofrimento    n&atilde;o a diminui, mas se multiplica e se potencializa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Nos primeiros    dias ela</i> &#91;a m&atilde;e&#93; <i>ficou bem sentida, n&atilde;o queria    nem conversar. Mudou muita coisa na nossa vida, hoje eu tenho problema, n&atilde;o    gosto de sair de casa, n&atilde;o gosto nem de falar desse assunto da morte    do meu pai</i> (Filha; regi&atilde;o nordeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aus&ecirc;ncia    de reciprocidade nos di&aacute;logos e o isolamento social emergem como coadjuvantes    no empobrecimento das possibilidades para reconhecimento do outro. Movimentos    em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; autonomia, a sair em busca de alguma compensa&ccedil;&atilde;o    emocional s&atilde;o sentidos pelos que est&atilde;o desgostosos e se retraem,    como se isso fosse uma deslealdade aos la&ccedil;os invis&iacute;veis que os    unem ao idoso que se matou<sup>13</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As fam&iacute;lias    em situa&ccedil;&atilde;o de perda, como &eacute; o caso do suic&iacute;dio,    tendem a desenvolver sentimentos relacionados &agrave; lealdade inquestion&aacute;vel    ou &agrave; independ&ecirc;ncia extrema. No primeiro caso, alguns membros se    destacam pela dedica&ccedil;&atilde;o e por assumir os problemas, e outros se    afastam seja do n&uacute;cleo familiar seja das quest&otilde;es emocionais e    pr&aacute;ticas pendentes. A cren&ccedil;a &eacute; de que aquela pessoa considerada    desleal substituir&aacute; completamente os v&iacute;nculos familiares por outros    transit&oacute;rios e estranhos. J&aacute; os que permanecem fieis e acompanham    os problemas p&oacute;s-morte do seu ente querido julgam que seria imposs&iacute;vel    substituir os relacionamentos perdidos e se isolam socialmente num emaranhado    de sentimentos psicologicamente doentios ou se afogam no sofrimento<sup>13</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma situa&ccedil;&atilde;o    bastante comum que emerge em situa&ccedil;&otilde;es de suic&iacute;dio &eacute;    a que se relaciona ao ambiente onde ocorreu o ato suicida, e a que podemos nomear    como "mito da casa maldita". Essa cren&ccedil;a norteia, a partir do evento,    as rela&ccedil;&otilde;es familiares, integrando-se ao contexto perceptivo da    fam&iacute;lia, e consequentemente, recentra as modalidades internas da rela&ccedil;&atilde;o    familiar, reorganizando novos esquemas de refer&ecirc;ncia, como &eacute; manifesto    na fala a seguir:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Depois que o    papai morreu a minha m&atilde;e vendeu a casa. N&atilde;o conseguiu mais morar    l&aacute;. Eu tamb&eacute;m sa&iacute; de l&aacute;, mudei at&eacute; de bairro.    S&oacute; passo l&aacute; se tiver alguma necessidade. N&atilde;o consegui entrar    na casa, ficava aquela lembran&ccedil;a. A minha m&atilde;e tamb&eacute;m se    mudou mora em outro bairro com meu irm&atilde;o</i> (Filha; regi&atilde;o sudeste)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um filho mencionou    que cortou a &aacute;rvore onde o pai armou sua forca. Desse modo, a casa e    seus arredores perdem seu sentido de habitat acolhedor para se transformar em    ambiente amea&ccedil;ador. Assim existe, para algumas fam&iacute;lias, um sentido    importante de distanciamento tanto espacial como temporal, para que possa se    reorganizar e se reestruturar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mito da "casa    maldita" apareceu em v&aacute;rios relatos como o dessa vi&uacute;va que, talvez    contando-nos o fato, buscou amenizar a incomensurabilidade de seu sofrimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O pessoal tem    medo da casa, diz que tem lembran&ccedil;as dele e sofre por isso! E a gente    que tem que viver aqui dentro todo dia! Amiga, se tem esp&iacute;rito a gente    tem que aprender a conviver com eles</i> (Esposa; regi&atilde;o norte).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Estigma, preconceito    social e cren&ccedil;a na improbabilidade do ato</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A vergonha relacionada    ao suic&iacute;dio de um familiar &eacute; citada na literatura como o sentimento    que predomina nas fam&iacute;lias, em virtude do estigma e do preconceito social,    associados ao ato. A vergonha geralmente ocorre em consequ&ecirc;ncia de posturas    externas ao n&uacute;cleo familiar como, por exemplo, a rea&ccedil;&atilde;o    dos amigos e vizinhos que se afastam. Tais atitudes interferem tanto nas rela&ccedil;&otilde;es    interpessoais dos familiares em luto como podem exacerbar conflitos intrafamiliares<sup>13</sup>,    como o que &eacute; representado nas seguintes falas: "A culpa, o pessoal dizia    que era nossa, que n&oacute;s abandonamos, n&atilde;o cuidamos" (Filho; regi&atilde;o    sul); ou ainda:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Fiquei noites    sem dormir, passei um ano me escondendo das pessoas, pessoas amigas que queriam    dar um apoio, mas eu me escondia com vergonha, hoje em dia isso passou, mas    eu ainda tenho dificuldade em sair de casa</i> (Filha; regi&atilde;o nordeste)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As atitudes externas,    sobretudo de antigos amigos e vizinhos, muitas vezes contribuem para reorganizar    a postura e o discurso sobre o suic&iacute;dio por parte dos familiares. Encontramos    alguns que comentaram sobre filhos ou outros parentes que dizem saber os motivos    do ato fatal, mas guardam isso para si, de forma que impera um sil&ecirc;ncio    eloquente de recrimina&ccedil;&otilde;es e culpabiliza&ccedil;&otilde;es. Uma    entrevistada terminou sua fala, referindo-se &agrave;s dificuldades que os membros    da fam&iacute;lia est&atilde;o encontrando para, sozinhos, elaborar e superar    a morte do pai, sepultando com ele muitas dores e m&aacute;goas: "&eacute; melhor    enterrar o ocorrido juntamente com ele" (Filha; regi&atilde;o nordeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cren&ccedil;a    de que, na verdade, o suic&iacute;dio n&atilde;o iria acontecer, apesar das    tentativas insinuadas por quase todos os idosos de que se matariam, &eacute;    outro motivo de sofrimento e culpa. Nos relatos abaixo, podemos constatar que    muitas fam&iacute;lias minimizaram os sinais ou mesmo os ignoraram, talvez pela    influ&ecirc;ncia do discurso social que concebe o processo de envelhecimento    como um momento descart&aacute;vel da vida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Ele deu as roupas    novas dele todas, quando eu fui procurar para preparar o corpo</i> (para vesti-lo    para o vel&oacute;rio<i>) cad&ecirc;? N&atilde;o tinha nenhuma, ele me levou    no Banco e abriu uma conta no meu nome e colocou o dinheiro dele todo. Ele vivia    falando: 'eu n&atilde;o presto mais para nada, eu s&oacute; presto para morrer'</i>    (Filha; regi&atilde;o sudeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outros exemplos    mostram como os familiares n&atilde;o atentaram para o fato de que a repeti&ccedil;&atilde;o    das express&otilde;es de desist&ecirc;ncia da vida, do isolamento e da tristeza,    n&atilde;o deveriam ser banalizadas, e sim tratadas como pedido de ajuda contra    o desamparo e o sentimento de inutilidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Quando a gente    festejava o anivers&aacute;rio dele, ele falava: para que isso? Eu vou morrer    mesmo. Ele pedia toda hora para os netos comprarem veneno, comprarem corda para    ele se enforcar. Ele pedia uma faca, ele vivia amea&ccedil;ando. Ele falou para    minha m&atilde;e se cuidar e n&atilde;o fazer besteira</i> (Filha; regi&atilde;o    sudeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em geral, e isso    tem sido analisado tamb&eacute;m em outras culturas, os adultos e os jovens    costumam n&atilde;o acreditar muito no que os idosos falam quando dizem que    v&atilde;o se suicidar. Isso &eacute; compat&iacute;vel tamb&eacute;m com o    senso comum, segundo o qual "quem vai se matar n&atilde;o avisa", express&atilde;o    muitas vezes repetida pelos familiares; ou ainda a que considera a amea&ccedil;a    de suic&iacute;dio por parte dos idosos apenas uma forma de manipula&ccedil;&atilde;o<sup>13</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Raiva e sofrimento    familiar</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A raiva &eacute;    uma das rea&ccedil;&otilde;es mais comum manifestada pela fam&iacute;lia frente    ao ato consumado do suic&iacute;dio do idoso. Em geral, consideram-no e o interpretam    como um gesto agressivo e de desprezo dele contra os que o cercam, ou como ingratid&atilde;o    ou at&eacute; trai&ccedil;&atilde;o pelos cuidados que lhe foram dispensados.    Eis algumas express&otilde;es desse sentimento:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>At&eacute; hoje    eu me pergunto</i> &#91;e sinto raiva&#93;: <i>por qu&ecirc;? como? o que aconteceu?    &Aacute;s vezes eu estou na cozinha e passa na minha cabe&ccedil;a, como? Eu    estou quase enlouquecendo com isso!</i> (Filha; regi&atilde;o sudeste).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu reajo mal    at&eacute; hoje, depois de quarenta anos juntos, eu estendi as minhas m&atilde;os    para ele, fui amiga, fui companheira, fui esposa, me sinto tra&iacute;da por    tudo que ele me fez</i> (Vi&uacute;va; regi&atilde;o sudeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitos familiares    sentem a morte como uma rejei&ccedil;&atilde;o a eles pr&oacute;prios o que    tamb&eacute;m compromete a sua autoestima e suscita sentimentos de raiva. Conforme    assinalam Lindemann e Greer<sup>14</sup> "ficar desolado com a morte autoimposta    &eacute; ser rejeitado". A sensa&ccedil;&atilde;o que os familiares demonstram    ap&oacute;s o ato fatal &eacute; que o suicida n&atilde;o pensou muito na fam&iacute;lia,    por isso atentou contra a pr&oacute;pria vida, deixando a todos perplexos, culpados,    envergonhados e desestruturados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Como se n&atilde;o    bastasse, ele nos envergonha agora no &uacute;ltimo momento. Meu irm&atilde;o,    meu cunhado e minha irm&atilde; foram intimados</i> &#91;a prestar depoimento    policial&#93;. <i>Depois veio algu&eacute;m, de um &oacute;rg&atilde;o de defesa    dos idosos, visitar e saber o que aconteceu, porque n&atilde;o era comum um    idoso de uma fam&iacute;lia est&aacute;vel cometer suic&iacute;dio</i> (Filha;    regi&atilde;o norte).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encontramos sentimento    de raiva bastante agu&ccedil;ado nas mulheres idosas que sobreviveram a seus    maridos. Bowlby<sup>15</sup> menciona a raiva como caracter&iacute;stica comum    em vi&uacute;vas com mais de 60 anos que vivenciaram perdas inesperadas. Explica    que esse sentimento faz parte habitual do luto e n&atilde;o constitui uma anormalidade,    a n&atilde;o ser que desencadeie outros transtornos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encontramos tamb&eacute;m    outra forma de express&atilde;o de raiva: a indiferen&ccedil;a que recusa reconhecer    o outro como digno de aten&ccedil;&atilde;o e valor. &Eacute; o caso de familiares    que se recusaram a ir ao funeral do suicida e outros que, embora tenham ido,    manifestaram uma postura de certa irrever&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; pessoa que se matou.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ang&uacute;stia    &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o comum encontrada nos familiares dos    idosos suicidas. O sofrimento vivido pela separa&ccedil;&atilde;o repentina    &eacute; visto por eles como algo muito triste em suas vidas, como uma dor que    os persegue em todos os lugares e momentos e pode se prolongar por anos, dependendo    da intensidade dos la&ccedil;os e dos v&iacute;nculos cultivados entre filhos,    pais e netos, antes do evento de morte. Essa ang&uacute;stia persiste se n&atilde;o    existe uma narrativa que possa dar sustenta&ccedil;&atilde;o &agrave;s supera&ccedil;&otilde;es    individuais e grupais. Encontramos, por exemplo, o caso de uma filha que se    matou ap&oacute;s a morte do pai, por n&atilde;o suportar tamanha perda. &Eacute;    claro que nesse fato havia outros agravantes inclu&iacute;dos, mas o suic&iacute;dio    paterno foi o ato desencadeador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em alguns casos,    os filhos arcaram com os problemas financeiros do idoso que se matou - sendo    esse inclusive um dos motivos alegados como explica&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio.    Geralmente, a solu&ccedil;&atilde;o para resolver tais problemas &eacute; a    perda de algum patrim&ocirc;nio. Em tais situa&ccedil;&otilde;es, os conflitos    tendem a se acirrar, afetando n&atilde;o somente a din&acirc;mica familiar,    mas tamb&eacute;m a subjetividade de cada membro, provocando medo de cobran&ccedil;as    e briga pela elei&ccedil;&atilde;o de quem arcar&aacute; com as consequ&ecirc;ncias    das d&iacute;vidas. Em v&aacute;rias fam&iacute;lias entrevistadas em que tal    problema ocorreu, constatamos um forte sentimento de raiva que se estende do    morto a seus descendentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observa-se tamb&eacute;m    que o ato suicida repercute na sa&uacute;de mental dos familiares mais pr&oacute;ximos,    principalmente nos membros mais vulner&aacute;veis que sentem dificuldades de    adapta&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es adversas:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>O impacto na    fam&iacute;lia foi demais! Passamos mais de uma semana sem comer, ainda hoje    sinto muita falta dele, todo dia me lembro dele, desde quando ele deixou de    trabalhar, a gente convivia mais com ele, ele n&atilde;o deu a parecer nada,    nada, nada</i> (Filha; regi&atilde;o nordeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>H tem um filho    com depress&atilde;o, &eacute; do segundo casamento, ele era louco pelo pai.    Desde o dia da trag&eacute;dia que ele desenvolveu essa depress&atilde;o, e    ele n&atilde;o trata, &eacute; um rapaz novo, lindo, tem vinte anos</i> (Irm&atilde;;    regi&atilde;o nordeste).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Supera&ccedil;&atilde;o    e aten&ccedil;&atilde;o aos familiares</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Autores como Montalb&aacute;n<sup>16</sup>,    Herrera<sup>17</sup> e Martine e Parra<sup>18</sup> comentam e reafirmam o que    observamos: a conduta suicida constitui fator de estresse para a fam&iacute;lia,    em geral, e provoca uma desorganiza&ccedil;&atilde;o de seus membros. O grau    de manifesta&ccedil;&atilde;o dessa desestrutura&ccedil;&atilde;o depende, sobretudo,    do n&iacute;vel de coes&atilde;o e de afeto entre os familiares. Pode ocorrer    que existam pessoas nesse n&uacute;cleo, com for&ccedil;a e maturidade suficiente    para oferecer aten&ccedil;&atilde;o aos membros mais afetados, minimizando a    desorganiza&ccedil;&atilde;o e suas express&otilde;es mais dram&aacute;ticas.    Observamos que os familiares que viviam pr&oacute;ximos de seus idosos tendem    a ser mais visivelmente afetados, mas tamb&eacute;m, muitos deles s&atilde;o    os que promovem os processos de supera&ccedil;&atilde;o entre os irm&atilde;os,    filhos e netos. Muitas fam&iacute;lias disseram que encontraram na religi&atilde;o    for&ccedil;as para minimizar a dor e superar o sofrimento, como no depoimento    a seguir:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Eu prefiro acreditar    que ele fez por amor por mim. E entregar o que n&atilde;o entendo para Deus.    Deitei no ch&atilde;o do quarto, teve uma coisa que aconteceu: eu senti como    se fosse ele. Eu via ele ali, mas eu n&atilde;o tinha for&ccedil;a pra acordar.    Eu senti ele passando a m&atilde;o nas minhas costas. Fica calmo, fica calmo    que eu estou bem! Fiquei aliviado!</i> (Filho; regi&atilde;o norte)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse caso, o instrumento    de ressignifica&ccedil;&atilde;o do filho foi sua experi&ecirc;ncia m&iacute;stico-religiosa    que o ajudou a entender o ato do pai como de amor e, dessa maneira, harmonizar    seu sofrimento com a busca de um prop&oacute;sito mais elevado e integrador.    O inexplic&aacute;vel, no plano material, &eacute; transferido para o plano    espiritual, em que as respostas n&atilde;o necessitam serem dadas, j&aacute;    que na compreens&atilde;o do filho, paradoxalmente, o ato suicida foi um designo    de Deus.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Autores como Martinez    e Parra<sup>18</sup>, Conwell et al.<sup>19</sup> e Luoma et al.<sup>20</sup>,    em seus estudos sobre o acesso aos idosos em situa&ccedil;&atilde;o de risco,    confirmam que dois ter&ccedil;os ou mais dos idosos, em sua maioria com transtornos    sintom&aacute;ticos e que cometeram suic&iacute;dio, estavam em atendimento    em servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria nos &uacute;ltimos    trinta dias e at&eacute; meia semana antes do ato.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Algumas coloca&ccedil;&otilde;es    que apareceram nos relatos dos familiares com bastante &ecirc;nfase foi a falta    que eles ressentem de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia por parte    do setor sa&uacute;de ou dos grupos religiosos: "mais aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; fam&iacute;lia, mais apoio religioso" (Filho; regi&atilde;o sudeste).    Apesar dos servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria se mostrarem    os mais adequados para o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es preventivas,    os profissionais ainda n&atilde;o transpuseram a assist&ecirc;ncia individual    e medicalizante para uma atua&ccedil;&atilde;o que inclua as necessidades da    fam&iacute;lia como unidade de cuidado, respeitando as rela&ccedil;&otilde;es    intergeracionais, originando a implementa&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    promotoras de sa&uacute;de e mantenedoras de vidas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seguindo esta perspectiva,    a efetiva&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios fundantes da intersetorialidade,    e a inclus&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es com potencial de minimizar a desarmonia    familiar devem ser discutidas nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Para tanto,    a Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia urge ser efetivada como pol&iacute;tica    de estado, pois um dos seus mais singulares princ&iacute;pios consiste em "abra&ccedil;ar"    a fam&iacute;lia como o alvo de sua atua&ccedil;&atilde;o, comprometendo-se    com ela em todos os epis&oacute;dios que afetam sua integridade f&iacute;sica    e mental ou possa preveni-los. "Eu acho que precisa de apoio, uma pessoa pra    conversar e tudo (Esposa; regi&atilde;o nordeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>A gente n&atilde;o    tem nada de sa&uacute;de perto, tudo &eacute; longe, &Eacute; tudo dificultoso,    um caso desses, era para ter um apoio pelo menos para a fam&iacute;lia, &eacute;    dif&iacute;cil vir algu&eacute;m da sa&uacute;de, n&atilde;o tem apoio de ningu&eacute;m    para conversar, dar uma palavra amiga, &eacute; muito dif&iacute;cil, muito    dif&iacute;cil, n&atilde;o custava nada uma visitinha</i> (Filha; regi&atilde;o    nordeste).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se supor que    esta alus&atilde;o da filha: "n&atilde;o custava nada uma visitinha" atesta    o pouco foco do programa em alguns problemas cruciais que fogem aos agravos    &agrave; sa&uacute;de mais comuns, e que afetam profundamente as fam&iacute;lias    que os vivenciam como &eacute; o caso do suic&iacute;dio de um familiar. No    entanto, a proposta desse cuidado est&aacute; expressa nos documentos oficiais    para aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de: implementar    a intersetorialidade e atender aos eixos estruturantes como acolhimento, integralidade,    longitudinalidade do cuidado, humaniza&ccedil;&atilde;o e melhoria do acesso.    Entendemos, no entanto, que a letra dos documentos s&oacute; se faz pr&aacute;tica    quando existe uma consci&ecirc;ncia sobre determinadas quest&otilde;es e um    diagn&oacute;stico que as demonstre e contextualize.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fazendo coro com    experientes autores<sup>19,21</sup>, pode-se considerar que as medidas mais    adequadas para redu&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio na popula&ccedil;&atilde;o    idosa s&atilde;o as estrat&eacute;gias impeditivas do in&iacute;cio do estado    suicida. Assim, interven&ccedil;&otilde;es dos sistema de sa&uacute;de e de    assist&ecirc;ncia social de diferentes modalidades e abrang&ecirc;ncia podem    ser eficazes no sentido de proteg&ecirc;-los e tornar a sua vida &uacute;til    e saud&aacute;vel.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, quando    a morte por suic&iacute;dio ocorre e n&atilde;o adianta mais falar sobre o que    deveria ser feito, sobre a fam&iacute;lia recai muita perplexidade, dor e sofrimento.    Pudemos constatar no decorrer deste estudo que, na maioria dos casos, em lugar    de se unirem e se apoiarem, os familiares costumam se desintegrar, principalmente    quando existem conflitos econ&ocirc;micos e financeiros. Nesses casos, os mais    fr&aacute;geis tendem a desenvolver problemas de sa&uacute;de f&iacute;sica    e mental, de perda de concentra&ccedil;&atilde;o e de sono, isolando-se socialmente.    A lembran&ccedil;a da ocorr&ecirc;ncia do suic&iacute;dio costuma acompanh&aacute;-los    como um fantasma, destruindo planos de vida, e &eacute; comum que o c&ocirc;njuge,    os filhos e at&eacute; os netos mergulhem em dor e tristeza, n&atilde;o encontrando    for&ccedil;as para se reerguer. O sentimento de culpa pela morte do idoso, entre    outros motivos, por n&atilde;o acreditarem que o suic&iacute;dio ocorreria,    o isolamento social, o afastamento de amigos e vizinhos s&atilde;o motivos de    um sofrimento que pode perdurar por muitos anos e ter consequ&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis,    caso o grupo familiar n&atilde;o seja apoiado devidamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compreendemos que    nosso papel, a partir das constata&ccedil;&otilde;es descritas acima, &eacute;    de sugerir algumas a&ccedil;&otilde;es do sistema de sa&uacute;de e de assist&ecirc;ncia    social para ajudar as fam&iacute;lias a minimizar os efeitos negativos relacionais    e psicol&oacute;gicos. Para isso &eacute; fundamental v&ecirc;-las como unidade    multidimensional e oferecer-lhes apoio social e psicol&oacute;gico. Essa ajuda    n&atilde;o pode ser improvisada. Ela demanda, al&eacute;m de sensibilidade e    compaix&atilde;o, uma boa forma&ccedil;&atilde;o para atuar e uma proposta planejada    de interven&ccedil;&atilde;o grupal e individual. Profissionais com prepara&ccedil;&atilde;o    adequada conseguem abordar a fam&iacute;lia e manter uma conversa que a ajude    a dar um passo para a supera&ccedil;&atilde;o do evento traum&aacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitas fam&iacute;lias,    tomadas pela culpa ou pela vergonha, recusam ajuda no per&iacute;odo imediato    ao suic&iacute;dio. Para v&aacute;rias delas, n&atilde;o falar com estranhos,    mesmo que eles sejam profissionais de sa&uacute;de e de assist&ecirc;ncia, pode    significar uma forma de defender-se da dor e de sobreviver ao vexame p&uacute;blico.    &Eacute; preciso ter estrat&eacute;gias para vencer essa barreira e conseguir    acompanhar o grupo e as pessoas individualmente, conforme preconiza a OMS<sup>22</sup>.    Nesse processo, os profissionais podem contribuir para desfazer mitos sobre    o suic&iacute;dio e reinterpretar viv&ecirc;ncias, ajudando as pessoas a dar    um sentido a seu sofrimento e a desconstruir cren&ccedil;as que geram angustia    na fam&iacute;lia por coloc&aacute;-la num impasse moral, tal como &eacute;    instigado por algumas religi&otilde;es que encaram o suic&iacute;dio como an&aacute;tema.    "As pessoas enlutadas t&ecirc;m fantasias de como a morte ir&aacute; afet&aacute;-las    no futuro, e explorar formas de lidar com esta realidade minimiza o impacto    da perda"<sup>13</sup>. Por isso &eacute; preciso evitar o enfoque sobre a fam&iacute;lia    isoladamente ou fora do contexto, em especial nos casos em que os conflitos    relacionais s&atilde;o intensos e os membros n&atilde;o conseguem encontrar    apoio m&uacute;tuo ao seu interior. Quando isso ocorre &eacute; importante envolver    atores que tenham v&iacute;nculos com a fam&iacute;lia do suicida, mas que n&atilde;o    estejam no centro do sofrimento coletivo, como &eacute; o caso de vizinhos e    amigos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, no caso    das fam&iacute;lias de idosos suicidas, mais que nunca, para cuid&aacute;-las    &eacute; preciso conhec&ecirc;-las em suas particularidades. Pois, frente a    um problema t&atilde;o complexo, sabemos que cada caso &eacute; um caso e n&atilde;o    podemos ter uma receita coletiva para quest&otilde;es que afetam pessoalmente    a cada um dos indiv&iacute;duos, assim como a todo o grupo. Infelizmente, nossa    pesquisa mostrou que esse tipo de cuidado n&atilde;o existe e as fam&iacute;lias    tendem a resolver - ou a n&atilde;o resolver - seus problemas por si mesmas,    inclusive porque tamb&eacute;m n&atilde;o costumam receber apoio da comunidade.    O tabu do suic&iacute;dio est&aacute; muito presente e torna a fam&iacute;lia    da pessoa que o cometeu alvo de discrimina&ccedil;&atilde;o e at&eacute; de    medo dos vizinhos e amigos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Concluindo, &eacute;    necess&aacute;ria uma presen&ccedil;a profissional ao mesmo tempo compreensiva,    humana e t&eacute;cnica, que n&atilde;o se restrinja ou limite a uma visita    ou consulta, &eacute; o que as fam&iacute;lias pesquisadas demandam e que ficou    evidente nos depoimentos que comp&otilde;em este estudo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AEB Figueiredo,    RM Silva, RMN Mangas, LJES Vieira, HMJ Furtado, DMD Gutierrez e GS Sousa participaram    igualmente de toas as etapas de elabora&ccedil;&atilde;o do artigo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Minayo MCS,    Cavalcante FG, Souza JRA, Mangas RMN. Aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas sobre    suic&iacute;dio de idosos no Rio de Janeiro. <i>Cien Saude Colet</i> 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636593&pid=S1413-8123201200080001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &#91;No    prelo&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Minayo MCS,    Cavalcante FG. Suic&iacute;dio entre pessoas idosas: revis&atilde;o da literatura.    <i>Rev Saude Publica</i> 2010; 44(4):750-757.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636595&pid=S1413-8123201200080001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Mitty E, Flores    S. Suicide in late life. <i>Geriatric Nursing</i> 2008; 29(3):160-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636597&pid=S1413-8123201200080001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Carneiro HF.    O mal-estar entre a dor e o la&ccedil;o social. <i>Revista Mal-Estar e Subjetividade</i>    2010; 10(3):703-704.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636599&pid=S1413-8123201200080001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Bronfman MNP.    <i>Multimortalidade e estrutura familiar</i>: um estudo qualitativo das mortes    infantis nas fam&iacute;lias &#91;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636601&pid=S1413-8123201200080001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->tese&#93;. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o    Oswaldo Cruz; 1993.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Nicholcs MP,    Schwartz RC. <i>Terapia Familiar</i>: Conceitos e M&eacute;todos. Porto Alegre:    Artmed; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636603&pid=S1413-8123201200080001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Durkheim E.    O suic&iacute;dio: Estudo de sociologia. 2ª Ed. S&atilde;o Paulo: Ed. WMF; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636605&pid=S1413-8123201200080001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Shneidman ES.    <i>Definiton of suicide</i>. New Jersey: Aronson; 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636607&pid=S1413-8123201200080001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Minayo MCS,    Cavalcante FG, Souza ER. Methodological proposal for studying suicide as a complex    phenomenon. <i>Cad Saude Publica</i> 2006; 22(8):1587-1596.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636609&pid=S1413-8123201200080001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Kr&uuml;ger    LL, Werlang BG. A din&acirc;mica familiar no contexto da crise suicida. <i>Psico-USF</i>    2010; 15(1):59-70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636611&pid=S1413-8123201200080001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Shneidman ES.    <i>Autopsy of a suicidal mind</i>. New York: Oxford University; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636613&pid=S1413-8123201200080001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. Meleiro AMAS,    Botega NJ, Prates JG. Manejo das situa&ccedil;&otilde;es ligadas ao suic&iacute;dio.    In: Meleiro AMAS, Teng CT, Wang YP. <i>Suic&iacute;dio</i>: estudos fundamentais.    S&atilde;o Paulo: Segmento Farma; 2004. p. 177.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636615&pid=S1413-8123201200080001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13. Sant&iacute;    PMH, Betancourt KA. Factores familiares de riesgo en el intento suicida. <i>Rev    Cubana Med Gen Integr</i> 2000; 16(2):134-137</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636617&pid=S1413-8123201200080001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14. Lindeman E,    Greer IM. A study of grief: emotions responses to suicide. <i>Pastoral Psychol</i>    1953; 4(9):9-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636618&pid=S1413-8123201200080001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15. Bowlby J. <i>Perda</i>:    tristeza e depress&atilde;o. 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Contact with mental health and primary care providers before    suicide: a review of the evidence. <i>Am J Psychiatry</i> 2002; 159(6):909-916.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636630&pid=S1413-8123201200080001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21. Jordan JR.    Is suicide bereavement different? A reassessment of the literature. <i>Suicide    life threat behav</i> 2004; 34(4):337-349.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636632&pid=S1413-8123201200080001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22. Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de (OMS). <i>Preven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio</i>:    um manual para profissionais da sa&uacute;de em aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria.    Genebra: OMS; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1636634&pid=S1413-8123201200080001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo apresentado    em 06/03/2012    <br>   Vers&atilde;o final apresentada em 09/04/2012</font></p>      ]]></body><back>
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