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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Medicalização da vida: ética, saúde pública e indústria farmacêutica]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal Fluminense Faculdade de Farmácia Departamento de Farmácia]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>RESENHAS</b> BOOK REVIEWS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><b>Caponi S, Verdi M, Brzozowski FS, Hellmann    F, organizadores. <i>Medicaliza&ccedil;&atilde;o da Vida</i>: &Eacute;tica,    Sa&uacute;de P&uacute;blica e Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica. 1&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o.    Palho&ccedil;a: Editora Unisul; 2010.</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Monique Ara&uacute;jo de Brito</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Departamento de Farm&aacute;cia, Faculdade de    Farm&aacute;cia, Universidade Federal Fluminense (UFF). <a href="mailto:moniquebrito@id.uff.br">moniquebrito@id.uff.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/csc/v17n9/a36img.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">A medicaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno    atrav&eacute;s do qual a vida cotidiana &eacute; apropriada pela medicina e    interfere na constru&ccedil;&atilde;o de conceitos, costumes e comportamentos    sociais. A quest&atilde;o da &eacute;tica encontra-se particularmente em um    momento de discuss&atilde;o no Brasil; unida &agrave; &aacute;rea da sa&uacute;de    p&uacute;blica e aliada ao t&oacute;pico da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica,    permite importantes discuss&otilde;es. Os organizadores de "Medicaliza&ccedil;&atilde;o    da Vida: &Eacute;tica, Sa&uacute;de P&uacute;blica e Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica",    Sandra Caponi, Marta Verdi, Fabiola S. Brzozowski e Fernando Hellmann apresentam    o livro que relatam "ser o resultado de um di&aacute;logo interdisciplinar entre    pesquisadores de diferentes &aacute;reas e regi&otilde;es em torno da problem&aacute;tica    da medicaliza&ccedil;&atilde;o da vida e dos conflitos &eacute;ticos no &acirc;mbito    das pesquisas em sa&uacute;de e no campo da sa&uacute;de p&uacute;blica".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sandra Caponi &eacute; fil&oacute;sofa, doutora    em Filosofia e professora adjunta do Departamento de Sa&uacute;de P&uacute;blica    da UFSC; Marta Verdi &eacute; enfermeira, doutora em Enfermagem e professora    adjunta do Departamento de Sa&uacute;de P&uacute;blica da UFSC; Fab&iacute;ola    Stolf Brzozowski &eacute; farmac&ecirc;utica, mestre em Sa&uacute;de P&uacute;blica    e doutoranda em Sa&uacute;de Coletiva pela UFSC e Fernando Hellmann &eacute;    natur&oacute;logo, mestre em Sa&uacute;de P&uacute;blica e doutorando em Sa&uacute;de    Coletiva pela UFSC. Todos possuem trajet&oacute;rias acad&ecirc;micas pautadas    na Sa&uacute;de P&uacute;blica e na Sa&uacute;de Coletiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os organizadores congregaram profissionais de    diferentes pa&iacute;ses - Brasil, Col&ocirc;mbia e Espanha - em torno da reflex&atilde;o    de suas experi&ecirc;ncias vividas em &aacute;reas distintas como o servi&ccedil;o    social, a farm&aacute;cia, a medicina e a antropologia, perseguindo o objetivo    de construir olhares diversos, por&eacute;m com um foco comum, a vida. Estes    profissionais integram renomadas escolas de Sa&uacute;de P&uacute;blica como    a ENSP da Fiocruz, e o Instituto de Medicina Social da UERJ, entre outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O livro &eacute; dividido didaticamente em cinco    partes: (1) &Eacute;tica, Pesquisa e Ind&uacute;stria Farmac&ecirc;utica; (2)    &Eacute;tica e Medicaliza&ccedil;&atilde;o da Vida; (3) Bio&eacute;tica e Pol&iacute;ticas    P&uacute;blicas de Sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o; (4) Bio&eacute;tica    e os desafios dos Comit&ecirc;s de &Eacute;tica em Pesquisa; (5) Desafios &Eacute;ticos    para a Consolida&ccedil;&atilde;o do SUS.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na primeira parte, &Eacute;tica, Pesquisa e Ind&uacute;stria    Farmac&ecirc;utica, pondera-se acerca dos desafios &eacute;ticos da pesquisa    em sa&uacute;de. Discute-se temas como a redu&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o    e maximiza&ccedil;&atilde;o de interesses privados com a declara&ccedil;&atilde;o    de Helsinque e suas &uacute;ltimas modifica&ccedil;&otilde;es realizadas em    2008; a economia pol&iacute;tica da produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o    do conhecimento biom&eacute;dico; a hiperpreven&ccedil;&atilde;o como forma    de vida medicada; a medicaliza&ccedil;&atilde;o da vida soropositiva; a medicaliza&ccedil;&atilde;o    como instrumento de melhores n&iacute;veis de vida e doen&ccedil;as negligenciadas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em sua maioria, os autores dessa primeira parte    refletem sobre os laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos e problematizam sobre    as consequ&ecirc;ncias que os interesses privados trazem para as pesquisas na    &aacute;rea de sa&uacute;de, servindo como subs&iacute;dios para a produ&ccedil;&atilde;o    e o consumo de determinados tipos de f&aacute;rmacos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O &uacute;ltimo trabalho da primeira parte aprofunda    bem esta quest&atilde;o quando pondera acerca das doen&ccedil;as negligenciadas    (ex. mal&aacute;ria) e extremamente negligenciadas (ex. doen&ccedil;a de Chagas)    que atingem milh&otilde;es de pessoas em pa&iacute;ses pobres e provocam um    interesse marginal da ind&uacute;stria, que prefere fazer investimentos milion&aacute;rios    em doen&ccedil;as mentais e dist&uacute;rbios neurol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A segunda parte versa sobre &Eacute;tica e Medicaliza&ccedil;&atilde;o    da Vida. Nestes cap&iacute;tulos s&atilde;o discutidos temas como o consumo    de antidepressivos e as novas biopol&iacute;ticas das afli&ccedil;&otilde;es;    o diagn&oacute;stico da depress&atilde;o e os modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o;    defici&ecirc;ncia, autismo e neurodiversidade; medicaliza&ccedil;&atilde;o do    crime - com olhares e estrat&eacute;gias da psiquiatria forense na avalia&ccedil;&atilde;o    da periculosidade criminal; uma genealogia das pr&aacute;ticas de normaliza&ccedil;&atilde;o    nas sociedades ocidentais modernas; medicamentos psicoativos utilizados na inf&acirc;ncia;    transtorno de d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade; e    medicaliza&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No primeiro cap&iacute;tulo a autora espanhola    &Aacute;ngel M. Hern&aacute;ez discorre acerca do elevado consumo dos medicamentos    antidepressivos por v&aacute;rios pa&iacute;ses e sobre a lassitude nos crit&eacute;rios    diagn&oacute;sticos para incorporar na defini&ccedil;&atilde;o de patol&oacute;gico,    situa&ccedil;&otilde;es habituais da adversidade humana. Ela disserta ainda,    com afinco, sobre como os m&eacute;todos da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica    para construir sua hegemonia, sobretudo publicidade e financiamento de congressos,    vem se intensificando nos &uacute;ltimos anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os &uacute;ltimos tr&ecirc;s cap&iacute;tulos    dessa parte possuem um sujeito em comum, a crian&ccedil;a. Abordam a medicaliza&ccedil;&atilde;o    da inf&acirc;ncia, o uso de medicamentos psicoativos e o transtorno de d&eacute;ficit    de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade (TDAH). A demanda excessiva pela    medicaliza&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia, em casos onde outros m&eacute;todos    poderiam ser uma alternativa, pode ter efeitos nocivos &agrave; subjetividade    da crian&ccedil;a, uma vez que ela ainda est&aacute; se formando. &Eacute; importante    que se aborde o tema TDAH com cautela, sobretudo por ser um transtorno que ainda    necessita de mais estudos e pesquisas. O uso de f&aacute;rmacos psicoativos    em crian&ccedil;as, para esta e outras patologias, pode ser prejudicial na inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A terceira parte &eacute; sobre Bio&eacute;tica    e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Sa&uacute;de e Educa&ccedil;&atilde;o.    Nestes cap&iacute;tulos s&atilde;o discutidos temas como as interfaces entre    bio&eacute;tica e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; conflitos bio&eacute;ticos    e pol&iacute;ticas para acesso aos medicamentos; a reforma psiqui&aacute;trica    nesse contexto e ainda um panorama da forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica nos    cursos de odontologia brasileiros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O quarto cap&iacute;tulo, assinado pelas docentes    Rosana I. dos Santos e Mareni R. Farias, ambas da UFSC, discute o setor produtor    e a busca por novos medicamentos, a propaganda de medicamentos e o fen&ocirc;meno    das fus&otilde;es entre as empresas, mostrando que as interfaces entre a bio&eacute;tica    e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas encontram pontos de conflito, uma vez    que os medicamentos s&atilde;o recursos terap&ecirc;uticos fundamentais, por&eacute;m    tamb&eacute;m s&atilde;o bens de consumo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nos v&aacute;rios cap&iacute;tulos dessa parte    observa-se uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos autores com a inser&ccedil;&atilde;o    da &eacute;tica nos curr&iacute;culos universit&aacute;rios, sobretudo nos cursos    da &aacute;rea da sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A quarta parte &eacute; sobre Bio&eacute;tica    e os desafios dos Comit&ecirc;s de &Eacute;tica em Pesquisa. Nestes cap&iacute;tulos    s&atilde;o discutidos temas como os desafios da declara&ccedil;&atilde;o de    Helsinque nos comit&ecirc;s de &eacute;tica em pesquisa; os desafios contempor&acirc;neos    dos comit&ecirc;s de &eacute;tica envolvendo pesquisas com seres humanos; experimenta&ccedil;&atilde;o    animal e bio&eacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro cap&iacute;tulo dessa parte, de autoria    da m&eacute;dica Juc&eacute;lia Maria Guedert, "O comit&ecirc; de &Eacute;tica    em Pesquisa do Hospital Infantil Joana de Gusm&atilde;o: os desafios em tempos    de mudan&ccedil;as na Declara&ccedil;&atilde;o de Helsinque", fala sobre a participa&ccedil;&atilde;o    de crian&ccedil;as e adolescentes em projetos de pesquisa e sobre sua experi&ecirc;ncia    na coordena&ccedil;&atilde;o do HIJG. A autora ressalta a vulnerabilidade das    crian&ccedil;as nos aspectos biopsicossociais e ratifica a import&acirc;ncia    de uma "cuidadosa avalia&ccedil;&atilde;o &eacute;tica" nesses casos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como desafios prementes apontados pelos autores    dos cap&iacute;tulos da quarta parte tem-se o controle &eacute;tico das pesquisas    em seres humanos, que exige um permanente acompanhamento e a vigil&acirc;ncia    por parte dos pesquisadores e do controle social.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A quinta parte &eacute; sobre Desafios &Eacute;ticos    para a Consolida&ccedil;&atilde;o do SUS. Nestes cap&iacute;tulos s&atilde;o    discutidos temas sobre &eacute;tica, desigualdades e desafios voltados para    o SUS. A efetiva&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; sa&uacute;de depende do    provimento de pol&iacute;ticas sociais e econ&ocirc;micas que assegurem desenvolvimento    econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel e distribui&ccedil;&atilde;o de renda; cabendo,    especificamente ao SUS, a promo&ccedil;&atilde;o, a prote&ccedil;&atilde;o e    a recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos e das coletividades    de forma equitativa.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sabe-se que o processo de implanta&ccedil;&atilde;o    do SUS tem sido marcado por intensos debates que refletem a presen&ccedil;a    de interesses antag&ocirc;nicos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua consolida&ccedil;&atilde;o,    tanto como pol&iacute;tica p&uacute;blica calcada na universalidade, equidade,    integralidade, participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e dever    do Estado, quanto &agrave;s dificuldades para construir modelos assistenciais    ancorados na concep&ccedil;&atilde;o ampliada de sa&uacute;de, que foi a base    do processo de proposi&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio SUS. Ressalte-se que    a promo&ccedil;&atilde;o e a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de s&atilde;o    fundamentais e fazem parte do elenco de pol&iacute;ticas sociais necess&aacute;rias    para a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa e democr&aacute;tica,    sendo esta a miss&atilde;o central do SUS.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">S&atilde;o quatro cap&iacute;tulos, que guardam    uma importante complementaridade entre si. Os primeiros dois cap&iacute;tulos    tem o mesmo tema, escrito por dois profissionais da &aacute;rea com diferentes    vis&otilde;es e experi&ecirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O primeiro cap&iacute;tulo discute como seria    poss&iacute;vel efetivar os princ&iacute;pios do SUS em uma &eacute;poca em    que se vive o que a autora chama de "frenesi de necessidades", e apresenta o    acesso &agrave; aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de como um direito    social, &agrave; cidadania.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Num momento em que o governo federal, os Estados,    os munic&iacute;pios e o conjunto da sociedade brasileira unem esfor&ccedil;os    para erradicar a mis&eacute;ria no Brasil, a promo&ccedil;&atilde;o do acesso    &agrave; sa&uacute;de, com qualidade e em tempo adequado, se mostra uma estrat&eacute;gia    fundamental. &Eacute; verdade que h&aacute; muitos obst&aacute;culos a vencer.    Deve-se colocar a aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica como prioridade absoluta    e de fundamental import&acirc;ncia para a estrutura&ccedil;&atilde;o, a consolida&ccedil;&atilde;o    e a qualifica&ccedil;&atilde;o do SUS. Este compromisso j&aacute; tem se traduzido    em medidas concretas, elaboradas e implementadas sempre a partir do foco de    ampliar o acesso &agrave; sa&uacute;de. Outra medida importante &eacute; o projeto    de reformula&ccedil;&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o das Unidades B&aacute;sicas    de Sa&uacute;de (UBS).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No segundo cap&iacute;tulo o autor descreve a    experimenta&ccedil;&atilde;o dos 20 anos do SUS, falando sobre as exig&ecirc;ncias    &eacute;ticas para as pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Em sua perspectiva, reafirma    que o SUS &eacute; uma reforma social, pol&iacute;tica, &eacute;tica e institucional    que tem seus efeitos estendidos para alem do sistema sanit&aacute;rio, e explica    os porqu&ecirc;s de suas considera&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de falar sobre    os principais desafios nesses vinte anos de SUS. Segundo o autor, "temos uma    plataforma de desafios &eacute;ticos que n&atilde;o se esgotou". Ele conclui    que a gest&atilde;o na sa&uacute;de &eacute; muito autorit&aacute;ria e pouco    democr&aacute;tica: "...H&aacute; que se fazer uma reorganiza&ccedil;&atilde;o    dos processos de trabalho...", e finaliza "...incluir o usu&aacute;rio, a fam&iacute;lia,    a rede social no contrato clinico e terap&ecirc;utico".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro cap&iacute;tulo fala sobre as implica&ccedil;&otilde;es    &eacute;ticas que t&ecirc;m as concep&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e de    doen&ccedil;a, de forma did&aacute;tica, por&eacute;m sem perder a profundidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No quarto cap&iacute;tulo o autor discorre sobre    os problemas e desafios na trajet&oacute;ria do SUS, sempre valorizando as conquistas    na sa&uacute;de p&uacute;blica no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao contr&aacute;rio do que possa parecer, a medicaliza&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o consiste em um processo recente. Ela vem acontecendo na sociedade    h&aacute; mais de dois s&eacute;culos, durante os quais foi ganhando formas    diversas. Podemos notar que &agrave; medida que a medicina se insere no social,    as pr&aacute;ticas e os discursos se apropriam da racionalidade m&eacute;dica.    A partir deste momento, a vida cotidiana torna-se medicalizada, posto que o    cidad&atilde;o come&ccedil;a a ter familiaridade com as no&ccedil;&otilde;es    m&eacute;dicas difundidas, passando a conceber a sa&uacute;de como valor primordial    e, consequentemente, a fazer de tudo para preserv&aacute;-la ou restaur&aacute;-la.    Uma consequ&ecirc;ncia direta desse processo - a que se precisa estar atento    - &eacute; a banaliza&ccedil;&atilde;o do uso de medicamentos, tanto no Brasil    quanto em outras partes do mundo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A leitura deste livro possibilitar&aacute; aos    estudantes e aos profissionais que trabalham com &eacute;tica, bio&eacute;tica,    sa&uacute;de p&uacute;blica e &aacute;reas afins a oportunidade de ampliar sua    compreens&atilde;o e enriquecer a reflex&atilde;o sobre estes assuntos, devido    &agrave; diversidade de perspectivas dos diferentes autores. Trata-se de um    material riqu&iacute;ssimo, anal&iacute;tico e cr&iacute;tico. Todos os cap&iacute;tulos    apresentam boas refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas para quem desejar aprofundar    os temas discutidos.</font></p>      ]]></body>
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