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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESENHAS</b> BOOK REVIEWS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Martha   Cristina Nunes Moreira</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Instituto Fernandes Figueira,   Fiocruz. <a href="mailto:moreira@iff.fiocruz.br">moreira@iff.fiocruz.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gomes R,   organizador. <i>Sa&uacute;de do homem em debate</i>. Rio de   Janeiro: Editora Fiocruz; 2011</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/csc/v17n10/a32img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Independente   de trabalharmos ou n&atilde;o com a sa&uacute;de dos homens, de sermos homens ou de nos   relacionarmos com eles, faz-se necess&aacute;rio ler a presente colet&acirc;nea. As rela&ccedil;&otilde;es   de g&ecirc;nero constituem-se em um ambiente relacional para a constru&ccedil;&atilde;o de valores,   normas e expectativas sobre comportamentos p&uacute;blicos e estrat&eacute;gias de manejo das   identidades sociais ou de tra&ccedil;os identit&aacute;rios que n&atilde;o se reduzem a ser homem ou   ser mulher. Tornar-se humano, mas acima de tudo buscar refer&ecirc;ncias e s&iacute;mbolos   que qualifiquem a masculinidade e a feminilidade, na complexa rela&ccedil;&atilde;o entre   micro e macro, entre estrutura social e constru&ccedil;&atilde;o de subjetividades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schraiber e Figueiredo inovam ligando o conceito de   integralidade em sa&uacute;de com a no&ccedil;&atilde;o sartriana de projeto. Tal no&ccedil;&atilde;o revisa as   posi&ccedil;&otilde;es profissionais e as contribui&ccedil;&otilde;es da sa&uacute;de coletiva para a reforma da   sa&uacute;de e da sociedade, impulsionando perguntas sobre os encontros e os   desencontros entre projetos dos profissionais, dos formuladores de pol&iacute;ticas,   dos gestores e dos usu&aacute;rios. A no&ccedil;&atilde;o de projeto se re&uacute;ne &agrave; integralidade e &agrave;   autonomia como interdepend&ecirc;ncia, na constru&ccedil;&atilde;o de processos de tomada de   decis&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica e elabora&ccedil;&atilde;o de projetos terap&ecirc;uticos. Apontam   que os homens esperam vinte anos ap&oacute;s a institui&ccedil;&atilde;o do PAISM para caber no   projeto pol&iacute;tico do SUS. Desse projeto fez parte o movimento social feminista,   enquanto da Pol&iacute;tica Nacional de Sa&uacute;de do Homem cabe perguntar sobre quais   seriam seus projetos pol&iacute;ticos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Medrado, Lyra e Azevedo retomam as contribui&ccedil;&otilde;es do feminismo   para as pol&iacute;ticas de aten&ccedil;&atilde;o a sa&uacute;de da mulher, apontando que essas n&atilde;o   dialogam com a m&aacute;xima j&aacute; reconhecida de que "a masculinidade &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o   social". Se o sistema de sa&uacute;de brasileiro avan&ccedil;ou no reconhecimento dos homens   como uma popula&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, apropriou-se do g&ecirc;nero como uma entidade, um   substituto da vari&aacute;vel sexo em epidemiologia, obstaculizando sua pot&ecirc;ncia   anal&iacute;tica e pol&iacute;tica. Para os autores as leituras vitim&aacute;rias sobre os homens se   fundamenta na ret&oacute;rica dos dados que produzem um determinado homem. Reivindicam   outras qualifica&ccedil;&otilde;es e media&ccedil;&otilde;es, como a do racismo como produto das rela&ccedil;&otilde;es   raciais que impede o homem negro de cumprir o modelo masculino hegem&ocirc;nico e   desej&aacute;vel. Apontam as contribui&ccedil;&otilde;es dos pesquisadores, movimentos sociais   organizados e / ou segmentos espec&iacute;ficos nas modifica&ccedil;&otilde;es da PNAD a partir de   1987. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Scott diferencia ciclo e curso de vida refletindo sobre   vulnerabilidade masculina e moradia. Revisa a no&ccedil;&atilde;o de ciclo de vida e   sintetiza sua cr&iacute;tica na redu&ccedil;&atilde;o que esta no&ccedil;&atilde;o opera sobre a vida dom&eacute;stica ou   sobre as transi&ccedil;&otilde;es ou fases da vida. Valorizando a an&aacute;lise sobre <i>vital     conjuctures</i> Scott destaca a variabilidade das experi&ecirc;ncias vividas e   menos a sequ&ecirc;ncia das faixas et&aacute;rias. A ideia de curso de vida se liga &agrave;   experi&ecirc;ncia diferenciada das gera&ccedil;&otilde;es e de g&ecirc;nero no espa&ccedil;o urbano, sem anular   a ideia de ciclos. As observa&ccedil;&otilde;es etnogr&aacute;ficas associadas aos dados censit&aacute;rios   possibilitam rever fluxos e recursos utilizados entre bairros ou comunidades   pobres e ricas, na compreens&atilde;o do cotidiano e dos relacionamentos de g&ecirc;nero. A   no&ccedil;&atilde;o de curso de vida e a dimens&atilde;o relacional de g&ecirc;nero possibilitam o acesso   aos rearranjos das rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres no campo de possibilidades   que desenham, e para an&aacute;lises sobre desenhos de redes. O autor reivindica que   estudos de casos podem colocar carne etnogr&aacute;fica nos esqueletos censit&aacute;rios.   Destacamos a possibilidade de ao situar as rela&ccedil;&otilde;es entre homens e mulheres no   &acirc;mbito das moradias a ideia de que ao envelhecer ocorrem mudan&ccedil;as de status e   de valor ao homem, que se desdobram em efeitos diferentes na forma como o homem   jovem ou idoso se afastam e se aproximam dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. O autor   trabalha com o contraste entre a patofobia para o homem jovem &#150; em que sua   masculinidade n&atilde;o pode conviver com a doen&ccedil;a &#150; e a patofilia para o homem idoso   &#150; para quem a doen&shy;&ccedil;a provoca medo e busca de cuidado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nascimento, Segundo e Barker relacionam juventude,   masculinidade e exclus&atilde;o social. Recorrem as Confer&ecirc;ncias do Cairo e de Pequim   e indicam que desde l&aacute; a inclus&atilde;o dos homens estava pautada nas a&ccedil;&otilde;es de   promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de sexual e reprodutiva. Ao retomarem a constru&ccedil;&atilde;o social dos   g&ecirc;neros, e sua import&acirc;ncia para compreender o processo de socializa&ccedil;&atilde;o   masculina convergem com pontos da an&aacute;lise de Medrado, Lyra e Azevedo no   cap&iacute;tulo 2. Muito embora, o caminho anal&iacute;tico empreendido por Nascimento,   Segundo e Barker ainda destaque os pontos comuns a diversos outros estudos que   refor&ccedil;am a vulnerabilidade masculina associada &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o dos   modelos hegem&ocirc;nicos do provedor, do sexualmente incontrol&aacute;vel, do violento. E   ainda, a pouca capacidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de de constru&iacute;rem uma cultura de   acolhimento ao homem e ainda rever a ditadura da heteronormatividade na   constru&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o profissional. Vale destacar as diferen&ccedil;as entre este   cap&iacute;tulo e a perspectiva de Parry Scott no cap&iacute;tulo 3. Quando Scott aciona   outras categorias anal&iacute;ticas como curso de vida e as mudan&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es de   conjugalidade a partir do envelhecimento e do adoecimento do homem &#150;   concordante com os dados epidemiol&oacute;gicos sobre a diferen&ccedil;a da expectativa e dos   anos de vida entre homens e mulheres &#150; ele consegue abrir um caleidosc&oacute;pio   sobre as diferen&ccedil;as dentro do pr&oacute;prio universo masculino. Em virtude do   envelhecimento e adoecimento do homem, com sua precariedade de v&iacute;nculos de   trabalho, benef&iacute;cios de renda, dentre outros se abre espa&ccedil;o para a assun&ccedil;&atilde;o da   chefia feminina da fam&iacute;lia, e muitas vezes a invers&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder e   influ&ecirc;ncia, com consequ&ecirc;ncias para as estruturas de redes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Monteiro e Cecchetto analisam a masculinidade pelas lentes da   discrimina&ccedil;&atilde;o e da cor/ra&ccedil;a, reconhecendo as contribui&ccedil;&otilde;es do movimento   feminista para a &aacute;rea da sa&uacute;de, mas reivindicando que as discrimina&ccedil;&otilde;es de   g&ecirc;nero sejam relacionadas &agrave;s desigualdades em sa&uacute;de. O campo da sa&uacute;de se   ressente de an&aacute;lises que explorem o racismo e suas consequ&ecirc;ncias nos agravos &agrave;   sa&uacute;de, abrindo a agenda para pesquisas e interven&ccedil;&otilde;es voltadas para a sa&uacute;de da   popula&ccedil;&atilde;o negra. Recorrem tamb&eacute;m aos dados demogr&aacute;ficos e epidemiol&oacute;gicos   assinalando a vulnerabilidade de homens jovens, negros e pobres &agrave; viol&ecirc;ncia,   desigualdade e discrimina&ccedil;&atilde;o. A grande quest&atilde;o que se coloca &eacute; avan&ccedil;ar, segundo   as autoras, na dire&ccedil;&atilde;o de estudos qualitativos que explorem as percep&ccedil;&otilde;es dos   sujeitos sobre as implica&ccedil;&otilde;es da discrimina&ccedil;&atilde;o no processo sa&uacute;de / doen&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gomes aponta que o modelo de "um homem euroamericano,   heterossexual, com alta escolaridade e detentor de um consider&aacute;vel status   econ&ocirc;mico" descarta a exist&ecirc;ncia das masculinidades e de diversidades de enredos   e personagens sexuais na negocia&ccedil;&atilde;o de outros padr&otilde;es n&atilde;o hegem&ocirc;nicos. Outra   redu&ccedil;&atilde;o ocorre nos espa&ccedil;os virtuais onde a sa&uacute;de masculina equivale &agrave; disfun&ccedil;&atilde;o   er&eacute;til, tamanho do p&ecirc;nis e ejacula&ccedil;&atilde;o precoce. Na sa&uacute;de p&uacute;blica a sexualidade   masculina &eacute; reduzida ao seu enfoque infectante, mais doen&ccedil;a que sa&uacute;de. Nas   metanarrativas predominam os enredos voltados para a heteronormatividade, a   dificuldade em associar erotismo e sentimento, e conclui que os enredos sexuais   podem ultrapassar limites de classe e gera&ccedil;&atilde;o. Sugere que o debate sobre a   sexualidade masculina seja ampliado, articulando f&iacute;sico e simb&oacute;lico,   considerando-a como energia relacionada &agrave;s prefer&ecirc;ncias, predisposi&ccedil;&otilde;es,   experi&ecirc;ncias, experimenta&ccedil;&otilde;es e descobertas, guardadas as diferen&ccedil;as entre os   segmentos sociais. A sa&uacute;de sexual est&aacute; na base da constru&ccedil;&atilde;o das identidades   sociais, pessoais, redes de sociabilidade e cidadania sexual e base para   reconhecimento de direitos. A abordagem de Gomes dialoga com as an&aacute;lises de   Couto e Schraiber no cap&iacute;tulo 8 onde a interface entre viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero para   homens e perspectivas para a preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de se destacam. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nascimento contribui com reflex&otilde;es de pesquisa etnogr&aacute;fica   com casais que recorrem as NTR (Novas Tecnologias Reprodutivas). Explora o   universo da masculinidade para al&eacute;m da ideia da domina&ccedil;&atilde;o masculina, valorizando   as interroga&ccedil;&otilde;es e inseguran&ccedil;as, a vergonha e a incerteza. A leitura reivindica   que os estudos sobre homens em seus diversos recortes estejam situados,   contextualizados, a custa de que reforcemos determinados achados, reiterando-os   como f&oacute;rmulas e naturalizando-os no ciclo do conhecimento. Homens no contexto   de uma conjugalidade onde ter filhos precisa estar referido a um suporte   tecnol&oacute;gico e medicalizado podem expressar outras no&ccedil;&otilde;es e express&otilde;es que   merecem ser exploradas em outras pesquisas nessa linha, em outros universos   culturais e sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise de Carrara e Saggese sobre masculinidades e   viol&ecirc;ncia pelo recorte da homofobia, encerra o livro. Expressam de maneira   harm&ocirc;nica a articula&ccedil;&atilde;o entre perspectivas quantitativas &#150; na forma de <i>surveys</i> aplicados   em Paradas do Orgulho LGBT em 4 capitais brasileiras &#150; e qualitativas.   Qualitativamente destacam as estrat&eacute;gias de negocia&ccedil;&atilde;o da homossexualidade, na   rela&ccedil;&atilde;o com o estigma e a decis&atilde;o de assumir sua sexualidade, desenhando,   segundo os autores, os chamados mapas de seguran&ccedil;a. Desse desenho faz parte o   dom&iacute;nio de uma cronologia associada aos espa&ccedil;os que se pode frequentar e ao   perfil dos frequentadores, com o objetivo de reduzir ao m&aacute;ximo a possibilidade   de viol&ecirc;ncia homof&oacute;bica. Destaca-se que n&atilde;o somente &eacute; necess&aacute;rio o   gerenciamento dos lugares, hor&aacute;rios e perfis de frequ&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m daquilo   que denominamos como uma domestica&ccedil;&atilde;o da apar&ecirc;ncia: civiliza&ccedil;&atilde;o dos gestos, da   apar&ecirc;ncia e da masculinidade. A esse processo os autores denominam mapas   corporais, que permitem um controle em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria imagem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em fun&ccedil;&atilde;o de tantas an&aacute;lises, com s&oacute;lidas reflex&otilde;es, de   car&aacute;ter interdisciplinar que fortalecem o campo da sa&uacute;de coletiva, a colet&acirc;nea   merece ser lida e degustada com paci&ecirc;ncia, delicadeza e suavidade, qualidades   humanas no exerc&iacute;cio de afirma&ccedil;&atilde;o da vida e da diferen&ccedil;a.</font></p>      ]]></body>
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