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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Deficiência, políticas públicas e bioética: percepção de gestores públicos e conselheiros de direitos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Disability, public policies and bioethics: the perception of public administrators and legal counselors]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A descriptive study of the perception of public administrators and counselors regarding disability was conducted on the basis of bioethical reflections on human rights. The survey involved 50 participants, divided into two groups: 29 counselors on the rights of disabled people and 21 specialists in public policies and government administration. The data obtained was submitted to descriptive statistical analysis. In general, the results showed that for counselors disability is a social issue and should be shared by society, whereas for public administrators it is predominantly a personal tragedy limited to the individual and family sphere. It is considered that this differentiated view arises from different perspectives regarding the allocation of public resources. It is also necessary to stress the importance of living with a disability, or living with people with disabilities, to base the assessment of quality and satisfaction with life experienced by people with disabilities and contribute to the elaboration of public policies. Similar studies with more comprehensive and diversified samples are recommended, as well as the adoption of participative and qualitative methodologies.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>TEMAS LIVRES</b> FREE THEMES</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Defici&ecirc;ncia, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    e bio&eacute;tica: percep&ccedil;&atilde;o de gestores p&uacute;blicos e conselheiros    de direitos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Disability, public policies and bioethics:    the perception of public administrators and legal counselors</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Liliane Cristina Gon&ccedil;alves Bernardes<sup>I</sup>;    Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de Ara&uacute;jo<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Secretaria Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o    dos Direitos da Pessoa com Defici&ecirc;ncia, Secretaria de Direitos Humanos    da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. SCS B, Q 09, Lote C, Edif&iacute;cio    Parque Cidade Corporate, Torre A - 8&ordm; Andar. 70775-090 Bras&iacute;lia    DF. <a href="mailto:liliane.bernardes@sdh.gov.br">liliane.bernardes@sdh.gov.br</a>    <br>   <sup>II</sup>Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, Instituto    de Psicologia, Universidade de Bras&iacute;lia</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tomando como base reflex&otilde;es bio&eacute;ticas    sobre direitos humanos, realizou-se um estudo descritivo e explorat&oacute;rio    sobre a percep&ccedil;&atilde;o de conselheiros e gestores p&uacute;blicos acerca    da defici&ecirc;ncia. Para tanto, foi conduzido um survey com 50 participantes,    distribu&iacute;dos em dois grupos: 29 conselheiros de direitos da pessoa com    defici&ecirc;ncia e 21 especialistas em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e gest&atilde;o    governamental. Os dados obtidos foram submetidos &agrave; an&aacute;lise estat&iacute;stica    descritiva. De modo geral, os resultados apontaram que, para os conselheiros,    a defici&ecirc;ncia &eacute; uma quest&atilde;o social que deve ser compartilhada    em sociedade; ao passo que, para os gestores, trata-se sobretudo de uma trag&eacute;dia    pessoal circunscrita &agrave; esfera individual e familiar. Hipotetiza-se que    tal vis&atilde;o diferenciada decorre de perspectivas diferentes em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos. Destaca-se, tamb&eacute;m,    a import&acirc;ncia da viv&ecirc;ncia da defici&ecirc;ncia, ou a conviv&ecirc;ncia    com pessoas com defici&ecirc;ncia, para fundamentar a avalia&ccedil;&atilde;o    da qualidade e a satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida experimentada pelas pessoas    com defici&ecirc;ncia e contribuir para a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas. Recomendam-se estudos semelhantes com amostras mais abrangentes    e diversificadas, assim como a ado&ccedil;&atilde;o de metodologias qualitativas    e participativas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Pessoas com defici&ecirc;ncia,    Bio&eacute;tica, Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, Conselheiros de direitos,    Gestores p&uacute;blicos</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A descriptive study of the perception of public    administrators and counselors regarding disability was conducted on the basis    of bioethical reflections on human rights. The survey involved 50 participants,    divided into two groups: 29 counselors on the rights of disabled people and    21 specialists in public policies and government administration. The data obtained    was submitted to descriptive statistical analysis. In general, the results showed    that for counselors disability is a social issue and should be shared by society,    whereas for public administrators it is predominantly a personal tragedy limited    to the individual and family sphere. It is considered that this differentiated    view arises from different perspectives regarding the allocation of public resources.    It is also necessary to stress the importance of living with a disability, or    living with people with disabilities, to base the assessment of quality and    satisfaction with life experienced by people with disabilities and contribute    to the elaboration of public policies. Similar studies with more comprehensive    and diversified samples are recommended, as well as the adoption of participative    and qualitative methodologies.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words:</b> People with disabilities, Bioethics,    Public policies, Counselors on human rights, Public administrators</font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, diferentemente de pa&iacute;ses que    possuem centros de estudos e linhas de pesquisa voltados exclusivamente para    a condi&ccedil;&atilde;o social da defici&ecirc;ncia, ainda s&atilde;o escassas    as pesquisas destinadas a este tema. De modo semelhante, poucos s&atilde;o os    estudos realizados para an&aacute;lise dos dilemas bio&eacute;ticos que envolvem    a defici&ecirc;ncia, como por exemplo: aborto de fetos com defici&ecirc;ncia,    eutan&aacute;sia de pessoas com defici&ecirc;ncia e aloca&ccedil;&atilde;o de    recursos p&uacute;blicos para esse segmento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Definir defici&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute;    simples, pois &eacute; preciso haver consist&ecirc;ncia conceitual e aplicabilidade    em diversos contextos: assistencial, cient&iacute;fico, social e pol&iacute;tico<sup>1</sup>.    Alguns autores argumentam inclusive que a suposi&ccedil;&atilde;o de que &eacute;    poss&iacute;vel criar defini&ccedil;&otilde;es e classifica&ccedil;&otilde;es    universais de defici&ecirc;ncia &eacute;, em si mesma, um ponto de vista culturalmente    determinado, associado &agrave;s sociedades estadunidense e europeia, com forte    vincula&ccedil;&atilde;o &agrave;s ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas universalistas,    de um lado, e &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es individualistas da personalidade,    por outro lado. Evid&ecirc;ncias antropol&oacute;gicas e de sociologia m&eacute;dica    apontam que cren&ccedil;as culturais afetam a maneira como profissionais de    sa&uacute;de e pessoas com defici&ecirc;ncia interpretam a sa&uacute;de, a doen&ccedil;a    e a defici&ecirc;ncia. Tais cren&ccedil;as influenciam a atribui&ccedil;&atilde;o    de etiologias e orientam as expectativas quanto ao tratamento e ao comportamento    dos profissionais de sa&uacute;de<sup>2</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A ci&ecirc;ncia moderna integrou o discurso cient&iacute;fico    &agrave; t&eacute;cnica, e o conhecimento cient&iacute;fico passou a desempenhar    um importante papel no campo pol&iacute;tico. Como proposto por Foucault<sup>3</sup>,    "de fazer morrer e deixar viver &#91;soberania&#93;", o poder passa "a fazer    viver e deixar morrer &#91;biopoder/biopol&iacute;tica&#93;". A hist&oacute;rica    parceria entre modernidade e medicaliza&ccedil;&atilde;o produziu uma concep&ccedil;&atilde;o    hegem&ocirc;nica de que a defici&ecirc;ncia &eacute; resultado da limita&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica ou mental. Pessoas com defici&ecirc;ncia eram aquelas cujos corpos    estavam "quebrados", ou cujas mentes eram "defeituosas" e, para tal mentalidade,    parecer "quebrado" ou "defeituoso" constitui ofensa ao senso de ordem e introduz    caos em um meio dominado por apar&ecirc;ncia e clareza. A medicaliza&ccedil;&atilde;o    e a corporeidade da defici&ecirc;ncia sugerem que a vida da pessoa com defici&ecirc;ncia    deve ser entendida em termos de incapacidade e confinamento. As pol&iacute;ticas    sociais t&ecirc;m acompanhado esse discurso da modernidade, de tal forma que    essas pessoas t&ecirc;m sido socialmente exclu&iacute;das, despojadas de suas    responsabilidades e consideradas ep&iacute;tomes da depend&ecirc;ncia<sup>4</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Um dos grandes desafios, dentre as controv&eacute;rsias    que envolvem a discuss&atilde;o sobre defici&ecirc;ncia, &eacute; a import&acirc;ncia    da linguagem, do simbolismo e da representa&ccedil;&atilde;o. Diversas for&ccedil;as    pol&iacute;ticas, te&oacute;ricas, hist&oacute;ricas e culturais influenciam    o modo como se representa e se nomeia a defici&ecirc;ncia. No Brasil, at&eacute;    recentemente, o uso de termos como "aleijados", "incapazes", "inv&aacute;lidos"    indica que a sociedade brasileira encarava essas pessoas como in&uacute;teis    e sem valor. No entanto, a constante mudan&ccedil;a de denomina&ccedil;&otilde;es    reflete o empenho dos movimentos sociais para recha&ccedil;ar a no&ccedil;&atilde;o    de "menos-valia" sobre a defici&ecirc;ncia<sup>5</sup>. Cabe lembrar que a express&atilde;o    adotada contemporaneamente para designar esse grupo social passou a ser "pessoa    com defici&ecirc;ncia" e foi consagrada pela Conven&ccedil;&atilde;o sobre os    Direitos das Pessoas com Defici&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das    Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em 2006<sup>6</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Modelos de defici&ecirc;ncia: m&eacute;dico    e social</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo o <b>modelo m&eacute;dico</b>, a abordagem    da defici&ecirc;ncia toma como ponto de partida a realidade biol&oacute;gica    do comprometimento. Sendo assim, a defici&ecirc;ncia seria um atributo ou caracter&iacute;stica    do indiv&iacute;duo, causada diretamente por doen&ccedil;a, trauma ou outra    condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, que requer algum tipo de interven&ccedil;&atilde;o    de profissionais para "corrigir" ou "compensar" o problema<sup>7</sup>. Nas    d&eacute;cadas de 1960 e 1970, Saad Z. Nagi desenvolveu um influente modelo    de defici&ecirc;ncia<sup>8,9</sup>. Seu arcabou&ccedil;o te&oacute;rico apresentava    quatro fen&ocirc;menos distintos, considerados b&aacute;sicos para o campo da    reabilita&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(i) patologia ativa: estado de mobiliza&ccedil;&atilde;o    das defesas do organismo contra infec&ccedil;&atilde;o, les&atilde;o traum&aacute;tica    ou alguma outra etiologia;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(ii) impedimento (<i>impairment</i>): anormalidades    ou perdas anat&ocirc;micas ou fisiol&oacute;gicas;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">(iii) limita&ccedil;&atilde;o funcional: restri&ccedil;&otilde;es    no desempenho funcional da pessoa; e</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">(iv) defici&ecirc;ncia (<i>disability</i>): padr&atilde;o    de comportamento que se desenvolve em situa&ccedil;&otilde;es de longo-prazo    e est&aacute; vinculado a limita&ccedil;&otilde;es funcionais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sob influ&ecirc;ncia do modelo desenvolvido por    Nagi, em 1980, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) desenvolveu    uma classifica&ccedil;&atilde;o complementar &agrave; Classifica&ccedil;&atilde;o    Internacional de Doen&ccedil;as (CID), com a finalidade de ordenar os tipos    e os n&iacute;veis de fun&ccedil;&atilde;o e de defici&ecirc;ncia associados    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de: Classifica&ccedil;&atilde;o    Internacional de Defici&ecirc;ncias, Incapacidades e Desvantagens (CIDID), ou    International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps (ICIDH),    na l&iacute;ngua inglesa<sup>10</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na CIDID, o impedimento &eacute; toda perda ou    anormalidade de uma estrutura ou fun&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, fisiol&oacute;gica    ou anat&ocirc;mica. A defici&ecirc;ncia &eacute; toda restri&ccedil;&atilde;o    ou aus&ecirc;ncia de capacidade para executar uma atividade normalmente, ou    dentro da margem do que se considera normal para o ser humano. E a desvantagem    (<i>handicap)</i> &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o desfavor&aacute;vel para    um determinado indiv&iacute;duo, consequ&ecirc;ncia de um impedimento ou da    defici&ecirc;ncia, que limita ou impede o desempenho de um papel esperado em    fun&ccedil;&atilde;o da sua idade, sexo, fatores sociais e culturais<sup>11</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A OMS, por meio de uma elabora&ccedil;&atilde;o    consensual que envolveu m&uacute;ltiplos <i>stakeholders</i>, incluindo pessoas    com defici&ecirc;ncia, desenvolveu a Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional    de Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de (CIF), como uma resposta &agrave;s    preocupa&ccedil;&otilde;es de que a CIDID estava desatualizada e inadequada<sup>12</sup>.    Ao contr&aacute;rio da CIDID, a CIF foi endossada pela Assembleia Mundial de    Sa&uacute;de, em maio de 2001. Coerente com os modelos pr&eacute;vios, a CIF    visa fornecer uma perspectiva abrangente, incluindo os planos biol&oacute;gico,    pessoal e social das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. A CIF &eacute;    a classifica&ccedil;&atilde;o vigente adotada pela OMS com o objetivo de padronizar    a terminologia sobre defici&ecirc;ncia<sup>7</sup>. No entanto, aparentemente    essa meta ainda n&atilde;o foi alcan&ccedil;ada devido &agrave; complexidade    de sua utiliza&ccedil;&atilde;o rotineira nos procedimentos institucionalizados    e &agrave; falta de consenso sobre sua utilidade como ferramenta de defini&ccedil;&atilde;o    de quem tem e quem n&atilde;o tem defici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O <b>modelo social </b>foi desenvolvido por pessoas    com defici&ecirc;ncia, como uma resposta ao modelo m&eacute;dico e ao seu impacto    em suas vidas. A defici&ecirc;ncia seria um produto das barreiras f&iacute;sicas,    organizacionais e atitudinais presentes na sociedade, e n&atilde;o culpa individual    da pessoa que a tem, ou uma consequ&ecirc;ncia inevit&aacute;vel de suas limita&ccedil;&otilde;es<sup>13-15</sup>.    Davis<sup>15</sup> descreveu a rela&ccedil;&atilde;o entre impedimento e defici&ecirc;ncia,    afirmando que a defici&ecirc;ncia &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social.    Falta de mobilidade, por exemplo, &eacute; resultado de um impedimento, mas    um ambiente sem rampas transforma o impedimento em defici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Oliver<sup>13</sup>, que analisou a rela&ccedil;&atilde;o    entre defici&ecirc;ncia e o modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, a emerg&ecirc;ncia    do capitalismo industrial &eacute; causa da restri&ccedil;&atilde;o de atividades    impostas &agrave; pessoa com defici&ecirc;ncia. Quando, ao final do s&eacute;culo    XVIII na Inglaterra, o trabalho assalariado tornou-se cada vez mais vinculado    &agrave; ind&uacute;stria de grande escala, as pessoas com impedimentos passaram    a ser sistematicamente exclu&iacute;das do envolvimento direto na atividade    econ&ocirc;mica. Longas horas de trabalho nas f&aacute;bricas requeriam padroniza&ccedil;&atilde;o    na habilidade, velocidade e intensidade na execu&ccedil;&atilde;o das tarefas.    Muitas das pessoas com impedimentos f&iacute;sicos, sensoriais e intelectuais    tornaram-se incapazes de vender sua for&ccedil;a de trabalho sob tais condi&ccedil;&otilde;es.    Por isso, gradativamente, elas foram posicionadas na escala social como dependentes    e exclu&iacute;das da produ&ccedil;&atilde;o mercantil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Durante o s&eacute;culo XIX, a ind&uacute;stria    de larga escala progressivamente usurpou a manufatura de pequena escala e a    pequena produ&ccedil;&atilde;o mercantil, consolidando a depend&ecirc;ncia das    pessoas com impedimentos. A solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o "problema    social" gerado foi sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o e a medicaliza&ccedil;&atilde;o    do seu impedimento. A exclus&atilde;o e a depend&ecirc;ncia que as pessoas com    defici&ecirc;ncia passaram a experimentar no s&eacute;culo XX (barreiras na    educa&ccedil;&atilde;o, trabalho, servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia, habita&ccedil;&atilde;o,    transporte, lazer e cultura, nos campos institucional ou comunit&aacute;rio)    podem ter origem nesse rebaixamento das pessoas com impedimentos &agrave; categoria    de "n&atilde;o-produtivos" e dependentes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Oliver<sup>13</sup>, n&atilde;o h&aacute;    modelo m&eacute;dico de defici&ecirc;ncia, mas sim modelo individual de defici&ecirc;ncia,    no qual a medicaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um importante componente. A medicaliza&ccedil;&atilde;o    da defici&ecirc;ncia &eacute; inapropriada porque a defici&ecirc;ncia &eacute;    um estado social, e n&atilde;o uma condi&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. Por    conseguinte, a interven&ccedil;&atilde;o e o controle m&eacute;dicos sobre a    defici&ecirc;ncia s&atilde;o inapropriados. Defici&ecirc;ncia e doen&ccedil;a    n&atilde;o s&atilde;o sin&ocirc;nimas; algumas doen&ccedil;as podem ter como    consequ&ecirc;ncia a defici&ecirc;ncia e pessoas com defici&ecirc;ncia ficam    doentes em algum momento de suas vidas. Desse modo, os m&eacute;dicos t&ecirc;m    um papel importante na vida das pessoas com defici&ecirc;ncia ao estabelecer    a condi&ccedil;&atilde;o inicial da defici&ecirc;ncia, prevenir e tratar doen&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O problema surge, de acordo com Oliver<sup>13</sup>,    quando m&eacute;dicos tentam usar seus conhecimentos e habilidades para tratar    a defici&ecirc;ncia ao inv&eacute;s de ocupar-se das doen&ccedil;as. Os m&eacute;dicos    s&atilde;o levados pela sua pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o a acreditarem    que s&atilde;o "especialistas", e que a sociedade confiou a eles esse papel.    Nesta fun&ccedil;&atilde;o, os m&eacute;dicos t&ecirc;m grande poder e controle    sobre aspectos fundamentais da vida de pessoas com defici&ecirc;ncia - onde    elas devem viver, se devem ou n&atilde;o trabalhar, que tipo de escola devem    frequentar, quais servi&ccedil;os e benef&iacute;cios podem receber e, at&eacute;    mesmo, no caso de fetos com defici&ecirc;ncia, se devem ou n&atilde;o viver.    Quando confrontados pelos problemas sociais da defici&ecirc;ncia, os m&eacute;dicos    n&atilde;o podem admitir que n&atilde;o sabem o que fazer. Sentem-se amea&ccedil;ados    e voltam-se para suas habilidades e treinamento profissionais, mesmo que inadequados,    e imp&otilde;em sua vis&atilde;o m&eacute;dica &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O campo da reabilita&ccedil;&atilde;o possui    uma estreita rela&ccedil;&atilde;o com a quest&atilde;o da defici&ecirc;ncia.    Segundo Oliver<sup>13</sup>, a ind&uacute;stria m&eacute;dica e de reabilita&ccedil;&atilde;o    est&aacute; baseada na ideologia da normalidade, o que tem profundas implica&ccedil;&otilde;es    para o acompanhamento das pessoas com defici&ecirc;ncia. Sua meta crucial &eacute;    o retorno &agrave; normalidade, seja l&aacute; o que isso signifique. Quando    isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, tenta-se tornar a pessoa com defici&ecirc;ncia    o mais pr&oacute;xima daquilo que &eacute; estimado como normalidade. Assim,    em nome da ideologia da normalidade, interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas    e tratamentos de fisioterapia s&atilde;o sempre justificados, n&atilde;o importando    quais sejam os custos em termos de dor e sofrimento para os envolvidos nesse    processo corretivo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Crow<sup>16</sup>, no entanto, faz uma cr&iacute;tica    em rela&ccedil;&atilde;o aos defensores do modelo social no que concerne &agrave;    centralidade da defici&ecirc;ncia na discuss&atilde;o e a exclus&atilde;o do    impedimento da an&aacute;lise, como se este fosse neutro, irrelevante, e &agrave;s    vezes at&eacute; positivo. A autora esclarece que o movimento das pessoas com    defici&ecirc;ncia tem uma diferen&ccedil;a fundamental em rela&ccedil;&atilde;o    a outros movimentos pelos direitos civis, com os quais se alinhou, uma vez que    n&atilde;o h&aacute; nada intrinsicamente desagrad&aacute;vel ou penoso nas    viv&ecirc;ncias de outros grupos, quando se compara com a viv&ecirc;ncia de    comprometimento f&iacute;sico, sensorial ou intelectual. Em outras palavras,    os corpos das pessoas com defici&ecirc;ncia provocam condi&ccedil;&otilde;es    penosas e a luta delas permanecer&aacute;, mesmo que as barreiras n&atilde;o    mais existam. O impedimento, portanto, pode sim restringir atividades de maneira    substantiva, possibilidade particularmente problem&aacute;tica para os defensores    do modelo social de defici&ecirc;ncia, para os quais a supress&atilde;o das    barreiras representaria a supera&ccedil;&atilde;o do desfavorecimento acarretado    pela defici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, s&atilde;o quatro as principais    respostas aos impedimentos e &agrave; defici&ecirc;ncia<sup>15</sup>:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1. elimina&ccedil;&atilde;o / fuga: por aborto,    esteriliza&ccedil;&atilde;o, nega&ccedil;&atilde;o de tratamento a beb&ecirc;s    com defici&ecirc;ncia, infantic&iacute;dio, eutan&aacute;sia ou suic&iacute;dio;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">2. manejo: os efeitos dif&iacute;ceis do impedimento    s&atilde;o minimizados e incorporados &agrave; vida individual, sem qualquer    mudan&ccedil;a significativa no impedimento;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3. cura: por meio da interven&ccedil;&atilde;o    m&eacute;dica; e,</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4. preven&ccedil;&atilde;o: incluindo vacina&ccedil;&atilde;o,    educa&ccedil;&atilde;o para sa&uacute;de e melhoria das condi&ccedil;&otilde;es    sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Modelos m&eacute;dico e social de defici&ecirc;ncia    na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conceitos e terminologias relacionados &agrave;    defici&ecirc;ncia s&atilde;o empregados na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira,    influenciando a constru&ccedil;&atilde;o, a aplica&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no setor. Estas, envolvem atividade e decis&atilde;o    pol&iacute;tica dos governos, os quais buscam satisfazer as demandas que lhe    s&atilde;o dirigidas por atores sociais, ou que s&atilde;o originadas pelo pr&oacute;prio    sistema pol&iacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Brasil possui legisla&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas    espec&iacute;ficas voltadas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o com defici&ecirc;ncia<sup>17</sup>.    No entanto, a caracteriza&ccedil;&atilde;o da defici&ecirc;ncia na legisla&ccedil;&atilde;o    brasileira &eacute; baseada no modelo m&eacute;dico de defici&ecirc;ncia, pois    se relaciona a um diagn&oacute;stico definido por profissionais de sa&uacute;de,    especialmente da classe m&eacute;dica. Considerando-se o modelo social de defici&ecirc;ncia,    em que a defici&ecirc;ncia &eacute; um produto das barreiras f&iacute;sicas,    organizacionais e atitudinais presentes na sociedade, constata-se claramente    que o pilar do desenho das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para a    popula&ccedil;&atilde;o com defici&ecirc;ncia ainda est&aacute; assentado no    modelo m&eacute;dico de defici&ecirc;ncia. Refor&ccedil;ando as considera&ccedil;&otilde;es    de Oliver<sup>13</sup>, os m&eacute;dicos, chancelados pela legisla&ccedil;&atilde;o    vigente, exercem controle sobre aspectos fundamentais da vida de pessoas com    defici&ecirc;ncia ao definir se elas devem ou n&atilde;o trabalhar, que tipo    de escola devem frequentar, quais servi&ccedil;os e benef&iacute;cios podem    receber.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Entretanto, percebe-se, na legisla&ccedil;&atilde;o    mais recente, que o modelo social de defici&ecirc;ncia tem influenciado a elabora&ccedil;&atilde;o    de leis e normas e, consequentemente, o desenho das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.    Conforme a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Pessoa com Defici&ecirc;ncia,    a elimina&ccedil;&atilde;o de obst&aacute;culos e barreiras &agrave; acessibilidade    possibilita &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia viver de forma independente    e participar plenamente nos diversos dom&iacute;nios da exist&ecirc;ncia. O    Decreto n&ordm; 6.214/2007<sup>18</sup>, que trata do Benef&iacute;cio de Presta&ccedil;&atilde;o    Continuada (BPC), considera os princ&iacute;pios da CIF para avalia&ccedil;&atilde;o    da defici&ecirc;ncia, introduzindo par&acirc;metros ambientais, sociais e pessoais.    H&aacute; diversas leis, decretos e normas que tratam da quest&atilde;o da elimina&ccedil;&atilde;o    de barreiras e obst&aacute;culos ao meio f&iacute;sico, ao transporte, &agrave;    informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, a exemplo das Leis n&ordm;    10.048 e n&deg; 10.098, de 2000; Lei n&ordm; 10.226/2001, Lei n&ordm; 10.436/2002    e da Lei n&ordm; 11.126/2005<sup>19</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A ado&ccedil;&atilde;o dessa nova perspectiva    e da absor&ccedil;&atilde;o dos novos referenciais te&oacute;ricos na legisla&ccedil;&atilde;o    tem impactado a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    para pessoas com defici&ecirc;ncia e para o restante da sociedade. A arquitetura    e o urbanismo das cidades t&ecirc;m sofrido modifica&ccedil;&otilde;es a fim    de promover o acesso das pessoas com defici&ecirc;ncia e mobilidade reduzida.    Os meios de transporte, a comunica&ccedil;&atilde;o e a informa&ccedil;&atilde;o    de massa est&atilde;o sendo adaptados para garantir a inclus&atilde;o social    desse segmento. No campo da sa&uacute;de, t&ecirc;m-se investido recursos em    reabilita&ccedil;&atilde;o, &oacute;rteses e pr&oacute;teses, desenvolvimento    de novas tecnologias e em promo&ccedil;&atilde;o de qualidade de vida. Para    isso, recursos p&uacute;blicos e privados t&ecirc;m sido investidos e v&aacute;rios    questionamentos t&ecirc;m surgido no tocante &agrave; aloca&ccedil;&atilde;o    de recursos p&uacute;blicos para o que &eacute; considerada uma minoria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Bio&eacute;tica e defici&ecirc;ncia </b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A bio&eacute;tica e o movimento pelos direitos    das pessoas com defici&ecirc;ncia tornaram-se mais conhecidos na segunda metade    do s&eacute;culo passado; ambos surgiram como uma rea&ccedil;&atilde;o a paradigmas    dominantes nas profiss&otilde;es de sa&uacute;de e de assist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Interessante registrar que &agrave; &eacute;poca    da formula&ccedil;&atilde;o da teoria bio&eacute;tica principialista<sup>20    </sup>- fundamentada nos pressupostos b&aacute;sicos de autonomia, benefici&ecirc;ncia,    n&atilde;o malefici&ecirc;ncia e equidade - novos paradigmas tamb&eacute;m surgiam    no campo da defici&ecirc;ncia. Assim, no in&iacute;cio dos anos 1970, foi criado    o primeiro Centro de Vida Independente na Universidade da Calif&oacute;rnia,    em Berkeley, nos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), que buscava resgatar    a autonomia e a independ&ecirc;ncia da pessoa com defici&ecirc;ncia, reconhecendo    sua capacidade de gerir a pr&oacute;pria vida e tomar suas pr&oacute;prias decis&otilde;es<sup>21</sup>.    Constata-se, assim, uma conflu&ecirc;ncia entre bio&eacute;tica e defici&ecirc;ncia    no tocante &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da autonomia do indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Asch<sup>22</sup>, embora a bio&eacute;tica    se assemelhe ao movimento pelos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia em    seu comprometimento com a autonomia do paciente e no ceticismo quanto ao paternalismo    profissional, ela nunca aceitou as reivindica&ccedil;&otilde;es do movimento    e dos estudos mais recentes sobre defici&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do impacto da defici&ecirc;ncia. Seja na perspectiva    religiosa ou secular, a bio&eacute;tica sempre tendeu a discutir quest&otilde;es    sobre vida e morte baseada na contraposi&ccedil;&atilde;o entre "sacralidade    da vida" e "qualidade de vida". Entretanto, o argumento predominante na bio&eacute;tica    &eacute; de que a vida humana deve ser valorizada e respeitada, mas n&atilde;o    necessariamente a qualquer custo e nem em qualquer condi&ccedil;&atilde;o de    les&atilde;o ou defici&ecirc;ncia<sup> 22</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O movimento das pessoas com defici&ecirc;ncia    tem manifestado sua indigna&ccedil;&atilde;o com o pensamento bio&eacute;tico    de que, em certos casos, a vida de pessoas com defici&ecirc;ncia n&atilde;o    deve ser mantida. A eutan&aacute;sia e o infantic&iacute;dio t&ecirc;m sido    amplamente defendidos, especialmente por bioeticistas utilitaristas, nas situa&ccedil;&otilde;es    em que a qualidade de vida de uma pessoa com defici&ecirc;ncia &eacute; considerada    inaceitavelmente ruim e restrita. Para essa vertente da bio&eacute;tica, o suic&iacute;dio    entre pessoas com defici&ecirc;ncia &eacute; frequentemente considerado muito    mais racional do que em pessoas sem defici&ecirc;ncia, como se a les&atilde;o    ou o impedimento tornasse essa alternativa &oacute;bvia, sen&atilde;o a &uacute;nica    op&ccedil;&atilde;o<sup>23</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As controv&eacute;rsias t&ecirc;m se acirrado    principalmente no contexto de tomada de decis&atilde;o pela fam&iacute;lia,    quando pessoas com defici&ecirc;ncia solicitam a suspens&atilde;o de tratamento    ou quando solicitam ajuda m&eacute;dica para morrer. A tomada de decis&atilde;o    sobre a vida das pessoas com defici&ecirc;ncia geralmente ocorre em tr&ecirc;s    situa&ccedil;&otilde;es<sup>23</sup>:</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- pais que devem decidir submeter a tratamento,    ou n&atilde;o, crian&ccedil;as ou menores que ter&atilde;o defici&ecirc;ncia    ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o, mas que poder&atilde;o morrer sem tratamento;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">- futuros pais que precisam ponderar quanto &agrave;    cria&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a que poder&aacute; ter uma defici&ecirc;ncia,    e;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">- consentir, ou n&atilde;o, sobre algum procedimento    de sa&uacute;de no caso de familiares que n&atilde;o t&ecirc;m capacidade de    decidir por si mesmos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso de rec&eacute;m-nascidos, o desafio para    a bio&eacute;tica emergiu com quest&otilde;es a respeito do tratamento m&eacute;dico    de crian&ccedil;as com graves defici&ecirc;ncias. Justificativas para a n&atilde;o    realiza&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m se concentrado:    no sofrimento e na dor impingidos pelo tratamento e pela pr&oacute;pria defici&ecirc;ncia;    na convic&ccedil;&atilde;o de que a tecnologia utilizada manter&aacute; vivas    crian&ccedil;as que ter&atilde;o uma vida curta, dolorosa e miser&aacute;vel;    na ang&uacute;stia de pais que t&ecirc;m que assistir seu filho morrer e sofrer;    no desapontamento de pais que n&atilde;o ter&atilde;o a crian&ccedil;a saud&aacute;vel    que desejavam; e na cren&ccedil;a de que os recursos gastos em tais tratamentos    deveriam ser utilizados de outra maneira<sup>22</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em raz&atilde;o de seus pontos de vista sobre    a vida de pessoas com s&iacute;ndrome de Down, espinha b&iacute;fida, hemofilia    e outros impedimentos sensoriais, cognitivos e f&iacute;sicos, Singer, bioeticista    utilitarista, foi alvo do furor do movimento das pessoas com defici&ecirc;ncia.    Segundo este autor<sup>22</sup>: "(...) tirar a vida de um beb&ecirc; deficiente    n&atilde;o equivale, moralmente, a tirar a vida de um beb&ecirc; normal. Quase    sempre n&atilde;o constitui erro algum". O autor reconhece que, embora as pessoas    em tais condi&ccedil;&otilde;es possam vir a ter uma vida satisfat&oacute;ria,    os impedimentos necessariamente tornam suas vidas menos satisfat&oacute;rias    que as vidas das pessoas que n&atilde;o os t&ecirc;m. Consequentemente, sustenta    que &eacute; justific&aacute;vel a atitude de pais que preferem deixar que rec&eacute;m-nascidos    nessas condi&ccedil;&otilde;es morram. Contudo, o autor insiste que, uma vez    que pessoas com defici&ecirc;ncia tenham passado de um ano de idade, elas t&ecirc;m    o mesmo direito &agrave; vida de qualquer outra pessoa sem defici&ecirc;ncia,    desde que tenham racionalidade, autoconsci&ecirc;ncia, senci&ecirc;ncia e capacidade    de diferenciar o passado do futuro<sup>23</sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ativistas dos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia    t&ecirc;m uma vis&atilde;o cr&iacute;tica da pr&aacute;tica generalizada da    realiza&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;stico pr&eacute;-natal seguido de aborto,    quando h&aacute; possibilidade da gesta&ccedil;&atilde;o resultar em uma crian&ccedil;a    com defici&ecirc;ncia. Segundo Saxton<sup>24</sup> &eacute; ir&ocirc;nico que,    ap&oacute;s tantos ganhos alcan&ccedil;ados pelas pessoas com defici&ecirc;ncia    na legisla&ccedil;&atilde;o (no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao    emprego) e os avan&ccedil;os nos campos m&eacute;dico e da reabilita&ccedil;&atilde;o,    as novas tecnologias gen&eacute;ticas e de reprodu&ccedil;&atilde;o estejam    prometendo eliminar nascimentos de crian&ccedil;as com defici&ecirc;ncia. Muitos    ativistas dos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia e feministas referem-se    ao aborto seletivo como a "nova eugenia".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Saxton<sup>24</sup>, h&aacute; uma diferen&ccedil;a-chave    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade reprodutiva entre os objetivos dos    movimentos pelos direitos reprodutivos e das pessoas com defici&ecirc;ncia:    enquanto o primeiro enfatiza o direito de realizar o aborto, o segundo busca    a garantia pelo direito de <i>n&atilde;o ter que</i> realizar o aborto. Os defensores    dos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia acreditam que mulheres com defici&ecirc;ncia    devem ter o direito de terem filhos e serem m&atilde;es, e toda mulher tem o    direito de resistir &agrave; press&atilde;o para abortar quando existe potencial    para o feto ter defici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A qualidade de vida muitas vezes tem sido utilizada    como par&acirc;metro para definir como os recursos em sa&uacute;de devem ser    alocados. Contudo, se a expectativa &eacute; auferir o maior benef&iacute;cio    atrav&eacute;s da maximiza&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida, estere&oacute;tipos    sobre como a defici&ecirc;ncia diminui a qualidade de vida podem limitar a assist&ecirc;ncia    recebida pelas pessoas com defici&ecirc;ncia. Na opini&atilde;o de Wasserman<sup>25</sup>,    as implica&ccedil;&otilde;es da defici&ecirc;ncia para a aloca&ccedil;&atilde;o    de recursos, segundo a vis&atilde;o utilitarista, s&atilde;o bastante controversas    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tomada de decis&atilde;o na assist&ecirc;ncia    &agrave; sa&uacute;de. Em sua vertente cl&aacute;ssica, o utilitarismo avalia    o valor das vidas pelo prazer, felicidade ou satisfa&ccedil;&atilde;o que elas    usufruem, e julga entre as vidas pelo seu impacto na soma de prazer, felicidade    ou satisfa&ccedil;&atilde;o no mundo. Indiv&iacute;duos importam apenas como    portadores e produtores de utilidade: quanto mais utilidade eles ganham ou produzem    a partir de um recurso, maior &eacute; sua reivindica&ccedil;&atilde;o sobre    esse recurso. Na medida em que a defici&ecirc;ncia reduz a utilidade, a preserva&ccedil;&atilde;o    de vidas de pessoas com defici&ecirc;ncia tem menor prioridade; se a corre&ccedil;&atilde;o    da defici&ecirc;ncia aumenta a utilidade, a interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica    torna-se mais priorit&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Considerando, portanto, o interesse cient&iacute;fico    e social da tem&aacute;tica discutida anteriormente, realizou-se um estudo descritivo    e explorat&oacute;rio sobre a percep&ccedil;&atilde;o de conselheiros e gestores    acerca da defici&ecirc;ncia e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, adotando-se    como base o debate bio&eacute;tico e a legisla&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Participantes</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A amostra foi composta por dois grupos distintos.    Para integrar o grupo de conselheiros, foram convidados membros do Conselho    Nacional de Direitos da Pessoa com Defici&ecirc;ncia (CONADE), &oacute;rg&atilde;o    colegiado superior criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento da pol&iacute;tica    nacional de inclus&atilde;o da pessoa com defici&ecirc;ncia. De um total de    76 indiv&iacute;duos, participaram 21 conselheiros, sendo que para um intervalo    de 85% (<i>p = </i>0,85<i>)</i>, o n&iacute;vel de confian&ccedil;a para esta    subamostra foi de aproximadamente 90%.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O grupo de gestores foi constitu&iacute;do por    membros da carreira de Especialistas em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas e Gest&atilde;o    Governamental (EPPGG). Trata-se de servidores p&uacute;blicos federais que atuam    em atividades de formula&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de dire&ccedil;&atilde;o e assessoramento    nos escal&otilde;es superiores da Administra&ccedil;&atilde;o Federal direta,    aut&aacute;rquica e fundacional. Esta subamostra foi composta por 29 gestores,    em um universo populacional de 888 indiv&iacute;duos. Para um intervalo de 85%    (<i>p </i>= 0,85<i>)</i>, o n&iacute;vel de confian&ccedil;a foi de cerca de    90%.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Intrumentos</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foram elaborados dois question&aacute;rios similares    (vers&atilde;o conselheiro e vers&atilde;o gestor), cada um composto por 24    perguntas de m&uacute;ltipla escolha, sendo que o primeiro conjunto de quest&otilde;es    levantava dados pessoais do participante e o segundo apresentava afirma&ccedil;&otilde;es    &agrave;s quais o respondente deveria assinalar se concordava, concordava parcialmente    ou se discordava. Exemplos de algumas afirma&ccedil;&otilde;es: "As pessoas    com defici&ecirc;ncia n&atilde;o est&atilde;o plenamente aptas a tomarem decis&otilde;es    sozinhas, e por isso devem ser auxiliadas por familiares, m&eacute;dicos e outros    profissionais na tomada de decis&atilde;o"; "Como h&aacute; grande possibilidade    da qualidade de vida de uma pessoa com defici&ecirc;ncia grave ser muito ruim,    o aborto de fetos com graves defici&ecirc;ncias deveria ser legalmente permitido";    "Para aquelas pessoas com defici&ecirc;ncias muito graves, que s&atilde;o conscientes,    vivem no leito e s&atilde;o totalmente dependentes de outras pessoas, deveria    ser dado o direito legal de decidirem se querem ou n&atilde;o continuar vivendo".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Procedimentos de coleta e an&aacute;lise de    dados</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&ccedil;&atilde;o foi previamente    autorizada pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Faculdade de Ci&ecirc;ncias    da Sa&uacute;de da Universidade de Bras&iacute;lia. O convite foi feito pessoalmente    pela pesquisadora respons&aacute;vel durante uma reuni&atilde;o do CONADE. Ap&oacute;s    a leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE),    aqueles conselheiros que desejaram, preencheram o question&aacute;rio. Adicionalmente,    para os ausentes naquela reuni&atilde;o, enviaram-se o TCLE e o question&aacute;rio    em formato digital via correspond&ecirc;ncia eletr&ocirc;nica. Nesta condi&ccedil;&atilde;o,    cada participante manifestou sua concord&acirc;ncia ap&oacute;s a leitura desse    documento e assinalando um "x" no campo correspondente para tal finalidade.    Este procedimento tamb&eacute;m foi empregado com os gestores governamentais.    Os participantes enviaram o TCLE e os question&aacute;rios devidamente preenchidos    para o <i>e-mail</i> da pesquisadora. Os dados foram organizados, agrupados    e analisados com aux&iacute;lio das t&eacute;cnicas de distribui&ccedil;&atilde;o    de frequ&ecirc;ncia e cruzamento de tabelas. Para an&aacute;lise estat&iacute;stica,    recorreu-se a uma planilha eletr&ocirc;nica, sendo os resultados apresentados,    sempre que &uacute;til, na sua perspectiva percentual.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O grupo de conselheiros reuniu 66,7% (n = 14)    participantes do sexo masculino e 33,3% (n = 7) do sexo feminino; 66,7% (n =    14) informou ser casado ou viver com companheiro, 19% (n = 4) comunicou ser    solteiro, 14,3% (n = 3) divorciado ou separado. Quanto &agrave; escolaridade,    52,4% (n = 11) alcan&ccedil;ou o ensino superior (completo ou incompleto); 38,1%    (n = 8) fez p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (completa ou incompleta); e 9,5%    (n = 2) cursou o ensino m&eacute;dio (completo ou incompleto). No que se refere    &agrave; renda mensal, 47,6% (n = 10) relatou ter mais de 10 sal&aacute;rios    m&iacute;nimos; 28,6% (n = 6) entre um e seis sal&aacute;rios m&iacute;nimos;    e 23,8% (n = 5) entre seis e 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A subamostra de gestores foi integrada por 65,5    % (n = 19) participantes do sexo masculino e 34,5% (n = 10) do sexo feminino.    Em rela&ccedil;&atilde;o ao estado civil, 75,9% (n = 22) informou estar casado;    20,7% assinalou 'solteiro' (n = 6); e 3,4% 'divorciado ou separado' (n = 1).    Todos os gestores comunicaram possuir n&iacute;vel superior completo e renda    superior a 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Doze conselheiros (57%) afirmaram ter defici&ecirc;ncia:    25% (n = 3) tinham defici&ecirc;ncia auditiva, 50% (n = 6) defici&ecirc;ncia    f&iacute;sica ou motora e 25% (n = 3) defici&ecirc;ncia visual; 91,7% (n = 11)    afirmaram ter defici&ecirc;ncia h&aacute; mais de cinco anos. Um participante    n&atilde;o respondeu a essa quest&atilde;o; 25% (n = 3) declararam defici&ecirc;ncia    leve; 33,3% (n = 4) defici&ecirc;ncia moderada; e 41,7% (n = 5) defici&ecirc;ncia    grave. Merece destaque que apenas um gestor declarou ter defici&ecirc;ncia f&iacute;sica    ou motora moderada h&aacute; mais de cinco anos. Os demais gestores n&atilde;o    assinalaram este item do question&aacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Percep&ccedil;&atilde;o sobre defici&ecirc;ncia    e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conforme ilustra o <a href="#gra1">Gr&aacute;fico    1</a>, 81% (n = 17) dos conselheiros discordaram da afirma&ccedil;&atilde;o    de que a defici&ecirc;ncia &eacute; uma quest&atilde;o pessoal, circunscrita    &agrave; pr&oacute;pria pessoa e &agrave; sua fam&iacute;lia. Ao que parece,    para esse grupo, a defici&ecirc;ncia deve ser compreendida como um assunto a    ser compartilhado em sociedade. J&aacute; entre os gestores, o percentual dos    que discordaram desta afirma&ccedil;&atilde;o foi relativamente menor. Constata-se,    ainda, que 44,8% dos gestores assinalaram que concordam, completa ou parcialmente,    que a defici&ecirc;ncia &eacute; uma trag&eacute;dia pessoal. Em contraposi&ccedil;&atilde;o,    apenas 19% dos conselheiros manifestaram-se de modo semelhante. &Eacute; poss&iacute;vel    supor que tal vis&atilde;o diferenciada reflete perspectivas diferentes em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="gra1"></a><img src="/img/revistas/csc/v17n9/a24gra1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vale salientar que o percentual de indiv&iacute;duos    que discordou da afirma&ccedil;&atilde;o de que pessoas com defici&ecirc;ncia    n&atilde;o est&atilde;o aptas a tomarem decis&otilde;es sozinhas foi maior entre    gestores (75,9%) do que entre conselheiros (47,5%). Isto suscita questionamentos    a respeito da maneira como os conselheiros percebem a autonomia dos que t&ecirc;m    defici&ecirc;ncia. Haveria uma vis&atilde;o paternalista por parte dos defensores    de direitos desse segmento? Ou a viv&ecirc;ncia da defici&ecirc;ncia pelos conselheiros    os levou a considerar que as pessoas com defici&ecirc;ncia necessitam de aux&iacute;lio    para a tomada de decis&atilde;o?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com    a vida, mais da metade dos conselheiros concordou, ou concordou parcialmente,    que a vida das pessoas sem defici&ecirc;ncia &eacute; mais satisfat&oacute;ria    porque elas n&atilde;o enfrentam barreiras em sua participa&ccedil;&atilde;o    na sociedade. Percentual semelhante foi encontrado entre os gestores. &Eacute;    interessante explicitar que, notadamente na opini&atilde;o dos conselheiros,    as barreiras &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na sociedade podem ser um fator    relevante para a obten&ccedil;&atilde;o de uma vida satisfat&oacute;ria. Conforme    discutido anteriormente, na perspectiva utilitarista, a qualidade de vida tem    sido utilizada como crit&eacute;rio para definir aloca&ccedil;&atilde;o de recursos,    e, em geral, considera-se que as pessoas com defici&ecirc;ncia possuem pior    qualidade de vida que as pessoas sem defici&ecirc;ncia<sup>23</sup>. O que se    pode inferir das respostas dos conselheiros &eacute; que a vida satisfat&oacute;ria    de uma pessoa com defici&ecirc;ncia est&aacute; diretamente relacionada &agrave;    elimina&ccedil;&atilde;o de barreiras &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o    na sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mais de 75% dos conselheiros concordam que recursos    p&uacute;blicos devem ser utilizados para realizar as adapta&ccedil;&otilde;es    necess&aacute;rias para favorecer e ampliar &agrave; acessibilidade de pessoas    com defici&ecirc;ncia em locais p&uacute;blicos, mesmo que os recursos dispon&iacute;veis    n&atilde;o sejam suficientes para atender &agrave;s necessidades b&aacute;sicas    da maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Entre os gestores, esse percentual foi    de 41,4% (<a href="#gra2">Gr&aacute;fico 2</a>). Aparentemente, a percep&ccedil;&atilde;o    dos conselheiros revela uma concep&ccedil;&atilde;o de que pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas devem alocar recursos para minorias, mesmo que exista escassez    de recursos or&ccedil;ament&aacute;rios. Em oposi&ccedil;&atilde;o, boa parte    dos gestores parece corroborar a perspectiva utilitarista, de que a tomada de    decis&atilde;o no campo p&uacute;blico e coletivo deve priorizar o maior n&uacute;mero    de pessoas, durante o maior intervalo de tempo poss&iacute;vel e com as melhores    consequ&ecirc;ncias, mesmo que isso gere preju&iacute;zo para grupos minorit&aacute;rios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="gra2"></a><img src="/img/revistas/csc/v17n9/a24gra2.jpg"><a href="#gra2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por&eacute;m, em ambos os grupos, foram encontrados    altos percentuais (95,2% e 93,1%, respectivamente entre conselheiros e gestores)    de discord&acirc;ncia quanto &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de que se deve    investir mais recursos para atendimento &agrave;s necessidades de pessoas sem    defici&ecirc;ncia porque elas podem ser mais produtivas. Sendo assim, a amostra    dessa pesquisa parece avaliar que pessoas com defici&ecirc;ncia podem ser t&atilde;o    produtivas quanto pessoas sem defici&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o    do aborto de fetos com graves defici&ecirc;ncias, em raz&atilde;o de uma poss&iacute;vel    qualidade de vida ruim, a maioria dos conselheiros (57,2%) &eacute; contr&aacute;ria    (<a href="#gra3">Gr&aacute;fico 3</a>). Mas, somando-se os que concordam com    aqueles que concordam parcialmente, o percentual &eacute; de 38%, o que conduz    &agrave; suposi&ccedil;&atilde;o de que a baixa qualidade de vida experimentada    por aqueles que t&ecirc;m defici&ecirc;ncia em nosso pa&iacute;s &eacute; relevante    nessa discuss&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="gra3"></a><img src="/img/revistas/csc/v17n9/a24gra3.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quando se trata de conceder o direito legal para    adultos (com defici&ecirc;ncia muito graves) de decidirem se querem ou n&atilde;o    continuar vivendo, a maioria dos conselheiros discorda da afirma&ccedil;&atilde;o    (52,4%), destacando que quase 29% concorda e cerca de 19% concorda parcialmente    (<a href="#gra4">Gr&aacute;fico 4</a>). Diferentemente, entre os gestores, 55,2%    concordam com a eutan&aacute;sia por pessoas com graves defici&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="gra4"></a><img src="/img/revistas/csc/v17n9/a24gra4.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito a quest&otilde;es envolvendo    a terminalidade da vida, seja em fetos, rec&eacute;m nascidos e adultos com    defici&ecirc;ncia, a maioria dos conselheiros &eacute; contr&aacute;ria. Tal    atitude corrobora a posi&ccedil;&atilde;o de estudiosos da defici&ecirc;ncia<sup>22,24</sup>,    ao admitir que a viv&ecirc;ncia da defici&ecirc;ncia, ou a conviv&ecirc;ncia    com pessoas com defici&ecirc;ncia, &eacute; fundamental para se avaliar a qualidade    e a satisfa&ccedil;&atilde;o com a vida experimentada por elas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Asch<sup>22</sup> e Saxton<sup>24</sup>,    &eacute; necess&aacute;ria uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre bioeticistas,    estudiosos e defensores dos direitos das pessoas, pois a viv&ecirc;ncia e o    conhecimento da experi&ecirc;ncia do viver com defici&ecirc;ncia &eacute; fundamental    para uma reflex&atilde;o bio&eacute;tica coerente acerca dos dilemas que perpassam    a exist&ecirc;ncia das pessoas com defici&ecirc;ncia. Grande parte dos debates    na esfera da Bio&eacute;tica tem sido afetada pelo preconceito e por uma vis&atilde;o    negativa da qualidade de vida das pessoas com defici&ecirc;ncia. Os argumentos    favor&aacute;veis &agrave; terminalidade da vida de fetos, rec&eacute;m-nascidos    ou adultos com defici&ecirc;ncia, adotados pelos bioeticistas que se baseiam    na cren&ccedil;a de que a vida das pessoas com defici&ecirc;ncia &eacute; uma    vida miser&aacute;vel, merecem ser rediscutidos. Tanto estudiosos, quanto defensores    dos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia questionam o crit&eacute;rio    da baixa qualidade de vida como uma realidade. Recomendam-se, inclusive, investiga&ccedil;&otilde;es    que avaliem mais claramente e extensamente a qualidade de vida neste segmento    da popula&ccedil;&atilde;o, considerando-se o acesso aos recursos atuais de    promo&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o de bem-estar e desenvolvimento    pessoal no espa&ccedil;o social e no ambiente f&iacute;sico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O presente estudo destacou o atual distanciamento    entre bioeticistas, gestores e defensores dos direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia    no que tange &agrave; compreens&atilde;o da realidade da defici&ecirc;ncia no    contexto social, apesar da sua base em comum na Bio&eacute;tica, inicialmente    alicer&ccedil;ada na d&eacute;cada de 1970.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, a preponder&acirc;ncia do modelo m&eacute;dico    de defici&ecirc;ncia, comparativamente ao norteamento pelo modelo social, foi    discutida por meio da an&aacute;lise da legisla&ccedil;&atilde;o e das pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas. Todavia, internacionalmente, evidencia-se uma mudan&ccedil;a    de paradigma, cujas tend&ecirc;ncias e repercuss&otilde;es j&aacute; podem ser    constatadas em nosso pa&iacute;s, ao se focalizar a evolu&ccedil;&atilde;o da    legisla&ccedil;&atilde;o e o desenho de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas mais    inclusivas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m foram apontadas, neste estudo,    algumas controv&eacute;rsias entre bioeticistas e o movimento das pessoas com    defici&ecirc;ncia. Muitas vezes, na perspectiva da bio&eacute;tica utilitarista,    a qualidade de vida das pessoas com defici&ecirc;ncia tem sido considerada inferior    &agrave; vida das pessoas sem defici&ecirc;ncia. No entanto, os defensores de    direitos questionam o par&acirc;metro utilizado pela corrente utilitarista para    definir o valor e a utilidade da vida de pessoas com defici&ecirc;ncia, pois    consideram que tais convic&ccedil;&otilde;es est&atilde;o embasadas em falsos    pressupostos. Ou seja, questionam se uma exist&ecirc;ncia com defici&ecirc;ncia    &eacute; necessariamente miser&aacute;vel, em raz&atilde;o da pr&oacute;pria    defici&ecirc;ncia, ou se as limita&ccedil;&otilde;es enfrentadas s&atilde;o    um reflexo de uma sociedade pouco inclusiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De maneira geral, o que se depreende das respostas    obtidas junto aos defensores de direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia &eacute;    que vivenciar a defici&ecirc;ncia &eacute; essencial para a compreens&atilde;o    desta no contexto social e seu impacto para a satisfa&ccedil;&atilde;o com a    vida. Os dilemas bio&eacute;ticos que envolvem essas pessoas precisam ser analisados    tamb&eacute;m a partir da perspectiva daqueles que a experienciam em suas rela&ccedil;&otilde;es    s&oacute;cio-afetivas no cotidiano. Sugere-se, ainda, a condu&ccedil;&atilde;o    de mais estudos apoiados nos aportes teorico-conceituais da bio&eacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos gestores governamentais, percebe-se    que, para alguns temas investigados, a percep&ccedil;&atilde;o de dilemas bio&eacute;ticos    &eacute; similar ao pensamento dos defensores de direitos. No entanto, especialmente    no que se refere &agrave; aloca&ccedil;&atilde;o de recursos, os gestores distinguem-se    dos defensores de direitos. As respostas dos defensores de direitos est&atilde;o    mais alinhadas &agrave; perspectiva de prote&ccedil;&atilde;o de grupos vulner&aacute;veis    e minorias; ao passo que as respostas dos gestores apontam para uma aloca&ccedil;&atilde;o    de recursos embasada na perspectiva utilitarista, que se aproxima do que preconizam    muitos bioeticistas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, &eacute; <i>mister</i> melhor    considerar a defici&ecirc;ncia - &agrave; luz da realidade social, mais do que    do ponto de vista m&eacute;dico - visando, assim, a constru&ccedil;&atilde;o    progressiva de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas mais justas, efetivas e eficazes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">LCG Bernardes participou na concep&ccedil;&atilde;o,    elabora&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e reda&ccedil;&atilde;o do trabalho.    TCCF de Araujo foi orientadora do projeto de pesquisa de Mestrado no Programa    de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Bio&eacute;tica da Universidade de    Bras&iacute;lia e colaborou na reda&ccedil;&atilde;o do texto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">1. Altman BM. Disability definitions, models,    classifications schemes, and applications. In: Albrecht GL, Seelman KD, Bury    M. <i>Handbook of disability studies</i>. Thousand Oaks: Sage Publications;    2001. p. 97-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617750&pid=S1413-8123201200090002400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">2. Garc&iacute;a CE, Sanchez AS. Clasificaciones    de la OMS sobre discapacidad. <i>Bolet&iacute;n del RPD </i>2001; 50:15-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617752&pid=S1413-8123201200090002400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">3. Foucault M. <i>Hist&oacute;ria da sexualidade    I</i>: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617754&pid=S1413-8123201200090002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">4. Hughes B. Disability and the body. In: Barnes    C, Oliver M, Barton L, editors: <i>Disability studies today</i>. Cambridge:    Polity Press; 2002. p. 58-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617756&pid=S1413-8123201200090002400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">5. Lanna MC Jr, organizador. <i>Hist&oacute;ria    do movimento pol&iacute;tico das pessoas com defici&ecirc;ncia no Brasil.</i>    Bras&iacute;lia: Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o    dos Direitos da Pessoa com Defici&ecirc;ncia; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617758&pid=S1413-8123201200090002400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">6. Brasil. Decreto Legislativo n. 186, de 10    de julho de 2008. <i>Aprova o texto da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos    das Pessoas com Defici&ecirc;ncia e de seu Protocolo Facultativo, assinados    em Nova Iorque, em 30 de mar&ccedil;o de 2007</i>. Bras&iacute;lia: Senado Federal;    2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617760&pid=S1413-8123201200090002400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">7. Jette A. Toward a common language for function,    disability and health. <i>Phis Ther</i> 2006; 86(5):726-734.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617762&pid=S1413-8123201200090002400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">8. Nagi S. A study in the evaluation of disability    and reahabilitation potential: Concepts, methods, and procedures. <i>Am J of    Public Health</i> 1964; 54:1568-1579.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617764&pid=S1413-8123201200090002400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">9. Nagi S. An epidemiology of disability among    adults in the United States. <i>Milbank Mem Fund Q</i> 1976; 54(4):493-497.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617766&pid=S1413-8123201200090002400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">10. Diniz D, Medeiros M, Squinca F. Reflex&otilde;es    sobre a vers&atilde;o em portugu&ecirc;s da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional    de Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de. <i>Cad Saude Publica</i> 2007;    23(10):2507-2510.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617768&pid=S1413-8123201200090002400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">11. Garcia CE, Sanchez AS. Vision y modelos conceptuales    de la discapacidad &#91;artigo na Internet&#93;.<i>Polibea </i>2004; 73:29-42.    &#91;acessado 2011 fev 28&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://usuarios.discapnet.es/disweb2000/art/VisionDis.pdf" target="_blank">http://usuarios.discapnet.es/disweb2000/art/VisionDis.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617770&pid=S1413-8123201200090002400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">12. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de,    Organiza&ccedil;&atilde;o Panamericana de Sa&uacute;de. <i>CIF - Classifica&ccedil;&atilde;o    Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Sa&uacute;de</i>. S&atilde;o    Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617771&pid=S1413-8123201200090002400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">13. Oliver M. <i>The individual and social models    of disability</i>. Paper presented at Joint Workshop of the Living Options Group    and the Research Unit of the Royal College of Physicians, 23 jul. 1990. &#91;acessado    2010 jul 11&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.leeds.ac.uk/disability-studies/archiveuk/Oliver/in%20soc%20dis.pdf" target="_blank">http://www.leeds.ac.uk/disability-studies/archiveuk/Oliver/in%20soc%20dis.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617773&pid=S1413-8123201200090002400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">14. Abberley P. The limits of classical social    theory in the analysis and transformation of disablement. In: Barton L, Oliver    M, editors. <i>Disability studies</i>: <i>past, present and future</i>. Leeds:    Disability Press; 1997. p. 25-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617775&pid=S1413-8123201200090002400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">15. Davis LJ. Dr. Johnson, Amelia, and the discourse    of disability in the eighteenth century. In: Deutsch H, Nussman F, editors.    <i>Defects</i>: engendering the modern body. Ann Harbor: University of Michigan    Press; 2000. p. 54-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617777&pid=S1413-8123201200090002400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">16. Crow L. Including all of our lives: Renewing    the social model of disability. In: Barnes C, Mercer L, editors. <i>Exploring    the divide</i>. Leeds: Disability Press, 1996; p. 55-72. &#91;acessado 2011    maio 29&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.roaring-girl.com/wp-content/uploads/2010/05/Renewing-the-Social-Model-of-Disability.pdf" target="_blank">http://www.roaring-girl.com/wp-content/uploads/2010/05/Renewing-the-Social-Model-of-Disability.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617779&pid=S1413-8123201200090002400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">17. Lima NM. Compilador <i>Legisla&ccedil;&atilde;o    federal b&aacute;sica na &aacute;rea da pessoa portadora de defici&ecirc;ncia</i>.    Bras&iacute;lia: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Coordenadoria Nacional    para Integra&ccedil;&atilde;o da Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617781&pid=S1413-8123201200090002400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">18. Brasil. Decreto n<sup>o</sup> 6.214, de 26    de setembro de 2007. Regulamenta o benef&iacute;cio de presta&ccedil;&atilde;o    continuada da assist&ecirc;ncia social devido &agrave; pessoa com defici&ecirc;ncia    e ao idoso de que trata a Lei n<u><sup>o</sup></u> 8.742, de 7 de dezembro de    1993, e a Lei n<u><sup>o</sup></u> 10.741, de 1<u><sup>o</sup></u> de outubro    de 2003, acresce par&aacute;grafo ao art. 162 do Decreto n<u><sup>o</sup></u>    3.048, de 6 de maio de 1999, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. <i>Di&aacute;rio    Oficial da Uni&atilde;o</i> 2007; 28 set.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617783&pid=S1413-8123201200090002400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">19. Brasil. Coordenadoria Nacional para Integra&ccedil;&atilde;o    da Pessoa Portadora de Defici&ecirc;ncia. <i>Acessibilidade</i>. Bras&iacute;lia:    Secretaria Especial dos Direitos Humanos; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617785&pid=S1413-8123201200090002400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">20. Beauchamp TL, Childress JF. <i>Princ&iacute;pios    de &eacute;tica biom&eacute;dica</i>. S&atilde;o Paulo: Loyola; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617787&pid=S1413-8123201200090002400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">21. Braddock DL, Parish SL. An institucional    history of disability. In: Albrecht GL, Seelman KD, Bury M, editors. <i>Handbook    of disability studies</i>. Thousand Oaks: Sage Publications; 2001. p. 11-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617789&pid=S1413-8123201200090002400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">22. Asch A. Disability, bioethics and human rights.    In: Albrecht GL, Seelman KD, Bury M, editors. <i>Handbook of disability studies</i>.    Thousand Oaks: Sage Publications; 2001. p. 297-326.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617791&pid=S1413-8123201200090002400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">23. Singer P. <i>&Eacute;tica pr&aacute;tica</i>.    S&atilde;o Paulo: Martins Editora; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617793&pid=S1413-8123201200090002400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">24. Saxton M. Disability rights and selective    abortion. In: Davis L, editor. <i>The disabilities studies reader.</i> Nova    Iorque: Routledge; 2010. p. 120-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617795&pid=S1413-8123201200090002400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">25. Wasserman D. Philosophical issues in the    definition and social response to disability. In: Albrecht GL, Seelman KD, Bury    M, editors. <i>Handbook of Disability Studies</i>. Thousand Oaks: Sage Publications;    2001. p. 219-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1617797&pid=S1413-8123201200090002400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Artigo apresentado em 31/05/2011    <br>   Aprovado em 05/07/2011    ]]></body>
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