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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O gênero dos/nos homens: linhas de uma proto-genealogia]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Pernambuco Centro de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Psicologia]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DEBATEDORES</b> DISCUSSANTS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O g&ecirc;nero   dos/nos homens:  linhas de   uma proto-genealogia </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gender   of/in men: strands of a proto-genealogy</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Benedito   Medrado;   Jorge Lyra</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Departamento de Psicologia,   Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Federal de Pernambuco. <a href="mailto:beneditomedrado@gmail.com">beneditomedrado@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1998,   quando publicamos o livro "Homens e masculinidades: outras palavras"<sup>1</sup>,   j&aacute; no texto introdut&oacute;rio tomamos o cuidado de chamar aten&ccedil;&atilde;o para dois aspectos   importantes naquele momento, hoje considerado seminal para os estudos sobre   homens e masculinidades no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro alerta &eacute; de que, ao tematizarmos homens e   masculinidades, a partir da perspectiva de g&ecirc;nero, n&atilde;o estar&iacute;amos "inventando a   roda", mas, ao contr&aacute;rio, trilhando por caminhos j&aacute; anunciados em outros momentos,   por outros atores (e atrizes) sociais, seja nos campos da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica ou   da milit&acirc;ncia pol&iacute;tica, no Brasil e em outros pa&iacute;ses. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo alerta enfatizava que o interesse pelo estudo das   masculinidades tem origem particularmente na d&eacute;cada de 1960, mais precisamente   a partir da institui&ccedil;&atilde;o do movimento feminista, que promoveu um exame cr&iacute;tico e   a tomada de posi&ccedil;&atilde;o diante das dissimetrias sociais baseadas na diferencia&ccedil;&atilde;o   sexual, mas tamb&eacute;m os movimentos em defesa dos direitos sexuais (na &eacute;poca   identificados como movimentos gay e l&eacute;sbico) que tencionaram com a fixidez das   identidades sexuais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses dois alertas nos parecem ainda fundamentais para   pensarmos as quest&otilde;es levantadas por M&aacute;rcia Couto e Romeu Gomes para pensar a   equidade de g&ecirc;nero no campo dos estudos e a&ccedil;&otilde;es com/sobre homens, sa&uacute;de e   pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; discuss&atilde;o esta mobilizada pelo recente processo de   institucionaliza&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Nacional de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Sa&uacute;de do Homem   (PNAISH), anunciada em 2005 e disponibilizada em agosto de 2008 e lan&ccedil;ada em   2009 pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de<sup>2,3</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se quisermos tra&ccedil;ar, ainda que superficialmente (dadas as   limita&ccedil;&otilde;es de um texto-debate), uma genealogia da Pol&iacute;tica de Aten&ccedil;&atilde;o Integral   &agrave; Sa&uacute;de do Homem no Brasil, precisamos trilhar por pelo menos tr&ecirc;s linhas historicamente   importantes, que forjam conceitos e tradi&ccedil;&otilde;es distintas sobre g&ecirc;nero. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O m&eacute;todo geneal&oacute;gico proposto por Foucault, em 1996, visa a   compreens&atilde;o hist&oacute;rica das condi&ccedil;&otilde;es que possibilitaram o surgimento e a   perman&ecirc;ncia, a partir de descontinuidades e rupturas, de determinadas pr&aacute;ticas   discursivas, que emergem como dispositivos de saber-poder, orientando e   limitando pr&aacute;ticas institucionais e pessoais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma delas, muito bem descrita por Margareth Arilha<sup>4</sup>,   em sua tese de doutorado "O masculino nas confer&ecirc;ncias e programas das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas: para uma cr&iacute;tica do discurso de g&ecirc;nero", tem como objeto de estudo os   textos produzidos nos encontros de popula&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento e as   Confer&ecirc;ncias Internacionais da Mulher, promovida pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas (ONU). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>No g&ecirc;nero da ONU,  os homens s&atilde;o instrumentais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Analisando textos produzidos em oito Confer&ecirc;ncias Mundiais   sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Mulher desde 1974, al&eacute;m de aproximadamente 50 documentos de   diversos &oacute;rg&atilde;os da ONU, Arilha<sup>4</sup> identifica que o reconhecimento da   necess&aacute;ria inclus&atilde;o dos homens no campo da sexualidade e sa&uacute;de reprodutiva n&atilde;o   &eacute; recente. J&aacute; no documento final da Confer&ecirc;ncia Internacional de Popula&ccedil;&atilde;o de   Bucareste, de 1974, est&aacute; bem claro, entre outras coisas que: "n&atilde;o se pode   modificar a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres sem promover mudan&ccedil;as na fun&ccedil;&atilde;o do homem";   bem como dever-se-ia "realizar investiga&ccedil;&otilde;es sobre os pap&eacute;is sociais do homem e   da mulher e investiga&ccedil;&atilde;o biom&eacute;dica sobre a fecundidade masculina", "promover   medidas e pol&iacute;ticas destinadas a melhorar e proteger a sa&uacute;de do homem, da   mulher e da crian&ccedil;a"; "estimular a educa&ccedil;&atilde;o para a vida familiar e para a   paternidade respons&aacute;vel". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, como bem destaca Arilha<sup>4</sup>, os textos da   Confer&ecirc;ncia Internacional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento, realizada no Cairo,   em 1994, e da 4ª Confer&ecirc;ncia Internacional da Mulher, realizada em Beijing, em   1995, apresentam de forma mais ampla a perspectiva da import&acirc;ncia e necessidade   da inclus&atilde;o dos homens nas a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de sexual e reprodutiva, com   expl&iacute;cito apelo ao conceito de g&ecirc;nero. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, Arilha<sup>4</sup> faz uma severa cr&iacute;tica &agrave;   conforma&ccedil;&atilde;o de um conceito de g&ecirc;nero &#150; e o correspondente investimento e   reflex&atilde;o sobre os homens no &acirc;mbito da sa&uacute;de sexual e reprodutiva &#150; que vinha   sendo operado nos documentos da ONU, de modo radicalmente instrumental, isto &eacute;,   "recorre-se aos homens apenas para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e de   exerc&iacute;cio de direitos das mulheres &#91;...&#93; as refer&ecirc;ncias ao masculino que aparecem   nos textos das confer&ecirc;ncias da ONU o fazem de maneira redutora e instrumental,   vendo o homem como pai de fam&iacute;lia e colocando-o na perspectiva estrita de   concorrer para o bem-estar feminino".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra linha que pode compor essa rede de significa&ccedil;&otilde;es e materialidades   que conformam as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidades de surgimento da atual preocupa&ccedil;&atilde;o   com a aten&ccedil;&atilde;o integral aos homens na sa&uacute;de, aparece tra&ccedil;ada nas cr&iacute;ticas de   Carrara et al.<sup>5</sup>, no qual analisam as a&ccedil;&otilde;es da Sociedade Brasileira   de Urologia (SBU) no per&iacute;odo que antecede o lan&ccedil;amento da PNAISH e sua atua&ccedil;&atilde;o   durante a implanta&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica, discutindo o modo como o discurso dos   m&eacute;dicos urologistas (considerados especialistas) se articula e distancia do   discurso militante dos movimentos sociais, tendo como objetivo a medicaliza&ccedil;&atilde;o   do corpo masculino. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>No g&ecirc;nero da ordem biom&eacute;dica,  os homens devem se "desempoderar" </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fazendo um breve panorama da institucionaliza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de   p&uacute;blica, a partir da segunda metade do S&eacute;culo XIX, esses autores ressaltam os   recorrentes processos de medicaliza&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, a partir de   dispositivos de poder inscritos na ordem biom&eacute;dica e promotores da   conforma&ccedil;&atilde;o/regula&ccedil;&atilde;o de sujeitos e pr&aacute;ticas consideradas indesej&aacute;veis. Segundo   eles, na primeira metade do s&eacute;culo XXI, uma configura&ccedil;&atilde;o complexa de processos   econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos, culturais e tecnol&oacute;gicos contribuem para um progressivo   interesse nos corpos masculinos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se Arilha<sup>4</sup>, anteriormente, alertava-nos para o uso   instrumental dos homens na configura&ccedil;&atilde;o das propostas de a&ccedil;&atilde;o inscritas nos   relat&oacute;rios das Confer&ecirc;ncias das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Carrara et al.<sup>5</sup> nos   advertem para o que eles chamam de "desempoderamento" do sujeito ao qual a   pol&iacute;tica de sa&uacute;de do homem se dirige. Tal "desempoderamento" se baseia na ideia   de uma masculinidade "insalubre" em si, "sendo os homens apresentados como   v&iacute;timas de sua pr&oacute;pria masculinidade, ou seja, das cren&ccedil;as e valores que   constituiriam as 'barreiras socioculturais' que se antep&otilde;em &agrave; medicaliza&ccedil;&atilde;o" e   em movimento contr&aacute;rio ao das pol&iacute;ticas constru&iacute;das para as mulheres e as   minorias. Em outras palavras, o objetivo principal da pol&iacute;tica parece ser o de   "enfraquecer a resist&ecirc;ncia masculina &agrave; medicina de uma forma geral, ou seja,   medicalizar os homens". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Na leitura feminista de g&ecirc;nero,  os homens podem ser sujeitos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma terceira linha que pode ser tra&ccedil;ada neste esbo&ccedil;o de   genealogia &eacute; apresentado em um texto nosso, publicado em 2008, na revista   Estudos Feministas, intitulado "Por uma matriz feminista de g&ecirc;nero para os estudos   sobre homens e masculinidades", tendo como base pressupostos e conceitos que se   situam na interface entre a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de g&ecirc;nero e a milit&acirc;ncia   pol&iacute;tico-acad&ecirc;mica feminista<sup>6</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste texto, assumimos franco di&aacute;logo e filia&ccedil;&atilde;o ao campo de   produ&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas que adotam "g&ecirc;nero" como categoria anal&iacute;tica e se   baseiam em referenciais te&oacute;ricos distintos, mas que t&ecirc;m em comum (e se   autodefinem a partir de) uma perspectiva feminista cr&iacute;tica, ou seja, reconhecem   a constru&ccedil;&atilde;o social que engendra e legitima o poder masculino.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ponto de partida de nossas reflex&otilde;es sobre homens e   masculinidades, baseadas no marco conceitual apresentado naquele artigo, &eacute; que   n&atilde;o existe uma &uacute;nica masculinidade e que tampouco &eacute; poss&iacute;vel falar apenas nas   formas bin&aacute;rias que sup&otilde;em a 'di-vis&atilde;o' entre formas hegem&ocirc;nicas e   subordinadas. Tais formas dicot&ocirc;micas baseiam-se em posi&ccedil;&otilde;es de poder social   dos homens, mas s&atilde;o assumidas de modo complexo por homens particulares, que   tamb&eacute;m desenvolvem rela&ccedil;&otilde;es diversas com outras masculinidades, afinal, como   advoga Joan Scott<sup>7</sup> "&#91;...&#93; os homens e as mulheres reais n&atilde;o cumprem   sempre, nem cumprem literalmente, os termos das prescri&ccedil;&otilde;es de suas sociedades   ou de nossas categorias anal&iacute;ticas". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ressaltamos que reconhecer que a leitura sobre o sistema   sexo/g&ecirc;nero n&atilde;o deve reificar a dicotomia natureza-cultura, mas buscar   compreender os usos e efeitos que pr&aacute;ticas sociais, inclusive as cient&iacute;ficas,   produzem a partir do exerc&iacute;cio constante de oposi&ccedil;&atilde;o ou de busca de similitude   entre os dois sexos. Apostamos, assim, na complexa teia que define as rela&ccedil;&otilde;es   de g&ecirc;nero, que nos aponta mais para a diversidade do que para a diferen&ccedil;a, como   resposta &agrave; dicotomia e &agrave; desigualdade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste sentido, consideramos necess&aacute;rio submeter o conceito de   "g&ecirc;nero" a uma leitura feminista e vice-versa. N&atilde;o se trata, portanto, de uma   compreens&atilde;o simplificada de "sexo como biologia" e "g&ecirc;nero como cultura".   Trata-se, de fato, de uma leitura cr&iacute;tica que aponte a diversidade, a   polissemia e a possibilidade de mudan&ccedil;a. Apostamos, portanto, na necessidade de   abrirmos espa&ccedil;o para novas constru&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que resgatem o car&aacute;ter plural,   poliss&ecirc;mico e cr&iacute;tico das leituras feministas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as vers&otilde;es domesticadas e domestic&aacute;veis de g&ecirc;nero que   apenas fotografam a insuficiente compreens&atilde;o de que tudo &eacute; constru&iacute;do   socialmente, que, de algum modo, regula dissid&ecirc;ncias e diversidades e o feminismo   que questiona, que transforma, preferimos a h&iacute;brida leitura que definimos como   "feminista de g&ecirc;nero" que ao mesmo tempo em que compreende se move, a partir do   horizonte da mudan&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ou seja, defendemos que o projeto feminista de transforma&ccedil;&atilde;o   social que se inscreve na milit&acirc;ncia das mulheres e mais recente de alguns   homens<sup>8 </sup>e na produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica de alguns; que tamb&eacute;m mudan&ccedil;as   culturais, institucionais e relacionais que envolvem "bio-homens" (aqueles/as   que se identificam com o sexo que lhes foi designado ao nascer)<sup>9</sup>,   compreendidos em suas experi&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas e modos de ser particulares,   inscritos em jogos de poder diversos e orientados por diferentes marcadores   sociais, tais como ra&ccedil;a, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, idade entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Consideramos que o artigo de M&aacute;rcia Thereza Couto e Romeu   Gomes, de algum modo, tangencia as tr&ecirc;s linhas aqui tra&ccedil;adas e apresenta uma   importante leitura cr&iacute;tica de g&ecirc;nero ao debate sobre homens, sa&uacute;de e pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas, a partir da qual &eacute; poss&iacute;vel produzir outras inscri&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Arilha M, Unbehaum S, Medrado B, organizadores. <i>Homens e   masculinidades</i>: outras palavras. S&atilde;o Paulo: ECOS Editora 34;   1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641150&pid=S1413-8123201200100000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS). Secretaria de   Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de, Departamento de A&ccedil;&otilde;es Program&aacute;ticas Estrat&eacute;gicas. <i>Pol&iacute;tica     nacional de aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de do homem</i>: princ&iacute;pios e diretrizes.   Bras&iacute;lia: Editora do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641152&pid=S1413-8123201200100000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Medrado B, Lyra J, Valente MBB, Azevedo M, Noca   NJMS. A constru&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica nacional de aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de do   homem. In: Trindade ZA, Menandro MCS, Nascimento CRR, organizadores. <i>Masculinidades     e pr&aacute;ticas de Sa&uacute;de</i>. Vit&oacute;ria: GM Editora; 2011. p. 27-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641154&pid=S1413-8123201200100000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Arilha M. <i>O masculino nas confer&ecirc;ncias e programas das   Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>: para uma cr&iacute;tica do discurso de g&ecirc;nero &#91;tese&#93;.   S&atilde;o Paulo (SP): Universidade de S&atilde;o Paulo; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641156&pid=S1413-8123201200100000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Carrara S, Russo J, Faro L. A pol&iacute;tica de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de do   homem no Brasil: os paradoxos da medicaliza&ccedil;&atilde;o do corpo masculino. <i>Physis</i> 2009;   19(3):659-678.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641158&pid=S1413-8123201200100000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Medrado B, Lyra J. Por uma matriz feminista de g&ecirc;nero para os   estudos sobre homens e masculinidades. <i>Rev Estudos Feministas</i> 2008;   16(3):809-840.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641160&pid=S1413-8123201200100000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Scott JW. G&ecirc;nero: uma categoria &uacute;til para an&aacute;lise   hist&oacute;rica. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Realidade</i> 1995; 20(2):71-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641162&pid=S1413-8123201200100000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Azevedo M. <i>Homens feministas</i>: a   emerg&ecirc;ncia de um sujeito pol&iacute;tico entre fronteiras contingentes &#91;disserta&ccedil;&atilde;o&#93;.   Recife: Universidade Federal de Pernambuco; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641164&pid=S1413-8123201200100000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Precisado B. <i>Testo Yonqui</i>. Madrid:   Editora Espasa Calpe; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1641166&pid=S1413-8123201200100000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body><back>
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