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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autópsias psicológicas sobre suicídio de idosos no Rio de Janeiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyses psychological autopsies and contextualizes problems and issues that led to elderly people taking their own lives in the city of Rio de Janeiro between 2004 and 2007. The study began with an analysis of 26 expert findings of elderly men and women who committed suicide in the central, northern and southern areas of Rio de Janeiro. The sample was contacted by letter and telephone and after that, by a one-on-one conversation. Eight psychological autopsies were conducted, in which identification data and family genograms were collected followed by an interview to profile the life style and the reasons for the self-inflicted violence. The interviewees were family members, friends and acquaintances of the victims. The suicides are associated with depression, serious physical and mental illness, as well as socio-cultural factors related to professional and socio-economic decline. The suicides occurred with and without family support, with and without medical care. The cumulative fragility of personal and social resources within the life cycle reveals that the risk of suicide among the elderly demands permanent care from the public health authorities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEMAS LIVRES</b> FREE THEMES</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Aut&oacute;psias   psicol&oacute;gicas sobre suic&iacute;dio de idosos no Rio de Janeiro</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Psychogical   autopsies into suicide among the elderly  in   Rio de Janeiro </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maria   Cec&iacute;lia de Souza Minayo<sup>I</sup>;  F&aacute;tima   Gon&ccedil;alves Cavalcante<sup>II</sup>;  Raimunda   Matilde do Nascimento Mangas<sup>I</sup>;  Juliana   Rangel Alves de Souza<sup>II</sup></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Centro Latino Americano de   Estudos de Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de Jorge Carelli, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica,   Fiocruz.&nbsp; Av. Brasil 4036/700, Manguinhos. 21040-361&nbsp; Rio de   Janeiro&nbsp; RJ. <a href="mailto:cecilia@claves.fiocruz.br">cecilia@claves.fiocruz.br</a><br />   <sup>II</sup>Laborat&oacute;rio de Pr&aacute;ticas Sociais   Integradas, Mestrado Profissional em Psican&aacute;lise, Sa&uacute;de e Sociedade, Programa de Inicia&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, Universidade Veiga de Almeida</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse   estudo analisa aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas e contextualiza problemas e fatores que levaram   algumas pessoas idosas a acabar com a pr&oacute;pria vida na cidade do Rio de Janeiro,   entre 2004 e 2007. O estudo parte de 26 laudos periciais de homens e mulheres   que cometeram suic&iacute;dios no centro, na zona norte e na zona sul da cidade. As   fam&iacute;lias desses idosos foram contatadas por carta e telefone e depois,   pessoalmente. Foram oito aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas, por meio das quais foram   coletados dados de identifica&ccedil;&atilde;o, genograma da fam&iacute;lia e uma entrevista que   reconstituiu o modo de vida e as raz&otilde;es da viol&ecirc;ncia autoinfligida. Os   entrevistados foram familiares, amigos e conhecidos das v&iacute;timas. Os suic&iacute;dios   est&atilde;o associados a depress&atilde;o, a enfermidades f&iacute;sicas e mentais graves e a   fatores socioculturais como decad&ecirc;ncia profissional e socioecon&ocirc;mica. Esses eventos   ocorreram com e sem apoio familiar, com e sem acompanhamento m&eacute;dico. A   fragiliza&ccedil;&atilde;o cumulativa de recursos pessoais e sociais no ciclo vital revela   que o risco do suic&iacute;dio em idosos exige cuidados permanentes de sa&uacute;de p&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:&nbsp; </b><i>Suic&iacute;dio,   Suic&iacute;dio em idosos, Aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas</i></font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This study analyses psychological autopsies and   contextualizes problems and issues that led to elderly people taking their own   lives in the city of Rio de Janeiro between 2004 and 2007. The study began with   an analysis of 26 expert findings of elderly men and women who committed   suicide in the central, northern and southern areas of Rio de Janeiro. The   sample was contacted by letter and telephone and after that, by a one-on-one   conversation. Eight psychological autopsies were conducted, in which   identification data and family genograms were collected followed by an   interview to profile the life style and the reasons for the self-inflicted   violence. The interviewees were family members, friends and acquaintances of   the victims. The suicides are associated with depression, serious physical and   mental illness, as well as socio-cultural factors related to professional and   socio-economic decline. The suicides occurred with and without family support,   with and without medical care. The cumulative fragility of personal and social   resources within the life cycle reveals that the risk of suicide among the   elderly demands permanent care from the public health authorities.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key words:&nbsp; </b><i>Suicide, Suicide among the elderly, Psychological   autopsies</i></font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apresentam-se   os resultados de uma pesquisa baseada em aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas relativas a   suic&iacute;dios cometidos por pessoas de 60 a 80 anos ou mais, entre os anos de 2004   e 2007 na cidade do Rio de Janeiro. Este estudo teve o apoio da Funda&ccedil;&atilde;o de   Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Embora focalize uma   realidade local, ele tem import&acirc;ncia acad&ecirc;mica e social, pois muito pouco se   encontra sobre o tema suic&iacute;dio em idosos na literatura nacional.   Contextualizam-se, tamb&eacute;m, os conhecimentos gerados no trabalho de campo com as   refer&ecirc;ncias internacionais encontradas na &uacute;ltima d&eacute;cada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aut&oacute;psia psicol&oacute;gica<sup>1-4</sup> &eacute; uma abordagem   retrospectiva que permite esclarecer as situa&ccedil;&otilde;es em que ocorreu a morte, a   partir de fatos relevantes na vida do suicida e de seu contexto socio&shy;cultural   e relacional e das poss&iacute;veis causas de seu ato. As aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas, tais   como propostas por Shneidman<sup>1,2</sup>, baseiam-se nas teorias da   suicidologia que analisam os diferentes graus de perturba&ccedil;&atilde;o que levam uma   pessoa a dar cabo &agrave; pr&oacute;pria vida<sup>5,6</sup>. Para Shneidman<sup>6</sup>, e   Baechler<sup>7</sup>, o suic&iacute;dio &eacute; um ato consciente de autoaniquilamento,   compreendido como um mal-estar multidimensional sofrido por um indiv&iacute;duo   vulner&aacute;vel, que define um tema-problema para o qual o autoexterm&iacute;nio &eacute;   percebido como melhor solu&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Relacionado &agrave; intera&ccedil;&atilde;o de fatores, pode-se dizer que o   suic&iacute;do constitui uma esp&eacute;cie de: (a) <i>escape de intenso sofrimento </i>quando se   associam necessidades frustradas com n&iacute;vel de estresse insuport&aacute;vel, (b) <i>estreitamento     de op&ccedil;&otilde;es</i> associado a sentimentos de desesperan&ccedil;a, desamparo e desejo   irresist&iacute;vel de fuga por parte do sujeito<sup>6,7</sup>. Entre os fatores de   risco mais conhecidos est&atilde;o: rompimentos emocionais, perdas reais ou imagin&aacute;rias,   transtornos depressivos, enfermidades graves, problemas mentais, falta de   perspectiva de futuro, desemprego, aposentadorias sem alternativa de aproveitar   a vida, queda no padr&atilde;o vida e estresse cumulativo<sup>8,9</sup>. Os sinais   para risco do suic&iacute;dio podem ser identificados atrav&eacute;s de pistas verbais,   comportamentais, contextuais e situacionais<sup>8-10</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de<sup>9</sup> 840 mil   pessoas se suicidaram no ano de 2004. As taxas de suic&iacute;dio variam entre pa&iacute;ses   e a maior parte dos estudos revela que existem diferen&ccedil;as por faixa et&aacute;ria,   sexo, ra&ccedil;a e etnia<sup>11-13</sup>. No Brasil, as taxas realtivas a esse   fen&ocirc;meno s&atilde;o consideradas baixas<sup>8,9</sup> e oscilaram entre 4,5/100.000 em   2000 e 5,7/100.000 em 2007. Na popula&ccedil;&atilde;o idosa, elas variam entre 6,8/100.000   em 2000 e 8,0/100.000 em 2007, revelando aumento significativo entre idosos do   sexo masculino<sup>13</sup>. Um estudo realizado em 2007 em 62 pa&iacute;ses mostra   que as taxas de suic&iacute;dio aumentam com a idade, para homens e mulheres<sup>14</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tens&atilde;o entre causas sociais, microssociais, psicol&oacute;gicas,   m&eacute;dicas e ambientais<sup>13-20</sup> na caracteriza&ccedil;&atilde;o dos suic&iacute;dios acompanha   toda a an&aacute;lise que ser&aacute; aqui apresentada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Material e   M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo   partiu de laudos periciais que permitiram a identifica&ccedil;&atilde;o de endere&ccedil;os e   contatos telef&ocirc;nicos de parentes e amigos das v&iacute;timas, alguns dos quais, uma   vez contatados, concederam entrevistas para as aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas cujo   roteiro ser&aacute; comentado a seguir. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acesso aos laudos periciais -</i> Inicialmente foi realizado um levantamento de casos ocorridos no munic&iacute;pio do   Rio de Janeiro entre 2004 e 2007, registrados pelo Instituto de Criminal&iacute;stica   Carlos Eb&oacute;li (ICCE-RJ)<sup>21</sup>. O ICCE desenvolve per&iacute;cias locais sobre   homic&iacute;dio, suic&iacute;dio, acidentes de tr&acirc;nsito e arrombamentos, entre outras   atividades. As informa&ccedil;&otilde;es referiram-se ao sexo, idade, formas de perpetra&ccedil;&atilde;o   do suic&iacute;dio, local de ocorr&ecirc;ncia e nomes de informantes inclu&iacute;dos nos laudos   (parentes e pessoas pr&oacute;ximas) de suicidas idosos que viviam no centro, na zona norte   e na zona sul, &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia do ICCE. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No per&iacute;odo, a per&iacute;cia t&eacute;cnica registrou 117 suic&iacute;dios para   todas as idades em sua &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia. No entanto apenas 60 laudos foram   localizados. A dificuldade desse primeiro levantamento se deveu, sobretudo, ao   fato dos arquivos ainda n&atilde;o serem digitalizados, exigindo-se busca manual dos   documentos. Dos 60 laudos encontrados, 26 eram de pessoas acima de 60 anos (10   mulheres e 16 homens). Desse total, dezessete mortes ocorreram por precipita&ccedil;&atilde;o   volunt&aacute;ria e queda de altura (oito homens e nove mulheres); duas por   enforcamentos (homem e mulher); cinco por arma de fogo (quatro homens e uma   mulher), uma por envenenamento (homem), e uma cuja forma de perpetra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi   esclarecida. Do total, duas mortes n&atilde;o foram inclu&iacute;das pelos peritos como   suic&iacute;dio, pela d&uacute;vida quanto &agrave; causa prim&aacute;ria<sup>21</sup>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Geograficamente, quinze suic&iacute;dios ocorreram na Zona Sul,   conhecida por seus bairros de classe m&eacute;dia, praias e popula&ccedil;&atilde;o com elevado   poder aquisitivo. Nove aconteceram no Centro e duas na Zona Norte, em &aacute;reas com   estratos populacionais de m&eacute;dio e baixo poder aquisitivo. Das 26 pessoas, 23,1%   tinham de 60 anos; 15,4% de 61 a 65 anos; 19,2% de 65 a 70 anos; 19,2% de 71 a   75 anos; 11,5% de 76 a 80 anos; 7,7% de 81 a 85; e 3,8% acima de 85 anos<sup>21</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seis das entrevistas foram realizadas na Zona Sul e duas na   Zona Norte. Embora tenha sido um grupo pequeno, a pesquisa permitiu ouvir   hist&oacute;rias de suicidas (homens e mulheres) de classe m&eacute;dia, de classe m&eacute;dia alta,   de baixa renda e de diferentes estratos de idade entre os idosos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Dados para as entrevistas- </i>Alguns   laudos traziam nomes de parentes, amigos ou de s&iacute;ndicos que acompanharam o   trabalho dos peritos e a libera&ccedil;&atilde;o dos corpos. Essa informa&ccedil;&atilde;o foi crucial para   se localizar os poss&iacute;veis interlocutores por endere&ccedil;os e posteriormente, por   telefone. Concomitantemente, a equipe elaborou duas cartas solicitando aos   poss&iacute;veis entrevistados que participassem da pesquisa. Nelas tamb&eacute;m se   orientava sobre a import&acirc;ncia do estudo. Ambas tinham semelhante teor: uma era   endere&ccedil;ada aos s&iacute;ndicos dos edif&iacute;cios em que os suic&iacute;dios ocorreram e a outra,   aos parentes. Foram enviadas 48 cartas para 24 endere&ccedil;os. Obteve-se retorno de   apenas quatro. O procedimento mais exitoso foi o contato telef&ocirc;nico. Para 12   casos n&atilde;o se conseguiu localizar parentes ou conhecidos. Houve tr&ecirc;s recusas:   num caso, parentes ou pessoas pr&oacute;ximas se sentiram indignadas por algu&eacute;m se   atrever a perguntar sobre o assunto; noutro, o interlocutor disse simplesmente   que n&atilde;o gostaria de falar desse tema; e outro ainda, considerou o assunto   encerrado para a fam&iacute;lia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma caracter&iacute;stica do suic&iacute;dio enquanto fen&ocirc;meno social se   tornou evidente: trata-se de um tema tabu que mobiliza uma ferida emocional   grande sobre a qual poucos aceitaram falar. Esses tinham as seguintes rela&ccedil;&otilde;es   com os que morreram: tr&ecirc;s filhas, um filho, uma irm&atilde;, um amigo, duas s&iacute;ndicas e   um neto, a maioria na faixa de 40 a 55 anos. O amigo e as s&iacute;ndicas conheciam as   v&iacute;timas h&aacute; muitos anos. Os demais eram parentes de primeira ou segunda gera&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os aceites para participa&ccedil;&atilde;o ocorreram por raz&otilde;es diferentes.   Alguns entenderam a entrevista como oportunidade de troca e partilha sobre um   assunto <i>dif&iacute;cil de falar, de pensar e de esquecer. </i>Outros a   viram como um raro momento para <i>al&iacute;vio do sentimento de culpa</i>. Para um   dos interlocutores, <i>as pessoas sentem medo de falar ou pensar sobre     isso porque elas tendem a se perguntar se teriam podido fazer algo mais para     evitar o ocorrido. </i>Outros participaram por preocupa&ccedil;&atilde;o com a solid&atilde;o   e o isolamento em que muitos idosos vivem. Alguns se mostraram muito   fragilizados e tiveram apoio pontual das entrevistadoras que eram duas   psic&oacute;logas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante lembrar que embora houvesse um desejo das   pesquisadoras de constituir uma amosta qualitativa significativa, as aut&oacute;psias   psicol&oacute;gicas foram realizadas com quem se disp&ocirc;s a colaborar. Aqui como em   qualquer pa&iacute;s do mundo, a dificuldade de chegar a familiares de suicidas &eacute;   muito grande<sup>6</sup>. Al&eacute;m disso, trabalha-se com relatos que   reconstituem uma mem&oacute;ria afetiva e social muito pr&oacute;xima para quem testemunhou o   ocorrido. Nesse sentido, investiga-se com o que Evans-Pritchard<sup>22</sup> chamou de tempo estrutural em que n&atilde;o se pode esperar precis&atilde;o de datas e   exatid&atilde;o de detalhes, pois o que manda s&atilde;o os processos emocionais e a mem&oacute;ria   de fatos relevantes para o sujeito. &Eacute; impressionante como acontecimentos que   geram profunda dor e sofrimento imprimem em familiares e amigos mem&oacute;rias t&atilde;o   dif&iacute;ceis de esquecer. Nesse sentido, foram tomados os cuidados apontados pela   literatura<sup>3</sup>, que recomenda o estudo de casos entre dois e cinco anos   de falecimento, per&iacute;odo que j&aacute; se prev&ecirc;em diferentes graus de elabora&ccedil;&atilde;o do   ocorrido, situar com menor carga emocional a circusnt&acirc;ncia da morte e avaliar o   impacto da mesma nos familiares e pessoas pr&oacute;ximas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Procedimentos &#150; </i>As entrevistas tiveram at&eacute;   duas horas de dura&ccedil;&atilde;o. Todos os participantes assinaram o Termo de   Consentimento e autorizaram a grava&ccedil;&atilde;o da conversa. Os encontros foram   realizados no Centro de Sa&uacute;de de uma univer&shy;sidade ou no local de trabalho dos   entrevistados. Todos os espa&ccedil;os para a entrevista foram acolhedores e   silenciosos, exceto num caso, em que o entrevistado optou por conversar em um   restaurante tamb&eacute;m bastante discreto e adequado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A entrevista foi feita em tr&ecirc;s momentos: (1) preenchimento de   uma ficha de identifica&ccedil;&atilde;o pessoal da pessoa que cometeu suic&iacute;dio; (2)   elabora&ccedil;&atilde;o de um genograma da fam&iacute;lia visando: compreender o lugar afetivo do   suicida e o perfil socioecon&ocirc;mico dos familiares de tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es; conhecer a   rede de rela&ccedil;&otilde;es, de alian&ccedil;as e de conflitos familiares; e apontar os   acontecimentos cr&iacute;ticos do ciclo vital da fam&iacute;lia; (3) realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista   propriamente dita<sup>3 </sup>com uma abordagem sociocultural e familiar da   pessoa que cometeu o suic&iacute;dio, uma caracteriza&ccedil;&atilde;o social (escolaridade,   experi&ecirc;ncia profissional, rendimento, moradia), e o modo de vida, situando problemas   familiares ou socioecon&ocirc;micos e contatos significativos. Nesse momento se   avaliou de forma aprofundada, o contexto do ato suicida, os fatores que o   desencadearam, os apoios sociais que a pessoa possu&iacute;a e o meio empregado.   Dentro do poss&iacute;vel, analisou-se com o interlocutor o estado mental que   antecedeu a morte, a imagem do suicida na fam&iacute;lia, o momento do sepultamento, o   impacto do autoexterm&iacute;nio na rede familiar e os problemas que a fam&iacute;lia   enfrenta atualmente, por causa do evento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O processo de an&aacute;lise foi respaldado em revis&otilde;es   bibliogr&aacute;ficas e estudos sobre idosos<sup>16,20,23,24</sup>. Os casos foram   contextualizados, descreveram-se o perfil dos suicidas e os motivos atribu&iacute;dos   pelos interlocutores para os atos fatais praticados. A seguir foi realizada uma   an&aacute;lise em que se combinaram categorias teoricamente respaldadas com categorias   emp&iacute;ricas trazidas pelo interlocutor. E por fim, foram discutidos os fatores de   risco associados ao suic&iacute;dio em idosos e realizada uma breve reflex&atilde;o sobre o   impacto desse fato na fam&iacute;lia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica da   Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o   IBGE<sup>25</sup>, o Rio de Janeiro &eacute; a metr&oacute;pole brasileira com a maior   concentra&ccedil;&atilde;o de idosos no Brasil e o bairro de Copacabana &eacute; aquele que   concentra o maior n&uacute;mero absoluto, sendo que quase 1/3 de sua popula&ccedil;&atilde;o tem   mais de 60 anos. Por essa raz&atilde;o, embora esta pesquisa se restrinja a tr&ecirc;s   regi&otilde;es geogr&aacute;ficas da cidade do Rio de Janeiro, ela analisa uma &aacute;rea de   elevado adensamento de idosos no estado e no pa&iacute;s. A partir do levantamento dos   dados do Instituto Carlos &Eacute;boli foi poss&iacute;vel observar dois pontos relevantes:   maior preval&ecirc;ncia de suic&iacute;dios de pessoas de classe m&eacute;dia; e o principal meio   empregado pela maioria dos suicidas: precipita&ccedil;&atilde;o por queda livre (65,4%) do   alto dos edif&iacute;cios. Essa constata&ccedil;&atilde;o contraria a tend&ecirc;ncia nacional<sup>13,14</sup> e do pr&oacute;prio Estado do Rio de Janeiro quanto &agrave; forma de cometimento de   suic&iacute;dio, cuja via mais comum &eacute; o enforcamento. No caso desse Estado, entre   2004 e 2007 o meio mais utilizado foi o enforcamento (110 dos 239 casos   registrados) por pessoas de todas as idades; vindo a seguir os autoexterm&iacute;nios   por arma de fogo (49 casos); por queda de altura (44); por meios n&atilde;o   esclarecidos (26); e por envenenamentos com produtos qu&iacute;micos (10)<sup>24</sup>.   Para o Brasil, os meios principais usados pelos que cometem suic&iacute;dio s&atilde;o os   enforcamento, armas de fogo e envenenamento<sup>13,24</sup>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Contextualiza&ccedil;&atilde;o dos casos &#150; </i>Embora o   suc&iacute;dio entre homens idosos seja de maior preval&ecirc;ncia do que entre mulheres   idosas no Brasil e na maioria dos pa&iacute;ses, no trabalho de campo teve-se acesso a   mais familiares de mulheres suicidas do que de homens, uma vez que trata-se de   um estudo feito por ades&atilde;o volunt&aacute;ria de entrevistados. Al&eacute;m de se agrupar os   casos por sexo e faixa et&aacute;ria, a an&aacute;lise a seguir aponta entre os fatores causais,   aspectos subjetivos, intra ou interpessoais, transpessoais, socioculturais e socioecon&ocirc;micos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Perfil dos casos &#150; </i>Foram   analisados oito suic&iacute;dios consumados. Foram dois suic&iacute;dios por enforcamento: de   um homem e uma mulher; cinco por queda de altura, todos cometidos por mulheres   que moravam no sexto, s&eacute;timo, oitavo e d&eacute;cimo primeiro andar de seus edif&iacute;cios;   e um de um homem por envenenamento. Cinco das mortes ocorreram ao amanhecer e   tr&ecirc;s ao entardecer, muitas ap&oacute;s uma noite de sono conturbada e tr&ecirc;s ap&oacute;s um   &uacute;ltimo contato com o cuidador ou um parente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; uma representa&ccedil;&atilde;o de dois suicidas masculinos na faixa de   60 anos; de duas mulheres de 63 e 64, de duas de 71 e 72 e de duas com 80 anos.   Os eventos analisados ocorreram entre os anos 2004 e 2007. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Motivos atribu&iacute;dos - </i>Nos dois   casos de suic&iacute;dio cometidos por homens, o primeiro foi relatado por um amigo de   inf&acirc;ncia, t&atilde;o pr&oacute;ximo do que morreu por envenenamento que pareceu estar   recompondo a perspectiva da pr&oacute;pria v&iacute;tima. Tratava-se de, um profissional   liberal na faixa de 60 anos, que viveu uma decad&ecirc;ncia pessoal e econ&ocirc;mica   aliada a progressivo rompimento familiar. Isso o deixou numa <i>solid&atilde;o     que o corroeu</i> tanto quanto o veneno que lhe tirou a vida,   conforme o amigo. O segundo &eacute; de um imigrante de l&iacute;ngua castelhana, cuja   hist&oacute;ria foi narrada pela filha. Esse homem se enraizara no pa&iacute;s, constituindo   fam&iacute;lia e carreira profissional. Mas perdeu quase todos os bens materiais e   vivia descontente, passando de dono a empregado, numa vida de "subemprego" que   ruiu sonhos e afetou sua vis&atilde;o de masculinidade como provedor da casa. Segundo   a filha ele repetia: <i>um homem que n&atilde;o &eacute; mais homem n&atilde;o precisa mais     viver</i>. <i>Ele       mesmo sentenciou sua morte </i>por enforcamento. Ambos os casos apresentam   homens infelizes com o destino social e econ&ocirc;mico<sup>18</sup> e, em fun&ccedil;&atilde;o   disso, desenvolveram um quadro depressivo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os seis casos de suic&iacute;dio de mulheres se caracterizam por   ocorrer nos anos iniciais de cada faixa et&aacute;ria. Os dois primeiros na faixa dos   sessenta anos. Esses retratam a experi&ecirc;ncia de pessoas que haviam sido bem   sucedidas em suas respectivas profiss&otilde;es, a primeira como educadora e a   segunda, como profissional de sa&uacute;de. A hist&oacute;ria da educadora foi relatada pela   filha que a acompanhara com cuidado e zelo. Essa mulher que viveu dois   casamentos e foi provedora da fam&iacute;lia por muitos anos, valorizando o trabalho e   a estabilidade, foi afetada duramente por uma aposentadoria mal planejada. Seu   mal estar culminou com o jogar-se do sexto andar do edif&iacute;cio em que morava. O   caso da profissional de sa&uacute;de foi contado por uma irm&atilde; mais nova, ambas com   tra&ccedil;os de transtorno bipolar, morbidade que afetou outros integrantes da   fam&iacute;lia na primeira e segunda gera&ccedil;&atilde;o. Gra&ccedil;as a recursos m&eacute;dicos e   psicoter&aacute;picos, essa profissional conseguiu manter-se compensada na maior parte   de sua vida, o que lhe assegurou a carreira e a profiss&atilde;o numa institui&ccedil;&atilde;o   p&uacute;blica, at&eacute; que um c&acirc;ncer grave e terminal lhe trouxe uma desorganiza&ccedil;&atilde;o   psiqui&aacute;trica e exigiu interna&ccedil;&atilde;o. De retorno a casa, cometeu o ato fatal:   jogou-se do 11º andar de seu edif&iacute;cio. Esses dois casos ocorreram em hor&aacute;rios   em que os cuidadores dormiam: o primeiro ao amanhecer e o segundo, &agrave; noite.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na faixa inicial dos setenta anos, h&aacute; os casos de duas   mulheres duramente marcadas por situa&ccedil;&otilde;es de perda de parentes pr&oacute;ximos. A   primeira hist&oacute;ria foi contada por um filho &uacute;nico, altamente impactado pelo   epis&oacute;dio. Ap&oacute;s mais de cinquenta anos de vida conjugal, o marido passou por uma   interna&ccedil;&atilde;o hospitalar de seis meses e veio a falecer. Sua m&atilde;e, frente a tais   circunst&acirc;ncias se deprimiu de forma grave que n&atilde;o conseguiu superar o   sofrimento pela hospitaliza&ccedil;&atilde;o e morte do companheiro de toda a vida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo caso foi narrado pela s&iacute;ndica do pr&eacute;dio, na   aus&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncia familiar, uma vez que a m&atilde;e e a irm&atilde; que moravam com a   idosa tinham falecido havia menos de dois anos, deixando-a sozinha. Essa mulher   sofria de transtorno mental, fumava compulsivamente e era viciada em jogo de   bingo, comorbidade que traz uma combina&ccedil;&atilde;o bomb&aacute;stica entre sintomas   psiqui&aacute;tricos e tra&ccedil;os compulsivos<sup>19</sup>. Ela era   muito agressiva e tinha dificuldade de relacionamento com as duas parentas   quando eram vivas. Por ocasi&atilde;o do suic&iacute;dio, seu estado de higiene era prec&aacute;rio   e se encontrava em surto psic&oacute;tico agudo, com alucina&ccedil;&otilde;es sinest&eacute;sicas. Apesar   de possuir muitos recursos financeiros, essa idosa n&atilde;o se deixava ajudar, a ponto   de se aparentar como mendiga pela precariedade dos cuidados dispensados a si e   ao ambiente em que morava. Essas duas mulheres, ao amanhecer   se jogaram, respectivamente, do oitavo e do d&eacute;cimo primeiro andar de seus   apartamentos. Enquanto a primeira n&atilde;o exibia sinais de depress&atilde;o, a segunda   parecia estar no fundo do po&ccedil;o. Nesses dois casos, n&atilde;o havia presen&ccedil;a de   cuidadores nas resid&ecirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na faixa inicial dos oitenta anos, relatam-se os casos de   duas mulheres que haviam dedicado suas vidas &agrave; profiss&atilde;o e &agrave; fam&iacute;lia. Uma das   mortes foi marcada pela presen&ccedil;a de depress&atilde;o grave e cr&ocirc;nica e a segunda, pela   aus&ecirc;ncia de qualquer tipo de transtorno f&iacute;sico ou mental. A hist&oacute;ria da   primeira foi contada pela filha que acompanhou o tratamento da m&atilde;e,   oferecendo-lhe todos os recursos e terap&ecirc;uticas dispon&iacute;veis. Sua genitora havia   sido educadora e escritora, autora de dezenas de livros e ficara vi&uacute;va h&aacute; mais   de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Seus filhos estavam formados. Mas ela sentiu dificuldades de   aceitar o envelhecimento e as perdas dos entes queridos. Sua depress&atilde;o se   agravou ap&oacute;s a morte repentina do irm&atilde;o ca&ccedil;ula. Ela havia atravessado uma   d&eacute;cada de tentativas de tratamentos nem sempre exitosos, por causa dos efeitos   paradoxais dos medicamentos. O desfecho culminou com o m&eacute;dico desistindo de   atend&ecirc;-la por sua falta de ades&atilde;o &agrave;s prescri&ccedil;&otilde;es. A fam&iacute;lia ainda tentou outro   profissional que lhe ofereceu uma prescri&ccedil;&atilde;o medicamentosa, avisando &agrave; fam&iacute;lia   que seu uso inclu&iacute;a risco de suic&iacute;dio. Mesmo com todos os cuidados com que os   familiares a cercaram, essa idosa se jogou do s&eacute;timo andar, ao amanhecer,   enquanto sua acompanhante dormia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo caso foi contado pelo neto que acompanhou as   circunst&acirc;ncias de vida e de morte da av&oacute;. Essa senhora tinha tr&ecirc;s filhas,   quatro netos e tr&ecirc;s bisnetos, e era dedicada ao lar e &agrave; fam&iacute;lia: pessoa ativa,   sem transtorno f&iacute;sico ou ps&iacute;quico. Vivia envolvida com problemas de sa&uacute;de de   familiares e de gerenciamento financeiro da fam&iacute;lia extensa que invadia seu   espa&ccedil;o pessoal e usava seu dinheiro sob pretexto de ajud&aacute;-la. Duas semanas ap&oacute;s   uma discuss&atilde;o em fam&iacute;lia e o desaparecimento de um dos seus cart&otilde;es banc&aacute;rios,   essa idosa enforcou-se ao entardecer. Apenas atrav&eacute;s de sua morte, ela   conseguiu impor limites e produzir um processo de diferencia&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es   familiares marcadas pela depend&ecirc;ncia, concluiu o neto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Fatores de   risco e associados ao ato suicida &#150; </i>Nos casos dos dois homens j&aacute;   relatados, embora tenha havido um tom depressivo em ambas as hist&oacute;rias, a perda   de sentido da vida associada a fatores sociais parece ter sido determinante   para a decad&ecirc;ncia pessoal, social e econ&ocirc;mica que fragilizou a vida de ambos,   nos termos a que se refere Durkheim<sup>18</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o profissional liberal, o ponto de partida da decad&ecirc;ncia   social e econ&ocirc;mica foi o Plano Collor, que confiscou a poupan&ccedil;a com que tentava   garantir a vida familiar e seu futuro. Desde ent&atilde;o sua carreira regrediu, os   la&ccedil;os familiares se fragilizaram e se romperam. Ao longo de anos, ele   desenvolveu a s&iacute;ndrome de depend&ecirc;ncia do &aacute;lcool. No &uacute;ltimo m&ecirc;s de vida, numa   mesa de bar, verbalizou um pedido de ajuda: <i>n&atilde;o me deixe sozinho</i>. O curto   bilhete deixado foi eloquente: <i>O infarto &eacute; iminente e a solid&atilde;o     corr&oacute;i. </i>J&aacute; o imigrante europeu n&atilde;o se conformava de passar de   empregador a empregado e de se submeter a outros. Segundo a filha, ao final,   perdera a alegria de viver: terminou seus dias trabalhando como porteiro do   pr&eacute;dio em que morava, o que considerava uma humilha&ccedil;&atilde;o. Esse senhor tamb&eacute;m   deixou uma mensagem: <i>Qualquer dia eu vou me matar; qualquer dia eu apare&ccedil;o     morto. O que eu estou fazendo aqui? </i>Falharam-lhe os sonhos de   ascens&atilde;o social na terra que escolheu para recome&ccedil;ar a vida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das mulheres, duas acumulavam hist&oacute;rias de supera&ccedil;&atilde;o de   graves problemas durante a vida, por isso, deixaram perplexas suas fam&iacute;lias.   Uma era educadora e j&aacute; havia passado por epis&oacute;dios depressivos, tendo elaborado   perdas pela morte de familiares e enfrentado o drama da recupera&ccedil;&atilde;o de uma   filha ap&oacute;s um grave acidente de tr&acirc;nsito. Havia vivido dois casamentos mantendo   a fam&iacute;lia unida e uma carreira profissional ativa. Mas emocionalmente n&atilde;o   aceitou a aposentadoria. Comentou com sua filha: <i>A sensa&ccedil;&atilde;o     dela &eacute; que a gente estava na fal&ecirc;ncia, que o dinheiro estava acabando. </i>Nos   &uacute;ltimos momentos eclodiu-lhe um grave quadro depressivo como mostra o di&aacute;logo   m&atilde;e-filha: -<i>Ah eu queria sumir</i>. <i>Sumir da     vida das pessoas, sumir, sumir</i>. A filha tentava dissuadi-la,   mas ela insistia: <i>Eu quero morrer! &Eacute; muito sofrimento!</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mulher que trabalhou na &aacute;rea de sa&uacute;de e atravessara sua   vida superando um transtorno mental bipolar que mantinha sob controle gra&ccedil;as a   cuidados terap&ecirc;uticos, um c&acirc;ncer lhe tomou os dois seios e se enraizou em seu   corpo desmoronando sua delicada estrutura psicol&oacute;gica. Nessas duas hist&oacute;rias, a   depress&atilde;o aparece associada ao suic&iacute;dio: para a educadora, a depress&atilde;o grave   foi desencadeada por uma aposentadoria mal planejada e pelo efeito cumulativo   de fatores estressores ao longo da vida. Para a profissional de sa&uacute;de, a   depress&atilde;o se associou ao c&acirc;ncer terminal, &agrave; eclos&atilde;o de crises e &agrave; humilha&ccedil;&atilde;o de   interna&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas. Como diz Shneidman<sup>6</sup>, a queda de altura   foi uma solu&ccedil;&atilde;o encontrada para um mal estar multidimensional. Simbolicamente,   uma morreu quando perdeu a identidade como professora e a outra quando, de   profissional de sa&uacute;de passou a paciente grave. Os dois casos revelam o quanto   fatores subjetivos, m&eacute;dicos e sociais est&atilde;o imbricados, marcando o lugar do   indiv&iacute;duo na comunidade e na cultura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Das duas mulheres na casa dos 70 anos, ambas foram duramente   golpeadas com as mortes de parentes pr&oacute;ximos e a perda das principais   refer&ecirc;ncias familiares. A vi&uacute;va viveu a morte de um marido trabalhador e dedicado   &agrave; fam&iacute;lia. Segundo o filho, o pai era muito carinhoso e acompanhava a m&atilde;e em   tudo: <i>Eles     eram muito grudados!</i> Sem sinais vis&iacute;veis de quadro depressivo, poucos   meses depois da morte do companheiro, ela se atirou do apartamento onde morava.   J&aacute; a mulher com transtorno mental teve seu quadro agravado ap&oacute;s perder m&atilde;e e   irm&atilde;, tamb&eacute;m idosas: Segundo a s&iacute;ndica: <i>ela desconfiava de tudo e de todos     e tinha muitas manias.</i> Quando se atirou do apartamento em que morava,   apresentava forte desorganiza&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica. As perdas mal elaboradas acirraram   sua fragiliza&ccedil;&atilde;o agravando um transtorno psiqui&aacute;trico severo. Nesses dois   casos, o fator desencadeante foi a depress&atilde;o associada a fatores microssociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, comentam-se os casos das duas mulheres que deram   cabo a sua vida ap&oacute;s os 80 anos. Em suas hist&oacute;rias existe em comum a faixa   et&aacute;ria de maior risco para suic&iacute;dio, que segundo estudos internacionais e nacionais   est&aacute; acima dos 75 anos<sup>6,8-12,20.</sup>. Para a escritora que tivera uma   carreira brilhante, o envelhecer foi se tornando dif&iacute;cil, na medida em que suas   habilidades se esvaiam: <i>J&aacute; n&atilde;o estou mais escrevendo, j&aacute; n&atilde;o tenho     mais ideias, minha cabe&ccedil;a j&aacute; n&atilde;o est&aacute; muito boa.</i> Essa   perda de identidade associada a uma grande tristeza pelas mortes de entes   queridos lhe fez eclodir um quadro depressivo que foi se tornando cr&ocirc;nico e de   dif&iacute;cil tratamento ao longo de uma d&eacute;cada. Comentou a filha: <i>Nos anos     seguintes ela n&atilde;o conseguia sair daquela tristeza dizendo sempre 'eu n&atilde;o     aguento mais'</i>. <i>Ela reclamava muito que n&atilde;o       estava se reconhecendo, que n&atilde;o queria viver, e que preferia morrer</i>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; a outra octogen&aacute;ria fora sempre dona de casa e dedicada &agrave;   fam&iacute;lia. Depois que envelheceu e se enviuvou, a administra&ccedil;&atilde;o financeira de   seus bens era feita de forma abusiva por parentes &#150; e isso parece ter sido um   dos fatores desencadeantes para seu suic&iacute;dio &#150; situa&ccedil;&atilde;o associada a uma demanda   excessiva de suas energias para solucionar problemas familiares. Ela que sempre   ordenara os assuntos dom&eacute;sticos, aos poucos via tudo fugindo a seu controle e a   sua possibilidade de solucionar os problemas. Segundo o neto, sua av&oacute; dizia: <i>Quando eu     morrer, eu n&atilde;o vou dar traba&shy;lho a ningu&eacute;m, a pessoa j&aacute; vai me encontrar morta</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escritora atirou-se do apartamento em que morava, &agrave; revelia   de uma cuidadora. E a dona de casa enforcou-se na pr&oacute;pria casa, para a   perplexidade das filhas, netos e genros. No primeiro caso a depress&atilde;o profunda   foi um fator crucial associado &agrave; tristeza pelo envelhecer e pela perda de   habilidades. No segundo, a carga que significavam os problemas familiares e   financeiros que os filhos, genros e netos n&atilde;o souberam retirar das costas de   uma pessoa com mais de 80 anos foram determinantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Impacto do suic&iacute;dio nas fam&iacute;lias &#150; </i>Em geral,   a literatura sobre o suic&iacute;dio aponta o forte impacto do suic&iacute;dio no ambiente   familiar<sup>4-6,9,10</sup>. Em todos os casos estudados isso ocorreu. O   suic&iacute;dio do pai de fam&iacute;lia que n&atilde;o se conformou com a perda dos bens e do   status deixou um vazio e uma interroga&ccedil;&atilde;o em sua filha. Ela comenta: <i>Ele tinha     uma fam&iacute;lia bonita, que j&aacute; estava se multiplicando, n&atilde;o tinha problema     financeiro, n&atilde;o tinha v&iacute;cio, n&atilde;o bebia e nem fumava, era uma pessoa super     correta. Como ele teve coragem para fazer o que fez?</i> A   fam&iacute;lia sentiu revolta e tomou-se de uma tristeza muito grande, o que continua   a influenciar a vida da filha, anos depois: <i>Eu sofri muito, &eacute; dif&iacute;cil     p&ocirc;r em palavras. Eu fui me conformando porque n&atilde;o tinha outra solu&ccedil;&atilde;o. O tempo     traz um conforto, uma aceita&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; total. Eu fiquei meio fria e meio     arredia, a ponto do meu marido at&eacute; hoje perceber</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os efeitos do ato suicida tamb&eacute;m afetam a vida de amigos: <i>Eu podia   esperar tudo dele, tudo. At&eacute; que ele, desesperado, praticasse um ato il&iacute;cito.   Mas n&atilde;o essa atitude de se matar. Eu nunca acreditei nessa possibilidade, pela   personalidade dele, pelo humor dele, pela religi&atilde;o que ele professava e seguia</i>. O   amigo, quase irm&atilde;o, percebeu em si tra&ccedil;os profundos de amargura, a partir desse   evento: <i>as pessoas, &agrave;s vezes olham para mim e acham que eu sou frio.     N&atilde;o, n&atilde;o sou. &Eacute; que estou diante de um fato sem solu&ccedil;&atilde;o. Tenho vontade de     passar uma borracha e apagar tanta dor.</i> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma filha contou com grande tristeza que alguns amigos nunca   mais falaram com ela ap&oacute;s a morte da m&atilde;e. E que, tamb&eacute;m, t&ecirc;m sido necess&aacute;rios   muitos anos para a fam&iacute;lia digerir essa hist&oacute;ria que tende a causar muita   briga, <i>s&atilde;o uns culpan&shy;do os outros pelo acontecido</i>. Mas   segundo essa mulher, o tempo vai trazendo outros discernimen&shy;tos sobre o que   ocorreu e maior clareza de que <i>as pessoas, por vezes, decidem     pelo fim de suas vidas, independentemente dos cuidados que recebem</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda outra filha partilha sua vis&atilde;o acerca do suic&iacute;dio da   m&atilde;e: <i>a     forma como aconteceu foi muito contradit&oacute;ria para mim. Destr&oacute;i e me destr&oacute;i.     Ela n&atilde;o merecia ter esse final. N&atilde;o tem a ver com a hist&oacute;ria dela, n&atilde;o tem a     ver com a vida dela. </i>Apenas dois anos se passaram e ela comenta que se   sente despeda&ccedil;ada emocionalmente, mas em fase de reconstru&ccedil;&atilde;o: <i>O impacto     em mim &eacute; estarrecedor: voc&ecirc; acorda e tem aquela sensa&ccedil;&atilde;o de que nunca vai     deixar de sentir esse vazio. &Eacute; preciso aprender a viver com essa dor, com essa     parte da hist&oacute;ria. &Eacute; um aprendizado, pois isso n&atilde;o passa. Mas voc&ecirc; reaprende a     olhar para o c&eacute;u, a olhar para o mar, a olhar para o sol. </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma caracter&iacute;stica comum em todos os casos &eacute; a amargura e a   tristeza permanente dos familiares, seja por culpa, seja por saudade, seja pela   viv&ecirc;ncia muito forte de ter um familiar que se matou. Um efeito de ruptura em   cascata, como se viu em alguns casos, pode reverberar em muitas fam&iacute;lias,   parentes e amigos diante das consequ&ecirc;ncias em longo prazo de um suic&iacute;dio. Justo   no momento em que todos precisariam se aproximar, se unir, se consolar, h&aacute;   in&uacute;meras desaven&ccedil;as. Esse aspecto precisa ser levado em conta pelos   profissionais de sa&uacute;de ao cuidar de pessoas com hist&oacute;ria de suic&iacute;dio na   fam&iacute;lia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es   finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este   estudo come&ccedil;ou com laudos periciais e terminou com a reconstitui&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria   de algumas pessoas que cometeram suic&iacute;dio. Os suic&iacute;dios aqui analisados est&atilde;o   associados &agrave; depress&atilde;o, &agrave;s enfermidades f&iacute;sicas e mentais graves e aos   tratamentos m&eacute;dicos, aos fatores socioculturais como decad&ecirc;ncia profissional e   socioecon&ocirc;mica, &agrave; aposentadoria mal planejada, aos abusos financeiros por parte   da fam&iacute;lia, o que corrobora com os estudos internacionais<sup>6,19,20</sup>.   Entre os temas sociais, destaca-se o impacto de crises econ&ocirc;micas na vida dos   indiv&iacute;duos. Do ponto de vista existencial, a dificuldade de aceitar o   envelhecimento e seus limites<sup>4,6,10</sup>. Um dos casos est&aacute; associado &agrave;   quest&atilde;o de impregna&ccedil;&atilde;o e intoxica&ccedil;&atilde;o por medicamentos para transtornos mentais,   um problema objeto hoje de preocupa&ccedil;&otilde;es para o setor sa&uacute;de<sup>26</sup>. E, por   parte da fam&iacute;lia, ressalta-se o peso sobre os idosos dos abusos financeiros e a   sobrecarga sobre algu&eacute;m que, ao contr&aacute;rio, precisaria ser cuidado<sup>6,20.</sup> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Constata-se tamb&eacute;m que fam&iacute;lias, parentes e amigos muitas   vezes n&atilde;o levam a s&eacute;rio as inten&ccedil;&otilde;es de suic&iacute;dio explicitadas pelos idosos. No   entanto, uma idea&ccedil;&atilde;o nessa faixa et&aacute;ria pode ser mais rapidamente colocada em   pr&aacute;tica como a literatura revela<sup>15,24</sup>. Estudo realizado pelo   WHO/Euro Multicentre Study of Suicidal Behaviour<sup>27</sup> mostra que a   rela&ccedil;&atilde;o entre tentativas e suic&iacute;dios consumados, na popula&ccedil;&atilde;o idosa, em 13   pa&iacute;ses da Europa &eacute; de 2:1. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O impacto do suic&iacute;dio na fam&iacute;lia n&atilde;o se limita a sofrimentos   individuais. Ele inclui o sistema familiar e a rede de amigos, produzindo   rupturas nos la&ccedil;os afetivos e sociais, o que pode provocar o isolamento de   pessoas, parentes e amigos, limitando ou cerceando trocas que seriam   fundamentais para o reequil&iacute;brio desse grupo. A amargura que afeta parentes e   amigos deve ser vista cuidadosamente pela &aacute;rea da sa&uacute;de, pois o "desastre   afetivo-social" precisa ser acompanhado com instrumentos adequados para cuidar   daqueles que sobreviveram e que ter&atilde;o que conviver com a hist&oacute;ria do suic&iacute;dio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fragiliza&ccedil;&atilde;o cumulativa de recursos pessoais e sociais no   ciclo vital mostra que o risco de suic&iacute;dio em idosos exige cuidados permanentes   da &aacute;rea de sa&uacute;de p&uacute;blica. Em diversos pa&iacute;ses<sup>8-11,15,27</sup>, a&ccedil;&otilde;es de   promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, pronto atendimento frente a situa&ccedil;&otilde;es de risco,   acompanhamento de doen&ccedil;as f&iacute;sicas e transtornos mentais, implementa&ccedil;&atilde;o de   programas nacionais de sa&uacute;de mental e de preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio t&ecirc;m favorecido a   redu&ccedil;&atilde;o desse problema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje a OMS disponibiliza um importante manual chamado   SUPREMISS (Estudo de Interven&ccedil;&atilde;o sobre Comportamento Suicida em M&uacute;ltiplos   Locais)<sup>28</sup> que orienta os profissionais de sa&uacute;de desde a aten&ccedil;&atilde;o   prim&aacute;ria at&eacute; os n&iacute;veis mais complexos de interven&ccedil;&atilde;o. Seu pressuposto &eacute; de que   &eacute; poss&iacute;vel prevenir a morte autoinfligida em qualquer idade. Tamb&eacute;m o   Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, por meio de uma parceria com a Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana   de Sa&uacute;de (OPAS) e a Universidade de Campinas (Unicamp) elaborou um Manual de   Preven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio dirigido a profissionais das equipes de sa&uacute;de mental<sup>29</sup>.   Mas a quest&atilde;o do suic&iacute;dio, sobretudo na popula&ccedil;&atilde;o idosa ainda tem merecido   pouca aten&ccedil;&atilde;o da sociedade e do setor sa&uacute;de, particularmente no Brasil. &Eacute;   preciso que esse tema n&atilde;o seja alvo de sensacionalismo e sim tratado de forma   compreensiva e multidisciplinar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ressaltando a necessidade de se adotar uma vis&atilde;o complexa do   problema, encerra-se este trabalho com a importante advert&ecirc;ncia de Beeston<sup>20</sup>: <i>um     sentido de conectividade social e de participa&ccedil;&atilde;o na vida comunit&aacute;ria parece     ser protetiva contra o suic&iacute;dio em pessoas idosas. Portanto, o desenvolvimento     de uma rede social de suporte para essas pessoas deveria ser definido como prioridade.     Mas devemos alertar que a rede de rela&ccedil;&otilde;es pessoais e de amizade das pessoas     idosas vem sendo cada vez mais substitu&iacute;da por servi&ccedil;os profissionais pagos.     Isso pode ser problem&aacute;tico para eles</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Colaboradores</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo   foi elaborado e revisado em conjunto por MCS Minayo e FG Cavalcante. O projeto   foi coordenado e analisado por MCS Minayo, os dados coletados, organizados e   analisados por FG Cavalcante e RMN Mangas. A revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e a   organiza&ccedil;&atilde;o do campo foram feitas com apoio de JRA Souza. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Shneidman ES. The psychological autopsy. <i>Suicide   Life-Threat Behav</i> 1981; (11):325-340.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644578&pid=S1413-8123201200100002500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Shneidman ES. <i>Autopsy of   a Suicidal Mind</i>. &#91;S.l.&#93;. Oxford: Oxford University Press;   2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644580&pid=S1413-8123201200100002500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Minayo MCS, Cavalcante FG, Souza ER.   Methodo&shy;logical proposal for studying suicide as a complex phenomenon. <i>Cad     Saude Publica</i> 2006; 22(8):1587-1596.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644582&pid=S1413-8123201200100002500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Cavalcante FG, Minayo MCS. Organizadores ps&iacute;quicos e   suic&iacute;dio: retratos de uma aut&oacute;psia psicossocial. In: Almeida-Prado MCC,   organizador. <i>O mosaico da viol&ecirc;ncia.</i> S&atilde;o   Paulo: Vetor; 2004. p.371-343.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644584&pid=S1413-8123201200100002500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Minois G. <i>Hist&oacute;ria do suic&iacute;dio</i>. Lisboa:   Editora Martins Fontes; 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644586&pid=S1413-8123201200100002500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Shneidman ES. <i>Comprehending Suicide</i>:   Landmarks in 20<sup>th</sup> Century Suicidology. Washington DC: American   Psychological Association; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644588&pid=S1413-8123201200100002500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Baechler J. <i>Les Suicides</i>. Paris:   Calman-L&eacute;vy; 1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644590&pid=S1413-8123201200100002500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS). <i>Relat&oacute;rio   Mundial sobre Viol&ecirc;ncia e Sa&uacute;de. </i>Bras&iacute;lia: OMS, OPAS; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644592&pid=S1413-8123201200100002500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. World Health Organization (WHO). <i>Suicide;   huge but preventable public health problem</i>. Geneva: WHO; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644594&pid=S1413-8123201200100002500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Mitty E , Flores S. Suicide em Late Life. <i>Geriatric   Nursing</i> 2008; 29(3):160-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644596&pid=S1413-8123201200100002500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Centers for Disease Control and Prevention. <i>Web-based   injury statistics query and reporting system.</i> &#91;site na Internet&#93;.   &#91;acessado 2007 out 15&#93;. Dispon&iacute;vel: <a href="http://www.cdc.gov/ncipc/WISQARS/" target="_blank">http://www.cdc.gov/ncipc/WISQARS/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644598&pid=S1413-8123201200100002500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Conwell Y, Thompson C. Suicidal Behavior in Elders. <i>Psychiatr   Clin North Am</i> 2008; 31(2):333-356.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644600&pid=S1413-8123201200100002500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Minayo MCS. Viol&ecirc;ncia auto-infligida. In: Souza ER, Minayo   MCS, organizadoras. <i>Impacto da viol&ecirc;ncia na sa&uacute;de dos brasileiros.</i> Bras&iacute;lia: MS, OPAS; 2005. p. 205-239.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644602&pid=S1413-8123201200100002500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Shah AK. The relationship between suicide rates   and age: an analysis of multinational data from the world Health Organization. <i>Int     Psychogeriatr</i> 2007; (19):1141-1152.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644604&pid=S1413-8123201200100002500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Minayo MCS, Cavalcante FG, Mangas RM, JRA Souza. Motivos   associados ao suic&iacute;dio de pessoas idosas em aut&oacute;psias psicol&oacute;gicas. <i>Revista     Trivium</i> 2011; 3(1):109-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644606&pid=S1413-8123201200100002500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Minayo MCS, Cavalcante FG. Suicide in elderly   people: a literature review.<i> Rev Saude Publica</i> 2010; 44(4):750-757.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644608&pid=S1413-8123201200100002500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Bertaux D. <i>Biography   and Society</i>. The Life History Approach in the Social   Sciences. Thousand Oaks: Sage Publications; 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644610&pid=S1413-8123201200100002500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Durkheim E. <i>O Suic&iacute;dio</i>: Um   Estudo Sociol&oacute;gico. Rio de Janeiro: Zahar Editores; 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644612&pid=S1413-8123201200100002500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Shah J, Bhat R. The relationship between elderly   suicide rates and mental health funding, service provision and national policy:   a cross-national study. <i>Int Psychogeriatr</i> 2008; 20(3):605-615.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644614&pid=S1413-8123201200100002500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Beeston D. <i>Older   People and Suicide</i>. Centre for Ageing and Mental   Health. Staffordshire: Staffordshire University; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644616&pid=S1413-8123201200100002500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Instituto de Criminal&iacute;stica Carlos &Eacute;boli (ICCE)<i>. Arquivos   de mortes por viol&ecirc;ncia no Rio de Janeiro</i>. Rio de Janeiro: ICCE;   2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644618&pid=S1413-8123201200100002500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Evans-Pritchard EE. <i>Os Nuer</i>. S&atilde;o   Paulo: Perspectiva; 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644620&pid=S1413-8123201200100002500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. Duberstein PR, Conwell Y, Conner KR, Eberly S,   Caine ED. Suicide at 50 years of age and older: perceived physical illness,   family discord and financial strain. <i>Psychol     Med</i> 2004; 34(1):137-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644622&pid=S1413-8123201200100002500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Minayo MCS. Suic&iacute;dio de pessoas idosas e fatores associados a   esse fen&ocirc;meno no Brasil e no mundo. In: Berzins MV, Malagutti W, organizadores. <i>Rompendo     o sil&ecirc;ncio: faces da viol&ecirc;ncia na velhice. </i>S&atilde;o Paulo: Martinari;   2009. p.199-218.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644624&pid=S1413-8123201200100002500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). <i>S&iacute;ntese   dos indicadores sociais de 2004</i>. Rio de Janeiro: IBGE; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644626&pid=S1413-8123201200100002500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Food and Drug Administration. US Departamento of   Health &amp; Human Services. &#91;site na Internet&#93; 2010. &#91;acessado 2010 ago 12&#93;.   Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fda.gov/" target="_blank">http://www.fda.gov/</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644628&pid=S1413-8123201200100002500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. De Leo D, Padoani W, Scocco P, Bille-Grahe U,   Arcsnman E, Bjerke T, Crepet P, Haring C, Hawton K, Longvist J, Michel K,   Pommeraud X, Querejeta I, Phillipe J, Salander-Renberg E, Schmidtke A,   Weinacker B, Temesvary B, Wasserman D, Sampaio-Faria JG. Elderly suicidal   behaviour: results from WHO/EURO Multicentre Study on Parasuicide. <i>Int     J Geriatr Psychiatr</i> 2001; 16(3):300-310.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644629&pid=S1413-8123201200100002500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS). <i>Preven&ccedil;&atilde;o   do suic&iacute;dio</i>: um manual para m&eacute;dicos cl&iacute;nicos gerais. OMS: Genebra; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644631&pid=S1413-8123201200100002500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS). <i>Preven&ccedil;&atilde;o   do Suic&iacute;dio</i>: manual dirigido a profissionais das equipes de sa&uacute;de   mental. Bras&iacute;lia: MS, OPAS, Unicamp; 2006. &#91;acessado 2010 set 25&#93;. Dispon&iacute;vel   em: <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_ prevencao_suicidio_saude_mental.pdf" target="_blank">http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_ prevencao_suicidio_saude_mental.pdf</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1644633&pid=S1413-8123201200100002500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Artigo   apresentado em 13/04/2011<br />   Aprovado em 10/06/2011<br />   Vers&atilde;o final apresentada em 08/07/2011</font></p>      ]]></body><back>
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