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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Práticas que integram a saúde mental à saúde pública: o apoio matricial e a interconsulta]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Practices that integrate mental health with public health: matricial support and interconsultation]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is an offshoot of my doctoral thesis defended at the Federal University of Rio Grande do Sul. It seeks to approach the historical dissociation between mental health and broader public health as well as practices that work towards the integration of the two. It examines the scientific background that fosters this dissociation and also national and international health-related documents that stress the need for integration. Based on Rose, I analyzed the documents and interviews with health professionals on the practices of Matricial Support and Interconsultation formulated by the Ministry of Health and by the Porto Alegre/ Rio Grande do Sul Municipal Health Department, which seek to relate mental health with Primary Healthcare. These documents and health practices propose new subjectivations to the professionals. They emphasize the interdisciplinarity and the non-hierarchization of services and knowledge, and are in line with the form of contemporary social organization, which suggests taking horizontal and democratic decisions, rather than decisions imposed by a vertical authority typical of the patriarchal and biomedical model.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>TEMAS LIVRES</b> FREE THEMES</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Pr&aacute;ticas que integram a sa&uacute;de    mental &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica: o apoio matricial e a interconsulta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Practices that integrate mental health with    public health: matricial support and interconsultation</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Elaine Rosner Silveira</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Rua Moab    Caldas 400, Santa Teresa. 90880-310 Porto Alegre RS. <a href="mailto:rosilelaine@gmail.com">rosilelaine@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo &eacute; um desdobramento da Tese    de Doutorado defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem como    objetivo abordar a hist&oacute;rica dissocia&ccedil;&atilde;o entre a sa&uacute;de    mental e a sa&uacute;de p&uacute;blica mais ampla bem como as pr&aacute;ticas    que prop&otilde;em sua integra&ccedil;&atilde;o, examinando o contexto cient&iacute;fico    que produz esta dissocia&ccedil;&atilde;o bem como os documentos nacionais e    internacionais na sa&uacute;de que referem &agrave; necessidade de integra&ccedil;&atilde;o.    Foram analisados a partir de Rose os documentos e entrevistas com profissionais    da sa&uacute;de sobre as pr&aacute;ticas de Apoio Matricial e Interconsulta    formuladas pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e pela Secretaria Municipal    de Sa&uacute;de de Porto Alegre (RS), que pretendem relacionar a sa&uacute;de    mental com a Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de. Estes    documentos e pr&aacute;ticas da sa&uacute;de prop&otilde;em aos profissionais    novas subjetiva&ccedil;&otilde;es. Enfatizam a interdisciplinaridade e a n&atilde;o    hierarquiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e saberes, e est&atilde;o em    conson&acirc;ncia com a forma de organiza&ccedil;&atilde;o social contempor&acirc;nea,    que prop&otilde;e que se assumam decis&otilde;es horizontais e democr&aacute;ticas,    em vez de impostas por uma autoridade vertical t&iacute;pica dos modelos patriarcal    e biom&eacute;dico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Sa&uacute;de mental, Sa&uacute;de    p&uacute;blica, Aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de,    Apoio matricial, Interconsulta</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This article is an offshoot of my doctoral thesis    defended at the Federal University of Rio Grande do Sul. It seeks to approach    the historical dissociation between mental health and broader public health    as well as practices that work towards the integration of the two. It examines    the scientific background that fosters this dissociation and also national and    international health-related documents that stress the need for integration.    Based on Rose, I analyzed the documents and interviews with health professionals    on the practices of Matricial Support and Interconsultation formulated by the    Ministry of Health and by the Porto Alegre/ Rio Grande do Sul Municipal Health    Department, which seek to relate mental health with Primary Healthcare. These    documents and health practices propose new subjectivations to the professionals.    They emphasize the interdisciplinarity and the non-hierarchization of services    and knowledge, and are in line with the form of contemporary social organization,    which suggests taking horizontal and democratic decisions, rather than decisions    imposed by a vertical authority typical of the patriarchal and biomedical model.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> Mental health, Public health,    Primary healthcare, Matricial support, Interconsultation</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Sa&uacute;de mental e sa&uacute;de: uma hist&oacute;rica    dissocia&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo &eacute; um desdobramento da Tese    de Doutorado intitulada "Pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas na sa&uacute;de:    o apoio matricial e a interconsulta integrando a sa&uacute;de mental &agrave;    sa&uacute;de p&uacute;blica"<sup>1</sup>, defendida no Programa de P&oacute;s    Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do    Rio Grande do Sul. A pesquisa se realizou a partir de uma abordagem construcionista    cultural que, segundo Hall<sup>2</sup>, considera que o significado &eacute;    constru&iacute;do <i>na</i> e <i>atrav&eacute;s da</i> linguagem, que as "coisas"    n&atilde;o t&ecirc;m um significado inerente, nem os significados s&atilde;o    apenas individuais, entendendo ser o significado produzido pelo trabalho da    representa&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas de significa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora a sa&uacute;de mental fa&ccedil;a parte    da sa&uacute;de mais ampla, &eacute; comum na rede b&aacute;sica os profissionais    generalistas atenderem a um leque diversificado de situa&ccedil;&otilde;es como    desnutri&ccedil;&atilde;o infantil, hipertens&atilde;o em adultos, diabetes,    entre outros, mas n&atilde;o inclu&iacute;rem a sa&uacute;de mental ou as manifesta&ccedil;&otilde;es    da subjetividade como parte deste leque. Acreditam ser esta da al&ccedil;ada    do servi&ccedil;o especializado, sem que muitas vezes considerem a possibilidade    de alguma assist&ecirc;ncia ser procedida no &acirc;mbito da Aten&ccedil;&atilde;o    Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de (APS). Tamb&eacute;m &eacute; observ&aacute;vel    uma falta de aproxima&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&otilde;es voltadas a    diabetes, a sa&uacute;de da mulher, da crian&ccedil;a, do adolescente, do idoso,    por exemplo, e a sa&uacute;de mental, tanto no planejamento dos programas e    pol&iacute;ticas quanto na execu&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia. As diferentes    pol&iacute;ticas colocadas em a&ccedil;&atilde;o, como por exemplo, a <i>Pol&iacute;tica    de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Sa&uacute;de da Mulher</i>, a <i>Pol&iacute;tica    de Sa&uacute;de do Idoso</i>, a <i>Pol&iacute;tica de Sa&uacute;de Mental</i>,    comumente ou s&atilde;o pouco articuladas entre si ou n&atilde;o o s&atilde;o.    Assim, discuss&otilde;es referentes &agrave; sa&uacute;de mental, ao sofrimento    ps&iacute;quico ou &agrave; subjetividade, que a princ&iacute;pio seriam transversais    a qualquer outro programa e pol&iacute;tica p&uacute;blica de sa&uacute;de,    comumente n&atilde;o perpassam esses programas. Dessa forma, as a&ccedil;&otilde;es    e o cuidado em sa&uacute;de se processam, com frequ&ecirc;ncia, de forma compartimentada,    fracionando o atendimento e o sujeito, que tamb&eacute;m &eacute; atendido de    forma fragmentada: cada "fragmento" &eacute; remetido para um servi&ccedil;o    diferente, ou para um programa espec&iacute;fico, ou para um profissional espec&iacute;fico,    sem que haja, muitas vezes, uma articula&ccedil;&atilde;o entre eles, gerando-se,    assim, como salientou Ceccim<sup>3</sup>, uma parcelariza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-burocr&aacute;tica    do trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse &eacute; o aspecto que justifica meu interesse    pelas pr&aacute;ticas da Interconsulta e do Apoio Matricial na &aacute;rea de    sa&uacute;de mental, pois estas objetivam articular &aacute;reas, saberes, servi&ccedil;os,    a sa&uacute;de mental e a sa&uacute;de no sentido geral. Em termos gerais, estas    pr&aacute;ticas consistem em encontros interdisciplinares entre profissionais    que trabalham nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental (psic&oacute;logo,    psiquiatra, terapeuta ocupacional e outros) e profissionais que trabalham nos    postos de sa&uacute;de da rede b&aacute;sica (m&eacute;dico, enfermeiro, agente    comunit&aacute;rio e outros) para que os primeiros auxiliem os segundos, principalmente    a respeito da avalia&ccedil;&atilde;o e do atendimento de casos que precisam    de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental, com o intuito de que possam    acolher e acompanhar alguns casos que talvez n&atilde;o necessitem de aten&ccedil;&atilde;o    especializada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A percep&ccedil;&atilde;o desta dissocia&ccedil;&atilde;o    entre sa&uacute;de mental e sa&uacute;de no sentido mais amplo, verificada nas    pr&aacute;ticas dos servi&ccedil;os, tamb&eacute;m se encontra referida em v&aacute;rios    documentos nacionais e internacionais na sa&uacute;de, que abordam tamb&eacute;m    a necessidade de integr&aacute;-las, conforme ser&aacute; citado. O documento    internacional elaborado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de,    intitulado "Relat&oacute;rio sobre a sa&uacute;de no mundo 2001: Sa&uacute;de    mental: nova concep&ccedil;&atilde;o, nova esperan&ccedil;a"<sup>4</sup>, considera    ser a sa&uacute;de mental comumente ignorada e negligenciada, diferente do que    sucede com a sa&uacute;de f&iacute;sica, ressaltando ser a maioria das doen&ccedil;as    mentais e f&iacute;sicas influenciada por uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores    biol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos e sociais. Este documento indica que    muitos pa&iacute;ses n&atilde;o possuem or&ccedil;amentos espec&iacute;ficos    para a sa&uacute;de mental, e boa parte daqueles que a incluem entre seus gastos    consigna menos de 1% do or&ccedil;amento da sa&uacute;de p&uacute;blica para    a sa&uacute;de mental. A nova concep&ccedil;&atilde;o a que alude o t&iacute;tulo    do documento, &eacute; a de que sa&uacute;de mental e sa&uacute;de f&iacute;sica    s&atilde;o insepar&aacute;veis, que uma influencia a outra, e que a sa&uacute;de    mental, os sentimentos e os pensamentos, s&atilde;o t&atilde;o importantes quanto    a sa&uacute;de f&iacute;sica. E os estados afetivos angustiados e deprimidos    desencadeiam mudan&ccedil;as no funcionamento end&oacute;crino e imunit&aacute;rio    e criam suscetibilidades a doen&ccedil;as f&iacute;sicas, estando entre essas    os dist&uacute;rbios card&iacute;acos. E comumente os profissionais da aten&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria n&atilde;o reconhecem a ang&uacute;stia emocional, propondo    o treinamento destes profissionais para detec&ccedil;&atilde;o e tratamento    de transtornos mentais. Outro documento mais recente, elaborado pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial da Sa&uacute;de<sup>5</sup> juntamente com a Associa&ccedil;&atilde;o    Mundial de M&eacute;dicos de Fam&iacute;lia (WONCA), indicou entre outras, as    seguintes raz&otilde;es para a integra&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental    na APS: as altas preval&ecirc;ncias de transtornos mentais e o baixo n&uacute;mero    de pacientes que recebem tratamento em todos os pa&iacute;ses; o aumento do    acesso aos cuidados em sa&uacute;de mental, quando realizados na APS; a maior    qualifica&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e dos servi&ccedil;os desenvolvidos    na APS minimiza o estigma e a discrimina&ccedil;&atilde;o; &eacute; mais barato    para pacientes, comunidades e governos o tratamento em sa&uacute;de mental na    APS que em hospitais psiqui&aacute;tricos; e os bons resultados obtidos relativamente    &agrave; integralidade da sa&uacute;de de sujeitos com sofrimento ps&iacute;quico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro documento internacional &eacute; a Declara&ccedil;&atilde;o    de Caracas<sup>6</sup>, que defende desde a d&eacute;cada de 1990, a aten&ccedil;&atilde;o    psiqui&aacute;trica na Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de    e na comunidade, propondo n&atilde;o centrar a assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de    mental nas interna&ccedil;&otilde;es hospitalares.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em n&iacute;vel nacional, o documento do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de sobre o N&uacute;cleo de Apoio &agrave; Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia<sup>7</sup>    tamb&eacute;m enfatiza a integra&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o &agrave;    sa&uacute;de mental na APS. Refere estudos realizados na d&eacute;cada de 1980,    que demonstraram que entre os pacientes que procuram o Programa Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia 33% a 56% apresentava "transtornos mentais comuns". A respeito    destes o documento cita o estudo da OMS, divulgado em 2001, que encontrou com    maior frequ&ecirc;ncia na APS a coexist&ecirc;ncia de depress&atilde;o e ansiedade,    al&eacute;m de sintomas f&iacute;sicos que n&atilde;o recebem explica&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica. Este documento utiliza tais indica&ccedil;&otilde;es para justificar    a necessidade de qualificar a APS e aponta a melhoria da efetividade na atua&ccedil;&atilde;o    das equipes de Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia possibilitada pelo Apoio Matricial    em sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como vimos, h&aacute; ainda hoje em documentos    recentes uma &ecirc;nfase na necessidade de integra&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de    mental e sa&uacute;de f&iacute;sica, e a insist&ecirc;ncia nessa tem&aacute;tica,    em n&iacute;vel internacional e nacional, &eacute; um indicativo de que se considera    que ainda n&atilde;o foi alcan&ccedil;ada plenamente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m autores como Lancetti e Amarante<sup>8</sup>    consideram fundamental o papel da rede b&aacute;sica na Reforma Psiqui&aacute;trica,    pois para eles a sa&uacute;de mental &eacute; o eixo da Estrat&eacute;gia da    Sa&uacute;de Fam&iacute;lia (ESF) e esta &eacute; um programa de sa&uacute;de    mental, pois trabalha pr&oacute;ximo &agrave; comunidade, todos os profissionais    conhecem os pacientes pelo nome bem como suas hist&oacute;rias. Consideram que    a Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia tem poder de inser&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos    ao seu territ&oacute;rio mais que os CAPS, pois a sa&uacute;de mental compete    a todos profissionais de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conting&ecirc;ncias de produ&ccedil;&atilde;o    da dissocia&ccedil;&atilde;o e da integra&ccedil;&atilde;o entre sa&uacute;de    mental e sa&uacute;de f&iacute;sica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal como prop&otilde;e Foucault<sup>9</sup>,    n&atilde;o interessa buscar a origem dos acontecimentos ou uma identidade primeira,    na qual estivesse assentada a verdade, entendida como algo anterior a tudo que    &eacute; externo, acidental e sucessivo, mas de considerar sua proveni&ecirc;ncia    e emerg&ecirc;ncia. Nessa mesma dire&ccedil;&atilde;o, autores que se utilizam    de Foucault, como Kendall e Wickham<sup>10</sup>, ressaltam que se deve procurar    pelas conting&ecirc;ncias, e n&atilde;o pelas causas, pois um evento hist&oacute;rico    n&atilde;o deve ser visto como necess&aacute;rio, mas como decorrente de uma    s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es complexas procedidas entre outros eventos.    Dessa forma, busquei indagar a emerg&ecirc;ncia ou o contexto social e na sa&uacute;de    a partir do qual se prop&otilde;em as pr&aacute;ticas como o Apoio Matricial    e a Interconsulta.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O surgimento da ci&ecirc;ncia moderna foi o momento    onde se deu o processo de multiplica&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o    de diferentes disciplinas e saberes, das fronteiras entre eles e das tentativas    de interrelacion&aacute;-los, bem como surgiram as dicotomias entre mente/corpo    e sujeito/objeto, segundo Luz<sup>11</sup>. As disciplinas cient&iacute;ficas    que emergiram nesta &eacute;poca e posteriormente, tais como a F&iacute;sica,    a Qu&iacute;mica, a Fisiologia e a Medicina, reproduziram nas suas teorias estas    dualidades e dicotomias, apesar de periodicamente tamb&eacute;m reduzirem um    polo da dicotomia a outro, como a autora tamb&eacute;m salientou. Segundo Capra<sup>12</sup>    e Minayo<sup>13</sup>, estas dicotomias do modelo cartesiano da ci&ecirc;ncia    deram origem na sa&uacute;de &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre os profissionais    que se ocupam do corpo e os profissionais que se ocupam da mente, dividindo    a pr&aacute;tica da assist&ecirc;ncia em dois campos distintos com pouca comunica&ccedil;&atilde;o:    os m&eacute;dicos ocupam-se do tratamento do corpo, os psiquiatras e psic&oacute;logos    da cura da mente, hiato que impede a compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o    entre aspectos emocionais e f&iacute;sicos no curso das doen&ccedil;as. Bem    como corroborou a separa&ccedil;&atilde;o entre a doen&ccedil;a ou o corpo (o    objeto) e as representa&ccedil;&otilde;es e as significa&ccedil;&otilde;es do    sujeito sobre elas (o sujeito).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m faz parte deste modelo cient&iacute;fico    positivista a valoriza&ccedil;&atilde;o do discurso da Raz&atilde;o, dos aspectos    quantitativos em detrimento dos qualitativos, da objetividade em detrimento    da subjetividade. Um representante importante do positivismo na sa&uacute;de    &eacute; o modelo biom&eacute;dico que valoriza a especializa&ccedil;&atilde;o,    o trabalho isolado, a objetividade em detrimento dos aspectos ps&iacute;quicos    ou subjetivos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A forma discursiva e a pr&aacute;tica biom&eacute;dica    preponderantes na sa&uacute;de, segundo Ceccim e Capazolo<sup>14</sup>, enfocam    principalmente os determinantes biol&oacute;gicos do adoecimento, sendo essa    uma "racionalidade que busca a verdade das doen&ccedil;as na altera&ccedil;&atilde;o    anatomopatol&oacute;gica". Nesse modelo o hospital e as emerg&ecirc;ncias s&atilde;o    considerados como centrais e como o topo da hierarquia da rede assistencial    e a rede de servi&ccedil;os como um todo &eacute; pouco articulada e valorizada,    sendo um sistema burocratizado e verticalizado. Ocorre, tamb&eacute;m, uma organiza&ccedil;&atilde;o    fragment&aacute;ria do trabalho, tanto na assist&ecirc;ncia quanto nos processos    de trabalho, gerando aliena&ccedil;&atilde;o no cuidado e na sua finalidade.    E um padr&atilde;o tecnicista e rotinizado de aten&ccedil;&atilde;o, que considera    pouco as singularidades dos casos e medicaliza em alto n&iacute;vel, levando    em conta, principalmente, o saber epidemiol&oacute;gico, deixando como secund&aacute;rio    o atendimento individual e o saber da cl&iacute;nica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em contraposi&ccedil;&atilde;o ao modelo hospitaloc&ecirc;ntrico    encontra-se o conceito ampliado de sa&uacute;de que integra a sa&uacute;de mental    e n&atilde;o foca apenas no aspecto biol&oacute;gico das doen&ccedil;as, mas    define a sa&uacute;de como um bem-estar f&iacute;sico, mental e social - e est&aacute;    presente em v&aacute;rios documentos internacionais e nacionais como a Constitui&ccedil;&atilde;o    da OMS<sup>15</sup> de 1948 e tamb&eacute;m o cap&iacute;tulo sobre o SUS da    Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988<sup>16</sup>. A Reforma Psiqui&aacute;trica    que hoje faz parte da Pol&iacute;tica de Sa&uacute;de Mental<sup>17</sup> do    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de prop&otilde;e a inser&ccedil;&atilde;o social    na comunidade do doente mental e tamb&eacute;m faz parte deste contexto de produ&ccedil;&atilde;o    desta ideia de integrar sa&uacute;de mental e sa&uacute;de f&iacute;sica. E    a &ecirc;nfase dada nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas na Aten&ccedil;&atilde;o    Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de - desde a Declara&ccedil;&atilde;o de    Alma-At&aacute; de 1978<sup>18 </sup>-, ao inv&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o    apenas dos hospitais enquanto centro da assist&ecirc;ncia na sa&uacute;de, tamb&eacute;m    forma o contexto onde se promovem as pr&aacute;ticas de Apoio Matricial e Interconsulta.    Esses s&atilde;o hoje os discursos de verdade colocados na sa&uacute;de e que    informam as pr&aacute;ticas abordadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Aportes metodol&oacute;gicos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Apoio Matricial foi teorizado por Campos e    Domitti<sup>19</sup> e prop&otilde;e um arranjo organizacional que estabele&ccedil;a    uma rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica horizontal entre profissionais do    servi&ccedil;o de refer&ecirc;ncia (a rede b&aacute;sica, por exemplo) e do    servi&ccedil;o especializado, ampliando a cl&iacute;nica. A Interconsulta teorizada    por Botega<sup>20</sup> prop&otilde;e assessorar em sa&uacute;de mental os profissionais    e as equipes n&atilde;o especializadas, entre outras atividades. Ambas buscam    integrar a sa&uacute;de mental &agrave; sa&uacute;de mais ampla e s&atilde;o    propostas dos &oacute;rg&atilde;os oficiais a n&iacute;vel federal e municipal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A metodologia utilizada foi a pesquisa qualitativa,    a entrevista semiestruturada e a an&aacute;lise baseada em Rose<sup>21</sup>.    Segundo esta autora, um primeiro tipo de an&aacute;lise do discurso foucaultiana    examina como as vis&otilde;es ou relatos s&atilde;o constru&iacute;dos como    reais, ver&iacute;dicos ou naturais, conformando regimes de verdade. Enfoca    estrat&eacute;gias de persuas&atilde;o ou os modos como determinado discurso    consegue persuadir e produzir efeitos de verdade, bem como posi&ccedil;&otilde;es    de sujeito. Esta primeira forma de an&aacute;lise aborda a produ&ccedil;&atilde;o    social e os efeitos dos discursos. Um segundo tipo de abordagem anal&iacute;tica    foucaultiana, examina a maneira como os discursos institucionais s&atilde;o    materializados na pr&oacute;pria arquitetura e nas posi&ccedil;&otilde;es de    sujeito. Ou seja, articula-se poder/saber e a produ&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es    de sujeito relacionadas aos mesmos. Como o autor<sup>21</sup> refere, estas    duas formas de an&aacute;lise podem acontecer de maneira bastante relacionada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi realizada a an&aacute;lise de dois documentos    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de sobre Apoio Matricial<sup>22,23</sup> e    um da Secretaria Municipal da Sa&uacute;de de Porto Alegre/RS sobre Interconsulta<sup>24</sup>,    e de entrevistas com doze profissionais da Secretaria Municipal da Sa&uacute;de    (SMS), sete profissionais de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental (psic&oacute;logo,    terapeuta ocupacional, psiquiatra, assistente social) e cinco m&eacute;dicos    de servi&ccedil;os da rede b&aacute;sica (Estrat&eacute;gia de Sa&uacute;de    da Fam&iacute;lia e Unidade de Sa&uacute;de). Este tipo de an&aacute;lise n&atilde;o    busca indicar qual a melhor pr&aacute;tica ou a mais produtiva - se a Interconsulta    ou o Apoio Matricial - mas relatar como estas s&atilde;o significadas pelos    documentos e pelos profissionais. A escolha destes documentos para an&aacute;lise    se deveu ao fato de serem as refer&ecirc;ncias oficiais que embasam estas pr&aacute;ticas    realizadas pelos trabalhadores da SMS de Porto Alegre/RS e que prop&otilde;e    articular os servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental e a rede b&aacute;sica.    A escolha dos sujeitos se direcionou aos que participam destas pr&aacute;ticas    em diferentes servi&ccedil;os da cidade, sem pretender abranger todos. A entrevista    indagou como realizam e o que os profissionais pensam delas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esta pesquisa foi aprovada pelo Comit&ecirc;    de &Eacute;tica da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de de Porto Alegre/RS e    n&atilde;o recebeu financiamento para a sua realiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Novas subjetiva&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os documentos do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    analisados sobre Apoio Matricial foram:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1) "Sa&uacute;de mental e aten&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica: o v&iacute;nculo e o di&aacute;logo necess&aacute;rios", que    &eacute; um anexo da publica&ccedil;&atilde;o "Sa&uacute;de mental no SUS: os    Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial"<sup>22 </sup>;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2) a cartilha do HumanizaSUS intitulada "Equipe    de Refer&ecirc;ncia e Apoio Matricial"<sup>23</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O documento da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de    sobre Interconsulta analisado foi o "Plano de Sa&uacute;de Mental 2005-2008"<sup>24</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos documentos do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    s&atilde;o propostas como tarefas do Apoio Matricial: a discuss&atilde;o de    caso, a capacita&ccedil;&atilde;o, a consulta conjunta, a participa&ccedil;&atilde;o    em reuni&atilde;o de equipe na rede b&aacute;sica, a visita domiciliar, a disponibiliza&ccedil;&atilde;o    de contato telef&ocirc;nico para emerg&ecirc;ncias. O Apoio Matricial tal qual    se encontra nestes documentos prop&otilde;e produzir um novo "arranjo organizacional",    que visa fornecer um "suporte t&eacute;cnico" &agrave;s a&ccedil;&otilde;es    b&aacute;sicas<sup>22</sup>, modificar rela&ccedil;&otilde;es e processos de    trabalho tidos como fragmentados e alienados, horizontalizar e democratizar    rela&ccedil;&otilde;es. A Cartilha refere que o servi&ccedil;o de sa&uacute;de    que concentra as decis&otilde;es na alta hierarquia "e cuja organiza&ccedil;&atilde;o    &eacute; baseada no poder das corpora&ccedil;&otilde;es profissionais, tende    a gerar descompromisso e falta de interesse de participa&ccedil;&atilde;o na    maioria dos trabalhadores."<sup>23</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">E estes documentos se endere&ccedil;am a um profissional    com este perfil tradicional que trabalha de forma fragmentada e n&atilde;o articulada,    t&ecirc;m como diretriz que a APS possa aumentar a resolutividade de atendimento    aos casos de sa&uacute;de mental, e, atrav&eacute;s da responsabiliza&ccedil;&atilde;o    compartilhada <i>excluir ou superar a l&oacute;gica de encaminhamento </i>aos    servi&ccedil;os especializados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os documentos do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    analisados criam novas formas de produzir sujeitos profissionais na sa&uacute;de,    com novas formas de <i>ver, dizer e julgar - </i>como referiu Larrosa<sup>25</sup>    ao definir o processo de subjetiva&ccedil;&atilde;o - a sa&uacute;de mental    e a sa&uacute;de. A partir da contribui&ccedil;&atilde;o foucaultiana, Larrosa<sup>25</sup>    considera que subjetivar-se &eacute; aprender a ver-se, dizer-se e julgar-se    de uma determinada forma, &eacute; a experi&ecirc;ncia de si mesmo em um dado    jogo de verdade. Para este autor, as teorias e as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas    e terap&ecirc;uticas n&atilde;o s&atilde;o meras mediadoras, que disp&otilde;em    os recursos para o desenvolvimento do sujeito, mas produzem as pessoas, sendo    constituidoras das subjetividades, da rela&ccedil;&atilde;o do sujeito consigo    e com os outros. Os profissionais da sa&uacute;de n&atilde;o s&atilde;o s&oacute;    subjetivados pela sua forma&ccedil;&atilde;o profissional acad&ecirc;mica, mas    tamb&eacute;m os documentos e as pr&aacute;ticas - como da Interconsulta e do    Apoio Matricial - produzem o objeto sobre o qual trabalham e tamb&eacute;m os    sujeitos profissionais que os realizam.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Estas novas formas de ver, dizer e julgar expressam-se    nas novas nomenclaturas utilizadas nestes documentos. Por exemplo, os dados    sobre preval&ecirc;ncia em sa&uacute;de mental na popula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o    apresentados conforme a modalidade de cuidados que esta necessita - "cuidados    cont&iacute;nuos (transtornos mentais severos e persistentes)" ou "eventual    (transtornos menos graves)"<sup>22</sup>, e n&atilde;o apenas a partir de transtornos    psiqui&aacute;tricos, como comumente s&atilde;o apresentados. O posto de sa&uacute;de    &eacute; denominado de "equipe de refer&ecirc;ncia" enfatizando a responsabilidade    da equipe da rede b&aacute;sica sobre os casos, e o servi&ccedil;o especializado    &eacute; denominado de "servi&ccedil;os de refer&ecirc;ncia/especialidades"<sup>23</sup>,    enfatizando tamb&eacute;m sua responsabilidade enquanto refer&ecirc;ncia secund&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Interconsulta, presente no documento da Secretaria    Municipal da Sa&uacute;de de 2005<sup>24</sup>, prop&otilde;e como fazendo parte    de suas atividades a discuss&atilde;o de caso e a realiza&ccedil;&atilde;o de    capacita&ccedil;&atilde;o, e embora cite autores que apontem como tarefa da    Interconsulta abordar quest&otilde;es interpessoais, institucionais e de equipe,    o documento n&atilde;o destaca estes aspectos. Ela &eacute; dirigida mais para    a orienta&ccedil;&atilde;o sobre quest&otilde;es t&eacute;cnicas como o manejo    da medica&ccedil;&atilde;o, do diagn&oacute;stico e da conduta t&eacute;cnica.    Este documento da SMS &eacute; permeado pela no&ccedil;&atilde;o de "evid&ecirc;ncias"    que considera como secund&aacute;rias ou desconsidera informa&ccedil;&otilde;es    socioculturais e psicol&oacute;gicas, segundo Castiel e Diaz<sup>26</sup>. E,    por outro lado, ao mesmo tempo, tamb&eacute;m &eacute; permeado por no&ccedil;&otilde;es    da Reforma Psiqui&aacute;trica de inclus&atilde;o social. A Interconsulta no    documento da SMS pretende <i>qualificar os encaminhamentos</i> da APS para os    servi&ccedil;os especializados, diferente do Apoio Matricial proposto pelo Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de que, como vimos, parece pretender principalmente aumentar a    resolutividade da APS. A Interconsulta parece ter o foco de atua&ccedil;&atilde;o    mais restrito do que o Apoio Matricial que tem uma pretens&atilde;o de modificar    a forma de se organizar o trabalho nas institui&ccedil;&otilde;es e equipes,    al&eacute;m de propor a realiza&ccedil;&atilde;o de consultas conjuntas. Apesar    das diferen&ccedil;as apontadas, as atividades que s&atilde;o propostas como    fazendo parte da Interconsulta est&atilde;o contidas nas atividades que o Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de prop&otilde;e como Apoio Matricial em sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">E tanto a Interconsulta quanto o Apoio Matricial    afirmam a sa&uacute;de mental como t&atilde;o importante quanto a sa&uacute;de    f&iacute;sica, prop&otilde;em novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o das    rela&ccedil;&otilde;es de poder entre os profissionais, de saber e de verdade    na sa&uacute;de, afetando usu&aacute;rios e profissionais. Elas direcionam os    sujeitos profissionais da sa&uacute;de mental para que realizem interdisciplina    e ensinem os demais profissionais a pratic&aacute;-la, assim como a intersetorialidade,    e que compartilhem responsabilidade sobre os casos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pode-se dizer, ent&atilde;o, que os documentos    do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e da SMS comp&otilde;em um modo de falar    sobre a sa&uacute;de e de gerenci&aacute;-la, que est&aacute; inserido em valora&ccedil;&otilde;es    e verdades que tanto se referem ao momento atual das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    brasileiras, quanto a propostas assumidas por documentos e entidades de sa&uacute;de    internacionais e da ci&ecirc;ncia. Valoriza-se a Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria    &agrave; Sa&uacute;de, a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de mental    na Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria, inserindo o doente na comunidade e    n&atilde;o segregando em interna&ccedil;&otilde;es hospitalares, a integra&ccedil;&atilde;o    entre os servi&ccedil;os da sa&uacute;de e a intersetorialidade entre a sa&uacute;de    e outras institui&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Modus operandi,</i> cr&iacute;ticas e estrat&eacute;gias    do apoio matricial e da interconsulta</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A forma de realizar este trabalho de integra&ccedil;&atilde;o    dos profissionais do servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental e dos profissionais    da rede b&aacute;sica tem variado na SMS de Porto Alegre e nem todos os servi&ccedil;os    de sa&uacute;de mental as realizam, assim como nem todo posto de sa&uacute;de    participa. Em um dos formatos, os profissionais de diferentes postos da APS    re&uacute;nem-se quinzenalmente ou mensalmente no servi&ccedil;o de sa&uacute;de    mental junto com os profissionais deste servi&ccedil;o para discutir casos e    formular Planos Terap&ecirc;uticos Singulares conjuntamente. Alguns cl&iacute;nicos    gerais e m&eacute;dicos de fam&iacute;lia entrevistados consideraram bastante    produtiva este formato de reuni&atilde;o, referiram aprender tamb&eacute;m com    a troca de experi&ecirc;ncia com colegas de outros postos da rede b&aacute;sica,    assim como com profissionais da sa&uacute;de mental. Num outro formato, os profissionais    dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental dirigem-se a cada posto de sa&uacute;de    para realizar esta atividade, geralmente mais de um profissional de &aacute;reas    diferentes. A denomina&ccedil;&atilde;o empregada pelos profissionais para esta    atividade varia bastante, alguns chamam de Consultoria, outros de Interconsulta    - termo empregado no documento da SMS de 2005 j&aacute; citado<sup>24 </sup>-    e outros de Apoio Matricial, tal como utiliza o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Os profissionais realizam uma apropria&ccedil;&atilde;o bastante particular    destas no&ccedil;&otilde;es, sem necessariamente seguir as defini&ccedil;&otilde;es    oficiais do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de ou da Secretaria Municipal da    Sa&uacute;de. Em v&aacute;rios servi&ccedil;os este trabalho da sa&uacute;de    mental com a rede b&aacute;sica j&aacute; acontece h&aacute; mais de cinco anos,    tendo sido referido tanto pelos profissionais de ambos locais que participam    destas atividades, ter ocorrido um forte aprendizado no per&iacute;odo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nem todos profissionais s&atilde;o favor&aacute;veis    a estas pr&aacute;ticas. Um cl&iacute;nico geral se posicionou contra e defendeu    o encaminhamento direto de casos aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental    via documento de refer&ecirc;ncia e contrarrefer&ecirc;ncia por considerar mais    r&aacute;pido do que esperar a reuni&atilde;o para discutir o caso - posi&ccedil;&atilde;o    que na minha experi&ecirc;ncia verifico ser bastante comum entre profissionais    das Unidades de Sa&uacute;de. Esse profissional defendeu que a renova&ccedil;&atilde;o    de receita psiqui&aacute;trica, bem como a aten&ccedil;&atilde;o aos casos deve    ser feita pelo especialista, n&atilde;o por um m&eacute;dico cl&iacute;nico    geral. Ele diz:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>porque &agrave;s vezes tu fica    com um paciente de psiquiatria copiando receita, o cl&iacute;nico fica copiador    de receita</i> &#91;...&#93; <i>porque a gente n&atilde;o v&ecirc; o dia a dia</i>    &#91;do paciente&#93;, <i>n&atilde;o conversa, n&atilde;o temos tempo pra saber    como &eacute; que &eacute; a vida dele, n&eacute;</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diz ainda que o psiquiatra &eacute; quem tem    uma vis&atilde;o</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>mais subjetiva. Vai ter que    conversar, perder tempo, por isso que a consulta do psiquiatra &eacute; demorada,    n&eacute;?</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">E completa:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&#91;...&#93; <i>o cl&iacute;nico na verdade,    ele deixa de fazer a parte cl&iacute;nica dele que &eacute; ver como est&aacute;    o f&iacute;gado, como &eacute; que t&aacute; o rim, se tem alguma infec&ccedil;&atilde;o.    Na verdade tu fica s&oacute; passando a receita do medicamento que tu n&atilde;o    pode retirar tamb&eacute;m.</i></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ele costuma renovar as receitas psiqui&aacute;tricas    e participar da Interconsulta nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, por&eacute;m    critica isso, n&atilde;o considera ser sua fun&ccedil;&atilde;o abordar os aspectos    subjetivos do paciente, mas sim cuidar dos aspectos objetivos como os &oacute;rg&atilde;os,    as enfermidades e os exames. Ele se considera um "copiador de receita" psiqui&aacute;trica    dos usu&aacute;rios que j&aacute; se trataram em servi&ccedil;os de sa&uacute;de    mental e ganharam alta, ou que aguardam vaga para serem atendidos nestes servi&ccedil;os,    pois n&atilde;o se sente preparado para alterar a medica&ccedil;&atilde;o. Este    profissional e tantos outros trabalhadores da SMS demonstram uma forte subjetiva&ccedil;&atilde;o    no modelo biom&eacute;dico que refor&ccedil;a o trabalho dentro das fronteiras    das especialidades, voltado para aspectos objetivos e n&atilde;o podendo abordar    os aspectos subjetivos do atendimento. J&aacute; outro m&eacute;dico, um cl&iacute;nico    comunit&aacute;rio, considera que a consultoria de sa&uacute;de mental ajuda    a</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><i>dar um suporte e fazer com que a gente se    sinta mais seguro pra atender casos que a gente imagina que n&atilde;o &eacute;    capaz ou que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel atender</i> &#91;...&#93;.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo relato de profissionais de servi&ccedil;os    de sa&uacute;de mental entrevistados, &eacute; comum os profissionais da rede    b&aacute;sica alegarem n&atilde;o terem tempo para atender a sa&uacute;de mental,    ou n&atilde;o se sentirem preparados ou capacitados para tal, e n&atilde;o reconhecerem    a renova&ccedil;&atilde;o de receita psiqui&aacute;trica como uma aten&ccedil;&atilde;o    que j&aacute; realizam na &aacute;rea de sa&uacute;de mental. Sendo a estrat&eacute;gia    inicial de alguns profissionais da sa&uacute;de mental entrevistados, auxiliar    para que os m&eacute;dicos da rede b&aacute;sica reconhe&ccedil;am que a renova&ccedil;&atilde;o    de receita psiqui&aacute;trica j&aacute; &eacute; uma assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de    mental e que &eacute; poss&iacute;vel qualific&aacute;-la.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra estrat&eacute;gia utilizada na reuni&atilde;o    de Interconsulta &eacute; a negocia&ccedil;&atilde;o a respeito do usu&aacute;rio    a ser acolhido no servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental, que &eacute;, segundo    um entrevistado, bastante tensionada, pois o n&uacute;mero de vagas no servi&ccedil;o    de sa&uacute;de mental &eacute; sempre menor do que os pedidos de encaminhamentos    pela rede b&aacute;sica. A prioridade &eacute; para os casos mais graves, mas,    segundo profissionais da sa&uacute;de mental, algumas vezes admite-se um caso    menos grave no servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental quando os profissionais    da rede b&aacute;sica n&atilde;o est&atilde;o conseguindo lidar com a situa&ccedil;&atilde;o,    apesar do caso j&aacute; ter sido discutido na Interconsulta, levando em conta    os limites e as possibilidades de atendimento dos profissionais da rede b&aacute;sica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma enfermeira de um servi&ccedil;o de sa&uacute;de    mental relatou:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>Tem unidades que o paciente grave fica um    pouco perdido no cotidiano do trabalho. Ent&atilde;o um pouco o nosso papel    &eacute; puxar esse paciente</i> &#91;...&#93;, <i>vamos trazer pro servi&ccedil;o    de sa&uacute;de mental, ver se ele consegue vir, vamos fazer visita domiciliar</i>.    &#91;...&#93; <i>A gente ajuda a montar o paciente, digamos</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na Interconsulta com a rede b&aacute;sica ela    auxilia a "puxar" o caso grave de sa&uacute;de mental que &agrave;s vezes fica    perdido no cotidiano do trabalho do posto de sa&uacute;de, a pensar estrat&eacute;gias    para traz&ecirc;-lo ao servi&ccedil;o, como a visita domiciliar, por exemplo,    e tamb&eacute;m a pensar junto com a equipe da rede b&aacute;sica que profissionais    podem fazer este trabalho. Faz lembrar o que Ana Cristina Figueiredo<sup>27</sup>    chama de "constru&ccedil;&atilde;o do caso cl&iacute;nico", ou seja, a constru&ccedil;&atilde;o    coletiva do caso reunindo a contribui&ccedil;&atilde;o dos profissionais da    equipe que o conhecem, a partir do que se colhe das produ&ccedil;&otilde;es    do sujeito, e que servir&aacute; de indica&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o    de seu tratamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>O que profissionais referem <i>aprender</i>    ou <i>ensinar</i> na interconsulta e no apoio matricial?</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; utilizada no presente trabalho uma leitura    ampliada do pedag&oacute;gico que considera que os processos de aprendizagem    n&atilde;o ocorrem somente nos espa&ccedil;os da escola ou das institui&ccedil;&otilde;es    de ensino<sup>28</sup>. Segundo estes autores as aprendizagens ocorrem tamb&eacute;m    em inst&acirc;ncias ou manifesta&ccedil;&otilde;es extraescolares como a m&iacute;dia,    o cinema, a cultura popular, os livros de fic&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es    religiosas, assim como acontece tamb&eacute;m nos documentos e pr&aacute;ticas    na sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sobre os aprendizados em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; inf&acirc;ncia, uma psic&oacute;loga referiu que os pediatras da rede    b&aacute;sica ap&oacute;s a Interconsulta passaram a dar "aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; hist&oacute;ria da crian&ccedil;a", escutar tamb&eacute;m a crian&ccedil;a    e n&atilde;o s&oacute; o adulto (as queixas maternas e da escola), a n&atilde;o    centrar s&oacute; no sintoma ou na doen&ccedil;a, mas a conhecer o contexto    da crian&ccedil;a, sua fam&iacute;lia, e a avaliar mais detidamente os pedidos    de encaminhamentos feitos pela escola, modificando muitas vezes o encaminhamento.    Por exemplo, um pedido de encaminhamento de uma crian&ccedil;a ao neurologista,    feito pela escola, p&ocirc;de ser melhor analisado pelo pediatra do posto de    sa&uacute;de, juntamente com o trabalho da Interconsulta, derivando para um    encaminhamento a outro profissional, que se julgou mais adequado para a situa&ccedil;&atilde;o,    um psic&oacute;logo. A psic&oacute;loga diz que esses m&eacute;dicos lhe dizem:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><i>puxa, como foi bom isso</i> &#91;a Interconsulta&#93;,    <i>como eu aprendi a ter uma escuta maior, n&eacute;, mais focada no desenvolvimento    todo da crian&ccedil;a</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o aos adultos, os profissionais    da rede b&aacute;sica referiram passar a escutar e conhecer mais a pessoa, obter    mais dados sobre sua situa&ccedil;&atilde;o e contexto, a ter mais disponibilidade    pessoal e de tempo, a acolher seu sofrimento, a acompanhar longitudinalmente    os casos, a motivar o paciente antes de encaminhar ao servi&ccedil;o especializado,    a n&atilde;o se assustar com casos de sa&uacute;de mental e enxerg&aacute;-los    de outra forma (n&atilde;o como o "chato", o insistente ou o incompreens&iacute;vel),    sentindo-se mais capacitados para atend&ecirc;-los e entend&ecirc;-los, aprenderam    a dar uma "aten&ccedil;&atilde;o integral" e atentar para a "dor na alma", conforme    relatos. A partir da "Consultoria" uma cl&iacute;nica geral diz ter passado    a atender os casos menos graves dando "apoio" e "aten&ccedil;&atilde;o", e a    s&oacute; encaminhar ao servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental os mais graves,    ela diz: <i>Quanta gente senta na nossa frente e come&ccedil;a a chorar. Eles    n&atilde;o v&ecirc;m com o problema de estar com uma dor. A dor deles &eacute;    dor na alma</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pode-se dizer que os profissionais referiram    ter havido uma certa complexifica&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o dos casos    e amplia&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias pr&aacute;ticas pois passaram    a escutar mais, realizar acompanhamento sistem&aacute;tico de alguns casos,    e alguns at&eacute; a realizar grupos e/ou oficinas. Um entrevistado de um servi&ccedil;o    de sa&uacute;de mental enfatizou que este trabalho ajuda a rede b&aacute;sica    a planejar e organizar a assist&ecirc;ncia com o usu&aacute;rio que necessita    de cuidados na &aacute;rea de sa&uacute;de mental.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Referiram que passaram a valorizar a troca interdisciplinar    e tamb&eacute;m aquela entre profissionais da mesma profiss&atilde;o como processo    de aprendizagem, a "parar para conversar" sobre o trabalho e sobre os casos,    algo que muitas vezes n&atilde;o acontece no cotidiano atribulado da rede b&aacute;sica    que recebe demandas muito variadas em sa&uacute;de. Al&eacute;m disso, em algumas    situa&ccedil;&otilde;es passaram a chamar outros servi&ccedil;os que n&atilde;o    s&atilde;o da sa&uacute;de, como por exemplo, o Conselho Tutelar e a escola,    para discutir intersetorialmente alguns casos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, pode-se dizer que nestas pr&aacute;ticas    de Interconsulta e Apoio Matricial os sujeitos profissionais s&atilde;o subjetivados    e se autoproduzem para modificarem suas pr&aacute;ticas e realizarem aproxima&ccedil;&atilde;o    entre servi&ccedil;os e entre diferentes profiss&otilde;es, trabalhar de forma    coletiva em equipe, dividindo responsabilidades e se comprometendo. E o sujeito    paciente &eacute; incentivado a se inserir socialmente e n&atilde;o ser segregado,    se torna um caso constru&iacute;do e discutido procurando levar em conta seu    contexto e singularidade. S&atilde;o pr&aacute;ticas que tornam mais resolutiva    a aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental e no SUS, que n&atilde;o substituem    os servi&ccedil;os especializados, mas se somam a eles.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por&eacute;m, os profissionais tamb&eacute;m    relataram as seguintes dificuldades: nem sempre acontece trabalho em equipe    ou interdisciplina dentro da rede b&aacute;sica e/ou desta com o servi&ccedil;o    especializado; nem todos os servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental realizam    ou da rede b&aacute;sica participam da Interconsulta ou da atividade de Apoio    Matricial; o atendimento dos casos de sa&uacute;de mental e a participa&ccedil;&atilde;o    na Interconsulta e no Matriciamento s&atilde;o centrados ainda no profissional    m&eacute;dico, alguns profissionais da sa&uacute;de mental tentam incluir tamb&eacute;m    a contribui&ccedil;&atilde;o dos outros profissionais da rede b&aacute;sica    na discuss&atilde;o dos casos; os m&eacute;dicos relatam que comumente n&atilde;o    inclu&iacute;am a sa&uacute;de mental nas suas a&ccedil;&otilde;es antes da    Interconsulta ou do Matriciamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Pr&aacute;ticas discursivas e subjetiva&ccedil;&otilde;es    contempor&acirc;neas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O discurso encontrado nos documentos do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de sobre o Apoio Matricial e tamb&eacute;m nas entrevistas analisadas,    que enfatiza a interdisciplinaridade, a responsabilidade compartilhada, assim    como a valoriza&ccedil;&atilde;o igualit&aacute;ria de todos os saberes disciplinares,    a n&atilde;o hierarquiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os nem de saberes,    e a democratiza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, parece    fazer parte de outro social mais amplo, contempor&acirc;neo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este discurso presente na sa&uacute;de contra    o modelo piramidal biom&eacute;dico - que &eacute; a express&atilde;o do modelo    patriarcal na sa&uacute;de, segundo Capra<sup>12</sup>, e em prol das rela&ccedil;&otilde;es    horizontais, da democracia e da transdisciplinaridade, parece relacionar-se    muito ao que Lebrun<sup>29</sup> chama de organiza&ccedil;&atilde;o social contempor&acirc;nea.    Lebrun<sup>29 </sup>destaca em rela&ccedil;&atilde;o ao passado mudan&ccedil;as    na forma de conv&iacute;vio e na organiza&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o social:    antes na sociedade predominava a verticalidade, a autoridade dada pela tradi&ccedil;&atilde;o,    o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o social piramidal, a ordem preestabelecida    transmitia as regras. A legitimidade social era dada pela teologia e pela supremacia    masculina do patriarcado, o religioso era o modelo do social. Segundo Lebrun<sup>30</sup>,    antes a autoridade era ocupada por Deus, pelo Papa, pelo pai ou pelo chefe,    e hoje a organiza&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o est&aacute; mais constitu&iacute;da    como pir&acirc;mide, mas como rede e este lugar de autoridade n&atilde;o tem    mais o reconhecimento espont&acirc;neo de antes, o modelo anterior foi paulatinamente    enfraquecido pelo discurso da ci&ecirc;ncia e pelos avan&ccedil;os da democracia.    Na modernidade<sup>29</sup> h&aacute; mudan&ccedil;a na maneira de decidir,    passou-se a defender a contratualidade, a horizontalidade e a paridade democr&aacute;tica,    a pluralidade passou a ser reconhecida com suas converg&ecirc;ncias e diverg&ecirc;ncias.    Hoje considera-se que a decis&atilde;o deve vir da confronta&ccedil;&atilde;o    e da discuss&atilde;o entre os protagonistas, da troca entre interlocutores,    a ordem deve emergir do conv&iacute;vio entre os parceiros, ela n&atilde;o est&aacute;    dada de antem&atilde;o, espera-se dos atores que estejam implicados e que n&atilde;o    sejam apenas submetidos. Lebrun<sup>29</sup> refere que a autoridade hoje se    sustenta nessa organiza&ccedil;&atilde;o mais horizontal e negociada, e aceita    a interpela&ccedil;&atilde;o. Essas quest&otilde;es da corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o    dos profissionais da rede b&aacute;sica com as situa&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de    mental, e n&atilde;o s&oacute; do encaminhamento descomprometido, bem como das    decis&otilde;es sobre o trabalho que se constroem coletivamente e n&atilde;o    apenas se imp&otilde;em verticalmente, aparecem muito nos discursos e nas pr&aacute;ticas    analisadas por esta pesquisa, especialmente nos documentos do Minist&eacute;rio    da Sa&uacute;de citados e nas entrevistas, corroborando a ideia de mudan&ccedil;a    de alguns discursos e pr&aacute;ticas da sa&uacute;de tal como vem acontecendo    no discurso social contempor&acirc;neo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Silveira ER. <i>Pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas    na sa&uacute;de</i>: o apoio matricial e a interconsulta integrando a sa&uacute;de    mental &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica &#91;tese&#93;. Porto Alegre (RS):    Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616597&pid=S1413-8123201200090001800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Hall S. The work of representation. In: Hall    S, organizador. <i>Representation</i>: cultural represantations and signifying    practices. London: Thousand Oaks; 1997. p. 11-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616599&pid=S1413-8123201200090001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Ceccim R. Equipe de sa&uacute;de: a perspectiva    entre-disciplinar na produ&ccedil;&atilde;o dos atos terap&ecirc;uticos. In:    Pinheiro R, Mattos R, organizadores. <i>Cuidado</i>. As fronteiras da integralidade.    Rio de Janeiro: IMS/UERJ, CEPESC, Abrasco; 2005. p. 259-278</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616601&pid=S1413-8123201200090001800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de    (OMS). <i>Relat&oacute;rio sobre a sa&uacute;de no mundo 2001</i>. Sa&uacute;de    mental: nova concep&ccedil;&atilde;o, nova esperan&ccedil;a. Genebra (Su&iacute;&ccedil;a):    OMS; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616602&pid=S1413-8123201200090001800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. World Health Organization (WHO), World Organization    of Family Doctors (WONCA). <i>Integrating mental health into primary care</i>.    A global perspective. &#91;site na Internet&#93;. Geneva: WHO; 2008. &#91;acessado    2010 mar 20&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.who.int/mental_health/policy/Integratingmhintoprimarycare2008_lastversion.pdf" target="_blank">http://www.who.int/mental_health/policy/Integratingmhintoprimarycare2008_lastversion.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616604&pid=S1413-8123201200090001800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Declara&ccedil;&atilde;o de Caracas. Confer&ecirc;ncia    Regional para a Reestrutura&ccedil;&atilde;o da Assist&ecirc;ncia Psiqui&aacute;trica    dentro dos Sistemas Locais de Sa&uacute;de &#91;site na Internet&#93;. Caracas    (Venezuela): 1990. &#91;acessado 2008 set 9&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=23107" target="_blank">http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=23107</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616605&pid=S1413-8123201200090001800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    (MS). Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento    de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. <i>Diretrizes do NASF</i>. N&uacute;cleo    de Apoio &agrave; Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia<i>.</i> Bras&iacute;lia: MS;    2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616606&pid=S1413-8123201200090001800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Lancetti A, Amarante P. Sa&uacute;de mental    e sa&uacute;de coletiva. In: Campos GW, organizador. <i>Tratado de sa&uacute;de    coletiva</i>. S&atilde;o Paulo: Hucitec; 2006. p. 615-634.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616608&pid=S1413-8123201200090001800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Foucault M. <i>Microf&iacute;sica do Poder</i>.    11&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Graal; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616610&pid=S1413-8123201200090001800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Kendall G, Wickham G. Parte I, A hist&oacute;ria,    arquelogia, genealogia e o discurso como pedras angulares dos m&eacute;todos    de Foucaul. In: Kendall G, Wickham G, organizadores. <i>Usando os m&eacute;todos    de Foucault. </i>London, Thousand Oaks, Delhi: Sage; 1999. p. 4-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616612&pid=S1413-8123201200090001800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Luz MT. <i>Natural, racional, social</i>.    Raz&atilde;o m&eacute;dica e racionalidade cient&iacute;fica moderna. Rio de    Janeiro: Campus; 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616614&pid=S1413-8123201200090001800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Capra F. <i>O ponto de muta&ccedil;&atilde;o</i>.    A ci&ecirc;ncia, a sociedade e a cultura emergente. S&atilde;o Paulo: Cultrix;    1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616616&pid=S1413-8123201200090001800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Minayo MCS. <i>O desafio do conhecimento:</i>    pesquisa qualitativa em sa&uacute;de. 11&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o    Paulo: Hucitec; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616618&pid=S1413-8123201200090001800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. Ceccim R, Capazolo A. Educa&ccedil;&atilde;o    dos profissionais de sa&uacute;de e a afirma&ccedil;&atilde;o da vida: a pr&aacute;tica    cl&iacute;nica como resist&ecirc;ncia e cria&ccedil;&atilde;o. In: Marins J,    Rego S, Lampert JB, Ara&uacute;jo JGC, organizadores. <i>Educa&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica em transforma&ccedil;&atilde;o</i>: instrumentos para a constru&ccedil;&atilde;o    de novas realidades<i>. </i>S&atilde;o Paulo: Hucitec; 2004. p. 346-390.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616620&pid=S1413-8123201200090001800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de    (OMS). <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da    Sa&uacute;de</i> (OMS/WHO) &#91;site na Internet&#93;. Genebra: OMS; 1948. &#91;acessado    2007 dez 7&#93;. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.fd.uc.pt/CI/CEE/OI/OMS/OMS.htm" target="_blank">http://www.fd.uc.pt/CI/CEE/OI/OMS/OMS.htm</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616622&pid=S1413-8123201200090001800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Brasil. Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica    Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. <i>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o</i>    1988; 5 out.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616624&pid=S1413-8123201200090001800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. DAPE<i> Reforma psiqui&aacute;trica    e pol&iacute;tica de sa&uacute;de mental no Brasil</i>. Documento apresentado    &agrave; Confer&ecirc;ncia Regional de Reforma dos Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de    Mental: 15 anos depois de Caracas<i>. </i>Bras&iacute;lia: OPAS; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616626&pid=S1413-8123201200090001800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Declara&ccedil;&atilde;o de Alma-Ata. <i>Sa&uacute;de    para todos no ano 2000</i>. Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Cuidados de    Sa&uacute;de Prim&aacute;rios &#91;site na Internet&#93;. Alma-Ata, Casaquist&atilde;o    (URSS); 1978. &#91;acessado 2008 set 9&#93; Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.saudepublica.web.pt/05-PromocaoSaude/Dec_Alma-Ata.htm" target="_blank">http://www.saudepublica.web.pt/05-PromocaoSaude/Dec_Alma-Ata.htm</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616628&pid=S1413-8123201200090001800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Campos G, Domitti A. Apoio matricial e equipe    de refer&ecirc;ncia: uma metodologia ara gest&atilde;o do trabalho interdisciplinar    em sa&uacute;de. <i>Cad Saude Publica </i>2007; 23(2):399-407.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616629&pid=S1413-8123201200090001800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Botega NJ. <i>Pr&aacute;tica psiqui&aacute;trica    no hospital geral</i>: interconsulta e emerg&ecirc;ncia. 2&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o.    Porto Alegre: Artmed; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616631&pid=S1413-8123201200090001800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Rose G. An&aacute;lise do discurso II. In:    Rose G, editor. <i>Metodologias visuais - uma introdu&ccedil;&atilde;o a interpreta&ccedil;&atilde;o    de materiais visuais.</i> Londres: Sage; 2001. p. 163-186.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616633&pid=S1413-8123201200090001800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    (MS). Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento    de A&ccedil;&otilde;es Program&aacute;ticas Estrat&eacute;gicas. <i>Sa&uacute;de    mental no SUS</i>: os centros de aten&ccedil;&atilde;o psicossocial. Bras&iacute;lia:    MS; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616635&pid=S1413-8123201200090001800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de    (MS). Secretaria-Executiva. N&uacute;cleo T&eacute;cnico da Pol&iacute;tica    Nacional de Humaniza&ccedil;&atilde;o. <i>HumanizaSUS</i>: equipe de refer&ecirc;ncia    e apoio matricial. Bras&iacute;lia: MS; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616637&pid=S1413-8123201200090001800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">24. Porto Alegre. Prefeitura Municipal de Porto    Alegre. Secretaria Municipal de Sa&uacute;de. <i>Plano de sa&uacute;de mental    2005-2008</i>. Porto Alegre: Secretaria Municipal da Sa&uacute;de; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616639&pid=S1413-8123201200090001800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Larrosa J. Tecnologias do eu e educa&ccedil;&atilde;o.    In: Silva TT, organizador. <i>O sujeito da educa&ccedil;&atilde;o</i>. Estudos    Foucaultianos<i>.</i> 5&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o. Petr&oacute;polis: Vozes;    2002. p. 35-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616641&pid=S1413-8123201200090001800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">26. Castiel LD, Diaz CAD. <i>A sa&uacute;de persecut&oacute;ria</i>.    Os limites da responsabilidade<i>.</i> Rio de Janeiro: Fiocruz; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616643&pid=S1413-8123201200090001800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">27. Figueiredo AC. A constru&ccedil;&atilde;o    do caso cl&iacute;nico: uma contribui&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise    &agrave; psicopatologia e &agrave; sa&uacute;de mental. <i>Rev Latin Psic Fund    </i>2004; 7(1):75-86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1616645&pid=S1413-8123201200090001800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
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