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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Decisões reprodutivas e triagem neonatal: a perspectiva de mulheres cuidadoras de crianças com doença falciforme]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Reproductive decisions and newborn screening: the perspective of female caregivers of children with sickle cell disease]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[One of the goals of the Brazilian Newborn Screening Program created in 2001 was to inform couples with the possibility of having children with sickle cell diseases regarding reproductive decision-making. This article presents the reproductive choices and analyzes the notion of biomedical reproductive risk of female caregivers of children with sickle cell disease participating in a newborn screening program. Qualitative data collected between 2006 and 2008 was based on interviews with 50 female caregivers of children with sickle cell disease participating on the Federal District Newborn Screening Program. The research revealed the following perceptions underlying reproductive decisions: women who want to have other children even with the risk of recurrence of the disease; women who do not want to have any more children; and women whose reproductive plans are still being considered on the basis of the information provided by the newborn screening program. The study revealed that women's reproductive choices are based on the experience of child care and self care. The notion of reproductive risk is built in order to strengthen women's decisions together with their family and other social groups to which they belong.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Genetics]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>TEMAS LIVRES</b> FREE THEMES</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Decis&otilde;es reprodutivas e triagem neonatal:    a perspectiva de mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a falciforme</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Reproductive decisions and newborn screening:    the perspective of female caregivers of children with sickle cell disease</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Cristiano Guedes </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Universidade de Bras&iacute;lia. Caixa Postal    8011, Setor Sudoeste. 70673-970 Brasilia DF. <a href="mailto:cguedes@unb.br">cguedes@unb.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um dos objetivos do Programa Nacional de Triagem    Neonatal para doen&ccedil;a falciforme, criado em 2001, foi o de informar casais    com chances de ter filhos com doen&ccedil;as falciformes para a tomada de decis&otilde;es    reprodutivas. Este artigo apresenta as escolhas reprodutivas e analisa a no&ccedil;&atilde;o    de risco reprodutivo biom&eacute;dico de mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as    com doen&ccedil;a falciforme inseridas em um programa de triagem neonatal. O    levantamento de dados qualitativos, realizado de 2006 a 2008, foi baseado em    entrevistas com 50 mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a    falciforme participantes do Programa de Triagem Neonatal do Distrito Federal.    A pesquisa revelou as seguintes percep&ccedil;&otilde;es no campo das decis&otilde;es    reprodutivas: mulheres que querem ter outros filhos mesmo sob o risco de recorr&ecirc;ncia    da doen&ccedil;a; mulheres que n&atilde;o querem mais ter filhos; e mulheres    cujo projeto reprodutivo ainda est&aacute; sendo elaborado com base nas informa&ccedil;&otilde;es    recebidas no programa de triagem. O estudo mostrou que as escolhas reprodutivas    das mulheres s&atilde;o embasadas na experi&ecirc;ncia do cuidado dos filhos    e de si. A no&ccedil;&atilde;o de risco reprodutivo &eacute; constru&iacute;da    de modo a fortalecer as decis&otilde;es das mulheres perante a fam&iacute;lia    e outros grupos sociais ao qual pertence.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Triagem neonatal, Decis&otilde;es    reprodutivas, Doen&ccedil;a falciforme, Mulheres, Gen&eacute;tica</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">One of the goals of the Brazilian Newborn Screening    Program created in 2001 was to inform couples with the possibility of having    children with sickle cell diseases regarding reproductive decision-making. This    article presents the reproductive choices and analyzes the notion of biomedical    reproductive risk of female caregivers of children with sickle cell disease    participating in a newborn screening program. Qualitative data collected between    2006 and 2008 was based on interviews with 50 female caregivers of children    with sickle cell disease participating on the Federal District Newborn Screening    Program. The research revealed the following perceptions underlying reproductive    decisions: women who want to have other children even with the risk of recurrence    of the disease; women who do not want to have any more children; and women whose    reproductive plans are still being considered on the basis of the information    provided by the newborn screening program. The study revealed that women's reproductive    choices are based on the experience of child care and self care. The notion    of reproductive risk is built in order to strengthen women's decisions together    with their family and other social groups to which they belong.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>Newborn screening, Reproductive    decisions, Sickle cell disease, Genetics</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Uma das metas do Programa Nacional de Triagem    Neonatal, criado em 2001, &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de    como estrat&eacute;gia de redu&ccedil;&atilde;o da morbimortalidade em raz&atilde;o    das doen&ccedil;as triadas. O programa, que pode ser considerado uma refer&ecirc;ncia    na Am&eacute;rica Latina, fornece diagn&oacute;stico precoce, tratamento e medicamentos    a todas as crian&ccedil;as identificadas com doen&ccedil;as<sup>1,2</sup>. Apesar    dos avan&ccedil;os obtidos na primeira d&eacute;cada de exist&ecirc;ncia, o    programa brasileiro apresenta alguns desafios a serem superados, tais como:    a aus&ecirc;ncia de cobertura em todo o territ&oacute;rio nacional; a falta    de estrutura em sa&uacute;de capaz de assegurar o diagn&oacute;stico e o tratamento    de todos os rec&eacute;m-nascidos; e a forma&ccedil;&atilde;o insuficiente de    profissionais para o fornecimento de educa&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de<sup>3-5</sup>.    &Eacute; por meio de pr&aacute;ticas educativas em sa&uacute;de, como aconselhamento    gen&eacute;tico, publica&ccedil;&otilde;es ou palestras, que os programas de    triagem neonatal sensibilizam as fam&iacute;lias para a import&acirc;ncia do    tratamento precoce, da ado&ccedil;&atilde;o de cuidados em sa&uacute;de das    crian&ccedil;as, planejamento familiar e risco reprodutivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O termo "risco reprodutivo" &eacute; uma express&atilde;o    utilizada na literatura biom&eacute;dica para se referir a pessoas ou casais    com chances de ter filhos com doen&ccedil;as gen&eacute;ticas, em virtude do    gen&oacute;tipo que possuem<sup>6</sup>. Em sess&otilde;es de aconselhamento    gen&eacute;tico, os profissionais de sa&uacute;de da triagem neonatal informam    o casal sobre as chances de terem filhos com doen&ccedil;as falciformes, bem    como sobre as caracter&iacute;sticas das doen&ccedil;as, o patrim&ocirc;nio    gen&eacute;tico familiar, as possibilidades de recorr&ecirc;ncia ou de ocorr&ecirc;ncia    da doen&ccedil;a e os cuidados reprodutivos que podem ser adotados<sup>7-10</sup>.    Os estudos sobre aspectos reprodutivos no campo da gen&eacute;tica ainda s&atilde;o    raros no Brasil, apesar da crescente import&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica    dessas doen&ccedil;as que resulta do processo de transi&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica    observado na popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No cen&aacute;rio internacional, tamb&eacute;m    s&atilde;o pouco frequentes os estudos sobre reprodu&ccedil;&atilde;o no campo    da gen&eacute;tica e das doen&ccedil;as falciformes. A maioria dos estudos sobre    percep&ccedil;&atilde;o de risco reprodutivo tem como foco principal outros    tipos de doen&ccedil;as gen&eacute;ticas, como c&acirc;ncer de mama e ov&aacute;rio,    Doen&ccedil;a de Huntington, fibrose c&iacute;stica e s&iacute;ndrome de Down<sup>11</sup>.    As pesquisas internacionais revelam que as pessoas constroem a percep&ccedil;&atilde;o    de risco baseadas em uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores que envolve trajet&oacute;ria    de vida pessoal e familiar, cren&ccedil;as culturais e individuais, contexto    socioambiental, ocupa&ccedil;&atilde;o laboral, h&aacute;bitos alimentares e    especificidades genot&iacute;picas e fenot&iacute;picas das doen&ccedil;as<sup>11-15</sup>.    Esta pesquisa elegeu como participantes mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as    com doen&ccedil;a falciforme devido &agrave; sua elevada preval&ecirc;ncia no    Brasil e &agrave; centralidade dessas mulheres para o sucesso dos programas    de triagem neonatal<sup>16-21</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo tem como objetivo analisar a percep&ccedil;&atilde;o    de risco reprodutivo e seus desdobramentos nas decis&otilde;es reprodutivas    de mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as com doen&ccedil;a falciforme no Distrito    Federal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Metodologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo &eacute; resultado de uma pesquisa    de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de com abordagem qualitativa, voltada para mulheres    usu&aacute;rias do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) no Distrito Federal.    As participantes da pesquisa foram mulheres, m&atilde;es e cuidadoras de crian&ccedil;as    diagnosticadas com doen&ccedil;as falciformes e identificadas pelo teste do    pezinho. O Distrito Federal, embora n&atilde;o esteja cadastrado na Fase II    do Programa Nacional de Triagem Neonatal, etapa que autoriza as unidades da    Federa&ccedil;&atilde;o a realizarem triagem e posterior tratamento de crian&ccedil;as    com doen&ccedil;as falciformes, possui um programa pr&oacute;prio que possibilita    o diagn&oacute;stico precoce de rec&eacute;m-nascidos e o fornecimento de tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na coleta de dados foi utilizada a t&eacute;cnica    de entrevista por meio de um roteiro de perguntas semiestruturado. Essa t&eacute;cnica    tem sido utilizada com &ecirc;xito em outras pesquisas qualitativas cujos prop&oacute;sitos    e objetos de estudo se assemelham ao deste trabalho, segundo evidencia a literatura    cient&iacute;fica especializada<sup>22-24</sup>. Trata-se de uma t&eacute;cnica    que possibilita identificar o sentido dado pelas mulheres &agrave; experi&ecirc;ncia    do diagn&oacute;stico precoce e compreender seus desdobramentos ap&oacute;s    a an&aacute;lise do conte&uacute;do das entrevistas<sup>25</sup>. As entrevistas    foram realizadas por uma mulher, no total de quarenta, ou por um homem, totalizando    dez, ambos estudantes de p&oacute;s gradua&ccedil;&atilde;o e assistentes sociais.    Todas foram transcritas, submetidas a leitura minuciosa, sele&ccedil;&atilde;o    de trechos diretamente relacionados aos objetivos do estudo, microan&aacute;lise    dos dados presentes nos trechos selecionados e codifica&ccedil;&atilde;o dos    resultados em tr&ecirc;s categorias apresentadas na se&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lise    deste artigo<sup>26</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como crit&eacute;rios de inclus&atilde;o para    participar da pesquisa foram entrevistadas mulheres cujos filhos foram diagnosticados    pelo teste do pezinho como portadores de doen&ccedil;as falciformes e posteriormente    tiveram o diagn&oacute;stico confirmado por meio de novo teste. Por isso, as    entrevistas ocorreram a partir dos primeiros quatro ou cinco meses de vida da    crian&ccedil;a, quando o diagn&oacute;stico estava confirmado e o tratamento    fora iniciado. As entrevistas foram realizadas, preferencialmente, no domic&iacute;lio    das mulheres. No caso de mulheres n&atilde;o residentes no Distrito Federal    ou aquelas cujo endere&ccedil;o era desconhecido/desatualizado, optou-se por    realizar as entrevistas no hospital enquanto as mulheres aguardavam o atendimento    ambulatorial peri&oacute;dico das crian&ccedil;as. Os convites para participar    da pesquisa foram mediados por um hospital p&uacute;blico, centro de refer&ecirc;ncia    para triagem neonatal e atendimento de crian&ccedil;as com doen&ccedil;as falciformes    no Distrito Federal, por ocasi&atilde;o dos atendimentos fornecidos &agrave;s    crian&ccedil;as. O projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comit&ecirc;    de &Eacute;tica em Pesquisa da Secretaria de Estado da Sa&uacute;de do Distrito    Federal antes do per&iacute;odo de coleta de dados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante 18 meses, foram entrevistadas 50 mulheres.    Estas foram escolhidas por conveni&ecirc;ncia e a quantidade de entrevistas    levou em considera&ccedil;&atilde;o a satura&ccedil;&atilde;o da amostra. Todas    as entrevistadas residiam em regi&otilde;es da periferia ou do entorno do Distrito    Federal. Para se ter uma ideia da dimens&atilde;o da amostra - um grupo de 50    pessoas cuidadoras de crian&ccedil;as com doen&ccedil;as falciformes -, um levantamento    realizado de 2004 a 2006 mostrou que no Distrito Federal haviam nascido 109    crian&ccedil;as portadoras de anemia falciforme, o que representa uma preval&ecirc;ncia    de 9 crian&ccedil;as com essa doen&ccedil;a a cada 10 mil nascimentos<sup>18</sup>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Sobre o perfil das participantes da pesquisa,    a faixa et&aacute;ria foi um dado fornecido por apenas 13 das mulheres entrevistadas,    a m&eacute;dia de idade foi de 26 anos e as idades variaram no intervalo de    20 a 33 anos. Em rela&ccedil;&atilde;o a quantidade de filhos: 13 mulheres tinham    1 filho; 21 mulheres tinham 2 filhos; 10 mulheres tinham 3 filhos; 2 mulheres    tinham 4 filhos; e 4 mulheres n&atilde;o informaram a quantidade total de filhos    que possu&iacute;am. Sobre a idade das crian&ccedil;as com doen&ccedil;as falciformes:    9 mulheres tinham crian&ccedil;as com at&eacute; um ano de idade; 12 mulheres    com crian&ccedil;as de 1 ano at&eacute; 2 anos de idade; 8 mulheres com crian&ccedil;as    de 2 anos at&eacute; 3 anos de idade; 9 mulheres com crian&ccedil;as de 3 anos    ou mais de idade; e 12 mulheres n&atilde;o informaram a idade dos filhos. N&atilde;o    foram coletados dados sobre grau de instru&ccedil;&atilde;o, renda das participantes    e estado civil. Todas as entrevistadas residiam em regi&otilde;es perif&eacute;ricas    ou do entorno do Distrito federal, como foi poss&iacute;vel observar por ocasi&atilde;o    das entrevistas em domic&iacute;lio ou nos relatos das entrevistas feitas no    hospital.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa mostrou que a no&ccedil;&atilde;o    de risco reprodutivo e de planejamento familiar das mulheres n&atilde;o se pauta    somente pelas informa&ccedil;&otilde;es recebidas por ocasi&atilde;o das sess&otilde;es    de aconselhamento gen&eacute;tico que integram a triagem neonatal. Um fator    decisivo na interpreta&ccedil;&atilde;o do risco reprodutivo reside na experi&ecirc;ncia    do cuidado da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme e no contexto social    onde as mulheres est&atilde;o inseridas. Nesse sentido, tendo como ponto de    partida a no&ccedil;&atilde;o de risco reprodutivo adotada pelas mulheres, a    pesquisa revelou as seguintes percep&ccedil;&otilde;es no campo das decis&otilde;es    reprodutivas entre as participantes: 1. mulheres cuja decis&atilde;o &eacute;    a de n&atilde;o mais ter filhos; 2. mulheres que pretendem ter outros filhos;    e 3. mulheres cujo projeto reprodutivo futuro ainda est&aacute; sendo elaborado    com base nas informa&ccedil;&otilde;es recebidas no programa de triagem. As    no&ccedil;&otilde;es de risco reprodutivo das mulheres est&atilde;o diretamente    relacionadas &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es adotadas em rela&ccedil;&atilde;o    ao planejamento familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>"N&atilde;o quero ter filhos mais n&atilde;o"</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O risco reprodutivo de ter uma crian&ccedil;a    com anemia falciforme costuma ser exageradamente dimensionado por mulheres que    informaram n&atilde;o pretender ter outros filhos. Esse fato pode ser considerado    um meio adotado por elas a fim de convencerem familiares e amigos de que as    chances elevadas de nascimento de outra crian&ccedil;a com essa doen&ccedil;a    justificariam a decis&atilde;o tomada no campo reprodutivo. Os seguintes relatos    mostram a dimens&atilde;o dada ao risco diante da possibilidade de outra gesta&ccedil;&atilde;o    quando mulheres que j&aacute; t&ecirc;m uma crian&ccedil;a com essa enfermidade    afirmaram optar por n&atilde;o ter outras:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>A m&eacute;dica disse que era 100% de chance    de ter ou de n&atilde;o ter</i> &#91;outro filho com a doen&ccedil;a&#93;. (mulher,    idade n&atilde;o informada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 9 meses de idade)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Eles</i> &#91;profissionais de sa&uacute;de&#93;    <i>l&aacute; &eacute; que falam, porque a chance de nascer com anemia falciforme    &eacute; noventa por cento dos casos. &Eacute; raro nascer um sim e um n&atilde;o,    provavelmente n&atilde;o pode. At&eacute; porque vai nascer com o mesmo problema...    eu decidi por causa disso, pois eu sei que vai nascer com o mesmo problema,    pois sempre nasce, &eacute; raro nascer um com anemia e outro n&atilde;o, sempre    nasce com anemia</i>. (mulher, idade n&atilde;o informada, m&atilde;e de crian&ccedil;a    com 2 anos de idade)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Algumas mulheres sugerem que o risco reprodutivo    elevado de uma segunda gesta&ccedil;&atilde;o resultar no nascimento de outra    crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme teria sido uma informa&ccedil;&atilde;o    enfatizada por profissionais de sa&uacute;de:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>a m&eacute;dica falou que se    eu tiver outro filho, tamb&eacute;m pode nascer com a doen&ccedil;a falciforme.    Ent&atilde;o, como eu j&aacute; n&atilde;o queria ter outro filho e ela me alertando    sobre isso, a&iacute; eu n&atilde;o quero</i> (mulher, 27 anos, m&atilde;e de    crian&ccedil;a com 1 ano de idade).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, essa n&atilde;o costuma ser uma informa&ccedil;&atilde;o    presente nas sess&otilde;es de aconselhamento gen&eacute;tico fornecidas a pais    de crian&ccedil;as com doen&ccedil;as falciformes no hospital pesquisado, como    mostrou um estudo observacional l&aacute; realizado<sup>27</sup>. Durante o    aconselhamento gen&eacute;tico naquele hospital os pais, geralmente ambos com    o tra&ccedil;o falciforme, s&atilde;o informados sobre o que &eacute; a doen&ccedil;a,    as poss&iacute;veis manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e a origem heredit&aacute;ria<sup>27</sup>.    As profissionais do aconselhamento gen&eacute;tico costumavam utilizar fichas    ilustrativas e informar corretamente as diferentes probabilidades de nascimento    de outras crian&ccedil;as com anemia falciforme, segundo a identidade gen&eacute;tica    dos pais<sup>27</sup>. O uso de fichas ilustrativas ou mesmo de met&aacute;foras    &eacute; uma pr&aacute;tica comum em sess&otilde;es de aconselhamento gen&eacute;tico    para tornar a informa&ccedil;&atilde;o mais intelig&iacute;vel<sup>28</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A tend&ecirc;ncia de superestimar o risco reprodutivo    encontrada neste estudo tamb&eacute;m foi uma constata&ccedil;&atilde;o feita    por outros pesquisadores do campo da gen&eacute;tica<sup>11,12</sup>, e decorre    da experi&ecirc;ncia das mulheres, dos valores culturais e de fatores psicol&oacute;gicos    e ambientais<sup>11,15,29</sup>. Como resultado da combina&ccedil;&atilde;o    desses elementos, a no&ccedil;&atilde;o de risco apresenta uma l&oacute;gica    pr&oacute;pria que n&atilde;o est&aacute; fundamentada s&oacute; na racionalidade    biom&eacute;dica, mas &eacute; baseada principalmente na experi&ecirc;ncia do    cuidado das crian&ccedil;as com doen&ccedil;a falciforme e dos contextos onde    as mulheres est&atilde;o inseridas. O cuidado da crian&ccedil;a com doen&ccedil;as    falciformes, em especial a anemia falciforme, envolve todas as a&ccedil;&otilde;es    adotadas para tratar a doen&ccedil;a, como uso de medicamentos, dieta adequada,    uso de roupas apropriadas e outros procedimentos indispens&aacute;veis &agrave;    redu&ccedil;&atilde;o da morbidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisadora Rayna Rapp mostra que a no&ccedil;&atilde;o    de risco &eacute; constru&iacute;da com base em fundamentos quantitativos e    qualitativos relacionados a determinada doen&ccedil;a ou caracter&iacute;stica    gen&eacute;tica identificada nos exames<sup>28,30</sup>. Para interpretar o    diagn&oacute;stico apresentado e fazer escolhas reprodutivas, as mulheres combinam    &agrave;s evid&ecirc;ncias produzidas pelos resultados do teste gen&eacute;tico    a sua percep&ccedil;&atilde;o pessoal da informa&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a.    A percep&ccedil;&atilde;o pessoal sobre esta e suas implica&ccedil;&otilde;es    reprodutivas &eacute; bastante influenciada pela trajet&oacute;ria de vida,    contexto social, cren&ccedil;as, valores e condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas    das mulheres e sua estrutura familiar<sup>28,31</sup>. Nesse sentido, a superestima&ccedil;&atilde;o    do risco reprodutivo pode ser considerada tanto um modo de justificar a decis&atilde;o    reprodutiva diante das reduzidas op&ccedil;&otilde;es, como um desdobramento    da dificuldade de compreender a explica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica sobre    as propriedades heredit&aacute;rias da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As op&ccedil;&otilde;es reprodutivas dispon&iacute;veis    &agrave;s mulheres com chances de gerarem filhos com doen&ccedil;as gen&eacute;ticas    s&atilde;o reduzidas no Brasil. A principal diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o    a outros pa&iacute;ses, como os Estados Unidos, est&aacute; relacionada &agrave;    possibilidade de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez. Caso descubram precocemente    a exist&ecirc;ncia de doen&ccedil;a gen&eacute;tica no feto, por meio de testes    diagn&oacute;sticos como a amniocentese, as mulheres brasileiras n&atilde;o    poder&atilde;o interromper a gravidez em virtude da legisla&ccedil;&atilde;o    proibitiva para o aborto<sup>28,31</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A falta de acesso &agrave;s novas tecnologias    reprodutivas &eacute; outro fator que restringe as op&ccedil;&otilde;es das    mulheres brasileiras nesse campo. A sele&ccedil;&atilde;o de embri&otilde;es    seria uma das tecnologias m&eacute;dicas capazes de evitar o nascimento de crian&ccedil;as    com doen&ccedil;as gen&eacute;ticas, mas essa tecnologia ainda n&atilde;o &eacute;    ofertada. Aquelas submetidas ao aconselhamento gen&eacute;tico e dependentes    do sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de s&oacute; t&ecirc;m uma forma de controlar    o nascimento de outros filhos com doen&ccedil;a falciforme: a op&ccedil;&atilde;o    pela n&atilde;o reprodu&ccedil;&atilde;o. O acesso &agrave;s tecnologias reprodutivas    e a outros recursos m&eacute;dicos &eacute; diferenciado no caso das mulheres    da elite brasileira e, portanto, os mesmos dilemas reprodutivos poderiam ter    repercuss&otilde;es distintas em quem tiver elevado poder aquisitivo<sup>32</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A outra hip&oacute;tese que poderia ser considerada    para explicar a superestima&ccedil;&atilde;o do risco reprodutivo &eacute; a    de que a informa&ccedil;&atilde;o probabil&iacute;stica presente na ret&oacute;rica    explicativa dos profissionais de sa&uacute;de sobre a doen&ccedil;a falciforme    &eacute; de dif&iacute;cil compreens&atilde;o e, consequentemente, provocaria    interpreta&ccedil;&otilde;es diversas. Uma pesquisa realizada entre pessoas    com diferentes n&iacute;veis de escolaridade mostrou que a informa&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;tica envolvendo probabilidades da doen&ccedil;a falciforme &eacute;    de dif&iacute;cil compreens&atilde;o mesmo para quem possui elevado grau de    instru&ccedil;&atilde;o<sup>33</sup>. No presente estudo, entretanto, algumas    das percentagens apresentadas pelas mulheres, como as chances de noventa ou    de cem por cento do nascimento de crian&ccedil;as com essa enfermidade, sugerem    que o risco reprodutivo pode ter sido intencionalmente superestimado, visto    que tais chances n&atilde;o ocorrem entre casais em que ambos possuem o tra&ccedil;o    falciforme e, por outro lado, as entrevistadas que informaram essas chances    superestimadas s&atilde;o as mesmas que declararam a decis&atilde;o de n&atilde;o    mais ter filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A exist&ecirc;ncia de um parente pr&oacute;ximo    com a doen&ccedil;a, no caso os filhos ou mesmo outros parentes, pode ser outro    fator que explicaria o modo como o risco reprodutivo de ter outras crian&ccedil;as    com doen&ccedil;a falciforme foi mensurado por uma parcela das mulheres:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>tem que usar o acompanhamento    para evitar</i> &#91;gravidez de uma crian&ccedil;a com anemia falciforme&#93;...    <i>meu esposo, na fam&iacute;lia dele, j&aacute; tem um sobrinho</i> &#91;com    a doen&ccedil;a falciforme&#93; (mulher, idade n&atilde;o informada e m&atilde;e    de crian&ccedil;a com 3 anos de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um estudo qualitativo sobre concep&ccedil;&otilde;es    de risco e doen&ccedil;as heredit&aacute;rias mostrou que a percep&ccedil;&atilde;o    do risco &eacute; influenciada pela quantidade de casos e pela rela&ccedil;&atilde;o    de parentesco com as pessoas afetadas pelas doen&ccedil;as em uma mesma fam&iacute;lia<sup>13</sup>.    As participantes da pesquisa estavam em rela&ccedil;&atilde;o direta com as    crian&ccedil;as com doen&ccedil;a falciforme, pois eram as m&atilde;es e exerciam    o papel de cuidadoras. Em alguns casos, informaram que as av&oacute;s tamb&eacute;m    compartilhavam o papel de cuidadoras. O grau de parentesco e a experi&ecirc;ncia    do cuidado s&atilde;o dois fatores que contribuiriam, portanto, para a compreens&atilde;o    de como o risco reprodutivo de ter outros filhos com doen&ccedil;a falciforme    foi percebido pelas mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As mulheres tamb&eacute;m apontaram outras raz&otilde;es    para justificar a decis&atilde;o de n&atilde;o ter mais filhos. O tamanho da    fam&iacute;lia e as exig&ecirc;ncias envolvidas no cuidado de uma crian&ccedil;a    com doen&ccedil;a falciforme foram as mais frequentes. Muitas, afirmaram possuir    uma fam&iacute;lia cujo tamanho estaria adequado, pois j&aacute; teriam a quantidade    de filhos desejada:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>tr&ecirc;s filhos j&aacute;    est&aacute; bom, meu mais velho j&aacute; est&aacute; com quatorze anos</i>    (mulher, 33 anos, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 4 anos de idade);</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>n&atilde;o, eu j&aacute; n&atilde;o    queria mesmo mais filhos, porque eu j&aacute; tenho duas...</i> (mulher, 33    anos, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 9 meses de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O tamanho da fam&iacute;lia tamb&eacute;m foi    uma das raz&otilde;es que influenciaram as decis&otilde;es reprodutivas de m&atilde;es    de crian&ccedil;as com anemia falciforme nos Estados Unidos, como mostrou uma    pesquisa sociol&oacute;gica em fam&iacute;lias de baixa renda<sup>22</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As exig&ecirc;ncias representadas pela experi&ecirc;ncia    do cuidado de uma crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme foi outro desafio    apontado por uma parcela das mulheres entrevistadas para justificar a decis&atilde;o    de n&atilde;o mais ter filhos:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">... <i>a alimenta&ccedil;&atilde;o dela tem de    ser com muita verdura, ent&atilde;o, n&atilde;o penso em ter outros filhos</i>    ... (mulher, idade n&atilde;o informada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 2    anos de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo o relato das mulheres, ter uma segunda    crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme envolveria a necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o    da renda familiar para a ado&ccedil;&atilde;o dos cuidados prescritos, como    a compra de alimentos adequados, a aquisi&ccedil;&atilde;o de medicamentos e    as visitas peri&oacute;dicas ao m&eacute;dico. O tratamento e o acompanhamento    di&aacute;rio das crian&ccedil;as, um papel atribu&iacute;do &agrave;s mulheres,    tamb&eacute;m foi apontado como um fator que contribuiria para a decis&atilde;o    de n&atilde;o ter mais filhos. Algumas das entrevistadas afirmaram ter deixado    temporariamente o mundo do trabalho para se dedicarem exclusivamente aos cuidados    da crian&ccedil;a, principalmente nos primeiros anos de vida. Uma parcela das    que suspenderam suas atividades laborais para exercerem o papel de cuidadoras    informou tamb&eacute;m que enxergava no crescimento dos filhos uma possibilidade    de retornar ao mundo do trabalho, o que fortaleceria at&eacute; mesmo a renda    familiar e ampliaria os recursos dispon&iacute;veis para o tratamento da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As mulheres expressaram ainda o receio de um    segundo filho com anemia falciforme ter manifesta&ccedil;&otilde;es mais graves,    tendo em vista a variabilidade cl&iacute;nica da doen&ccedil;a:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>eu tenho medo de se eu inventar    de ter outro e vier com essa doen&ccedil;a e for daqueles meninos que fica s&oacute;    doente o tempo todo</i>... (mulher, idade n&atilde;o informada, m&atilde;e de    crian&ccedil;a com 1 ano de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, as responsabilidades envolvidas    nos cuidados de uma crian&ccedil;a com anemia falciforme, a impossibilidade    de prever as manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da doen&ccedil;a, caso    estivesse presente em um segundo filho, e o desejo da cuidadora de retomar a    posi&ccedil;&atilde;o que ocupava no mundo do trabalho foram fatores identificados    como de import&acirc;ncia para as escolhas feitas no campo reprodutivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A decis&atilde;o de n&atilde;o ter mais filhos    adotada como estrat&eacute;gia para evitar uma doen&ccedil;a gen&eacute;tica    &eacute; um tema que tem gerado debates e revelado posi&ccedil;&otilde;es diversas<sup>28,31,34,35</sup>.    Seria essa uma atitude eug&ecirc;nica e discriminat&oacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia? A resposta para essa pergunta est&aacute;    diretamente relacionada &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es da mulher que decidiu    n&atilde;o mais se reproduzir e das circunstancias nas quais a decis&atilde;o    foi tomada. Segundo Jonathan Glover, as mulheres podem decidir n&atilde;o ter    filhos com defici&ecirc;ncia e essa n&atilde;o ser considerada uma escolha discriminat&oacute;ria    ou eug&ecirc;nica<sup>31</sup>. O desafio est&aacute; em analisar as racionalidades    que fundamentam as escolhas reprodutivas antes de fazer um julgamento moral    das mulheres. Este estudo revelou que as mulheres cuja decis&atilde;o foi a    de n&atilde;o mais ter filhos fundamentaram essa escolha em virtude dos recursos    j&aacute; envolvidos no cuidado de uma crian&ccedil;a com a doen&ccedil;a e    das pr&oacute;prias limita&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas ou as de    sua da fam&iacute;lia em receber um segundo filho que exigir&aacute; cuidados    semelhantes, a depender da imprevis&iacute;vel manifesta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica    da doen&ccedil;a falciforme.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>"Eu pretendo ter outro filho"</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um segundo grupo identificado na pesquisa &eacute;    composto pelas m&atilde;es que desejam ter outros filhos, independente da possibilidade    de recorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a falciforme. Uma caracter&iacute;stica    observada foi que as entrevistadas conheciam as chances estat&iacute;sticas    corretas de ter outra crian&ccedil;a com a enfermidade e n&atilde;o apontaram    essa possibilidade como um empecilho diante da vontade de ter outros filhos.    Os seguintes relatos mostram essa vontade, independente da possibilidade da    reincid&ecirc;ncia na fam&iacute;lia:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>eu pretendo ter outro filho.    Porque eu acho um filho pouco, tenho vontade de ter outro. Pode</i> &#91;nascer    com anemia falciforme&#93;, <i>25% de chances</i>. (mulher, idade n&atilde;o    revelada e m&atilde;e de crian&ccedil;a com idade tamb&eacute;m n&atilde;o mencionada)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>eu vejo como uma possibilidade    futura estar em situa&ccedil;&atilde;o melhor e ter outra crian&ccedil;a ...    a gente j&aacute; trata de um e j&aacute; conhece o pessoal</i> &#91;do hospital&#93;.    <i>Tratar o resto</i> &#91;outros poss&iacute;veis filhos com anemia falciforme&#93;    <i>&eacute; normal. Se outro menino nascer com doen&ccedil;a falciforme, vamos    para o hospital do mesmo modo. Com a mesma satisfa&ccedil;&atilde;o que a gente    leva um, leva os</i> &#91;filhos&#93; <i>mais distantes</i>. (mulher, 22 anos,    m&atilde;e de crian&ccedil;a com 6 anos de idade)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora haja o reconhecimento da possibilidade    de recorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, esse risco reprodutivo tem seu impacto    diminu&iacute;do diante do atendimento m&eacute;dico fornecido e da vontade    de expandir o tamanho da fam&iacute;lia. O diagn&oacute;stico e o tratamento    precoces assegurados pelos programas de triagem neonatal e o cuidado cotidiano    j&aacute; oferecido a uma crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme contribuem    para que o risco reprodutivo seja redimensionado simbolicamente. A doen&ccedil;a    n&atilde;o seria, dessa forma, algo restrito ao corpo biol&oacute;gico, mas    tamb&eacute;m diretamente influenciado pelo meio onde se vive e os recursos    dispon&iacute;veis<sup>34,36</sup>. Desde que o meio social ofere&ccedil;a condi&ccedil;&otilde;es    para o desenvolvimento de uma crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme ou    mesmo que a "situa&ccedil;&atilde;o" familiar seja capaz de atender &agrave;s    especificidades da crian&ccedil;a, como sugere um dos relatos acima, a possibilidade    de outros filhos doentes &eacute; reelaborada pelas mulheres. A doen&ccedil;a    falciforme recebe outros significados para al&eacute;m daqueles difundidos na    narrativa de profissionais e institui&ccedil;&otilde;es da sa&uacute;de, que    &eacute; fundamentada, principalmente, na descri&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica    da doen&ccedil;a e suas repercuss&otilde;es cl&iacute;nicas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A doen&ccedil;a falciforme &eacute; vista por    esse grupo de mulheres como uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica e pass&iacute;vel    de tratamento. Nesse sentido, os progn&oacute;sticos de morbidade e mortalidade    comumente associados s&atilde;o criticamente avaliados pelas mulheres com base    na experi&ecirc;ncia de ter e cuidar de uma crian&ccedil;a com a enfermidade.    Sua gravidade e a aus&ecirc;ncia de cura, informa&ccedil;&otilde;es destacadas    no discurso biom&eacute;dico, adquirem um novo significado para as cuidadoras    que t&ecirc;m a experi&ecirc;ncia como uma fonte adicional de informa&ccedil;&otilde;es    para decis&otilde;es no campo reprodutivo. Algumas pesquisas realizadas nos    Estados Unidos tamb&eacute;m mostraram que o diagn&oacute;stico precoce ou mesmo    a descoberta de um filho com doen&ccedil;a falciforme n&atilde;o exerciam grandes    impactos nas escolhas reprodutivas das mulheres<sup>22,28</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O tamanho da fam&iacute;lia e a idade dos pais    tamb&eacute;m s&atilde;o fatores que justificam o desejo de ter novos filhos.    As mulheres com apenas um filho, em geral, informaram o desejo de expandir a    fam&iacute;lia. A chegada de outro, entretanto, foi apontada como um evento    a ser planejado tendo em vista os cuidados que uma crian&ccedil;a com doen&ccedil;a    falciforme exige nos primeiros anos de vida:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>eu pretendo ter</i> &#91;outro    filho&#93; <i>quando ele</i> &#91;crian&ccedil;a com anemia falciforme&#93;    <i>estiver maior. Porque a&iacute; ele j&aacute; est&aacute; grandinho, ele    j&aacute; sabe cuidar mais, a&iacute; eu pretendo ter outro</i> (mulher, idade    n&atilde;o informada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 2 anos).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As mulheres reconhecem a possibilidade do nascimento    de outra crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme e, nesse sentido, um intervalo    de tempo at&eacute; a pr&oacute;xima gravidez &eacute; uma estrat&eacute;gia    necess&aacute;ria para que o primeiro filho atinja a idade na qual &eacute;    capaz de desenvolver o autocuidado, o que viabiliza o desejo da m&atilde;e de    ter outro. O autocuidado se baseia em um conjunto de pr&aacute;ticas adotadas    para identificar, prevenir e/ou tratar, sob orienta&ccedil;&atilde;o dos profissionais    de sa&uacute;de, as manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da doen&ccedil;a    no decorrer da vida<sup>37</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A mudan&ccedil;a de companheiro tamb&eacute;m    foi apontada como um dos fatores que motivavam a decis&atilde;o de ter outros    filhos. Considerando o gen&oacute;tipo diferenciado de um novo parceiro que    n&atilde;o possuiria o tra&ccedil;o ou a doen&ccedil;a falciforme, as mulheres    enxergavam a possibilidade de reduzir ou mesmo impedir o risco de nascimento    de outra crian&ccedil;a com a enfermidade. Uma das entrevistadas, gr&aacute;vida    novamente e com um novo par, expressou sua expectativa da seguinte forma:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>ele</i> &#91;novo companheiro&#93;    <i>pergunta se tem ou se corre o risco desse</i> &#91;atual gravidez&#93; <i>nascer    tamb&eacute;m com anemia falciforme. Falei que n&atilde;o. A n&atilde;o ser    que ele</i> &#91;novo companheiro&#93; <i>tivesse o tra&ccedil;o</i> &#91;falciforme&#93;    <i>tamb&eacute;m</i> (mulher, 23 anos, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 3 anos    de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A associa&ccedil;&atilde;o entre troca de parceiros    e diminui&ccedil;&atilde;o do risco de nascimento de crian&ccedil;as com doen&ccedil;as    falciformes tamb&eacute;m foi constatada em outras pesquisas sobre escolhas    reprodutivas<sup>15,22</sup>. As mulheres, embora reconhe&ccedil;am que t&ecirc;m    o tra&ccedil;o, apostam na possibilidade de um novo companheiro possuir um gen&oacute;tipo    sem sua presen&ccedil;a. Esses novos arranjos familiares, surgiriam, assim,    como um meio de evitar novos casos da enfermidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O acesso a testes diagn&oacute;sticos adicionais    &eacute; outro recurso que poderia ser empregado na assist&ecirc;ncia a mulheres    que decidem ter outros filhos. O de amniocentese permitiria descobrir se o seguinte    ter&aacute; a doen&ccedil;a e antecipar cuidados em sa&uacute;de ou planejar    arranjos familiares para a chegada da crian&ccedil;a. Rapp mostrou em sua pesquisa    sobre amniocentese que mesmo aquelas contr&aacute;rias ao aborto optavam pela    realiza&ccedil;&atilde;o do teste como um meio de antecipar cuidados em sa&uacute;de    a serem dispensados &agrave; crian&ccedil;a que iria nascer<sup>28</sup>. Os    testes diagn&oacute;sticos t&ecirc;m esse poder de antecipar informa&ccedil;&otilde;es    e verdades sobre os corpos e possibilitam a tomada de decis&otilde;es reprodutivas    ainda que em contextos cujas op&ccedil;&otilde;es sejam restritas, como no Brasil.    Entretanto, esses testes envolvem tamb&eacute;m repercuss&otilde;es f&iacute;sicas    e psicol&oacute;gicas nelas, o que exige um cuidadoso planejamento do modo como    ser&atilde;o empregados e da assist&ecirc;ncia no decorrer do processo de exames<sup>28,35</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>"Eu n&atilde;o sei"</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro grupo de mulheres &eacute; composto    por aquelas cuja decis&atilde;o reprodutiva com rela&ccedil;&atilde;o a outros    filhos ainda n&atilde;o foi tomada. Elas entendem corretamente o risco de gerar    outros indiv&iacute;duos com a doen&ccedil;a e, diante dessa possibilidade,    se sentem indecisas. Os relatos sugerem que elas investem em um processo de    negocia&ccedil;&atilde;o com os companheiros no sentido de compartilhar opini&otilde;es    e a responsabilidade de uma decis&atilde;o futura:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Ele</i> &#91;companheiro&#93; <i>disse que    quer outra menina, mas eu n&atilde;o sei, n&atilde;o. Sei l&aacute;, eu tenho    medo... eu n&atilde;o queria mais n&atilde;o, mas ele disse que quer uma menina</i>    (mulher, idade n&atilde;o revelada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 2 anos    de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">... <i>O pai</i> &#91;da crian&ccedil;a&#93;    <i>pretende</i> &#91;ter outros filhos&#93;, <i>eu n&atilde;o sei se eu quero    mais, n&atilde;o</i> (mulher, idade n&atilde;o revelada, m&atilde;e de crian&ccedil;a    com 10 meses de idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As mulheres que afirmam estar indecisas com rela&ccedil;&atilde;o    a um segundo filho atrelam essa indecis&atilde;o &agrave; opini&atilde;o dos    companheiros. Em geral, elas j&aacute; t&ecirc;m uma opini&atilde;o formada    sobre o que representaria o nascimento de outra crian&ccedil;a com doen&ccedil;a    falciforme e os cuidados exigidos. Entretanto, a expectativa do parceiro com    um novo filho ou mesmo o receio de a decis&atilde;o tomada afetar a rela&ccedil;&atilde;o    conjugal passam a ser um dilema que dificulta o di&aacute;logo sobre a possibilidade    de uma nova gravidez. Ao mesmo tempo em que reconhecem o valor social atribu&iacute;do    ao papel da maternidade, sabem as responsabilidades que seu exerc&iacute;cio    exige quando se tem uma crian&ccedil;a com essa enfermidade. Dessa forma, a    possibilidade de uma futura gesta&ccedil;&atilde;o passa a ser objeto de negocia&ccedil;&atilde;o    do casal, tendo em vista as implica&ccedil;&otilde;es que o cuidado de outra    crian&ccedil;a poder&aacute; representar na vida delas e da fam&iacute;lia.    A anemia falciforme foi reconhecida como um tipo cujas manifesta&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas podem ser mais intensas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O contexto social onde as mulheres est&atilde;o    inseridas tamb&eacute;m pode suscitar questionamentos sobre a quantidade de    filhos do casal e contribuir para a indecis&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; segunda gravidez. Nesse sentido, surge um dilema entre optar por n&atilde;o    ter mais filhos em virtude de o que representaria outra crian&ccedil;a com doen&ccedil;a    falciforme na fam&iacute;lia e atender &agrave; "ideologia da maternidade"<sup>22</sup>.    Uma das entrevistadas expressou da seguinte forma a press&atilde;o sofrida pelo    meio social:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>a sociedade trata como pessoas    doentes porque a mulher n&atilde;o quer ter outros filhos</i>... (mulher, idade    n&atilde;o informada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 2 anos de idade).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Portanto, &eacute; poss&iacute;vel inferir que,    em alguns casos, a suposta indecis&atilde;o expressa por algumas mulheres seria    um meio de ocultar uma decis&atilde;o reprodutiva j&aacute; tomada e mantida    em sigilo para evitar ou adiar julgamentos morais tanto do companheiro quanto    de familiares e amigos diante de escolhas consideradas controversas. Elas filtram    o recebimento da informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica com base na sua hist&oacute;ria    de vida e nas informa&ccedil;&otilde;es recebidas nas institui&ccedil;&otilde;es    de sa&uacute;de. As decis&otilde;es reprodutivas refletem um mosaico de saberes    que a mulher combina &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es de vida para si e para    o futuro da crian&ccedil;a<sup>28</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Algumas informaram que, mesmo diante da expectativa    dos companheiros, n&atilde;o hesitaram em negociar a vinda de um segundo filho.    Nesses casos, as mulheres se revestem da autoridade que possuem, uma vez que    desempenham o papel de cuidadoras, e passam a ponderar com os companheiros as    poss&iacute;veis implica&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>ele queria ter outro, sim, porque    como &eacute; o primeiro dele e ele &eacute; novo, mas a&iacute; eu conversei    com ele. A&iacute; ele falou assim, 'est&aacute; certa, a gente tem que evitar    mesmo porque futuramente a gente vai querer trabalhar, os dois juntos, para    ter as nossas coisas, e se vier uma crian&ccedil;a vai atrapalhar tudo</i>...'    (mulher, idade n&atilde;o revelada, m&atilde;e de crian&ccedil;a com 1 ano de    idade).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A negocia&ccedil;&atilde;o empreendida pelas    mulheres e a suposta indecis&atilde;o podem ser consideradas estrat&eacute;gias    empregadas para expressar e garantir a preserva&ccedil;&atilde;o de escolhas    reprodutivas contr&aacute;rias &agrave;s expectativas do companheiro, de familiares    ou da comunidade onde se vive.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa mostrou que as no&ccedil;&otilde;es    de risco reprodutivo adotadas pelas mulheres participantes das sess&otilde;es    de aconselhamento gen&eacute;tico do programa de triagem neonatal n&atilde;o    s&atilde;o constru&iacute;das somente com base na informa&ccedil;&atilde;o biom&eacute;dica    sobre a doen&ccedil;a e suas repercuss&otilde;es na rotina familiar, como a    ado&ccedil;&atilde;o de tratamentos e de cuidados preventivos. &Eacute; da combina&ccedil;&atilde;o    entre esta, as experi&ecirc;ncias pessoais e as perspectivas de vida para si    e para os filhos que constroem a no&ccedil;&atilde;o de risco reprodutivo e    fundamentam suas escolhas no campo do planejamento familiar. Consequentemente,    algumas optam por ter outros filhos e outras preferem aguardar para a tomada    de decis&atilde;o, ou mesmo decidem n&atilde;o mais se reproduzir.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao constru&iacute;rem a no&ccedil;&atilde;o de    risco reprodutivo e tomarem decis&otilde;es, as mulheres adotam discursos destinados    &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o das escolhas. Os relatos sugerem que algumas    mant&ecirc;m uma estrat&eacute;gia discursiva amparada na medicaliza&ccedil;&atilde;o    das escolhas reprodutivas. Por exemplo, uma parcela delas afirmou que n&atilde;o    mais teria filhos em virtude de ter sido submetida &agrave; cirurgia da ligadura    de trompas ou de o companheiro ter feito vasectomia. As cirurgias de esteriliza&ccedil;&atilde;o    seriam, portanto, um impedimento &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o socialmente    valorada. Para outras, a morbidade representada pela doen&ccedil;a que afeta    a crian&ccedil;a seria um alerta m&eacute;dico ou quase uma prescri&ccedil;&atilde;o    no sentido de prevenir a vinda de outros filhos. Esse fen&ocirc;meno de devolver    para a institui&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica a responsabilidade moral por    escolhas reprodutivas que poderiam ser alvo de questionamentos no microcosmo    onde se vive foi observado em alguns dos relatos e pode ser objeto de pesquisas    futuras.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi poss&iacute;vel observar tamb&eacute;m a    constru&ccedil;&atilde;o de novas narrativas em torno de o que &eacute; uma    vida com doen&ccedil;a falciforme. As mulheres cuja decis&atilde;o &eacute;    a de ter outros filhos a consideravam trat&aacute;vel e que permite &agrave;s    crian&ccedil;as se desenvolverem, desde que possuam os recursos materiais e    afetivos necess&aacute;rios. Essa percep&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a    falciforme pode ser considerada um dos resultados trazidos pelo programa de    triagem neonatal, que, ao fornecer diagn&oacute;stico e tratamento precoces,    reduz a morbimortalidade da doen&ccedil;a e potencializa cada vez mais a qualidade    e a expectativa de vida. A anemia falciforme come&ccedil;a a ser enxergada como    uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica em que o meio social influenciar&aacute; em    larga medida a trajet&oacute;ria de vida das crian&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, o processo de revis&atilde;o da literatura    brasileira mostrou a escassez de publica&ccedil;&otilde;es sobre mulheres cuidadoras,    reprodu&ccedil;&atilde;o e doen&ccedil;a falciforme. Em especial s&atilde;o    necess&aacute;rios estudos sobre o perfil socioecon&ocirc;mico e inser&ccedil;&atilde;o    das mulheres cuidadoras de crian&ccedil;as com doen&ccedil;as falciformes no    mercado de trabalho, essa &eacute; uma lacuna presente neste estudo e um dado    importante para entender aspectos relacionados &agrave;s escolhas reprodutivas.    No cen&aacute;rio internacional, tamb&eacute;m s&atilde;o poucos os estudos,    e geralmente os pesquisadores que abordam esse t&oacute;pico se voltam para    an&aacute;lises em torno de doen&ccedil;as espec&iacute;ficas, como c&acirc;ncer    de mama, fibrose c&iacute;stica ou doen&ccedil;a de Huntington<sup>11</sup>.    A quest&atilde;o do risco reprodutivo associado &agrave; doen&ccedil;a falciforme    est&aacute; &agrave; margem das discuss&otilde;es na literatura, apesar da centralidade    epidemiol&oacute;gica, &eacute;tica e social da doen&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Souza C, Schwartz I, Giugliani R. Triagem    neonatal de dist&uacute;rbios metab&oacute;licos. <i>Cien Saude Colet</i> 2002;    7(1):129-137.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623788&pid=S1413-8123201200090001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Ofori-Acquah S, Ohene-Frempong K. Beyond national    borders: a global perspective on advances in sickle cell disease research and    management, and new challenges in the Genome Era. In: Pace B, editor. <i>Renaissance    of sickle cell disease research in the Genome Era</i>. London: Imperial College    Press; 2007. p. 333-345.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623790&pid=S1413-8123201200090001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Carvalho T. Triagem neonatal no Brasil. <i>Rev.    M&eacute;dica de Minas Gerais </i>2005; 15:20-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623792&pid=S1413-8123201200090001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Botler J, Camacho L, Cruz M, George P. Triagem    neonatal - o desafio de uma cobertura universal e efetiva. <i>Cien Saude Colet</i>    2010; 15(2):493-508.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623794&pid=S1413-8123201200090001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. Rodrigues C, Ara&uacute;jo I, Melo L. A fam&iacute;lia    da crian&ccedil;a com doen&ccedil;a falciforme e a equipe de enfermagem: revis&atilde;o    cr&iacute;tica<i>. Rev Bras Hematol Hemoter</i> 2010; 32(3):257-264.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623796&pid=S1413-8123201200090001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Corr&ecirc;a M, Guilam M. O discurso do risco    e o aconselhamento gen&eacute;tico pr&eacute;-natal. <i>Cad Saude Publica</i>    2006; 22(10):2141-2149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623798&pid=S1413-8123201200090001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Ramalho A, Magna L, Paiva e Silva R. A portaria    n. 822/01 do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e as peculiaridades das hemoglobinopatias    em sa&uacute;de p&uacute;blica no Brasil. <i>Cad Saude Publica</i> 2003; 19(4):1195-1199.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623800&pid=S1413-8123201200090001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Guedes C. <i>O campo da anemia falciforme    e a informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica:</i> um estudo sobre o aconselhamento    gen&eacute;tico &#91;disserta&ccedil;&atilde;o&#93;. Bras&iacute;lia: Universidade    de Bras&iacute;lia; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623802&pid=S1413-8123201200090001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Pina-Neto J. Aconselhamento gen&eacute;tico.    <i>J Pediatr</i> 2008; 84(4):S20-S26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623804&pid=S1413-8123201200090001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Guedes C, Diniz D. A &eacute;tica na hist&oacute;ria    do aconselhamento gen&eacute;tico: um desafio &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica. <i>Rev Bras Educ Medic</i> 2009; 33(2):247-252.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623806&pid=S1413-8123201200090001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Sivell S, Elwyn G, Gaff C, Clarke A, Iredale    R, Shaw C. How risk is perceived, constructed and interpreted by clients in    clinical genetics, and the effects on decision making: systematic review. <i>J    Genet Couns</i> 2008; 17(1):30-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623808&pid=S1413-8123201200090001700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Scott S, Prior L, Wood F, Gray J. Repositioning    the patient: the implications of being 'at risk'. <i>Soc Sci Med</i> 2005; 60(8):1869-1879.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623810&pid=S1413-8123201200090001700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Sanders T, Campbell R, Donovan J, Sharp D.    Narrative accounts of hereditary risk: knowledge about family history, lay theories    of disease, and "internal" and "external" causation. <i>Qual Health Res</i>    2007; 17(4):510-520.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623812&pid=S1413-8123201200090001700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. Atkin K, Ahmed S, Hewison J, Green J. Decision-making    and ante-natal screening for sickle cell and thalassaemia disorders. <i>Curr    Sociol</i> 2008; 56(1):77-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623814&pid=S1413-8123201200090001700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Gallo A, Wilkie D, Suarez M, Labotka R, Molokie    R, Thompson A, Hershberger P, Johnson B. Reproductive decisions in people with    sickle cell disease or sickle cell trait. <i>West J Nurs Res </i>2010; 32(8):1073-1090.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623816&pid=S1413-8123201200090001700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Laguardia J. No fio da navalha: anemia falciforme,    ra&ccedil;a e as implica&ccedil;&otilde;es no cuidado &agrave; sa&uacute;de.    <i>Estud Fem</i> 2006; 14(1):243-262.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623818&pid=S1413-8123201200090001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Bitar&atilde;es E, Oliveira B, Viana M. Ades&atilde;o    &agrave; antiobioticoterapia profil&aacute;tica em crian&ccedil;as com anemia    falciforme: um estudo prospectivo. <i>J Pediatr</i> 2008; 84(4):316-322.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623820&pid=S1413-8123201200090001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Diniz D, Guedes C, Barbosa L, Tauil P, Magalh&atilde;es    I. Preval&ecirc;ncia do tra&ccedil;o e da anemia falciforme em rec&eacute;m-nascidos    do Distrito Federal, Brasil, 2004 a 2006. <i>Cad Saude Publica</i> 2009; 25(1):188-194.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623822&pid=S1413-8123201200090001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Guimar&atilde;es T, Miranda W, Tavares M.    O cotidiano das fam&iacute;lias de crian&ccedil;as e adolescentes portadores    de anemia falciforme. <i>Rev Bras Hematol Hemoter</i> 2009; 31(1):9-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623824&pid=S1413-8123201200090001700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Felix A, Souza H, Ribeiro S. Aspectos epidemiol&oacute;gicos    e sociais da doen&ccedil;a falciforme. <i>Rev Bras Hematol Hemoter</i> 2010;    32(3):203-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623826&pid=S1413-8123201200090001700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Abreu I, Braguini W. Triagem neonatal: o    conhecimento materno em uma maternidade no interior do Paran&aacute;, Brasil.    <i>Rev Ga&uacute;cha Enferm</i> 2011; 32(3): 596-601.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623828&pid=S1413-8123201200090001700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. Hill S. <i>Managing sickle cell disease in    low-income families</i>. Philadelphia: Temple University Press; 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623830&pid=S1413-8123201200090001700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23. Dyson S. <i>Ethnicity and screening for sickle    cell/thalassaemia:</i> lessons for practice from the voices of experience. London:    Elsevier; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623832&pid=S1413-8123201200090001700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">24. Rouse C. <i>Uncertain suffering:</i> racial    health care disparities and sickle cell disease. California: University of California    Press; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623834&pid=S1413-8123201200090001700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Gaskell G. Entrevistas individuais e grupais.    In: Bauer M, Gaskell G, organizadores. <i>Pesquisa qualitativa com texto, imagem    e som: </i>um manual pr&aacute;tico. Petr&oacute;polis: Vozes; 2004. p. 64-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623836&pid=S1413-8123201200090001700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">26. Strauss A, Corbin J. <i>Pesquisa qualitativa:</i>    t&eacute;cnicas e procedimentos para o desenvolvimento de teoria fundamentada.    Porto Alegre: Artmed, Bookman; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623838&pid=S1413-8123201200090001700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">27. Guedes C. <i>Anemia falciforme e triagem    neonatal</i>: o significado da preven&ccedil;&atilde;o para as mulheres cuidadoras    &#91;tese&#93;. Bras&iacute;lia: Universidade de Bras&iacute;lia; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623840&pid=S1413-8123201200090001700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">28. Rapp R. <i>Testing women, testing the fetus:</i>    the social impact of amniocentesis in America. New York: Routledge; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623842&pid=S1413-8123201200090001700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">29. Ahmed S, Atkin K, Hewison J, Green J. The    influence of faith and religion and the role of religious and community leaders    in prenatal decisions for sickle cell disorders and thalassaemia major. <i>Prenat    Diagn</i> 2006; 26(9):801-809.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623844&pid=S1413-8123201200090001700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">30. Rapp R. Chromosomes and communication: the    discourse of genetic counseling. <i>Med Anthropol Q</i> 1988; 2(2):143-157.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623846&pid=S1413-8123201200090001700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">31. Glover J. <i>Choosing children:</i> genes,    disability, and design. Oxford: Oxford University Press; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623848&pid=S1413-8123201200090001700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">32. Chazan L. O aparelho &eacute; como um autom&oacute;vel;    a pista &eacute; a paciente. Para al&eacute;m do ensino de tecnologia no pr&eacute;-natal.    <i>Physis</i> 2011; 21(2):601-627.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623850&pid=S1413-8123201200090001700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">33. Diniz D, Guedes C, Trivelino A. Educa&ccedil;&atilde;o    para a gen&eacute;tica e sa&uacute;de p&uacute;blica: um estudo de caso sobre    a anemia falciforme. <i>Cien Saude Colet</i> 2005; 10(2):365-372.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623852&pid=S1413-8123201200090001700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">34. Asch A. Diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal    e aborto seletivo: um desafio &agrave; pr&aacute;tica e &agrave;s pol&iacute;ticas.    <i>Physis </i>2003; 13(2):287-320.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623854&pid=S1413-8123201200090001700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">35. Green R. <i>Babies by design: </i>the ethics    of genetic choice. New Haven, London: Yale University Press; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623856&pid=S1413-8123201200090001700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">36. Beck U. Sobre a incompreendida falta de experi&ecirc;ncia    da gen&eacute;tica humana e as consequ&ecirc;ncias sociais do n&atilde;o-saber    relativo. In: Boni L, Jacob G, Salzano F, organizadores. <i>&Eacute;tica e gen&eacute;tica</i>.    Porto Alegre: Editora PUC-RS; 1998. p. 39-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623858&pid=S1413-8123201200090001700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">37. Araujo P. O auto cuidado na doen&ccedil;a    falciforme. <i>Rev Bras Hematol Hemoter</i> 2007; 29(3):239-246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1623860&pid=S1413-8123201200090001700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apresentado em 15/06/2011    <br>   Aprovado em 11/02/2012    ]]></body>
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